As armas do cangaço em funcionamento
Pesquisando no Youtube, um amigo encontrou vídeos de colecionadores e profissionais em demonstração de armas clássicas e selecionou os que apresentam as pistolas, Fuzis e submetralhadoras utilizadas no período do cangaço.
Um complemento ao artigo campeão de audiência ARMAS DO CANGAÇO.
Desta vez poderemos perceber desde o manuseio até o poder de fogo dos "brinquedos".
Haja vista que muitos de nós já tivemos a oportunidade de ver essas armas de perto, mas sempre desativadas e silenciosas, cuidadosamente guardadas dentro de redomas de vidro. Os vídeos nos permitem conhecer o “ronco” daquelas armas, “instrumentos de trabalho” de homens e mulheres que se aventuraram na tenebrosa vida do cangaço ou das forças policiais.
Créditos para o confrade de Orkut Leandro Coelho.
Supervisão: Fábio Costa.
Pistola Mauser C96.
Porém as da policia eram cópias: as Royal espanholas.
Luger 08 "Parabellum"
Mauser 1908
Winchester 1873.
Conhecida como “papo amarelo” devido ao elevador da munição ser na cor amarela (feito em bronze ). Foi a Winchester mais usada no Brasil. A porta (ou pórtico) na verdade fica na lateral da arma, sendo de metal comum, escuro.
Bergmann
Pistola Browning 1910, cal. 7,65
Revólver Nagant
Revólver cal. 38 Special
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Saindo do forno, aliás, da Vitrine
O “corpo fechado” e as armas de fogo
Por Fábio Costa "Senhor das armas!
Uma das mais curiosas relações do homem com as armas de fogo é justamente o paradoxo que logo depois de seu aparecimento se tentou minimizar ou mesmo anular o efeito destruidor de seus projéteis. As primeiras armas foram contemporâneas das armaduras medievais e estas últimas pouco puderam fazer para proteger seus usuários, pois apesar do paulatino reforço em sua chapa para aguentar os disparos dos iniciais arcabuzes (armas com peso ao redor de 5 kg e com calibre que podia chegar aos 2 cm), em breve não resistiriam a perfuração causada por um projétil do mosquete.
O brutal mosquete foi sucessor do menor arcabuz, geralmente era uma arma de 10/12 kg de peso, com calibre em torno de uma polegada -2,5 cm- e dizem que foi introduzida na Espanha no final do século XVI, devido ao peso tinha de usar como auxílio para a pontaria uma forquilha. Os soldados que a usavam ficariam eternamente famosos com o romance “os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas.
Malogrando-se as tentativas de se evitar os ferimentos e mortes no plano físico, partiu-se em seguida para o plano etéreo, e se apelou para magia, e é deste assunto que falaremos.
Existem muitas crendices populares sobre armas, como por exemplo na França, que em meados dos séculos XVIII e XIX acreditava-se que havia “balas encantadas” que perseguiam o alvo até abatê-lo. Dentre as nacionais, como as que dizem que a depender do alvo a arma perdia a capacidade de atingir com precisão ou mesmo disparar, como atirar numa caçada contra um animal encantado que na verdade podia ser um dos seres elementais das nossas florestas como o curupira, a caipora, o mapinguari, desgraçaria ou mesmo causaria a morte do caçador.
Atirar contra fantasmas, contra lobisomens e mulas sem cabeça, dentre outras criaturas fantásticas que habitavam as florestas e os sertões místicos etc. Atirar contra um “murundu” (cupinzeiro) estragaria a precisão da arma. Dentre muitas outras superstições se enquadram as crenças (principalmente no nordeste do Brasil) do “corpo fechado”, que era invulnerável aos ferimentos de facas e armas de fogo, ou capaz de enganar ou desnortear o perseguidor ou assassino através de fórmulas mágicas, patuás ou “breves”. Um dos mais célebres portadores de “corpo fechado“ foi o cangaceiro Lampião, que teria sobrevivido a diversos ferimentos de arma de fogo.
Conseguia-se o corpo fechado de várias maneiras, a mais comum era com o uso de uma poderosa e secreta oração que podia ter vários efeitos: impedia que a arma do adversário disparasse, causando negas de percussão, ou caíam as balas alguns metros após deixar o cano, ou a depender da força da magia saía água do interior do cano!! Evitavam que o inimigo visse com clareza o possuidor da “mandinga” (o famoso “envultamento”), embaralhando a sua visão causando tonturas ou alucinações.
Meu querido avô me contava dentre as várias e coloridas estórias que ouvi dos mais velhos na minha meninice, quase todas indo do período final do Séc. XIX até a “República Velha”, sobre um cidadão que se metamorfoseava - aos olhos do observador apenas, diga-se de passagem - em um pé de pimenta. Outro caso que ilustra bem este tipo de mandinga me foi contado pelo “seu” Anísio, um descendente direto de escravos que foi trabalhador agregado da fazenda de meu avô, que um cruel e famoso pistoleiro do norte de Minas Gerais estava sendo perseguido por um camarada disposto a vingar-se.
Numa estrada deserta os dois oponentes se encontraram a la Western spaghetti, quando a carabina “papo amarelo” foi empunhada pelo vingador, seus olhos são obscurecidos por uma nuvem negra, não morrendo este por pouco, em outro encontro quase fatídico desta vez numa vila, o assassino é protegido por um grupo de crianças que saídas do nada fazem barreira contra as balas da 44, enquanto o maléfico vai embora rindo. A magia se quebra quando o “vingador” encontra na casa da amante do pistoleiro uma peça de sua roupa, e com ela amarrada à boca do “rifle” finalmente acerta-o, matando-o, o cadáver do assassino ficou encostado numa árvore, morreu de pé, tendo seus dedos sido quebrados para se poder retirar o revólver...
Outra maneira de se conseguir o corpo fechado é usando um patoá, patuá (ou “breve”) palavra certamente derivada dos dialetos franceses “patois” (cuja pronúncia é mesmo patoá), é em síntese um amuleto em forma de saquinho que contém uma oração, ossos, cordões bentos, ou outro sortilégio. É carregado junto ao corpo, ou nas vestes do portador. Este também permite “envultar” das diversas maneiras já elencadas acima ou fazer armas falharem. Sobre isso meu avô contava que na Serra do Vitorino (Bahia), lá por volta de 1920, dentro de uma vendinha começou uma confusão, três elementos empurram um outro para fora do boteco, e em seguida já no terreiro descarregam suas “rabo de égua” (grandes garruchas de percussão) contra ele, de dentro da fumaceira da pólvora negra saiu o camarada ileso!!
Este “dito cujo” em seguida arranjou confusão com um “caboclo cabo verde” (mulato de cabelo liso, mestiço de índio) e armou para matá-lo, quedou-se acocorado dentro do ranchinho de pau-a-pique do caboclo próximo a porta dos fundos, mas o branco de sua camisa destacou-se num dos buracos do barro denunciando-o, e foi ali que a boca da garrucha do índio, que o havia visto a distância por causa disto, foi colocada, de um tiro a queima-roupa nas costas o infeliz desabou mas não morreu de imediato, levado a vila lá resistiu por algumas horas. Morria... A vela era colocada nas suas mãos e num gemido gutural e medonho retornava do mundo dos mortos com muito sofrimento, chamado para atender o caso meu bisavô Teófilo Carvalho (o sangrador da vila, fazia sangria, abria abscessos etc, numa época difícil onde não haviam médicos formados por perto).
- Seu Tiófilo, tira o que está em meu bolso esquerdo, ele não me deixa ir...
- Olha aí, vai confiar nestas porcarias, pois foi bem no lugar do patuá que a bala entrou.
Logo que retiraram o patuá o camarada deu um gemido medonho e foi-se embora para de onde não se volta...
Colocaram como de praxe a moeda na boca do defunto (simpatia para que o seu assassino não pudesse ir longe, por causa dos pés inchados ou ficasse andando em círculos, certamente isso encontra eco nos antigos ritos gregos mortuários de pagar a travessia do rio Aqueronte ao barqueiro do Hades: Caronte, adaptado para os costumes patriarcais e violentos do nordeste e Brasil agrário). O caboclo assistiu do mato as exéquias do valentão, esperou o sepultamento, retirou a moeda do cadáver, e como diz o povo caiu “na arca do mundo”...
Podia-se ainda conseguir o corpo fechado quando se usava imagens ou objetos sagrados inseridos na própria carne (pequenas imagens de santos por exemplo), assim fez um camarada que encomendou a outro que ia a Roma, uma “lasca do santo lenho” (a santa cruz original), o outro não achando lhe deu uma lasca de madeira qualquer, com o que ele passou a barbarizar com atitudes de valentão, o compadre espertalhão ficou curioso com tais façanhas feitas com um reles pedaço de pau, e esclarecido o engodo acabou a fé do suposto recente valentão, que voltou a ser “mofino” (covarde).
Deve-se esclarecer que o corpo fechado ainda podia ser obtido pelos rituais da Umbanda e do Candomblé (os “catimbozeiros” das caatingas), por simpatias, e além de proteger contra armas de fogo e brancas servia ainda pra adivinhar emboscadas, proteger contra mordidas de animais hidrófobos ou venenosos, mau olhado, bruxarias, evitar coices e amansar animais bravos... Mas em nenhum dos casos podia-se atravessar rios ou cercas de arame farpado, pois nessa situação ficavam vulneráveis aos tiros dos inimigos...
Por Fábio Costa "Senhor das armas!
Uma das mais curiosas relações do homem com as armas de fogo é justamente o paradoxo que logo depois de seu aparecimento se tentou minimizar ou mesmo anular o efeito destruidor de seus projéteis. As primeiras armas foram contemporâneas das armaduras medievais e estas últimas pouco puderam fazer para proteger seus usuários, pois apesar do paulatino reforço em sua chapa para aguentar os disparos dos iniciais arcabuzes (armas com peso ao redor de 5 kg e com calibre que podia chegar aos 2 cm), em breve não resistiriam a perfuração causada por um projétil do mosquete.
O brutal mosquete foi sucessor do menor arcabuz, geralmente era uma arma de 10/12 kg de peso, com calibre em torno de uma polegada -2,5 cm- e dizem que foi introduzida na Espanha no final do século XVI, devido ao peso tinha de usar como auxílio para a pontaria uma forquilha. Os soldados que a usavam ficariam eternamente famosos com o romance “os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas.
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| Gravura do autor deste texto |
Existem muitas crendices populares sobre armas, como por exemplo na França, que em meados dos séculos XVIII e XIX acreditava-se que havia “balas encantadas” que perseguiam o alvo até abatê-lo. Dentre as nacionais, como as que dizem que a depender do alvo a arma perdia a capacidade de atingir com precisão ou mesmo disparar, como atirar numa caçada contra um animal encantado que na verdade podia ser um dos seres elementais das nossas florestas como o curupira, a caipora, o mapinguari, desgraçaria ou mesmo causaria a morte do caçador.
Atirar contra fantasmas, contra lobisomens e mulas sem cabeça, dentre outras criaturas fantásticas que habitavam as florestas e os sertões místicos etc. Atirar contra um “murundu” (cupinzeiro) estragaria a precisão da arma. Dentre muitas outras superstições se enquadram as crenças (principalmente no nordeste do Brasil) do “corpo fechado”, que era invulnerável aos ferimentos de facas e armas de fogo, ou capaz de enganar ou desnortear o perseguidor ou assassino através de fórmulas mágicas, patuás ou “breves”. Um dos mais célebres portadores de “corpo fechado“ foi o cangaceiro Lampião, que teria sobrevivido a diversos ferimentos de arma de fogo.
Conseguia-se o corpo fechado de várias maneiras, a mais comum era com o uso de uma poderosa e secreta oração que podia ter vários efeitos: impedia que a arma do adversário disparasse, causando negas de percussão, ou caíam as balas alguns metros após deixar o cano, ou a depender da força da magia saía água do interior do cano!! Evitavam que o inimigo visse com clareza o possuidor da “mandinga” (o famoso “envultamento”), embaralhando a sua visão causando tonturas ou alucinações.
Meu querido avô me contava dentre as várias e coloridas estórias que ouvi dos mais velhos na minha meninice, quase todas indo do período final do Séc. XIX até a “República Velha”, sobre um cidadão que se metamorfoseava - aos olhos do observador apenas, diga-se de passagem - em um pé de pimenta. Outro caso que ilustra bem este tipo de mandinga me foi contado pelo “seu” Anísio, um descendente direto de escravos que foi trabalhador agregado da fazenda de meu avô, que um cruel e famoso pistoleiro do norte de Minas Gerais estava sendo perseguido por um camarada disposto a vingar-se.
Numa estrada deserta os dois oponentes se encontraram a la Western spaghetti, quando a carabina “papo amarelo” foi empunhada pelo vingador, seus olhos são obscurecidos por uma nuvem negra, não morrendo este por pouco, em outro encontro quase fatídico desta vez numa vila, o assassino é protegido por um grupo de crianças que saídas do nada fazem barreira contra as balas da 44, enquanto o maléfico vai embora rindo. A magia se quebra quando o “vingador” encontra na casa da amante do pistoleiro uma peça de sua roupa, e com ela amarrada à boca do “rifle” finalmente acerta-o, matando-o, o cadáver do assassino ficou encostado numa árvore, morreu de pé, tendo seus dedos sido quebrados para se poder retirar o revólver...
Outra maneira de se conseguir o corpo fechado é usando um patoá, patuá (ou “breve”) palavra certamente derivada dos dialetos franceses “patois” (cuja pronúncia é mesmo patoá), é em síntese um amuleto em forma de saquinho que contém uma oração, ossos, cordões bentos, ou outro sortilégio. É carregado junto ao corpo, ou nas vestes do portador. Este também permite “envultar” das diversas maneiras já elencadas acima ou fazer armas falharem. Sobre isso meu avô contava que na Serra do Vitorino (Bahia), lá por volta de 1920, dentro de uma vendinha começou uma confusão, três elementos empurram um outro para fora do boteco, e em seguida já no terreiro descarregam suas “rabo de égua” (grandes garruchas de percussão) contra ele, de dentro da fumaceira da pólvora negra saiu o camarada ileso!!
Este “dito cujo” em seguida arranjou confusão com um “caboclo cabo verde” (mulato de cabelo liso, mestiço de índio) e armou para matá-lo, quedou-se acocorado dentro do ranchinho de pau-a-pique do caboclo próximo a porta dos fundos, mas o branco de sua camisa destacou-se num dos buracos do barro denunciando-o, e foi ali que a boca da garrucha do índio, que o havia visto a distância por causa disto, foi colocada, de um tiro a queima-roupa nas costas o infeliz desabou mas não morreu de imediato, levado a vila lá resistiu por algumas horas. Morria... A vela era colocada nas suas mãos e num gemido gutural e medonho retornava do mundo dos mortos com muito sofrimento, chamado para atender o caso meu bisavô Teófilo Carvalho (o sangrador da vila, fazia sangria, abria abscessos etc, numa época difícil onde não haviam médicos formados por perto).
- Seu Tiófilo, tira o que está em meu bolso esquerdo, ele não me deixa ir...
- Olha aí, vai confiar nestas porcarias, pois foi bem no lugar do patuá que a bala entrou.
Logo que retiraram o patuá o camarada deu um gemido medonho e foi-se embora para de onde não se volta...
Colocaram como de praxe a moeda na boca do defunto (simpatia para que o seu assassino não pudesse ir longe, por causa dos pés inchados ou ficasse andando em círculos, certamente isso encontra eco nos antigos ritos gregos mortuários de pagar a travessia do rio Aqueronte ao barqueiro do Hades: Caronte, adaptado para os costumes patriarcais e violentos do nordeste e Brasil agrário). O caboclo assistiu do mato as exéquias do valentão, esperou o sepultamento, retirou a moeda do cadáver, e como diz o povo caiu “na arca do mundo”...
Podia-se ainda conseguir o corpo fechado quando se usava imagens ou objetos sagrados inseridos na própria carne (pequenas imagens de santos por exemplo), assim fez um camarada que encomendou a outro que ia a Roma, uma “lasca do santo lenho” (a santa cruz original), o outro não achando lhe deu uma lasca de madeira qualquer, com o que ele passou a barbarizar com atitudes de valentão, o compadre espertalhão ficou curioso com tais façanhas feitas com um reles pedaço de pau, e esclarecido o engodo acabou a fé do suposto recente valentão, que voltou a ser “mofino” (covarde).
Deve-se esclarecer que o corpo fechado ainda podia ser obtido pelos rituais da Umbanda e do Candomblé (os “catimbozeiros” das caatingas), por simpatias, e além de proteger contra armas de fogo e brancas servia ainda pra adivinhar emboscadas, proteger contra mordidas de animais hidrófobos ou venenosos, mau olhado, bruxarias, evitar coices e amansar animais bravos... Mas em nenhum dos casos podia-se atravessar rios ou cercas de arame farpado, pois nessa situação ficavam vulneráveis aos tiros dos inimigos...
Se tudo isso é verdade não sei dizer, mas por via das dúvidas fico com a opinião de Shakespeare em Hamlet : “Há mais coisas nos céus e na terra, Horácio, do que sonha a tua vã filosofia".
terça-feira, 14 de abril de 2009
Um estudo pseudo-psicológico
A pistola Parabellum no imaginário popular
Por Aurelino Fabio Carvalho Costa.
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| Pistola Parabellum do Contrato Brasileiro de 1906 |
Entre as armas de fogo, esta nuance da psique humana também está presente. Assim teremos as armas mais caras, dignas de marajás indianos com apliques em ouro, prata, marfim, cheias de trabalho artesanal, feitas por encomenda em maisons tradicionais (como as espingardas da Holland & Holland), ou em afamados armeiros custom. Objetos cuja função social e psicológica mais compreensível, é a de demonstrarem socialmente a opulência, a riqueza, e o requinte (ou até o extremo mau gosto a depender do caso) de seu possuidor. Bem como as feitas de maneira descuidada, com materiais inferiores, de pouca tecnologia, próprias para as classes menos favorecidas e despojadas materialmente, chegando algumas a ser também marcos ou sinônimos de coisa ruim, de baixa qualidade.
Mas há outras que apesar de feitas em seqüência industrial, com acabamentos absolutamente normais entram para este rol seleto das “lendas de aço”, unicamente pelo apelo popular, ou pelas suas boas características técnicas de confiabilidade, ou pela construção cuidadosa (apesar de puramente comercial). Assim poderíamos citar as Mauser C-96 (chamadas de "mausa caixa de pau" por causa do seu coldre/coronha), as Colt 1911, as pistolas da FN, e dentre dezenas de modelos e fábricas que não citaríamos por ser enfadonho, a arma que agora nos ocupa, baseada na pistola Borchardt C-93 modificada e melhorada por Georg Luger, e transformada na pistola D.W.M. Parabellum em 1900 (conhecida também como Luger por causa do desenhista).
A temida e desejada pistola Parabellum entra na história oficial do Brasil em 1906, com um contrato do Governo Brasileiro com a firma D.W.M. - Deutsche Waffen und Munitionsfabriken (Sociedade Alemã de Armas e Munições), sendo encomendado naquela feita 5.000 pistolas em calibre 7,65mm Parabellum, com capacidade de 8 cartuchos, segunda trava de segurança na empunhadura, sem engate de coronha e cano de 4 3/4", e acabamento esmerado com oxidação brilhante de um lindo tom azul veludo. Era a virada do século XX, sendo isso por si só bastante apelo comercial, técnico, e psicológico, pois as pistolas “automáticas” significavam a última palavra, afinal o debute do automatismo em armas portáteis era bem recente (iniciado com a experimental pistola Schönberger, em 1892), como vantagens visíveis portavam mais munição, e eram mais rápidas no tiro que os tradicionais revólveres.
Temos talvez aí a primeira das pistas de seu sucesso subjetivo na cultura popular: a modernidade que representavam. O potente e veloz, mas pouco eficaz em poder de parada calibre 7,65 mm Parabellum, é logo seguido por um 9 mm mais eficaz já em 1902, e embora armas neste calibre não tenham sido adotadas pelo governo federal do Brasil (mas ao que parece a polícia da Bahia na época comprou algumas Lugers em calibre 9 mm Parabellum, e talvez outras, embora a falta de documentos de época seja um entrave a pesquisa séria), os civis sim, estes usavam muito estas armas em 9 mm, sendo as poucas 7,65 mm vistas em mãos de colecionadores nacionais eminentemente militares.
Temos aí a segunda pista do seu sucesso centenário: Poder, tanto o poder subjetivo, o de usar a mesma arma que os representantes do governo usavam (tanto o federal representado pelo Exército Nacional, ou os estaduais representados pelas suas tropas policiais “volantes”), quanto ao poder palpável, real, obtido pela força dos disparos dos cartuchos dos calibres 7,65 mm e 9 mm Parabellum, mais potentes que os dos revólveres em uso corrente entre policiais e cangaceiros da época. Isso se fixou no imaginário popular como quase um axioma, que um disparo da Parabellum podia furar um trilho de trem, “olho de enxada”, apesar da excelente penetração que estas armas tinham, isso é um grande exagero, sendo desmentido até por testes práticos de uma revista de armas anos atrás.
Misturando-se a tudo isto, ainda temos a mítica do desenho, a empunhadura (cabo) possuía uma curva sinuosa, sensual, quase feminina, garantindo a ergonomia de uma pega adequada a mão do atirador, poucas vezes conseguida, mas muito imitada em outras armas. A própria exótica operação com o manejo do ferrolho subindo (o nome técnico de ação de joelho - ou “toggle-joint action” já diz tudo), mais o preço elevado da arma, pela cuidadosa fabricação e acabamento (mais um item adicionado à lista: status, riqueza), bem como a quantidade de modelos e opções, e estava feita em parte a receita do sucesso e da popularidade deste tipo.
Os diversos modelos da Luger puderam ser vistos em mãos de todo tipo de gente, popularizou-se entre policiais e cangaceiros, que depois de 1930 usavam os modelos 1906 e 1908 – sendo que a pistola que Lampião usava quando foi morto era uma Parabellum P-08 de 9 mm (mas antes disso ao que parece, usava uma em 7,65 mm, e exigia toda a munição desse tipo que encontrasse). Essa Parabelum 9 mm de Lampião segundo dizem, foi comprada pelo mesmo na cidade de Capela no estado de Sergipe, em 1929 na casa comercial de Jackson Alves de Carvalho, sendo aparentemente a mesma arma que foi encontrada com ele em seu fim trágico em Angicos (aliás na famosa foto das cabeças cortadas – pode-se contar nada mais nada menos do que 7 pistolas Parabellum, sendo bem visível uma do mod. 1906, as outras menos visíveis pois estão coldreadas).
Ainda sobre personagens que usaram as Parabellum, os Coronéis, seus Jagunços e Pistoleiros de aluguel também a apreciaram, tendo chegado ao meu conhecimento pelas divertidas estórias do meu finado Tio Zeca, que lá pelos anos 40 trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira da Bahia/Minas Gerais. Ele me contou que na casa da sede tinham caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum, além de outras armas curtas!!
Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa. Tem também a popular e hilária estória de um camarada que ao ir à casa de uma “mulher da vida” em Bom Jesus da Lapa/Ba, guardou a pedido da desconfiada “moça” que o “atendia”, a sua Parabellum num Bocapiu (sacola de palha)... que não tinha fundo... Ao cair no chão a arma (que por certo como diz o povo estava com “bala na agulha”) começou a disparar sozinha até ficar sem munição (típico defeito de pistolas, numa peça chamada fiador), ambos ficaram agachados num canto do quartinho da “moça”, agarrados e muito assustados, já se isso foi verdade é outro caso...
Mas a realidade técnica longe do mito é bem outra. A bem dizer a Luger em parte não justificava a sua boa reputação (mundial, pois foi arma de coldre padrão de dezenas de nações, lutou nas duas guerras mundiais, e é uma das mais procuradas por colecionadores até os dias de hoje), sim, de fato é uma arma precisa, mas por causa de seu desenho peculiar era cara de se manufaturar, tolerava poucas variações nas cargas dos cartuchos, tinha muitas peças pequenas, era bastante sensível à poeira, gelo e lama encontráveis em quase todo teatro de operações, pois o mecanismo não é coberto por inteiro, o seu carregador tinha tendências a encravar no 2º cartucho por causa da inclinação da mesa elevadora e da mola fraca, e o 1º era muito duro de se introduzir manualmente, mesmo assim foi um tremendo sucesso de vendas.
Mas em nossas terras longe de tecnismos, a fama da lendária pistola corria de norte a sul, notadamente no Nordeste das primeiras décadas do século XX, onde entrou sorrateira no imaginário popular (o famoso Parabelo) como uma das estrelas principais de uma época tão difícil de medo e violência: o ciclo do cangaço.
Ainda sobre personagens que usaram as Parabellum, os Coronéis, seus Jagunços e Pistoleiros de aluguel também a apreciaram, tendo chegado ao meu conhecimento pelas divertidas estórias do meu finado Tio Zeca, que lá pelos anos 40 trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira da Bahia/Minas Gerais. Ele me contou que na casa da sede tinham caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum, além de outras armas curtas!!
Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa. Tem também a popular e hilária estória de um camarada que ao ir à casa de uma “mulher da vida” em Bom Jesus da Lapa/Ba, guardou a pedido da desconfiada “moça” que o “atendia”, a sua Parabellum num Bocapiu (sacola de palha)... que não tinha fundo... Ao cair no chão a arma (que por certo como diz o povo estava com “bala na agulha”) começou a disparar sozinha até ficar sem munição (típico defeito de pistolas, numa peça chamada fiador), ambos ficaram agachados num canto do quartinho da “moça”, agarrados e muito assustados, já se isso foi verdade é outro caso...
Mas a realidade técnica longe do mito é bem outra. A bem dizer a Luger em parte não justificava a sua boa reputação (mundial, pois foi arma de coldre padrão de dezenas de nações, lutou nas duas guerras mundiais, e é uma das mais procuradas por colecionadores até os dias de hoje), sim, de fato é uma arma precisa, mas por causa de seu desenho peculiar era cara de se manufaturar, tolerava poucas variações nas cargas dos cartuchos, tinha muitas peças pequenas, era bastante sensível à poeira, gelo e lama encontráveis em quase todo teatro de operações, pois o mecanismo não é coberto por inteiro, o seu carregador tinha tendências a encravar no 2º cartucho por causa da inclinação da mesa elevadora e da mola fraca, e o 1º era muito duro de se introduzir manualmente, mesmo assim foi um tremendo sucesso de vendas.
Mas em nossas terras longe de tecnismos, a fama da lendária pistola corria de norte a sul, notadamente no Nordeste das primeiras décadas do século XX, onde entrou sorrateira no imaginário popular (o famoso Parabelo) como uma das estrelas principais de uma época tão difícil de medo e violência: o ciclo do cangaço.
Debutou num ambiente onde a falta de esperança no futuro e na justiça transformava por vezes a apatia em revolta, em mote da vingança. Numa terra de homens e mulheres destruídos moralmente e materialmente pela pobreza e pela fome (há relatos de vendas de pessoas e até macabras histórias de canibalismo), onde a tragédia humana da seca diuturna, que fazia as caveiras dos animais branqueando no pasto inexistente, a rir com suas mandíbulas desencaixadas, lembrando aos homens que os seus natimortos, os menores, e os seus mais velhos em breve os seguiriam na jornada da qual não se volta.
A política e o poder asfixiante dos coronéis, a grilagem de terra, a imensidão das caatingas sem lei, a pretensa liberdade dos bandoleiros, e isso tudo num caldeirão social em ebulição, permeado por fanáticos. Creio modestamente que a junção destes fatores contribuiu para que o mito da Parabellum se perpetuasse como uma arma potente e bela, símbolo de status social, instrumento de morte precisa e de poder. Poder esse que era ao mesmo tempo opressor e transformador, pois se a Parabellum era a arma dos odiados volantes e coronéis, também era a do “Capitão” Virgulino Ferreira e dos cangaceiros.
Os projéteis das Parabellum, rápidos como o vôo do carcará, e mortais como a cascavel, percorreram os ambientes hostis (tanto o natural como o social) das caatingas, e suas histórias como arma coadjuvante nas mãos de homens que primaram pelo heroísmo, traição ou covardia, mantidas pela tradição oral, chegaram aos nossos dias fascinando os pesquisadores modernos, que evidentemente tem de separar o joio do trigo...
A política e o poder asfixiante dos coronéis, a grilagem de terra, a imensidão das caatingas sem lei, a pretensa liberdade dos bandoleiros, e isso tudo num caldeirão social em ebulição, permeado por fanáticos. Creio modestamente que a junção destes fatores contribuiu para que o mito da Parabellum se perpetuasse como uma arma potente e bela, símbolo de status social, instrumento de morte precisa e de poder. Poder esse que era ao mesmo tempo opressor e transformador, pois se a Parabellum era a arma dos odiados volantes e coronéis, também era a do “Capitão” Virgulino Ferreira e dos cangaceiros.
Os projéteis das Parabellum, rápidos como o vôo do carcará, e mortais como a cascavel, percorreram os ambientes hostis (tanto o natural como o social) das caatingas, e suas histórias como arma coadjuvante nas mãos de homens que primaram pelo heroísmo, traição ou covardia, mantidas pela tradição oral, chegaram aos nossos dias fascinando os pesquisadores modernos, que evidentemente tem de separar o joio do trigo...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Preparar.. Apontar...
Armas do cangaço
Por Fábio Carvalho
Me lembro bem quando vi estas linhas abaixo. Desprezadas em uma outra comunidade de Cangaço no Orkut e então pedi ao estimado confrade Fábio Carvalho, que prestigiasse os tópicos da 'Grande Rei do Sertão' com esse brilhante texto. Resultado de inúmeras pesquisas, esse baiano radicado em São Paulo é de fato o 'Senhor das armas', confira.
Por Fábio Carvalho
Me lembro bem quando vi estas linhas abaixo. Desprezadas em uma outra comunidade de Cangaço no Orkut e então pedi ao estimado confrade Fábio Carvalho, que prestigiasse os tópicos da 'Grande Rei do Sertão' com esse brilhante texto. Resultado de inúmeras pesquisas, esse baiano radicado em São Paulo é de fato o 'Senhor das armas', confira.
Com sistema de pederneira e percussão. Posteriormente, depois da revolução ocorrida com a introdução do cartucho metálico as armas longas preferidas em linhas gerais (ou que as mais aparecem em fotos são as seguintes:
Winchester - modelo 1873 , cal. 44.
Carabina de origem americana, popularmente conhecida como Papo amarelo (por ter o elevador de munição em metal amarelo), foi durante muitos anos a espinha dorsal do cangaço. As mais usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano octogonal e 12 tiros. Era uma arma tão comum que podia ser comprada até em armazéns de secos e molhados, e segundo tive informações havia fazendeiros e coronéis que compravam caixas fechadas contendo diversas armas!!
Uma moderna réplica de Winchester - modelo 1873
Carabina de origem americana, mais moderna possuindo um sistema de fecho mais robusto, e sendo mais segura que a antecessora 1873. Era tão popular quanto (apelida de cruzeta) e se aplicam os mesmos comentários. As usadas aqui geralmente tinham 20 polegadas com cano redondo (cano fino, "cano de mamão") e capacidade (a depender do comprimento do cano) de 8,10 ou 12 cartuchos.
Depois de Março de 1926 com o fornecimento de armas por parte do próprio governo (para perseguir a coluna Prestes):
Do modelo do contrato militar brasileiro de 1908, cal. 7 x 57mm de 5 tiros,
e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros. No começo da década de 30 chegam os Mosquetões FN 22. Algumas destas armas eram tomadas das polícias em combate. E um ou outro Fz Mauser “espanhol ”1893, estes geralmente de importação de coronéis ou milícias. Antes de padronizar a maioria do armamento no potente e preciso Mauser 1908, os cangaceiros usavam uma verdadeira miscelânea de armas : fuzis Comblains cal. 11 mm de (1 tiro)
Alguns Mannlichers 1888 a ''Manulixa'' que “debutou” com fracasso em Canudos, e depois descarregado pelo exército para as Forças Públicas Estaduais em cal. 8. Na verdade é uma lenda. Era um fuzil com ferrolho de Mauser, carregador tipo Mannlicher e desenhado por uma comissão (não por Mauser ou por Ferdinand Mannlicher) daí seu verdadeiro nome: Gewehr 88 (fuzil 88) ou internacionalmente em inglês Model 1888 Commission Rifle (fuzl da comissão de 88) É evidente que mais armas “exóticas” (alguns autores citam ainda carabinas Marlin e Colt lightning) podem aparecer, mas a falta de fotos de boa qualidade prejudica o reconhecimento e pesquisa.
e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros. No começo da década de 30 chegam os Mosquetões FN 22. Algumas destas armas eram tomadas das polícias em combate. E um ou outro Fz Mauser “espanhol ”1893, estes geralmente de importação de coronéis ou milícias. Antes de padronizar a maioria do armamento no potente e preciso Mauser 1908, os cangaceiros usavam uma verdadeira miscelânea de armas : fuzis Comblains cal. 11 mm de (1 tiro)
Mauser 1894/95 de manufatura da FN Belga.
Alguns Mannlichers 1888 a ''Manulixa'' que “debutou” com fracasso em Canudos, e depois descarregado pelo exército para as Forças Públicas Estaduais em cal. 8. Na verdade é uma lenda. Era um fuzil com ferrolho de Mauser, carregador tipo Mannlicher e desenhado por uma comissão (não por Mauser ou por Ferdinand Mannlicher) daí seu verdadeiro nome: Gewehr 88 (fuzil 88) ou internacionalmente em inglês Model 1888 Commission Rifle (fuzl da comissão de 88) É evidente que mais armas “exóticas” (alguns autores citam ainda carabinas Marlin e Colt lightning) podem aparecer, mas a falta de fotos de boa qualidade prejudica o reconhecimento e pesquisa.
Armas curtas :
Revólveres Colt: mod. Police, Police Positive etc, estes eram em 32 SW e 38 SPL, (44 SPL e 44-40 eram mais raros) e conhecidos pela alcunha de Colt cavalinho.
Além dos Smith e Wesson, o vulgar “schmit oeste “, nos mesmos calibres (e mais o 44 Russian), e uma infinidade de suas cópias espanholas como os OH, Omega, BH, etc .
Além dos Smith e Wesson, o vulgar “schmit oeste “, nos mesmos calibres (e mais o 44 Russian), e uma infinidade de suas cópias espanholas como os OH, Omega, BH, etc .
Nos anos 20 as pistolas semi-automáticas se popularizaram, sendo as FN/Browning 7,65 mm as preferidas dos cangaceiros.
Nos anos 30 se difunde entre eles o uso da pistola "Parabellum" (Luger) o “parabelo” mod. 1906 e 1908, nos calibres 9 mm e 7,65.
Pistola Luger 1908 com a ação aberta,
pode-se ver claramente por quê se chama “ação de joelho”.
Lampião portava uma 1908 em 9 mm como esta acima quando foi abatido.
Lampião portava uma do modelo 1908 em 9 mm quando foi abatido. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Outras pistolas certamente de diversas origens, podiam ser encontradas, principalmente as belgas (muitas da marca FN ) e espanholas (sendo estas últimas mais comuns as do tipo “Ruby” ). Ocasionalmente ninguém cita, mas creio, que poderia se achar armas de bolso dos tipos Velodog e Bulldog em cal. 5,5mm,22 Lr,320 ou 380, pois eram tremendamente pupulares e não há motivo para não se pensar que um ou outro as usasse com 3ª ou 4ª arma (reserva).
Armamento das Polícias:
O armamento das tropas estaduais era padronizado normalmente no Fuzil e mosquetão Mauser do modelo do contrato militar brasileiro de 1908 , cal. 7 x 57mm de 5 tiros, e Fuzil e mosquetão FN 1895 também cal. 7 x 57mm de 5 tiros, posteriormente mosquetões FN 22 e Mauser 1935. Algumas Forças Públicas eram mais carentes, não comprando armamento de modo particular dependendo das doações de material do exército, de forma que por vezes até fuzis Comblain de tiro simples ainda eram usados
As submetralhadoras comuns eram as Bergmann modelos de 1918, 1928 e 1934 variando o calibre de 7,63 Mauser a 9mm Luger. A metralhadora leve mais usada pelas volantes pela facilidade de locomoção, embora necessitasse de 2 homens para correto manejo, era a francesa Hotchkiss 1921 (Fuzil Metralhador) cal. 7 mm com carregador lateral do tipo fita rígida para 32 cartuchos
Hotchkiss 1921
É imprescindível a correção do nome, repetindo que com o devido respeito ao trabalho do autor(es) que cometeu um equivoco absolutamente compreensível , próprio talvez d quem não conheça bem o mundo das armas:
1º) A grafia correta é Hotchkiss, é um nome próprio, e não um apelido para a arma, quem ouviu o nome ser “ beijo quente” usou uma grafia fonética, que de fato parece ser isto, mas está totalmente incorreto. Era fabricada pela companhia fundada pelo americano Benjamim Hotchkiss (Société Anonyme des Anciens Etablissements Hotchkiss et Cie).
2º) A arma era fabricada na França e não na América.3º Foi usada e muito popular no Brasil pelas PMs e pelo exercito em 3 versões Mod.1914 (metralhadora pesada), 1921 (fuzil metralhador Benet- Mercier) e Mod.1922 (fuzil metralhador, este último muito usado nas caatingas).
Os soldados via de regra não portavam armas curtas mas quando o faziam levavam consigo revólveres Nagant cal. 44, Girard em cal. 38 curto, Colt ou SW em 38 SPL , ou ainda pistolas de dois canos (as garruchas- as infames “dois tiros e uma carreira'') em cal. .320, 380 ou .44. Os graduados e oficiais além das armas curtas citadas poderiam optar por uma pistola alemã Mauser 712 "fogo rápido" (Schenellfeur) calibre 7,63 mauser, com seletor para fogo automático (“rajada”), chamadas de "mausa caixa de pau" por causa do coldre/coronha. Ou ainda a sua congênere espanhola, a pistola metralhadora Royal de características semelhantes em calibre 7,63 mauser, além de usarem em menor número as pistolas Parabellum 1906 cal. 7,65mm P, estas eram de uso oficial do exercito Brasileiro.
Nagant
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Estas duas bichinhas aí eram fabricadas pela Royal, MM 31e MM 34.
Era a arma dos combates corpo a corpo e resolvia as questões pessoais...Aumentando a lenda , diziam que alguns tinham no processo de fabricação a lâmina em brasa mergulhada não na água, mas em veneno,recebendo uma têmpera mortal, que infeccionava os ferimentos, se é verdade não sei dizer, mas ouvi muito disso. Pessoalmente vi uma destas, que me disseram ter pertencido a um dos membos do bando de lampião, não me lembro mais o nome do "cabra" pois já tem muitos anos, não era dos integrantes mais famosos, me disseram que tinha 100 mortes nas costas daquela lâmina!!!
Arma dos Coronéis
Fazendo parte do universo intrincado da sociedade nordestina, os Coronéis eram senhores da vida e da morte no sertão. Fazendeiros ricos e chefes políticos importantes, arrogantes e truculentos com suas patentes compradas à extinta Guarda Nacional (mas também havia Majores e Capitães, pois a compra da patente dependia do poder aquisitivo do interessado). Suas propriedades e interesses eram defendidos por vezes por centenas de homens armados (os "jagunços"), daí serem grandes seus arsenais!!!
Por vezes contratavam o "serviço" de cangaceiros ou bandos armados para eliminar os desafetos. Na região da Chapada Diamantina/Ba, dizem que Horácio de Matos tinha a seu serviço, quase um milhar de mineradores/jagunços. O famoso episódio do Pega do Cochó, que durou quase um mês, com "serenatas numa noite de 100 tiros de Comblain" e dezenas de mortes, só se resolveu com a chegada de tropas estaduais, e muita intervenção e mediação política.
Até o governo temia estes poderosos latifundiários, que financiavam toda a política da velha república. Eram mais poderosos no Nordeste, mas existiram coronéis em todo o Brasil. Meu bisavô Teófilo Carvalho, chegou a ser compadre de um destes coronéis, ele andava com uma dúzia de jagunços, distinguidos pelo lenço vermelho no pescoço, ao chegar na porteira da fazenda de meu bisavô a ordem era “abaixar as carabinas”. Lá pelos anos 40 meu finado tio Zeca trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira Bahia/Minas Gerais, ele me contou que na casa da sede, tinha caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum além de outras armas curtas !!
Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa, hoje se o sujeito tiver um canivete cai na porrada e vai preso!!! Com um poderio político destes, não é de se estranhar que alguns coronéis fossem fornecedores de armas a bandos de cangaceiros, sem serem incomodados pelas autoridades. Seu poderio declinou devido ao natural progresso e após a Revolução de 1930, o governo federal ordenou que se desarmassem e desmantelassem os bandos de jagunços a serviço dos coronéis.
Para ter uma pálida ideia do arsenal destes homens, só na região das Lavras Diamantinas/BA foram apreendidos cerca de 35.000 fuzis Mausers, 376 quilos de munição, 236 mil cartuchos, 2 metralhadores e 2 máquinas para fazer cartuchos,e todas as operações de desarmamento desta natureza, se espalharam pelo Brasil inteiro na época.Quantos milhões de armas foram apreendidos?
Por vezes contratavam o "serviço" de cangaceiros ou bandos armados para eliminar os desafetos. Na região da Chapada Diamantina/Ba, dizem que Horácio de Matos tinha a seu serviço, quase um milhar de mineradores/jagunços. O famoso episódio do Pega do Cochó, que durou quase um mês, com "serenatas numa noite de 100 tiros de Comblain" e dezenas de mortes, só se resolveu com a chegada de tropas estaduais, e muita intervenção e mediação política.
Até o governo temia estes poderosos latifundiários, que financiavam toda a política da velha república. Eram mais poderosos no Nordeste, mas existiram coronéis em todo o Brasil. Meu bisavô Teófilo Carvalho, chegou a ser compadre de um destes coronéis, ele andava com uma dúzia de jagunços, distinguidos pelo lenço vermelho no pescoço, ao chegar na porteira da fazenda de meu bisavô a ordem era “abaixar as carabinas”. Lá pelos anos 40 meu finado tio Zeca trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira Bahia/Minas Gerais, ele me contou que na casa da sede, tinha caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum além de outras armas curtas !!
Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa, hoje se o sujeito tiver um canivete cai na porrada e vai preso!!! Com um poderio político destes, não é de se estranhar que alguns coronéis fossem fornecedores de armas a bandos de cangaceiros, sem serem incomodados pelas autoridades. Seu poderio declinou devido ao natural progresso e após a Revolução de 1930, o governo federal ordenou que se desarmassem e desmantelassem os bandos de jagunços a serviço dos coronéis.
Para ter uma pálida ideia do arsenal destes homens, só na região das Lavras Diamantinas/BA foram apreendidos cerca de 35.000 fuzis Mausers, 376 quilos de munição, 236 mil cartuchos, 2 metralhadores e 2 máquinas para fazer cartuchos,e todas as operações de desarmamento desta natureza, se espalharam pelo Brasil inteiro na época.Quantos milhões de armas foram apreendidos?
Por fim vamos falar sobre a origem das duas armas mais populares a primeira é a pistola Semi-Automática "Parabellum".
Começa quando o Jovem George Luger (daí a ser também conhecida como Luger) foi contratado pela firma DWM e aperfeiçoa o desenho da pistola de Hugo Borchadt diminuindo seu tamanho e peso, e em 1898 a nova “Parabellum” (" para a guerra" em latim, este era o endereço telegráfico da DWM) estava pronta. O primeiro país a adotar Lugers foi a Suíça - eles adotaram a Luger modelo 1900 em calibre 7.65mm Luger. Em 1902 a DWM, junto com o inventor Luger, a pedido da Marinha alemã desenvolve um cartucho de maior poder de parada: o 9mm Luger.
Esta arma se tornou padrão no exército alemão em 1908, lutou na primeira guerra mundial ao lado de diversas nações, e participou discretamente da 2ª. O exército do Brasil adotou esta arma em calibre 7.65mm em 1906, sendo substituída pelas pistolas Colt .45 em 1935. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Aqui se acham mais vulgarmente as miltares do mod. 1906 e comerciais pós guerra do Modelo 1908, nos calibres 9 mm e 7,65. Era uma elegante pistola semi-automática, bem feita com um brilhante acabamento azulado (1906) com comprimento do cano de 10,3 Cm (mas também podia ter 152 mm,203 mm e até 203 mm nas versões carabinas comerciais), carregador destacável para 8 cartuchos. Peso na versão P08: 868 g.
A luger é um fetiche entre colecionadores e leigos, mas na época áurea do nazismo ela já havia sido destronada pela Walther P-38 como arma regulamentar.
Mas sua silhueta jamais será confundida! Apesar de todas as peculiaridades ruins e pouca funcionalidade para arma militar que ela tinha...
Esta arma se tornou padrão no exército alemão em 1908, lutou na primeira guerra mundial ao lado de diversas nações, e participou discretamente da 2ª. O exército do Brasil adotou esta arma em calibre 7.65mm em 1906, sendo substituída pelas pistolas Colt .45 em 1935. Esta arma é famosa até hoje no nordeste, tendo as histórias de sua potência ("fura olho de enxada") entrado para o imaginário popular. Aqui se acham mais vulgarmente as miltares do mod. 1906 e comerciais pós guerra do Modelo 1908, nos calibres 9 mm e 7,65. Era uma elegante pistola semi-automática, bem feita com um brilhante acabamento azulado (1906) com comprimento do cano de 10,3 Cm (mas também podia ter 152 mm,203 mm e até 203 mm nas versões carabinas comerciais), carregador destacável para 8 cartuchos. Peso na versão P08: 868 g.
Contrato nacional de 1906
A luger é um fetiche entre colecionadores e leigos, mas na época áurea do nazismo ela já havia sido destronada pela Walther P-38 como arma regulamentar.
Mas sua silhueta jamais será confundida! Apesar de todas as peculiaridades ruins e pouca funcionalidade para arma militar que ela tinha...
Mais uma foto da "parabellum " com a ação aberta!! - Ah antes que eu esqueça! por favor prestigiem a nossa Vitrine da Armaria
Agora um pouco mais sobre o mosquetão Mauser 1922 , em comparação com o fuzil Mauser 1908 (dados deste em parênteses) estas armas fabricadas em sua totalidade pela Fabrique Nationale D’armes de guerre de Hertal, (FN) Bélgica , eram basicamente carabinas com cano de 19 pol (29 pol) compr. De 100 cm ( 124 cm) , capacidade de 5 cartuchos 7 mm, alavanca de manejo curva (reta) , alça de mira calibrada até 1400 m (de 200 a 2000m) . Estas armas mais modernas, tinham a culatra cerca de 5 mm mais curta, e design ligeiramente diferenciado do Mosquetão Mauser 1908 mas o ferrolho e mecanismo em geral eram o do Fz 1898.
*Aurelino Fábio Carvalho Costa é baiano de Itapetinga, 43 anos, oplólogo autodidata e historiador amador, especializado em Armamento leve sendo estudioso de armas de fogo e balística há mais de 20 anos. Já exerceu as funções de consultor técnico voluntário do Museu da Polícia Militar de São Paulo, e sempre batalha pela conservação da memória e da oplologia na história do Brasil. Acesse o perfil do cabra no Orkut a foto é mera coincidência, como dizem no Ceará "O cabra é cão!
Gostas do assunto? Consulte outras excelentes pesquisas, imagens e informações adicionais com o confrade Fábio acessando Vitrine da armaria
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