domingo, 30 de dezembro de 2012

Relançada em Evento do Movimento Patu 2001

Jesuíno Brilhante em Quadrinhos"                      

      
Durante o aniversário do Movimento Patu 2001 (1997-2012), ocorrido no Bar do músico patuense Cláudio Saraiva, localizado no cruzamento da Rua Aníbal Brandão com a Rua Sucupira, em Nova Parnamirim, na Grande Natal/RN, no último dia 15 de dezembro aconteceu o relançamento da revista de história em quadrinhos sobre o cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante, com a presença do escritor Aucides Bezerra de Sales que divide a autoria da obra com Emanoel Amaral e Luiz Elson.
                                   
O convite para Aucides Sales fazer o relançamento da revista sobre Jesuíno Brilhante partiu do médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio Andrade, fundador do Movimento Patu 2001, organização militante de intervenção sócio-política da década de noventa do século passado, que  desenvolveu um conjunto de iniciativas desencadeantes de uma nova safra de pesquisas sobre o cangaço pré-lampiônico no oeste do Rio Grande do Norte e fronteira paraibana.


 Seu Joaquim Oliveira e Dona Carmelita Rocha (1981)
                               
Os trabalhos de campo para a elaboração de "Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos" começaram no início da década de oitenta do século passado, quando os pesquisadores Aucides Sales e Emanoel Amaral foram acolhidos/recepcionados na Fazenda Lajes, na zona rural de Patu, no médio-oeste potiguar, pelo casal formado pelo agropecuarista Joaquim de Oliveira Rocha e pela professora Carmelita Rocha, no ano de 1981, época da primeira edição da revista.


 Aucides Sales com integrantes da diretoria da ACUP DE 1987.

      Em Patu, terra natal de Jesuíno Brilhante (1844-79) e principal epicentro de suas ações cangaceiras, no ano de 1987 foi viabilizada uma segunda edição da revista com o apoio da prefeitura municipal (Gestão 1983-88) e da Associação Cultural Universitária Patuense (ACUP), que em grandiosa jornada universitária promoveu o seu lançamento. Por ocasião do relançamento da revista no aniversário dos 15 anos do Movimento Patu 2001 e dos 25 anos da grande jornada universitária, o professor Aucides Sales posou para uma fotografia histórica com integrantes da diretoria da ACUP de 1987 (Epitácio Andrade, Giovanni Braga, Tyrone Dantas, Jerônimo Linhares e Canuto Saraiva, representado por seus irmãos Cláudio e Norma e pelo sobrinho Kauê).


 Patu no início do século XX

                     Uma parte do legado deixado pelas pesquisas de campo para a elaboração de "Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos" pode ser sintetizada no resgate da mais antiga fotografia de Patu, capital do cangaço romântico, datada do início do século XX, constituinte do acervo pessoal do escritor e desenhista Emanoel Amaral.


Revista na exposição do Movimento Patu 2001
                    
Durante a festa cultural de aniversário do Movimento Patu 2001, a revista "Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos" fez parte de uma exposição de publicações de interesse do movimento, composta por outras obras de Aucides Sales, e pelos livros "Uma Mudança ao Ceará", da escritora patuense Mocinha Saraiva (Em memória), "A Saga Benevides Carneiro" e "Dudé ou Dedé", do escritor caraubense Dudé Viana, e "A Saga dos Limões - Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante", de autoria de Epitácio Andrade, além de uma coletânea de folhetos editados pela Casa do Cordel.
                       
Sob os olhares atentos do autor Aucides Sales e do músico-anfitrião Cláudio Saraiva, o tabelião de Parnamirim/RN e fomentador cultural Airene José Paiva Amaral recebeu o primeiro exemplar da revista relançada naquela tarde-noite festiva das mãos de Epitácio Andrade, idealizador do Movimento Patu 2001.


Epitácio anuncia a exposição sobre cultura indígena

                        Ao final do relançamento da revista, o autor Aucides Sales relembrou a parceria com o pesquisador social Epitácio Andrade desde os tempos que era conhecido como "Epitacinho" e fez uma apresentação de um acervo de materiais, objetos e obras ilustrativas da cultura indígena, defendendo a tese de que "a maioria dos personagens envolvidos diretamente com o fenômeno do cangaço tivera descendência e utilizara estratégias indígenas".

Tá tudo lá no www.epitacioandradefilho.blogspot.com.br

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lampião em Mossoró

Quarta teoria: O ataque resultou de um plano político (Quinta parte)  

Por Honório de Medeiros

Os Coronéis Quincas e Benedito Saldanha

Mas se realmente Massilon tinha, por trás de si, desde o episódio de Brejo do Cruz, PB, até o ataque a Apodi, RN, as figuras maquiavélicas de Quincas e Benedito Saldanha, ainda não há como ligar diretamente os Coronéis paraibanos ao ataque a Mossoró.

Pelo menos até onde sabemos, mesmo que os coronéis ambicionassem o controle político da Região, como o demonstram suas participações na política de Caraúbas, via o Coronel Quincas Saldanha; de Apodi, por intermédio de Benedito Saldanha, Tylon Gurgel, Martiniano Porto e Luis Ferreira Leite; e, porque não dizer, influência política no Rio Grande do Norte como um todo, haja vista a participação em episódios políticos decisivos no Estado, oriunda das relações políticas com o Interventor Mário Câmara e a histórica campanha da Aliança Social versus Partido Popular, relatada acima, em meados da década de 30.

Isso, por uma razão muito simples: não teria como haver a invasão de Mossoró sem Lampião e, conforme exposto acima, nem o Coronel Isaías Arruda, tampouco Massilon – homem dos Saldanha –, sabia que o grande cangaceiro se dirigia a Aurora no período do ataque a Apodi.
Recordemos Sérgio Dantas [1]:
O encontro de Lampião com Massilon deu-se em dias de maio, após o assalto a Apodi. Até aí, Lampião desconhecia completamente o novel bandoleiro. O cangaceiro Mormaço, em interrogatórios consignados nos processos-crime instaurados nas Comarcas de Martins e Pau dos Ferros, ambos em 1927, deixam claro esse particular. Também, nesse sentido, depoimento prestado por Jararaca à Polícia no mesmo ano. Todos são unânimes quanto à época do encontro.

Ainda:

O cangaceiro “Mormaço”, em diferentes interrogatórios prestados à Polícia (Martins, Pau dos Ferros, Mossoró e Crato), deixou claro que Lampião desejava chegar ao Ceará para refugiar-se e municiar o bando. Também acrescentou, em diversas oportunidades, que Arruda intermediava, invariavelmente, tais compras de munição.

A NÃO SER QUE: O projeto do ataque a Mossoró, revelado por Argemiro Liberato e denunciado pela imprensa mossoroense, estivesse na fase de planejamento e, deste, fizesse parte a noção de que somente depois, em uma outra etapa, os líderes cangaceiros seriam procurados por Massilon, etapa que teria sido precipitada para aproveitar a chegada inesperada, em Aurora, de Lampião.

Pois é fato que, até onde se sabe, nenhuma outra pessoa, fora os Coronéis Quincas e Benedito Saldanha, teriam tanto a ganhar, AO MESMO TEMPO, politicamente, com a invasão de Apodi e Mossoró, e a deposição, pela força das armas, dos Coronéis Francisco Pinto e Rodolpho Fernandes do poder, exceto, também, o próprio Governador José Augusto Bezerra de Medeiros, e Jerônimo Rosado.

Os Coronéis tinham um sério e quase imbatível adversário político na Região: os Fernandes, e, principalmente, o Coronel Rodolpho Fernandes.

E dois fatos a favor, digamo-lo assim: a vontade de José Augusto Bezerra de Medeiros de destruir o crescente poderio político dos Fernandes, e a atitude destes em relegar Jerônimo Rosado, um dos dois principais aliados políticos de Francisco Pinheiro de Almeida Castro [2] - o outro era Rafael Fernandes, ao esquecimento, como veremos um pouco adiante.

Rafael Fernandes: 
Até hoje quem mais tempo passou no poder, de forma ininterrupta, no RN.

José Augusto Bezerra de Medeiros

Façamos uma introdução à política do estado potiguar: nos anos vinte ocorreram várias mudanças significativas em termos de poder político no Rio Grande do Norte.

José Augusto Bezerra de Medeiros, do Seridó, herdeiro político do Coronel José Bernardo de Medeiros, líder regional desde a época do Império, transferira o centro das decisões no Estado para o Sertão, correspondendo esse poderio, no que diz respeito ao econômico, à ascendência da cultura algodoeira no Estado.

É o que lemos em Luiz Eduardo Brandão Suassuna e Marlene da Silva Mariz [3]:
José Augusto e Juvenal Lamartine de Faria, seu sucessor e herdeiro político, com o apoio do Presidente Artur Bernardes, conseguiram impedir Joaquim Ferreira Chaves, da oligarquia Maranhão, de chegar ao poder pela terceira vez, e, assim, praticamente decretaram seu fim.

Juvenal Lamartine: 
Teria sido por ordem sua que morreu Chico Pereira.

A linha política do governo José Augusto insere-se na conjuntura nacional, com a oligarquia local em plena harmonia com a oligarquia que detém a hegemonia nacional. Um exemplo desse entrosamento é a visita de Washington Luis, em 1926 (após ter sido eleito Presidente da República), ao Rio Grande do Norte.
O poder de José Augusto Bezerra de Medeiros será bruscamente interrompido pela Revolução de 1930, embora esteja no cerne da vitoriosa campanha do Partido Popular contra o Interventor Mário Câmara, tão cuidadosamente retratada por Edgar Barbosa em “HISTÓRIA DE UMA CAMPANHA”, já aludido.

José Augusto Bezerra de Medeiros manobrou, o quanto pode, para instituir uma nova oligarquia no Rio Grande do Norte, relata-nos Gil Soares [4]:
José Augusto não se limitou a cuidar do seu quatriênio. Preparou sucessões de familiares seus. O “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro anunciou logo isso. Oligarquia. E na modalidade mais rudimentar, que é a do tipo familiar.

De início julgava-se prestigiado para esse objetivo derrubando, no interior, velhos dirigentes do seu partido, para substituí-los por elementos de sua confiança pessoal. Exemplos:

Em São José do Mipibu, Inácio Henrique por Monsenhor Antônio Paiva; em Nízia Floresta, José de Araújo por Joaquim Freire; em Goianinha, Gonzaga Barbalho por Manoel Ottoni de Araújo Lima; em Pedro Velho e Santo Antônio, Rodopiano de Azevêdo por Joaquim da Luz e Epaminondas Mendes, respectivamente; em Nova Cruz, Anísio de Carvalho por Nestor Marinho; em Taipu, Rozendo Leite por João Gomes da Costa; em Touros, Francisco Zacarias por Joel Cristino; em Macau, Feliciano Tetéo por Armando China. E assim por diante.

Manoel Maurício Freire (Neco Freire), de Macaíba, resistiu. Mas ficou muito desprestigiado. Viu o Governador eleger deputado estadual o comerciante Antônio de Andrade Lima, seu velho adversário local. Quando lhe chegou a vez de indicar o nome do prefeito, ei-lo obrigado a aceitar o macaibense Cícero Aranha, Chefe de Serviço do Tesouro do Estado.

Depois do Seridó, a maior força eleitoral situava-se na Zona Oeste. Liderada pela família Fernandes. Homens pacíficos, muito dedicados a atividades agropecuárias e industriais. 

O plano, aí, seria reduzir-lhe, paulatinamente, o grande prestígio político.

Começou, pois, o Governador, atraindo para a chapa estadual o médico Antônio Soares Júnior [5], a maior figura da oposição em Mossoró [6].

Antônio Soares Júnior
Líder da oposição radical ao Coronel Rodolpho Fernandes.

Também:

No segundo ano do governo de José Augusto, seu primo Napoleão Bezerra, meu velho e saudoso amigo currais-novense, me dizia o seguinte no Campo de Demonstração de Jundiaí, em Macaíba: “Se os Maranhões dominaram a política do estado durante trinta anos, por que não podemos fazer o mesmo?”

E: Naquele ano de 1926 era voz corrente, em Natal, que o “plano político” do governo do Estado seria o seguinte:

1º O governador José Augusto teria como sucessor seu sobrinho-afim Juvenal Lamartine e seguiria, logo, para o Senado; 2º por sua vez, o sucessor de Juvenal Lamartine, em 1932, viria a ser seu sobrinho Cristóvam Dantas; 3º este ingressaria como deputado federal logo no pleito de 1930, a fim de abrir a vaga para Juvenal Lamartine retornar ao Congresso Nacional. 
José Augusto, quando achava necessário, agia com violência, como nos recorda Gil Soares, na mesma obra:
Causando surpresa, José Augusto demitiu sumariamente o jornalista Pedro Lopes Júnior do cargo de escrivão da Delegacia Auxiliar de Polícia, por causa de comentários desfavoráveis a atos do seu governo.

Como seria de se esperar, o Tribunal de Justiça, unânime, mandou-o retornar ao cargo. Em ambiente hostil, alta noite, elementos fazendo-se passar por policiais, bateram a sua porta. Pedro Lopes foi, pelo quintal, ocultar-se em casa de um vizinho. Preferiu deixar o Estado.

Ainda:

Vitoriosa a Revolução de 1930, o advogado Bruno Pereira em telegrama divulgado pela imprensa, manifestou seu “desafeto”:  “Interventor Irineu Joffily – Natal.

Pessoa vossa excelência felicito minha estremecida terra redimida garras mais imoral oligarquia [7] do mundo. Atenciosa saudação. Bruno Pereira”.
E, também, Spinelli [8]:

Em 1921, Café Filho e Kerginaldo Cavalcanti apoiaram a Reação Republicana de Nilo Peçanha. Em 1928, Café Filho foi eleito vereador em Natal, mas o governo queimou as atas, procedendo a novas eleições a “bico de pena”. Nesse mesmo ano, o sindicato [9] e o jornal [10] foram invadidos e destruídos pela polícia do governador Juvenal Lamartine, e Café Filho foi obrigado a fugir do Estado, indo conspirar com os políticos e militares da Aliança Liberal na Paraíba.
 Continua...
[1] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Cartgraf – Gráfica Editora; 2005; Natal; RN.

[2] Falecido em 1922.

[3] “HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE”; SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão e MARIZ, Marlene da Silva; Sebo Vermelho; 2ª. Edição; 2005; Natal, RN.

[4] “O PASSADO VISTO POR GIL SOARES”; MUNIZ, Caio César (organizador); Coleção Mossoroense; Série “C”; volume 1.147; 2005; Mossoró, RN.

[5] Eis o líder da oposição a Rodolpho Fernandes em Mossoró, razão de suas principais divergências com José Augusto. Foi o primeiro mossoroense a se doutorar em Medicina. Filho de Antônio Soares de Góis e Josefa Soares de Góis, nasceu em 4 de maio de 1881, no lugar Barrocas, subúrbio da cidade. Formou-se na Bahia, em 1905. Prefeito de Mossoró de 21 de setembro de 1933 a 4 de novembro de 1935 (dados obtidos em (BRITO, Raimundo Soares de; “RUAS E PATRONOS DE MOSSORÓ”; Coleção Mossoroense; Série “J”; v. 01; dezembro de 2003; Mossoró. Raimundo Nonato lembra, em “MEMÓRIAS DE UM RETIRANTE” (Fundação Guimarães Duque e Fundação Vingt-un Rosado; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.235; 3ª edição; 2001; Mossoró), ao relatar um dos embates entre os Fernandes e José Augusto Bezerra de Medeiros, que “Neste particular, a situação do Dr. Soares Júnior era, realmente, privilegiada, pois comandava um forte grupo de oposição, cujo concurso o governador do Estado via com bons olhos.”

[6] Grifei.

[7] Oligarquia liderada por José Augusto.

[8] SPINELLI, José Antônio; “CORONÉIS E OLIGARQUIAS NO RIO GRANDE DO NORTE”; EDUFURN; 1ª edição; Natal; 2010.

[9] Sindicato dos Operários de Natal.

[10] “Jornal do Norte”.

Está lá no Honório de Medeiros.com

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Meu cumpadi Wilson

Colecionador do Piauí reúne mais de 500 itens sobre Luiz Gonzaga 
Wilson Seraine estuda há 15 anos a história e obra do 'Rei do Baião'. Ele também é presidente da 1ª Colônia Gonzaguena do Brasil, em Teresina.

Por: Pedro Santiago do G1, PI

Foto: Pedro Santiago/G1
O professor de física Wilson Seraine é um dos especialistas mais respeitados do Piauí e do Nordeste quando se trata da vida e obra de Luiz Gonzaga. Segundo ele, a paixão pelo sanfoneiro já era antiga, mas ficou realmente séria há 15 anos, quando passou a intensificar a compra de livros, revistas, chapéus, CDs, DVDs, LPs, partituras e fotos do Velho Lua. Atualmente já são mais de 500 itens em sua coleção particular.

Além de apaixonado pela história do ícone nordestino, Seraine é um grande divulgador de sua obra. O professor tem um programa de rádio há quase sete anos no qual fala de cultura popular, especialmente do autor de Asa Branca.
“Temos o programa de rádio e ainda realizamos, há quatro anos em Teresina, a Procissão da Sanfona no dia da morte de Luiz Gonzaga, 2 de agosto. Conseguimos juntar mais 50 sanfoneiros na procissão deste ano”, relata.

Paixão pelo Rei do Baião já era antiga, mas ficou séria
há 15 anos (Foto: Pedro Santiago/G1)
Wilson Seraine e Luiz Lua Gonzaga

A admiração pelo trabalho de Luiz Gonzaga fica evidente quando se entra na casa do pesquisador. Lá, existe o Espaço Cultural Luiz Gonzaga com dezenas de rádios, telefones, gravuras, cartazes, quadros, bebidas e outros utensílios que lembram a cultural popular nordestina e obra de Gonzaga. Em outro cômodo estão os LPs, livros, revistas, cordéis que remetem ao Velho Lua.
“Luiz apresentou o Nordeste inteiro para o brasileiro. Ele cantou nossas lendas, a culinária, a sabedoria popular, os vaqueiros e os estados nordestinos como ninguém fez. Luiz Gonzaga é o próprio nordeste”, afirma o pesquisador.

Segundo ele, o fato de ser um professor de física, com mestrado em Ciências Matemáticas, ainda ser um especialista em Luiz Gonzaga, causa estranheza. “Sou antes de tudo nordestino. Já era fã do Velho Lua antes de me tornar pesquisador de sua obra. José Leite Lopes, o maior físico brasileiro, aconselhou os físicos a lerem sobre cultura e história quando cansarem de estudar sua área. Eu não esperei isso acontecer”, disse.


A admiração por Gonzagão fica evidente quando se entra 
na casa do pesquisador. (Foto: Pedro Santiago/G1)

“Passei a viajar muito quando terminei o meu mestrado quatro anos atrás. Fui à Exu (PE), Juazeiro do Norte(CE), Crato(CE) e Paulo Afonso (BA) para dar palestras, participar de congressos e garimpar material. Nessas viagens, a gente consegue vídeos caseiros da região, livros antigos e músicas diferentes. Toda viagem que faço é um intercâmbio cultural com a região e sempre há algo de novo sobre Luiz Gonzaga”, afirma.

Entrada da 1ª Colônia Gonzagueana do Brasil, fundada
em Teresina (Foto: Pedro Santiago/G1)
Colônia Gonzagueana

O amor pela vida obra de Luiz Gonzaga lhe rendeu o cargo de presidente da I Colônia Gonzagueana do Brasil. “Um dia estávamos confraternizando em casa com o Reginaldo Silva, um especialista sobre Gonzagão, e amigos quando ele decretou que estava fundada a Colônia e eu era o presidente.

No início levei na brincadeira, mas as comemorações pelo centenário do cantor fizeram com que levássemos a coisa mais a sério. Temos perfis nas redes sociais, estamos construindo nosso site e contamos com cada vez mais adeptos”, explica Seraine que sedia a organização em sua casa.

O sanfoneiro Geri Wilson é um dos Gonzaguenos. Ele conta que é músico profissional há mais de 20 anos, mas que se apaixonou pela obra de Luiz Gonzaga há apenas quatro anos. “Eu participava de bandas que tocavam ritmos populares de sucesso rápido, quando um belo dia caiu a ficha. “Agora eu quero tocar é Asa Branca”, pensei. Passei então a pesquisar, cantar e acabei fundando uma banda que tem como maior influência o Gonzagão”, conta.

Isac é apaixonado pela história de
Gonzaga (Foto: Pedro Santiago/G1)
Não há restrição de idade para participar da Colônia Gonzaguena. Isac Prado tem apenas 10 anos, mas já é um sanfoneiro de respeitado em todo o Piauí. “A primeira música que aprendi foi Asa Branca e a maioria das canções que toco são de Luiz Gonzaga”, afirma o pequeno músico que aprendeu sozinho, aos 6 anos, a tocar o instrumento.

A I Colônia Gonzaguena do Piauí é organizadora da Missa dos Sanfoneiros, que será celebrada nesta quinta-feira (13), dia em que Luiz Gonzaga completaria 100 anos. A missa será realizada na Igreja São Benedito, em Teresina. Antes da celebração, vários sanfoneiros da região farão um encontro no Adro da igreja.
As comemorações pelo centenário de Luiz Gonzaga envolvem apresentações musicais do Coral Nova Visão, da Associação dos Cegos do Piauí; da Banda do 25 BC, com repertório especial de Luiz Gonzaga; de Solange Veras, piauiense compositora parceira do Rei do Baião; e da Big Band Luiz Gonzaga.

A programação, organizada pela Colônia Gonzagueana/Piauí, inclui ainda uma apresentação de dança, com Sidh Ribeiro; apresentação de sanfoneiros e a realização de um leilão cultural, com a arrecadação destinada às vítimas da seca no semiárido piauiense.

Pescado no G1 Piauí

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Relançado

"A dona de Lampião" da jornalista Wanessa Campos


A primeira edição esgotou-se em meses, mas agora temos nova oportunidade de adquirir este sublime trabalho da pesquisadora pernambucana Wanessa Campos. "A Dona  de Lampião" é um livro caprichado em capa dura, ilustrado. Lançado em Março deste ano retorna as livrarias ampliado para 110 páginas com novas informações. O prefácio é simplesmente de Raimundo Carrero, (prêmio Jabuti 2011).   

 Como se deu a entrada de Wanesa no bando?

“Acorda, Maria Bonita, levanta e vem fazer café...” escutava com  assiduidade a musiquinha na minha meninice em Triunfo, Sertão de Pernambuco, a minha cidade. E, diante da  curiosidade infantil comum, ficava a perguntar a mim mesma, quem era essa Maria dorminhoca que precisava ser despertada para fazer o café? Mais adiante, ainda menina, ouvindo as histórias de Cangaço, fiquei sabendo  que a bonita era a mulher de Lampião. Entendi o enredo mais ou menos.



A dona da Dona
Fonte:  www.ne10.uol.com.br

Já adulta, formada  em  Jornalismo e morando no Recife, fui trabalhar exatamente numa editoria  regional que, fatalmente iria me deparar com fatos  nordestinos. Cangaço, certamente, não seria  uma notícia  fora do contexto. Em 1991 houve um plebiscito em Serra Talhada, terra de Virgolino Ferreira, em torno de uma pergunta: Lampião era herói ou bandido? Dependendo do resultado, ele teria uma estátua na sua cidade. A maioria disse sim, mas a estátua ainda não foi erguida.

Diante de tão importante acontecimento, comecei a ler sobre Cangaço. Fiquei tão deslumbrada que me apaixonei pelo tema. Fiz inúmeras reportagens e  Maria Bonita, passou a ser uma figura de minha admiração. Com a proximidade do seu centenário de nascimento decidi escrever sobre essa mulher tão corajosa tão desafiadora ao seu tempo. Rompeu paradigmas, virou musa, mito e fonte de inspiração até hoje.

Pesquisar sobre a mulher do capitão, talvez tenha sido a minha maior dificuldade profissional. As imprecisões, as contradições da sua vida passaram a ser um desafio. Como “sequenciar” a vida dessa Maria que pouco se sabe sobre ela? Foram dois anos de pesquisas, viagens, consultas em livros e jornais da época. O resultado  está neste livro em formato de reportagem.


Onde, como e quanto

Pra você que reside na capital pernambucana pode ser encontrado nas livrarias Cultura do Recife Antigo ou do Shopping Beira Mar e ainda na Jaqueira. ao preço de R$ 45,00 (Quarenta e cinco reais). Já os Rastejadores do resto do planeta podem entrar em contato com a autora pelo e-mail wanessacampos@uol.com.br

Falando em Maria


Parabéns a Vera Ferreira e Germana Araujo!!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Floresta esteve em festa

Centenário de Neco de Pautília

No ultimo dia 21 de Dezembro o povo desta bela cidade tava nem aí pro converseiro de fim de mundo. Era dia de prestigiar um ilustre filho.  

Além do lançamento de "Lembrar e escrever não é só querer" livro que resguarda para sempre suas memórias, nosso amigo Manoel Cavalcanti de Souza, completou 100 aninhos de vida, e 78 de matrimonio com dona Maria Ribeiro. 

Veja alguns flagrantes. Por Alaide Cavalcanti, (Filha)





 Móveis, objetos, utensílios e ferramentes de trabalho 
que ajudam a contar a trajetória de vida do seu Neco.

 Impossibilitado de escrever por conta da perda da visão 
seus filhos se encarregaram das dedicatórias.


 
 Homenagem de parentes e amigos.


 Nosso enviado especial foi o amigo professor Pereira
(6º da esquerda para a direita).

 


Bote o homi pra falar...



 Derrama senhor, derrama sobre eles o seu amor...





Neco de Pautília é o que podemos chamar de uma celebridade anônima. Sendo um dos últimos soldados da volante pernambucana ainda vivo, e com o mérito de ter lutado no front em cinco combates. 

O velho guerreiro também foi homenageado pelos seus familiares com uma música do poeta alagoano Zé de Almeida. São 14 minutos contando toda a sua história, inclusive alguns dos combates que teve com Lampião. Destaque para o terrivel Fogo de Maranduba em janeiro de 1932 aqui no Sergipe. 

Uma outra peleja não menos importante resultou de uma emboscada mal sucedida ao seu comércio onde o bravo Neco teve de encarar sozinho um pequeno grupo de cangaceiros.

Então, aumente o volume, conheça uma saga de alegrias, tristezas, mas sobretudo de muita coragem!  

Feliz Natal minha gente... E tome xote!!!


Para adquirir o livro, falar com Alaíde Cavalcanti (filha de Seu Neco) , Contatos (87) 9927 5853. ou pelo email: alaidecavalcanti@hotmail.com

Vídeo pescado no Canal do YouTube de Carla Rogéria Rosa Ferraz.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lançada e esperando por você

Benjamin Abrahão - ENTRE ANJOS E CANGACEIROS


Autoridade na cultura do Nordeste do Brasil, o historiador Frederico Pernambucano de Mello nos apresenta o livro Benjamin Abrahão: entre anjos e cangaceiros (Escrituras Editora), que traz a biografia do secretário particular do padre Cícero, do Juazeiro, de 1917 a 1934, além de fotógrafo autorizado do cangaceiro Lampião, tendo acompanhado os diferentes bandos de que este dispunha em sete Estados do Nordeste, no meado de 1936, creditando-se como responsável pela mais completa documentação do cangaço jamais obtida, ao incorporar a imagem cinematográfica às velhas fotografias conhecidas.

A obra é ensaio interdisciplinar que ocupou boa parte da vida do autor, e também um livro de arte, com dezenas de fotografias e de fotogramas históricos da trajetória do sírio Benjamin Abrahão Calil Botto -- um “conterrâneo de Jesus”, como se declarava, por conta do nascimento em Belém, na Terra Santa --, que desembarcou no Porto do Recife em 1915, aos 15 anos de idade, fugindo da Grande Guerra, para trilhar uma aventura extraordinária pelos sertões do Brasil setentrional.

No livro, Pernambucano de Mello, reconhecido por Gilberto Freyre, já em 1984, como “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, apresenta pesquisa profunda, feita ao longo de 40 anos. Pela primeira vez, é divulgado o conteúdo da caderneta de campo deixada por Benjamin Abrahão, recolhida pela polícia no momento de seu assassinato com 42 punhaladas, no começo de 1938, no sertão de Pernambuco, aos 37 anos de idade. Cobrindo os anos da missão sobre o cangaço, a caderneta abrange o período 1935-1937, com lançamentos alternados em português e em árabe, assim impusesse a necessidade de sigilo sobre o assunto. O historiador trabalhou por três anos, com dois professores de árabe, traduzindo, ponto a ponto, o conteúdo averbado -- muitas vezes resultante de conversas noite adentro com Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros -- que são relatos que matam polêmicas e contestam versões atuais sobre fatos e figuras das décadas de 1910, 1920 e 1930, como o polêmico Floro Bartolomeu da Costa e a apregoada amizade entre Lampião e o padre Cícero, além de informações que dizem respeito ao real combate do Batalhão Patriótico à Coluna Prestes, para o qual traz entrevista inédita que fez com Prestes, em 1983, no Recife.

Particularmente importante, pela originalidade, é a revelação da matriz setecentista e estrangeira do pensamento social brasileiro dos anos 1930 sobre o cangaço, presente, sobretudo no chamado romance nordestino, tendente a culpar a sociedade e a desculpar os excessos dos protagonistas do fenômeno. O mesmo se diga sobre a revelação, de todo desconhecida até o presente, dos esforços de apropriação internacional do apelo épico que o tema encerra, por parte das facções travadas em luta de morte ao longo da década aludida: o Reich alemão contra o Soviete russo, Hitler contra Stalin, ao tempo em que Lampião dava as cartas na caatinga.

O livro traz ainda apêndice com a reprodução de importantes documentos, colhidos em pesquisa que contou com o apoio de muitos colaboradores e instituições, como a Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, a Cinemateca Brasileira de São Paulo, os arquivos Renato Casimiro/Daniel Walker, do Juazeiro, e da antiga Aba-Film, de Fortaleza, ambos do Ceará, entre outros.

Sobre o autor:

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO possui formação em história e direito. Na Fundação Joaquim Nabuco, do Ministério da Educação, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre, de 1972 a 1987, período em que se especializou no estudo da cultura da região Nordeste do Brasil, tendo publicado os seguintes livros: Rota batida: escritos de lazer e de ofício, Recife, Edições Pirata, 1983; Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco, 1985 [ora em 5ª edição pelo selo A Girafa, de São Paulo]; Quem foi Lampião, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1993 [ora em 3ª edição]; A guerra total de Canudos, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1997 [ora em 3ª edição pela A Girafa]; Delmiro Gouveia: desenvolvimento com impulso de preservação ambiental, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco-CHESF, 1998; Guararapes: uma visita às origens da Pátria, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2002; Tragédia dos blindados: a Revolução de 30 no Recife, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2007; Estrelas de couro: a estética do cangaço, São Paulo, Escrituras Editora, 2010, livro finalista do Prêmio Jabuti de 2011, nas categorias projeto gráfico e ciências humanas.  É membro dos Institutos Históricos de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, e da Academia de História Militar Terrestre, tendo sido curador internacional da Fundação Bienal de São Paulo para a Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 Anos, São Paulo, 2000, e presidente da União Brasileira de Escritores – Seção de Pernambuco.  Na Academia Pernambucana de Letras, ocupa a cadeira 36 desde o ano de 1988. Pela originalidade de seus estudos, pelo volume da obra que produziu, e por se dedicar a aspectos de nossa história considerados ásperos e de pesquisa difícil, tem sido considerado o “historiador do Brasil profundo”, na palavra do professor Nelson Aguilar.

Prefácio: Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes. Texto das orelhas José Nêumanne Pinto
Gênero História/Cangaço e cangaceiros/Usos e costumes/Ensaio interdisciplinar. Formato brochura, com mais de "97 imagens. Páginas "352

Carmen Barreto – comunicação e imprensa – imprensa@escrituras.com.br
escrituras editora e distribuidora de livros ltda.

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*Matéria gentilmente enviada por Alfredo Bonessi

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em 1929 jornais baianos registravam...

O mais antigo filme sobre Lampião

Por Rubens Antonio

Aproveitando a puxada dos nossos amigos Guilherme Machado e Robério Santos no grupo cangaceirólogos, aqui cenas do mais antigo filme realizado sobre o Cangaço... 1ª matéria Publicado em 27 de novembro de 1929, no “Diario de Noticias”, Salvador, Bahia..

Ele procurava mostrar ações do bando de Lampeão já ocorridas, até então, na Bahia. A equipe de filmagem e atores se deslocaram até os locais dos eventos e, com base nos testemunhos locais, filmaram. Não sei onde foi parar, mas parece que chegou a ser apresentado em Salvador. 

A Cinematographia grava os crimes do Bandido

Nesta imagem, à esquerda, a câmera, à direita, reconstituição de um tiroteio.

Estamos numa epocha em que factos de tamanha sensação não podem ter a sua descripção limitada ao registro da imprensa; elles, graças á divulgarização da cinematographia, são mostrados, ao vivo, ao povo.

Em todo o mundo civilizado assim occorre, com a modernização dos novos processos de reportagem. Todo o mal que o bandoleiro faz ás nossas populações sertanejas é salientado, mediante uma reconstituição de scenas verdadeiras, honestamete feitas, nos proprios locaes onde ellas se verificam e mediante o testemunho de pessoas sabedoras dos factos. A empresa Nelli–Film, bahiana, se incumbe da organização dessa pellicula sensacioal.

É dificil distinguir–se qual o crime mais perverso

O reporter soube da confecção desse “film” e tranto investigou que acabou encontrando o sr. José Nelli, chefe da empresa. Palestraram. O industrial relatou as difficuldades que teve de vencer, da deficiencia de personagens aos trabalhos de reconscituição.
Qual o crime de maior sensação?
Fica–se na duvida. Virgolino tem cem requintes de malvadez. E não é um valente nem um heroe. Assassina covardemente, para roubar ou por mero prazer.
– Posso, porém, dissenos o sr. Nelli, dizer–lhe que a morte da mulher queimada que se avantaja a tudo. Pretendera ella envenenar Lampeão, que, desconfiado, descobriu o ardil e ordenou que, amarrada a uma arvore, della fizessem uma tocha humana. Realizou–se, assim o homicidio. No cinema, isso é de grande effeito.
 A enguia da caatinga
– E por onde andou filmando:
– Pela zona do Rio do Peixe, Queimadas, Serrinha, etc. Apanham–se os factos “in loco”, sob o rigor da verdade.
– Que diz da acção da policia?
– Que procura atacar o grupo.
Essa caça faz–se com grandes sacrificios, porque Lampeão é como a enguia: some–se sempre na caatinga, fugindo.
– Tem reproduzido combates?
– Oh! diversos, bem como passagens curiosissimas, a que serve de moldura uma excellente natureza, prodiga em scenarios. E claro que teremos de solicitar o auxilio da Policia. Mostrado o bandido, é indispensavel divulgar o que tem sido a acção dos seus perseguidores implacaveis."
 27 de novembro de 1929, no “A Tarde”:
No Rastro dos Bandoleiros. As proezas de Lampeão e de seu sinistro bando num film

O sr. José Nelli, conhecido operador cinematographico, resolveu fazer um grande film de divulgação das façanhas de Lampeão e do seu terivel bando.

O intuito do sr. Nelli é, revivendo os moticinios e scenas de vandalismo do faccinorara apresental–o tal qual elle é: simplesmente um animal senguinario. Para isso o sr. Nelli esta percorrendo todo o nordeste reconstituindo os crimes de Virgulino. Os clichês acima mostram a estação de Rio do Peixe e uma scena do film.

 Os clichês acima mostram a estação de Rio do Peixe e uma scena do film.

Pescado no Cangaço na Bahia

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Adendo Lampião Aceso

O título deste filme não foi citado na matéria do jornal pois estava em fase de produção. Concluído, ele foi batizado de LAMPIÃO, A FERA DO NORDESTE e outra remetência foi LAMPIÃO, O TERROR DO NORDESTE. Tratou-se de um longa-metragem silencioso.


Chegou a ser exibido em São Paulo no ano de 1931: de 20 a 22.de novembro no Royal; 1º de dezembro no Colombo; 2 de dezembro no São José; a 03.de dezembro no Cambuci; 04 de dezembro, no Glória. e nos dias 22 e 23.março de 1932 no Oberdan.

Sinopse

    "... Meia dúzia de apanhados da capital (Salvador) atoamente. Uma vista de Ilhéus da mesma forma. Um horrível apanhado da feira de gados em Feira de Santana. Um cafezal. Um canavial. Uma locomotiva chegando a Juazeiro. Um apanhado do Rio São Francisco. Uma vista péssima de Bom Jesus da Lapa. (...) Lampião ataca um rancho qualquer. Ataca Riacho Seco. (...) Outra cena Lampião cerca uma fazenda. Aparece a casa do 'coronel'. O coronel e a filha estão na sala de visitas. Ele de pés descalços, assentado num frangalho de cadeira, lê um retalho de jornal. A moça lava roupas num caixão de gasolina. Lampião entra na sala. O coronel protesta. Assassinam-no pelas costas. Lampião entra para um quarto. Vem lambendo os beiços...". (Cinearte, 16 de Abril de 1930)

As locações foram: Salvador; Ilhéus; Feira de Santana; Juazeiro; Rio São Francisco; Bom Jesus da Lapa; e Riacho Seco cidades do estado da Bahia.

Observações e resenha:

A revista Cinearte de 30 de Abril de.1930 informa que o filme estava programado para o Teatro Olímpia, de Salvador, mas teve a sua exibição proibida pela polícia. "Filme de enredo e cenas documentárias, com um ator no papel do Capitão Virgolino". muito provavelmente o primeiro filme de enredo rodado na Bahia".
A revista ainda publicou o seguinte comentário:
Tudo filmado com a pior fotografia do mundo, sem noção alguma de arte e realidade. A interpretação é pavorosa! Tudo horrível! Como filme Lampião é mais prejudicial à Bahia que o próprio bandoleiro”.
As pesquisas de Dídimo em seu livro "O cangaço no cinema Brasileiro" não apontaram referências aos nomes dos atores que trabalharam na obra. Em alguns sites há uma referencia de direção para Guilherme Gáudio porem o Dicionário de Filmes Brasileiros (longa-metragem), de Antônio Leão Neto, traz apenas a menção de José Nelli como produtor e Antônio Rogato na fotografia.

Pioneiros do tema cangaço

Quem pesquisar sobre os primórdios do cinema de cangaço vai identificar o filme Filho sem mãe, de Tancredo Seabra no ano de 1925, o primeiro em que aparece um grupo de cangaceiros e alguns de seus sinais de identidade, tais como trajes, armas, acampamentos etc. 
Sangue de irmão de Jota Soares em 1926.

Segundo Luiz Felipe Miranda em “Cinema e Cangaço – História” (1997), houve ainda um curta,chamado  Lampião, o banditismo no Nordeste, “do qual se desconhecem autoria e procedência [...] apresentado por volta de 1927” (1997, p.93).

Em Lampião, A fera do Nordeste, uma ficção com cenas documentais. o rei cangaceiro já teria o papel de protagonista e, provavelmente, é o primeiro filme a abordar o cangaço como tema central. O filme relata o episodio da chacina do Rio do Peixe, na Bahia, mostrando Lampião monstruoso e sanguinário que matava ate criancinha, lançando ao ar e aparando com seu punhal.

Estes quatro títulos citados estão infelizmente desparecidos.

Fontes:

1) Cinemateca.gov.br

2) NORDESTE: MISERABILISMO LOCAL/SUMMA NACIONAL
Estudo de Sebastião Guilherme Albano da Costa.
Disponivel no: Razony Palabra

3)  Revista Fenix  O cangaço no cinema brasileiro: Um olhar panorâmico  estudo de Anderson R. Neves - Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Disponível na: Revista Fênix

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Recado do Presidente

Caros Sócios e amigos

A diretoria da SBEC representrada pelo Presidente e Tesoureiro esteve presente nos dias 10 e 11 de dezembro em Vitória da Conquista/BA. Na ocasião definiu-se o cronograma de atividades e programação para o III Congresso Nacional do Cangaço que ocorrerá no periodo de 22 a 25 de outubro de 2013 nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e no Centro Cultural de Vitória da Conquista.

Participaram da reunião representantes da:
UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
UNEB - Universidade Estadual da Bahia
IFBA - Instituto Federal da Bahia
CATROP - ONG - Carreiro de Tropa
A programação com informações/orientações de prazos para inscrições estarão a disposição no site do evento e das instituições parceiras a partir da segunda semana de janeiro de 2013.

Contamos com a participação e divulgação de todos os sócios e interessados.

O III Congresso Nacional do Cangaço terá como tema: Sertões: memórias, deslocamentos, identidades.

Boas vindas

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço deseja êxito ao Grupo de Estudos do Cangaço da Paraiba - GPEC. A entidade se coloca à disposição de todos os membros para compartilhar experiências e conhecimentos em torno da história dos movimentos sociais do Nordestre do Brasil., em especial o Cangaço.

Ao colega Narciso Dias boa sorte à frente do GPEC.
Abraços!

 

Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente

sábado, 15 de dezembro de 2012

Convite!!!

Lançamento do livro "Lembrar e Escrever, não é só querer..." de autoria de Manoel Cavalcanti de Souza o ex-volante"Neco de Pautilia".





Finalmente o sonho se realiza. O evento ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2012, as 18 hs, no Espaço Cultural João Boiadeiro, Floresta-PE. Para maiores informações e aquisição de exemplares, falar com Alaíde Cavalcanti (filha de Seu Neco) , Contatos (87) 9927 5853. ou pelo email: alaidecavalcanti@hotmail.com

Créditos da informação: Arthur Denis Carvalho

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

13 de Dezembro...

100 anos do maior artista da cultura nordestina

Por Rostand Medeiros


Luiz Gonzaga faz 100 anos! Mas aí me perguntam “Mas como, se ele morreu?” Pode ter morrido para os tolos. Pois este gênio nordestino não morrerá jamais.

Luiz Gonzaga Nascimento, nasceu em uma sexta-feira, no dia 13 de dezembro de 1912 , numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, à 13 quilômetros de uma longínqua cidade sertaneja chamada Exu, no extremo oeste do Estado de Pernambuco.

É apontado pela crítica como um dos nomes mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos. A importância de Luiz Gonzaga deve-se à abrangência que sua obra tem em todo o território brasileiro.

Era filho de Ana Batista de Jesus, conhecida como Mãe Santana, ou simplesmente Santana, uma dedicada agricultora e dona de casa, e de Januário José dos Santos, afamado tocador de sanfona de 8 baixos na sua região e que também concertava este tipo de instrumento musical.


 Exu e a Igreja do Bom Jesus na década de 1950

Consta que seu nome se deu pelos seguintes motivos; Luiz, porque era dia de Santa Luzia; Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês que Maria deu à luz a Jesus. Foi batizado na matriz de Exu no dia 05 de janeiro de 1913, pelo Padre José Fernandes de Medeiros.

Desde criança, Luiz Gonzaga se interessou pela sanfona, ele ajudava o pai tocando e cantando em festas religiosas e forrós. Luiz Gonzaga, mesmo muito precoce já recebia cachê ( 20$000 vinte mil réis) para cantar e tocar a noite toda em festas de região, tornando-se famoso em 1920. Quatro anos depois, sua família mudou-se para Araripe, após uma enchente. Lá, Luiz chegou a receber mais que seu pai, mas o que ele recebia ainda não era suficiente para comprar um fole. Diferente dos outros garotos de sua idade que queriam ir para se divertirem, Luiz Gonzaga gostava era de ficar no palco tocando com seu pai e demais músicos.

Aos treze anos, Luiz Gonzaga compra sua primeira sanfona, na cidade de Ouricuri-PE, graças ao empréstimo concedido pelo coronel Manoel Ayres de Alencar: um 8 Baixos, Koch, marca veado, igual ao do Mestre Januário, ao preço de 120 mil réis. Quando saldou sua dívida, anunciou ao coronel Ayres que não iria mais trabalhar com ele, pois a partir de então, seria sanfoneiro profissional.


Antiga Rua Padre João Batista, na Exu da década de 1950.

Antes dos dezoito anos Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região e que Luiz conheceu ao participar de um grupo de escoteiros. Foi rejeitado pelo pai dela, que não o queria para genro e ameaçou-o. Ferido na sua honra de macho novo, aproveita o dia da feira e vai tirar satisfações da desfeita armado com uma faquinha, isso tudo após tomar uns goles de cana para dar coragem. Ao saberem do episódio, Januário e Santana lhe dão uma surra. Revoltado por não poder casar-se, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército como voluntário.

Luiz Gonzaga aumenta sua idade para sentar praça no Exército, mais precisamente no no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza. Ali é conhecido como soldado Nascimento. O ano era 1930, ano de revolução, isso fez Gonzaga seguir em missão militar por várias partes do Brasil como corneteiro de sua unidade. Para ele foi uma fase também muito importante, pois teve realmente acesso às várias culturas que encontramos neste país.


 Soldado Nascimento
Fonte – www.defesanet.com.br

Após o término do tempo legal de serviço militar, o soldado Nascimento escolhe continuar servindo no Exército, instituição que representou o papel de uma grande e importante escola. Nas horas vagas acompanhava, pelos programas de rádio, os sucessos musicais da época. Por não conhecer a escala musical, é reprovado num concurso para músico numa unidade do exército, em Minas Gerais. Vira “soldado-corneteiro 122″ e ganha o apelido de “bico de aço”.

Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical e aprende a tocar sanfona de 120 baixos .

Gonzaga é ludibriado por um caixeiro-viajante, a quem paga 500 mil réis em prestações mensais para adquirir uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos. Foge do quartel, em Ouro Fino-MG, para ir buscar a sanfona em São Paulo. Lá chegando, descobre que não vendiam sanfona no endereço que o caixeiro lhe dera. Ao retornar ao hotel onde se hospedara, acaba comprando uma sanfona igualzinha à que tinha ido buscar.



Em 1939 Luiz dá baixa das Forças Armadas, impulsionado por um decreto que proibia para os soldados um engajamento superior a dez anos no Exército. Desembarca no Rio com bilhetes comprados para Recife, de navio, e Exu, de trem. Enquanto aguardava a chegada do navio que o levaria ao Recife, resolve conhecer o Mangue, o bairro boêmio vizinho. E lá, com sua sanfona Honner branca, faz sucesso tocando valsas, tangos, choros, foxtrotes e outros ritmos da época. Através de um músico amigo, o baiano Xavier Pinheiro, casado com uma portuguesa, Gonzaga vai morar no morro de São Carlos, à época tranquilo reduto português no Rio. Consta que teve sua primeira apresentação em palco, num cabaré chamado “O Tabu”.

Luiz Gonzaga tocava em festas na Lapa ou se apresentava nas ruas passando o chapéu. O homem simples não tinha vergonha de se apresentar na rua e foi assim, longe dos holofotes, longe dos palcos que ele começou sua carreira no Rio de Janeiro, tocando na rua, apenas um estranho, apenas mais um entre muitos que buscavam ganhar algum dinheiro para sobreviver na cidade maravilhosa.

Por consequência da Segunda Guerra Mundial, o país foi invadido por músicas e ritmos estrangeiros, mas nada impediu Luiz Gonzaga de  tocar, sendo assim, ele começou a tocar os ritmos incluindo blues e fox trot, afinal vivia da música e precisava agradar o público.

Dono de um enorme talento logo começou a participar de programas de calouros, com um  repertório composto basicamente de músicas estrangeiras. Mas o sucesso não veio.



Tudo mudou em 1941. Um dia, pressionado por estudantes cearenses, Luiz Gonzaga modifica o seu repertório e consegue tirar nota máxima no programa “Calouros em Desfile”, de Ary Barroso, na Rádio Tupi, executando a música Vira e Mexe, um “xamego” (chorinho) lá do seu pé-de-serra. Pouco tempo depois vai trabalhar com Zé do Norte no programa “A hora Sertaneja”, na Rádio Transmissora. Nesta mesma época chega ao Rio seu irmão José Januário Gonzaga, fugindo da seca devastadora e trazendo um pedido de ajuda por parte de Santana. Zé Gonzaga passa a morar com o irmão.

Luiz Gonzaga já atraia a atenção das pessoas, já tocava bem melhor, sua voz inconfundível dava nova tonalidade às canções e o ritmo não deixava ninguém ficar parado e tudo isto despertava a atenção das pessoas e começava já a chegar também nas rádios.

Em 5 de março de 1941 Luiz realiza sua primeira participação numa gravação da empresa Victor, atuando como sanfoneiro da dupla Genésio Arruda e Januário França. Seu talento chama a atenção de Ernesto Augusto Matos, chefe do setor de vendas da Victor. E no dia 14 de março Luiz Gonzaga grava, assinando pela primeira vez como artista principal, e exclusivo da Victor, quatro músicas que são lançadas em dois 78 rotações. É publicada a primeira reportagem sobre Luiz Gonzaga na revista carioca Vitrine, com o título “Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom”. Ainda em 1941, Gonzaga grava mais dois 78 rotações. O sucesso havia chegado, e Gonzaga já era chamado como “O maior sanfoneiro do nordeste, e até do Brasil”.


Gonzaga apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Mas em 1943, após conhecer o trabalho do sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo, que se apesentava no palco com as roupas típicas de sua cultura; Luiz decidiu vestir-se com roupas típicas do nordeste, adotando o traje de vaqueiro – figurino que o consagrou como artista.

Desta época recebeu o apelido de Lua do amigo O apelido “Lua”, invenção de Dino 7 Cordas pelo rosto arredondado de Gonzaga, é divulgado pelo radialista Paulo Gracindo na Rádio Nacional.


Dois anos depois, em 11 de abril, Luiz Gonzaga grava o 25º disco de sua carreira como sanfoneiro, e o primeiro como cantor, com as músicas Dança Mariquinha, mazurca de sua autoria com letra de Miguel Lima, e Impertinente, polca também de sua autoria, instrumental. Mas a afirmação como intérprete só chega com o 31º disco, lançado em novembro, pelo sucesso estrondoso da mazurca Cortando o pano, uma parceria com Miguel Lima e Jeová Portella.

 Fonte – www.jconlineblogs.ne10.uol.com.br

Ainda em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes dos Santos deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga mantinha um caso há meses com a moça – iniciado quando ela já estava grávida – Luiz, sabendo que sua amante ia ser mãe solteira, assumiu a paternidade da criança, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, foi expulsa de casa por ter engravidado do namorado, que não assumiu a criança. Ela foi parar nas ruas, sofrendo muito, até que foi ajudada e descobriu-se seu talento para cantar e dançar. Ela passou a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz.

A relação de Odaléia, conhecida por Léia, e Luiz, era bastante agitada, cheia de brigas e discussões, e ao mesmo tempo muita atração física e paixão. Após o nascimento do menino, as brigas pioraram, já que havia muitos ciúmes entre os dois. Eles resolveram se separar com menos de dois anos de convivência. Léia ficou criando o filho, e Luiz ia às vezes visitá-los.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu, e teve um emocionante reencontro com seus pais, Januário e Santana, que desde 1930 não viam o filho. No retorno para o Rio, passa pela primeira vez no Recife, participando de vários programas de rádio e muitas festas. Nesse momento conhece Sivuca, Nelson Ferreira, Capiba e Zé Dantas, estudante de medicina, natural de Carnaíba, músico por vocação e apaixonado pela cultura nordestina.




Desejoso de encontrar o parceiro certo para expressar sua musicalidade sertaneja, Luiz Gonzaga procura o cearense Lauro Maia. Este lhe apresenta o cunhado, também cearense, advogado e poeta, Humberto Teixeira. Esse primeiro encontro rendeu a primeira parceria, No meu pé de serra, xote que só seria gravado em novembro do ano seguinte.

Em 1947, em parceria com Humberto Teixeira, a música ícone do Nordeste: Asa Branca.  Asa Branca tornou-se praticamente um hino do povo sofrido do nordeste brasileiro. A parceria com Humberto Teixeira gerou sucessos como Baião, Juazeiro, Mangaratiba, Paraíba e tantos outros. Nessa época Luiz Gonzaga adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro estilizado, baseado no que Lampião usava nas tropelias do cangaço.


 Outubro de 1948. A conceituda “Revista do Rádio”, aponta Luiz Gonzaga, artista da RCA Victor, emplacando os primeiros lugares da venda de discos.

Num domingo de julho de 1947, Gonzaga conhece na Rádio Nacional, a contadora Helena das Neves Cavalcanti, e a contrata para ser sua secretária. Rapidamente o namoro acontece, e Gonzaga pensa em casar. No ano seguinte o matrimônio acontece e o casal vai viver, juntamente com a mãe de Helena, dona Marieta, no bairro de Cachambi. Eles não tiveram filhos biológicos, por Helena não poder engravidar, mas adotaram uma menina, a quem batizaram de Rosa Maria.
 
 Gonzaga chamando atenção nos jornais cariocas, 
como nesta edição de 12-03-1948, do jornal “A Noite”.

Ainda em 1948 Odaléia morre de tuberculose. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com dois anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena, e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou. Luiz não viu saída: Entregou o filho para os padrinhhos da criança, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, criá-lo, no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava a criança e o menino era sustentado com a assistência financeira do artista. Luizinho foi criado como muito amor. Xavier o considerava filho de verdade, e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina um amor verdadeiro de mãe.


 A luta em Exu, entre as famílias Alencar e Sampaio, repercutia fortemente no Rio de Janeiro em 1949. Jornal carioca “A Manhã”, 06-11-1949.

Aproveitando uma folga entre as gravações, Luiz Gonzaga leva a esposa e sogra para conhecerem o Araripe, e sua terra Exu. Porém, interrompem a viagem quando estavam no Crato, por causa das desavenças e mortes entre as famílias tradicionais Sampaio e Alencar. A grande violência que marcava a disputa entre os clãs rivais ameaçava sua família, ligada aos Alencar. Preocupado, Gonzaga aluga uma casa no Crato, para onde leva seus pais e irmãos, enquanto preparava a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, o que ocorreu ainda em 1949.

Em 1950, em janeiro, o médico formando Zé Dantas chega ao Rio de janeiro, a fim de prestar residência no Hospital dos Servidores. Nesse ano, Luiz Gonzaga lançou, gravando ou cedendo para outros intérpretes, mais de vinte músicas inéditas, a maioria parcerias com Humberto Teixeira e Zé Dantas que se tornariam clássicos nacionais. Depois deste ano, começou a fazer shows pelo interior do país continuando muito popular. Neste período Luiz Gonzaga já era bem mais conhecido e seus shows estavam sempre cheios, por onde passava o sucesso era garantido.


Fonte – www.substantivoplural.com.br

Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra – o Sertão nordestino – para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado.

Depois da morte de Zé Dantas, fez parceira com outras pessoas. Ganhou o apelido de Rei do Baião dos cidadãos paulistas e até hoje é conhecido como tal. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, não parou mais de fazer sucesso e se tornou um dos artistas mais conhecidos e respeitados do Brasil.



Em 1968, aconteceu uma coisa engraçada na carreira do cantor; Carlos Imperial espalhou que os Beatles gravaram “Asa Branca” tudo mentira, é claro! Sendo assim, Luiz ocupou muito lugar na imprensa por causa da repercussão dessa brincadeira. Em 1971, após Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravaram “Asa Branca”. Depois disso o Rei do Baião chegou a se tornar sucesso entre os hippies.

Em 1980 foi convidado a cantar para o  Papa João Paulo II e recebeu um “Obrigado, cantador”. Em 1982, enfim, virou o Gonzagão e seu filho o Gonzaguinha que acompanhou seu pai numa turnê, mostrava que só daria orgulho ao pai.


 Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Admirado por grandes músicos, gravou nos anos oitenta com cantores de grande sucesso como Raimundo Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, Milton Nascimento e outros, conseguindo alavancar ainda mais sua carreira. Ao todo, Luiz Gonzaga conseguiu gravar em toda sua vida cinquenta e seis discos compondo mais de quinhentas canções de grande sucesso nacional. Recebeu no ano de 1984 o primeiro disco de ouro com o Danado de Bom, outro grande sucesso.


Relação das músicas e sequência como elas foram cantadas no show de Gonzagão & Gozaguinha no Rio de Janeiro – Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Em 1988, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria osteoporose e desobedecendo a ordens médicas, participou de um show no dia 6 de junho no Teatro Guararapes em Recife, cidade onde viveu seus últimos dias de vida.

No dia 21 de junho foi internado, morrendo em dois de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital de Pernambuco. Como ele próprio contou em tributo à Humberto Teixeira ” o homem morre, mas sua obra torna-se imortal”.


Gonzaga convalescente da doença que o levou.
Fonte: www.oabelhudo.com.br

Aos 76 anos, no ano de 1989 no dia dois de agosto às cinco e quinze da manhã morreu o Rei do Baião, depois de quarenta e dois dias internado no Hospital Santa Joana na cidade de Recife. No seu sepultamento compareceram mais de vinte mil pessoas que cantaram Asa Branca quando o caixão descia as quatorze horas e cinquenta minutos do dia quatro de agosto. Uma data que ficou marcada na vida de muitos brasileiros.


Funeral em Exú. Dois amores de Gonzaga se destacam na multidão que cerca o caixão. À esquerda aparece dona Helena Gonzaga, e à direita, de óculos escuros, Maria Edelzuita Rabelo com quem Gonzaga conviveu até seus ultimos dias. 
Fonte: www.museugonzagaoserrinha.blogspot.com.br



E assim o Brasil perdia um ícone da música popular e ganhava um mito que viverá para sempre em suas músicas, pois o homem simples soube cantar a simplicidade do sofrido povo brasileiro e chegou a conquistar a todos, independente da classe social, Luiz Gonzaga é querido por todos, é sem dúvida alguma o eterno Rei do Baião.

Fontes

http://100luizgonzaga.blogspot.com.br/2012/06/biografia_11.html

http://100anosdegonzagao.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga.html

http://www.portaljatoba.com.br/site/musica/item/908-100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-bai%C3%A3o

http://dicasgratisnanet.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga-resumo.html

http://maniadehistoria.wordpress.com/2012/06/24/100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga

Tá tudo lá, no: www.tokdehistoria.wordpress.com

Obs: As duas ultimas imagens foram inseridas pelo Lampião Aceso.