sábado, 30 de abril de 2011

O merecido descanso de Lima Barreto diretor de "O cangaceiro" 

Esta semana, recebi uma matéria jornalística editada pelo matutino “Folha de São Paulo”, do dia 25 de Novembro de 1982, intitulada: “O cinema perde Lima Barreto”.

Atento á notícia, e, após lê-la, fiquei indignado, quando constatei que "Lima Barreto" morreu na miséria e abandonado. O citado diretor / produtor do filme “o cangaceiro”, película brasileira de maior projeção no exterior, ganhadora em 1953, no festival de Cannes, dos prêmios de " melhor filme de aventura " e menção especial pela sua música , no final de sua vida, não teve auxílio nenhum dos órgãos de cultura, e, do governo brasileiro.

Sabe-se, que a "empresa Columbia Pictures”, após adquirir, por uma ninharia, os direitos autorais do citado filme, lançou-o no mundo, arrecadando até o ano de 1970, algo em torno de Us$ 200 (duzentos milhões de dólares), tendo o filme ganho, ainda, 36 prêmios internacionais.

Vejam, logo abaixo, o scan da matéria completa.












Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal- RN

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"Jesuino em evidencia" Amanhã visse?!

ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CANGAÇO EM CURRAIS NOVOS - RN
Coordenação de Dr. Epitácio Andrade e o Dramaturgo Ricardo Veriano 

29 de abril (sexta-feira), estaremos reunidos na Pousada Morada Nova, localizada na zona rural de Currais Novos,RN, a partir das 14 horas, para apresentarmos à imprensa e interessados por cangaço, uma relíquia que pode ter pertencido ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante: o seu punhal.



Durante as pesquisas que fundamentaram a elaboração do Auto de Jesuíno, apresentado em 8 edições no período de 2001 a 2008, em Patu/RN, terra natal do cangaceiro, o dramaturgo Ricardo Veriano foi presenteado com a relíquia, passando a utilizá-la como elemento cênico do Auto e a deixou sobre a guarda de um amigo. Posteriormente, folheando o Guia 4 Rodas, este pesquisador do cangaço localizou o objeto, já como constituinte do acervo museológico do antiquário Bina Toscano de Currais Novos, no Seridó Oriental.

Essa possível descoberta histórica se reveste de importância sócio-cultural, por completar o acervo de armas e objetos que pertenceram a Jesuíno Brilhante: a garrucha e a moringa estão na Casa de Cultura de Campo Grande/RN; o bacamarte Bargado está no Museu Lauro da Escóssia, em Mossoró/RN; o bacamarte de cano longo, pertence ao acervo do autodidata Júnior Marcelino, em Martins/RN; e finalmente, o punhal ora localizado.

Ainda sobre a relevância histórico-social da possível descoberta, abrem-se perspectivas para, aprofundando-se as discussões teórico-práticas sobre o cangaço de Jesuíno Brilhante, colocar os seus principais algozes, "Os Limões", como protagonistas desta fantástica epopeia, visto que a relíquia pode ter pertencido a um membro deste clã.

O evento começará com a apresentação do punhal feita pelo antiquário Bina Toscano, seguida da exposição sobre o referencial bibliográfico e cordelístico feita por Epitácio Andrade acerca das passagens históricas das ações cangaceiras de Jesuino utilizando o punhal, para logo em seguida, Ricardo Veriano apresentar as características e a origem do objeto.

Seguindo-se com a estimulação de um debate com operadores de cultura, interessados em cangaço, para testar a autenticidade da descoberta.

O evento vai ser sequenciado com a apresentação da dissertação de mestrado: “Lugares de Memória – Jesuíno Brilhante e os Testemunhos do Cangaço no Oeste do Rio Grande do Norte e Fronteira Paraibana”, da Professora Lúcia Souza, defendida e aprovada, no final do ano passado, na pós-graduação de Geografia da Universidade Federal da Paraíba. Após a apresentação, os estudiosos do cangaço Gil Hollanda, Honório Medeiros e Emanoel Cândido do Amaral, dentre outros, farão questionamentos à Professora acerca da aplicabilidade de sua formulação científica.


 Pesquisador Emanoel Cândido do Amaral (Foto: DHNET)

  
A confirmação da participação de integrantes da Família Limão, que ficou notabilizada na literatura do cangaço como os principais algozes do cangaceiro Jesuíno Brilhante, dará um caráter histórico ao evento. O Radialista Stannyslaw Izídio de Lima apresentará dados sobre Preto Limão, que comandou a emboscada fatal que vitimou o cangaceiro no município de São José de Brejo do Cruz/PB, em dezembro de 1879. 

Luiz Soares de Lima, secretário de educação e cultura de Santana do Matos/RN, e Chico Limão apresentarão informações sobre a comunidade negra da Pimenteira (o território atual dos Limões) e sobre o Poeta Zé Limão.

Para concluir esse bloco de discussões, a historiadora Maria do Socorro Fernandes da Cruz anunciará a retomada do projeto de dissertação de mestrado sobre a participação do grupo étnico representado pela família Limão, na resistência ao recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai e na Revolta dos Quebra-quilos, sob a orientação do Antropólogo Geraldo Barbosa Júnior, especializado em cultura afro-brasileira e indígena.


Epitácio Andrade mostra Limões de Patu aos Limões da Pimenteira 
Foto: Josivaldo Araújo
  
Seqüenciando as discussões o Psiquiatra Epitácio Andrade começará as atividades culturais apresentando um achado do pesquisador Emanoel Amaral, durante as pesquisas para a elaboração final da cartilha “Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos”, cuja autoria é dividida com Aucides Sales, consistindo em peças museológicas coletadas no Sítio Patu-de-fora, nas ruínas da casa do Coronel João Dantas de Oliveira, principal articulador da emboscada que ceifou a vida de Jesuíno Brilhante.

 Peças Museológicas da casa do Coronel João Dantas – Sítio Patu de Fora 
(Foto: Tiara Andrade)
  
A programação do evento ainda envolve a apresentação do Filme “Jesuíno, o cangaceiro”, de William Cobbett; Mostra do Espetáculo Teatral “O Auto de Jesuíno”, de Ricardo Veriano em DVD; Recital com cordelistas; apresentação do Documentário “O Lugar da Morte de Jesuíno Brilhante”, de Epitácio Filho; e a retirada de encaminhamentos para a realização do Fórum Potiguar e Paraibano do Cangaço, que deverá ocorrer na Região Seridó, ainda este ano.

Procurando respaldar o encontro do ponto de vista da política cultural, solicito a Vossas Senhorias o apoio presencial e de outras formas que melhor lhe convier para a viabilização do intento.

Saudações Cangaceiras,
Epitácio de Andrade Filho
Médico Psiquiatra Sanitarista
Pesquisador do Cangaço e sócio da SBEC.



Maiores informações:
epitacioaf@hotmail.com
(84) 9641-1044     

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Prazer em conhecer: Lampião Aceso entrevistou o pesquisador e escritor Sabino Bassetti 

Ele tem nome de um dos mais famosos cabras de Virgulino, O Pesquisador e scritor José Sabino Bassetti, 69 anos, é Paulista de Piracicaba, representante comercial aposentado na ativa.

Sua entrada no cangaço se deu em 1951. Mergulhou na história através de um empregado do seu pai que havia sido "cangaceiro de Lampião". Um dos vários que migraram para o Sul. Este cabra não esteve em Angico, dizia ter entrado para o bando em 1936 e desertou no ano seguinte. Apesar da intimidade ele não deu maiores detalhes. Nem Sabino nem o pai conseguiram identificá-lo, sabiamos apenas o seu "nome de Batismo" Joaquim dos Santos. Levou o vulgo para o túmulo.


Depois de um tempo mudou -se para a cidade, começou a frequentar as bibliotecas e é quando encontra o Lampião de Ranulfo Prata inciando um ciclo de leituras que dura até os dias de hoje.

Conheci Sabino no último Seminário em Paulo Afonso onde ele esteve lançando oficialmente seu primeiro livro e o intimei para esta cruzada de peixeira.

Então apresente suas crias!
- Uma apenas. Lampião - Sua morte passada a limpo. Em parceria com  o amigo Carlos César Megale lançado em Janeiro deste ano.



Livro Preferido de outro autor?
- Guerreiros do Sol. De Frederico Pernambucano de Mello. Trata-se do livro mais abrangente sobre o tema.



Com João de Sousa Lima na Casa de D. Generosa

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro?
- Lampião - O rei dos cangaceiros - Do norte americano Billy Jaynes Chandler.


Local onde Corisco sacrificou parte da família Ventura.

Com quantos personagens desta história você teve contato?
- Poucos. Sila, Criança, Candeeiro, Joaquim Santos, Antonio Jacó, sargento Elias Marques, Antonio Vieira, Maria Ferreira. E destaco uma testemunha pouco explorada como o caso do Vicente Nascimento.


Pausa para um café: Sabino, Candeeiro e Elisa.

Qual destes contatos foi, ou foram, os mais difíceis?
- Nenhum. Ou poderia citar o "Criança", ele não respondia a nada do que questionávamos era de um silencio ensurdecedor.

Qual o contato que não foi possível e lhe deixou de certo modo frustrado?
- Até hoje não consegui conversar com o ex cangaceiro "25" que está vivo residindo em Maceió.


Local da morte de Pedro de Cândido

Com quem gostaria de ter conversado?
- Com o Chico Ferreira.


Ferreira de Melo

Qual é o seu capitulo?
- Angico. Por toda essa polêmica em torno dos fatos. E na possibilidade de uma segunda edição do nosso trabalho prometemos inserir outras fotos e conteúdos de documentos pessoais de alguns dos envolvidos na Volante.


Com Jairo Luiz em Angico.

Um cangaceiro (a)?
- Luiz Pedro.


O fiel Luiz, é quase hunanimidade entre os pesquisadores.

Um volante?
- Chico Ferreira.

Um coadjuvante?
- Zé Lucena.


José Lucena de Albuquerque Maranhão

Uma personagem secundária? Parecia ter bom papel, mas não passou de figurante.
- Durval Rosa.


Com seu João na Lagoa do mel. Morte de Ezequiel

Geralmente todo pesquisador é colecionador qual é o foco de sua coleção?
- Não. Nada de importante. Ganhei um punhal de 75 cm. que segundo o doador ele tenha pertencido ao Jacaré  um dos acusados como assassino do Industrial Delmiro Gouveia, e irmão do cangaceiro Moreno.
 
Antiga sede da fazenda Patos
Entre as peças tem alguma relíquia?
- As primeiras edições de algumas importantes obras (talvez sejam relíquias)


Casa onde morou Pedro de Cândido.

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário enfim sem exagero da ficção lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia, enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou?
- Corisco e Dadá. (mas entenda, apenas como comédia, pois, o filme é ruim demais)

Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?
- Não gostaria de citar para não ofender o autor, mas, existem várias idiotices escritas.


Fazenda Arrasta pé. Berço da cangaceira Durvinha

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”, “João Peitudo, filho de Lampião”, “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?
- De fato, a paternidade de Ananias me chamou a atenção devido a seriedade de quem levantou a lebre.


Com Antonio Rodrigues, atual proprietário da fazenda Patos.

E Lampião: morreu baleado ou envenenado?
- Lampião morreu do jeito que se conta... baleado, mas será que ainda alguém duvida disso? Esse Lampião de Buritis? Foi o maior absurdo que eu já ouvi nos últimos tempos.
  
Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?
- Francamente, gostaria de escrever sobre Sinhô Pereira, pois, pouco se escreveu sobre ele. Mas apenas gostaria.


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O cangaço em Flores, PE.

Sobrinha de membro da Volante fala do encontro com Lampião.

Com tantas evidências, município busca integração na Rota do Cangaço.

Na busca de provar a passagem de Lampião e seu bando no município de Flores, fomos até a casa de Maria Severa da Conceição, conhecida na localidade por Maria Grande. 94 anos. Dona Maria ganhou o apelido ainda jovem, no tempo do cangaço e nos revelou  o porque do apelido , como também do seu encontro com o cangaceiro e como seu tio,  Pedro Ferreira (Paisano), teria matado Livino Ferreira irmão de Lampião.

Confira o vídeo, reportagem de Alberto Ribeiro:



Pescado em:  Flores,PE.net

domingo, 24 de abril de 2011

Fogo da Abóbora - 82 anos

A Morte de Mergulhão 

Por Rubens Antonio

A 7 de Janeiro de 1929 travou-se o combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, BA, lembrado pela morte de Mergulhão, (foto) cujo nome real era Antônio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa. Da visita ao local pode colher alguns depoimentos e bater algumas fotos.

Antecipando algo do material, observo que a povoação está muito mudada, em relação ao contexto de então, mas há muitos elementos reconhecíveis e outros identificáveis através de testemunha ainda viva dos eventos.

Sabemos que o fogo se deu quando a volante chegou e os cangaceiros dançavam em uma casa, num forró.

A causa do forró, na verdade, era alheia aos cangaceiros. Era festejo local pela construção de uma nova "armação" para a feira do povoado, que, na verdade, não passava de uma arranjo descontínuo e desordenado de casas mais esparsas. O cemitério local foi o sítio de maior destaque, onde morreram os dois policiais, soldados José Rodrigues e Manoel Nascimento.

Segundo a autópsia:
"José Rodrigues, com um ferimento com orifício de entrada na região dorsal superior e orifício de saída sobre o mamillo direito; Manoel Nascimento com três tiros; um que penetrava entre a 6ª e a 7ª lombar, com destruição das anças intestinais e orifício de saida sobre a crista illiaca com fractura; outro na região anterior direita do thorax e outro na região cervical esquerda."


Tira-gostos:
"BUM! PÁ! PÁ! Foi papoco pá peste! E isso de que a puliça abriu a cova do cangacêru é mintira! Só tiraram os mininu da puliça mesmu e trabaiaru e colocaru di vorta... O cangacêru mexeram nele não! Ficou a cova lá fechadinha!"
"Aquele Calais! Êta cabra faladô! Mas nas ora dos papôco, mais dispois, ô cabra pra corrê! Faladô prezepêru... mas covarde que nem só ele mesmu!"
"E no tiroteio que teve lá adipsois? Na curva? Foi anos depois... Eu ainda lembro da curva... O Azulão era uma peste muito bom de pontaria... Acertô bem na testa da burra... ô pontaria do cão!"
"Sabe o que eu achei ingraçado? Adispois de muitos anos, aqui, pra fazê esta rua nova, sabe quem trabaiô? o Bem-ti-vi... que foi também cangacêru... Trabaiô pra fazer a terraplenagi... Era muito sorridente... Simpático... Foi até lá.. Oiô a sepultura do Merguião... Falou nada não... Só ficou quietu oiano..."

Os detalhes do evento consegui lá mesmo em Abóboras a partir do relatório do tenente Othoniel.
Sobre as descrições dos cadáveres, a partir do exame do legista Anísio Teixeira.


Edilson dos Santos, proprietário do terreno, aponta a localização da sepultura do cangaceiro Mergulhão.

O esquema que fiz acima é uma indicação relativamente precisa...Posteriormente publicaremos outros depoimentos; Tomei dois, porque agregavam praticamente tudo o que os outros diziam...
São o do senhor "Joãozinho", que presenciou o fogo... está quase cego, mas enxergando o suficiente para, acompanhado do filho, me conduzir e indicar o sítio do cemitério... e o Manoel, que é um jovem que herdou o terreno onde foi sepultado Mergulhão...


 Rochedo em que Lampião e Ezequiel se apadrinharam para disparar contra a volante, que se encontrava no Povoado de Abóboras.  A posição da volante era aproximadamente a da caixa d'água vista ao longe, entrincheirada no antigo cemitério.
 

João Alves Guimarães apontando localização da entrada do antigo cemitério. As pedras diante dos seus pés são do antigo portal.

A terraplenagem e a pavimentação foi feita somente com a retirada das lápides. Portanto, o restos dos sepultos ainda estão aí. Próximo à quina branca que se vê à esquerda estão sepultados os restos de um dos soldados mortos no tiroteio. Seguindo-se em frente, em direção à rua, encontram-se os restos do outro soldado.


 Monumento em praça de Abóbora



 Detalhe da placa


Uma coisa é interessante nas abordagens de campo..

Olhando Abóboras... e andando... localizando os pontos em que se abrigaram os cangaceiros e a volante... percebi o seguinte... A distância entre o cemitério.. e onde Ponto Fino e Lampião estavam, disparando contra eles, é de cerca de 150 a 180 metros... Acertar alguém desta distância é braba...

Luiz Pedro estava disparando deitado em um descampado a cerca de 100 a 120 metros ... Era o que estava menos protegido.

Os outros dois cangaceiros envolvidos, Mergulhão e Corisco, partiram de cerca de 150 metros, em movimento diagonal, até chegarem ao cemitério. Ali, na quina, Mergulhão recebeu o tiro que o derrubou. O tiro seccionou seu húmero e rasgou as veias e artérias do braço, causando a hemorragia que o matou.
Os dois policiais vitimados fatalmente, conforme o depoimento do seu João, foram atingidos quando tentavam pular o muro do cemitério e usá-lo como entrincheiramento... por disparos vindos de Lampião e/ou Ezequiel, daquela distância toda... 150 a 180 metros... Imaginem só... O cemitério tinha muro de madeirado, só tendo em pedra o portal.

Praticamente todos os volantes... além dos dois mortos... mais seis praças, um sargento e o tenente, foram baleados. Entraram em fuga.

O estudo de campo mostra que Mergulhão foi morrer a cerca de 180 a 200 metros de onde foi alvejado...
Foi enterrado praticamente no local em que tombou.

Ele chegou a ser ajudado por dois cangaceiros que o carregaram, e foi assim que os habitantes o viram ser levado e adentrar a caatinga... mas, como visto na distância, não conseguiram ir muito longe...

Quem o encontrou, ainda agonizando, foi um viajante que vinha chegando a Abóboras. O cangaceiro parece ter tentado se esconder atrás de um amontoado de xique-xiques... Olhou o viajante e disse:
- Quem está falando aqui é homem...
Tirou do bolso um canivete e estendeu para o viajante... e expirou.

Abraços!
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Rubens Antonio é Professor e palestrante sobre História Geológica da Bahia, Antropologia, Geologia, Epistemologia, Metodologia do Trabalho Científico, História da Ciência.


CRÉDITOS:
Artigo pescado na comunidade "Cangaço, Discussão Técnica" de compadre Ronnyeri.

*Foto de Mergulhão foi cortesia de Ivanildo Silveira.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Roteiro histórico em Alagoas

Feliz aniversário, Água Branca!

Por Ana Lúcia


Erguida entre belas serras que corriam águas límpidas e claras, com uma altitude de 570 metros a cima do nível do mar e segundo ponto mais alto do Estado de Alagoas, a cidade de Água Branca de clima semi-árido é uma das cidades mais lindas do sertão alagoano.

Desde que o capitão Faustino Vieira Sandes desbravou o município que pertencia à sesmaria de Paulo Afonso Província alagoana conhecida por Mata Grande. 

Água Branca teve sua fundação em 1875. Neste ano de 2011, ela completa 136 anos de História. Antes denominada Mata Pequena, Matinha de Água Branca e finalmente Água Branca, tem em seus entornos belíssimos casarios do século XIX e XX e encantadores conjuntos arquitetônicos que fazem da cidade de Água Branca conhecida pela sua História, cultura, eventos e poesia como também de um povo acolhedor.

É a cidade que cheirava a mel como dizia os mais saudosos, pela produção do mel de engenho e rapadura que bem ao longe dava para sentir o cheiro doce da iguaria.

Cidade historicamente importante, Terra do Barão e da Baronesa de Água Branca, Terra de Corisco famoso cangaceiro, Terra que ceifou a vida do pai de Virgulino o velho José Ferreira, enfim, Terra que serviu como palco de um audacioso assalto cometido por Lampião na residência de Dona Joana Vieira Sandes, viúva do Capitão - mor Joaquim Antonio de Siqueira Torres no dia 26 de Junho de 1922.

 O Solar da Baronesa

Este episódio levou o pouco conhecido Lampião a se tornar o famoso bandoleiro das caatingas sertanejas no homem mais midiático, admirado e odiado desde então.

24 de Abril de 2011, domingo de Páscoa. Mistura de fé e euforia pela passagem da Páscoa e Via Crucis que relembra a vida, morte e ressurreição de Cristo e euforia em comemorar a passagem dos 136 anos do município com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, padroeira local.




Diante de tudo isso, é preciso ressaltar que o município só dispõe da Lei Municipal de número 447/71 que rege o tombamento municipal do Centro Histórico e Ecológico e que, a nível estadual ainda não possui esta lei, que ainda caminha para ser promulgada, fato este lamentável  porque a cidade merece uma atenção especial por parte do governo estadual pelo seu merecimento, afinal, Água Branca é um dos cartões postais mais belos do Estado e de valor histórico inestimável por fazer parte da rota do cangaço. 

Preservar e respeitar o Patrimônio Histórico Cultural é indiscutivelmente um dever de todos e de toda a sociedade. Parabéns a todos os aquabranquences!


Ana Lucia Granja de Souza
Historiadora e Pesquisadora

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pesquisadores descobrem relíquia de Jesuíno Brilhante 

O Pesquisador do Cangaço Epitácio Andrade e o Dramaturgo Ricardo Veriano descobriram uma relíquia que pode ter pertencido ao cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante, que nasceu no Sítio Tuiuiú na zona rural de Patu, RN, em 02 de janeiro de 1844, e morreu em dezembro de 1879, no lugar denominado Serrote da Tropa, na comunidade Santo Antônio, no município paraibano de São José de Brejo do Cruz.              
        


Pesquisadores ressaltam descoberta cultural. Foto: Cleiton Fernandes    
                 
A descoberta começou durante as pesquisas que fundamentaram a elaboração do “Auto de Jesuíno”, de autoria de Ricardo Veriano, apresentado na Feira da Cultura de Patu, no período de 2001 a 2008, quando o autor foi presenteado com um pequeno punhal, que passou a utilizá-lo como elemento cênico da obra teatral.
                  
Durante certo tempo, o teatrólogo deixou a relíquia sob a guarda de amigos. Posteriormente, o pesquisador Epitácio Andrade localizou, no Guia Quatro Rodas, edição de 2008, o apetrecho do cangaceiro, já fazendo parte do acervo museológico da Pousada Morada Nova, do antiquário Bina Toscano, localizada no km 05 da BR 226, na zona rural de Currais Novos, no Seridó Potiguar.
                            

Relíquia do Cangaceiro Jesuíno (Reprodução: Guia Quatro Rodas)
                   
Para o psiquiatra Epitácio Andrade, a descoberta deste objeto vem reforçar a estratégia de desenvolver “Lugares de memória” do cangaço, como recomenda a Professora Lúcia Souza, autora da dissertação de mestrado: “Seguindo os Passos do Cangaceiro Jesuíno Brilhante no Oeste do Rio Grande do Norte e Fronteira Paraibana”, aprovada com distinção, na capital paraibana, em dezembro do ano passado, na Pós-graduação de Geografia da Universidade Federal da Paraíba.
                         

Professora Lúcia defende lugares de memória do cangaço. (Foto: Tiara Andrade)
                    
Defensor do resgate do protagonismo histórico dos algozes de Jesuíno, “Os Limões”, Andrade afirma que a relíquia pode ter sido preservada por descendentes deste clã, por outro lado, o fato de ter feito parte, como elemento cênico, da mais importante obra teatral produzida sobre o mais famoso cangaceiro potiguar, justifica a desenvoltura do Sítio de memória, representado pelo acervo desta pousada rural.
                    
Buscando aprofundar as discussões teórico-práticas sobre a autenticidade da descoberta, os pesquisadores estão convidando a imprensa e interessados sobre cangaço, para um encontro frutífero e realizador, a ocorrer no próximo dia 29 de abril, a partir das 14 horas, na Pousada Morada Nova, em Currais Novos, na região do Seridó Oriental do Rio Grande do Norte.  

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ADENDO:
Independente da autenticidade da peça o Lampião Aceso se regozija com os nobres e empenhados vaqueiros da história de Jesuino. Solicitamos o apoio e prestígio dos rastejadores mais próximos especialmente os nossos confrades Ivanildo Silveira e Rostand Medeiros e principalmente o não tão próximo, mas por se tratar de um defensor da memória "Jesuinista" o confrade Júlio Schiara na possiblibilidade se fazerem presentes ao evento.  

Mais uma vez agradecemos a atenção e convite do amigo Dr Epitácio. Lamentando nossa ausencia por motivos de compromisso profissional no período. 


Att Kiko Monteiro 

Maiores informações:
Epitácio Andrade
epitacioaf@hotmail.com
(84) 9641-1044

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando as balas lhe alcançaram

Ferimentos sofridos por Lampião + bônus de foto inédita


Cópia de foto original encontrada no bornal de Lampião, após sua morte. A aludida foto, está arquivada no instituto histórico e geográfico de Maceió, e, certamente, foi feita pelo árabe Benjamin Abrahão nos idos de 1936/1937.


Obs.: as "legendas existentes na foto ", foram por nós acrescentadas, para ilustrar, os " ferimentos a bala ", sofridos pelo rei do cangaço, em mais de 200 combates ocorridos com a polícia.

A descrição dos " ferimentos " de Lampião , encontra-se inserida no livro " Quem foi Lampião " pg. 151, do renomado pesquisador/escritor, Frederico Pernambucano de Mello .

1921 - Ferimento a bala no ombro e na virilha , ambos transfixante, com tratamento conduzido por médico ( doutor Mota), tendo a ocorrência se dado no município de Conceição do Piancó/Paraíba.


1924 - Ferimento a bala no dorso do pé direito , transfixante, com tratamento conduzido por dois médicos ( doutores José Cordeiro e Severiano Diniz ), a ocorrência se deu na Serra do Catolé, município de Belmonte, PE.


1926 - Ferimento a bala na omoplata , leve, com tratamento caseiro, tendo a ocorrência se dado em Itacuruba, no município de Floresta, PE.

1930 - Ferimento a bala, no quadril , leve, com tratamento caseiro, tendo a ocorrência se dado em Pinhão, na época distrito de Itabaiana, SE.


Fonte: Depoimentos de ex-cangaceiros e amigos, conforme indicação bibliográfica, mais dados colhidos da caderneta de apontamentos de Benjamin Abrahão, item g.1. (obra citada ) .

Um abraço a todos.

Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um ensaio fotográfico pelo sertão que Lampião pisou



Imagens: Márcio Vasconcelos
Narração: Zeca Baleiro
duração 11:30min.

Diário do pesquisador

Da Piçarra à Paulo Afonso, 
uma viagem inesquecível 
Por José Cícero


Em nossa recente viagem com destino a Paulo Afonso na Bahia, onde participamos do Seminário comemorativo ao Centenário de Maria Bonita - 2011 – Eu, Manoel Severo, Bosco André e o bonapartiano Francês Jack de Witte fizemos uma proveitosa parada na fazenda Piçarra no município de Jati. Tudo ciceroneado por nosso timoneiro-mor Manoel Severo - o cara do Cariri Cangaço.

De pronto, formos recebidos com a maior das afabilidades sertanejas. Até porque o mestre Severo é, por assim dizer, um antigo conhecido do atual proprietário Vilson Santana, este, por sinal, neto do afamado Antonio da Piçarra que, de quebra, foi durante muito tempo um dos maiores coiteiros de Lampião nesta parte do Cariri cearense. Já estávamos nos limites do Jati nas confluências de Porteiras das Guaribas e Brejo Santo.

Vilson ou "Vilsinho" é o anfitrião e guardião da história da Piçarra
Como excelente prosador, após as apresentações de praxe, o dono da casa falou-nos da relação do seu avô com Virgulino, esmiuçando informações das mais preciosas, justamente, para quem deseja compreender no seu nascedouro a história, muito além das invencionices mirabolantes dos que escrevem (às vezes) sem muita preocupação com a veracidade dos fatos e seus desdobramentos futuro.

Diga-se de passagem, muitos dos ricos relatos daquele jatiense amigo, além de inéditos, não os encontramos facilmente na chamada historiografia oficial do cangaço por toda sorte de motivos... Por isso; eis a grandeza daquela inopinada visita. Algo que, ao meu ver, já valeria a pena tê-la empreendido em toda a sua aventura.

Uma proesa engendrada pelo mestre Severo e que muito agradeço por tê-la vivenciado em todos os seus momentos.

Na Piçarra abraçamos a história como se diz, em carne viva. Ainda, com direito até mesmo, a sentarmos no velho banco centenário da casa. Uma relíquia das mais interessantes e rara aos estudiosos contemporâneos. Pois naquele banco de madeira carcomida pelo tempo, um dia certamente sentaram para um dedo de prosa, além do seu dono(Antonio da Piçarra) o tenente Arlindo Rocha e, quiçá o próprio rei do cangaço com seu bando quando das diversas vezes que descansaram por aquelas bandas com destino ao Pernambuco ou quando adentrou o sul do Cariri na busca da Serra do Mato na Goianinha (Jamacaru) do Coronel Santana de Missão Velha, Juazeiro do Padre Cícero, Barro de Zé Inácio ou o aprazível coito na célebre fazenda Ipueiras do coronel Izaías Arruda em Aurora.

Sentar-me naquele banco antigo, foi como voltar no tempo. Um momento especial, daqueles que nos enchem de memórias e de orgulho... Ouvindo a fantástica narrativa do seu atual proprietário. Era como se estivéssemos efetuando um grande mergulho no fundo escuro da história em vários flash back.

José Cícero, Bosco André, Jack de Witte e Vilson Santana
Registramos tudo por meio de anotações, gravações e fotos. Reversamos-nos e no ofício de fotógrafo (Eu e Severo) a la Benjamim Abraão que se embrenhou na caatinga na busca imagética de Lampião. Tamanha era a minha sensação daquele instante. Quem sabe, na mesma sofreguidão de seres apressados sempre preocupados com o fantasma do esquecimento e a exiguidade do tempo e da própria vida.
Mas, não somente isso. Creio que nossa maior preocupação e cuidado continuava sendo de fato, com a preservação de uma saga que a posteridade não poderá por nenhum motivo deixar de conhecer. E, que de algum modo, nós é que seremos os responsáveis por sua continuidade ou pelo seu desaparecimento no futuro. (...)

Foi uma viagem das mais ricas e proveitosas. Daquelas que nunca voltamos do mesmo jeito. Posto que assimilamos uma série de novos e importantes conhecimentos. E isso não tem preço, já que de algum modo especial nos valem por uma vida inteira...

E assim seguimos estrada afora. Jack, o pesquisador francês, queria ver caatinga, mandacarus, xiquexique, coroa-de frade, enfim, todas as nossas cactáceas em seu conjunto biomático. Talvez quem sabe, tentando enxergar por meio delas, todas as agruras e o sofrimento de uma gente , cuja própria Europa, possivelmente um dia só a (re)conheceu como miseráveis.

Mas não. Jack com seus próprios olhos cor de anil, logo pôde finalmente constatar que o sertão que os outros o dizem de longe, é uma invenção. Uma miragem das mais espinhentas quase teatralizada. Repleta de ‘segundas intenções’. Agora a realidade que ele praticamente tocava com as mãos era um universo de grandes verdades em meio as novidades que o absorvia em seus mistérios. - O sertão é "marravilhoso", expressara ele com uma literal enxurrada de admiração nos olhos.

De alguma maneira, diria que o amigo francês, entusiasta da história lampiônica, ficou extasiado pela constatação inequívoca de um sertão belo e possível, muito além das invenções mentirosas dos poderosos, tanto daqui quanto do além-fronteira.

Vilson Santana, Bosco André, Jack de Witte e Manoel Severo
De tal sorte que, um pouco mais a frente, após avistar toda a grandeza do São Francisco, sob o indicativo quase sempre em riste do memorialista Bosco André, Jack certamente provaria com entusiasmo da implacável assertiva conselheira de “o sertão vai virar mar”... E o sertão era, de fato o verdadeiro do místico Conselheiro diante dos nossos próprios olhos. Confesso que eu também via tudo aquilo, como se enxergasse pela própria perspectiva do nosso amigo de France.

Prolixo e produtivo diálogo, foi toda aquela viagem... Conquanto, sempre ao volante, imerso em um turbilhão de palavras e explicações pertinentes; Severo já se transformara no guia do grupo. Com sua contagiante alegria de neocangaceiro querendo com seu conhecimento nos abastecer de informações. E assim seguíamos por assim dizer, os mesmos passos de Lampião e seu bando pela história afora. Pela caatinga e pela vida adentro... O velho Chico nos perseguia sempre de lado como a encher nossos olhos de sonhos e utopias.

E eu, muito mais em silêncio mergulhava-me deveras em pensamentos. Vislumbrando todo aquele inusitado ambiente que assim como Jack, também ali o conhecia pela primeira vez.

E assim divagava comigo mesmo: Quanto este Brasil é grande! O São Francisco imenso. E Lampião, uma figura singular que conseguiu vencer por sua ousadia e inteligência todas as fronteiras do mundo e do tempo sem ao menos sair deste Nordeste.(...)

José Cícero é Secretário de Cultura de Aurora-CE e Pesquisador do cangaço

Pescado no açude de cumpadi Zé Ciço : Blog da Aurora

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Folhetim Global difunde a literatura de cordel

Novela "Cordel Encantado" comete alguns pecados em nome da licença poética

Por Arievaldo Viana


 O chefe de cangaço "Herculano".
Seria este cabra irmão de João de Sousa Lima ? 
Foto: Divulgação

Apesar de bem-resolvida visualmente, a trama de Duca Rachid e Thelma Guedes que mistura sertão e contos de fada, poderia ter evitado alguns deslizes e valorizado mais o Romanceiro Popular Nordestino.
O primeiro deslize já começa na abertura... Apesar das xilogravuras em movimento, bem no clima da Literatura de folhetos do Nordeste, a música de Gilberto Gil e Roberta Sá não se encaixa bem na proposta. Pusessem um Alceu Valença, um Ednardo ou um Zé Ramalho para compor aquela trilha e a história seria outra. Aliás, eu vou mais longe... Para dar mais autenticidade ao folhetim, as vozes mais adequadas para aquela abertura seriam MESTRE AZULÃO ou OLIVEIRA DE PANELLAS. Estes sim, entendem de cordel, porque são do ramo e conhecem as toadas mágicas dos velhos folheteiros.

Segundo a crítica especializada, o primeiro capítulo da novela Cordel Encantado foi um dos mais bem resolvidos da atual teledramaturgia brasileira. Com a moral garantida junto à direção Globo por conta do sucesso de Cama de Gato, exibida no horário das 18h em 2010, a dupla de autoras Duca Rachid e Thelma Guedes voltou à faixa horária misturando monarquia e sertão nordestino na passagem entre os séculos 19 e 20.

O pecado fica por conta dos sotaques, mas uma vez exagerados, estereotipados, distantes da realidade da maioria dos Estados da Região Nordeste. Parece que, para o povo do Sudeste, o único sotaque que prevalece é aquele do baiano preguiçoso de fala cantada.

COISA DE CINEMA

Outra coisa que surpreendeu foi a qualidade das imagens. Por conta da captação de 24 quadros por segundo, a novela é a primeira a ter ares de cinema. Isso ficou evidente na alta definição das imagens panorâmicas gravadas na França e no Sergipe e nos closes generosos no elenco. Mas aí, vem o segundo pecado.

Enquanto o figurino do núcleo de SERÁFIA está impecável, a indumentária dos cangaceiros passa é longe dos trajes usados por Lampião e seu bando. Estão mais para vaqueiros desajeitados, com enormes gibões medalhados e perneiras, chapéus de sola (e não o tradicional chapéu de couro do cangaço).

Pode-se dizer que é por conta da licença poética, mas quem conhece a riqueza pictórica do cangaço nordestino: As roupas e bornais bordados magistralmente por Dadá e outras cangaceiras acha que o figurino dos cangaceiros globais está paupérrimo em termos de encantos visuais.


Pescado por Kydelmir Dantas em: Acorda Cordel

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Fundação Cultural Cabras de Lampião informa!

Guerreiros do Sol nas veredas do Cangaço

Uma trupe de artista da Terra de Lampião sai pelo sertão afora homenageando os grandes cangaceiros que escreveram a história dos homens bravos do Nordeste. Na bagagem carregam recitais de poesias, feira de artesanatos e apresentação do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião. É o Projeto GUERREIROS DO SOL: NAS VEREDAS DO CANGAÇO, que visa fortalecer a identidade cultural do homem sertanejo.

ROTEIRO

Afogados da Ingazeira (PE)
homenageando Antonio Silvino, no dia 28 de abril/11. (NO CINE TEATRO SÃO JOSÉ).
Sousa (PB)
Saudando Chico Pereira, filho de Nazarezinho, no dia 06 de maio/11. (NO ESPAÇO CULTURAL BANDO DO NORDESTE).
Serra Talhada (PE)
Cidade de Lampião, no dia 13 de maio/11. (NO MUSEU DO CANGAÇO).
Piranhas (AL)
Homenageando Corisco, nascido em Mata Grande, será no dia 20 de maio/11. (NO CENTRO CULTURAL E NO CLUBE).
Poço Redondo (SE)
Reverenciando Sila, no dia 21 de maio/11. (NA PRAÇA DE EVENTOS).
Patu (RN)
Berço de Jesuino Brilhante, no dia 18 de junho/11. (NA PRAÇA PRINCIPAL).

GRAÇAS AO PROGRAMA BNB DE CULTURA 2011 ESTAMOS SEMEANDO CULTURA NO SERTÃO DOS GUERREIROS DO SOL - NAS VEREDAS DO CANGAÇO.

PROGRAMAÇÃO

15 horas:
Abertura da exposição de artesanatos, livros e filmes sobre cangaço.
Exposição de fotografias do cangaço – “No Rastro de Lampião”.

19h30min horas:
Recital - SOU CANGACEIRO – com Carlos Silva.
Exibição do documentário VIRGOLINO: DO HOMEM AO MITO.
Palestra – “LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA”, com o pesquisador e escritor do cangaço, Anildomá Willans de Souza.
Apresentação do GRUPO DE XAXADO CABRAS DE LAMPIÃO.
  ...Encerramento.

ACESSO GRATUITO PARA TODO PÚBLICO.

Agradecemos sua contribuição divulgando esta programação.
Saudações cangaceiras,



Cleonice Maria
Presidenta

Maiores informações:
Tel (87) 3831 3860 (Museu do Cangaço)
(87) 9918 5533
(87) 9938 6035

*Matéria sugerida por Kydelmir Dantas

sábado, 9 de abril de 2011

Novo livro na praça

Obra póstuma de Juarez Conrado será finalmente lançada 

Será no dia 14 de abril, às 19h30, no hall da BPED Biblioteca Epifânio Dória, o lançamento de ‘Lampião – Assaltos e Morte em Sergipe’, obra literária produzida pelo jornalista e escritor Juarez Conrado Dantas, baiano radicado em Aracaju, falecido em 25 de outubro de 2010. O lançamento póstumo está sendo organizado pela família de Juarez, um apaixonado pela história do cangaço.

 Capa do livro que será lançado na BPED.

O livro é fruto de um segundo estudo de Juarez Conrado sobre o cangaço. Além de revelar Lampião como um brilhante estrategista militar, apresenta também o roteiro minucioso da entrada e saída do Rei do Cangaço em 16 municípios do sertão sergipano. Trata-se de um registro farto de imagens, documentos e referências bibliográficas. Um livro de estudo. Um estudo transformado em livro.

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult), através da Biblioteca Epifânio Dória, apóia o lançamento da publicação. Segundo o secretário adjunto, Marcelo Rangel, literatura, jornalismo e história sempre andaram de mãos dadas na obra de Conrado.


“O jornalista Juarez Conrado deixou em Sergipe um legado significativo de compromisso com a memória, com a informação, com a cultura sergipana.

Acalentava projetos literários com a mesma seriedade e carinho com que lidava com a notícia, e por isso fez História. A Secult, através da Biblioteca Epifânio Dória, recebe este lançamento com muita honra e como uma oportunidade exemplar de homenagear essa importante figura”, declara Rangel (Foto: Fabiana Costa/Secult).



Sobre Juarez Conrado

Nascido na Bahia, radicado em Aracaju, e pelos serviços prestados a este Estado, foi reconhecido Cidadão Sergipano pela Assembleia Legislativa em título concedido no ano de 1995. Foi diretor da sucursal do jornal A Tarde (BA) em Sergipe e atuou em diversos veículos de comunicação do Estado.

A estreia literária acontece com Sindicato da Morte, pesquisa sobre o banditismo organizado no Nordeste Brasileiro, lançado em 1966. Em seguida, revela-se romancista e lança ‘A Dama da Noite’ e ‘O Último dos Coronéis’. Retoma o jornalismo investigativo no ano de 1983 e lança "A Última Semana de Lampião", que foi adaptado para o cinema, num filme de 60 minutos de duração, totalmente gravado em Sergipe, com técnicos e artistas sergipanos.

No ano de 1990, incursa pelas veredas da Prosa e da Poesia e lança ‘O Grande Akuntô’, sobre a escravidão negra no Brasil. A obra foi traduzida para o francês, inglês e yorubá, e lançado simultaneamente na Nigéria, Angola e Zaire.

Pesquei em : Divirta-SE

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lucas da Feira

Rejeitado projeto que homenagearia cangaceiro com nome de rua 

A notícia não é recente, foi veiculada dia 10/08/2010, mas somente na imprensa local. Talvez interesse aos cangaceirólogos centrados nesta personagem.

Depois de uma polêmica sessão, na última quarta-feira (04/08/2010), a Câmara de Vereadores de Feira de Santana reprovou por maioria dos votos o projeto de lei que propõe homenagem ao cangaceiro Lucas da Feira.

A proposta, de autoria do vereador Marialvo Barreto (PT), foto abaixo, sugeria o nome de Lucas da Feira a uma travessa no bairro Pedra do Descanso, na cidade.  

“Há uma grande parte da comunidade que deseja ver um logradouro público com o nome de Lucas; não há esse preconceito que se imagina contra ele. O cordel sobre ele é o mais vendido na cidade”, afirmou o petista.

Marialvo ressaltou que Lucas foi perseguido e punido pelas elites locais de sua época. “Ele lutou para fugir da chibata, por não tolerar a escravidão”. Conforme dados levantados por historiadores, disse Marialvo, vários crimes foram imputados a Lucas, como estupros e assassinatos, que na verdade foram cometidos por outras pessoas.

“Lucas tem sua parte bandida; não posso dizer que ele não cometeu crimes, mas tem parte da resistência contra a escravidão. É o que a comunidade da Pedra do Descanso quer homenagear”, declarou ele, ao defender a aprovação da matéria. Para tentar sensibilizar os colegas, lembrou que a Câmara criou um dia dedicado ao perdão. “Creio que seria justo, portanto, perdoar Lucas por seus crimes e lhe conceder esta homenagem”.

O vereador Carlos Alberto Costa Rocha salientou que o nome de Lucas da Feira foi usado negativamente, por muitos anos, para denegri-lo. “Mas se for colocar na balança, muitos negros tiveram que fazer o que Lucas fez para sobreviver”, disse, ao apoiar a aprovação do projeto.

Outro que se mostrou favorável foi o Frei Cal, (Foto a esquerda) vereador e conhecido militante dos movimentos de defesa dos direitos dos negros, alegando que muitos estudantes estão pesquisando, para evitar que a história não seja contada de modo a denegrir a imagem de Lucas. “A exemplo de Zumbi dos Palmares, Lucas teve sua trajetória contada negativamente por muitos anos. Hoje, Zumbi é personalidade respeitada em todo o mundo”.

Contrários

O vereador Roberto Tourinho disse que historiadores relatam que Lucas seria marginal e salteador, enquanto outros o consideram um Robin Hood, que tirava dos ricos para dar aos pobres. “Historiadores como Franklin Maxado, Monsenhor Renato Galvão e Hugo Navarro relatam uma vida criminosa atribuída a Lucas”, disse, justificando que votaria contrário à homenagem. Quanto à comparação com Zumbi dos Palmares, Tourinho observou que esse antigo escravo tem uma história de luta diferente.

 Vereador Roberto Tourinho

O vereador Ailton Araújo também declarou que os relatos sobre Lucas da Feira, que o consideram herói e bandido, são “muito contraditórios”, razão pela qual iria abster-se da votação.

José Sebastião disse que também iria abster-se da votação ao projeto. Lembrou que a discussão foi importante, para que a trajetória de Lucas da Feira fosse contada pelos que conhecem a história da cidade.


Pescado em: Interior da Bahia.com.br

Créditos: 
Foto de Marialvo Barreto: Site Feira Revista
Foto do Frei Cal: Site Dilson Barbosa
Foto de Roberto Tourinho: Blog águia Feirense