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terça-feira, 9 de julho de 2019

És sócio da SBEC?

Atenção a este comunicado



A SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) através da Comissão de Eleição informa que estão abertas as inscrições de chapas para eleição de sua Diretoria Executiva.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 05 de Agosto de 2019 através dos e-mails : aobrr@bol.com.br / aderbalnog@terra.com.br

A eleição será feita em alguns grupos do Facebook que serão divulgados posteriormente e se realizará no dia 15 de agosto próximo. Todos os sócios da SBEC poderão votar e o voto será aberto e não secreto.

A posse da nova diretoria ocorrerá no dia 31 de Agosto no Museu do Sertão em Mossoró-RN.

Contamos com a participação de todos e esperamos que a nova gestão faça um bom trabalho em memória a nosso fundador Paulo Gastão.

Att. Comissão de Eleição



domingo, 1 de julho de 2018

Memória

Morreu, aos 102 anos, o Sargento PM Pionório, que combateu o cangaço no sertão baiano
 
 Enterro do policial que comandou patrulhas contra o grupo de Lampião foi neste sábado (30).

Morreu na madrugada deste sábado (30), em Paulo Afonso, Norte do estado da Bahia, o sargento da Polícia Militar reformado Gerson Pionório Freire, que havia completado 102 anos de idade e que teve a vida marcada pelo combate ao cangaço no sertão da Bahia. O enterro do sargento Pionório como era conhecido, ocorreu naquela cidade, hoje à tarde.

A Polícia Militar divulgou nota de pesar, ressaltando o trabalho do militar que fez parte de inúmeras volantes, patrulhas organizadas para percorrer a caatinga na perseguição aos cangaceiros.

A nota divulgada pela assessoria de comunicação diz que “o Sgt PM Ref Pionório angariou, durante sua trajetória profissional, a admiração e o respeito dos superiores, pares e subordinados pela dedicação explícita à causa da segurança pública”

Recentemente, ele teve sua história contada em um vídeo intitulado “Memórias da PMBA”, iniciativa da Corporação para resgatar e valorizar personagens e feitos memoráveis da Polícia Militar da Bahia: o documentário “O Policial Militar de 100 anos”, sempre obtém relevante sucesso onde é exibido.



“A Polícia Militar da Bahia rende todas as homenagens e o mais sincero reconhecimento ao exemplo de profissional e homem honrado que o Sgt PM Ref Pionório foi e continuará a ser através do seu legado como exemplo aos nossos milhares de profissionais”, conclui a nota.




Fonte: Blog Val Bahia

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Nota de falecimento

Adeus ao professor, pesquisador e escritor José Romero



 É com pesar que informamos à comunidade 'Uerniana' e especialmente a de pesquisadores da Historiografia Nordestina o falecimento do Professor Mestre José Romero de Araújo Cardoso. O fato lamentável ocorreu no início da noite desta sexta-feira, 15 de junho de 2018.

Romero tinha 48 anos, e de acordo com informações foi vítima de complicações cardiorrespiratórias.

Nascido em 28 de setembro de 1969 em Pombal (PB), era geógrafo, especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos, Mestre em desenvolvimento e Meio Ambiente.

Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) escreveu diversos livros, dentre os quais "NAS VEREDAS DA TERRA DO SOL" e "NOTAS PARA A HISTÓRIA DO NORDESTE".





Membro do Instituto Cultural do Oeste potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileiras de Estudos do Cangaço (SBEC) e da Academia dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM), dedicava-se a estudos sobre a região Nordeste, Cultura Regional e cangaço.

O Departamento de Geografia da  UERN externa sua mais sinceras condolências à família e amigos por esta inestimável perda.


Créditos para esta nota Prof. Fábio Ricardo Silva Bezerra - Chefe do departamento de Geografia - Campus Mossoró - UERN

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nota de pesar

Faleceu Ricardo Albuquerque

Faleceu nesta quarta-feira (10) em Fortaleza o empresário e pesquisador cearense Ricardo Albuquerque.

Ricardo era filho de Chico Albuquerque. Era escritor e, um dos herdeiros da ABAFILM - empresa varejista de fotografia e material fotográfico brasileira fundada em 1934, em Fortaleza, por Ademar Bezerra de Albuquerque, seu avô.

Ademar foi quem forneceu os meios necessários para que o árabe Benjamin Abrahão pudesse FILMAR e fotografar ninguém menos que Virgolino Ferreira "Lampião" e seu grupo em plena caatinga nordestina.


Tanto as fotos quanto o que restou do filme compõem o livro organizado por Ricardo "Iconografia do Cangaço" lançado em 2012.





De acordo com seu filho Marco Albuquerque, o sepultamento ocorrerá nesta quinta-feira (11) em Fortaleza.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Seu Nôza... José Moura de Oliveira

Mais uma fonte que seca
Por: Rubens Antônio

Faleceu, ontem, 3 de julho de 2014, em Salvador, José Moura de Oliveira.


Nascido em 23 de fevereiro de 1925, em Queimadas, Bahia, naquele município, era mais conhecido pelo apelido que lhe deu sua irmã mais velha, quando era ainda um bebê. "Nôza". Com a idade, ganhou um "Seu" ao antigo apelido, tornando-se "Seu Nôza".

Desconhecido da imensa maioria das pessoas, é uma verdadeira referência por dois pontos.
Em primeiro lugar, era a criança que estava dentro quartel, em Queimadas, quando foi invadido pelos cangaceiros, em dezembro de 1929. Ao seu lado, Lampeão parou e deu ordem de prisão aos policiais.
Apesar da tenra idade, a impressão que lhe causou o evento deixou em sua memória viva impressão e perfeita recordação. Isto, especialmente, por haver testemunhado o início do massacre, nomeadamente a morte dos dois primeiros policiais.

Em segundo lugar, considerando a quantidade de equívocos, inverdades e mistificações diversas que àquele evento começaram aderir, iniciou uma coleta de informações, registrando-as meticulosamente.
A quem o visitava, recebia com imensa simpatia e atenção, apresentando o seu relato já impresso.
Dizia:
"- Junta-se aí o que eu vivi, o que eu vi, com o que ouvi dos demais..."
Este documento era lido, por ele, para o interessado, na íntegra e, na medida do possível, enriquecido, conforme o interlocutor apresentava novas perguntas.


 Seu Nôza lendo seu relato dos eventos de 22 de dezembro de 1929, em Queimadas.

Para conhecer o depoimento : Clique Aqui
Uma versão mais recente e completa, a derradeira, ainda está por ser publicada.


Desenhando a situação real das antigas sepulturas dos soldados, 
no cemitério de Queimadas.


Com Valdeci Figueiredo dos Santos e Jubiratan Silva Santos, 
filhos do sargento Evaristo, sobrevivente do massacre de Queimadas.

Tendo vivido a maior parte dos seus últimos anos em Salvador, próximo aos filhos e netos, veio a nesta cidade falecer, em função de um câncer.



Seu corpo foi levado a Queimadas e, neste 4 de julho de 2014, estará sendo ali sepultado. Um abraço, amigo... E muito obrigado pelo seu senso de História e compromisso com esta.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

domingo, 15 de junho de 2014

Adeus a "Vinte e cinco"

Morreu o ultimo cangaceiro

Depos de Neco de Pautilia, a memória do cangaço perde mais um ícone. Faleceu hoje 15 de junho, na capital alagoana José Alves de Matos, o ex cangaceiro "25". Aos 97 anos de idade, 'Vinte e cinco' era "oficialmente" o último ex-cangaceiro vivo. Dos remanescentes do cangaço "lampionico" resta apenas Dulce que foi companheira do cangaceiro "Criança".

Aposentado como funcionário público estadual, ao longo dos anos o ex cangaceiro recebeu visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro. O que ajudou a costurar a história desse movimento tão complexo.



Vinte e cinco
Vinte e Cinco era de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs. Do segundo casamento do seu pai nasceram mais cinco homens e três mulheres. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: "Santa Cruz", "Pavão", "Chumbinho", "Ventania" e "Azulão 3". No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz era aceito no grupo de Mariano.
 

Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. 

No fatídico 28 de Julho de 1938 ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

 Na ocasião das entregas junto com vários cangaceiros.

Após a morte de Lampião Vinte e cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros. Permaneceu preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu através de um amigo emprego no estado como Guarda Civil. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia admitir um criminoso na guarda ja que ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho que afirmou com toda convicção que entre os 38 guardas José Alves era o melhor profissional entre eles. 
 
 Vinte e Cinco, Cobra Verde e Santa Cruz
a disposição da justiça.

O Secretário resolveu fazer um concurso entre os guardas e José Alves contratou duas professoras. Esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores mas quase foi reprovado justamente na "prova" de tiro, pois era acostumado com a Parabellum e teve que atirar com um revolver 38, abriram uma exceção para o candidato que então conseguiu provar sua habilidade e destreza. Atirando com uma parabellum ele acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. 

Segue abaixo uma entrevista concedida a Antonio Sapucaia para o Jornal Gazeta de Alagoas edição de 16 de setembro de 2012.

José Alves de Matos, o conhecido ex-cangaceiro “Vinte e Cinco”, que por cinco anos integrou o bando de Lampião.

Era casado com Maria da Silva Matos desde 1959, pai de uma prole de sete filhos, entre os quais há dentista, economista, assistente social, técnica de saúde e uma funcionária pública federal. Acerca do casamento, dizia que acreditava no destino, considerando que a esposa nasceu em 1938, exatamente no ano do extermínio do grupo de Lampião; ambos não tinham pai nem mãe, e o matrimônio, realizado em Maceió, já dura 55 anos de felicidade.

Considerava-se um homem de bem com a vida, não se arrependeu de nada que fez, principalmente no tempo de cangaceiro, de cuja época dizia ter saudades, “porque ali todo mundo era tratado como igual e todos eram amigos confiáveis. A vida era bastante complicada”, disse com certo ar de tristeza, “mas era muito boa, e se havia momentos de agonia, os momentos de alegria e de prazer eram maiores"

Nascido no dia 8 de março de 1917, em Paripiranga, na Bahia, ingressou no mundo do cangaço aos 16 anos de idade, no dia 25/12/1933, razão porque Corisco o apelidou de "Vinte e Cinco". 


“Ao ingressarem na vida do cangaço”, “todos esqueciam os seus verdadeiros nomes e a partir daí passavam a ser conhecidos pelos apelidos que recebiam. Também recebiam ordem de manter o máximo de respeito entre eles, pois seriam tratados como verdadeiros irmãos e irmãs. Se alguns deles se dispersavam do bando, após algum tiroteio, mesmo que fossem homem e mulher, havia respeito total entre ambos, até que novamente o grupo se reencontrasse. Uma coisa que Lampião fazia questão de manter, aumentando o vigor da voz, era o respeito absoluto entre todos”.
Vinte e Cinco confessou: 
A Polícia era cheia de analfabetos, havia oficial que não sabia sequer atender a um telefonema. Além disso, eram excessivamente violentos, e foi essa violência desmedida que levou muitos jovens a ingressar na atividade do cangaço, entre os quais eu me incluo”.
E continuou: 
“Os policiais, conhecidos como macacos, chegavam à casa dos agricultores e indagavam se Lampião havia passado na localidade; se a resposta fosse negativa, eles apanhavam porque poderiam estar mentindo; se a resposta fosse positiva, apanhavam ainda mais porque não informaram, antes, sobre a presença deles no local”.
A respeito do seu ingresso na vida do cangaço, respondeu: 
“Havia uma família que tinha parentes na Polícia, e fez uma denúncia de que a nossa tinha admiração por Lampião. Daí, terminaram dando uma pisa em um sobrinho meu, que passou três dias acamado. Dias depois, encontramos com um membro dessa família, que já não gostava do meu sobrinho por causa de uma namorada, terminou havendo uma briga entre nós, pelo que fiquei foragido durante dois anos, carregando como lembrança uma cicatriz na cabeça, cujo ferimento foi curado com pó de café”.

“Ao regressar, fui a uma feira colocar sola em um sapato, cujo sapateiro era cabo da Polícia, de nome Passarinho, que me reconheceu. Terminei preso durante doze horas e, como consequência, resolvi fazer parte do bando dos cangaceiros onde eu já tinha cinco parentes. Mantive contato inicialmente com Corisco, que chefiava um grupo, tendo-o encontrado junto com Dadá, sua companheira, e um cachorro de nome ‘Seu Colega’”.
Vinte e Cinco recordou que vez por outra Lampião pedia a Corisco que o colocasse à sua disposição e, em meio a essas oportunidades, terminou ficando com o Rei do Cangaço, até quando ocorreu a chacina de 28 de julho de 1938, em Angico, no Estado de Sergipe.

O regime que imperava no cangaço era rigoroso, mas todos viviam satisfeitos. Não faltava comida – carne de bode, carneiro, boi, farinha, sal, queijo –, uma vez que os fazendeiros ordenavam aos vaqueiros para abastecer os grupos, o que não acontecia com relação aos que faziam parte da Polícia. Do mesmo modo, não faltavam bebidas, mas aquele que as adquiriam era obrigado a experimentá-las antes de serem servidas a Lampião.


Escritor Sérgio Dantas, em visita à "Vinte e cinco"

A propósito – lembrou Vinte e Cinco – Lampião quando passava em lugar que não tinha aguardente ou conhaque, ele deixava dinheiro com alguém para que os produtos fossem comprados. Tinha mais: orientava no sentido de que as bebidas fossem enterradas no quintal da casa, bem arrolhadas, e que um dia retornaria para degustá-las.

Sabe-se que certa vez Lampião deixou alguma importância com determinada mulher para a compra de bebidas e, dias depois, retornou para saboreá-las. Antes de ingeri-las, pediu à mulher que as experimentasse, o que foi recusado por ela. A mulher terminou confessando que a Polícia a havia obrigado a colocar veneno na aguardente. Depois de perguntar como é que a Polícia soube que a bebida estava enterrada no quintal, mandou que a mulher ficasse despida, saísse correndo e se abraçasse com um pé de mandacaru que estava mais adiante.

Nada faltava ao grupo, conforme relata Vinte e Cinco. Havia alegria, principalmente em razão de alguns tocarem realejo, e dinheiro também não faltava, distribuído por Lampião, periodicamente, não sendo verdade que recebiam semanalmente importância fixa, como já foi noticiado.

Não faltavam mulheres para a prática sexual, pois alguns tinham as suas companheiras no bando. Para os solteiros também não faltavam mulheres, quando chegavam às fazendas, e muitas vezes eram mandadas para as suas companhias pelos próprios maridos, pois além de serem bem compensadas financeiramente, presenteavam-nas com brincos, cordão de ouro, anel etc. – relatou Vinte e Cinco

Os cachorros de nome “Seu Colega” e “Guarani” exerciam papel importante, haja vista que, além de serem adestrados para despertar a atenção do grupo quando algum estranho se aproximasse, muitas vezes comiam antes uma parte das comidas que seriam servidas aos cangaceiros para terem a certeza de que não estavam envenenadas.

Sobre Lampião, explicou que “era um tanto fechado, mas em alguns momentos se mostrava brincalhão. Era portador de uma espécie de enxaqueca e, quando amanhecia acometido do mal, falava muito pouco com a gente. Em nenhum momento ouvi dele dizer-se arrependido da vida que levava e, igualmente, nunca manifestou a intenção de abandonar o cangaço, como já foi dito por aí”. Era católico; das 4h30 da manhã para as 5 horas, os cangaceiros acordavam, colocavam os joelhos no chão e começavam a rezar.

Vinte e Cinco confessou que somente Lampião, Luiz Pedro e Quinta Feira sabiam quando e onde eram adquiridas as armas utilizadas pelos bandos. Algumas eram guardadas em ocos dos paus até que delas precisassem, mas era proibido perguntar onde eram adquiridas. Além dos chapéus de couro que portavam e dos apetrechos que conduziam, eram indispensáveis dois cobertores de chitão, um servia para forrar o chão e o outro para cobrir-se.



Barreira, Santa Cruz, Vila Nova e Peitica. 
sentados - Pancada, Vinte e cinco e Cobra Verde.

Vinte e Cinco participou de vários tiroteios, mas preferiu não relacioná-los, referindo apenas ao que ocorreu em Pedra D’Água, em Sergipe, quando morreu "Barra Nova". Nunca foi vítima de ferimentos graves, carregando nos ombros alguns arranhões que não lhe causaram mal algum. Recordou que "Barreira" que foi funcionário da Secretaria da Fazenda de Alagoas – degolou Atividade, colocou a cabeça em um saco e foi se entregar à Polícia.

Sobre Pedro de Cândido, diz que era o homem de maior confiança de Lampião, entre os coiteiros. Recorda que a intimidade era tanta entre os dois que havia uma certa ciumeira por parte dos cangaceiros, ou seja, ele “não entrou no espinhaço do grupo”, expressão que significava não simpatizar, não gostar do outro.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Nota de falecimento

Floresta e a Memória do Cangaço estão em luto!

É com imenso pesar que comunicamos, que faleceu hoje em Floresta (PE) aos 101 anos de idade, o nosso amigo, ex-soldado de Volante, Manoel Cavalcanti de Souza, o "Neco de Pautilia".


Registro da minha primeira visíta ao penúltimo dos nazarenos em julho de 2008,
junto com o amigo Cap. Marcelo Rocha.

A opinião que ele tinha sobre o grande rival dos Nazarenos era um pouco diferente daquela dos companheiros de milícia. O soldado reconhecia qualidades e nutria por Lampião uma complacência... porque não dizer, admiração e respeito.

Só pra sublinhar um trecho do curriculum deste guerreiro na historiografia do cangaço: Neco participou de "6" combates. Cinco deles contra Lampião, (destaque para o grande Fogo da Fazenda Maranduba em Sergipe no ano de 1932). Já no ultimo ele teve que encarar sozinho, cangaceiros que descobriram sua identidade e endereço.

Tive a honra de conhecer seu Neco com um pouco do vigor que lhe restava para encenar o que viu e viveu no front nordestino, especialmente o terror em Maranduba. 


Seu Neco adorava receber visitas, mesmo em setembro de 2013, debilitado, mas com a ajuda da sobrinha, nossa amiga Maria Amélia ele respondeu a varias perguntas de nosso companheiro de expedição Geziel Moura . Respostas firmes e autenticas confirmadas pelo amigo Sergio Dantas.

Mas quero lembrar com gratidão de um Neco que eu conheci a seis anos, um importante remanescente que com gestos e reprodução das falas de todas as personagens envolvidas contava em detalhes as coisas que nem a idade lhe fizeram esquecer. Seu Neco era sucinto, objetivo, não decorava conjecturas. Quem o ouvia, viajava junto com ele nas suas memórias.
Neco de Pautilia em uma prosa com Luiz de Cazuza



Quem foi Neco de Pautilia
*Por Wanessa Campos (Jornalista e pesquisadora do cangaço)

Neco costumava dizer de maneira paradoxal que, se o tempo retroagisse, ele não teria ingressado nas volantes, a polícia da época. “Afinal, Lampião nunca me fez mal. Era um homem bom. Ruim era a polícia que açoitava os coiteiros.” Antes de ingressar nas volantes, foi almocreve (espécie de vendedor ambulante) no Sertão, para esquecer um amor que as famílias não queriam.

Veio então a Revolução de 30 (movimento armado que facilitou a chegada de Getúlio Vargas ao poder) e os nazarenos (moradores do distrito de Nazaré do Pico, Floresta) não participaram. Neco resolveu juntar-se ao grupo de conterrâneos para formar uma das frentes de combate a Virgolino Ferreira, estimuladas pelo governo.

A história de Seu Neco foi muito bem "cantada"



O grupo seguiu em direção ao Raso da Catarina (Bahia). Cada um levava no bornal farinha, sal e rapadura. Nas mãos, um rifle como se fosse o “sentimento do mundo.” Entretanto, o objetivo maior era ganhar dinheiro. O então jovem Neco, aos 19 anos, partiu para o desconhecido fascinante e ao mesmo tempo perigoso. Foram três dias de caminhada comendo mal, sem dormir e o pior era a expectativa de a qualquer momento deparar-se com o bando de cangaceiros. E foi o que aconteceu.

Veio então o temido tiroteio, que resultou em vários feridos de ambos os lados. Não dava para recuar. A partir daí, Neco enfrentou mais quatro combates, viu companheiros e cangaceiros morrerem de sucesso (morrer em combate), entre Pernambuco Sergipe e Bahia. Conheceu Virgolino e não teve medo.

Mas aquela vida de incertezas, enfrentando chuva, sol, sede, calor e frio nas caatingas, não era a que Neco pediu.

Resolveu abandonar as volantes e sem receber o dinheiro prometido, $2 contos. Levou apenas $500 mil réis mais a passagem de volta. Deixando a vida militar e de volta ao aconchego, Neco foi barbeiro, alfaiate, sapateiro, até tornar-se funcionário público da Suvale, hoje Codevasf.



Trecho do Doc Xaxado a dança de Cabra Macho
De Anildomá Willans (Fundação Cabras de Lampião).



Aposentado, levou a vida remoendo o passado ao lado de sua grande paixão: Mariquinha, que conheceu aos 13 anos de idade numa escola da zona rural de Floresta. Antes do primeiro encontro, Neco leu o nome dela escrito no quadro de uma sala de aula – Maria Ribeiro dos Anjos. Achou bonito aquele nome e escreveu por cima o seu com uma bala de rifle. Pronto! Os destinos estavam selados. Casou com Mariquinha um ano depois. O casal deixou um prole invejável de 110 descendentes. Como nos contos de fadas, Neco e Mariquinha foram felizes por 80 anos.

*Publicado originalmente no Jornal do Comercio, Recife, em 28.11.2009

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Amplificando

Este Maravilhoso Conselho; Feliz 2014!

Por: Manoel Severo


Manoel Severo curador do Cariri Cangaço

Ao longo de minha vida trilhei inúmeros caminhos; trilhas fáceis e algumas extremamente árduas, aprendi muitas vezes e a muito custo que não nos bastam apenas a boa vontade e as boas intensões. Na verdade a vida acabou me ensinando que é necessário o caminhar, o agir, a atitude, e dai transformar verdadeiros sonhos em realidade, fica fácil. Ah Vida ! Essa tal de vida... Essa verdadeira universidade cheia de tantas lições, engrandecedoras, desconcertantes, magnânimas ! A ela me entrego com todas as minhas forcas, com uma paixão e um entusiasmo que muitas vezes me assusta, me toma de assalto. Ah vida ! Quanta coisa boa, quanta Gratidão. 


Lições, e quantas lições, e ai aprendi que nada se constrói só e que a verdadeira harmonia se consolida na união equilibrada e respeitosa de elementos opostos, numa teia de talentos e força, muita força e ai... Nasceu o Cariri Cangaço. Todo o corpo possui cabeça, tronco, membros... E cérebro. Todo o movimento nasce a partir do sincronismos perfeito entre todos esses componentes, e tudo acaba acontecendo, ganhando vida, mas... o que seria dos movimentos se não fosse a vibração de seu grande mentor, o cérebro? 
 

Alcino Alves Costa, o patrono do `cérebro`


Em nosso caso temos um espetacular cérebro , tao cheio de talentosos e valorosos neurônios, que fica difícil acreditar que conseguimos reunir dentro dessa humilde caixa craniana... A esse cérebro chamamos de Conselho...  E a esse Conselho estabelecemos uma Missão e a ele demos um Patrono: Alcino Alves Costa, e na tarde do ultimo dia 21 de setembro de 2013, na cidade de Barbalha, uma das anfitriãs do Cariri Cangaço realizamos a posse de seus ilustres membros.


Parece ter sido a toa a escolha da cidade de Barbalha, mas como poderia ter sido? Ali, na terra dos verdes canaviais está o primeiro, aquele a quem buscamos no primeiro de todos os momentos para irrigar todo esse cérebro , todo esse sonho, seu nome: Napoleão Tavares Neves.
 
Napoleão Tavares Neves

E assim o Conselho Consultivo Cariri Cangaço Alcino Alves Costa, assume novamente o desafio de pensarmos juntos os próximos passos de nosso sonho, 2014, 2015...2016. De seu berço o Ceará, tomamos emprestado na capital, Ângelo Osmiro e Aderbal Nogueira, lá do centro roubamos uma menina valente pra peste: Juliana Ischiara, descemos para nosso amado cariri e chegamos a Crato com Pedro Luiz Camelo, de Aurora veio o determinado José Cicero, do Barro, o sensacional Sousa Neto, do portal Missão Velha , reverendíssimo padre Bosco Andre, da terra de Fidera, mais uma mulher arretada, Cristina Couto que unidos ao Mestre Napoleão Tavares Neves formam a seleção alencarina do Conselho.


Teresina nos permitiu o talento de Leandro Cardoso que abriu alas para outra seleção: a potiguar, com os nomes de peso de Honório de Medeiros, Paulo Gastão, Kydelmir Dantas, Ivanildo Silveira e Múcio Procópio, haja folego !!! A Paraíba nos presenteou com Narciso Dias e os incansáveis Wescley Rodrigues, verdadeira revelação  e o  professor Pereira, Mestre dos mestres em matéria de literatura do sertão !
 


A terra de Virgulino nos trouxe os Pernambucanos; o volante Geraldo Ferraz e o homem das sete colinas, Antonio Vilela, alem da doce Ana Lucia Granja. Cruzando o Velho Chico a trilogia final nordestina com os Sergipanos, Kiko Monteiro o fantástico Lampião Aceso e Archimedes Marques, o alagoano da bela Piranhas, Jairo Luiz e o baiano valente que só a gota, João de Sousa Lima... 
 

Eita !!!! 25 conselheiros? ou seriam 25 mil ? Certamente a ordem dos fatores não altera o resultado, o fato e que esses homens e mulheres se juntam não apenas em torno de um evento, de um projeto, mas em torno de um sentimento, o sentimento de profundo amor as coisas do sertão, do nordeste, amor esse que nasce do fundo de nossa alma, por isso chegamos ate aqui. 

Parabéns Nação Cariri Cangaço e abraçando a esses queridos irmãos do Conselho, abraçamos a todos que fazem parte desta grande família espalhada por todo o Brasil; 
feliz 2014 e que venham 2015,2016,2017...

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço
Fortaleza, Ceará
Incorrigível sonhador

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"Zé Rufino": Algumas referencias

Por Rubens Antonio

José Osório Farias, o "Zé Rufino", nasceu em 20 de fevereiro de 1906, em Pernambuco.Comandante de volante que mais liquidou cangaceiros, adentrou a Força Pública do Estado da Bahia, assentando praça em 2 de janeiro de 1934.

Passou a compor as Forças em Operações no Nordeste - F.O.N.E. Chegou a segundo tenente em 1939. Entre aqueles cangaceiros que eliminou, Zé Rufino destacou, em entrevista, Azulão, Barra Nova, Canjica, Catingueira, Corisco, Maria Dórea, Mariano, Meia-Noite, Pai Velho, Pavão, Sabonete, Zabelê e Zepellin.

À direita na foto acima, reformado como coronel junto a ex-integrantes de sua volante.
Abaixo, sua assinatura:




Em relação ao seu falecimento, anotação no Boletim Geral Ostensivo da Polícia Militar do Estado da Bahia:
E outra anotação no Boletim Geral Ostensivo da Polícia Militar do Estado da Bahia da solicitação de pensão por parte da sua viúva, Maria de Lourdes Vieira Farias, com citação também da sua filha, Zélia Maria de Farias:
Pescado ali ó: Cangaço na Bahia

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Saga de Alcino pode virar livro

Um tributo que depende da sua colaboração

Atendendo o apelo de Rangel Alves Costa ( filho e autor ) viemos através deste, solicitar os préstimos dos colegas e  estudiosos do cangaço, sobretudo dos amigos  do caipira de Poço Redondo, o nosso inesquecível  Alcino Alves Costa, no sentido de solicitar uma “ ajuda financeira “, de acordo com as possibilidades de cada um, para angariar recursos, objetivando ajudar nos custos  do livro Biografia: “ TODO O SERTÃO NUM SÓ CORAÇÃOVida e Obra de Alcino Alves Costa “, conforme ilustração de capa da referida Obra..


Aqueles que se dispuserem a ajudar, poderão fazê-lo, através de depósito, na seguinte conta:

Alcino Alves Costa Neto
Banco do Brasil - AG. 2961-0
Conta Poupança 68.542-9  - Variação 51
CPF: 055.589.445-28

Agradecemos, antecipadamente, a colaboração.
Att. Rangel  Alves Costa  (Filho de ALCINO)
Ivanildo Alves  Silveira (Colaborador)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

8 de fevereiro de 1994, no “A Tarde”:

Dadá, última musa do cangaço

Transcrito por Rubens Antônio

Sob muitas lágrimas das duas filhas, dos três que teve com Corisco, dezenas de netos e bisnetos, todos chorando convulsivamente, e aplausos de um bom número de admiradores, que acorreram ao Jardim da Saudade, foi sepultado ontem, às 18h10min, o corpo de Sérgia Silva Chagas (Dadá), que morreu, aos 78 anos, na madrugada de ontem, no Hospital São Rafael, vitimada por um câncer generalizado, de acordo com a informação do historiador Carlos Cleber, que, em março próximo, vai relançar o livro “Dadá, a Musa do Cangaço”, da Editora Vozes.


O corpo de Dadá foi velado na capela do Jardim da Saudade, onde o capelão do cemitério, padre Afonso Gomes, celebrou missa de corpo presente. O filho Sílvio Hermano, que mora em Alagoas, não chegou  a tempo de assistir ao sepultamento de sua mãe. Entre os admiradores, estiveram no cemitério o jornalista e juiz classista Oleone Coelho Fontes, autor de um livro sobre o cangaço, e a ex– vereadora Geracina Aguiar.

AOS 13 ANOS
Nascida em Belém de São Francisco, Pernambuco, em 1915, e uma das filhas do casal Vicente R. da Silva / Maria R. S. da Silva, Dadá entrou no cangaço aos 13 anos de idade. Numa entrevista que concedeu em 1977, ela contou que Lampião chegara na sua casa, “onde fez uma baderna danada”. Na época, Dadá morava na fazenda Macucuré, entre os municípios de Glória e Paulo Afonso, no interior do estado da Bahia.

De repente, disse Dadá, Lampião chamou Corisco e, em tom de brincadeira, disse para ele: “Como é? Você não quer desmamar esta menina?” Corisco deu uma gargalhada, me pegou no colo, me colocou na sela do seu cavalo e saiu a galope. Depois, lembrou, “foram 12 anos de luta, correndo ou enfrentando a Policia por toda parte”. Sérgia, que ficou conhecida pelo apelido de Dadá, tinha, apenas 13 anos.

MUITO AMOR
Apesar da violência do contato inicial, Dadá sempre falou de Corisco com muita ternura, afirmando: “Nos amamos muito”. Dadá que teve três filhos com Corisco (Maria do Carmo, Maria Celeste e Sílvio Hermano), todos vivos, também elogiava Lampião, dizendo que ele era um homem bom. “Um homem de palavra, que só falava uma vez e não contava vantagens. Fico triste – confessou – quando vejo escreverem coisas que Lampião nunca fez. Os livros que têm saído sobre o cangaço só apresentam – dizia Sérgia da Silva Chagas – vantagens da Polícia e coisas terríveis que nunca aconteceram.”

OUTRO MARIDO
Dadá assistiu a morte de Corisco, em 1940, numa localidade próxima ao município de Miguel Calmon, varado de balas de metralhadora, mesmo aleijado e já tendo deixado o cangaço. Ela também foi baleada, teve uma das pernas estraçalhadas e amputada posteriormente. Casou–se com um velho pintor de paredes, já falecido, com quem não teve filhos. Criou, no entanto, muitos meninos e meninas, que considerava como seus filhos. Mesmo com uma perna só, Dadá costurava muito, chegando a aposentar–se como costureira. Com sua morte, fecha–se uma das últimas páginas do cangaço no sertão nordestino.

Pescado em: Cangaço na Bahia

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Nota de falecimento

Morre um dos últimos ex cangaceiros vivos

Lamentamos informar o falecimento do Sr. Manoel Dantas Loyola, o ex-cangaceiro "Candeeiro", que aos 97 anos era um dos últimos remanescentes do Grupo de Lampião.



Foto: NE10 UOL


Seu , como também era conhecido desde segunda-feira (15/07) estava internado na UTI do hospital Memorial Arcoverde na Capital do Sertão. Da época do cangaço, seu Né guardava muitas lembranças e não escondia a admiração pelo maior cangaceiro da história, a quem chama de "amigo".

Seu Né deixa esposa e seis filhos. O velório está acontecendo na residência do ex-cangaceiro, na vila Guanumbi, zona rural de Buíque. O sepultamento está marcado para as 16 horas desta quarta-feira no cemitério local.

Com informações de Angelo Osmiro Barreto
e do Caetés Lula Blogspot

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Comunicado

GECC (Grupo de estudos do cangaço do Ceará)

Aos sócios e amigos:

Comunicamos que as próximas reuniões do GECC acontecerão em novo local, no auditório da sede da ABO-CE (Associação Brasileira de Odontologia – Ceará) situada na rua Gonçalves Ledo, 1630. Bairro Joaquim Távora, Fortaleza-CE.

Mediante parceria GECC e ABO-CE firmada no dia de ontem. Nossas reuniões continuaram acontecendo toda primeira terça-feira de cada mês, com início às 19h e termino às 21h.   

Agradecemos a intermediação do sócio do GECC Jornalista Vicente Alencar que esteve conosco ontem junto à diretoria daquela Instituição nas pessoas do seu Presidente José Sampaio Menezes Junior e da diretora de Divulgação Rochelle Corrêa, aos quais agradecemos a forma cordial que nos receberam naquela instituição. Agradecemos ainda a colaboração decisiva na concretização do nosso intento do diretor de Biblioteca da ABO – CE o poeta e escritor Antônio Diogo Fontenele.

Aproveitamos a oportunidade para agradecermos a gerencia da Livraria Saraiva - Fortaleza (Iguatemy) pela sessão do Espaço Rachel de Queiros nos últimos anos, que foi decisivo para consolidação do nosso grupo de estudos.

Atenciosamente,

 Ângelo Osmiro Barreto
Presidente do GECC


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Manifesto

Em prol do restauro da casa do Sítio Jacú

Por ocasião do Seminário Parahyba Cangaço, foi lido no dia 16 de junho de 2013, na cidade de Nazarezinho, o manifesto que pede o tombamento da casa do sítio Jacú, antiga residência do cangaceiro Chico Pereira, e a criação de um museu no referido local.

Atenciosamente
Prof. Wescley Rodrigues

Exmº. Sr. Prefeito do Município de Nazarezinho, autoridades municipais constituídas, cidadãos e cidadãs do estado da Paraíba e demais estados da Federação, família Pereira, o cangaço foi um movimento que marcou a história do sertão nordestino, sendo um movimento que, devido as suas peculiaridades e características não encontramos em outro lugar do mundo, sendo algo eminentemente nosso, um dos elementos caracterizadores da região Nordeste.  Alguns registros históricos pontuam a existência de cangaceiros já no século XVIII, no momento das entradas de gado e de desbravamento dos sertões. No entanto, o apogeu do cangaço deu-se na primeira metade do século XX. Sabemos perfeitamente que a figura do cangaceiro liga-se ao banditismo, a violência, a assassinatos, roubos, estupros e depredações do patrimônio público e privado, mas devemos salientar que esses homens e mulheres chamados por muitos de bandidos, foram fruto da sociedade de sua época.

Essa sociedade marcada pela má distribuição de terra, latifúndios, trabalho escravo ou servil, analfabetismo, descaso por parte da justiça e das autoridades políticas, falta de políticas públicas e trabalho. Todos esses fatores acabaram levando muitos sujeitos a enxergarem no banditismo uma solução imediatista para a resolução dos seus problemas, pois quando bate a fome, como bem disse o médico Josué de Castro no seu livro “Geografia da Fome”, o homem perde todo o seu código ético e moral e deixa a sua fera interna romper as barreiras da conversão social para poder alimentar-se. Essa é a busca desenfreada pela sobrevivência.

Outro fator que carece de uma atenção mais amiúde foi à falta de justiça, haja vista ser a justiça no século XIX e início do XX totalmente parcial, estando à disposição apenas da elite que a manipulava acabando por marginalizar inúmeros sujeitos por meio de ações que levavam a injustiça, plantando no homem um sentimento de revolta. Vitimados muitos viam nas armas a solução para os seus problemas, o meio para alcançar a tão almejada vingança; um refúgio protetor contra uma elite e um sistema coronelístico desumanizador; e um meio de vida para sobreviver apesar de todas as intempéries da vida nômade na caatinga.

O final do século XIX e início do XX surgiram cangaceiros famosos, os quais, por meio das suas ações, se imortalizaram na memória e trova popular. A história dos seus atos foram gradativamente passando de geração a geração. Essas narrativas construíram um espaço memorialístico para a figura do cangaceiro, os quais tinham seus feitos reproduzidos por meio das falas populares, das histórias mirabolantes salientadas pelos caixeiros viajantes ou por meio da deliciosa construção discursiva do cordel. Tivemos nomes que até hoje são lembrados: Jesuíno Brilhante no Rio Grande do Norte, Lucas da Feira na Bahia, Antônio Silvino na Paraíba e Pernambuco, Sinhô Pereira no Pernambuco, Virgolino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, grande ícone do “ser” cangaceiro e que “reinou” nas suas andanças por sete estados do Nordeste brasileiro; e Chico Pereira no sertão paraibano. Poderíamos citar inúmeros outros, mas nos detemos de forma ilustrativa no nome desses.

Nesse contexto apresentado, falar do Nordeste sertanejo é falar do cangaço, não temos como apagar da história esse movimento que mazelou por muito tempo o povo nordestino, muitos pobres que viviam isolados na caatinga. Lembrar do cangaceiro não é um ato de revesti-lo com armaduras de heroísmo, de fazermos apologia a violência e ao banditismo, mas sim, voltar o nosso olhar para um momento crítico da nossa história, buscando entendê-lo, esmiuçá-lo para não cometermos no presente os mesmos erros do passado. Falar do cangaço é analisar antropologicamente o homem sertanejo tão estigmatizado e martirizado com as intempéries climáticas e com a desvalorização política.

Falar do cangaço é discutir o papel da justiça como um meio responsável por lutar pela dignidade da pessoa humana e pelo princípio da equidade. Como coloca Francisco Pereira Nóbrega no livro “Vingança, não”: “Cangaceiro não era apenas o perverso, o tarado. Havia-os também honestos, incapazes da menor crueldade gratuita, de armas em punho só para tentar justiça”.  Em uma sociedade que abria poucas possibilidades para o pleno desenvolvimento dos sujeitos, assumir a vida das armas era uma forma de buscar se fazer ouvir, lutar por seus direitos, haja vista a justiça da época só valorizar a elite.

Estando encravada no Nordeste, a Paraíba não esteve imune à atuação dos cangaceiros, como também era caracterizada por todos esses fatores conjecturais expostos há pouco, que promoviam a segregação social. Ao palmilharmos essa história nos deparamos com a figura do cangaceiro Chico Pereira, um dos maiores ícones do cangaço paraibano, homem de fibra que se fez personagem da história do Brasil e que precisa ter a sua memória preservada.   O que percebemos é que essa história tão rica que temos na cidade de Nazarezinho não é valorizada, estudada, acabando por, gradativamente se perder no tempo, acarretando perdas irreparáveis para a história do Brasil e do cangaço no Nordeste. As futuras gerações tem direito a memória, a história, sendo a história de Chico Pereira não só um patrimônio de Nazarezinho, mas de todo o Brasil e de todos os brasileiros e brasileiras.

É preciso preservar para os nossos filhos terem direito de conhecer as raízes da nossa constituição histórica e identitária nacional, pois “a história, por vezes, ironiza os homens” (Nóbrega, 2002, p. 65). Um dos maiores medos dos gregos não era o do julgamento dos deuses, mas sim o julgamento da História, de serem lembrados como covardes ou não serem lembrados pela posteridade. A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 23 é muito clara quando determina:
"É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: [...] III – proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV – Impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e a ciência". 

A belíssima casa do Sítio Jacú, que pertence a família Pereira, é de um enorme valor histórico, tendo grande importância como patrimônio material para a história do Brasil. Percebemos está a casa ameaçando ruir devido a ação do tempo, necessitando urgentemente reparos e restauro.  Assim, nós pesquisadores(as) pedimos encarecidamente a Prefeitura Municipal de Nazarezinho, ao Governo do Estado da Paraíba e a família Pereira, o restauro imediato, o tombamento da casa citada e a criação de um museu destinado ao movimento social do cangaço, essa seria uma homenagem a memória de Chico Pereira. Pois, como foi dito, hoje Chico Pereira é um patrimônio para todo o povo brasileiro. Gostaríamos que o Exmº. Sr. Prefeito tome uma atitude imediata, antes que a história passe a conhecer Nazarezinho como uma cidade sem cultura e sem memória, que não guarda a sua herança histórica. 

Nazarezinho – PB, 16 de junho de 2013.  

Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) 
Cariri Cangaço 
Comitê em prol da Reforma e Tombamento da Casa de Chico Pereira

 
A realidade da casa do Sitio Jacú hoje  
(Fotos Coroné Severo, Cariri cangaço)






 

domingo, 3 de março de 2013

Nota de falecimento

Aos sócios e amigos da SBEC.

Comunicamos o falecimento do Prof. Gonzaga Chimbinho ocorrido neste sábado, 2 de março. Gonzaga era Ex- reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e proprietário da Livraria Independência, na cidade de Mossoró.
 

O Prof. Gonzaga Chimbinho através de sua empresa sempre esteve ao lado de nossa entidade em todos os eventos organizados.
 

Neste momento de luto queremos enviar à família nossas condolências.


Prof. Gonzaga Chimbinho
 
* O velório ocorre neste domingo, dia 03 de março, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em atendimento ao pedido do professor Gonzaga Chimbinho. O horário do sepultamento não foi informado.
 
Descanse em paz colega professor Gonzaga.

Att. Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC

* Informações do site da UERN 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Recado do Presidente

Caros Sócios e amigos

A diretoria da SBEC representrada pelo Presidente e Tesoureiro esteve presente nos dias 10 e 11 de dezembro em Vitória da Conquista/BA. Na ocasião definiu-se o cronograma de atividades e programação para o III Congresso Nacional do Cangaço que ocorrerá no periodo de 22 a 25 de outubro de 2013 nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e no Centro Cultural de Vitória da Conquista.

Participaram da reunião representantes da:
UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
UNEB - Universidade Estadual da Bahia
IFBA - Instituto Federal da Bahia
CATROP - ONG - Carreiro de Tropa
A programação com informações/orientações de prazos para inscrições estarão a disposição no site do evento e das instituições parceiras a partir da segunda semana de janeiro de 2013.

Contamos com a participação e divulgação de todos os sócios e interessados.

O III Congresso Nacional do Cangaço terá como tema: Sertões: memórias, deslocamentos, identidades.

Boas vindas

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço deseja êxito ao Grupo de Estudos do Cangaço da Paraiba - GPEC. A entidade se coloca à disposição de todos os membros para compartilhar experiências e conhecimentos em torno da história dos movimentos sociais do Nordestre do Brasil., em especial o Cangaço.

Ao colega Narciso Dias boa sorte à frente do GPEC.
Abraços!

 

Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC, Comunica

Nota de falecimento

É com imenso pesar que comunicamos aos nossos sócios e amigos o falecimento do nosso historiador -mor, sócio fundador da entidade RAIMUNDO SOARES DE BRITO, ocorrido hoje 27 de Novembro na cidade de Natal/RN.
 
Raimundo Soares de Brito, por ocasião da Inauguração da Biblioteca Virtual, onde está digitalizado todo seu vasto acervo de pesquisas com mais de 150 mil documentos.
Fonte:  www.jornalporanduba.com

O corpo será velado no Salão Marieta Lima da Biblioteca Ney Pontes Duarte, Praça da Liberdade (Dorian Jorge Freire) - Centro - Mossoró - RN. A partir das 08:30h desta Quarta-feira 28/11/2012

Nossos pêsames aos familiares e amigos de RAIBRITO, como era carinhosamente chamado.

Um breve histórico de Raibrito

RAIMUNDO SOARES DE BRITO – Tinha 92 ano de idade. Nasceu no dia 23 de abril de 1920, na cidade de Caraúbas - RN. Filho de José Soares de Brito e Raimunda Saúl da Costa. Casado com Dinorah Brito, pais de Socorro Brito de Figueiredo e ‘adotivos’ do sobrinho Marcos Antonio.

 Raibrito em foto de Ricardo Lopes, durante lançamento do livro Eu, Ego e os outros.
Fonte:  www.clandestinorn.blogspot.com.br

Começou sua vida profissional como comerciante, e ingressou na vida pública como Agente de Estatística; posteriormente foi agente postal dos Correios e Telégrafos, Diretor do Museu Municipal de Mossoró e da Biblioteca Pública Ney Pontes Duarte; historiador, pesquisador, palestrante e conferencista.
Sócio das seguintes entidades culturais:
•    Instituto Cultural do Oeste Potiguar – ICOP;
•    Academia Mossoroense de Letras – AMOL;
•    Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN;
•    Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC;
•    Membro Honorário da Academia de Letras de Uruguaiana – RS.
Livros publicados:
•    Notícia biográfica de alguns patronos de ruas de Mossoró. ESAM, 1978.
•    Estudos de História do Oeste Potiguar. ESAM, 1979.
•    Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra - Um memorialista esquecido. 1980.
•    Uma viagem pelo arquivo epistolar de Adauto Câmara. 1981.
•    Pioneiros da História da Indústria e Comércio do Oeste Potiguar. ESAM/FGD, 1982.
•    Indústria e Comércio do Oeste Potiguar – Um pouco de história. ESAM/FGD, 1982.
•    Legislativo e Executivo de Mossoró numa viagem mais que centenária. ESAM/FGD, 1985.
 

•    Luiz da Câmara Cascudo e a Batalha da Cultura. FVR/CM.
•    Apostila do Afeto: Câmara Cascudo. FVR/CM.
•    Notas genealógicas sobre a família de Dona Amélia de Souza Melo Galvão. PMM/SEC, 1982.
•    Nas garras de Lampião (Diário do Coronel Gurgel) - (1996).
•    Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário). FVR/CM.
•    Eu, Ego e os Outros (Memórias de Tipos Populares). Editora Queima-Bucha / Petrobras.
•    AMOL – Seus Patronos e Acadêmicos. Editora Queima-Bucha / Petrobras.



*Com informações de Lemuel Rodrigues da Silva, Presidente da SBEC e do pesquisador e escritor Kydelmir Dantas.


sábado, 24 de novembro de 2012

Carta de agradecimento

Acervo de Hilário repousa no gabinete do coroné

Na tarde do último dia 20 de novembro o pesquisador e escritor Ângelo Osmiro foi intimado a comparecer na casa de Andrea Lucetti, filha do saudoso e também escritor cearense Hilário Lucetti. Cada visita feita ao velho amigo lhe contagiava e proporcionando mais conhecimento e dedicação pela pesquisa.

 Hilário Lucetti
 (1927 - 2007) 
Foto: Acervo da família

Esta ocasião não foi diferente, o coroné aumentou sua responsabilidade, pois acaba de receber dela e de sua mãe, dona Meire Lucetti, em nome da família, o restante do material que auxiliou Hillário Lucetti em sua produções literárias.

Trata-se de um baú constando alguns livros, uma coleção de Revistas "A Província", fotos, vários recortes de jornais e revistas que ele colecionava, além de algumas correspondências (cartas) que Hilário recebia de pesquisadores. Estas evidente, recheadas de informações.

Repousar? Homi, é só força de expressão, quem visita o Gabinete do coroné em Fortaleza sabe que os livros estão sempre a mercê de consultas diárias para auxilio e troca de informações com toda a rede de cangaceirólogos. A pesquisa de Hilario está presente inclusive no mais recente livro de Ângelo Osmiro, "Assim era Lampião e outras histórias".
 

A primeira doação ocorreu em 2010 Clique e reveja a matéria

O presente artigo é uma simples forma de registrar a agradecer à família de Hilário Lucetti pela confiança e gentileza. 


Att Angelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE



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