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terça-feira, 3 de julho de 2018

Há 41 anos

Sanfoneiro "contou" que Lampião fez cidade dançar pelada

Lampião, o rei do cangaço está vivo e cego de um olho. Tem 86 anos e mora escondido em uma fazenda no interior de Minas Gerais. Quem garante é "Zé Paraíba", famoso tocador de sanfona conhecido em todo o sertão paraibano e de Alagoas e amigo do cantor Waldick Soriano (1933-2008).



Zé Paraíba, nome artístico de José Salete, diz que nasceu no dia 7 de agosto de 1932 e que foi sanfoneiro de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Foi o próprio sanfoneiro quem contou a sua história, publicada no jornal "Notícias Populares" em 17 de novembro de 1977.

Lampião e seu bando costumavam se hospedar em fazendas durante suas viagens pelo sertão. O pai de Zé Paraíba, José Leite, era proprietário da fazenda Lage Vermelha, no alto sertão da Paraíba.

 Lá o grupo de Lampião se hospedava frequentemente. "Meu pai, José Leite, tocava oito baixos (sanfona) na fazenda Lage Vermelha, e eu segui o seu caminho. Foi nela que o velho conheceu Lampião. O Virgulino costumava passar na fazenda do meu pai, que era uma das mais conhecidas do sertão paraibano e ali se 'arranchava', pedia pousada constantemente."

"Com o tempo foi nascendo uma amizade entre meu pai e o rei do cangaço." 

Zé Paraíba continua sua narrativa, contando a experiência de ter vivido com Lampião e seu lendário bando. Maria Bonita, Corisco, Dadá, Pilão, Gavião, Volta Seca. O bando todo se arranchava na fazenda.

Aos nove anos, o músico estava tocando uma pequena sanfona na fazenda Belo Jardim, vizinha da de seu pai. Foi quando ele viu a tropa de Lampião se aproximar.

"Os cabras gostaram das músicas de forró que eu tocava e me raptaram. No começo do rapto eles me maltrataram um pouco porque não sabiam que eu era filho de José Leite. Depois que Lampião ficou sabendo quem eu era ele recomendou aos cabras que não me maltratassem e mandou avisar o meu pai na fazenda", disse Zé Paraíba.
Depois que Lampião soube quem era o menino as coisas começaram a melhorar. O sanfoneiro ficou mais tranquilo e passou a tocar músicas para Maria Bonita. Os homens do bando pediam a música da mulher de Lampião. Então ele tocava "Mulher Rendeira". Todos gostavam e dançavam.

Zé Paraíba revelou porque o rei do cangaço se tornara um bandido e um contraventor das leis e da justiça:
"O Lampião me falou que nunca teve ideia de sair por aí 'cangaceando' e fazendo mal para os outros até que viu o pai dele morrendo com 37 facadas. Ele ficou louco durante três dias e depois partiu para a vida do cangaço. Mesmo assim ele não atacava os coitados, ele só atacava quem não gostava dele".
O músico se lembra de um episódio que aconteceu num povoado do sertão baiano chamado "Queimados".

O bando estava arranchado em uma fazenda próxima. Lampião mandou avisar que entraria na cidade às oito horas do dia seguinte e que era para os macacos (policiais) se prepararem.

Quando ele chegou à cidade só havia seis soldados. Então a tropa tomou conta do lugar e Lampião ordenou ao povo que dançasse nu na praça. Todo mundo tirou a roupa e dançou pelado na praça. O bando todo ficava olhando e com arma apontada. Quem desrespeitasse a moça que era seu par corria o risco de ser castrado. Zé Paraíba tocou forró para o povo dançar pelado durante três horas. Depois disso Lampião mandou todo mundo se vestir e ir para casa.

Homens mais próximos de Lampião, José Leite e seu compadre, estiveram com o rei do cangaço no começo de 1977 e disseram que ele estava vivendo em uma fazenda no interior de Minas Gerais e com o nome trocado.

"Aquele negócio das cabeças que andaram mostrando por aí eu não acredito porque meu pai e seu compadre foram ver e disseram que não era a dele", disse Zé Paraíba.

 O sanfoneiro não concorda com o que muitos dizem que Lampião fosse um homem mau.
"Eu discordo de muita coisa que se diz por aí. Ele não era um cabra sanguinário. Antes de atacar uma fazenda, ele mandava alguém para sondar se o fazendeiro gostava ou não dele. Se o fazendeiro falasse que não gostava, aí ele atacava. Senão ele ficava ali mesmo e não agredia ninguém."
"Ele tinha o coração bom e me salvou da morte. Logo que me raptaram, Volta Seca e mais alguns queriam me jogar pro alto e me aparar na ponta de um punhal porque eu não sabia tocar uma música. Aí chegaram ele e Maria Bonita e não deixaram".

Zé Paraíba ficou com o bando durante seis meses. Ele se lembra do que Lampião disse ao lhe devolver para seu pai:

"Zé Leite, vou lhe entregar seu filho, mas é com muita saudade que eu faço isso porque ele toca muito bem e faz tudo o que a gente pede."

O sanfoneiro afirma que este foi seu primeiro contato com a vida musical no cangaço, o que fez dele o famoso tocador de forró, com discos vendidos em todo o Nordeste.


Transcrito da Folha de São Paulo

 Adendo Lampião Aceso

Antes que algum leitor dê o indevido crédito a esta matéria, que tem o intuito apenas de divulgar o que era noticiado sobre o Rei do Cangaço, lembramos que o jornal Notícias Populares que era também conhecido simplesmente como NP, foi um jornal que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001e era conhecido por suas manchetes violentas e sexuais. É considerado até hoje "sinônimo de crime, sexo e violência. Seu slogan era "Nada mais que a verdade".

O jornal era publicado pelo Grupo Folha, mesma empresa que publica os jornais Folha de S. Paulo e Agora São Paulo e publicava o jornal Folha da Tarde.

O que já denota as várias bizarrices contidas matéria acima é que, de acordo com o histórico deste impresso, o jornal Notícias Populares atraiu muitos desafetos dentro do meio jornalístico, que acusavam o veículo de exagerar nos noticiários e até inventar notícias. Para os leitores os fatos sugeridos pela redação do periódico eram apresentados como se fossem verídicos.

Nós poderíamos apontar as várias mentiras e erros na narrativa de Zé Paraíba, fazendo um simples confronto com a cronologia do cangaço. Mas vamos nos ater somente no segundo parágrafo, que é suficiente para dar-lhe o total descrédito. O sanfoneiro diz ter nascido em 1932, e que fora sequestrado pelo bando aos 9 anos, portanto em 1941, quando o cangaço lampiônico já havia sido extinto por completo. Sem mais, meritíssimo.



 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Novidade na praça

Charges com Lampeão é o lançamento de Luiz Ruben



Lendo e pesquisando tantos jornais e revistas da época em que Lampião atuava, isto é, anos 20 e 30 do século passado, não passou despercebido, de vez em quando aparecia caricaturas e charges de Lampião, mas, o que me chamou a atenção foi a utilização do personagem com a política e os políticos do poder naquele período.

Contextualizar cada charge ou caricatura seria por demais maçante, pois creio que elas não perderam o caráter atemporal.

As codificações visuais que os chargistas queriam passar ao retratar Lampião eram afetadas de acordo com a região do artista, o que determinava, até pela falta de conhecimento que tinham do caricaturado, a representação de formas tão dispares na fisionomia desenhada.


As charges com Lampião, nessa pesquisa, abrangem o período de 1926 a 1939, porém acrescentei duas de 1969, sendo a última apresentada, uma propaganda com alusão ao desenvolvimento industrial através de incentivos fiscais, citando Sudam-Sudene onde Lampeão é usado como referência de uma região. Ao todo o livro mostra 83 charges e caricaturas.

A charge tem como finalidade satirizar, descrever ou relatar fatos do momento por meio de caricaturas, com um ou mais personagens de destaque, nas áreas da política com maior frequência.

As apresentadas nesse livro abrangem personagens de prestígio nacional como o Padre Cícero, Antônio Carlos, governador de Minas, Capitão Chevalier, com a famosa tentativa de uma expedição contra Lampião no início dos anos 30, Getúlio Vargas como presidente do governo provisório após a revolução de 1930.

Após sua morte, cartazes foram utilizados como propaganda de filme da Warner, com James Cagney “substituindo o famoso cangaceiro nordestino”.

A propaganda comercial também utilizou com frequência o nome de Lampião. Como curiosidade inseri no trabalho as da Casa Mathias e O Mandarim, que apresentavam nos seus comerciais um conteúdo humorístico.


Até o conhecido compositor Noel Rosa, como Lampeão foi caricaturado. Como se fossem dois personagens ao mesmo tempo é mostrado características de identificação de Lampião com o rosto de Noel Rosa. Mesmo nas capas de famosas revistas, Careta em 1926 e 1931, O Cruzeiro em 1932, Lampeão é caricaturado.

Na contracapa desse livro, consta a foto original muito popular de Lampeão e seu irmão Antônio Ferreira, já nesta época, famigerado cangaceiro, perseguido em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Alagoas. Foi tirada em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, onde Lampeão foi convocado pelo Padre Cícero a pedido do deputado federal Floro Bartolomeu, para combater os inimigos do governo de Artur Bernardes, a Coluna Prestes, em 1926. Na capa, usando a foto da contra capa, foram introduzidas as faces de Getúlio Vargas como Lampeão e Osvaldo Aranha como Antônio Ferreira.

Foi publicada pelo Estado de São Paulo em 24 de setembro de 1933, sendo Getúlio já vitorioso da revolta de 1932 em São Paulo.

O desenho era utilizado, isto é, a charge, como uma crítica político social onde as situações cotidianas são exploradas com humor e sátira. Lampião foi personagem principal dos chargistas, mas o objetivo era atacar os poderosos da época, geralmente vítima dos jornais da oposição.

Coloquei tudo numa ordem cronológica para facilitar a sequência histórica, pois, no futuro com a leitura das diversas obras publicadas sobre Lampião e o cangaço em geral, teremos uma visão não contextualizada das sátiras contra os personagens vítimas dos chargistas.

O livro tem 95 páginas, custa R$ 25 (Vinte e cinco reais) com frete incluso e você adquire diretamente com o autor pelo email luiz.ruben54@gmail.com

*Luiz Ruben F. de A. Bonfim. Economista e Turismólogo e Pesquisador do Cangaço e Ferrovias.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

E se Os Vingadores tivessem vivido no Cangaço...

... Eles seriam Os Arretados da Mulesta da gota serena "Vingadores do Sertão"


Capitão América seria...

Capitão Sertão


 Thor ... 
Trovoada


 Homem de Ferro...

"Homi Alumino"


Viúva Negra se chamaria...


Maria Aranha de Zé Finado



Gavião Arqueiro se chamaria...


Carcará Sanguinolento

 E O Hulk (que vocês já viram Nesta galeria do mesmo artista, seria chamado)



Besta Fera



A Fonte desta irreverência é o blog do blog do Wagnerine


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Charges históricas

Silvino e a critica política nos jornais sulistas

Colaboração de Raimundo Gomes
(Fortaleza,CE)

Recentemente descobri várias charges, tendo Lampião como tema, na revista ilustrada Fon-Fon. Desta vez, descobri outras, mas do cangaceiro Antonio Silvino, na revista carioca "O Malho" do período 1907 e 1914, quando da prisão do bandido.

Ei-las:


Charge de 23 de fevereiro de 1907,que ironizava o assalto de Antônio Silvino à Mesa de Rendas (fisco) da cidade de Barra de São Miguel, onde após o saque deixou os funcionários nus.
(Revista ilustrada O Malho).


Desta vez, a ironia é com relação a Antonio Silvino e sua interferência junto
às ferrovias inglesas da Great Western.
(Revista O Malho, 5 de outubro de 1907).

Desta vez aparece o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, travando interessante diálogo com um homem do povo. Na conversa, cobra-se mais ações não só de Pernambuco, mas de outros estados para o fim do cangaceiro.
(Revista O Malho, 27 de julho de 1912).

Com o cangaceiro ferido e preso, o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, exulta de felicidade e lamenta não poder prender outros bandidos, em especial no Ceará. Quem seriam ?
(Revista O Malho, 5 de dezembro de 1914).

Outra charge feita após a prisão do cangaceiro, com o tenente Theophanes Ferraz trazendo Silvino numa coleira. Novamente o Ceará é mencionado, como ainda tendo muitos bandidos que precisavam ser presos. Era a época da sedição do Juazeiro, cujos jagunços do Floro Bartolomeu e do Padre Cícero derrubaram o Governador do Ceará, coronel Franco Rabelo.
(Revista O Malho,19 de dezembro de 1914).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Cangaço e imprensa

Padim Ciço e Lampião na revista Careta

Por: Raimundo Gomes
(Fortaleza,CE)

Em maio e agosto de 1926 a revista humorística Careta, publicou várias charges fazendo críticas severas ao Padre Cícero por ter recebido Lampião e seu bando em Juazeiro, em março daquele ano, com o intuito de combater a Coluna Prestes.

Como já mencionei, acredito que Lampião só tenha atendido ao convite, quando viu a assinatura do Padre Cícero, embora a logística, a estratégia militar dessa ideia tenha partido do médico e Deputado Federal Floro Bartolomeu, seu braço armado desde a sedição do Juazeiro em 1914.

Mas como Floro adoeceu e morreu antes de Lampião chegar a Juazeiro, sobrou pro velho padre receber sozinho Lampião e aguentar todas as consequências depois.

Não devemos esquecer, que o Presidente do Brasil, Artur Bernardes, diante de um mal maior representado pela Coluna Prestes, é provável que soubesse do convite de Floro a Lampião para combatê-la. Naquele momento de março de 1926, Lampião estava indiretamente a serviço do Governo Federal???


Daí a charge na edição de 8 de maio à chama-lo de bandido oficial. Sem contar que Lampião ao sair de Juazeiro, estava armado e municiado com o que havia de mais moderno nos almoxarifados do Batalhão Patriótico de Juazeiro. Quando a charge foi feita, fazia apenas dois meses desse acontecimento e a crítica, principalmente a "sulista, "infernizava a vida do velho padre dia e noite.

Basta conferir logo abaixo a edição de 14 de agosto de 1926.
Padre Cícero como suplente, de Floro passa automaticamente a Deputado Federal. Porém desde a visita do rei dos cangaceiros será duramente criticado por todo o País sendo chamado de "ordenança de Lampião".

 A charge de forma exagerada diz que assim como Lampião conduziu o padre à Câmara Federal, facilmente o conduzirá agora ao Senado.


Charge para a edição de 9 de Julho de 1927.
Fazia menos de um mês que Lampião atacara Mossoró, no dia 13 de junho. A charge faz alusão clara aos desentendimentos entre as policias de três estados, Paraíba, Rio Grande Norte e Ceará, que o cercaram no Ceará e sua eliminação era dada como certa, mas no entanto Lampião conseguiu mais uma vez furar o cerco, deixando-os a ver navios.

Os comandantes das volantes da Paraíba e do RN culparam o Major cearense Moisés de Figueiredo, que por sua vez culpou seu subordinado, o tenente Firmo, dizendo que seu ataque fora precipitado, feito antes que se completasse o cerco total aos cangaceiros.

Após esse episódio, o Major Moisés Figueiredo foi duramente acusado de ter recebido dinheiro de Lampião, para deixá-lo escapar,ou de querer agir sozinho, para assim obter para si os louros da vitória sobre o rei do cangaço. No mesmo ano de 1927,o major escreveu um livro, LAMPIÃO NO CEARÁ, onde procurava defender-se de todas as acusações.




Na charge de 15 de setembro de 1928 a revista, cobrava providências, o fim do cangaceiro. Anunciando que Lampião "tornou" à invadir a Bahia.



Lampião entrou na Bahia pela 1ª vez,exatamente no dia 21 de agosto de 1928, acompanhado de apenas cinco dos 75 cangaceiros que atacaram Mossoró em junho de 1927. Eram eles: Ezequiel Ferreira da Silva, seu irmão, apelidado de "Ponto Fino"; Mariano Laurindo granja, "Mariano"; Antonio Juvenal da Silva, "Mergulhão"; Luís Pedro Cordeiro, "Luís Pedro"; e Virgínio Fortunato da Silva, "Moderno", cunhado.

Quando a revista diz que "invadiu novamente" em setembro, comete ledo engano, pois desde que o Rei do Cangaço entrara naquele estado, ele por lá permanecia.

Na edição de 27 de dezembro de 1930 Lampião está ironizando que a revolução, ou golpe de 1930, liderada pelo gaúcho Getúlio Vargas, que havia derrubado todos... menos à Lampião.


Realmente, de início, Vargas que havia assumido o governo provisório do Brasil no dia 1º de novembro daquele ano junto com militares leais destituem o Presidente Washington Luís, impedem que Júlio Prestes, o Presidente eleito, assuma e na sequência, destituem todos os Governadores de estado, nomeando interventores em seus lugares.

Célebres foras da lei

Na Edição de 14 de novembro de 1931. Lampião recebe um conselho do gângster Al Capone, que lhe sugere a organizar o bando e que agir politicamente na capital lhe trará mais dividendos do que suas ações no sertão.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cangaço do ponto de vista da cultura Pop

Programa Qu4tro coisas

O rei do cangaço, o capitão, o cavaleiro do diabo, o "Harry Potter do sertão" vem chegando com seu bando de cangaceiros no Qu4tro Coisas. Pablo Peixoto conta várias causos da história do "Western Brasileiro" e fala de uma coisa boa, uma velha, uma ruim e uma boa sobre Cangaceiros.


 
 
Pescado na página do YouTube do programa Qu4tro Coisas

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Frescaram" com criatividade

E se J. R. R. Tolkien tivesse nascido no Nordeste Brasileiro...


Fonte: Runic Folk (FaceBook)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Filme completo

O cangaceiro Trapalhão



Um filme brasileiro de 1983 do grupo de comediantes brasileiros "Os Trapalhões". Inspirado na história do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva.

Severino do Quixadá, (Renato Aaragão) pastor de cabras, salva Capitão (Nelson Xavier) e seu bando de cangaceiros de uma emboscada do tenente Bezerra. Na confusão, os amigos Mussum e Zacharias fogem da cadeia e todos se encontram no esconderijo dos cangaceiros, onde Gavião (Dedé Santana) é homem de confiança do chefe.

Observando sua semelhança com Severino, Capitão lhe dá uma missão, que acaba revelando-se uma emboscada. Com a ajuda de Aninha, (Regina Duarte) sobrinha do prefeito, conseguem fugir e, no caminho, encontram uma misteriosa bruxa-fada...

In Wikipedia



Açude em que pesquei: Painelbinaton's channel/YouTube

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Contos do além-cangaço

Jorge  Amado e o fantasma de Corisco
Capítulo do livro A casa do Rio Vermelho, da escritora Zélia Gattai (esposa de Jorge) -

Zélia e Jorge em foto de Carlos Namba
Pescado in Veja acervo digital

Sabedor da amizade e do carinho de Jorge por Dadá, tempos depois do enterro de Corisco um cidadão telefonou: queria, em nome de Dadá, falar com Jorge Amado um assunto da maior importância. Sendo em nome de Dadá, Jorge marcou entrevista com o cavalheiro. Ele apareceu, a vigarice estampada no rosto:

Seu Jorge Amado — foi dizendo —, tenho uma proposta a lhe fazer, empreitada que pode nos dar muito dinheiro.  

Jorge não mostrou curiosidade pela proposta, perguntou-lhe:

Como vai Dadá? Esteve com ela?

Não é bem isso — confessou o cara. — Andei entrevistando Dadá...

Não foi preciso ouvir mais nada, Jorge entendeu tudo, foi levantando. O sujeito estava ansioso para explicar a que vinha.

Veja bem, seu Jorge — insistiu —, tenho um belo material, material precioso das entrevistas com Dadá e das pesquisas que fiz sobre o bando de Lampião, de Corisco, o amor de Dadá. Pode dar um livro e tanto.

Já está escrevendo o livro? — perguntou Jorge

Bem, a minha participação no livro será apenas de pesquisador, essa é a minha especialidade. Pensei que o senhor poderia, com a prática que tem, escrevê-lo em três tempos. Nós dois o assinaríamos. Que tal?

Vendo Jorge calado, cara de poucos amigos, ele ainda ousou:

A gente pode até dar uma coisinha à Dadá, o que acha? Jorge já não achava mais nada, perdera a paciência. Levantou-se, despediu-se:

A sua proposta não me interessa. Me desculpe, tenho o que fazer. — Chamou Aurélio, pediu que acompanhasse o cidadão até a porta.

Dias depois, o "pesquisador" voltou à carga, uma, duas, três vezes, tentando, por telefone, convencer o escritor a ser seu sócio no livro. Cansados dos repetidos telefonemas, resolvemos não atender mais, deixamos que a secretária eletrônica gravasse as mensagens. Uma delas, creio que a última, porque depois ele desistiu, foi tarde da noite. Uma voz de além-túmulo dizia:


Jooorge Amaaado, hóóó Jooorge Amaaado! Quem fala aqui é a alma de Corisco... ouviu bem? Coooriiiscooo... Faça o livro de Dadáaaa, Jorge Amado! Faça o livro de Dadáaaa... ouviu bem? Hó! Jorge Amado... senão eu vou aí com Lampião te puxar os pés...

Créditos: Felipe Gitirana, Comunidade do Orkut Lampião, Grande Rei do Cangaço

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sátira

E se os Heróis das HQs fossem cangaceiros?

Desenhos de Wagnerine

Wolverine seria... "Risca Faca"



Batman seria... "Mucego, O Cangaceiro da Meia-Noite"



Mulher Maravilha seria...  "Maria Maravía"



Hulk seria...  "Besta Fera"




Magneto seria...  "Azogue"



Lanterna Verde seria...  "Lamparina Verde"




Flash seria... "Avexado"



Pesquei no Wagnerine

segunda-feira, 12 de março de 2012

Gif

"Serra Talhada At War"... Vai que cola?

:
  Paródia do jogo de Guerra Call of Duty


Créditos: Marcondes Junior - Facebook

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sátira

Fotos que intrigam...


Estaria Benjamim, falando ao celular em pleno 1936?!


OBS. Não levem a sério, é apenas brincadeira com as semelhanças. Se tiverem outras sugestões enviem para lampiaoaceso@hotmail.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Plantão de Polícia

O C.S.I. Sabino 
Pelo hotmail 
Manda avisar...


O par de óculos de Lampião que estava na Casa da Cultura em Serra Talhada, foi roubado no domingo último...
 

Agora... só restam mais 183 em circulação.

Abraço.
Sabino Bassetti
SP

sábado, 4 de junho de 2011

Estórias ordinárias # Final

A revolta do capitão Vanderli e o sequestro de madmoisele Andréa.

Por Kiko Monteiro, Fábio Costa e Marcelo Lima

Enquanto o Anspeçada "Netinho" incomunicável, se recupera de sua última batalha em que fora atingido na "região glútea" por um tiro de parabellum de origem ainda desconhecida... nós vamos dando fim à serie de reportagens sobre a saga do Capitão Vanderli:


 Anspeçada Netinho descansa sob custódia... 
Quer dizer em Custódia, cidade pernambucana

Hoje a conversa é tão curta quanto coice de girafa pois escrevi a matéria e sai correndo pra salvar minha pele pois a revelação a seguir é de alta combustão...

Por que Vanderli tornara-se cangaceiro?  
by Kiko

Fortes e virís indícios nos levam a crer que foi compromisso de vingança contra o capitão Fábio que acompanhado do Anspeçada Netinho foram até o Sítio em que o pai dele se refugiou em Macaíba - RN, anunciaram que a propriedade estava cercada com arame farpado e pediram a entrega imediata dos que estivessem lá arranchados.

Eis que surge na janela o véio Vanderlão com um pedaço de fumo na mão apontando para a força com palavras que mais pareciam ser em dialeto desconhecido, amigos, em fração de segundos os comandados do Capitão Fábio sacaram de suas armas e em sincronia atiraram deixando lá estirado na varanda... Xaninho o gato siamês zanôio que pertencia ao Capitão Vanderli.


O bichano teria pensado Que p... é essa?



Foi de veras um golpe duro na vida do errante Potiguar, pois a exatos quinze dias, um preá (porquinho da índia) e um soim (Mico) já haviam fugido de casa com medo das represálias, e agora sem Xaninho ele não haverá de ter paz enquanto não vingar sua morte.

Sequestraram Andréa, valei-me!!!.
By Fábio Costa 

As duas tropas volantes de sempre (respectivamente a minha unidade "Capitão Fábio", e a do 2º Tenente Kiko) guiados pelo primo Potiguar do rastreador e dedo-duro profissional pernambucano José Teiú, o cabra José calango, chegam ao reduto do Cap. Vanderli que neste época respondia apenas por arruaças nas vila da região.

Mas com o correr da diligencia o Anspeçada Netinho ficaria furibundo, pois no cerco ao cabra Vanderli, na caatinga suja, localizamos com dificuldade no meio de quixabeiras e xique-xiques, a casinha velha de reboco caído e janelas azuis esburacadas. O cachorro baleia logo começou a latir dando sinal pra a família de malfeitores (como dizia Luiz Gonzaga: cachorro de pobre sempre tem nome de peixe). Num vacilo de meu ordenança Netinho, o velho Vanderlão, o zanoião véio, o havia acertado nas partes almofadadas com uma espingarda “pica pau” caseira das mais fuleiras!

Agora com o orgulho ferido, ele ameaça meter a baioneta no bucho de quem falar que ele tinha 2 furos no traseiro (Netinho a culpa é do Kiko foi ele que começou essa história!!! ) . Bem no meio da lambança, vi que Vanderli se homiziava detrás de uma pilha de lenha cortada!! Não tive duvidas, sentei o dedo nessa... e mandei uma rajada da metralhadora Bergman pra cima do desenfeliz, voou lasca de lenha pra todo lado, e tora de pau virou palito!! Mas no meio da fuzilaria passou um civil inocente: Xaninho, o gato Zanoio (VESGAÇO MESMO!!) do desenfeliz do Vanderli, que ainda não era “capitão”, era só arruaceiro.

A casa virou um paliteiro de tanto furo, cobertos pela quadrilha dos “manos do agreste”, os primos marginais de Vanderli, que promoveram intensa fuzilaria, até os canos das papo-amarelo ficarem vermelhos e terem de ser esfriados no xixi!! Desceram a ladeira que tinha nos fundos da casa virados no 600! Nem Ferrari turbinada os pegava.

Gritei : - Isso é o tira-gosto viu? A janta tu come mais tarde cabra safado!!! Vi pelo canto dos olhos que o sádico do Ten. Kiko estava fazendo o que mais gostava, e com um facão cego degolava o gato Xaninho!!
Falei : home! Nem gato escapa? 
- Capitão - Respondeu o jovem oficial - Como o Vanderli escapou, tenho uma caixinha lá em casa que vai ficar linda com o “coquinho” (cabeça) deste gato.

Deixei pra lá pra num contrariar, afinal o cabra já estava babando! (já mandei ele parar de comer pão, já viram o tamanho da cara de lua cheia q ele está? Assim num vai guentá corre na caatinga horas... ).


 Cap. Fábio em plena ação. Utilizando sua "Uinchester"
própria para atirar de esquina, sem botar a cara. 

Vanderli Voltou horas depois, todo ralado, esfolado de macambira e xique xique... ao ver o cadáver do gato Xaninho, chorou largado no meio da roça!! Jurou no túmulo de seu amigo de infância que não daria sossego aos nazarenos Kiko e Netinho, e ao capitão baiano.... Aliás o couro do gato pintado, passou a enfeitar a saia do primo (uia! ) de Vanderli, Vanderléio, que tempos depois seria conhecido no meio do cangaço como Vanderlete! “A Diaba do sertão” (uia 2! ) que sempre dizia que Maria Bonita morria de inveja do seu chiquê (arre!)...

Assim foi que capitão Vanderli entrou para a vida bandida e criminosa que leva até hoje....

GAZETA DE NAZARÉ, NOVEMBRO DE 1936
(EM CONJUNTO COM O JORNAL A TOCHA DA LIBERDADE DE RECIFE)



EXTRA, EXTRA A TOCHA TRÁZ COM EXCLUSIVIDADE: TERMINOU O RAPTO DA FILHA DO CEL. GEZIEL... 
POR:  Theofanes Pedreira Madureira (por telegrafo, já que no sertão ele não pisa mais) 



Descansava eu, o Capitão Fábio da Força Pública da Bahia, na nossa bela capital, entre um gole de uísque e outro, descansava na rede olhando as ondas do mar... nem pensava em vestir farda, depois de meses de tantas fuleiragens na caatinga, só queria descansar. Mas, uma mensagem do Quartel Dos Aflitos me tirou do sossego. Vesti minha farda mais nova, impecavelmente engomada e lá fui eu, alugando um carro de praça “Ford canela seca” 1929.


Esta refinada bebida foi cortesia do facínora Capitão Vanderli que lhe enviou pessoalmente, pelo respeito que tinha ao grupo. Respeito? Sei, ele queria deixar a tropa exausta com a figura estampada no rótulo.


Ao chegar no QG, fui recebido pelo Coronel Elesbão Santana, que estava reunido com mais alguns oficiais superiores, pensei com meus botões: aí vem m...

- Capitão, seja bem vindo, sente-se. 

O coronel Laranjeiras falou sem delongas – o Sr. É um dos nossos melhores oficiais (se eu não puxar brasa pra mim quem é que vai?) e recebemos uma solicitação das autoridades sergipanas, pois sabemos que o Sr. mais de uma vez, devido ao convênio de cooperação entre os estados, atuou em solo sergipano ao lado da volante do Tenente Kiko.

- Sim de fato... – respondi alegre pelo elogio.

- Pois bem, a filha do Coronel Geziel, foi sequestrada pelo sub-grupo do Capitão Cuarisco!

- Capitão Cuarisco! Gritei me levantando eufórico da cadeira, Lampião está na área? 

- Não, não, interferiu o Major Almeida do serviço de inteligência, não, infelizmente não é o Cristino não, este tal Capitão Cuarisco, é um “cover”, um cabra q começou a carreira disfarçado de “paiaço assassino” (fantasia de “Clóvis” segundo o mesmo) tomando doce de criancinha e assustando as velhinhas quando vão buscar a aposentadoria nos bancos da caatinga, nos meios da policia local é conhecido como Cuarisco . 

- Hum Corisco Cover.... Quais as circunstâncias do rapto?

Entregaram-me um relatório completo, que eu deveria ler para me inteirar da situação.


Menina Andréa em seu cativeiro, sozinha no meio do mato, 
ui... perdão "ai" quis dizer - Ai que pena do coronel...
Andréa,(Foto) A filha do mal afamado Cel. Geziel, que era coiteiro de cangaceiro, e o pior, fornecia as maldosas balas dum-dum para eles alvejarem nossos meganhas, havia sido sequestrada. Ela havia voltado das Orópa, onde havia se diplomado em professora, mas havia voltado vermelha!! Comunistóide toda! Com umas história de ficar do lado dos fracos e oprimidos, dos pobres e miseráveis, queria fazer a revolução na caatinga, destronar os coronéis e criar comunidades rurais auto-sustentáveis, já tinha até o protótipo de uma no papel: “Rolinhos” (uma clara alusão a canudos). 
 Ficava horas falando com os vaqueiros, e com os agregados do Cel. Geziel, que a esta altura estava com o que lhe restavam dos cabelos em pé com o que a revoltada social da filha falava! Numa reunião com os vaqueiros, um deles chegou a perguntar sobre a mais valia, férias, vale transporte, vale refeição, 14º salário, etc. etc!! (uia ! ) !!
 - Pois bem Capitão, nosso presidente Vargas detesta esta gente, mas a menina é filha do infeliz do homem, e ele é importante aliado na política local. Vá lá, ache a moça, e prenda o Cuarisco!! Boa sorte! 

 Capitão Cuarisco e seu lugar tenente Zé Cabrunco


FLASHBACK DO ACONTECIDO 

A revoltada Andréa, vestindo seu Channel salmão pálido, já da coleção 1937 (não ia perder a pose né? revolucionária mas chique com estola rosa no pescoço e tudo!), foi até a enorme destilaria do pai conhecer a fabricação da pinga que era vendida a toda a região! Chegando lá , quando viu o pessoal derramando num dos tonéis pra desdobrar a “afamada” cachaça do pai (que por acaso tinha o sugestivo nome de “gato preto morto”) soda caustica, metanol, cal, querosene, casco de boi e de cavalo, cipó de leite, cabeça de frade moída, e ficou mais revoltada ainda.

A Rosa Luxemburgo do agreste pegou um banquinho, subiu em riba, e começou uma nova pregação no galpão. O coronel Geziel que já andava com as orelhas ardendo de tanta doutrinação política, não se aguentou, pegou a moçoila pelo braço, colocou na charrete e despachou pra vila do Furado Grande.

Mandou o cabra José teiú levá-la ao padreco Ivanildo pra tomar uns conselhos (se bem que disseram que o santo homem estava num resort de Maceió, num ‘retiro’ com as meninas da casa de Dª Branca, se enchendo de uísque e churrasco), e ao armazém de seu Salim, que havia recebido uns tecidos bonitos, quem sabe fazendo compras ela não se quietava?

Mas no meio do caminho aconteceu o pior... O capitão Cuarisco apareceu com sua fantasia colorida de palhaço assassino, e o pior, acompanhado dos cabras mais perigosos do grupo do Capitão Vandeli. Inclusive o famigerado primo (lembram da Vanderlete! “A Diaba do sertão” (uia ! ) ) que olhou pra a filha do coronel/defensora dos pobres, com mortal desprezo, mas ficou de olho comprido na "estola rosa" que esta trazia no pescoço!

Ao ver os bandidos, José teiú abriu todo o gás do turbo, e desapareceu na caatinga seguido por uma nuvem de poeira!

Andréa maravilhada disparou:

- Camaradas cangaceiros, justiceiros das caatingas, leve-me com vocês! Juntos traremos justiça social, isonomia, e “pax perpetum” a estas isoladas paragens!

- Tu entendeu o que a moça falou Cuarisco? – perguntou o seu lugar tenente cabra "Zé Cabrunco"

- Deve de ser o sol, coitada abilolou o juízo! Vamos indo cabroeira. – Falou o bandoleiro mor. Pegando a moça pelo braço.

Assim adentrou o desconhecido sertão a missionária da revolução popularista, Andréa, vestindo seu elegante Taileur francês.

A minha Volante havia chegado de trem, e marchado já dezenas de quilometros, quando se encontrou com a unidade policial de Sergipe, comandada pelo Tenente Kiko, logo soube que outra tropa comandada pelo ex-Capitão da reserva Marcelo, também estava na área, tão importante era para o governo do estado voltar as boas com o Cel. Geziel. Com as efusivas saudações de sempre aos queridos colegas, logo observei:

- Tu num diminuiu o pão e a pizza né Kiko? Olha a tua cara de lua cheia!

Reparei também que o Anspeçada Netinho estava totalmente recuperado do ferimento sofrido no conflito com o velho Vanderlão. Os nossos rastreadores seriam, o indefectível José teiú (Geziel havia ficado furioso com a fuga do mequetrefe e mandou dar uma sova, o cabra tava todo roxo de pancada, que mais parecia uma berinjela gigante) e seu primo João Mocó (mocó é aquela preazinha que tem o traseiro vermelho e dá nas pedras... peraí, dá nas pedras não pega bem, "mora" nas pedras,)

Pedi a palavra como maior patente presente e informei aos homens sobre a severidade da missão!

– Senhores, a missão é delicada, caso achemos o bando cuidado na pontaria, pois tem refém importante, mas não tenham piedade pois o Corisco (cover) é um elemento deletério, e...

- Capitão – me interrompeu o José Teiú” - que gôta é deletério?

- Ruim homi, o cabra é ruim!!! Diz que quando era pequeno se disfarçava de Chuck, Boneco assassino pra bater e tomar o doce dos outros meninos, agora cresceu e foi promovido ao palhaço IT, do Stephen King, cês num vão no Cine Progresso no domingo não? Cês num cunhece o moderno cinema americano?

A tropa fez um AHHHH, de quem num tinha entendido e fez que tinha, entenderam? Todos maravilhados cum minha explicação.

Sem mais delongas, caímos mato adentro com sede de sangue. Cada tropa prum lado. Rosto suado, fuzil pesado, farda quente, poeira ressecando a garganta, achando que a coisa ia se arrastar por dias e demorar. Dispensei a coisa ruim do José teiú, mas o primo dele o tal do João Mocó era igual, pingunço e safado!!

Ao longe divisei as fardas do grupo de Kiko e chegamos juntos a um local aberto na caatinga, onde um tronco gigante de gameleira jazia ao solo, nele, amarrada igual mortadela na rede, e bem, mas muito bem amordaçada, estava a professora Andréa. Havia nela marcas de tortura, ao que parece a maldosa e mesquinha Vanderlete, por vingança, havia depilado as sobrancelhas da pobre e indefesa socialite da caatinga, usando cera de abelha fervente misturada com areia grossa da serra, e caco moído de vidro.

Os lábios estavam pintados, e o resto do rosto também com um horrendo batom cor de jerimum, (uia ) que também lhe estragou todo o terninho! havia um cartaz colado ao seu corpo:

“Aos amigos das volantes, pelo amor de Deus mandem esta mulher ficar de boca fechada. ass. Cap. Corisco, surdo e zonzo até agora”

Quando foi retirada a mordaça a primeira coisa que a moça falou foi: - MINHA ESTOLA, a miserável da Vanderlete roubou a minha estola!!!!! 

Assim terminou o rapto da filha do Cel. Geziel...


 Coronel Geziel e sua manjada figura, única foto disponível. Ele deixa bem claro ao saber que o fotógrafo da capital tinha um material dele pra ser revelado - Escute aqui retratista de merda, Não quero saber de revelações ao meu respeito.


TROCA DE RELATÓRIOS 

Desse Eu, Cap. Marcelo Lima 
Ao sr. cmt das forças de combate ao banditismo em Sergipe.
Após reversão deste oficial à ativa, seguindo a orientação estratégica de concentrar esforços no sul do estado, informo que iniciei as atividades no município de Itaporanga, seguindo mais exatamente para a praia da Caueira.
Após pouso rápido de quinze dias no local, tendo dificuldades de abastecer a tropa com a carne seca e farinha, fomo obrigados a consumir camarão caranguejo e peixe.
Nos retiramos para a praia do Abaís, já no município de Estância, onde pousamos por mais 15 dias, seguindo a pista de um subgrupo destacado que estava a operar na região.
Informo que já nesta praia, tivemos mais dificuldades, pois além da alimentação agora a dormida também criou tensão. Do que tivemos que adquirir oficialmente mais redes de dormir e de pescar, do que segue apenso a este documento, os registros oficiais dos custos desse equipamento de campanha, a ser liquidada com a verba oficial.
Levantamos acampamento ontem, rumo à praia do saco, já na divisa com a Bahia, onde chegamos hoje, e estamos fazendo as incursões na região, na pista do subgrupo que parece estar homiziado aqui no local chamado Gameleira.
Adianto, que informes iniciais dão conta que o subgrupo está peiteando a travessia do rio real, com destino à Bahia, mais exatamente para a povoação Mangue Seco, do que é possível termos que fazer essa travessia penosa e custosa.
Finalmente, informo que a situação da tropa é penosa e precisamos de mais recursos, pois o preço da água de côco no meio o mato, tá na hora da morte na ponta do punhal.
Sem mais 
cap. Marcelo Lima 

 Cap. Marcelo atualmente em São Paulo, 
caçando esquilos no Ibirapuera pra procriar em Sergipe.

Fábio DIZ 
Ao Sr. Cap Marcelo Lima.
Minha volante encontrará a sua, e juntos participaremos desta perigosa e penosa empreitada! 
Já adianto que tivemos de surrar um coiteiro, que queria vender a tropa Guaimuns e cerveja com preço superfaturado! Justiçamos o cabra!  
Abraços. 

Tenente Kiko emenda 

Ah! bem lembrado
Confesso aliviado... (aliviado, nunca), alí cabramacho!
Que me livrei desta despesa, há vários tópicos em que convidava o Cel Geziel para conhecer o litoral Sergipano, que só perde para o açude de Orós (Ceará), e para aquele trecho do Rio São Francisco barrado pela Usina Itaparica em Petrolândia - PE.
Mas voltando ao assunto vejam vocês, da inflação que livrei as bolsas nacionais pagando uns tiragostos para ele. Mas vamos ao conteúdo de meu telex para o conterraneo Cap. Marcelo.
Estou estranhando esta atitude do Capitão Marcelo, me parece que está dando uma difícil, será que vai imitar Muniz de Farias no famoso fogo da Favela (Floresta) deixando o companheiro Fábio sozinho.
Vou enviar carta de recomendações aos vossos superiores, diante da possível recusa que lhe devolvam para Porto da Folha, que nesta época está fresquinha e com água em abundância nas torneiras, pra não dizer ao contrário. Abra do ôio! 

Ten. Kiko

Cap. Marcelo se ajeitcha
Se aprochegue cabra Fábio, tá complicado aqui, e tô mesmo precisando de ajuda nesta campanha da Bahia (mangue seco, Embassaí, Costa Verde)
Tenente Kiko, o pedido de ajuda foi para a região sul, não foi? como bom militar tô aqui na região e pior, já achei pistas de passagem de cangaceiros!!!
Como diria o veinho que narra as estorinhas de Madeline SÓ ISSO, MAIS NADA.

Fotomontagens: Tiago Nascimento

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Possibilidades...

Perguntaram ao Obama:
 

- Após morto, o que devemos fazer com o corpo do Bin? 
- O ideal é jogar no mar.
- Porquê não o enterrarmos onde nasceu?
- É bom não arriscar. Em Mossoró mataram um cangaceiro do mal e hoje ele é quase santo!



Enviado por Kydelmir Dantas

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estórias Ordinárias II

O Tenente Kiko faz um mudo falar
por Fábio Costa

João Elesbão, - atentem a foto abaixo - na flor de seus 22 anos carpia preguiçosamente a terra do sitiozinho em que morava. A paisagem ressequida do sertão (de cor verde na monotonia de cinza e vermelho da caatinga, só os periquitos que esvoaçavam em bando gritando, e os inacreditáveis e ridículos óculos feitos com fundos de garrafas de vinho barato que as vacas do Cel. Geziel usavam no terreno logo em frente a modesta propriedade dos Elesbões - assim as bovinas comiam gravetos secos, palha e até terra, pensando que eram mato verde - só pra num alugar uma manga, pense num home pão duro!!), as árvores desfolhadas, o ar quente, tudo desanimava o jovem, que não capinava as magras raízes de mandioca com muita vontade.

 João e seus nove bruguelos. Sabe como é.. Televisão? Tem três, mas quando não gosta da programação recorre à uns filminho pesado que seu primo Rubinho, cultua e aluga pra moçada mais carente.


Nesse momento, quase dormindo encostado no cabo da enxada, enquanto aproveitava a sombra convidativa de uma moita de quixabeira, José Elesbão viu um tropel diferente, não eram os pinguços dos vaqueiros do muquirana, coisa-ruim do Cel. Geziel.

Viu uns 15 homens a cavalo, apesar de ser otário de carteirinha registrada reconheceu de imediato a indumentária dos bandoleiros do sertão!!!! Só lhe veio a mente o nome do famigerado Virgínio Fortuna e seu bando, que andava aterrorizando as paragens, tomando aposentadoria de veinha, surrando pobres aleijados, dando chifre em mulher casada (eita!), e fazendo arruaça nas feiras das vilas.

Os homens se aproximaram do pobre João, caras más curtidas pelo sol, roupas sujas de poeira e encharcadas de suor, pendiam brilhantes nas cartucheiras centenas de balas de fuzil e de “papo amarelo”, as pistolas Parabellum e os revólveres Colt cavalinho e “Chimit Oeste” na cintura. Não se borrou por que não tinha “massa” pronta, como dizia vovô.
- Esse menino – falou com voz gutural Virgínio Fortuna – essa estrada vai pro furado grande? 
- Seu moço sei não, mas se ela for vai fazer uma falta grande pra gente!! Respondeu o abestado rapaz já se molhando todo...
- Ah tá cum fulerage Capitão!!! Falou o cabra Ronnyere.
- Num sabe com quem ta falando não fí duma iégua? Respondeu irritado quase espumando o cabra Jomar . Este era filhote de cruz cedo com cascavel de tão ruim que era!!
- Se tem língua e num sabe conversar, melhor que fique sem!! Bradou impassível o Virgínio Fortuna.
Os cabras Ronnyere e Jomar seguraram o moleque e o capitão charqueou a língua do camarada fora e deu pra seu famoso cachorro “Piaba” comer.

Saíram em disparada rindo da maldade e falando que depois dessa iam ao Maqui Flonalds da vila do “Furado grande” (já notaram por que raios a maioria das cidades dos sertão tem nomes de duplo sentido?) comer Big Meque e dar umas porradas no gerente, o Ronaldo cabeção (primo cearense do gringo Ronald Maqui Flonalds, que instalou a primeira lanchonete e confeitaria com o famosos hambúrguer de bode em 1925 em Natal/RJ).

José Elesbão correu sangrando em prantos para o humilde sitio onde morava com a família, chamaram Dª Sinhana benzedeira, que passou umas ervas e estancou o sangue.

No 2º dia lá estava de novo o rapaz na rocinha, o olhar vago, perdido em tristezas, aí ele viu um idoso num jegue preto! Reconheceu de imediato a batina surrada (de preta tava cinza) e o chapelão de palha ensebada do padre Ivanildo (pra não queimar a careca no sol). Correu pra pedir a bênção e talvez um milagre, o padre perguntou ao moleque que agora era mudo:
- Rapaz falta muito pro furado grande? Eu nunca passei por aqui, vim pedir um donativo pra igreja pra o Cel. Geziel mas o agourento só queixa miséria !! 
Esperou um pouco, e nada o cabra não respondia.
- Falta muito pro furado grande? Responde moleque sem educação! 
Como o moleque não respondia o padre desapeiou, P. da vida, meteu a mão no bolso do rapaz de olhar esbugalhado, e tirou a única moeda que ele tinha falando  
- Esta vai pra minha cervej... quer dizer pro donativo da vela da missa de domingo, pra que sejas perdoado por ofender um homem santo como eu (sei... as meninas de Dª branca que te conhecem bem). Tecus molecum safadummmm (latim fajuto...)
No 3º dia de mudez o garoto estava ainda capinando de novo (mudinho e burro, agora que ele não ia ter mesmo outra vida).

Novamente ele ouviu um vozerio, uma balbúrdia, correu pra estrada (tem gente que não aprende mesmo) quando viu uma tropa de puliça, todos de uniforme caqui, aqui ou ali, uma alpercata, uma camisa de mescla, ou um chapéu de cangaceiro se sobressaíam ao fardamento padrão. Um jovem com cara de arrogante parou em frente ao matuto:
- Sou o 2º tenente Kiko da força publica de Sergipe, diga cidadão essa estrada vai pro furado grande? 
Nada.
- Vou repetir, acho que o cidadão não me ouviu!! Essa estrada vai pro furado grande? 
O rastejador do grupo, Rostão, cabra safado e ex- vaqueiro de Geziel, com a cara maior que a lua cheia, todo inchado de cachaça, falou matreiro.
- Ih! Tenente o cabra não comeu sua farofa não, ta lhe mangando!
- Sargento Narciso, ponha este cabra desrespeitoso, em cima daquele formigueiro, cubra-lhe de "reio" e só pare quando ele falar!!! 
O mudo vermelhou-se, gesticulava, gritava silenciosamente. E se contorcia, mas caiu no reio mesmo assim!!

Colocaram o cabra no furmigueiro, depois de umas 20 lapadas de cipó. Assim que as formigas começaram a lhe roer o ... O mudo se desvencilhou dos meganhas, saiu correndo na capoeira com a bunda vermelha e toda caroçuda, gritando xingamentos contra o tenente, Virgínio Fortuna, e o padre muquirana, a plenos pulmões!!
Os vizinhos saíram das casas estupefatos, uma senhora começou a gritar:
- Valei-me meu padim Ciço, é milagre, milagre do Tenente Kiko... 
Bem, só sei dizer que o povo conta assim na região!!!

  Cabra Ronnyere, João Elesbão e o cabra Jomar 


À serviço da república: Rastejador Rostão e o sargento Narciso.