Passados 14 anos desde que comecei o “Lampião Aceso”, (1º blog dedicado inteiramente ao tema cangaço), ele ainda me proporciona pouquíssimos “recebidos”, mas de indeléveis alegrias.
Temos o orgulho de ver nosso nome estampado em mais um livro. E este é um trabalho ispiciá…
Trata-se de uma reedição histórica de “O sertão, a política e os cangaceiros” uma plaquete de autoria de G. Pinto de Souza, lançada em edição única há 102 anos.
Fizemos a simples doação de uma cópia que me foi presenteada pelo filho do autor e graças aos contatos do confrade Angelo Osmiro Barreto, cabra que detém a maior biblioteca do gênero no país e do empenho do editor Adriano de Carvalho Duarte, ele agora está ao alcance dos amantes da historiografia nordestina.
Muito obrigado a estes vaqueiros!
Para adquirir este livro entre em contato com Adriano zap (88) 9 9956 - 1897
De 1915 a 1922, Sinhô Pereira combateu os seus inimigos sem desfalecimento. Em 1921 ele aceitou em seu bando de cangaceiros três rapazes, Virgulino Ferreira e seus dois irmãos, Antônio e Livino, os quais deram um maior poder de fogo ao grupo de Sinhô.
Durante o ano em que Virgulino Ferreira e os irmãos lutaram sob o comando de Sinhô Pereira, os combate contra os Carvalho e a polícia, intensificaram-se.
Sinhô curtindo a velhice
Neste período, um dos combates mais duros foi o da serra da Forquilha, em São Francisco, onde Sinhô Pereira foi cercado numa casa por 126 soldados, contando ele com apenas 11 cangaceiros, entre os quais os irmãos Ferreira.
O cerco foi rompido, sem nenhuma baixa por parte dos cangaceiros.
Foi neste combate que Virgulino Ferreira ganhou o apelido com o qual passaria a ser conhecido na história do cangaço.
Durante o tiroteio entre os cangaceiros e os policiais, observou-se o fato de que o rifle de Virgulino Ferreira, de tanto atirar para dar saída aos homens de Sebastião de dentro da casa em que se encontravam, mais parecia um candeeiro ou um LAMPIÃO ACESO, resolveram dar-lhe o apelido de "Lampião".
Neste e em outros combates, Sinhô Pereira teve oportunidade de observar Lampião em situações limite e, quando resolveu abandonar a vida do cangaço, em 1922, não hesitou em nomear o jovem rapaz como seu sucessor.
Lampião em setembro de 1922
Do livro: Sertão Sangrento - Luta e Resistência De: Jovenildo Pinheiro
O cangaceiro Lampião nos primeiros momentos de sua vida no Cangaço.
AINDA VIVE O HOME M QUE EM 1921 SEPULTOU O PAI DE LAMPIÃO
Diário de Pernambuco, 29 de março de 1973, Terceiro Caderno, Página 3.
Pesquisa – Tadeu Rocha / Fotos José Valdério
Diário de Pernambuco, 29 de março de 1973, Terceiro Caderno, Página 3.
Num velho casarão alpendrado de uma
fazenda sertaneja, em plena caatinga pernambucana do Município de Itaíba
reside o ancião Maurício Vieira de Barros, que em maio de 1921 sepultou
o pai de Lampião, morto por uma força volante da Policia alagoana. Nos
seus bem vividos e muito sofridos 86 anos de idade, ele viu e também fez
muita coisa, por esse Nordeste das caatingas e das secas, dos beatos e
dos cangaceiros, dos soldados de verdade e dos coronéis da extinta
Guarda Nacional.
O Sr. Maurício Vieira de Barros nasceu em 2
de abril de 1886, Na casa dos seus 30 anos, foi Subcomissário de
Polícia no Estado de Alagoas e, na dos 40, chegou ao posto de Sargento
na Polícia Militar de Pernambuco. Depois, respondeu a dois júris por
excesso de autoridade e, desde 1955, está vivendo uma velhice descansada
no Sítio dos Meios, em companhia de sua filha Dona Jocelina Cavalcanti
de Barros Freire.
Se não fossem as ouças, que já estão
fracas, o velho Maurício não aparentaria os seus quase 87 anos, pois
ainda caminha com passo firme e guarda boa lembrança dos fatos de sua
mocidade e maturidade.
Ele é, agora, a derradeira testemunha viva do
início de uma tragédia sertaneja: a transformação do cangaceiro manso
Virgulino Ferreira em bandido profissional que convulsionaria os sertões
nordestinos durante 17 anos.
Casa do Sítio do Meio em 1973.
UM ATOR NO PROSCÊNIO
A primeira indicação do Sr. Maurício
Vieira de Barros como a autoridade policial que sepultou o pai de
Lampião nos foi dada, há mais de 20 anos, pelo Major Optato Gueiros, no
segundo capítulo do seu livro sobre Virgulino Ferreira.
O autor das
“Memórias de um oficial ex-comandante de forças volantes” ouviu o relato
da morte de José Ferreira da boca do próprio Virgulino, nos começos da
década de 1920, quando Lampião ainda era um simples cabra de Sinhô
Pereira.
Optato Gueiros também informa que, anos mais tarde, Lampião
poupou a vida de Maurício, no povoado de Mariana, em gratidão pelo
sepultamento de seu pai.
Maurício Vieira de Barros sendo entrevistado pelo professor e escritor Tadeu Rocha e acompanhado de Bruno Rocha.
Nos meados de dezembro do ano passado,
após concluirmos que não foi feito, absolutamente, o registro dos óbitos
de Sinhô Fragoso e do pai de Lampião (mortos na primeira “diligência”
da volante do Tenente Lucena), julgamos necessário ouvir o Sr. Maurício
Vieira de Barros, que nos constou ainda estar vivo e residir para os
lados das cidades de Águas Belas ou Buíque. Somente o antigo policial
que sepultou os dois cadáveres poderia revelar-nos a data precisa da
morte de José Ferreira.
NO RASTO DA TESTEMUNHA
Após consultarmos inúmeras pessoas sobre o
paradeiro do ancião Maurício de Barros, afinal soubemos do Sr. Audálio
Tenório de Albuquerque que esse seu compadre estava morando na fazenda
Sítio dos Meios, no Município de Itaíba. Rumando para Águas Belas,
entramos em contato com os nossos parentes do clã dos Cardosos, entre os
quais fomos encontrar o jovem veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti,
neto do velho Maurício, por parte de pai.
Notícia do ataque dos cangaceiro ao lugar Pariconha em 1921, hoje município alagoano distante 354 km de Maceió.
Na tarde quente do dia 17 de janeiro, em
companhia do veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti, do fotógrafo José
Valdério e do jovem estudante Bruno Rocha, deixamos a cidade de Águas
Belas pela rodovia PE—300, na direção de Itaíba. Após cruzarmos o rio
Ipanema e o riacho Craíbas. Pegamos uma estrada vicinal, por onde
atingimos, dificilmente, o Sítio dos Meios, a uns 2.5 km de Águas Belas,
a outros tantos de Itaíba e a 9 da cidade alagoana de Ouro Branco.
Fomos encontrar o velho Maurício no
alpendre do casarão da fazenda de sua filha, jovialmente vestido de
blusão de mangas compridas c calçado com sandálias havaianas. A presença
do seu neto Ricardo e a delicadeza de sua filha Dona Jocelina
permitiram-nos conversar longamente com o Sr. Maurício Vieira de Barros.
O fotógrafo Jose Valdério documentou a nossa visita e o estudante Bruno
Rocha gravou a nossa conversa.
Lampião nos primeiros anos.
SUBCOMISSÁRIO SEPULTA DOIS MORTOS
O Sr. Maurício Vieira de Barros já
exercia o cargo de Subcomissário de Polícia da cidade de Mata Grande, em
maio de 1921, quando o Bacharel Augusto Galvão, Secretário do Interior e
Justiça de Alagoas na segunda administração do Governador Fernandes
Lima, enviou ao sertão uma força volante da Polícia, sob o comando do 2º
Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, a fim de dar combate ao
banditismo. Antes que essa força chegasse ao sertão, os cangaceiros
saquearam o povoado de Pariconha, na tarde de 9 de maio. Logo que a
volante do Tenente Lucena atingiu seu destino, cuidou de prender os
participantes desse saque, entre os quais estavam os irmãos Fragoso e os
irmãos Ferreira, residentes no lugar Engenho Velho. A volante cercou a
casa dos Fragoso e do tiroteio resultou a morte de José Ferreira e Sinhô
Fragoso, ficando baleado Zeca Fragoso e saindo ileso Luís Fragoso.
Avisado em Mata Grande das mortes
ocorridas no Engenho Velho, o Subcomissário Maurício de Barros
dirigiu-se a esse lugar e fez transportar, em redes, os dois cadáveres
para a povoação de Santa Cruz do Deserto, em cujo o cemitério os
sepultou. O fato de José Ferreira e Sinhô Fragoso terem sidos deixados
mortos por uma “diligência” da Polícia Militar de Alagoas levou o
Subcomissário de Mata Grande a enterrá-los no cemitério mais próximo.
DATA DA MORTE DO PAI DE LAMPIÃO
Na breve história de 17 anos, qual foi a
do cangaceiro Virgulino Ferreira (que se fez bandido profissional em
1921 e foi eliminado em 1938), existem erros de datas de mais de um ano,
como no caso da morte de seu pai pela volante do Tenente Lucena. Tem-se
escrito que esse fato aconteceu em abril de 1920, o que não
corresponde, em absoluto, à verdade histórica.
Ao que apuramos no Arquivo Público e
Instituto Histórico de Alagoas, 2º Tenente José Lucena de Albuquerque
Maranhão foi nomeado Comissário de Polícia da cidade alagoana de Viçosa
em 10 de abril de 1920, assumiu o exercício do cargo logo no dia 15 e
permaneceu nessa comissão até princípios de maio do ano seguinte. Ele
ainda assinou ofício na qualidade de Comissário de Viçosa em 28 de abril
de 1921. No dia 4 de maio esteve no Palácio do Governo, em Maceió. E no
dia 10 desse mês, deixava Palmeira dos índios “com destino ao sertão”,
estando “acompanhado de um contingente de 24 praças”, conforme registrou
o seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Nota sobre a volante do Tenente Lucena no seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Viajando a pé, a volante do Tenente Lucena
só alcançou o sertão ocidental de Alagoas uma semana mais tarde. Por
isso mesmo, sua “diligência” no Engenho Velho somente pode ter ocorrido
nos começos da segunda quinzena de maio de 1921. O Sr. Mauricio de
Barros não se recorda mais da data do sepultamento dos mortos pela
“diligência” no Engenho Velho. Lembra-se, porém, que foi numa
quinta-feira. Ora, a primeira quinta-feira da segunda quinzena de maio
de 1921 caiu no dia 19, o que permitiu ao Correio da Tarde, de
Maceió, publicar no fim desse mês uma carta de Mata Grande, sobre os
acontecimentos do Engenho Velho. A esse tempo, os estafetas do Correi
levavam, a cavalo, três dias entre as cidades de Mata Grande e
Quebrangulo, de onde as malas postais seguiam de trem para Maceió.
Detalhe da carta enviada de Mata Grande e publicada no final do mês de maio de 1921 pelo jornal Correio da Tarde, de Maceió, sobre os acontecimentos do Engenho Velho.
EPISÓDIO MUITO CONTROVERTIDO
Sempre foram muito controvertidas as circunstâncias da morte do pai de Lampião. Na primeira entrevista que
concedeu a um jornal (o recifense Diário da Noite, de 3 de
agosto de 1953), o Sr. João Ferreira, irmão de Virgulino, declarou o
seguinte sobre a morte de seu pai: “Findo o tiroteio, seguido pelo
abandono do local pela tropa, eu o fui encontrar sem vida, caído sobre
um cesto, tendo às mãos uma espiga de milho, que estava debulhando, ao
morrer”.
Por seu turno, parentes e amigos do Cel.
José Lucena de Albuquerque Maranhão costumam dizer que o velho José
Ferreira resistiu à Polícia, atirando de dentro da casa dos Fragoso.
Parece-nos que há engano em ambas as versões, pois o Sr. Maurício Vieira
de Barros nos disse que encontrou o cadáver do pai de Lampião no
terreiro da casa dos Fragosos.
O Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, comandante da desastrada volante que matou o pai de Lampião.
Este depoimento se harmoniza com o informe
que nos deu o Sargento reformado Euclides Calu, residente em Mata
Grande, e a história que contava o velho Manoel Paulo dos Santos,
Inspetor de Quarteirão no Engenho Velho, ao tempo da morte do pai de
Lampião. História que nos foi transmitida por seu filho Gabriel Paulo
dos Santos e pelo magistrado alagoano Dr. Dumouriez Monteiro Amaral.
O informe do velho Calu e a história
contada pelo velho Manoel Paulo referem que José Ferreira foi morto
durante o tiroteio do Engenho Velho, quando ia tirar leite em um curral.
De fato, o cerco da casa da casa dos Fragosos foi feito ao amanhecer do
dia 19 de maio de 1921. E o tiroteio que se seguiu e vitimou José
Ferreira ocorreu “antes do café da manhã de um dia muito chuvoso”, como
declarou, textualmente, João Ferreira, na citada entrevista a um jornal
recifense. E não há dúvida que o Inspetor de Quarteirão Manoel Paulo dos
Santos foi a testemunha mais isenta de paixões no episódio da morte do
pai de Lampião.
Apresento neste trabalho, o meu 10º sobre o tema cangaço, matérias dos jornais publicadas no período de 1920 a 1926, não faço intervenções, apenas atualizo os nomes das cidades que ao longo do tempo tiveram seus nomes trocados. A iconografia deste livro abrange a década de 1920 e início dos anos 30.
Foram consultados os seguintes: A Imprensa - Sobral CE; A Gazeta - São Paulo SP; A Lanceta – Maceió AL; A Noite - Rio de Janeiro RJ; A Província - Recife PE; A Rua - Recife PE; Correio da Pedra - Água Branca AL; Diário de Pernambuco - Recife PE; Diário da Noite - Recife PE; Estado das Alagoas; Gazeta de Notícias - Rio de Janeiro RJ; Jornal do Comércio - Recife PE; Jornal do Recife PE; Jornal Pequeno - Recife PE; O Globo - Rio de Janeiro RJ; O Jornal - Rio de Janeiro RJ; O Paiz - Rio de Janeiro RJ; Pacotilha - São Luiz MA; Revista da Cidade - Recife PE.
Os jornais tomam posição de críticas ao governo utilizando a situação provocada pelo cangaço, principalmente no território pernambucano. Os números divulgados pela imprensa com relação à quantidade de cangaceiros combatidos pela polícia eram sempre exagerados. Algumas vezes foi noticiada, erradamente, a morte de Sinhô Pereira e de Lampeão, mas eram também, às vezes, retificadas essas notícias. Ao vasculhar esse período tive algumas surpresas que tenho certeza os leitores pesquisadores perceberão. Alguns fatos publicados na época, nunca foram mostrados posteriormente em livros.
A imprensa publica muitos nomes de cangaceiros que ainda não foram catalogados por pesquisadores e que ainda pode ser motivo de estudo e pesquisa mais apurada. Encontrei coisas curiosas, inusitadas, até mesmo grandes equívocos, como a informação da morte de Luiz Padre, quando na realidade foi Antonio Padre.
O caso dos pobres roceiros que tinham seus chapéus de couro tomados nas feiras, pela polícia, por serem ‘trajes de cangaceiro’.
Em outubro de 1920 se publica a união do cangaceiro Sinhô Pereira com o grupo de Antonio Matilde, ou seja, incluindo Lampeão ou Virgulino e seus irmãos, Livino e Antonio Ferreira. Este último, o Antonio Ferreira, é citado como cangaceiro, em dezembro de 1920. A presença de Luiz Padre ainda é noticiada em 1921.
Em janeiro de 1921, Sinhô Pereira é chamado pela imprensa do sul de Átila do Pajeú. O capitão Theophanes também é chamado de Átila, conforme notícias da imprensa.
Em maio do mesmo ano se noticia a presença do grupo de cangaceiros chamado de ‘os três Antônios’ e em setembro a morte do cangaceiro Pedro Porcino.
Em dezembro de 1921 foram mortos três bandoleiros de nomes: Emygdio Ferreira, José de tal, vulgo Papudo e José Veríssimo Machado, vulgo Zezé, o grupo tinha como chefe Alfredo Guimarães, vulgo Caboclo.
Em 1922 os jornais fazem a cobertura sobre a morte do coronel Luiz Gonzaga, em Belmonte PE.
Em junho de 1923, a polícia de Pernambuco começa a recrutar praças no sertão para combater Lampeão.
A imprensa publica em 1923 uma carta esclarecedora da amizade de Luiz Padre com José Inácio, do Barro, que fora assinada em 1921; Publica uma matéria de como Sinhô Pereira entrou para o cangaço, assinada por João do Norte, um colunista do jornal; Também veremos a divulgação de um bilhete de extorsão assinado por Sinhô Pereira;
Uma publicação sobre a tática de guerra de Sinhô Pereira denominando-o ‘terror dos sertões’;
Ainda uma pequena cobertura jornalística sobre a invasão da cidade de Souza na Paraíba, pelos cangaceiros, identificando apenas o grupo de Francisco Pereira, embora saibamos da participação dos irmãos de Lampeão no acontecimento;
Apresento na íntegra a primeira vez que o nome de Lampeão é citado na imprensa, no Jornal Correio da Pedra, pertencente a Cia Fabril.
O Jornal, do Rio de Janeiro noticia uma estória fantástica sobre a transformação de Virgulino em Lampeão.
Uma das curiosidades apresentadas, que também não vi registrado em livros é o Decreto instituído por Lampeão, para alistamento de cangaceiros nas fileiras do banditismo.
O jornal A Província, publica em setembro de 1923 a ação criminosa do coronel João Nunes contra indefesos e pacatos sertanejos.
Em 1924 é noticiado falsamente a morte de Lampeão e seu irmão Livino. O jornal pernambucano, A Rua, publica pela primeira vez sobre um desertor da força pública de Pernambuco que teria se incorporado ao grupo de Lampeão, um tal de Ansilon Ribeiro;
Mostro o registro que antes de receber a patente de capitão do Batalhão Patriótico do Juazeiro, a imprensa já tratava Lampeão de “coronel” e de “capitão”;
A imprensa pernambucana, através do jornal A Rua, tenta pela primeira vez traçar uma biografia de Lampeão; Em fevereiro de 1926, o Jornal do Recife traz uma sensacional entrevista, dizendo que Lampião quer juntar mil homens para declarar guerra oficial aos estados da Paraíba e Pernambuco.
Apresento esse vasto material na intenção de contribuir na montagem de um gigantesco quebra cabeças que é o estudo do cangaço. Que não fique esquecido no passado o que foi conhecido pela sociedade, na época dos acontecimentos. Que ao juntarmos os retalhos, fazendo a cronologia, descobrindo detalhes, cruzando e descartando informações, descobrindo pessoas e lugares, possamos continuar estudando e assim, entender melhor esse processo que é parte de nossa história.
Boa leitura Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Serviço
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Avaliei os principais tropeços, reunindo nosso humilde conhecimento e nos valendo de textos e respectivos autores de seriedade, e selecionamos as informações que vocês verão a seguir.
Preciso dizer que o conteúdo do artigo parte do princípio básico.
É direcionado a quem precisa colher, corrigir ou está aplicando tais informações em determinado trabalho e ainda pode refazê-las.
A sofistica é persistente, são muitos os "erros primários" cometidos principalmente pela imprensa, revistas de variedades, música, cinema... e por nós blogueiros inclusive etc.
Vamos aos deslizes menos técnicos.
Engana-se, ou insiste no erro, quem pensa que Virgolino só se tornou cangaceiro com a morte do pai.
De fato, desde a briga com Zé Saturnino, que Virgulino e os seus irmãos Antônio e Levino já estavam vivendo uma vida nômade. Quando foram para Alagoas, juntaram-se ao bando dos Irmãos Porcino. Se os Porcinos já eram cangaceiros famosos no nordeste precisamente no sertão de Alagoas, e Virgulino se junta a eles, certamente já estava sendo cangaceiro.
Ou será que ele estava lá “catequizando” os bons irmãos?
Irmãos Ferreira e irmãos Porcino fizeram um assalto grandioso à Vila de Pariconha/AL, o que gerou a perseguição comandada pelo então Tenente José Lucena, e que veio a culminar com o assassinato do patriarca José Ferreira. Dona Maria Lopes a matriarca da família Ferreira não foi assassinada junto com seu marido. Morreu de infarto fulminante aos 47 anos de idade dia 22 de maio de 1921 na localidade de Engenho Velho próximo ao vilarejo de Santa Cruz do deserto/AL.
José Ferreira aos 48 anos no dia oito de Junho de 1921 é assassinado pela volante comandada por José Lucena Albuquerque Maranhão acompanhado do delegado Amarilio Batista e do sargento Manoel Pereira .
Zé Saturnino, sempre esteve ao alcance de Lampião, e esse, não desejou mais matá-lo, como também, ao grande inimigo Ten. José Lucena. O fato de Lampião deixar seus inimigos ( nº 01 e 02 ), com vida, é para justificar perante a população nordestina, ou seja, pretexto para continuar no cangaço, matando, estuprando, sequestrando, extorquindo, além de outros crimes. Ele passou a gostar da vida errante, e do dinheiro que essa lhe rendia. O escritor Frederico Pernambucano de Mello, denomina isso de " ESCUDO ÉTICO ", em sua belíssima e recomendada obra: Guerreiros do Sol. Também, para justificar sua vida no cangaço, o rei vesgo invoca a morte do seu genitor, no sentido de vingança.
Zé Saturnino faleceu em sua fazenda, a 05 de Agosto de 1980, com a idade de 86 anos e já sem lucidez.
Quanto a Zé Lucena faleceu em maio de 1955, vitimado por uma doença.
Lampião passa a ver no cangaço, " UM MEIO DE VIDA ", uma profissão, visando lucro, vejamos uma interessante passagem colhida por Frederico.
O facínora Pedro Barbosa da Cruz, vulgo 'Pedro Miúdo', encontra-se com o bando de Lampião na Faz Riacho Fundo, perto de Antas, município de Águas Belas. O rei do cangaço, o convida para acompanhá-lo, ao que "Miúdo" lhe responde, que fora soldado de uma volante comandada pelo Ten. José Lucena, e o mataria por "cinco contos de réis". Surpreso, Lampião agradeceu a oferta com um raro gesto de prodigalidade: dá-lhe de presente, uma faca de cabo trabalhado. Em seguida, dirigindo-se ao cabra, devolve a surpresa com a seguinte confidência:
" Deixe isso. Essas questões já estão velhas". (Fonte: Livro - Guerreiros do Sol, pg.123).
José Lucena e Zé Saturnino.
Questões superadas.
...Que Lampião era cego em virtude de um Glaucoma. Errado. Virgulino sofria com umLeucoma
De fato, Glaucoma é endurecimento e aumento do volume do globo ocular, causado por um aumento de pressão sanguínea naquela região. Leucoma, ainda segundo o Dicionário Aurélio, é o “embranquecimento ou turvamento da córnea que é transparente”. Até onde se sabe, Lampião já trazia o Leucoma desde a juventude, e se agravou em um combate com um grupo de nazarenos. Reza a história que David Jurubeba, após disparar um tiro, este atingiu uma moita de quipá (palmatória), e um espinho veio a atingir o olho de Lampião, provocando um agravamento de uma situação já preexistente.
... Que o fato das volantes se trajarem igual aos bandoleiros era tática ou ordem oficial.
Governo nenhum deu determinação para que soldados se vestissem de Cangaceiros. Foi um uso que se formou com o tempo, tanto que em 1926, o Governador de Pernambuco Sérgio Loreto, fez baixar ‘Portaria’ exigindo o uso do traje militar para as tropas volantes.
Aqui é uma das forças volantes de "Nazaré" sob o comando de Euclides Flor.
Por conta das suas vestes as imagens dos Nazarenos em sua totalidade são quase sempre assimiladas aos cangaceiros.
Encontrei diversos artigos ilustrados que fizeram os grandes chefes se revirarem no túmulo.
... Que o cangaceiro José Leite de Santana, O Jararaca, "abriu a própria sepultura".
Homero Couto, que foi o motorista do carro que levou Jararaca,
desmente . Disse que o “buraco já estava aberto e que a ação não durou
mais que dez minutos”. Ou dá pra se abrir uma cova nesse espaço de tempo?
LEGENDAS E TERMOS
Não é gruta É GROOOOOOOOTA
Angico não é e nunca foi território Alagoano.
A fazenda pertencia à antiga região de Campo-Santo do Morgado do Porto da Folha. Porto da Folha, também em Sergipe, é uma cidade "vizinha" e permanece com este mesmo nome.
Ambas cidades circuladas no canto superior
Não é Eronildes!
É Eronides.
Não é Pedro de "Cândida".
É Pedro de Cândido, seu nome completo era Pedro Rodrigues Rosa. A mãe de Pedro se chamava Guilhermina, e o pai, Cândido.
Esta moça não é Maria Bonita é a cangaceira Inacinha
uma das companheiras do cangaceiro Gato.
Esta também não é Maria. É "Nenêm"
companheira de Luís Pedro.
À esquerda. novamente "Nenêm", ao centro "Luís Pedro"
seu esposo e a direita "Maria Bonita".
Este é o ator Chico Dias e não o cangaceiro Corisco". Ele interpretou o "diabo loiro" num longa de 1997. Foram detectados trabalhos incluindo esta foto de divulgação entre fotos originais de cangaceiros.
Vários livros apontaram essa bela cabrocha, Maria Jovina, companheira do cangaceiro 'Pancada' como sendo Lídia, a cangaceira que fora assassinada pelo seu companheiro Zé Baiano, que não possui fotografia.
Pesquisa a partir de textos de: Sérgio Augusto de Souza Dantas, Ivanildo Silveira e Kydelmir Dantas. Os amigos podem colaborar sugerindo outras correções via comentário ou email para uma próxima edição.
Marcos de Lima (Passarinho) nasceu em Santa Cruz, antes distrito de Triunfo-PE, em 22 de setembro de 1903. Começou cedo no cangaço com idade de 16 anos em 1919, ainda no comando do cangaceiro Sinhô Pereira (Lampião ainda não havia formado o seu bando).
Posteriormente, Sinhô Pereira confia entregar o comando a Lampião e vai embora para Goiás onde seus familiares tinham propriedades, isso mais ou menos por volta de 1921. Logo em seguida, são formados novos grupos de cangaceiros para dar sustentação ao grupo de Lampião.
Passarinho entra num desses grupos comandado por Cícero Costa, ou Ciço Costa (um Paraibano) que agia na região de Conceição de Piancó PB. Eles e Ciço Costa participaram do bando de Lampião em várias ocasiões. Esse seu chefe imediato era um grande conhecedor de farmácia natural, o médico do bando.
Muitas pessoas acham que Passarinho conviveu diretamente com Lampião. Não, ele teve vários encontros com o rei do cangaço, inclusive participando de alguns ataques como na propriedade de José Trajano, localizada no município de Conceição PB, com o seu chefe tomando-lhe rifle e dinheiro em 06 de Julho de 1921.
Existiram dois Passarinhos no cangaço, por isso que algumas publicações citam: Passarinho l e Passarinho 2, (era costume quando algum morria ou era preso, se colocar o nome de outro que estava chegando e com semelhança ao mesmo, batizar de fulano l e fulano 2, e este Passarinho é claro e evidente foi o nº l.
Nessa vida tirana, Passarinho viveu 3 anos e 7 meses no cangaço, até quando foi preso em 24 de dezembro de 1923. Foi recolhido a cadeia de *Princesa e sendo condenado pelo júri local a 29 anos e 9 meses de prisão.
Fora preso e condenado por haver assassinado naquele ano, mais precisamente no dia 17 de dezembro do corrente ano, num local chamado Caracol do município de Conceição do Piancó PB, Raimundo Nogueira a quem roubara-lhe sua roupa e algum dinheiro. Seis dias após o acontecido, o irmão de Raimundo surpreende Passarinho nas adjacências da povoação de Patos, município de Princesa.
Passarinho estava justamente com as roupas do seu irmão Raimundo, este saca de uma arma e atinge Passarinho. O seu companheiro Juriti, num vacilo de Raimundo, por trás dá-lhe uma pancada na cabeça e termina o ato dando-lhe várias facadas. Passarinho, ferido, entra na povoação gritando: - Acabam de matar um homem e me feriram também, (pra ver se enganava os soldados). Banhado de sangue dos ferimentos, recebe voz de prisão, não por obediência a lei, pois era valente, mas pelos disparos recebido.
Recebendo ameaças de morte é transferido para João Pessoa onde cumpriu 7 anos e 9 meses de prisão. Vem pra Campina Grande, depois Pocinhos (é quando conhece sua futura esposa dona Petronilha, mais conhecida por dona Pitu.
Casa-se em Campina Grande e vem morar em Areial, pois dona Pitu tinha familiares residindo aqui. Não teve filhos, mas criou um filho adotivo (Arinaldo) do qual ganhou três netos (uma mulher e dois homens ).
Em Areial, viveu por mais de sessenta anos. Faleceu no dia 15 de agosto de l998, aos 95 anos, e seus restos mortais estão no cemitério local. Sua esposa dona Petronilha Maria de Araújo, nasceu no dia 23 de setembro de 1917 e faleceu em 19 de Agosto de 2004 em Areial, aos 86 anos e onze meses, e seu sepultamento também foi no cemitério local.
São vários livros e jornais que citam o nome ou fizeram manchete com o nome de Passarinho.
Trecho extraído do livro: “Passarinho: um ex-cangaceiro de Lampião em Areial” (ainda em acabamento de autoria do pesquisador, Eudes Donato)
Eudes Donato é Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.
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Desculpem por alguma parte do texto. Para compreender melhor, faço adendos:
1º. Como a biografia está em grande resumo da história, vamos adiantar apenas que existiram vários subgrupos ao comando de sinhô Pereira. Um desses era comandado por 'Ciço Costa', mas sempre cumprindo ordem de seu chefe sinhô Pereira, do qual Passarinho também fazia parte, ora com Ciço, ora com sinhô Pereira.
2º. Sinhô Pereira já conhecia a trajetória de Lampião e por isso lhe tinha muita confiança.
3º. Sinhô Pereira ao deixar definitivamente o cangaço em 1922 (antes a pedido de Padre Cícero, deixou o cangaço), mas logo voltou atrás.
4º. No começo do ano de 1921 não havia cangaceiro nenhum com esse pseudônimo de Lampião. Surge o apelido em maio de 1921.
5º. No texto, falo "mais ou menos" sinhô Pereira deixa o cangaço em 1921 (primeira vez). Na segunda vez, mais precisamente em março de 1922 e imediatamente Virgulino Ferreira da Silva, já com a alcunha de Lampião, assume o cangaço no mesmo mês.
6º. O irmão de Raimundo era o boiadeiro Amaro Nogueira do qual vinha acompanhado de um comparsa.
7º. Passarinho ao ser surpreendido, estava acompanhado também do cangaceiro Juriti (este Juriti I, irmão do cangaceiro Batista, o outro Juriti II chamava-se João Soares, em outra época mais a frente).
8º. No encontro, Passarinho ainda estava com as vestes de Raimundo, irmão de Amaro.
9º. Amaro dispara três tiros em Passarinho o atingindo (Passarinho ao falecer em 1998 ainda continha uma bala alojada em seu corpo, proveniente deste acontecido).
10º. Juriti ao bater na cabeça de Amaro, este ao cair fica preso aos estribos da sela e Juriti saca do punhal e lhe desfere 36 punhaladas.
11º. O comparsa que estava com Amaro sai em disparada carreira e logo atrás Passarinho, mesmo ferido também corre e nesse momento usa sua astúcia e grita que era o indivíduo que tinha matado um homem e também ferido ele. Foi aí que se descobriu a farsa e Passarinho foi preso.
Adendo Lampião Aceso:
- Santa Cruz... da Baixa Verde.
- Areial e Princesa... Isabel, ambas cidades da Paraíba. *A segunda foto compõe a iconografia do livro "Histórias do Cangaço, pag 106 do saudoso Hilário Lucetti. Gentilmente enviada pelo reverendo Ivanildo Silveira.
O fenômeno do cangaço vivenciado por Lampião e seus grupos de cangaceiros, deixou marcas profundas, em todos os recantos nordestinos percorridos, bem como, o sertanejo, vítima de crimes bárbaros. Some-se a isso, também as violências praticadas por alguns policiais das forças volantes.
Foi frequente, o saque de casas comerciais, fazendas incendiadas, corte de orelhas, sequestro, extorsão, castração, violação de mulheres, surra á palmatória e chicote, mulheres ferradas como animais, no púbis, nas coxas, nos rostos, além de corpos "pipinados" a punhal etc.
Algumas destas vítimas de ambos os lados da história se deixaram fotografar pela imprensa, testemunhas oculares e pesquisadores anos depois do fato.
Pedro José dos Santos (Pedro Batatinha) - vítima de castração pelo grupo de Lampião, em 17/10/1930, no município de Nossa Senhora das Dores-SE.
Em 06 de janeiro de 1932, Lampião e seu grupo invadiram Canindé do São Francisco/SE. De imediato, o Rei do cangaço mandou pegar algumas mulheres ( Maria Marques, irmã do soldado Vicente Marques; Izaura, casada com o soldado Bilrinho; Anizia, conhecida por Zininha, além de outras).
O cangaceiro Zé Baiano ( o qual havia sido traído pela bela Lídia ), esquentou seu "ferro" o qual tinha as iniciais "JB", deixando-o em brasa, e ato continuo, seguindo ordem do chefe, ferrou, em pleno rosto, a Sra. Maria Marques, além de outras (Vide foto abaixo).
Maria Marques, ferrada com as iniciais "JB" - em 06/01/1932
Outra vítima de Lampião e Zé Baiano
José Custódio de Oliveira ( Zé do Papel ),
teve a "orelha" mutilada, por cangaceiros em Aquidabã/SE .
Abaixo, foto da Cangaceira "Dadá" - Companheira de "Corisco", a qual foi metralhada pela volante do Cel. Zé Rufino, no dia em 25/maio/1940, na Faz. Pulgas/BA, tendo, posteriormente, sido amputada a perna direita da mesma, na altura da coxa. Ela, ainda, sofreu cinco cirurgias na aludida perna. .
Abaixo, foto do ex cangaceiro " Candeeiro " - o qual, no combate de "Angicos"/SE (28.07.1938), foi baleado no braço direito, ficando com uma grande sequela . Nesse combate, morreram Lampião e mais 10 companheiros.
Obs: Candeeiro ainda é vivo, e mora na cidade de Buíque/PE.
Cabo Antonio Isidoro", da volante do Cel. Zé Rufino, que em combate com Lampião, recebeu um balaço na mão, ficando a mesma inutilizada.
Ferimentos sofridos por Lampião
1921 - Ferimento à bala no ombro e na virilha, no município de Conceição do Piancó-PB. 1922 - Ferimento na cabeça. “Só por um milagre escapei”, disse Lampião em entrevista ao Dr. Otacílio Macedo. 1924 - Ferimento à bala no dorso do pé direito, em Serra do Catolé, distrito de Belmonte-PE. 1926 - Ferimento leve à bala, na omoplata, em Itacuruba, distrito de Floresta-PE. 1930 - Ferimento leve à bala, no quadril, no município de Pinhão-SE
Um abraço a todos, analisem a matéria e façam seus comentários.
IVANILDO ALVES SILVEIRA Colecionador do cangaço Membro da SBEC Natal/RN