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terça-feira, 10 de março de 2020

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lendas do cangaço Lampiônico

Lampião e a Língua de trapo
por Nertan Macedo

Amigos do Lampião aceso: O escritor cearense Nertan Macedo (Autor de 10 obras sobre o cangaço), em seu livro "Cinco Histórias Sangrentas De Lampião”, Editora Monterrey, pags. 105/107 , sem data a edição, nos traz mais um fato interessante, sobre Rei do Cangaço:

“... Ia já avançando o verão inclemente de 1936, quando Lampião chegou com seu bando à cidade de Simão Dias. Aí travou um rápido combate com as tropas do Tenente Osório e foi obrigado a fugir pela estrada velha no rumo de Propriá. Algumas léguas adiante parou, com seu bando, em uma tendinha que a preta Carmolina havia montado na beira do caminho para vender magros cafés com bolachas mofadas aos eventuais caminheiros daquela zona.

Lampião ficou decepcionado com a falta de sortimento da venda e resolveu dar à preta velha um auxílio, em dinheiro, para que melhorasse seu estoque:

- Tome quinhentos mil-réis... - disse o chefe do cangaço. - e compre muita carne de sol e farinha, que na próxima passagem por aqui, eu quero encher o bucho dos meus cabras. Couro de barriga de cabra meu tem que andar tinindo que nem corda de viola.."

E, abalou, em tropel ruidoso, com seus homens famintos, pois a Volante lhe vinha nos calcanhares, sem descanso. Algum tempo depois, o Tenente Osório, seguindo o rasto do bando, foi dar também à vendinha da preta Carmolina.
-Por onde seguiram os bandidos ? - Perguntou ele à mulher.
A velha soltou todas as informações. Contou que Lampião pessoalmente lhe dera quinhentos mil-réis para comprar maiores sortimentos e, pelo visto, pretendia voltar ali, com seus cabras, para encher a pança, quando tivesse outra chance.

A volante do Tenente Osório continuou no encalço do bando e várias vezes lhe deu combate nos povoados seguintes. Muitos meses depois Lampião foi informado, pelos seus espias, de que a velha Carmolina dera com a língua nos dentes e traíra a confiança do chefe. Não soubera retribuir à generosidade do Rei do Cangaço.
- Essa velha língua de trapo não perde por esperar ! - rosnou Lampião - Dei-lhe quinhentos mil-réis e ela me traiu. Pois vai ver, quando chegar o tempo!
Com efeito, quase dois anos depois Lampião voltou à tendinha para ajustar contas com a velha. Mas, que podia ele fazer de pior àquela pobre mulher indefesa ?
- Piedade, Capitão ! - Chorava ela, tremendo, nas mãos dos cabras do bando.
- Pode deixar que eu vou ter piedade, muita piedade ! - Rosnou o bandido. E chamando um dos seus ajudantes: -Traga-me depressa um tamborete, um prego e um martelo.
A ordem foi cumprida. Lampião mandou segurar a velha, abrir-lhe a bôca a força e puxar-lhe a língua para fora. Depois ele próprio, munido do martelo, pregou a língua da preta no tampo do tamborete.

A negra velha urrava de dor. Lampião falou de manso:
- Agora vá usar sua " língua de trapo " para mim delatar aos macacos (policiais), sua burra velha!
Zé Bahiano, usando uma foice, cortou, de um só golpe, o pedaço da língua entre o prego e a boca. E guardou-a, como troféu, no seu embornal, já cheio de orelhas ressequidas de outras vítimas exemplares. À partir dai dona Carmolina deixou de ser informante dos macacos. O bando de Lampião lhe confiscara a língua para sempre.


NOTA: O presente texto foi postado para discussão e conhecimento dos leitores, com a finalidade de aprofundarmos o conhecimento sobre o fato, haja vista, que tal evento, só é citado pelo escritor Nertan Macedo (Foto). Embora haja em seu relato, determinação: Data, Local, Ano e Personagem. Acrescente seus comentários sobre o fato, sem fanatismo, ideologia etc..

Um Abraço.
Ivanildo/Natal/RN