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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Diário de Notícias (RS), edição de 13 de novembro de 1956

Exibidos num museu de cera os grandes vultos do crime 

Transcrição de Antonio Correia Sobrinho


Como é do conhecimento público, está em exposição em Porto Alegre, um museu de cera, do qual fazem parte grandes vultos do crime. Integram a admirável exposição a cabeça de Lampião, Maria Bonita e outras tantas personalidades que ocuparam páginas da imprensa nacional.

Detalhes anatômicos perfeitos, no museu que funciona na rua dos Andradas, defronte ao Cine Ópera, podem ser apreciados diariamente pelo nosso público.

 Cabeça de cera de Maria Bonita

Vemos, acima, Maria Bonita, a fiel companheira de Lampião, que também teve a sua cabeça decepada e carregada como troféu.

A reprodução foi feita por técnicos italianos, dias depois da morte dos cangaceiros."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Relíquias do Cangaço

Uma oferenda de apetrechos 
Cobiçados por colecionadores, os objetos do grupo do cangaceiro Lampião foram disputados por autoridades políticas e intelectuais

Por: Davi Roberto Bandeira da Silva,
para a Revista Leituras da História, Edição 52 - Agosto de 2012.



O hábito de organizar coleções de objetos de arte, raros ou exóticos, ou de amostras reunidas por curiosidade científica era comum na Grécia e Roma antigas, segundo referências que se estendem de Homero (século 9 a.C.) ao ano 125 da Era Cristã, quando morreu Plutarco. Logo, as coleções se formavam a partir da época helenística, e daí passaram à Roma do fim da República e do Império. Portanto, é bastante remoto o gosto de colecionar, especialmente com a preocupação de guardar o testemunho do passado, em que pudessem ser admiradas e estudadas as coleções de objetos históricos.

A morte do cangaceiro Lampião (1898-1938) é um assunto polêmico. Para alguns, revestido de grande complexidade, de inimagináveis controvérsias. Fato é que o ataque, em 28 de julho de 1938, da tropa do 2º Batalhão Policial Militar de Alagoas ao esconderijo Angico, sertão de Sergipe, onde descansavam Lampião, Maria Bonita (1910-1938) e toda a patota, liquidou 11 cangaceiros no confronto - se é que houve realmente confronto. Mas qual o destino dos objetos que estavam com os cangaceiros derrotados em Angico?

Após a refrega, o jornalista alagoano e redator do periódico carioca A Noite, Melchiades da Rocha (1899-1996), relata no livro Bandoleiros das Catingas as "verdadeiras obras de arte" que "a polícia alagoana arrecadou na Grota de Angicos". Tratava-se dos "apetrechos e material de guerra que se encontravam nas barracas do rústico acampamento do Rei do Cangaço". Algumas dessas peças se encontram, hoje, no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió, uma vez que seu acervo reúne objetos e documentos dos mais valiosos subsídios autênticos, de valor indefinível, dos acontecimentos que envolveram as volantes e os grupos de cangaceiros no sertão alagoano.

O referido acervo é constituído por óculos, punhal, cartucheira, chapéu, cantil, armaria, mochilas, alpercata, colchas, além de uma moldagem da cabeça de Lampião. Além disso, o acervo possui fotografias, processos jurídicos e diversos bilhetes redigidos por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seus livrinhos de oração.

A doação ao Instituto Histórico de Alagoas dos objetos recolhidos após o combate em Angico foi realizada por ordem do interventor Osman Loureiro (1895-1979), por meio do ofício nº 1521, datado de 29 de novembro de 1938, em Maceió, assinado por José Maria Correia das Neves (1886-1953), então secretário do Interior, Educação e Saúde do Estado de Alagoas. O aviso da oferenda dos "trophéos pertencentes ao celerado Virgulino" - palavras de Correia das Neves - mereceu espaço nas atas das reuniões da instituição cultural.

 Artista plástico Lourenço Peixoto

  
Presidente Getúlio Vargas e o interventor Osman Loureiro em Maceió


Despojos do Cangaço

O jornalista Melchiades da Rocha teve influência direta no manejo dessas peças, inclusive, cabendo a ele a responsabilidade de "trazer os referidos objetos ao Rio e levá-los depois a Maceió". Inicialmente, após terem chegado a Maceió, trazidas do esconderijo Angico, as peças ficaram expostas no Rio de Janeiro em um esforço de "proporcionar à população carioca a excelente oportunidade de tão interessante exposição", salientou Melchiades. Até o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (1900-1985), reforçou junto ao governo alagoano o pedido de envio dos "trophéos" para o Rio, justificando a aquisição dos "objetos encontrados entre os despojos do grupo do cangaceiro Lampião e que apresentam interesse do ponto de vista da Etnographia e da arte popular".

O Lampião do Instituto Histórico

Santinho da primeira comunhão que pertencia a Lampião

Vestido e chapéu que pertenceram a Maria Bonita

Atendeu ao pedido do nobre ministro o interventor alagoano Osman Loureiro, no envio dos apetrechos, entretanto, a imprensa alagoana alertava em suas manchetes que "após a exposição, os troféus voltarão para Maceió, para que lhe seja dado o destino que se resolver". Seguindo no navio Itanagé, em 12 de agosto de 1938, com destino ao Rio de Janeiro, Melchiades da Rocha levou consigo os referidos "trophéos" para serem exibidos ao público carioca.

Por sua vez, em reunião no Instituto Histórico, em 11 de agosto de 1938, o presidente Orlando Araújo (1882-1953) agradeceu aos sócios Paulino Santiago, Ezechias da Rocha e Théo Brandão "pelo desempenho cabal da missão que lhes fora confiada, de conseguir para o Instituto a maquete da cabeça e a indumentária do famoso Lampião". Em encontro posterior, o secretário perpétuo Luiz Lavenère (1868-1966) informa que "pedira ao governo do Estado que entregasse ao Instituto a guarda dos objetos que pertenceram ao célebre cangaceiro, obtendo promessa favorável ao seu apelo, o que o levou a estranhar que tais objetos estejam sendo exibidos pelo jornal A Noite, do Rio". Mas o apelo do sócio foi atendido, conforme atesta em ofício dirigido ao instituto, no qual o interventor Osman Loureiro se manifestou "anunciando haver providenciado o retorno a esta Capital dos troféus do bando de Lampião".

Orlando Araújo
In:História de Alagoas

Na capital Maceió, aliás, corriam as primeiras notícias a respeito da modelagem da cabeça de Lampião, pode-se dizer, executada com esmero pelo escultor Lourenço Peixoto (1897-1986). Na edição concernente ao dia 6 de agosto de 1938, o Jornal de Alagoas registraria aos leitores que "por solicitação do Instituto Histórico de Alagoas, o professor Lourenço Peixoto está modelando em gesso a máscara de Lampião". Segundo o noticiário, pretendia o "Instituto Histórico reconstituir a figura do 'Rei do Cangaço', nos mesmos moldes como se pratica nos museus antropológicos".

Entretanto, Lourenço Peixoto executou seu trabalho artístico bem antes que o professor Arnaldo Silveira, docente da renomada Faculdade de Medicina da Bahia, fizesse o traslado para Salvador apenas das cabeças de Lampião e Maria Bonita. Enquanto isso, Lavenère, em um resmungo descabido, quis apressar o regresso dos objetos dos cangaceiros a Alagoas, talvez receoso de que pudessem permanecer no Rio de Janeiro, por causa da prontidão com que o interventor atendia aos pedidos dos interessados.

E assim, o Diário Oficial do Estado publicou, em 1º de dezembro de 1938, o mencionado ofício nº 1.521 ofertando os objetos ao Instituto Histórico, discriminados em inventário conforme o script. Ao mesmo tempo em que as reuniões na entidade cultural aconteciam quase vazias, pelo diminuto número de sócios presentes, por outro lado, a exibição dos objetos capturados em Angico adornava as vitrinas do museu, atraindo os olhares de jornalistas, letrados e autoridades.

Estado atual das peças de Lampião 
expostos no Museu do Instituto Histórico de Alagoas.


Espólio causou intriga estadual

Ao entardecer do longínquo maio de 1939, quando uma comitiva, encabeçada pelo secretário Luiz Lavenère, visitava o museu do Instituto Histórico, por um descuido, notou-se o sumiço de dois objetos pertencentes a Lampião. O desaparecimento logo provocou vozerio. A correria e um sentimento de urgência atingiram o esguio Lavenère. Diante desse incômodo, talvez rememorando o empenho em que pôde triunfar após a conquista na captura dos objetos - que tudo isso, decerto, seria a maior das vaidades -, fragilizou-se o destemido secretário.

Preocupado com o fato - ou melhor, o furto -, o próprio Lavenère, na sessão ordinária de 31 de maio de 1939, pedindo para constar na ata "ad perpetuam rei memoriam (para perpétua lembrança)", solicitou o registro do "desaparecimento de dois anéis que pertenceram a Lampião, fato ocorrido por ocasião da visita que o exmo. sr. interventor do Rio Grande do Norte e seu secretário fizeram ao instituto". Os objetos desaparecidos, provavelmente, seriam as seguintes peças: um anel de ouro com as iniciais na parte exterior C.V.L. e uma aliança de ouro com a inscrição "Capitão Lampião", na parte interna, conforme descreve o inventário.

Como em qualquer coleção, o que não faltam são vestígios dispersos e, recuperar a sua história é, no mínimo, revelador. Do rico acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, uma peça se destaca, particularmente, pela cadente história de como ali fora identificada: o vestido de Maria Bonita. Consta nos arquivos do museu que "o vestido de Maria Bonita foi, de certa forma, 'esquecido' ao longo do tempo". Mas este "esquecimento" durou somente até o momento em que um pesquisador, aficionado pelo cangacismo, procurou a instituição. Ele indagou sobre ali se encontrar a peça pertencente à baiana Maria de Déa ou simplesmente Maria Gomes Oliveira - nome de nascimento de Maria Bonita (1910-1938) -, que "teria sido doada ao museu nos anos 70".

Volante alagoana que derrotou Lampião
Segundo os registros, o pesquisador "tinha informações precisas e descreveu a peça em detalhes", desencadeando o "procura daqui, procura dali, [até que] o vestido foi identificado. Salvo do esquecimento, passou [finalmente] a constituir uma relíquia" do acervo, o vistoso objeto da mulher que perambulava sertão adentro. A doação do vestido foi feita pela atriz Nádia Maria, cujos familiares o receberam por meio do jornalista Melchiades da Rocha, o qual, por sua vez, foi agraciado pela oferta da vestimenta por intermédio do aspirante Francisco Ferreira Melo, da Polícia de Alagoas.

Com vistas à preservação da memória regional, essas peças que constituem um expressivo valor histórico, como resgate de uma época marcada pelo banditismo, continuam a provocar reflexões sobre as possibilidades e direções relativas aos estudos de nossa formação e identidade. São fragmentos de uma natureza simbólica num encontro imaginário, nos quais a memória preservada ocupa espaço nos dias atuais, em uma época em que as lições do passado são tragadas pelo esquecimento.

Destino inglório, na vitrina que atenua a luminosidade no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde assentam vestígios materiais do cangaço, não para reverência, mas somente ressoando os ecos da história.

Cangaceiro Venerado

Na trajetória de vida de Lampião há muitas contradições e muita imaginação. Nem poderia ser diferente. De bandido e facínora a "herói" e defensor dos pobres, há de tudo nas definições populares dessa personagem histórica. Inclusive em setores da sociedade, a partir de tentativas de recuperar a memória de quem sacrificou apavoradas vítimas e empreendeu audaciosos assaltos.

Pode-se destacar que o interesse pelos embates entre perseguidos e perseguidores do ciclo do cangaço (como é denominado o banditismo no Nordeste brasileiro) ainda é intenso neste início do século 21. Há uma imensa quantidade de trabalhos literários, históricos e jornalísticos (artigos e livros) sendo produzidos. Da mesma forma, esforços constantes são realizados por diversos setores sociais, no sentido de se perpetuar a memória dos fatos históricos, envolvendo os impetuosos embates entre os cangaceiros e as forças volantes. Nesse caso, é possível dimensionar tais esforços por meio dos seguintes aspectos envolvidos nas suas representações, com referência, a Lampião: danças folclóricas lhe facultam homenagens em solenidades; exposições exibem fotos, vídeos, objetos e matérias jornalísticas a seu respeito; promovem-se encontros mobilizando acadêmicos, diletantes e estudiosos (constantemente homenageados e adulados) para debater seus feitos considerados audaciosos, enquanto missas campais lhe são endereçadas - tão convenientes à indisfarçável vaidade

Visite
Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
Rua do Sol, 382. Centro - Maceió/AL - Tel.: (82) 3326-9719 E-mail: ihgal@hotmail.com

Saiba +

BONFIM, Luiz Ruben F. de A. Notícias sobre a morte de Lampião. Paulo Afonso: Graftech, 2010.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião entre a espada e a Lei: considerações biográficas e análise crítica. Natal: Cartgraf, 2008.
JASMIN, Élise. Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro. São Paulo: Edusp, 2006.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Estrelas de couro: a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
ROCHA, Melchiades da. Bandoleiros das caatingas. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1988.

* Davi Roberto Bandeira da Silva é pesquisador do Programa de Estudos de Administração Brasileira da Universidade Federal Fluminense.

Pesquei em: Portal Ciência e Vida

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Falando nisso...

Alagadiço - Frei Paulo é Rota do Cangaço em Sergipe

O messianismo que surgiu no Nordeste, e principalmente o banditismo que se tornaram comuns, especialmente durante a República Velha esboça o abandono pelas autoridades entremeado de período de desmedida repressão contra os mais humildes dos sertões. Eis porque Lampião ainda é visto como um mal menor por muita gente, diante da selvageria dos senhores fazendeiros. Todavia, os horrores que os cangaceiros praticavam, muitas vezes levavam a reações como a que houve no Alagadiço contra Zé Baiano que acabou morto, dando início ao declínio do banditismo nos sertões. Alagadiço, pois, marca o primeiro grande revés no cangaço já que não se tratou apenas de expulsar os cangaceiros: eles foram desmoralizados com a morte de um dos mais temidos.

Atualmente, fruto do trabalho incansável do exército de um homem só, de Antônio Porfírio de Matos Neto, foi montado e é mantido por este um museu com várias e valiosas peças no mesmo povoado, daquele período negro da história nordestina, próximo do local do assassinato do terrível Zé Baiano, em 07 de junho de 1936 que, entre outras manias, tinha a de ferrar suas vítimas mulheres depois de as estuprar.

Curiosamente, a instalação do dito museu está às margens daquela que foi canal para o primeiro grande choque entre o branco dominador e o índio e o negro: a gênese do povão brasileiro.

Chega-se ao povoado tomando-se a BR-235 até Frei Paulo, e daí até o trevo para o mesmo povoado por mais três quilômetros; e do trevo até lá por estrada asfaltada, mais sete quilômetros. O museu está localizado numa casa modesta, às margens da estrada real dos quilombos, na saída no sentido da cidade de Carira. Está sempre aberto à visitação nos horários convencionais.



Créditos: Andarilho 59, YouTube

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A única baixa entre a volante

Homenagem ao soldado Adrião

Por Paulo Britto


Adrião, é o primeiro a esquerda

O texto, abaixo, está contida no livro “Como Dei Cabo de Lampião” de autoria do, há época, Capitão João Bezerra da Silva, intitulada como “Homenagem Póstuma do Autor”, logo no início da 1ª Edição do livro, em 1940 e mantida nas duas outras edições.

O soldado Adrião Pedro de Souza, componente da volante do Aspirante Francisco Ferreira de Melo, veio a ser morto, infelizmente, logo no início do combate de Angico. Com a subdivisão da tropa comandada pelo Tenente João Bezerra, para a execução do cerco ao acampamento de Lampião, o grupo liderado pelo Aspirante Ferreira, foi quem primeiro teve contato com os cangaceiros, ao ponto de se verem forçados a dar início a ofensiva.

Cessado o combate, constatou-se a morte do soldado Adrião, ferimento no braço do soldado Guilherme Francisco da Silva e ferimento transfixiante na mão e na coxa, com a bala se alojando no quadril do comandante da volante. Em seu livro, o comandante faz o seguinte comentário: “Sofrendo então muitas dores, baleado como estava na perna e na mão, perdendo muito sangue, cansado e sem dormir há mais de 24 horas, via-me em dificuldades para resolver vários problemas que necessitavam ser resolvidos com a máxima urgência.

Foi um momento de agonia aquele! Estávamos num local de difícil acesso à margem do rio São Francisco. Tudo se apresentava com inumeráveis dificuldades. Teríamos de remover enormes obstáculos para nos transportar carregando um soldado morto e outro ferido, e ainda, para maior desgraça, eu não podia andar, tendo de ser carregado pelos meus valentes companheiros. Troquei ideias com o aspirante Ferreira de Melo, assentando que o soldado morto de qualquer maneira não ficaria ali. Mesmo que isto nos custasse os maiores sacrifícios, ele seria transportado para receber as honras da sua dignidade de combatente viril tombado heroicamente na defesa da ordem jurídica, no cumprimento sagrado do dever militar.” Daí, segue-se uma série de procedimentos e de ações paralelas, em decorrência da dimensão do feito e euforia por parte de todo o contingente humano das mais diferentes áreas, sem se negligenciar os procedimentos devidos ao bravo militar morto, conforme citações abaixo:

BOLETIM DO II BATALHÃO, Nº 175, DE 30 DE JULHO DE 1938, III ITEM:
“EXCLUSÃO POR FALECIMENTO – Excluo do estado efetivo deste Btl. e 4ª Companhia, por falecimento, o soldado nº 665, Adrião Pedro de Souza, por ter quando em combate junto às forças volantes que extinguiram o celebre rei do cangaço o famigerado “Lampeão”, e mais dez comparsas, sido atingido pelas balas mortais dos facínoras bandoleiros, deixando gravado nos corações de todos os seus companheiros o inédito exemplo de heroísmo, de amor ao trabalho, perdendo a vida pela paz do sertão e engrandecimento de sua corporação, que tão sobejamente deixou gravada a sua recordação. “
DO DIÁRIO OFICIAL Nº 7.443, de 04 de Agosto de 1938:
 “I - ATO DO INTERVENTOR FEDERAL – O interventor federal do Estado, por atos de ontem, promoveu, por ato de bravura e na forma regulamentar, ao posto de 3º sargento o soldado do Regimento Policial Militar Adrião Pedro de Souza, morto na manhã do 28 de julho próximo findo, em combate contra o banditismo; ...”.
CONTINUAÇÃO DO BOLETIM REGIMENTAL Nº 179, DE 12 DE AGOSTO DE 1938
“Não se enganou, portanto, o Exmº. Sr. Interventor Osman Loureiro, nem tão pouco este comando. A perseguição se iniciou de forma tenaz e vigorosa, e não tardou a raiar a manhã do 28 de julho, onde um punhado de 45 bravos comandados pelos Capitão João Bezerra da Silva, 1º Tenente Francisco Ferreira de Melo e Aspirante a oficial Aniceto Rodrigues dos Santos, numa arrancada de heróis, atacaram de surpresa, na fazenda “Angicos”, município de Porto da Folha, no Estado de Sergipe, o grupo do famigerado “Lampeão”, composto de nada menos de 58 bandidos e com eles numa luta tremenda conseguiram abater onze sicários, inclusive o REI DO CANGAÇO, pondo os demais em debandada, sem que tivessem tempo, os restantes, de conduzir do campo de luta os seus apetrechos e material de guerra que abandonaram.
Infelizmente, não há vitoria sem luto e este luto é deveras lamentável, por que na refrega perdemos um bravo, o soldado Adrião Pedro de Souza, que, por isso, foi promovido, por áto de bravura e na forma regulamentar, ao posto de terceiro sargento; - para ele imorredouras saudades e um minuto de silencio, em sua memoria, pelos belos exemplos que nos legou e que servirão de lição aos que aqui militam e aos que nos sucederem. O Capitão Bezerra, comandante geral da tropa recebeu um ferimento, assim como o soldado Guilherme Francisco da Silva, e por pouco, aquele não ficou no campo da luta, estando ambos sob os cuidados médicos...
 Congratulando-me convosco e, muito especialmente com louvor, com os que tomaram parte na encarniçada luta acima relatada, mando que, nos livros do assentamentos de cada um, se façam constar os elogios a que fizeram jus, ao mesmo tempo que os concito a prosseguirem, com fé, na luta ingente de libertar, quanto antes, o sertão de Alagoas da horda remanescente de bandidos que ainda o infesta, convictos de que dias melhores nos esperam e de que a história Militar da Polícia de Alagoas será enriquecida com mais esse serviço à Sociedade Alagoana e, consequentemente, ao Brasil.
Camaradas! Para a frente, por que a vitória é nossa. Salve Alagoas!
Salve a Pátria redimida! SALVE!”


O Coronel Francisco Ferreira de Melo se refere ao combate e ao soldado em entrevista ao Dr. Estácio de Lima, da seguinte forma: “ – A luta foi difícil Coronel?

"Não tanto, para quem estivesse habituado às guerrilhas sertanejas. Enfrentamos o adversário sem que ele nos esperasse. Levamos a vantagem da surpresa. E para tantos e tão importantes cangaceiros abatidos, onze ao todo, lastimamos a perda de meu excelente soldado ADRIÃO ou ADRIANO PEDRO DE SOUZA. Também foi baleado o nosso digno Comandante e mais um praça, que teve o braço partido”.


O soldado Adrião Pedro de Souza teve a sua morte reconhecida por bravura, pela sociedade civil, seus pares, instituição a qual pertencia e autoridades, no ambiente devido e apropriado. O palco do combate nos ermos das caatingas, que serviu de jazigo para os cangaceiros, não seria o local apropriado para o antagónico, justamente para aquele que dedicou sua vida a combater os que ali ficaram. Os registros na literatura e, sobejamente nos meios de comunicação já registraram na história os nomes dos que ali combateram, não existindo nenhum demérito, por não haver a materialidade do seu nome exposto no referido local.

O Coronel João Bezerra, reconhecendo a necessidade de haver um marco, a altura dos que ali combateram (volantes e cangaceiros) e ali ficaram (cangaceiros), teve a iniciativa de mandar confeccionar na oficina da Rede Ferroviária de Piranhas, um cruzeiro (foto abaixo) composto de onze cruzes, com os respectivos nomes, que Estácio de Lima registra em seu livro, como “Mausoléu modesto das onze cruzes”. 


  O homem que está segurando o chapéu, é Cel. João Bezerra. 
O que está em cima da pedra, é o Sr. Manoel Pereira, chefe da estação de trem de Piranhas. 
E ao centro o ferreiro da estação, que ajudou na construção da cruz.


Em Angico, o imponente cruzeiro foi colocado em 30/10/1961, afixado em uma grande pedra. Na placa de bronze, no centro deste cruzeiro, tem a seguinte inscrição:

  

  “Aqui jaz o Rei do Cangaço Capitão Lampeão com dez companheiros.
Combate em 28-7-1938. Lembrança do Capitão Bezerra. 
Colocação da Cruz em 30-10-1961".

 A cruz por inteiro. Hoje exposta em Aracaju no Memorial de Sergipe, 
numa sala dedicada ao Cangaço, mantida por Vera Ferreira.  

OBS. Estas duas imagens não compõem a matéria original, é um adendo do blog para enriquece-la. O registro fotográfico da aludida peça foi consentido por Vera Ferreira para Ivanildo Silveira.

À materialidade - o registro histórico dos fatos. Aos nossos corações a lembrança e o agradecimento indelével por aqueles que se sacrificaram em defesa do bem.
Abraço a todos, Paulo Britto!


Matéria pescada no sítio do Coroné Severo www.cariricangaco.com

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eis a questão...

O tiro que matou Lampião

Lampião, o 2º personagem mais biografado na América Latina, muito estudado por centenas de pesquisadores e escritores do cangaço, mesmo já tendo transcorrido mais de 70 anos de sua morte, ainda, tem em sua biografia, muitas “Lacunas, e aspectos,” que ainda deixam dúvidas, e que não foram devidamente esclarecidos, ao longo da história. Vejamos.

Sobre a sua morte:

a) Quantos tiros levou ?
b) Qual o tiro o matou ?
c) Foi atingido pelas rajadas da metralhadora do Ten. Bezerra, ou pelo certeiro fuzil do soldado Honorato ?



Após a morte do famoso cangaceiro na Grota do Angico/SE, em 28/07/1938, não foi confeccionado pelos médicos legistas, O LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO do famoso personagem, o qual, com certeza, teria dissipado muitas dúvidas quanto a morte do mesmo.

Apenas, a cabeça do cangaceiro ( em adiantado estado de putrefação ), e de sua companheira, Maria Bonita foram analisadas pelo famoso médico alagoano, o Dr. Lages Filho.

Ainda, no tocante á morte do Rei Vesgo, principalmente, no que concerne aos tiros que sofreu, temos uma excelente entrevista realizada, por ocasião dos 70 anos de sua morte, através do Programa “DE LÁ PARA CÁ “, do jornalista Anselmo Góes, em que o Dr. Jayme de Altavila, Diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas ( Local onde estão alguns pertences e objetos de Lampião ), presta excelentes informações, nesse sentido. Vejamo-las.

 O Dr. Jayme de Altavila 




Cartucheira de Ombro de Lampião, atualmente preservada e exposta no Inst. Histórico e Geográfico de Maceió. Cortesia: Escritor Carlos Megale.


 Dr. Jayme mostra a reportagem, como Lampião usava a cartucheira de ombro.


 
No detalhe o local de um dos tiros que atingiu Lampião, na região do coração, sendo, portanto, mortal. A bala perfurou a cartucheira, indo se alojar em seu corpo. 


Segundo a bibliografia cangaceira (Ver Amaury, pg 31), LAMPIÃO sofreu três disparos no Combate de Angicos. Um no peito do lado esquerdo; um no baixo ventre e outro no alto da região frontal direita (cabeça) .

Alguns ex-volantes que participaram do combate informaram que, o 3º disparo ( no alto da região frontal direita- cabeça) de Lampião , ocorreu quando o mesmo, já se encontrava, abatido e caído no solo (Ver Amaury, pg 90 - Depoimento de Panta de Godoy).

Além do disparo sofrido, a cabeça foi atingida por ação contundente ( coronhadas..etc..), o que danificou, ainda mais, o crânio do Rei do Cangaço. A esse respeito, veja-se, logo abaixo, foto publicada em 1953, pela revista "O Cruzeiro "



Em função do tiro sofrido na cabeça, bem como, em função das lesões provocadas por instrumentos contundentes (coronhadas...etc..), da cabeça de Lampião, por ocasião de sua exumação, restaram, apenas, uma porção de ossos quebrados. (Vide foto, logo abaixo ).


Foto: livro Lampião, a medicina e o cangaço, pág. 102, dos autores Leandro Cardoso Fernandes e Antonio Amaury.

Assista o vídeo que deu origem á presente matéria. Programa " De lá para cá ", do jornalista Anselmo Góis, que foi exibido por ocasião da passagem dos 70 anos da morte de Lampião em 2008.



Abraço a todos
Ivanildo Silveira 
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Boi no Pasto"

A senha que deu inicio ao fim!


Essa é a estação Telegráfica em exposição no museu regional Delmiro Gouveia que recebeu a mensagem: Boi no Pasto! De Aniceto, para João Bezerra. Se referindo a presença do cangaceiro Lampião nas proximidades de Piranhas, local de onde veio a mensagem.

A bela peça encontra-se em perfeito estado de funcionamento. É uma das grandes atrações e uma das maiores relíquias do acervo que ainda conta com fotos, documentos e máquinas como um antigo projetor de cinema e locomotivas marias-fumaça, que levavam cargas da produção industrial da Pedra até a cidade de Piranhas, nas margens do Rio São Francisco.

O Museu funciona na antiga estação ferroviária da Great Western e é mantido pela Fundação Delmiro Gouveia e pela Prefeitura Municipal.

Pesquei no Overmundo

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Atenção colecionadores

Livros a venda


Antes de divulgar nossa realção vamos apresentar mais um livro abordando o cangaço é lançado em Serra Talhada. Entre a cruz e o punhal: a dialética histórica do rei do cangaço, é o título da obra, do Prof. Cícero Lopes da Silva.

O presente trabalho constitui um breve resgate histórico transpassado por uma abordagem dialética e religiosa do fenômeno social do Cangaço e de seu principal expoente, tendo como objetivo contribuir para que a história do Cangaço e, sobretudo, de Lampião, não seja ofuscada nem pela estreiteza de espírito nem pelo simplismo moral.

O livro custa R$ 30.00 (Trinta reais). Incluso serviço de postagem.

Como adquirir:

Através dos telefones : (87) 3831 2041 / 3831 3860
E-mail : cabrasdelampiao@bol.com.br
• Pagtº - Através de depósito, em nome de:
Cleonice Maria Dos Santos
Banco Real : Ag. nº 1124
C/C nº 5109058

A lojinha do Museu do Cangaço de Serra Talhada/PE, ainda dispõe dos seguintes títulos:
- Lampião. Nem Herói nem Bandido. A história. Anildomá Willans (R$ 30.00).
- O Sertão de Lampião. Alcino Costa (R$ 40,00).
- Lampião e Zé Saturnino, 16 Anos De Luta. José Alves Sobrinho (R$ 40,00).
- Lampião - A trajetória de um rei sem castelo. Paulo Moura (R$ 32,00).
- Lampião e o tenente João Bezerra. Paulo Britto (R$ 15,00).
- Serra Talhada 250 anos de história. Luiz Lorena (R$ 35,00).
- O duelo de Lampião e Dom Quixote, de Francisco Cunha (R$ 30,00).
- Um praça e a Volante.  Dalila Ferreira de Souza (R$ 20,00).
Obs : Livros novos, e valores de frete já estão incluso. Visitem nosso site: www.cabrasdelampiao.com.br


Saudações!
Cleonice Maria Dos Santos 
Fundação Cultural Cabras de Lampião
Ponto de Cultura Artes do Cangaço
Serra Talhada/ PE.

Sugestão:  Ivanildo Silveira
Colecionador/Sócio da SBEC