quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Célebres Vaqueiros da História

"O medo da prisão transforma o indivíduo numa fera "


Um ilustre conterrâneo do amigo Kiko Monteiro, grande jornalista "Joel Silveira", (Foto) no ano de 1944, realizou uma entrevista com os cangaceiros ( Volta Seca; Angêlo Roque, Saracura, Cacheado, Deus Te Guie e Caracol ), quando todos eles se encontravam presos, na Penitenciária de Salvador/BA, cumprindo pena. Vejamos, abaixo, o texto na íntegra dessa famosa conversa.

Penitenciária de Salvador, Março de 1944.

Em meio á conversa, fiz a pergunta inesperada: os antigos companheiros e comandados de Lampião se entreolharam, silenciosos. Angêlo Roque (Labareda) baixou a cabeça e Saracura, a fisionomia carregada, pôs-e a olhar pela janela aberta. Segundos depois, Cacheado me encara com seu rosto de criança, ilumina-se num sorriso cândido e me diz:
- A gente matava como uns danados. - E acrescenta: - Mas a culpa não era da gente.
Ângelo Roque, o "velho Ângelo", aprovou com a cabeça. e, Cacheado continuou:
- Se os homens educados não auxiliassem a gente com munição, a história seria outra. Não teria se dado nada do que se deu. Pensando bem, os criminosos são eles. Uma pessoa de bem não ajuda bandido.
É uma tarde de quinta-feira, e estamos aqui, num dos mais amplos salões da Penitenciária da cidade de Salvador, diante dos seis famosos ex-cangaceiros: Volta Seca, Ângelo Roque (Labareda), Saracura, Cacheado, Deus Te Guie e Caracol.

Deus Te Guie é quase um menino, mas Ângelo Roque já vai se aproximando dos cinquenta anos: tem um rosto grave, de uma tristeza séria. O sertão deixou nele profundas marcas - as faces cortadas por rugas como talhos e nos olhos um brilho de sol inclemente. Antes de começar a tomar os meus apontamentos, o diretor da penitenciária fizera um pequeno discurso aos seis antigos bandoleiros. Aquilo seria, disse ele, uma espécie de mesa-redonda, na qual o jornalista e os prisioneiros debateriam assuntos ligados ao cangaço.

Que cada um contasse a sua história, as razões que o haviam levado a deixar a Lei, suas roças e seus empregos para a tremenda aventura do banditismo sertanejo. E que falassem, com toda a sinceridade.

Ângelo Roque fez um aparte, numa voz rouca:
-Eu sempre falei com sinceridade.
E me conta, dando início á conversa que entrou para o cangaço para desafrontar a sua honra.  
“Sempre fui um homem de ordem. Sempre vivi honestamente do meu trabalho ".
Sua história é simples, e escuto do próprio "velho Ângelo", na sua linguagem seca e típica. Ângelo Roque da Costa nasceu em Jatobá, Tacaratu, em Pernambuco. Entrou para o banditismo em 1928, quando conheceu Lampião. Seu primeiro encontro com Virgulino foi na Fazenda Arrasta-Pé, na margem baiana do São Francisco.
-Não me esqueço da primeira impressão que Lampião me deu: a de um homem tão sujo que dava nojo.
Pouco antes de 1928, em Jatobá, um soldado da força local deflorou uma irmã de Ângelo, é o que me diz. O caso foi para a Justiça, mas o soldado era protegido da política "de cima" - as queixas de Ângelo de nada valeram.
- "Então resolvi fazer justiça com as minhas próprias mãos. Fui na casa do soldado, mas só estava lá a mulher dele. Esperei na porta até que ele chegasse. De noitinha ele apareceu, e então eu lhe disse que ia morrer. Atirei duas vezes. O "praça" caiu de bruços, mas não morreu. Me disseram depois que andou muito tempo á beira da morte, mas não morreu".

O medo da prisão jogou Ângelo Roque na caatinga: durante vários meses, andou como um sem pouso pelos áridos caminhos do sertão. Pouco aparecia nas cidades. Trabalhou em roças, dormia no mato. Conheceu, depois, os cangaceiros Corisco e Arvoredo, e os dois lhe explicaram que a única maneira de viver tranquilo, longe da polícia, era entrar para o cangaço. Em 1928, quando conheceu Lampião, se decidiu. Mas demorou pouco tempo ao lado de Virgulino.
- Lampião não podia ficar parado num canto, e eu nunca fui homem viajeiro. Além disso, de vez em quando, a gente se encrencava. Um dia tive uma briga mais séria com ele, por causa de uma coisa sem importância. A gente estava de emboscada, na caatinga, á espera de um caminhão. Mas depois aconteceu a disgraceira.
O culpado da "disgraceira", me explica Ângelo Roque, foi o promotor de Coité que, em 1941, requereu na Justiça estadual a prisão do velho e dos seus companheiros.
- Este homem sempre me quis o mal, não sei por quê. Nunca fiz nada com ele.
A Justiça foi implacável para com os antigos reis do cangaço: Ângelo e seus amigos foram condenados, cada um, a trinta anos de prisão. Há meses atrás, o antigo bandoleiro trabalhou numa Horta da Vitória da Legião Brasileira de Assistência e, diariamente, sem qualquer vigilância, tomava o bonde e ia para o bairro de Brotas, como um passageiro comum.

De todos os seis cangaceiros presentes, o único que tentou fugir da cadeia foi "Volta-Seca". Pergunto ao famoso cabra de Lampião, seu lugar-tenente, o que pretende fazer ao recuperar a liberdade. Volta Seca - é o mais vivo, o mais alegre e o mais inteligente de todos - me responde num sorriso:
- "Vou cuidar da minha vida".
- E depois ?
- "Me meto num lugar bem longe, tão longe que ninguém vai ouvir falar de mim. Mudo o nome, e vou viver tranquilo. O que passou, passou".
Sua fuga, há pouco mais de um ano, foi um prodígio de habilidade e sangue-frio: com uma lima rústica, Volta Seca conseguiu serrar uma das grades da prisão, e seu corpo fino e elástico, corpo de menino, deslizou pela pequena abertura e, em seguida, por um reduzido espaço entre fios elétricos do muro da penitenciária.
- " Em pouco mais de vinte dias, fui a pé daqui da Bahia até Santa Luzia, em Sergipe. Não fui em menor tempo, porque um companheiro meu, que também havia conseguido escapar, adoeceu no caminho ".
Converso com esse rapaz de 26 anos de idade (parece ter apenas vinte), e ás vezes me esqueço que foi ele próprio, há uns dez anos, quem comandou uma série de horrores numa fazenda de uns parentes meus, no Sul de Sergipe. Seu bom humor é contagiante, e é impossível deixar de rir quando Volta Seca nos revela, na sua maneira dialogada, ecos de sua fuga recente:
-"Uma tarde cheguei numa roça e pedi emprego. A dona da roça me olhou, perguntou depois: "você não é o Volta Seca ?". Dei um pulo para trás, gritei: "Deus me livre, minha senhora ! isso é coisa que se diga ! ".
Então a moça continuou: "Pois ja vi o retrato de Volta Seca e o senhor se parece muito com ele. " Respondi: "Pois então, dona, me pareço com o diabo ! ".
Peço a Volta Seca sua opinião sobre Lampião, e ele me responde:
-Lampião sempre foi um homem difícil de explicar.
- Mas era valente ? Perguntei-lhe .
- " Homem, não sei. Rodeado de amigos e bem armados e dispostos, todo mundo é valente....Nunca vi ele brigar sozinho. Lampião só andava rodeado, e assim qualquer trabalho fica fácil "
Aponta para Ângelo Roque, afogado na sua gravidade:
- Valente era aquele ali. Isto sim. Já vi várias vezes o velho Ângelo enfrentar sozinho vários "macacos" (soldados das volantes).
Também Volta Seca brigou, certa vez, com Lampião. Foi uma briga muito séria, me diz ele, e Deus Te Guie conforma.
-Naquele dia, eu tinha certeza que um dos dois ia deixar de viver: ou Volta Seca ou Lampião.
O mal-entendido entre o Chefe do bando e o seu cabra mais famoso teve lugar em 1931, após um duro combate com a força policial. Um dos bandoleiros, "Bananeira", havia sido ferido pelos soldados, e, ficara estendido na estrada. Volta Seca procurou Lampião e pediu-lhe autorização para ir buscar o amigo ferido. Virgulino achou que a empresa era perigosa e que a ida de Volta poderia facilitar aos soldados a pista do bando.

Mas Volta Seca não podia deixar o companheiro morrer, explica Deus Te Guie. Então, surgiu o primeiro atrito entre os dois. Em companhia de Caracol (também presente á entrevista, com seu rosto parado), Volta Seca conseguiu arrastar Bananeira até um lugar seguro. Mas Bananeira estava muito ferido e teve que ser transportado numa rede.
-Bananeira pesava como o diabo - me diz Volta Seca.
Quando os dois chegaram com o companheiro ferido, Lampião e o resto do bando já haviam ido embora. Voltaram depois, e Virgulino procurou Volta Seca:
- "Menino, a gente tem que andar depressa. Os "macacos" estão por perto. Solte o ferido ai, e monte no seu cavalo."
Volta Seca respondeu que não podia fazer aquilo. Bananeira iria com ele - e montou o ferido no seu próprio cavalo. Virgulino, enfurecido, ordenou a Volta Seca que desmontasse Bananeira.
- " Então, o sangue me subiu á cabeça. Disse que não desmontava. Lampião pegou a carabina, mas fui mais ligeiro do que ele. Apontei bem no peito dele e lhe disse: " Se o senhor bulir com as pestanas, atiro. "Lampião estava verde de raiva. Ficamos assim um tempo grande, um olhando para o outro. Depois os companheiros serenaram a coisa. De noite no meu rancho, fui avisado por Quixabeira e Gavião que Lampião ia me matar no dia seguinte. Então dei o fora "
Volta Seca tinha apenas 14 anos quando entrou para o bando de Virgulino. Nascera em Itabaiana, no centro de Sergipe, fugiu de casa menino e andou sozinho pelo sertão. Encontrou-se com Lampião, em Goroso, no município de Bom Conselho, na Bahia. Ele me diz agora que no princípio apanhava quase que diariamente de Lampião. De Virgulino e dos outros:
- "Todo mundo gostava de enxugar a mão em mim. Até o velho Angelo Roque. Mas depois endureci o cangote, e o primeiro que me apareceu com ares de pai, recebi com a mão no rifle ".
Volta Seca me garante que quase todas as histórias que contam a seu respeito não são verdadeiras.
- "Gostavam de contar, por exemplo, que eu só matava á traição. Uma calúnia. Eu posso ser tudo, meu senhor, posso ser ruim de doer, uma coisa , no entanto, não sou: covarde e traidor. Nunca matei ninguém pelas costas, mas sempre em defesa própria. E sempre fui amigo dos meus amigos. Eu podia ter matado Lampião, naquele dia da briga, matar pelas costas, friamente. Mas não matei, porque era feio ".
Pergunto a Volta Seca os nomes de alguns dos coiteiros mais importantes e mais chegados ao bando. Ele sorri e responde:
“- O que passou, passou ".
Mas, o cangaceiro Cacheado toma a palavra:
- " Quase todo dono de fazenda era coiteiro. Os coiteiros sempre foram a nossa perdição. Eles nos davam dinheiro, comida e munição. E eram sempre eles que nos entregavam aos macacos (policiais). "
Volta Seca tenta inocentar os coiteiros:
- " Eles tinham que ajudar a gente. Senão a gente queimava as fazendas deles e matava o gado".
O cangaceiro "Saracura", de pele esverdeada pelo impaludismo, tem o olhar distante, perdido no mundo lá fora que a janela aberta deixa ver: o telhado comprido da estação de Calçada, as casas equilibradas no morro ao lado, a chaminé comprida da fábrica. É um rapaz calado que de vez em quando morde os lábios. Suas respostas são quase monossilábicas. Pergunto:

-Como você Saracura começou essa vida de bandoleiro ? Ele responde:
- A gente nunca sabe.
Ângelo Roque é da mesma opinião.
 - " Nunca se sabe. Uma coisa digo ao senhor: "Ninguém nasce bandido". Vamos dizer que aquele soldado casado não tivesse feito mal á minha irmã: tudo seria diferente. Eu continuaria na minha rocinha, talvez tivesse hoje umas economias, talvez até fosse dono do sítio. Nunca fui um homem da maldade. Depois que a gente vai pelo caminho, é que é o diabo.
O medo da prisão transforma o indivíduo numa fera ". O cangaceiro Caracol, tão calado, parece despertar, e começa a falar numa espécie de explosão:
- Por ai só se fala nas crueldades dos bandidos. Mas o senhor ande pelo sertão, converse com o povo pobre de lá: todo mundo dirá ao senhor que muito mais barbaridades do que nós, praticavam os soldados da força volante. E os coronéis, também. Eu poderia citar casos e mais casos de coisas horrorosas que eles fizeram por estes sertões. Bandidos como a gente. Por isto é que, em muitas cidades e povoados, nós, os "cabras", éramos recebidos como salvadores. Em certos lugares, meu senhor, o povo tinha mais confiança na gente do que nos "macacos" das volantes.
Volta Seca aparteia:
- " É isso mesmo: os crimes dos "macacos" foram iguais aos nossos. Mas nada aconteceu com eles. E com os coiteiros ? Os homens importantes e ricos do sertão, que nos ajudavam, nos davam armas, dinheiro e comida, continuam ricos e importantes. "
Cacheado volta com seu riso de menino:
-" A gente matava muito, a gente matava como uns danados. Mas a policia e os coronéis, matavam muito mais. "
Ângelo Roque faz um gesto com a mão, e o silêncio volta á sala. Agora só se ouve a voz grossa do " velho Ângelo", que diz, o rosto fechado:
-"Mas não vamos falar mais nisso. O que passou, passou, já disse. O que adianta agora é que nos dêem a liberdade prometida. Sou ainda um homem moço, quero ficar livre, trabalhar e cuidar de minha vida."
Volta Seca se volta para mim:
-"Veja o que o senhor pode fazer por nós. Até agora ninguém nos ajudou. Chegam aqui os doutores, pedem para ver a gente e saem prometendo mundos e fundos. Mas a verdade é que continuamos aqui. Já passei um tempo medonho na prisão, mais de dez anos, quero a liberdade. Fugi, há pouco tempo, porque não aguentava mais. Se eu não fugisse ficava maluco "
O cangaceiro " Deus Te Guie " acrescenta:
-" Seu Ângelo não gosta que a gente fale, mas é preciso que se diga que houve muita injustiça por esses sertões. Por que foi que "Arvoredo" ficou criminoso ? Por causa das barbaridades que os "macacos" fizeram com a sua familia. "
E é Volta Seca quem me conta a história:
- "O pai de Arvoredo vivia em Santo Antônio da Glória. Numas eleições, o velho deixou de votar no chefe político do lugar. O chefe mandou uma volante no seu sítio e eles fizeram horrores: estupraram as duas filhas e mataram os quatro filhos do velho, inclusive duas criancinhas de berço. Só escapou Arvoredo. Acabou bandido. E o velho se tornou coiteiro. Foi preso, morrendo aqui nesta penitenciária, há dois anos atrás, quase com oitenta anos. "
O próprio Saracura parece, agora, sair do seu sono triste. Pede a palavra e conta:
-"Posso falar do meu caso. Peguei na espingarda quase obrigado, para mim vingar das misérias que fizeram com meu pai. Um dia, no Coité, uma volante invadiu o nosso sítio. Queriam á força que meu pai desse notícia dos cangaceiros, como se ele fosse um coiteiro. O velho não sabia de nada, e então os "macacos" começaram a supliciar o pobre: arrancaram as barbas dele, fio a fio, arrancaram suas unhas com alicate; se o senhor pensar que estou mentindo, vá lá no Coité e procure André Paulo Nascimento, que mora nas redondezas. É o meu pai. Ele dirá ao senhor se estou ou não falando a verdade. Ele mostrará ao senhor o estado em que ficaram seus dedos. E eu próprio, antes de pegar na espingarda, fui um dia violentamente espancado na Fazenda Curral, perto do Coité. Os "macacos" haviam dito que eu era coiteiro, mas na verdade é que, até então, eu nunca vira um bandido na minha vida ".
Saracura me revela mais que é casado e tem três filhos, que de vez em quando o visitam. A conversa chega ao fim, e peço aos antigos companheiros de Lampião que permitam ao meu fotógrafo uma série de instantâneos, coletivos e individuais. Instintivamente, "Deus Te Guie" abotoa a blusa e passa a mão nos cabelos lisos. "Volta Seca" diz, num sorriso:
- "Só deixo tirar meu retrato se o senhor mandar uma cópia para mim".
E quando o violento magnésio da câmera fotográfica do meu amigo Brito rebenta na sala, como um tiro de canhão, o ex lugar-tenente do Capitão Virgulino dá um pulo da cadeira:
-"Um tiro desgraçado ! Parece pólvora seca".
E ao lhe pedir uma pose especial, "Volta Seca" chega até a janela aberta e diz:
- "Quero tirar um retrato olhando para fora, com a cara triste. Para mostrar aos doutores que estou doidinho para sair daqui."
Há uma larga distribuição de charutos e, ao se despedir, o velho "Ângelo", aperta minha mão com força:
-" Disponha aqui de um criado ás ordens. Desminta as calúnias que dizem a nosso respeito e veja o que o senhor pode fazer por nós.."

A entrevista integra o livro "Tempo de Contar" (Editora Record, 1986).

Estimados colegas: Leiam esse importante texto, e tire as suas próprias conclusões.
Um abraço!
Ivanildo Silveira


2 comentários:

Sérgio Dantas disse...

Amigos, tive a oportunidade de trocar algumas correspondências com o importante jornalista sergipano Joel Silveira, conterrâneo do nosso confrade KIKO, coordenador-em-chefe deste Blog.
Através de nosso breve conhecimento com o jornalista, entendi que um dos objetivos de Silveira seria escrever um livro sobre o cangaço, porém, diante do 'desvio' não-proposital para o jornalismo político, o projeto ficou para trás.
A história do cangaço, decerto, perdeu uma imensa colaboração.
Recebi de Joel vários documentos (alguns deles usados no meu livro LAMPIÃO - ENTRE A ESPADA E A LEI). Ficou ele de me enviar outros, porém a morte o colheu de surpresa em 15 de agosto de 2007.
Dentre outras coisas que perdi com a partida de Joel, foram importantes entrevistas por ele feitas com Pancada e Vila Nova, só para citar os nomes de dois mais famosos.
Nossa homenagem ao sergipano ilustre.
Sérgio Dantas.'.
NATAL

vanderligsp disse...

tenho esse depoimento pois ele e muito otimo parabens ao pesquisadores por esse beleo site
que fala sobre o rei