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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Jornal A Tarde, edição de 5 de Setembro de 1980

Cantando aboios morre em Serra Talhada o maior inimigo de Lampião

Por: Juarez Conrado

 José Saturnino Alves de Barros
Acervo Lampião Aceso


Impressionante o fato de um simples furto de bodes, tão comum nos longínquos anos de 1910 a 1920, haver se constituído no ponto de partida para uma das mais emocionantes histórias do banditismo em toda América Latina, fazendo com que um dos seus personagens, um tímido e bem comportado garoto, do interior de Pernambuco, se transformasse numa figura legendária, da qual ainda hoje se ocupam jornalistas, pesquisadores e, principalmente, sociólogos, todos eles interessados em conhecer de perto detalhes da vida desse homem que marcou época nos sertões brasileiros.

Lampião, já o sabemos, morreu há 42 anos, na Grota do Angico, no município, sergipano de Poço Redondo. Mas, quem era, e o que para ele significava José Alves de Barros, o José Saturnino, falecido a semana passada, aos 86 anos, em Serra Talhada?

Uma pergunta cuja resposta não poderá ser encontrada senão com o retorno ao ano de 1916, quando ambos, de bons e pacíficos vizinhos, acabaram por se transformar em ferozes e irreconciliáveis inimigos, que faziam do ódio suas vidas marcadas por tiroteios e emboscadas, tingindo de sangue a pequena região onde conviviam.

Uma situação que iria se transformar com o furto praticado por um dos empregados de José Saturnino, logo descoberto por um inspetor de quarteirão violento e autoritário, compadre e amigo do velho José Ferreira, que não hesitou em prender o ladrão, impondo-lhe uma série de impiedosos castigos. Era o começo de tudo.

Represálias

Saturnino irritado, iniciou uma série de represália contra os Ferreira, mutilando, quando não matando, suas criações, criando uma situação tão tensa entre eles que exigia a medição de autoridades locais, como o juiz de direito, Adolfo Cardoso, e o coronel e chefe político Cornélio Soares, ambos prevendo acontecimentos de extrema gravidade, a persistirem os desentendimentos. Os fatos que se sucederam são do conhecimento geral e deles muitos já se ocuparam, narrando-os, nem sempre, com muita fidelidade. José Saturnino não aceitava as acusações que lhe eram feitas como responsável pela transformação de Virgulino no cangaceiro que todos nós conhecemos.

Marilourdes Ferraz

Tanto não aceitava que, pouco antes de sua morte, em carta dirigida à jornalista pernambucana Marilourdes Ferraz, dizia que, na “realidade dos fatos, os sertanejos viviam em época de grande atraso...Quando a minha pessoa, fui criado pelos meus pais na Fazenda Pedreira e baixa de São Domingos, e que me ensinaram a respeitar os direitos alheios, o que posso provar com os meus vizinhos, especialmente, alguns que ainda restam com suas idades avançadas. Os Ferreira, certos ou errados, queriam superar aos demais; quando não gostavam de uma pessoas, tratavam de hostilizar, assim aconteceu com a minha pessoa.

Retiraram-se para um distrito de Floresta: dentro de dois anos, saíram por motivo de questões com os filhos da terra e a polícia do destacamento. Venderam o que tinham e foram para Matinha de Água Branca, Alagoas, onde, muito cedo, desinquetaram os irmãos Porcino Cavalcanti Lacerda... em consequência da vida turbulenta dos Ferreira, vieram a perder a mãe, D. Maria Ferreira Lopes, que faleceu traumatizada pelos vexames que passara vendo seus filhos perseguidos pela polícia alagoana, e depois, o próprio pai... motivo da conduta dos seus filhos”.


Retrato falado dos pais de Virgulino José Ferreira e Maria Sulena
segundo o padre Frederico Bezerra Maciel.


A revolta de Saturnino, ente tantas acusações, estendia-se aos seus filhos Aureliano e João Alves Barros, que, na mesma oportunidade, há cerca de um mês, escreveram o seguinte comentário, publicado pela imprensa pernambucana:

“Se algum cangaceiro destrata meu pai, está certo, está no papel dele. Agora, o que nos revolta, como sempre revoltou meu pai, é o fato de homens que tiveram a oportunidade de maiores estudos viverem perseguindo meu pai com acusações injustas, só para dar uma explicação para vida de cangaceiro de Virgulino Ferreira”.

 João Alves de Barros em foto de 2013.
Créditos Kiko Monteiro



E ressaltou João:

“Meu pai sempre viveu nesta região (Serra Vermelha); trabalhou no campo toda a vida; a vida dele como militar foi uma fase. Só entrou nas Forças Volantes depois que Lampião veio de Alagoas, diversas vezes queimar nossas propriedades e roubar o nosso gado. Nunca meu pai matou ninguém, nem dos Ferreira. Lampião, ao contrário, matou muitos dos nossos parentes, inclusive José Nogueira, com frieza, à traição, roubando-lhe até as alpargatas dos pés, tendo Antonio Ferreira calçado e saído com elas.

Nas “Volantes”

Em um dos muitos livros publicados sobre a vida de “Lampião”, e de autoria de pesquisadora Aglae, José Saturnino fala das lutas, das emboscadas, dos “homens machos” que lutavam ao seu lado, como Zé Caboclo, Zé Batoque, Paisinho, Cassimiro e Nego Tibúrcio. Refeiru-se aos insultos que trocavam quando se encontrava com os membros da família Ferreira, da troca de tiros com Virgulino, Antonio, Livino, Antonio Matilde e Luiz da Gameleira. Do cavalo que vendeu a Zé Ciprino, de Nazaré, da emboscada que lhe foi preparada por Virgulino, quando, no dia da feira, foi receber o dinheiro correspondente à transação com o animal.

Uma narrativa simples e que vale a pena ser descrita para mostrar o clima que reinava entre eles:

- Pru vorta das treis hora da tarde arrecebi o dinheiro du cavalo. Cem mil réis. Selei meu burro. Quando andei meia légua, fui envolvido numa emboscada. Eu e João Fuló brigamo cinco hora. Quando cheguei in casa era 9 da noite. Naquele tempo a puliça era pouca e quando a gente quebrava as acomodação do Juiz e do Coroné tinha tiroteio de novo. Eu e os vizinho sabia aqui os Ferreira irá cercar minha casa antes do dia quilariá. E viero. Brigamo desde 1 da manhã às 6. Eu tinha 23 homes. João Flor, Zé Caboclo, Zé Batoque, Cassimiro e Tibúrcio era cabra muito home, muito macho. A munição dos Ferreira se acabou-se. Se arretiraro chamando nomes feio”.

José Saturnino foi integrante das forças Volantes durante alguns anos e conviveu com cangaceiros famosos como: Cassimiro Honório e Antonio Matilde. Foi fazendeiro e sobretudo, vaqueiro. Lutou contra secas, inclementes e amou sua terra tanto quanto amou sua família.

Na noite em que morreu, José Saturnino cantou aboios como nunca o fizera em sua acidentada vida no campo, tangendo as reses.


Diz a crença popular que as pessoas antes de morrerem, revivem o passado. Se assim é, certamente naquela noite, o velho Saturnino deve se ter sentido, novamente de mosquetão, em punho.

Ao lado dos velhos e corajosos companheiros, fugindo das emboscadas armadas pelos Ferreira, com eles lutando com aquela coragem que guardou até os últimos momentos da vida.


Deveria ter-se visto vestido de gibão, chapéu e alpargatas de couro cru cavalgando por toda aquela região onde, quando não estava lutando, aboiava como um autêntico vaqueiro que era. Saturnino, afinal, está descansando.

Está sepultado, há cerca de 15 dias, na terra pela qual sempre viveu e lutou, porque a amava como a sua própria família. E com sua morte, com poucos registros na imprensa, desaparece uma figura da maior importância na história do cangaço brasileiro.

Apagava-se a figura de um homem que, durante toda a sua existência, dedicou-se a combater bandidos e bandoleiros, expondo-se à balas dos inimigos, num verdadeiro desafio à morte.

A morte que afinal, o levou de vencido em Serra Talhada, fazendo desaparecer um dos últimos remanescentes, e certamente de todos... da era de “Lampião”.

Adendo Lampião Aceso:

José Saturnino Alves de Barros, faleceu em sua fazenda, Maniçoba da Pedreira em 5 de Agosto de 1980, com a idade de 86 anos e já sem lucidez. A matéria foi ilustrada por nós.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Crônicas de Humberto

A Expedição contra Lampião

Por: Manoel Neto

“A Expedição Contra Lampião”, com esse título Humberto de Campos revive o tema cangaço nas suas crônicas diárias, então publicadas em todo o país por diferentes periódicos que lhe asseguravam muitos leitores e, por consequência, enorme popularidade, como já afirmamos no capítulo anterior.

Oportuna essa aproximação do autor com o cangaceirismo nordestino, pois era a união da “fome com a vontade de comer”, mormente, naquela quadra, quando despertava curiosidade crescente na opinião pública, cotidianamente informada sobre as andanças dos bandos errantes nos carrascais sertanejos, notadamente de Lampião, informações estas carregadas nas tintas e quase sempre tingidas com muito sangue e descritas com pormenores estarrecedores.

Mais uma vez é a repressão aos cangaceiros, muito embora, o autor se refira explicitamente a Lampião, a quem denomina - “o famoso sanguinário bandido que domina há doze anos os sertões do Nordeste brasileiro [1]”, que ocupa as meditações do cronista. Sobre este texto colhemos evidências que nos levam a acreditar haver sido ele publicado em 1931, isto por que, trabalho do professor Jorge da Matta Villela, intitulado “Operação anti-cangaço: As táticas e estratégias de combate ao banditismo de Virgulino Ferreira, Lampião [2] nos dá ciência que:

“Neste inicio de 1931, segundo CHANDLER [3], o centro de planejamento da campanha contra Lampião havia-se deslocado para a capital federal”. E no centro deste plano estava o Capitão Carlos Chevalier. Ele pretendia utilizar aviões na captura de Lampião e em conjunto com as aeronaves (que na verdade pareciam ser apenas uma) seriam empregues sistemas de radiocomunicação que travariam contato com um contingente de mil homens, dentre os quais 200, por exigência do capitão do ar, cariocas.(Cf. VILELLA, p. 112).


Avião Waco RNF NC 663Y fabricação 1930 um destes seria usado por Chevalier.  
Fonte: Lampião - Entre a espada a Lei. Sérgio Augusto Souza Dantas, Pág. 314.

A informação transcrita acima que Mattar colheu em Chandler nos permite elucidar um dado cronológico importante. Melhor explicando: esclareço de imediato que “A Expedição Contra Lampião”, objeto de nossos comentários neste capítulo reporta-se justamente ao ataque planejado pelo oficial Chevalier contra os salteadores sertanejos. Tendo em conta esse dado, podemos presumir que a crônica foi produzida por Campos em 1931, posto que ele não comentaria em ano posterior notícia notadamente datada. Ao puxarmos o fio de uma meada, sabemos, estamos “cutucando o cão com vara curta”.

Assim é que fomos passar os olhos no indispensável trabalho de Marilourdes Ferraz [4] e lá encontramos o seguinte trecho: “Em 1931, dois episódios marcaram de modo extraordinário a vida do Rei do Cangaço no sertão baiano”. (Cf. FERRAZ, p. 338). Como o primeiro episódio relatado não é relevante para o que tratamos neste artigo passemos ao segundo:

 “[...] Em maio deste mesmo ano, surge o bando no povoado de Várzea da Ema (grifo nosso) para levar a efeito a vingança contra o fazendeiro Petronilo Reis [5]. Agora quase meia centena de homens integravam o grupo, que chegou arrasando, queimando e matando. Essa tarefa devastadora teve a duração de quase quarenta e oito horas, num mês ameno, com o mato muito verde. Quando Lampião deu a ordem de partida, deixava para trás mais um lugar devastado e uma área esturricada pelo fogo” (ob. cit. p. 339).

Cel. Petronilo de Alcântara Reis

Este acontecimento narrado por Ferraz nos obriga a uma digressão, porém necessária. Quando tratamos da primeira crônica de Humberto de Campos, “A Última Proeza de Lampião”, em que o mesmo aborda os acontecimentos transcorridos em Curaçá, nos sertões da Bahia, destacamos as dificuldades para precisar a data da publicação do texto, em razão de inexistir referência na coletânea consultada. Além disso, em outras fontes coligida, como também, auscultando nomes conceituados que averiguaram e continuam averiguando o episódio, os mesmos confirmaram passagens de Lampião na Sede de Curaçá, mas desconheciam o incidente narrado por Campos, pelos menos naqueles moldes e extensão. Fato de tal monta como aquele textualizado por Campos não teria sido perpetrado por lá.

Marilourdes
Ocorre, contudo, que a narrativa constante do “Canto do Acauã” ao mencionar Várzea da Ema e a violência do ataque, bem como, o número de cangaceiros participantes, nos obrigou a considerar que naquele ano o pequeno povoado – Várzea da Ema - onde nascera o famoso guerrilheiro Pedrão, conselheirista que lutou em Canudos, integrava o território de Curaçá, havendo, por consequência, a possibilidade clara de Campos haver citado este município, em razão das informações que coligiu para redigir o seu escrito. Cabe neste momento uma observação que devemos ter em conta quando o tema é cangaço e que também se encaixa aqui como uma luva, observação esta proveniente de Luiz Rubem Bonfim [6], qual seja:

“Não existia na época um jornalismo investigativo sobre a presença de Lampião na Bahia, as matérias publicadas nem sempre eram assinadas pelos jornalistas, os periódicos da capital não focavam apenas notícias, mas também opiniões, comentários e editoriais. As informações sobre Lampião e seu bando na Bahia, eram obtidas através das agências de notícias, da abordagem de viajantes na estação ferroviária da Calçada em Salvador, no trecho ferroviário Salvador a Juazeiro, na Secretaria de Segurança Pública no bairro da Piedade, moradores do sertão se dirigiam às redações em Salvador, também eram enviados do interior telegramas e cartas assinadas” (grifo nosso).
(BONFIM, ob. cit., p. 15).

Que outras fontes estariam disponíveis para o ilustre autor de “Notas de Um Diarista”, cujo interesse pelo cangaço era eventual? Escrevia em cima da perna, diariamente, fazendo uso do seu enorme talento e inegável erudição, não havendo tempo para pesquisas mais acuradas, detalhes. Sofria de grave enfermidade que lhe roubava a visão gradativamente, escrevendo com enorme dificuldade para por “o pão na mesa”, como salientou inúmeras vezes. Leve-se em conta igualmente quer a notícia em si, já rendia “panos para manga”. Daí nossa especulação sobre a possibilidade de que o lugar exato do corrido, considerando os indícios, venha mesmo a ser o então distrito de Várzea da Ema, hoje pertencente à Chorrochó, sendo que naquela época ambos estavam inseridos em território de Curaçá. Estaríamos certos?

 Capitão Carlos Saldanha
da Gama e Chevalier.

Voltemos agora ao capitão Chevalier e sua iniciativa na ótica do “moço de Miritiba”. Dizendo está noticiada “há dias a organização de uma coluna militar, de mil e poucos homens, para dar combate ao bandoleiro Lampião, o famoso e sanguinário bandido que domina há doze anos os sertões do Nordeste brasileiro” (Cf. CAMPOS, Notas de um Diarista, p. 31), Humberto vai adiante detalhando informes sobre a empreitada em curso, não sem uma fina ponta de ironia e certa estranheza diante da complexa estrutura logística que se ajuíza organizar para combater cangaceiros nos terrenos áridos e espinhosos da caatinga. Mencionando a chefia da empreitada dá asas ao seu raciocínio:

“Comandada pelo Capitão Chevalier essas forças levam canhões, metralhadoras, aviões, automóveis, o material bélico indispensável, em suma, para mim, batalha com tropas regulares. E é assim constituído, armado, municiado, apetrechado, que o pequeno exército vai entrar pelas terras adustas do Brasil nordestino, entre toques de corneta, rufos de tambores e a trepidação bárbara dos motores, na terra e no céu. Para justificar esse aparato bélico, informa-se que a quadrilha chefiada pelo salteador se compõe de 150 homens. E há nisso um evidente exagero. “O cangaço profissional para ser exercido com eficiência, prescinde de grandes grupos, que lhe comprometeriam a mobilidade” (CAMPOS, p. 31).

Cabe-nos de imediato melhor apresentar o Capitão Carlos Saldanha da Gama e Chevalier, este o seu nome completo. De antemão podemos assegurar que naqueles idos era o citado oficial figura conhecida. Participara das conspirações que resultou na sublevação vitoriosa denominada Revolução de 1930, havendo, porém, poucos anos antes, em 1921, integrado a turma:

“[...] de Observadores Aéreos ao lado do Capitão Newton Braga, dos Tenentes Eduardo Gomes, Ivo Borges, Amílcar Velloso Pederneiras, Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, Ajalmar Vieira Mascarenhas, Sylvino Elvidio Bezerra Cavalcante, Plínio Paes Barreto”

Na mesma década e, antes, no final dos anos 20, historiografou a insurreição militar acontecida em 1922, na fortificação militar de Copacabana, movimento popularizado como “os 18 do Forte” [7]. Em 1931 alcança generosos espaços na mídia ao apresentar seu plano para capturar Lampião. Não se pode dizer, contudo, que tenha sido o primeiro, talvez, sim, o mais ambicioso. Se corrermos os olhos nos jornais baianos publicados quando Lampião ganhara fama nacional e suas façanhas repercutiam com freqüência quase diária na imprensa, veremos que muitos foram àqueles, notórios ou anônimos, que “tiravam do bolso do colete” planos mirabolantes para capturar o antigo tropeiro de Vila Bela. O professor Jorge Vilella, autor já citado neste texto, observa que:
“Entre os anos de 1922 e 1938 os governos das capitais nordestinas, seus jornais e uma parcela de seus cidadãos tiveram uma preocupação em mente: como dar cabo daquele que era, já desde o primeiro dos seus 16 anos como chefe de cangaço, o maior de todos os cangaceiros” (VILELLA, ob. cit.)
Urgindo cumprir este desiderato, algumas iniciativas oficiais foram espantosamente encaminhadas, apesar das pouquíssimas chances de lograrem êxito. Refiro-me no caso a iniciativa do Capitão João Miguel, que agindo de forma insensata, autoritária e cruel, resolveu evacuar as populações rurais e confiná-las nos cidades-sedes dos municípios indexados no seu plano, como maneira de desmontar o apoio voluntário e involuntário que os coiteiros asseguravam aos bandidos. Famílias inteiras foram obrigadas a deixar seus lares e pertences, suas roças, afazeres e criações para em muito pouco tempo transformarem-se em pedintes, em párias, a perambular por praças e demais logradouros públicos das cidades, inteiramente despreparadas para receber e cuidar daquele excedente populacional. Em decorrência desta sandice, pais de família perderam-se no álcool e na violência, meninas se prostituíram, sem contar o sofrimento atroz de velhos e crianças. Este caos se estabeleceu em 1932 quando os sertões nordestinos padeciam uma das mais inclementes estiagens do século, fenômeno que por si só era um flagelo, batizada então de “seca de João Miguel [8]“.

O então 1º Tenente Felipe Borges de Castro num documento datado de 1939 [9], portanto, depois do trucidamento de Lampião e parte do seu bando na Grota do Angico, também apresentou sua solução para erradicar o cangaço. Na sua proposta Castro reconhece que a ação nefasta da Polícia que frequentemente usa de “medidas violentas” contra supostos colaboradores dos cangaceiros, pessoas em alguns casos, vítimas de informações infundadas oriundas de informantes dos policiais, é extremamente prejudicial à campanha repressora. Feita esta constatação o militar sugere a criação de “uma colônia correcional agrícola num dos pontos mais frequentados pelos bandoleiros” [10]. A esta providência somar-se-iam duas outras iniciativas: “a criação de uma Delegacia Especial em zona atingida pelo banditismo [11]” e a “difusão na zona do banditismo da doutrina de Deus e catequeses por um sacerdote católico”. Na avaliação do já citado Mattar Vilella,

“o projeto utópico do Tenente Castro é um plano de separação e arresto, a criação de um amplo espaço carcerário e didático no interior do qual todos os implicados no problema do banditismo, mesmo sem prova criminal, pudessem ficar fechados mantendo sua influência negativa separada do mundo [12]“.

Sempre atento e perspicaz o Cego Véio [13] mostrava-se escrupulosamente cuidadoso e discreto em relação aos seus colaboradores, avaliando corretamente a importância dos mesmos para o perfeito funcionamento da  intricada rede de apoio que cuidadosamente montara, como alerta Maria Cristina da Matta Machado:

“Lampião era muito discreto, comportamento importante para quem vive ameaçado de ter inimigos, até mesmo nas suas fileiras. Jamais falava com todos os seus camaradas de luta os assuntos ligados à segurança moral e física dos seus coiteiros” (MATTA MACHADO, 1969, p. 68) [14]

Notas e referencias
[1] A área territorial em que o cangaço se fez mais assíduo integra os Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e Sergipe. Procedente, entretanto, é a observação de Luiz Rubem Bonfim, no seu livro “LAMPIÃO, Conquista a Bahia”, quando o mesmo destaca que o vocábulo Nordeste era usual para referência a Bahia. Quanto aos demais Estados nordestinos eram registrados como “estados do Norte”, embora, não pareça ser o caso no texto comentado.
[2] VILLELA, Jorge Mattar. Artigo publicado na Revista de Ciências Humanas, de Florianópolis, Santa Catarina, no número 25, à página 112, em abril de 1999:
[3] CHANDLER, 1981apud Mattar, 1999, p. 112. Ob.cit.
[4] FERRAZ, Marilourdes. O Canto do Acauã. Das memórias do Cel. Manoel Flor (Coronel Manoel Flor). Comunigraf Editora. 3ª edição. Recife, 2011. 661 p. Il:.
[5] Senhor de muitos cabedais, grande proprietário de terras e criador de gado e principal liderança de Santo Antonio da Glória, hoje município de Gloria, situada próximo a divisa de Pernambuco e Alagoas.
[6] BONFIM, Luiz Rubem F De A. Lampião Conquista a Bahia. Impressão Graf Tech. Paulo Afonso, 2011. 422 p. Il:.
[7] Chevalier publicou os seguintes títulos “Memórias de um revoltoso ou Legalista”, de 1927 ; “Os 18 do Forte”, de 1930 e “Os 18 do Forte – Siqueira Campos”, obras hoje somente encontráveis em sebos e com alfarrabistas.
[8] O Capitão João Miguel integrava os quadros do exército Brasileiro e sendo comissionado na Polícia Militar com o fito de participar da luta contra o banditismo na Bahia, durante o governo do Interventor Juraci Magalhães, ocasião em que  o posto de Comandante das Forças em Operação Contra o Cangaço na Bahia. Era especialista em comunicações. Sobre a seca de 1932 e outras estiagens nos sertões nordestinos sugerimos a leitura do livro “Vida e morte no sertão: história das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX”,  do historiador paulista Marco Antonio Villa.
[9] Novo Plano Para Extinção do Banditismo. Felipe Borges de Castro galgou a posição de Coronel e escreveu um importante trabalho para a compreensão da política de repressão ao cangaço na região, o livro “A Derrocada do Cangaço na Nordeste”, reeditado recentemente pela Assembleia Legislativa da Bahia.
[10] Apud. VILELLA, Jorge |Mattar. Ob. cit.
[11] Idem
[12] VILELLA Jorge matar. Passim. Sugerimos a leitura entre outros de Lampião na Bahia, de Oleone Coelho Fontes, onde o autor relata outras iniciativas de particulares sequiosos de notoriedade ou portadores de uma coragem suicida, que se ofereciam para capturar Lampião por meios de estratagemas os mais diversos e inusitados.
[13] Porr esta alcunha muitos oficiais, soldados, rastejadores e contratados das volantes se referiam a lampião, em razão do seu olho afetado por acidente que causou-lhe a peda parcial da visão.
[14]MACHADO MATA, Cristina da. As Táticas de Guerra dos Cangaceiros. Laemmert, rio de Janeiro, 1969,223 p.
Longa seria a lista e certamente assunto para muitas laudas a história da repressão ao banditismo nos sertões do Nordeste, notoriamente no período em que o cangaço experimentou modificações expressivas no seu modus operandi, atingindo um nível de sofisticação profissional adredemente estruturada pela astúcia militar e estratégica de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Para combatê-lo e aos seus subgrupos, sob diferentes comandos, fizeram-se necessárias articulações políticas entre os estados atingidos [15]. Considerável dispêndio de recursos públicos, reciclagem das forças policiais regulares e das suas formas de combate, como também,  a incorporação de contratados eventuais, geralmente moradores das caatingas, afeitos ao terreno e conhecedores dos socavões por onde transitavam os bandoleiros, em verdade, guias sem os quais soldados e oficiais encontrariam enormes dificuldades de locomoção e orientação. Muitos deles tornaram-se rastejadores, isto é, indivíduos que divisavam em meio ao ambiente hostil e ilegível aos olhos leigos, as marcas deixadas pelos bandos marginais.

Ao comentar os preparatórios do capitão Chevalier, Humberto de Campos evidencia está mais familiarizado com as táticas e estratégias de luta dos adornados combatentes das caatingas. De chofre, sem maiores rodeios, chama a atenção do público leitor para o inédito conjunto de homens, armas e apetrechos a ser empregado na Campanha, afirmando que para justificar tão onerosa e complexa operação, os seus planejadores, à frente o oficial irredento de 1930, ancoravam-se na perspectiva de bater-se com uma quadrilha composta por 150 homens. Então Campos pondera explicitando conhecimento de causa:

E há nisso, evidente exagero. O cangaço profissional, para ser exercido com eficiência, prescinde de grandes grupos, que lhe comprometeriam a finalidade. A sua tática reside na mobilização rápida, na facilidade da dispersão no momento do perigo, e esta não é possível se os cangaceiros dispusessem de contingentes consideráveis. Antônio Silvino [16] jamais admitiu mais de uma dúzia de cabras, e Lampião nunca reuniu mais de 40, e isso mesmo para entrar em Juazeiro, temendo uma surpresa de Padre Cícero [17]. É sabido, mesmo, que o seu processo consiste em reduzir os seus contingentes à medida que é perseguido, de modo a desorientar os perseguidores, eclipsando-se na caatinga (CAMPOS, pp. 31, 32).

A citação conscientemente longa se impôs em decorrência da relevância de algumas observações nela contidas, que ratificam nossa percepção de que o articulista àquela altura já conhecia maiores detalhes sobre o modo de guerrear de Lampião e seus seguidores, observações estas que grifamos no trecho citado.

Interessante é que Campos já se refere ao “cangaço profissional”, num tempo em que a vida bandoleira no Nordeste ainda era analisada sob outros prismas.

Vale ressaltar igualmente que em Mossoró, para citar das mais infelizes sortidas de Lampião contra uma localidade, os sitiantes somavam mais de 150 homens, muito embora fosse um somatório de bandos que atuavam dispersos e independentes, inclusive nos seus comandos. Portanto, época houve, antes de ingressar na Bahia em 1928, que os agrupamentos eram mais numerosos, ao revés do mencionado no texto.


Civis e militares contra Lampião em Mossoró, junho de 1927.

Independente das ponderações expressas fica, entretanto, o reconhecimento de que “o jovem oficial revolucionário vai prestar, todavia, um relevantíssimo serviço a sua terra, com essa expedição” (CAMPOS, p. 32). Mas, cauteloso e reflexivo adverte o capitão Chevalier: “Para combater cangaceiros, faz-se mister mais a habilidade individual do que a bravura, e mais perfídia vulpina do que, propriamente, arte militar”.(ibid. p. 32). Ou seja, o expedicionário teria que usar de “perfídia vulpina”, ou melhor, usar a sagacidade, a esperteza, a mobilidade da raposa, animal que integra a fauna catingueira, prevendo adiante

 “[...] que vamos assistir a um duelo entre a artimanha de um bandoleiro e a intrepidez de um verdadeiro soldado, ou, mais caracteristicamente, um encontro entre um cavaleiro que maneja um florete e um bárbaro que avança contra ele sustentando com a s duas mãos a sua formidável tangapema (grifo nosso) de maçaranduba” (CAMPOS, passim).

O contraponto entre civilização e barbárie que neste extrato fica delineada no confronto entre “o cavaleiro que maneja o florete” e o bárbaro munido de tangapema – mesmo que tacape, borduna, armas de guerra indígenas – representado pelos homens do cangaço, foi usado reiteradamente por Euclides da Cunha designando os camponeses sublevados em Canudos, tratamento reincidente em outros autores quando historiaram as insurreições do Contestado [18] e Pau-de-Colher, levantes rurais, nos quais milhares de seres humanos foram sacrificados com requintes de crueldade pelas armas “civilizatórias” do Exército e das forças policiais dos estados beligerantes.

Não nos esqueçamos das volantes e suas arbitrariedades e violências, quando soldados representando os Governos, estadual e federal, comportavam-se de forma truculenta. Lamentável por tudo a referência aos índios brasileiros, vítimas de agressões e dizimados durante séculos pelos colonizadores, latifundiários e autoridades dos mais diversos calibres e procedências. Afrancesada e recolhida ao conforto das cidades, especialmente as litorâneas, a intelectualidade brasileira ou a maior parte dela costumava “chamar de feio tudo que não era espelho”, parafraseando Caetano Veloso, e Humberto de Campos não era exceção, carregando sobre o seus ombros o pesado fardo do “espírito da época”. Volta-se posteriormente para aquilo que considera ultrajante para o país e sem rebuços, direto e incisivo opina:
“”A impunidade de Lampião constitui, sem dúvida, uma vergonha para a nação brasileira, e reclamava, de há muito, a intervenção do Exército, isto é, de forças da União, para acabar com o escândalo da sua sobrevivência. Mas não reclamava, talvez, a honra de uma expedição tão vultosa, como essa que lhe está destinada”. (grifo nosso). (CAMPOS, ob. cit. p. 33).
Retoma a tese de uma intervenção federal como resolução adequada pata enfrentar a  resistência obstinada e ardilosa dos cangaceiros, sem perder de vista, contudo, o juízo sobre o exagero das forças e equipamentos mobilizados para a tarefa, considerando que talvez “o Diabo não seja tão feio com se pinta”.

Logo mais vai descer ao terreno das especulações ao tomar como exemplo episódio ocorrido com o rei de Túnis, que tendo sua cidade arrasada pelas tropas de Luiz XIV, Rei de França, teria afirmado aquele monarca que pela metade dos gastos dispendidos pelo Rei Sol para por abaixo “o velho porto africano”, ele próprio executaria a tarefa pela metade do valor gasto, o que pouparia vidas e recursos. Logo volta a realidade dos fatos e escreve:

“Amando a agitação e o perigo, o Capitão Chevalier não aceitaria, sem dúvida, uma proposta de Lampião, no sentido de lhe darem a metade das despesas da Expedição mediante o seu desaparecimento do cenário nordestino. [...] O que o seduz é aventura e não o resultado feliz”. (Idem).

Desavisado pressupõe ser o Capitão sediado no litoral a recusar proposta do seu “colega” de patente, o comandante das tropas catingueiras, que tinha para si planos mais ambiciosos, sonhava ser o “Governador do Sertão”, conforme já propusera em um dos seus famosos bilhetes, este encaminhado ao Sr. Júlio de Melo, mandatário de Pernambuco, no mês dezembro de 1926, no qual redigiu a debochada proposta de uma divisão territorial e de poder. Seria ele Lampião, responsável pela região sertaneja do território pernambucano, cabendo a Júlio Melo, governar o litoral. Provocativo garatujou textualmente:
“Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor pra evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas... Se o senhor estiver de acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do sertão, fico governando esta zona de cá, por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda os seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. Aguardo resposta e confio sempre [19]

Lampião

Como se vê avaliava mal o acadêmico. Àquela altura, em meados dos anos vinte não houvera Lampião cruzado o Rio São Francisco rumo a Bahia. Não intentara contra a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, fato ocorrido somente no dia 13 de junho de 1927, mas já se convertera em figura carimbada nos sertões, caminhando rapidamente para se tornar história e mito, memória e imaginário.

A seriedade do assunto tratado não toldava, contudo, o fino humor de Humberto de Campos. Finaliza sua crônica de forma imaginativa e jocosa: “Eu tenho receio, entretanto, que o excesso de pares comprometa o sucesso da contradança, e que ouçamos, daqui do litoral, marcação do celerado sertanejo:- “Dames à droite!.... Chevalier à gauche!...” E que, como consequencia, a quadrilha continue...” (CAMPOS, ibid. pp. 34,35).

Evocando as quadrilhas tão animadas e comuns nas festas sertanejas de junho, Campos fez-se profeta e acertou no alvo: muita água ainda rolaria debaixo da ponte. Mas isso fica para o próximo capítulo!

[15] Foram celebrados vários convênios de cooperação entre os Estados molestados pelo cangaço, dentre os quais destacamos aquele acordado em 1927, entre os dias 28 e 30 de dezembro, cujo principal intuito era coibir com mais veemência a ação dos coiteiros.
[16] Antônio Silvino. Nascido Manoel Baptista de Morais, em Ingazeira, Estado de Pernambuco, faleceu na Paraíba em 1944., Precedeu Lampião e foi o mais afamado e temido bandido do seu tempo, ganhando o apelido de “Rifle de Ouro”.
[17] Lampião visitou Juazeiro do Norte em março de 1926. Lá recebeu a patente de Capitão, armas, munição e fardamento pra organizar um Batalhão Patriótico, com o fito de combater a Coluna Prestes. Sobre quem o convidou há controvérsias, que ainda suscitam debates e dissenções entre os pesquisadores e estudiosos.
[18]  A revolta do Contestado eclodiu em 1912, na região sul do Brasil, em área confluente dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Apesar da forte conotação religiosa do movimento, outros interesses sócio-econômicos foram decisivos para a sublevação.
[19] Consulta realizada ao site  http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/. Acesso em 20/02/2013.

Manoel Neto
Centro de Estudos Euclides da Cunha
UNEB - Salvador - BA

Pescado no Cariri Cangaço

domingo, 30 de dezembro de 2012

Retrospectiva

Os lançamentos e relançamentos de 2012

E assim a gente encerra mais um ano, precisamente o . Em 2012 tivemos a triste missão de comunicar a partida de amigos, de pesquisadores e personagens que ajudaram a costurar esta história. Perdas como da ex cangaceira Aristéia, do ex coiteiro Arlindo Grande, de Dona Mocinha (ultima irmã viva do Rei do cangaço), dos pesquisadores Luis Antonio Barreto, Eric Hobsbawm, Raimundo Soares de Brito e a que vem a ser a mais sentida por conta da afinidade e amizade, nosso grande amigo e mestre Alcino.

Mas também um ano de muitas estreias e resgates no campo literário. Abaixo relacionamos as novidades e reedições que estiveram em nossa vitrine virtual. Agradecemos e reafirmamos nosso compromisso com escritores, divulgadores e revendedores que acreditaram no Lampião Aceso como parceiro.

Colecionismo tem sido um dos focos principais de nossa pesquisa. Se você também concorda que este veiculo "alumeia" o seus possiveis leitores, entre em contato pelo lampiaoaceso@hotmail.com e conheça nossa proposta para divulgação do seu trabalho, seja este livro, HQ, ou DVD.

Feliz Ano Novo!!!
Atenciosamente, Kiko Monteiro.

Janeiro



Fevereiro


 Março






Abril






Maio



Junho




Julho












Agosto








Setembro








Outubro



Novembro




Dezembro





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pra pousar na tua estante!

"O Canto do Acauã" em 4ª edição!!!



A terceira edição lançada a pouco mais de um ano tinha 661 páginas. Atualizada e aumentada com a inserção de novos capítulos, fotos e documentos inéditos foi para "680" páginas.

A primeira e raríssima edição a cada dia que passa se torna um artigo de luxo, tanto que uma das ofertas está atualmente por R$ 1.705,00. Ano passado muitos já garantiram a 3ª edição, porém por ter sido uma tiragem limitada ela já não saia por menos de R$ 200. 

Você já pode ter "O Canto do Acauã" novinho em sua coleção por R$ 90 (Noventa reais) com frete incluso. Tu ja sabe que este preço é por tempo limitado...  avia macho!

Façam seus pedidos através E-mail franpelima@bol.com.br ou pelo tel. (83) 9911 8286 (TIM) / 8706 2819 (OI). Tomem a liberdade de comparar nossa oferta com a de outros sebos

Att. Professor Pereira
Cajazeiras/PB

Quem já leu, recomenda!
 

 Os Volantes Narciso Dias e Jorge Remígio 
em recente visita à autora Marilourdes Ferraz.

Quero dizer aos amigos, que ainda não tiveram a oportunidade de ler essa obra, que o momento chegou. Se avexem, porque obra boa sobre o cangaço, se esgota rapidamente. Confesso que quando comprei essse livro, por volta de 1986, deixei o mesmo por vários meses esquecido. Foi discriminação mesmo. Pensei: " Esse livro são as memórias de um Volante e escrito pela filha do mesmo" Vislumbrei de imediato: " Oxe! esse deve ser o supra sumo da parcialidade". Ledo engano, caros amigos. Essa obra disseca Virgulino desde  a infância até o mito. Trás informações valiosíssimas acerca da luta dos Nazarenos e Ferreiras e do próprio cangaço. É uma leitura leve e contagiante. O cabra não pára de ler.

Um abraço!
Jorge Remígio 
Pesquisador, Custódia, PE.

Saiba mais sobre este livro clicando AQUI

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Reedição na praça

Quem quer possuir  "O canto"?


Depois de ser informado pelo confrade Ivanildo Silveira e de ter mantido contato telefônico com a própria autora, anunciamos aos interessados que dentro de 10 dias, a 3ª edição do livro, "O CANTO DO ACAUÃ ", já estará disponível nas Livrarias Cultura do Recife.

Mas você pode adquiri-lo "já" diretamente com a autora Marilourdes Ferraz, ao preço de R$ 70,00 (setenta reais). + o frete.

Através do e-mail: ferraz_marilourdes@hotmail.com
ou pelos telefones: (81) 3231 -7159 / 99912-5079

Avia Macho! Como a tiragem da edição foi pequena, mais da metade dos livros já foram vendidos.

 Para se ter uma ideia da importância do mesmo... Leia a resenha abaixo

A VOLTA DE ACAUÃ  
Por: Frederico Pernambucano de Mello
 
Marilourdes Ferraz nos visita com a notícia: está a braços com a tarefa de promover a 3ª edição do seu livro 'O canto do acauã'. O que nos diz são alvíssaras. Porque as memórias que ela soube recolher, organizar e pôr no papel acerca de seu pai, o coronel Manuel Flor, da antiga Força Pública de Pernambuco, se erguem à condição de obra clássica, imprescindível a quantos incursionem pela história do Sertão, buscando ali a saga épica do cangaço.

Quando atuamos na Fundação Joaquim Nabuco, levamos a tradição do épico popular nordestino a São Paulo, na Mostra do Redescobrimento, ao Rio de Janeiro, a Santiago do Chile, e a Cambridge, na Inglaterra. O cangaço foi visto nesses lugares com admiração e surpresa. Servido em sua combinação irresistível de brutalidade, alguma nobreza e primor estético.

Desde o lançamento em 1978, foi assim que nos pronunciamos sobre O canto do acauã: obra clássica. Repisamos o comentário quando do lançamento da segunda edição, trazendo acrescentamentos valiosos. Na terceira edição ora prometida, o livro incorporará entrevistas que a autora fez para outra publicação sua. Não é preciso dizer da pureza de conteúdo do livro, recolhido com critério e ardores de filha por Marilourdes Ferraz, caderno à mão, sentada na mesa diante do guerreiro ilustre que foi seu pai, a ouvir-lhe o desfiar incessante de crenças, tradições, enlaçamento entre famílias, origens da terra, profissões, recursos de subsistência, revelações ligadas à mesa e à festa, tudo aquilo enfim que confere riqueza cultural invejável à velha ribeira do Navio, nucleada na cidade de Floresta.

Coube a Marilourdes desbastar a matéria copiosa que ia recolhendo a cada dia, e encaminhar o relato para a saga do assentamento da povoação de Nazaré, lugar perdido na caatinga até empinar-se em burgo humilde no começo do século 20. Sem ignorar os pontos mais expressivos que se alongaram em marcos do projeto de civilização que se desenvolveu ali, o livro não poderia deixar de encaminhar-se para a saga da resistência da vila às investidas dos cangaceiros, liderados por Lampião, praticamente um filho da terra decaído de anjo a demônio, na opinião dos conterrâneos que não abraçaram a aventura do punhal e da cartucheira. E que findariam por enganchar quase a pulso essa mesma cartucheira, e a cingir esse mesmo punhal, na defesa da vila que os irmanava como projeto comum, somente vindo a receber o bafejo do governo - que os foi alistando nas fileiras da polícia a partir de 1923 - já passados alguns anos e muitas mortes em combate de parte a parte.

Ninguém jamais precisou perguntar a Lampião quais os seus inimigos mais valentes, quais os mais capazes de se misturar com o adversário na luta, abandonando a norma de prudência e, não raro, o planejamento esboçado pelos militares vindos da pancada do mar, para dar vazão à sobranceria do sangue no olho vigente na caatinga. O próprio chefe de cangaço dava os nomes, para quem quisesse ouvir, daqueles a quem conhecia de mocidade, amigos de outrora, inimigos na ocasião em que falava, nascidos e criados derredor de Nazaré: os irmãos Euclides, Odilon e Manuel Flor, um Davi Jurubeba, um Hercílio de Souza Nogueira, um Manuel de Souza Neto, lamentando estarem todos na farda contra o seu bando. Herdeiros da coragem de pais e avós: de um João Flor, de um Antônio Gomes Jurubeba, de um Gregório da Ema. 

Tendo a uni-los um desapego pela vida tornado proverbial entre os povoadores da ribeira a partir de 17 de outubro de 1684, data em que André Pinto Correia se vê investido nos deveres e prerrogativas de "capitão-mor da freguesia e povoação dos Rodelas", por meio de carta-patente outorgada em Lisboa. 

Condição legitimadora do empenho em dobrar o índio bravio a qualquer custo, levando os guerrilheiros cobertos de penas a desistirem de estorvar o assentamento dos currais de gado, vital para os interesses da coroa.

 
Pescado no: Site da Fundação Joaquim Nabuco

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vem aí a 3ª edição de “O canto do acauã"

Convite para relançamento de um dos livros mais recomendados da literatura cangaceira

No dia 26 de Maio, além do Seminário na Academia Brasileira de Letras, a literatura cangaceira tem um outro grande motivo para comemorar.

As 18h30min no Memorial da Medicina de Pernambuco - (Recife) - a escritora Marilourdes Ferraz, filha do famoso cel. Manoel Flor, "Nazareno" grande perseguidor de Lampião, estará autografando a terceira edição da sua monumental obra, "O canto do acauã ", livro que enfoca as memórias de seu famoso pai, sobre a luta das forças volantes contra o cangaceirismo.

Capa da nova edição
O livro virá com aproximadamente, 660 páginas, com novas informações e fotos inéditas. Sairá, ao preço médio de R$ 70,00 a unidade.

Convém informar, que as edições anteriores dessa obra, já estão esgotadas no mercado, há muitos anos. O professor Pereira é um dos que dispõem da primeira edição para a venda.



Assista a entrevista concedida pela autora ao programa "Pernambuco documenta" apresentação de Raymundo Campos. Créditos para Artur Carvalho participante da comunidade do Orkurt: Lampião, Grande Rei do cangaço.



Obs.: Agradeço ao amigo, Dr. Paulo Brito pelas informações que me foram fornecidas, sobre esse evento.

Toque de Ivanildo Alves Silveira

ADENDO LAMPIÃO ACESO
Não deixem passar essa oportunidade de adquirir uma das obras de melhor conceito no estudo do cangaço.