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quarta-feira, 18 de março de 2020

O cangaço em Sítio do Quinto, BA

Histórias da Fazenda Caritá

O pesquisador Josevaldo Matos, encontrou seu João Raimundo Filho, o popular vaqueiro, uma testemunha viva da era do cangaço no município de Sitio do Quinto, sertão Baiano.


Pescado no canal do autor.

Adendo Lampião Aceso

A Fazenda Caritá na época do cangaço era nos territórios de Jeremoabo. Em 1954, Sítio do Quinto passou de povoado para 1º Distrito de Jeremoabo. Já no dia 14 de maio de 1989 é realizado um plebiscito onde mais de 95% do eleitorado voltou a favor da Emancipação Política de Sítio Quinto.

Em 13 de Junho de 1989, Sítio do Quinto é publicado no Diário Oficial, através da Lei Nº 5001/89 tendo a garantia promocional da localidade como município.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

'Era cabeça que não acabava mais'

Diz testemunha do 28 de julho de 1938

As cabeças de onze cangaceiros que morreram na batalha da Grota de Angicos (SE), inclusive Lampião e Maria Bonita, estiveram expostas em várias cidades nordestinas. Primeiramente, foram levadas até Piranhas (AL); no local, dona Maria José de Souza Silva, na época com 11 anos, em meio a uma multidão, testemunhou o fato sombrio que repercutiu mundo afora


Piranhas (AL). "Nunca vi tanto policial na minha vida. Era volante aparecendo de tudo quanto é lado. Chegavam caminhões de todo canto cheios deles. Pensava que ia começar uma guerra. Era cabeça que não acabava mais". O depoimento é de dona Maria José de Souza Silva, 91. Em 1938, com apenas 11 anos, dona Mazé, como é carinhosamente chamada pelos moradores do Centro Histórico de Piranhas (AL), viu as cabeças dos onze cangaceiros que foram trucidados na chamada Batalha de Angicos (SE) sendo expostas na escadaria do Palácio Dom Pedro II, onde hoje funciona a Prefeitura da cidade alagoana.

"Os policiais desciam do caminhão carregando as cabeças. Antes de chegarem, a notícia de que vinham para Piranhas se espalhou rapidamente. Quase todo mundo saiu para o meio da rua. Era uma confusão muito grande. Todos queriam saber se era verdade ou não".


Como mora até hoje defronte ao Palácio, não foi difícil para dona Mazé à época "escapulir" de casa para ver a cena bizarra que ganhou o mundo. Como forma de "cantar vitória", a Polícia colocou, uma a uma, as onze cabeças na escada.


Além de aniquilar parte do bando de Lampião, era preciso mostrar o feito à população para intimidar os demais cangaceiros e bandidos e deixar claro que o Estado, através das forças policiais, detinha o controle da segurança pública no interior nordestino onde, até então, o banditismo conseguia êxito

A escada encontra-se no mesmo local. Entretanto, antes de o prédio ser tombado, a escadaria original foi derrubada e outra edificada no mesmo local. A memória de dona Mazé já não é tão precisa para acontecimentos recentes. Todavia, quando ela foi nos mostrar o local e narrar os acontecimentos, emocionou os funcionários da Prefeitura, que se disseram surpresos com a descrição dela.

"Foi aqui mesmo. A cabeça do chefe (Lampião) ficou aqui, bem pertinho da de Maria Bonita. Fiquei assombrada, mas a curiosidade foi maior", diz dona Mazé. Segundo ela, por dias e meses não se falava em outro assunto na cidade. "Isso é coisa para a gente nunca esquecer. Mas foi assim que aconteceu".



As escadarias do Palácio Dom Pedro II, em Piranhas, foram o primeiro local a servir de exposição das cabeças decepadas em Angicos. Numa iniciativa sui generis, elas percorreram várias cidades nordestinas. Depois, permaneceram no Museu Antropológico Estácio de Lima, localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas. Em 1969, após a promulgação de uma lei, foram entregues aos familiares e sepultadas.

Sem arrependimento

O pesquisador baiano João de Sousa Lima, natural de Paulo Afonso (BA), entrevistou o soldado Panta de Godoy, o homem que atingiu Maria Bonita pelas costas e depois cortou a sua cabeça. "O depoimento dele me foi concedido em 2001, em Canindé do São Francisco. Foi realmente muito contundente. Panta de Godoy, que já faleceu, me disse que, após balear Maria Bonita e a morte dos demais cangaceiros que se encontravam na Grota de Angicos, foi conferir a situação da mais famosa cangaceira do País. Contou que Maria Bonita ainda respirava. O sangue jorrava através da perfuração da bala. Mesmo diante do pedido para que poupasse a sua vida, puxou o facão e cortou a sua cabeça.
Ele justificou que estava numa brigada e que a atitude era plenamente normal".

Outro fato do conhecimento do escritor é em relação aos corpos dos cangaceiros mortos, já que somente as cabeças foram levadas no mesmo dia para Piranhas (AL). João entrevistou um conhecido coiteiro de Lampião que morava em Poço Redondo (SE), chamado Manuel Félix, que lhe contou ter retirado os corpos de Maria Bonita e Lampião e ter levado para o alto da gruta, onde os sepultou, perto de uma pedra. "É uma pena que tenha conseguido essa informação um pouco tarde. Quando entrevistei Manuel Félix, ele já estava bastante doente e debilitado, já não podia andar. Ainda pensei na perspectiva de alugar um jumento para subir até a gruta levando o Manuel. Mas a situação dele era realmente precária. Tanto é verdade que ele morreu pouco tempo depois. A entrevista aconteceu há 12 anos".

A exemplo de outros episódios relacionados ao cangaço, o destino dos corpos é uma incógnita. Como a Polícia chegou ao local em pequenas embarcações, não era possível carregar 11 mortos. Daí as cabeças terem sido arrancadas e os corpos deixados para trás. Uma versão é de que, como chovia na época, a água levou tudo morro abaixo para o Rio São Francisco. A outra, que teria sido confidenciada por um dos integrantes das volantes que se encontravam na Gruta de Angicos, chamado cabo Grilo, é que, quatro dias depois, um grupo da Polícia esteve na região recolhendo os restos mortais, entregues às autoridades, que deram um fim até hoje desconhecido.
Maria Bonita, a pioneira


A mulher que nasceu em Paulo Afonso (BA), em 1910, e era a segunda de uma numerosa família (de 11 irmãos), foi a primeira a entrar no cangaço, de onde não sairia com vida

Paulo Afonso (BA). Ao contrário de versão mais difundida, segundo a qual abandonou o marido para ser a primeira mulher a entrar no cangaço, ao lado de Lampião, Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, já estava separada quando decidiu mudar de vida. É o que conta o escritor João de Sousa Lima, sócio do Grupo de Estudos do Cangaço, e que entrevistou cerca de 500 personagens que participaram desse período da nossa história, no livro "A trajetória guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço". Nele, o autor, que conversou com Zé de Nenem, ex-marido de Maria, garante que Lampião nunca a sequestrou.

"Zé de Neném me falou que estava separado de Maria há 15 dias e conheceu Lampião por meio de um tio chamado Odilon Café, que era coiteiro do cangaceiro e o levou para apresentá-lo ao pai de Maria Bonita, Zé de Felipe". Entre idas e vindas ela o acompanhou espontaneamente, com o aval da sua mãe, Maria Joaquina, que ficou impressionada com a riqueza de Lampião. Seu pai não colocou objeção, embora preferisse que ela reatasse o casamento. Logo depois, Maria recrutou sua prima Mariquinha, que se juntou com o cangaceiro Ângelo Roque da Costa". Apesar da sua importância e de aparecer em fotos de arma em punho, Maria Bonita e as outras mulheres nunca combateram.
"Dadá, companheira de Corisco, foi a única a pegar realmente em arma para lutar".

Sobrinho

Em Malhada da Caiçara, a 38km de Paulo Afonso, fica a casa onde nasceu Maria Bonita. O banco de madeira rústica é o mesmo no qual Lampião se sentou várias vezes. Para a manutenção do ambiente, denominado de Museu Casa de Maria Bonita, os herdeiros cobram R$ 5 por visitante. No entorno, residem os sobrinhos Diná, Abílio, Isaías, Maria Nilza e Nea. O sobrinho Isaías Gomes de Oliveira, 62, não viu a tia famosa, já que nasceu em 1956, 18 anos após a sua morte.

Porém, cresceu ouvindo as histórias dos seus pais e tios. "Minha tia era uma mulher muito determinada. O ex-marido, Zé de Neném, era um farrista. Ele foi para um forró e voltou na madrugada do outro dia. Minha tia encontrou um pente no bolso dele. A desavença foi por causa disso. O pente tinha o nome de outra mulher". Apesar de reconhecer que a opção pelo cangaço foi um erro, ressalta que a maneira como ela foi morta foi cruel. "Tiraram sua vida, mas não apagaram seu nome da história". A única filha de Maria Bonita e Lampião é Expedita Ferreira Nunes. Aos 85 anos, reside em Aracaju (SE) e foi criada por um casal de amigos.

Pescado em Diário do Nordeste

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Fonte viva

Andrelino Pereira Filho, único policial ainda vivo - com 104 anos, ex-integrante das tropas volantes que combateram o cangaço

Nascido em Cabrobó, Sertão pernambucano, em 18 de março de 1914, seu Andrelino jamais pensou que fosse viver tanto. Tornou-se volante porque, sem emprego, o jeito foi entrar para a polícia; mas quando entrou, não sabia que faria parte de uma tropa volante que entraria no Sertão em busca de cangaceiros. “Acabei lá. Quando convocaram, pensei em nada, só que ia pro Sertão e fui, calado”.




Os soldados andavam em grupos de sete, mais um comandante, e a tropa de Andrelino ficou pelas bandas de Alagoas (era época de ditadura, a de Getúlio Vargas, então a polícia comandava onde fosse necessário). Foram dois anos “andando no mato, dormindo no mato, vivendo o mato” - “dentro da caatinga de 1936 a 1938”.

Diz a história que cangaceiro tinha um cheiro peculiar, uma mistura de perfume ou água de colônia com suor, que acabava ajudando no rastreamento, como contra André Carneiro em “Capitães do Fim do Mundo”. “Mas não era uma certeza, era uma pista casual, acontecia. Só eles usavam, mas a gente, não. Se os encontrasse, bem; se não, seguíamos. Mas rezava pra não encontrar”, continua o ex-volante.

Sem descanso, sem comida, sem água, as volantes seguiam nessa missão ingrata; “ingrata” porque o pagamento era também escasso. “Comida era quando encontrava. Farinha, rapadura, queijo de coalho, se tivesse. Água, só quando encontrava um poço. Sobre banho, nunca se falou”.

As armas eram fuzis e o volante carregava, em média 50 balas que “pesavam como o diabo”, e nessa rotina dura, seu Andrelino diz que teve uma aliada: a calma. “Foi a primeira coisa que aprendi. A segunda foi a conviver; a terceira, foi ‘não atender a muita gente, a não dar atenção’. Se o camarada atende a muitas perguntas, passa o tempo todo. Eu preferia ficar em silêncio”.

As tropas não tinham treinamento, mas orientações de como se defender se encontrassem um bando. “Mas essa orientação era no momento. Estava no tiroteio e se os tiros apertassem, eu seguia a ordem: me jogava no chão”. Andrelino nunca ficou ferido (mas quase foi), nunca matou ninguém, nunca viu um de seus companheiros de tropa matando.

“O pagamento, eu não sei nem dizer como era. Eu lembro que a gente recebia, que tinha um sargento que era o pagador, Almeida, trazia tudo separado. Ele trazia o pacotinho de dinheiro. A gente chegava em uma bodega, fazia compras. Pronto, e o dinheiro desaparecia”. Não havia heroísmo, mas uma obrigação; não havia um intuito de fazer justiça, de trazer um bem social, mas uma vontade enorme de trabalhar para que o dia em que aquelas volantes terminassem chegasse logo.

Os coiteiros também davam pistas dos cangaceiros. Certo dia, diz seu Andrelino, foi o perfume de uma mocinha, numa casa, que entregou a presença de um bando. “Os cangaceiros estavam em uma distância de uns 500 metros e cozinhando um bode numa lata amarrada num pé de pau em cima de um fogo de lenha. Estava fervendo. A mocinha quis negar, mas terminou dizendo. Os cangaceiros deram fé e fugiram. Deixaram a lata fervendo lá. Ninguém comeu, quem sabia se não tinham colocado veneno?”.

Medo, seu Andrelino nunca sentiu, embora tenha visto e sentido muita coisa. Sentia, mas não podia falar porque, afinal, estavam todos do mesmo jeito. Alívio e alegria sentiu quando soube que a volante tinha terminado e ele seria deslocado para o Recife, onde faria serviços bem mais leves. “As roupas da volante eram de tecido grosso, feitas de todo jeito; no Recife, fizeram sob medida. Mas as duas eram cáqui e eu não uso mais cáqui desde que saí da polícia em 1966”.

Andrelino conheceu Lampião quando era menino. “Ele ia lá em casa, tomou café lá muitas vezes. Chamava minha mãe: ‘cumade’, tem um cafezinho?”. Tomava e ia embora”. E com seus 104 anos e sua memória reta, seu Andrelino defende uma tese diferente para a morte de Lampião. Ele ri da oficial - que Virgolino foi morto em uma emboscada em 1938, em Angico, Sergipe - e diz que tem certeza que o cangaceiro jamais morreria daquela forma. “Lampião morreu em Minas Gerais, na fazenda São Francisco, muitos anos depois, em 1963, justamente neste mês que estamos, de julho, mas eu não sei a data exata”.

“Um amigo dele, de Lampião, era amigo meu, um senhor de Porção (cidade do interior de Pernambuco). Tinha trabalhado com ele. Eu estava em Pesqueira (outra cidade pernambucana, localizada no Agreste), engraxando sapato, quando ele passou e falou: ‘sabe de onde eu venho? De Minas Gerais, do enterro de Lampião’. O que, homem?! Lampião morreu? Era mês de setembro. Eu já sabia que ele estava na fazenda São Francisco. As coisas passam no meio do mundo e a gente sabe”.

Por: Tatiana Notaro | Foto: Rafael Furtado
Publicado originalmente no www.folhape.com.br em 28/07/18
Créditos do achado para Joel Reis 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Testemunhas

Dona Luzia viu a volante matar seu pai


Dona Luzia Carmina
Foto Ricardo Beliel


Pelos lados do Riacho do Mundé, distrito de Floresta, PE vive, há quase cem anos, Dona Luzia Carmina, num punhado de braças de terra, na mesma propriedade em que presenciou a morte de seu pai  Antônio José de Souza, o caboclo Garapu, em 24 de Junho de 1927.

Em meio à sequidão, cria cabras e cultiva uma pequena horta de subsistência na companhia do filho, Zé Caboclo. Sua mãe era prima de três cangaceiros de Lampeão, os irmãos Marinheiro, e quando o bando passava por essas terras tinham o apoio que necessitavam. As roupas esfarrapadas, depois de curtidas por longos períodos na agrura da catingueira, eram trocadas por novas, feitas por sua mãe.

Certo dia, o primo Zé Marinheiro e outro cangaceiro, Sabiá, resolveram não acompanhar mais as andanças quilométricas e diárias do chefe Lampião, preferindo agir em dupla nos rincões do Capim Grosso e do Mundé.

Por um ano viveram amoitados nos espinhaços das caatingas para atacar e extorquir os que lá moravam. Certo dia atacaram as fazendas Panela D´Água e Tapera e estupraram sem piedade Marcolina e Lucia, que também costuravam, com a mãe de Luzia, as roupas encomendadas por Lampião.

Bêbados e sabedores do mal cometido, foram buscar refúgio com a prima de Zé Marinheiro. Carmina de Garapu implorou não poder ajudá-los, mas o tempo para as palavras foi de súbito substituído pelo medo da morte. Nesse momento, doze soldados da volante de Floresta já cercavam a casa. Zé Marinheiro iniciou o confronto com um tiro certeiro na cabeça de um soldado que avançava a poucos metros. Sabiá, da janela dos fundos, liquidou outro inimigo e logo em seguida também acabou com a vida do praça Sinhozinho, que comandava o grupo.

Em meio ao tiroteio, o soldado Zé Freire mal teve tempo de perceber Zé Marinheiro pulando através da porta com o fuzil engatilhado em sua direção. Sorte de um, azar do outro. A bala inimiga "bateu coco", falhou, e Zé Freire como um raio disparou um balaço explodindo o cérebro do cangaceiro.

Zé Freire


Sabiá, um dos cangaceiros mais perversos de então, manteve o fogo contra Zé Freire e o soldado Zé Tinteiro até cair baleado no terreiro em frente à casa. Com fratura exposta na perna e as vísceras escorrendo para fora da barriga, destroçadas por balas volantes, morreu rodopiando na terra como um pião. Grunhindo como um porco sacrificado com o fuzil nas mãos a cuspir balas em todas as direções.

Dona Luzia nos conta que seu pai, o Caboclo Garapu, pressentindo sua morte, anunciada aos berros, findo o combate, pelo soldado Zé Freire em frente à casa, se despediu da mulher e dos sete filhos, caminhou em direção à porta e enfrentou o soldado rival.

Tentou um primeiro golpe com uma faca, mas em resposta levou um tiro fatal na cabeça. Luzia, com idade de sete anos, seus seis irmãos e a mãe morreram um pouco também naquele dia. Marcadas pela tragédia, continuaram na mesma casa por toda a vida, onde hoje Luzia nos recebe para compartilhar sua história. Com as feições enrugadas de uma pura índia Tuxá, confidencia com a voz afogada por um profundo desconsolo "nós fiquemos sem pai pra sofrer..."

Com informações de Ricardo Beliel, Luciana Nabuco, Marcos De Carmelita

Adendo de Joel Reis (Grupo Lampião, Cangaço e Nordeste)

Sabiá I - Morreu em Mata Grande - AL em 1922.

Sabiá II - citado no texto, Manoel, entrou no cangaço em 1923, participou do ataque à Fazenda Tapera, Combate da Serra Grande, do ataque a Mossoró... Morreu em 29 de junho de 1927 pela Força de Floresta. Encontraram no bornal dele as orelhas do Ten. Francisco Oliveira que havia sido sangrado no combate do Serrote Preto. (Esse é o Sabiá do Texto).

Sabiá III - Era da Família Engrácia

Sabiá IV - João Alves dos Santos (João Preto) de Poço Redondo - SE, morreu em combate na Fazenda Barra Salgada, Canhoba - SE, no final de 1937.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Seu Nôza... José Moura de Oliveira

Mais uma fonte que seca
Por: Rubens Antônio

Faleceu, ontem, 3 de julho de 2014, em Salvador, José Moura de Oliveira.


Nascido em 23 de fevereiro de 1925, em Queimadas, Bahia, naquele município, era mais conhecido pelo apelido que lhe deu sua irmã mais velha, quando era ainda um bebê. "Nôza". Com a idade, ganhou um "Seu" ao antigo apelido, tornando-se "Seu Nôza".

Desconhecido da imensa maioria das pessoas, é uma verdadeira referência por dois pontos.
Em primeiro lugar, era a criança que estava dentro quartel, em Queimadas, quando foi invadido pelos cangaceiros, em dezembro de 1929. Ao seu lado, Lampeão parou e deu ordem de prisão aos policiais.
Apesar da tenra idade, a impressão que lhe causou o evento deixou em sua memória viva impressão e perfeita recordação. Isto, especialmente, por haver testemunhado o início do massacre, nomeadamente a morte dos dois primeiros policiais.

Em segundo lugar, considerando a quantidade de equívocos, inverdades e mistificações diversas que àquele evento começaram aderir, iniciou uma coleta de informações, registrando-as meticulosamente.
A quem o visitava, recebia com imensa simpatia e atenção, apresentando o seu relato já impresso.
Dizia:
"- Junta-se aí o que eu vivi, o que eu vi, com o que ouvi dos demais..."
Este documento era lido, por ele, para o interessado, na íntegra e, na medida do possível, enriquecido, conforme o interlocutor apresentava novas perguntas.


 Seu Nôza lendo seu relato dos eventos de 22 de dezembro de 1929, em Queimadas.

Para conhecer o depoimento : Clique Aqui
Uma versão mais recente e completa, a derradeira, ainda está por ser publicada.


Desenhando a situação real das antigas sepulturas dos soldados, 
no cemitério de Queimadas.


Com Valdeci Figueiredo dos Santos e Jubiratan Silva Santos, 
filhos do sargento Evaristo, sobrevivente do massacre de Queimadas.

Tendo vivido a maior parte dos seus últimos anos em Salvador, próximo aos filhos e netos, veio a nesta cidade falecer, em função de um câncer.



Seu corpo foi levado a Queimadas e, neste 4 de julho de 2014, estará sendo ali sepultado. Um abraço, amigo... E muito obrigado pelo seu senso de História e compromisso com esta.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

sábado, 7 de junho de 2014

Seu Atanásio

Memória centenária do cangaço em Paripiranga, BA


Por Kiko Monteiro


Dando continuidade aos registros de minha pisada junto com o confrade Narciso Dias por terras que ontem pertenciam a Paripiranga e hoje são de Adustina, tivemos mais uma grata surpresa ao sermos avisados da existência, eu diria até espetacular existência e presença de Seu Atanásio. Ele é mais uma testemunha ocular dos fatos lampiônicos no sertão baiano, e que para nossa sorte naqueles dias se encontrava em tratamento de saúde na casa da sua filha.


Ex-vaqueiro e coiteiro assumido, Atanásio Gregório dos Santos já não enxerga à onze anos. Precisamente quando completou os 102 anos de idade... Hoje aos "111" desafia o tempo e o vento, sim, o homem nasceu em 05 de fevereiro de 1902. Com prova documental.



Garantiu lembrar de ontem como se fosse ainda ontem. Conversamos com ele por pouco mais de uma hora. Não foi fácil montar o seu depoimento. É preciso intimidade com o ritmo e expressões e corruptelas da fala dos nossos vizinhos de estado. E seu Atanásio nem sempre partia do inicio ou finalizava um episódio. Alguns capítulos ficaram pela metade, portanto sem validade para nossa publicação. Não poderíamos exigir muito, os fatos conhecidos e vivenciados por este baiano fecharam com chave de ouro a nossa tão proveitosa visita.

Pra inicio de conversa, ele nos disse que não era filho de Paripiranga, é natural de Bebedouro (atual cidade baiana de Coronel João Sá que pertencia à Jeremoabo). 

Que na verdade foi um coiteiro de dupla função, pois serviu aos dois lados da força. 

Na época do cangaço ele já residia nos Jardins  mesmo lugarzinho em que vive amparado pelos filhos, (atualmente o Jardins é um povoado do município baiano Sitio do Quinto). 

O que facilitou sua amizade com os cabras de Lampião foi o fato de ser casado com uma prima do cangaceiro "Saracura". Assinala que o grupo que dominava a região era justamente o de Ângelo Roque "O Labarêda" um cangaceiro manso e chefe de Saracura.
Saracura não, o Benício, que era um excelente vaqueiro e conforme a história, um sertanejo que revoltou-se ao ver seu pai quase invertebrado numa rede por conta de uma surra que tomou de uma força volante.

Confiram a data de nascimento no RG do "menino"
Ressalta que manteve boa convivência com policiais. Todavia ao botar na balança quem mais apreciava, deixa claro a sua simpatia pelo modus operandi dos cabras de Lampião. Afirma que presenciou muito mais atrocidades dos "Macacos". Afinal de contas...
 - "O que mais tinha na policia era vagabundo a procura de comida e dinheiro. Era uma época de secas terríveis e estas pessoas não tinham opção. A única alternativa era pegar em armas para perseguir cangaceiros. Mas a única coisa que a maioria sabia fazer era pilhéria, covardia de bater em pobres coitados. Enfrentar os cangaceiros como devia de ser... Ah! foram poucos".
L.A. - Sabendo que havia violência de ambas as partes, por que o senhor preferia lidar com os cangaceiros do que com as Forças?
- "Vamos dizer assim: Eu não fazia nem cara feia, nem corpo mole. A volante exigia que eu matasse um bode dos meus, eu atendia, eles comiam, enchiam o bucho, nem sequer agradeciam e iam embora. Já os cangaceiros pediam a mesma coisa, porem ao se fartarem pagavam pelo animal abatido. Aliás, eu ganhava de cinco a dez mil réis por qualquer favor prestado a cabroeira".
 L.A. - O senhor chegou a frequentar algum baile com os cangaceiros? 
- "Fui dançar uma única vez um "pagode" convidado pelo próprio Ângelo Roque no Pinhão. Mas chegou uma força e teve tiroteio. Nesse dia não morreu ninguém, eu consegui fugir me arrastando pelo batente da choupana". 
 L.A. - E Lampião? 
- "Conheci demais, ele andou muito no sitio (Do quinto), aqui pelas matas de Paripiranga, também, tinha preferência pelos coitos na beira do rio Vaza Barris que corta a região".
  
A cada intervalo Seu Atanásio sempre repetia: 
"Tempo bom, meus amigos, é o de hoje".

Também pudera, o homem na condição de coiteiro, e de quem viu muito assombro e desmandos de toda a sorte no sertão pode fazer o comparativo.
Certa vez ele guiou a cabroeira até a casa de uma mulher chamada Josefa de Bispo, que morava com três filhos no lugar chamado Quixaba. Ao perceber a fome que estes passavam, os cabras ruins do sertão num momento de benevolência (heroismo) se compadeceram da situação e deram-lhes comida.
Mas certa feita esta mesma mulher achou de informar para a volante comandada pelo Sargento Balbino a localização do coito dos bandoleiros. O cangaceiro (cujo nome ele não recorda e prefere não sugerir ) Tomou conhecimento da desfeita e a visitou mais uma vez, desta vez sem piedade nem tampouco caridade.
- "Ele cortou a língua dela com uma faca de ponta para servir de exemplo à  todos que não soubessem manter silencio sobre suas presenças na região".
Pensam que o castigo lhe bastou? Dona Josefa, revoltada e sem a língua para caguetar, apontava com o dedo a direção do bando para a volante. Ligeiramente engraçado? No cangaço nada é cômico. Essas "apontadas" ocasionaram em tiroteio e como nova represália os cangaceiros intimidaram a velha de vez, matando dois dos seus filhos.
Recordou um outro trágico episódio envolvendo gente que desafiou o perigo, narrativas que ouviu dos próprios executores.
O jovem Manoel Caetano, “Manoelzinho” era caçador e certa vez deu de cara com um coito de cangaceiros que se preparavam para tratar uma vaca. Ao voltar para casa ao invés de segurar a novidade resolveu procurar o sargento Balbino e delatar o local. Novo embate com a policia... Não tinha outro, eles já sabiam quem os havia entregado e juraram vingança contra o Manoel. Tempos depois Manoelzinho que pensava que era invisível descia as margens do riacho sozinho e deu de cara com um cangaceiro que o cumprimentou pelo nome, Manoelzinho desconfiado perguntou quem ele era, e o cabra identificou-se como Soldado do governo".
O caçador nem imaginava quem seria a caça, achou de fazer a média com o volante e foi proseando:
- Pois um dia destes, botei vocês no rastro dos bandidos, não mataram porque não quiseram.
- É verdade, mataram ninguém não, tanto que estou aqui conversando com você, seu filho de uma p... vais morrer agora mesmo.
Outros cangaceiros saíram do mato. Manoelzinho se ajoelha clama que poupem sua vida pois tinha uma boa quantia de dinheiro pra lhes dar.
- Tenho pra vocês um conto e quietos réis...
Trato aparentemente aceito, mas o levaram e mantiveram-no prisioneiro no coito e no final da tarde o mataram a punhaladas e deixaram o cadáver exposto em outro ponto da mata. Paisanos que passavam pelo local ao se depararam como aquela cena medonha e fugiram esquecendo-se das montarias.
 Atanásio tira sem dificuldade mais coisas da sua centenária e incrível memória
Conta que conheceu "Mariquinha" prima de Maria Bonita e companheira de Ângelo Roque.

[Mariquinha também era natural de Jeremoabo e foi assassinada por Odilon Flor no lugar Riacho do Negro, (diz que na época o lugar também foi conhecido por Curral do Saco) juntamente com os cabras Pé-de-peba e Chofreu. Quem participou desta diligencia e está vivo para contar esta história é o ex volante Gerson Pionório entrevistado por João de Sousa Lima Leia Aqui ]
 

Cabeças dos cangaceiros Mariquinha, Chofreu e Pé-de-peba
Acervo Lampião Aceso
 
Cruzes dos cangaceiros mortos no Riacho do Negro
E que em 1938 após o massacre, descobriu que dois sobrinhos dele estavam junto com Lampião em Angico. Um deles recebeu o vulgo de "Zeppellim" e o outro não lembra, mas enfim, era o Pedrinho. Os dois conseguiram escapar. permaneceram escondidos durante seis meses na fazenda Caraíbas (Divisa entre Adustina e sitio do Quinto).
- "O Pedrinho tinha um ferimento de bala na coxa que ele tratou com farinha molhada".
 L.A. - E o senhor? não chegou a ser convidado para pegar em armas e acompanhar os cangaceiros? 
- "Com os meninos? Não, mas cheguei a marchar com Zé Rufino algumas vezes na persiga de cangaceiros". Recebi um fuzil e uma recomedação dele -"Se ver alguém não seja doido de atirar, espere minha ordem".
Seu Atanásio disse que também serviu como coiteiro do célebre Corisco.
 L.A. - E Dadá, o senhor lembra dela?
- "A Dadá? Ah ali era uma “cabocla positiva”. Uma vez eu pesquei não sei quantos quilos de Jundiá pra ela e pra Corisco... Conheci o "Balão" e o Mariano quando ele era comandado pelo diabo Loiro... e outros e outros".

"Esse depoimento foi gravado no dia 2 de julho de 2013 e escrito dois meses depois. Antes de publica-lo eu precisava me certificar da condição atual do nosso entrevistado. Hoje, 07 de junho de 2014, mantive contato com o nosso amigo e anfitrião professor Salomão que foi buscar noticias junto a filha de Seu Atanásio e ela nos assegurou que: Aos "112 anos" o pai dela está vivendo seus últimos dias, meses, ou quem sabe até anos no rancho dele, lá no Sitio do Quinto".

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Utilização das informações deste blog.

VAI COPIAR? POR FAVOR, LEIA ABAIXO.

Este blog destina–se à discussão, preservação e divulgação da memória dos eventos do Cangaço, em todas as suas dimensões e amplitudes.
 

Estão inteiramente liberadas para uso em publicações as postagens de minha autoria neste blog, devendo–se primeiramente realizar a formal gentileza de citá–lo como referência primária.
 

Para citar qualquer uma das postagens em publicações escritas ou em outro blog, site na internet, siga–se a seguinte fórmula: SANTOS MONTEIRO, Alessandro. “NOME DA POSTAGEM”, in: “Lampião Aceso” site: www.lampiaoaceso.blogspot.com acessado em DATA.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Homenagem

40 Anos sem Zózimo Lima

Por: Antônio Corrêa Sobrinho


 Zózimo Lima
Arquivo da família

Todos os relatos históricos sobre a visita de Lampião, na noite do dia 25 de novembro de 1929, à cidade de Capela, Sergipe, terra a 67 km da capital Aracaju, referem-se a Zózimo Lima, como o encarregado dos Correios e Telégrafos desta cidade e a pessoa que esteve com o famoso e temível cangaceiro Lampião.

Muitos desconhecem, porém, que este mesmo Zózimo Lima, um simples protagonista de um grande momento do Cangaço: a marcante presença, pela vez primeira, do bandoleiro-mor das caatingas nordestinas, à zona da mata sergipana, aos tabuleiros da Capela, exitosa visita, pois lucrativa e conseguida sem maiores esforços, sem derramamento de sangue, numa quase festa, numa quase apoteose - foi um grande homem de letras, escritor e jornalista renomado.

Zózimo Lima, este mesmo homem que esteve efetivamente à mercê do instinto e da razão do grande saqueador, que viu a sua vida sob um fio, e aquele punhal assassino a lhe espreitar, a visitar com o bandoleiro lojas e residências da sua própria cidade-berço, naquela inesquecível noite de novembro de 1929, além de telegrafista concursado, era, sobretudo, um dos notáveis jornalistas sergipanos, com vasta experiência na imprensa paulista, onde foi revisor no “Correio Paulistano”, e repórter e colunista da “Tribuna” de Santos. Em Uberaba, Minas Gerais, foi correspondente do citado diário santista, e escreveu no “Jornal do Comércio” e no “A Lavoura”. Na década de 30 escreveu para o “Diário de Noticias” e “O Imparcial”, de Salvador.


Em Aracaju, foi correspondente da “A Tarde” da Bahia, e cronista do “Correio de Aracaju” e da “Gazeta de Sergipe”, respectivamente, de 1928 a 1974, período em que escreveu mais de 4 mil crônicas, na sua famosa coluna “Variações em Fá Sustenido”. Escreveu Zózimo Lima para a revista da Associação Sergipana de imprensa e para a da Academia Sergipana de Letras, instituições em que foi membro e a ambas presidiu. Zózimo Lima, como servidor dos Correios e Telégrafos, foi seu presidente na década de 1960.

No final de sua brilhante carreira jornalística, em maio de 1971, foi agraciado pela Associação Brasileira de Imprensa, com a “Medalha do Mérito Jornalístico”, conferida a brasileiros e estrangeiros que se distinguem por méritos jornalísticos sobremodo reconhecidos. Zózimo, que continua sendo um dos maiores cronistas de todos os tempos da imprensa sergipana. No próximo dia 19 de janeiro, completa 40 anos do seu falecimento, ele que nascera em 4 de abril de 1899.
Já estava por esquecer que, no dia 29 de novembro de 1929, o "Correio de Aracaju" publicou a reportagem escrita pelo próprio Zózimo, "Lampião em Capela, com o subtítulo - Informações interessantes colhidas pelo correspondente do "Correio" - a atitude digna do intendente Antão Corrêa
- Lampião acha que a vida do cangaço é bem divertida - outras notas. Texto referência quando se quer dizer deste grande acontecimento que foi a ataque de Lampião a Capela, e que Zózimo, com certa frequência em suas muitas crônicas fez registrado aquele momento em que compartilhou experiências com o grande bandoleiro das adustas terras nordestinas.

Ao seu filho remanescente, Zózimo Lima Filho, dedico esta lembrança.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jornal "Tribuna do Ceará" em 18 de Fevereiro de 1981

Entrevista com Vicente Cordeiro

Por Antonio Vicelmo

Clique para ampliar. A margem esquerda contem um falha que certamente ocorreu no ato da digitalização (ausência de três letras) com jeito e paciência dá pra ler e entender.

 
 



Oh! Manoel Severo, este brilhante repórter e fotógrafo não pode ser mais um ilustre espectador, ele nos deve uma palestra sobre este e outros encontros, bote seus meninos em persiga, intime o 'homi' para o Cariri cangaço 2013.

Fonte: www.cnfcp.gov.br

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Abrindo os serviços de 2013

Clementino Quelé "2": O Cangaço marcou seus passos

Por João de Sousa Lima

Clementino Francisco da Silva, “Quelé”, nascido em  Canindé do São Francisco, Sergipe, em  08 de novembro de 1914, filho de José Francisco e Júlia Alves, teve várias facetas de sua vida ligadas com o cangaço. Primeiro foi criado na fazenda Jerimum, sendo amigo de infância da cangaceira Dulce Menezes, a Dulce companheira do cangaceiro Criança.
 
Seu Quelé e João de Sousa no terreiro de sua casa, no povoado Nambebé, 
reduto de Cangaceiros.

Quelé estava em Canindé do São Francisco quando a cidade foi invadida pelos cangaceiros comandados por Lampião  tendo por companhia o perverso Zé Baiano que ferrou as irmãs Marques. Quelé viu os cangaceiros entrando na cidade e depois ouviu o clamor das mulheres que tiveram suas faces ferradas com as iniciais JB.

 Maria Marques e a marca ferrada.

Quelé hoje reside no povoado Nambebé, em Paulo Afonso, Bahia. Mora justamente na casa de Pimba que era tio dos cangaceiros "Bananeira" e "Artur", era irmão de “Lixandrão”, grande coiteiro de Lampião.

Em uma das entradas de Lampião no Nambebé Pimba denunciou a passagem à polícia e Lampião ficou sabendo da entrega, voltando ao povoado com o intuito de matar o delator e só por pedido de Lixandrão que era um coiteiro respeitado e pai do cangaceiro Bananeira foi que Lampião não concluiu sua intenção.

Por castigo Pimba teve tatuado em sua testa uma cruz feita por Lampião, ferida aberta pela afiada lâmina de um canivete.

 Escombros da casa do coiteiro Lixandrão, pai dos cangaceiros Bananeira e Artur, 
povoado Nambebé, Paulo Afonso/Bahia.

Quelé é casado com Maria Teixeira, filha do coiteiro Antonio Curvina. Antonio Curvina foi um ótimo artesão em couro e era quem fazia chapéus, cartucheiras, alpercatas, cintos e bandoleiras para Lampião e seus seguidores. Quando do combate da Lagoa do Mel onde morreram dezenove soldados e o Ezequiel (irmão de Lampião), um dos soldados que fugiu ao cerco, se perdeu dentro da mataria fechada e saiu justamente no povoado Nambebé.


 Maria, filha de Antonio Curvina e esposa de Quelé

Com o alerta que ali era reduto de Lampião o soldado pegou Antonio Curvina e o menino Epifhânio de Félix como reféns e ordenou que eles o levassem até Santo Antonio da Glória. No trajeto, o soldado bastante cansado, entregou seus pertences ao Antonio Curvina para que ele o ajudasse a levar o material. Assim que eles saíram do Nambebé alguns cangaceiros que vinham no encalço do soldado chegaram ao povoado. Maria, esposa de Antonio, contou a história acontecida com seu marido e a falou da preocupação que estava passando por ver seu companheiro nas mãos do militar.

Os cangaceiros seguiram por outro caminho que levava em um tempo mais curto até o povoado Salgadinho. Ganhando tempo os cangaceiros chegaram a um ponto e armaram emboscadas para pegar o soldado. Ao longe avistaram as três pessoas que seguiam uma vereda, Antonio Curvina vinha com os bornais e o chapéu do soldado. Os cangaceiros confundiram o coiteiro com o soldado e atiraram, o soldado correu, o garoto Epiphânio de Félix se emparelhou em uma árvore e nada sofreu, Antonio Curvina caiu morto.

 Cruz de Antonio Curvina

O soldado chegou ao povoado Salgadinho e justamente na casa da irmã da cangaceira Lídia, que avisou a ele que ali era coito de cangaceiros. O soldado se negou a sair da residência.


 Escombros da primeira casa de Pimba

No encalço dos cangaceiros e do soldado, montado em um burro,  vinha o primo de Antonio Curvina, o jovem Lindo de Zezé. Lino encontrou o primo morto e saiu em perseguição ao soldado indo encontrá-lo no povoado Salgadinho. Lino pegou o soldado, amarrou-o, montou no burro e saiu arrastando o soldado, na subida da Serra do Padre Lino matou o soldado, pegou seu armamento e foi se apresentar ao cangaceiro Lampião que ouviu sua história e de imediato o aceitou em seu bando, passando Lino a ser chamado de Pancada, o famoso cangaceiro Pancada.
 
 Lino José da Silva, Vulgo Pancada

Quelé chegou a Paulo Afonso ainda na década de 1940. Com o começo das obras da CHESF Quelé derrubava a golpes de machado, frondosas árvores que eram utilizadas pela companhia para fazer as pontes para os caminhões passarem transportando material para a construção das usinas.

Hoje, aos 99 anos de vida, Quelé ainda é lúcido e bom de conversa residindo no povoado Nambebé onde todos os dias uma numerosa família senta-se ao seu redor para ouvir suas histórias de vida e seus ensinamentos de homem justo, correto e trabalhador. Lutando contra um problema de próstata, sempre de olho na sonda que lhe acompanha, o velho senhor enumera seus passos que coincidiram com as passagens do cangaço e entre um misto de orgulho e de dono do seu tempo, ele conta histórias, encanta, recita versos, declama histórias completas aprendidas nos cordéis, relata fatos, emociona e emociona-se, considera suas andanças nas ásperas veredas que o sertão lhe impôs. Sábio cavalheiro de um tempo que tem perdido a oralidade dos fatos pela idade dos períodos corridos.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Testemunha ocular

Pesquisadores no Cariri entrevistam senhor que em 1927 presenciou Lampião na serra do Diamante, município de Aurora,CE.

Da Redação do Blog de Aurora e do site Cariri de Fato (JC)
Fotos: Karlos Marx

Os pesquisadores do cangaço José Cícero (Aurora) e Sousa Neto (Barro) visitaram no último domingo (15) o senhor Elias Saraiva dos Santos de 97 anos - uma das últimas pessoas ainda vivas que tiveram contato como Lampião, quando da sua passagem pela região, mais precisamente pelo riacho das Antas e no acampamento do bando na serra do Diamante no município de Aurora no ano de 1927.

Seu Elias Saraiva hoje residente na cidade de Milagres (CE) nasceu e cresceu no sítio Diamante de Aurora e, juntamente com seu pai esteve por várias vezes na presença de Lampião e todo o seu bando, quando este por mais de uma semana ficou arranchado no sopé da famosa serra. E de lá derivou para o serrote do Cantins e fazenda Ipueiras quando do primeiro encontro com Izaías Arruda, Zé Cardoso, Massilon Leite com vistas a planejar a invasão e saque da cidade de Mossoró- RN.

Pesquisadores, Sousa Neto (Barro). Sr. Elias Saraiva dos Santos  
e o anfitrião José Cícero (Aurora)

Na época com a idade de 10, disse ele que chegou a levar comida da sua casa para o rei do cangaço no esconderijo do Diamante. Algumas vezes na companhia do seu pai, outras, sozinho. Lembra inclusive, do dia que levou algumas pamonhas feitas por sua mãe - uma oferta segundo ele para o bandoleiro. Ao receber a encomenda, recordar ainda hoje que Lampião sorridente pôs a mão sobre sua cabeça e disse algo o elogiando pela sua esperteza de menino. Decerto, num claro gesto de agradecimento pelo seu trabalho e tantas idas e vindas pelas veredas da caatinga, entre a sua casa e o local onde Virgulino ficara acoitado com seus comandados. Lembra igualmente que ele (Lampião) metera a mão no bornal que levava a tira colo e, em seguida colocou na sua mão umas moedas dizendo que era para pagar o presente da sua genitora. De maneira que até hoje ainda tem Lampião como uma pessoa simpática e respeitadora.

Era corrido o ano de 1927, época que historicamente ficou marcada por uma série de acontecimentos relacionados a invasão de Mossoró, seguido do episódio relativo a suposta tentativa de envenenamento do bando Lampiônico, que redundou no cerco, tiroteio e incêndio da fazenda Ipueiras de Aurora. A famosa traição do coronel Izaías ao seu amigo Lampião. Trama ao que tudo indica, arquiteta pelo coronel Arruda e Zé Cardoso, tendo como pano de fundo o major Moisés Leite de Figueiredo – comandante das volantes que desde o malogro de Mossosó e, dentro do Ceará, ficará no encalço do bandoleiro.

A trama para a suposta traição


O plano "A" seria, primeiro a suposta infiltração de alguns elementos (jagunços do coronel) e soldados disfarçados no bando de Lampião. Desconfiado, Lampião junto com os seus não concordaram com a ideia. Veio então, depois o plano "B" o oferecimento da comida envenenada que ficou a cargo de Miguel Saraiva, tido em alguns escritos lampiônicos como vaqueiro de Zé Cardoso. Na verdade ele era um dos proprietários da região do Diamante e, por conseguinte, amigos do coronel Izaías Arruda e de Zé Cardoso da Ipueiras e Cantins. Depois Coxá. Tipi, Monte Alegre, Izaíras e Taveira... Mas não era vaqueiro de profissão.

Há quem diga inclusive, que conhecera Lampião e privou da sua consideração e confiança primeiro que os donos da Ipueiras. Sendo, portanto, apontado como o homem que primeiro em Aurora fez a ponte que levara o rei do cangaço sob os interesse de Massilon Leite ao célebre coronel, nascendo daí por uma série de outros interesses dos potentados da época, a terrível trama com vistas a invadir a cidade norte-rio-grandense.

Conhecera Massilon um pouco antes, em face da amizade daquele com os cangaceiros da terra, moradores do riacho das Antas, Coxá lá pelas imediações do Diamante. Sendo Massilon Leite, como se sabe, um dos principais artífices da empreitada com vistas a invasão de Mossoró.

Antes mesmo de Lampião beirar as terras da Ipueiras, alguns cangaceiros do riacho das Antes dentre os quais Zé de Lúcio, José Cocô, Zé de Roque e Antonio Soares já haviam incursionado nos bandos de Massilon, Décio Holanda do Pereiro e do Próprio Izaías Arruda, na época sob o comando do seu vaqueiro e conhecido homem de confiança de Missão Velho.

Seu Elias Saraiva – era filho de Zeca dos Santos - e este primo carnal de Miguel Saraiva.

A fazenda Ipueiras – foi palco de um dos episódios mais emblemáticos e notórios da história de Lampião, quando da sua incursão pelo Cariri cearense. O que culminou com a polêmica traição do coronel Izaías Arruda a Lampião. Fato ocorrido no começo da tarde do dia 7 de julho de 1927. Estando, portanto, por uma série de fatores, intimamente ligada ao acontecimento de Mossoró.

Certa feita, disse Seu Elias que estando Lampião com parte do seu bando na região de Cuncas no município do Barro onde participariam de um grande almoço oferecido por um rico fazendeiro do lugar, chega a notícias que o cangaceiro “Bom de veras” que vinha ao encontro de Lampião, acabara de assassinar um cidadão de bem nas proximidades da vila de Rosário. Simplesmente porque o tal cidadão, resistira em entregar seu cavalo ao cangaceiro.

A pessoa assassinada era também compadre do dono da fazenda. Ao saber da notícia Lampião ficou indignado. E mesmo com fome ordenou para que todo o bando se preparasse para partir. Ninguém comeria mais nada para que todos pagassem pela desfeita de “Bom de veras”.
- Não quero cabra covarde e nem malvado no meu bando, - 
Dissera o bandoleiro e logo, em seguida partiu contrariado, deixando as terras do Barro para trás.



Foi um conversa das mais proveitosas com o decano do Milagres o Sr. Elias Saraiva. Sobretudo para aqueles que sempre estão dispostos a aprender um pouco mais acerca da nossa verdadeira história.

Além de prestar uma palpitante entrevista o Sr. Elias ainda colaborou com informações preciosíssimas que, inclusive, serão utilizadas no livro “Lampião em Aurora – Antes e depois de Mossoró” que está sendo finalizado pelo professor e pesquisador José Cícero.
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Pesquei no Blog da Aurora

sexta-feira, 8 de junho de 2012

15 de Junho de 1927

A pisada de Lampião em Limoeiro

In História Política de Limoeiro

Segue o áudio de uma entrevista raríssima do juiz municipal em Limoeiro do Norte, (CE) quando da entrada de Lampião em sua cidade, o Dr Custódio Saraiva de Menezes, concedida a Agenor Ferreira, da Rádio Vale do Jaguaribe.


Foi meu grande amigo Luciano Klein me presenteou com essa rara entrevista. Esta é a 1ª parte da mesma. Logo o próximo capitulo tem muito mais curiosidades, bem como com outros depoimentos de remanescentes daquela época.

Talvez alguns amigos já conheçam essa material, mas para muitos deve ser uma novidade. A história não tem dono, portanto deve ser compartilhada.

Abraços
Aderbal Nogueira

sábado, 14 de maio de 2011

Lampião em Juazeiro do Norte

O Sr. Waldemar Caracas ex-funcionário da RVC (Rede Viação Cearense) é a personagem deste vídeo produzido por Aderbal Nogueira/Laser Vídeo que primordialmente é sobre a história da estrada de ferro no Ceará. No meio da conversa ele surpreende nosso amigo relatando um fato histórico "A entrada de Lampião em Juazeiro".



Obs. O Sr. Waldemar foi amigo do Cel. Izaías Arruda. Ele e o avô paterno de Aderbal Nogueira trabalhavam na estações de Aurora e Missão Velha na época do acontecido, mas isso será apresentado em uma outra postagem.

Adendo de Messier Aderbal
Quem tiver interesse em conhecer um pouco da história ferroviária no Estado do Coroné Severo acesse o link para o nosso documentário disponibilizado no youTube: O último apito - A história do trem de ferro no Ceará


Grande abraço a todos.
Aderbal Nogueira

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O cangaço em Flores, PE.

Sobrinha de membro da Volante fala do encontro com Lampião.

Com tantas evidências, município busca integração na Rota do Cangaço.

Na busca de provar a passagem de Lampião e seu bando no município de Flores, fomos até a casa de Maria Severa da Conceição, conhecida na localidade por Maria Grande. 94 anos. Dona Maria ganhou o apelido ainda jovem, no tempo do cangaço e nos revelou  o porque do apelido , como também do seu encontro com o cangaceiro e como seu tio,  Pedro Ferreira (Paisano), teria matado Livino Ferreira irmão de Lampião.

Confira o vídeo, reportagem de Alberto Ribeiro:



Pescado em:  Flores,PE.net

segunda-feira, 28 de março de 2011

Paciente misterioso

O médico e o cangaceiro? 

*Por Archimedes Marques

O autor solicita através do blog a atenção e ação dos vários confrades que tenham lido sobre atuações de cabras em fuga pelo "recôncavo baiano" que comentem apresentando as possibilidades sejam remotas ou com fundamento para quem sabe chegarmos a provável identidade destes.

Eis o texto...

A minha avó Helena Motta Marques, quando ainda com vida e lúcida, contava uma história ocorrida em Nazaré das Farinhas, cidade do sertão da Bahia, na madrugada do dia 27 de maio de 1929, época em que ela e o meu avô Archimedes Ferrão Marques, então médico, naquele município residiram por alguns anos.

O meu avô que era médico daqueles que de tudo fazia para ajudar as pessoas, além de ter um cargo estadual como sanitarista possuía também uma farmácia tipo drogaria onde atendia aos doentes e ali mesmo quase sempre manipulava e vendia os remédios que ele próprio receitava.

A farmácia que servia de aprendizado e de complemento de renda familiar lhe dava outros bens de consumo, além da satisfação de curar doentes e salvar vidas, vez que, quando os seus pacientes não podiam pagar com dinheiro, presenteavam-no com galinhas, patos, cabritos, porcos e outros animais. Assim eles viveram uma vida dura e simples em Nazaré das Farinhas naquele tempo de muito trabalho, mas também de boas realizações e excelentes lições de vida.

O meu avô Archimedes era muito caridoso e atendia qualquer um a qualquer hora, independente da pessoa ter ou não como pagar pela consulta ou pelo medicamento utilizado. Bastava bater na porta da sua casa que ficava anexa a sua farmácia, que ele medicava, fazia curativos, pequenas intervenções cirúrgicas, engessamento em traumatismo de pernas e braços e até partos realizava com o maior prazer possível. Era médico por vocação, amava a sua profissão e tentava seguir fielmente o Juramento de Hipócrates.

Naquele dia, mais de perto na calada da madrugada, em meados das primeiras horas, chegaram a sua casa dois homens montados a cavalo, um deles com um dente bastante inflamado e “urrando” de dor, querendo a qualquer custo que ele o arrancasse e lhe livrasse daquele atroz sofrimento. Não bastaram as desculpas do meu avô em dizer que somente poderia aliviar a sua dor, pois não era dentista e sim um médico e, além disso, nunca tinha arrancado um dente na sua vida, além de não possuir os instrumentos pertinentes necessários para uma perigosa extração como aquela demonstrava ser.

O homem desesperado puxou de um punhal dizendo que se ele não arrancasse o seu dente seria sangrado ali mesmo sem dó ou piedade. Diante do novo “argumento” não restou outra alternativa senão cumprir a vontade do bandido. Aflita e trêmula de medo a minha avó logo foi buscar um alicate comum na caixa de ferramentas e o colocou para esterilizar em água fervente, enquanto o meu avô aplicava injeção de morfina na boca inchada do intransigente paciente e depois de muito suor, desespero, gemidos e luta do alicate com a boca, o dente do cidadão finalmente foi extraído. Em seguida o meu avô fez uma boa limpeza em toda a boca infeccionada do paciente, aplicando-lhe uma injeção antibiótica e, recomendando por fim, além da higiene necessária, repouso absoluto nos dois dias seguintes.

O homem agradecido e aliviado, em demonstração de possuir algum sentimento, tirou um anel de ouro de um dos seus dedos e o deu como paga ou presente para o meu avô que então mais à vontade, criou coragem para perguntar pelos nomes deles, obtendo a resposta do outro cidadão acompanhante, que os seus nomes não lhe interessava e se ele tivesse juízo que ficasse calado sobre o ocorrido para não ter um dia a sua garganta cortada. Em seguida montaram nos seus cavalos e desapareceram no escuro da noite para sempre.

Por via das dúvidas, diante do iminente perigo da ameaça e com receio dos homens voltarem em vingança caso fossem denunciados e presos, os meus avós preferiram guardar segredo dos fatos durante o tempo em que naquela cidade permaneceram, não prestando queixa à Polícia nem tampouco comentando com vizinhos e amigos sobre o desespero e terror pelos quais passaram naquela noite.

Diz o velho ditado que não há um mal que não traga um bem. Assim, a lição e o exemplo vividos pelo casal que inclusive já tinha filhos menores, serviram para que o meu avô adquirisse os instrumentos dentários essenciais e passasse também a extrair dentes, sendo então, mais uma fonte de satisfação e caridade aos mais necessitados que passavam pela angustia dessa insuportável dor, além do somatório próprio da renda familiar, vez que no município não existia um dentista sequer. Contava a minha avó que por vezes a fila para extrair dentes era bem maior do que as consultas médicas tradicionais realizadas pelo meu avô Archimedes.

Quanto aos dois desconhecidos que a minha avó dizia ser de compleição física sertaneja e rude, de cor morena queimada pelo sol e que usavam roupas grosseiras com bornais de couro e outros apetrechos, nunca souberam de quem se tratavam.

Teriam sido cangaceiros desgarrados de algum grupo de Lampião ou teriam sido criminosos outros procurados pela Polícia?... Como não há nenhum registro de ataque ou presença de cangaceiros no município de Nazaré das Farinhas é mais provável a segunda opção.

A titulo de ilustração, transcrevo o breve currículo do meu avô, colhido no site http://linux.alfamaweb.com.br/asm/dicionariomedico/dicionario.php?id=31900:

Archimedes Ferrão Marques.

Nasceu em 2 de julho de 1892, em Salvador/BA, filho de Ernesto dos Santos Marques e Ana Ferrão Moniz Marques. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1917, defendendo a tese “Raspagem Uterina”. Iniciou suas atividades médicas em 1918, combatendo a epidemia de varíola que grassava em todo o interior da Bahia, sendo em razão disso nomeado Inspetor Sanitário do 10º Distrito da Bahia e membro da Comissão Sanitária Federal de Combate à Febre Amarela. Em seguida, ainda em Salvador, foi transferido para o serviço de Saneamento Rural, onde fez carreira como médico, subinspetor, inspetor e chefe de distrito e zona até dezembro de 1930. Nomeado Sanitarista do Ministério da Saúde, atuou na Delegacia Federal de Saúde da 5ª Região da Bahia. Transferiu-se para Recife, onde atuou na Delegacia Federal de Saúde e Inspetoria de Saúde dos Portos, durante a 2ª Guerra Mundial. Em 1945 é designado para a Delegacia de Saúde da 6ª Região, em Aracaju. Cumulativamente exerceu o cargo de médico da Caixa de Aposentadorias e Pensões da Leste Brasileira. Atuou como clínico e obstetra. Faleceu em 17 de março de 1968, em Salvador/BA, com 76 anos.

(*Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma fonte que seca

Morreu o sargento Elias Marques 

Faleceu hoje, 9 de fevereiro de 2011, na cidade de Olho D´água do Casado/AL, o sgtº Elias Marques da Silva,  Ele era um dos últimos remanescentes que lutou no combate de Angicos ( 28/07/1938), em que morreram "Lampião" e mais 10 cangaceiros.

 No último dia 13/01/2011 estivemos com o Sgt Elias, 
sendo esta, uma das suas últimas imagens

O Sgtº Elias tinha 96 anos de idade, nascido na cidade de Mata Grande/AL. Com 20 anos de idade entrou para a polícia de Alagoas, onde fazia parte da volante do Ten. João Bezerra, tendo se destacado em vários combates contra os cangaceiros do bando de Lampião, pois conhecia muito bem a região, e os hábitos dos bandoleiros.

O Sgtº Elias confidenciou que no dia do Combate de Angicos, os soldados beberam cachaça misturada com pólvora. Como recompensa por ter dado fim aos cangaceiros (Lampião e seu bando ), o aludido policial recebeu um conto e duzentos mil réis, e foi promovido a sargento.

Na vida política, foi Prefeito da cidade de Olho Dágua do Casado. Com a morte do Sgt. Elias, vai embora uma das últimas testemunhas oculares do Combate de Angicos, que deu cabo ao famigerado Lampião e seu bando.

O sepultamento ocorreu ás 16:00 horas desta quarta-feira, no cemitério municipal de Olho D´água do Casado/AL. Informação enviada por Jairo Luiz - Piranhas AL /Alcino Alves (escritor/pesquisador do cangaço) Renner Alves e blog Engenho de Notícias 

 Como diria um velho amigo "A fonte está quase seca"
Vá com Deus bravo sertanejo. 

Nossos votos de pesar a toda sua família. 

IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN