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terça-feira, 26 de maio de 2026

Jornais de época

O Imparcial, 31 de dezembro de 1938

Por: Helton Araújo (Cangaço Eterno)

O periódico O Imparcial, apresentava uma manchete destacando o trabalho do interventor de Sergipe, o sr. Eronides de Carvalho. “UM GOVERNO FECUNDO E HONESTO” era o destaque do texto, mostrando que, na época, o estado de Sergipe era tratado como exemplo administrativo.



A agricultura, o porto de Sergipe e a exportação do estado eram algumas das pautas elogiadas na matéria. Porém, um fato não pode passar despercebido. A publicação, datada de 31/12/1938, evidencia um momento de mudança política, necessidade e ascensão de imagem pública.

Em julho daquele mesmo ano, Lampião — aquele com quem Eronides tinha ligação direta, sendo apontado como protetor do famigerado cangaceiro, morria em solo sergipano. Isso mostrava bem como alguns poderosos se favoreciam de criminosos e, quando a pressão política aumentava, a imagem pública precisava ser preservada. Daí em diante, surgia um afastamento gradual.

Existem matérias bem sucintas mostrando Eronides dando informações sobre gastos e avanços no combate ao cangaceirismo. Porém, por muito tempo, debaixo dos panos, continuavam existindo vínculos diretos. Após a pressão natural do governo Vargas, o apoio vai ficando escasso, o afastamento se torna necessário e passa a valer aquilo que o poder central queria e o que a população precisava enxergar.

Não era mais apenas o sertão sergipano em evidência. Era o estado de Sergipe, era Aracaju e outras grandes cidades. O interventor precisava dar respostas à população.

No fim, é o de sempre: matérias exaltando governos, desvínculos com um passado negro maquiado por discursos de combate incansável ao “crime” que eles mesmos ajudavam a financiar. Sempre foi assim e continua sendo até hoje. Está cheio de políticos  “preocupados” com o povo, mas que fortalecem seu poder através de criminosos e alianças obscuras.

O cangaço de Lampião não duraria quase duas décadas sem o apoio de poderosos coronéis, políticos influentes e até membros das forças policiais. Direta ou indiretamente, eles ajudaram a construir o alicerce do reinado de terror de Lampião.

E se você acredita que Lampião lutava contra os coronéis em prol do povo, talvez seja necessário rever seus estudos sobre o tema.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Dessa vez Lampião não fugirá!

O militar Juarez Távora ordenou medidas excepcionais para capturar o cangaceiro

– Cerca de 1400 homens se acharam no encalço do famoso bandoleiro

Por Joel Reis

Juarez do Nascimento Fernandes Távora, o revolucionário militar cearense, não somente foi um grande guerrilheiro que levantou e trouxe até o Rio de Janeiro, então capital da República, as hostes revolucionárias que redimiram o Brasil, mas também um vigilante incessante da abandonada Região Nordeste, em que todos os problemas foram ignorados pelos politiqueiros perniciosos que estorvaram o seu progresso, humilharam o povo e surrupiaram os cofres públicos.

Inteirado de todos os reclamos da opinião e às necessidades imprescindíveis do País, Juarez Távora, não se limitou apenas à sua ação combativa ao específico campo militar. O intimorato militar destacou de Sergipe, quatrocentos soldados do Exército para combater Lampião, o célebre bandoleiro que vem desassossegando alguns Estados do Nordeste, há muitos anos, com o apoio dos sobas*, apeados do poder, pela revolução.

Não apenas no Estado de Sergipe foram tomadas providências de tal natureza, como também o de Alagoas, da Bahia e o de Pernambuco. Além da participação de outros contingentes, cujo efetivo total ascende, a mil homens, que rastejam por todos os recantos do sertão nordestino, o famigerado autor dos mais nefandos crimes.

Não apenas no Estado de Sergipe foram tomadas providências de tal natureza, como também o de Alagoas, da Bahia e o de Pernambuco. Além da participação de outros contingentes, cujo efetivo total ascende, a mil homens, que se dividem em duas grossas colunas e rastejam pelo sertão nordestino no encalço do famigerado Lampião e seus asseclas.



Conforme o Jornal A Batalha, RJ (1930, p. 05, grifo nosso) o assombroso poder de Virgolino estava atrelado aos velhos oligarcas que não passavam de seus correligionários, por esse motivo era ‘invencível’. Apesar disso, o supracitado jornal acreditava que Lampião não escaparia das ações do intrépido militar Juarez Távora, por conseguinte, não mais registraria ‘novas’ façanhas do famoso cangaceiro. Ademais, a matéria é finalizada com os seguintes dizeres: “Veremos, agora se assim acontecerá.”

Tendo em vista os aspectos observados conclui-se que Juarez Távora fracassou em sua missão em 1930, visto que, segundo os historiadores, Lampião morreu na alvorada do dia 28 de julho de 1938. Assim, o Jornal A Batalha (RJ) continuou a registrar novas matérias até término do cangaço.

REFERÊNCIA
CUNHA, Tristão da. Desta vez Lampeão não fugirá!. Rio de Janeiro, A Batalha, ano II, n. 269, 22 nov. 1930, p. 05. Disponível em: Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. Acesso em: 19 out. 2017.

IMAGEM Blog Revolução Brasileira De 1924. Disponível em:
. Acesso em 19 out. 2017.

*Soba é aquele que se serve do poder que tem para granjear proveito próprio, sem a menor consideração pelo que possa ser o interesse da sua comunidade.

domingo, 5 de agosto de 2018

Costa Rego X Lampião

Quando o Rei do Cangaço desdenhou do Governador das Alagoas

Pedro da Costa Rego, o célebre Costa Rego, nasceu no Pilar (AL), em 12 de março de 1889. Jornalista, escritor e político, na vida pública, foi secretário da agricultura (1912), deputado federal (1915-17, 1918-20, 1921-23), governador (1924-28) e senador (1929-30 e 1935-37), sempre por Alagoas.

A frente do Governo manteve também uma luta sem tréguas contra os cangaceiros que de vez em quando surgiam no sertão do estado.


Conta Leonardo Mota, em seu livro “Sertão Alegre“, que Lampião assim teria telegrafado a Costa Rego:

— “Eu tou costumado a travessar rio cheio quanto mais REGO…”.
Mas o fato é que o famoso bandoleiro 'comeu ruim' naquela época.

Ficaram no folclore alguns vestígios da perseguição de Costa Rego ao rei do cangaço. Diz uma velha peça de Reisado:

Costa Rego mandou um comandante
Com a tropa volante
Andar de déo em déo,
Lampião é a gota serena,
Mas com Zé Lucena
Ele acha o chapéo.


Ao som da “Mulher Rendeira”, cantava o povo naquele tempo:

Ao seu doutô Costa Rego
Lampião mandou dizer,
Que o tenente Zé Lucena
É duro de se roer.

Costa Rego já mandou
Volante para o sertão
Com Zé Lucena na frente
Para pegar Lampião.

Costa Rego em Alagoas
Não protege Lampião,
O que tem pra cangaceiro
Ou é bala ou é prisão.



Trecho do artigo 'Costa Rego no folclore alagoano' de José Aloísio Vilela, publicado originalmente em História de Alagoas

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Jornal "A Tarde" 13 de abril de 1928

O “truc” de um governador
Como o sr. Costa Rego desarmou o sertão de Alagoas

RIO, 12 (A TARDE) – Numa roda de amigos em que se achava conhecida figura, provinda de Maceió, ouvi a seguinte interessante narrativa:


Pedro Costa Rego
Empenhado em acabar com o banditismo no Estado de Alagoas, o governador Costa Rego architetou e poz em pratica uma medida original.
Allegando receios de reacção contra o seu governo, o sr. Costa Rego teria dirigido aos chefes politicos do interior, dos quaes alguns eram protectores conhecidos de cangaceiros, uma circular alludindo a essas suspeitas e pedindo o apoio a cada umd elles, apoio que consistiria em reunir o maior numero possivel de homens destemidos, embarcando–os para a capital, para onde deveriam vir logo armados e municiados, trazendo a maior quantidade de armas e munições que fosse possivel arrecadar.
Á vista dessa circular, e querendo dar arrhas de maior dedicalão ao governo, cada umd esses chefes entrou a empregar os maiores esforços, na demonstração da sua força.
Dahi resultou que legiões e legiões de cangaceiros vieram para a capital, promptos para combate. A cidade, pode dizer–se, ficou invadida por esses maus elementos.
Á proporção que iam chegando, o sr. Costa Rego ia arranchando esses cangaceiros nos quarteis e em casas que para esse fim destinou. E lá um bello dia, depois de pagar pelo governo as despezas da sua estada, deu passagens de volta a todos elles, fazendo–os portadores de cartas para os alludidos chefes politicos, nas quaes lhes agradecia o concurso prestado, que já não era, porém, preciso por haver passado a temerosa crise.
Quando, porém, esses chefes reclamaram as armas que tinham vindo, o sr. Costa Rego, então, lhes declarou, em nome do governo, que não havia necessidade de gente armada no interior do Estado.
Pesquei no Açude de Cumpadi Rubens 
Mas a foto foi em: Cassimiro Farias.zip.net