sexta-feira, 16 de março de 2012

Pediu o filho de Corisco



*Cortesia e comentários de Ivanildo Silveira

Uma das grandes polêmicas no estudo do cangaço, se tratou da "briga", para que fossem enterradas as cabeças dos cangaceiros, " Corisco ", " Lampião " e outros que se encontravam expostas ao público no museu, em Salvador, tendo como guardião, o professor Estácio de Lima..

O Dr. Silvio Bulhões ( vide foto, logo abaixo), filho de Corisco, foi um dos que lutaram nessa frente, tendo ido a jornais, e a imprensa de um modo geral, além de ter mantido diálogo com o governo e estudiosos, a fim de que a cabeça de seu famoso pai, tivesse um enterro digno.

Abaixo, trecho de uma reportagem da revista " O Cruzeiro " de 02 de janeiro de 1969, que tratava do assunto em tela.. Vejamos.

Economista, Dr. Silvio Bulhões, filho do cangaceiro Corisco.

Abaixo, a matéria de Tobias Granja, tendo destaque, também na mesma, a transcrição de dois bilhetes encaminhados pelo cangaceiro "Corisco", ao padre Bulhões ( pai de criação de Silvio), solicitando informações e uma foto do mesmo.






Abraço a todos
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço
Natal/RN

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ecos de combates...

Da "Fazenda Maranduba"

Por Rubens Antonio

Um dos combates referenciais do Cangaço foi o Fogo da Maranduba. Os militares e jagunços aliados foram duramente fustigados. Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.



Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA
P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 8 de Março de 1940.
Do soldado 2898 ANTONIO TEODORO CHAVES

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

Tendo sido baleado no combate contra o grupo de “Lampeão”, no dia 9 de Janeiro de 1932, quando fazia parte da “Col.Ten. Liberato” comandada pelo Sr. Cap. do E.N. Liberato de Carvalho, na fazenda “Maranduba”, Municipio de Poço Redondo, Estado de Sergipe, venho de solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem, a bem dos meus direitos. Nestes têrmos, pede deferimento.

Da "Fazenda Cajazeira"

Pouco conhecido e comentado, em termos de estudos do Cangaço, foi o Fogo da Fazenda Cajazeira, no Município de Cipó, BA. Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.



Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA
P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 11 de Março de 1940.
Do soldado ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, soldado do 4º B.C., adido ao D–NE., tendo sido acidentado no combate contra o grupo de “Lampeão”, havido na Fazenda Cajazeira, Município de Cipó, Estado da Bahia, no dia 11 de Agosto de 1932, quando fazia parte da “Coluna Tenente Ladislau”, que operava no Nordéste do Estado, vem, mui respeitosamente, a bem dos seus interesses, solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem.
Termos em que espera e PEDE DEFERIMENTO.

Pescado na fartura do Sítio do Cumpadi Rubens

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mudando de assunto

Conheça as veredas do Brasil através das lentes de Aderbal Nogueira


No capitulo de hoje:


Teatro

José Pimentel vai levar “O Massacre de Angico” para a Terra de Lampião.



O diretor José Pimentel (Foto) que por muitos anos interpretou Jesus Cristo no espetáculo da Paixão de Nova Jerusalém e atualmente em Recife, já está em Serra Talhada, no Sertão do Estado de Pernambuco, preparando os atores locais que vão participar da peça “O Massacre de Angico”, que estreia no dia 19 de julho, na Estação do Forró.

A peça conta a história do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que percorreu os sertões do nordeste brasileiro, e morreu em Angico (na fronteira entre Sergipe e Alagoas). Após a morte de Virgulino, o Estado passou a negociar a rendição de alguns cangaceiros, como a de Zé Sereno.

Pesquei no Blog do Jamildo

Gif

"Serra Talhada At War"... Vai que cola?



Paródia do jogo de Guerra Call of Duty




Créditos: Marcondes Junior - Facebook

sexta-feira, 9 de março de 2012

Maria Bonita: A Dona de Lampião

Por Fernando Machado


O Centro Cultural dos Correios ficou pequeno, ontem, à noite, quando a minha amiga a jornalista Wanessa Campos lançou o seu livro "A Dona de Lampião", que conta a história de Maria Bonita. Wana estava em grande noite num modelo by Nena Paiva. Foi um encontro bonito e prestigiado pela press. Começou com Terezinha do Acordeon tocando "Acorda Maria Bonita" para a alegria dos convidados.


A jornalista Wanessa Campos e seu livro
(Fotos: Fernando Machado)

Na sequencia o academico Marcus Accioly fez a apresentação da obra. Brincando perguntou: “Como apresentar Wanessa se todos vocês a conhecem?” e concluiu: “Agora ela será conhecida como a dona de Maria Bonita.” Wanessa, à côté a filha Virginia e o genro Israel Ferreira, ficou visivelmente emocionada.


Ildefonso Fonseca, Antônio Tiné e Silvio Menezes

O cardápio de se comer rezando foi temático, ou seja regional, mas com um toque sofisticado de Leda Dourado. Tivemos cuscuz de caramã com galinha de cabidela; arrumadinho de carne de sol; saladinha Dona Maria (batata doce com bacalhau); mousse de abóbora com carne seca e mel de engenho. Tudo regado a vinho, uísque e sucos de frutas.


Wanessa com Virginia e Israel 

Entre as presenças destacamos o secretário Eric Carrazoni, a vereadora Priscila Krause, Ivanildo Sampaio, Jayme Asfora, Cícero Belmar, Fernando Araújo, Inocêncio Lima, Cássio Cavalcante, Jamildo Melo, Maria Luiza Borges, Taíza Brito, Delma Valença, Silvia Parahym, Pedro Tinoco, Antonio Tiné, Silvio Menezes, Léia Campos, Adriana Dória, Sheila Borges, Ana Lúcia Andrade, Vera Ferraz.

Pesquei no Blog do Fernando Machado
Cabeças Cortadas
Por Rubens Antonio

O século XIX elaborou e legou ao século XX uma referência denominada Frenologia.




Esta surgiu como uma área da Ciência, pendendo entre Medicina Forense, Medicina Legal e Antropologia Física. Propunha-se a localizar e provar que as características de uma pessoa estavam impressas e expressas no formato do crânio. Desta maneira, o dito "caráter" de uma pessoa já viria marcado desde o seu nascimento. Haveria uma "natureza" de cada indivíduo materializada fisicamente.

No Brasil, o expoente desse conceito foi o Raimundo Nina Rodrigues, nascido em Vargem Grande, Piauí, em 1862, com curso de Medicina em Salvador e Rio de Janeiro.

Estabelecido em Salvador, deu aulas na Faculdade de Medicina. Seu trabalho girou em torno de uma "Antropologia Patológica". Seus trabalho detém um cunho marcantemente racista, com destaque para ataques às miscigenações. Em sua visão, os miscigenados seriam aqueles que mais mostrariam características tendendo à criminalidade.



Fotografia do livro Velho e Novo “Nina”, de autoria do Professor Estácio de Lima.
Pescado in FamebUFBA

Daí ter se empenhado em conseguir e manter as cabeças de Lucas de Feira e Antônio Conselheiro. Nina Rodrigues faleceu em Paris, em 1906, sendo inumado, finalmente, em Salvador, Bahia. Em contraposição a essa linha, elevaram-se vozes, cujo resplandecer mais claro apareceu nas linhas de Euclydes da Cunha. Este, vindo acompanhar o massacre da Rebelião Conselheirista de Canudos, objetivava flagrar confirmações da posição de Nina Rodrigues. Entretanto, o que testemunhou colocou-o na senda contrária.

Daí, em vez de estropiados fracos, viu-se obrigado a reconhecer: "- O Sertanejo é, antes de tudo, um forte!"

Entretanto, adentrado o século XX, a linha de Nina Rodrigues seguiu firme, através de vários discípulos. Estabeleceu uma forte escola assentada nas suas propostas.

Daí, quando aconteceu o evento do Cangaço, tornou-se lugar comum o estudo das cabeças dos Cangaceiros abatidos. O primeiro deles foi a do cangaceiro "Gavião", que chegou a Salvador no início de 1930. Quando aprisionado, o cangaceiro Volta-Secca, tiveram os discípulos da proposta de Nina Rodrigues a oportunidade de realizar o estudo do seu crânio em vida. Procuraram sempre indícios da marginalidade e decadência.

Estudaram-se os crânios dos cangaceiros abatidos na Lagoa do Lino, no caso, "Azulão", "Canjica", "Maria" e "Zabelê". Finalmente, estudaram-se os crânios dos cangaceiros abatidos em Angicos, em 1938.

Um estudioso que começou a se destacar, apontando o caminho da derrocada da Frenologia, foi Estácio de Lima. Nascido em Marechal Deodoro, em Alagoas, em 1897, cursando Medicina, acabou se tornando docente das Faculdades de Medicina e Direito da Universidade Federal da Bahia, antigo catedrático de Medicina Legal da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública da Universidade Católica de Salvador e da Faculdade Federal de Odontologia. Nesse caminho tratou de integrar a luta para desfazer a antiga linha de Nina Rodrigues.


O legista Charles Pittex e as cabeças mumificadas de Lampião e Maria.

Em sua visão, o meio, a Vida e a História são os elementos que influenciam diretamente na tecitura dos caráteres humanos. Como fruto do momento em que ainda se acreditava na Frenologia, os crânios de Lampeão e Maria Bonita foram estudados.

Abaixo o estudo dos seus crânios, conforme apareceu reproduzido na publicação: BEZERRA, João. “Como dei cabo de Lampeão.” Recife (Pernambuco): Fundação Joaquim Nabuco - Editora Massangana, 1983. O "estudo antropométrico" foi assinado pelo dr. Lages Filho, então diretor do Serviço Médico Legal de Alagoas.


O resultado do estudo antropométrico da cabeça de Lampeão



Infelizmente o estado em que a cabeça chegou à morgue não permite um estudo acurado e minucioso à luz da antropometria criminal e da anatomia, pois atingida por um projétil de arma de fogo que atravessou o crânio saindo na região occiptal, fraturando o mandibular, o frontal, o parietal direito, o temporal direito e os ossos da base que ficaram reduzidos a múltiplos fragmentos. Todavia, podemos traçar-lhe o perfil antropológico: Pele pardo-amarelada, podendo-se classificá-lo como pertencente ao grupo dos “brasilianos xantodermos”, da classificação de Roquette Pinto: testa fugidia, cabelos negros, longos e arrumados em trança pendente; barba e bigode por fazer, de pelos lisos negros e falhos. Dolicocéflo, contrastando com os outros indivíduos do seu grupo étnico, em geral braquicéfalos. O perímetro cefálico é igual a 57 centímetros. diâmetro transversal máximo atinge 150 milímetros, índice encefálico 75. Sua face é de tamanho relativamente reduzido, impressionando à primeira observação as dimensões do mandibular pequeno e com os ramos horizontais a formar um ângulo reto no encontro dos ramos ascendentes, correspondentes. Assim, é o comprimento total do rosto de 170 milímetros, o comprimento total da face de 130 milímetros, o comprimento simples da face de 85 milímetros, o diâmetro gigomático ou transverso máximo da face, de 160 milímetros, índice facial da boca 53,12. Nariz reto, de ápice grosso e rombo, guardando ao dorso a impressão dos óculos, com altura máxima de 50 milímetros e largura máxima de 37 milímetros. O índice nasal transverso 64 milímetros, uma mesorrínia franca, lábios finos. Largura da boca 57 milímetros. Abóbada palatina ogival, dentes pequenos podendo-se enquadrá-los no grupo dos microdontias; orelhas assimétricas, havendo desigualdade manifesta no desenvolvimento das partes similares (orelha Blainville). O comprimento da orelha direita alcança sessenta e cinco milímetros. A largura da orelha direita é de 40 milímetros. comprimento da orelha esquerda 55 milímetros.
A largura da orelha esquerda é de 40 milímetros. Índice auricular de Topinar, tendo-se em conta as dimensões da orelha direita de 65 milímetros. Na face há visível, na região masseterina direita, uma pigmentação escura arredondada, medindo três milímetros de diâmetro, em nervus congênito. O olho direito apresenta um leucoma, atingindo toda a córnea. em resumo; embora presentes alguns estigmas físicos na cabeça de Lampeão, não surpreendi um paralelismo rigoroso entre os caracteres somáticos da degenerescência, revelados pela mesma e a figura moral do bandido. assim, apenas verifiquei como índices físicos de degenerescência as anomalias das orelhas, denunciadas por uma assimetria chocante, a abóbada palatina ogival e a microdontia. Faltam as deformações cranianas, o prognatismo das maxilas e outros sinais aos quais Lombroso tanta importância emprestava para a caracterização do criminoso nato. Todavia, nem por isso os dados anatômicos e antropométricos assinalados perdem a sua valia pelas sugestões que oferecem na apreciação da natureza delinqüencial de Lampeão.
Resultado do exame da cabeça de Maria Bonita



A cabeça de Maria Bonita deu entrada às 10 horas da noite de 31 de julho de 1938 no Serviço Médico-Legal do estado de Alagoas em mau estado de conservação, razão por que não foi retirado o encéfalo, já reduzido a uma pasta esbranquiçada e amorfa que se escoava pelo orifício occiptal. as partes moles infiltradas não permitiram fossem melhor apreciados os traços fisionômicos da companheira de Lampeão, os quais, aliás, não pareciam desmentir o apelido que lhe deram. Aparentava ser uma mulher de trinta a trinta e cinco anos de idade. À primeira impressão, o que mais prende a atenção é vêem vê-la é a sua testa alta e de todo vertical. cabelos negros, longos, finos e lisos, arrumados em tranças pendentes. Tez morena clara. Pode ser incluída no grupo dos brasileiros xantodermos da classificação de Roquette Pinto, o perímetro encefálico é de 57 milímetros. O diâmetro ântero-posterior máximo é de 195 centímetros. O diâmetro transversal máximo mede 150 milímetros. O índice cefálico, 33. Portanto, braquicéfala. O comprimento total do rosto alcança 190 milímetros. O comprimento total da face é de 120 milímetros. O comprimento simples da face, 153 milímetros. Índice facial da boca, 47,0. Lábios grossos, sendo a largura da cavidade bucal de 45 centímetros. Dentes pequenos, bem plantados e em excelente estado de conservação. Olhos castanhos escuros.
São estes os principais elementos colhidos, traçando-se o perfil antropológico de Maria Bonita. Não denunciam eles a existência de quaisquer estigmas de degenerescência ou sinais atávicos. Na busca de sua constituição delinqüencial muito mais importância teria o estudo psicológico que permitiria pôr em relevo os caracteres fundamentais de sua personalidade.

Em verdade, uma conclusão definitiva e segura só poderia ser tirada da apreciação físico-psíquica e biográfica da vítima, único meio capaz de revelar suas tendências criminosas, mesmo se despertadas pela paixão e pelo amor.

Pescado no arrojado Cangaço na Bahia

terça-feira, 6 de março de 2012

Dia internacional da mulher... Cangaceira

Nesta Quinta-feira, 8 de março, dois eventos imperdiveis

Em Salvador




Vera Ferreira e Germana Araujo pousam em solo baiano para lançamento oficial.



Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o livro será lançado no Palácio Rio Branco, antiga sede do Governo da Bahia, Praça Thomé de Sousa (Salvador/BA).



PROGRAMAÇÃO


18h– Abertura Oficial da Exposição “Bonita Maria do Capitão”


19h– Mesa de abertura "08 de março - centenário de Maria Bonita"


20:30h– Mesa com os colaboradores e colaboradoras do livro “Bonita Maria do Capitão”;


22:00– Apresentação Cultural com o danado do "Jessier Quirino" enquanto degustam de um essencial Coquetel Regional.


*A exposição permanece no local até 22 de Março.


Maiores informações http://www.bonitamariadocapitao.blogspot.com/


E em Recife



O aguardado livro da nossa estimada Wanessa Campos têm lançamento oficial
  
A jornalista Wanessa Campos, do JC, lança, no dia 8 de março, no Centro Cultural dos Correios, no Recife Antigo, "A Dona de Lampião", contando a história de vida de Maria. Maria Gomes de Oliveira, mais conhecida pela alcunha de "Maria Bonita", foi o grande amor da vida de Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Na mesma oportunidade, a jornalista lança um blog sobre mulheres cangaceiras.
Na década de 90, quando entrei no JC, Wanessa assinava a coluna Polígono do Jornal do Commercio, um espaço totalmente voltado para a notícia do interior do nosso Estado. “Amo o interior, o Sertão, tudo de lá. Quando a imprensa quer uma boa matéria vai para o interior. É lá onde as grandes pautas existem”, diz.

Nos dias de hoje, Wanessa cuida da coordenação do setor de pesquisa do Jornal do Commercio, guardiã da memória do jornal.

Jornalista por vocação e advogada, Wanessa é natural de Triunfo, onde teve contato com o jornalismo ainda criança. O seu pai, Sigismundo Pinto, era proprietário do Jornal “A Voz do Sertão”, que circulou durante 28 anos, por toda a região interiorana. Após ser alfabetizada com 5 anos, começou a ter contato com os jornais e adquiriu o hábito de ler.

Com mais de 28 anos de batente, a jornalista iniciou sua trajetória como estagiária no Jornal do Commercio e depois foi para o Diario de Pernambuco. Trabalhou na Assessoria de Imprensa do Governo do Estado e voltou para o JC com uma missão de criar uma Editoria Regional.

Texto de Jamildo Melo pescado no seu Blog
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Lampião Aceso diz:  
Dê uma passadinha no evento mais próximo de você, prestigie estas operárias da memória ou melhor... "vaqueiras da história". Não há concorrencia nem separação. E como bem frisou a escritora Rosa Bezerra: - O bando sempre segue orientações de Virgolino em relação a atividades diversas, pra volante não pegar ninguém !

segunda-feira, 5 de março de 2012

A mulher enigmática - quem é ela?


Muitos já conheciam esta imagem de Lampião, mas com a adição de imagens inéditas do vídeo de Abrahão outros fotolitos foram criados e numa destas edições ficou mais evidente a presença desta cabrocha ao lado de seu capitão.

Na famosa foto, logo acima em que o rei do cangaço está costurando com uma máquina Singer, aparece uma cangaceira do seu lado direito ( e do lado esquerdo de quem vê a foto )...

Entendo, em nossa modesta opinião, que a " mulher é a cangaceira "Cristina", companheira de "Português" conclusão esta corroborado pelo confrade Rubens Antonio. Que se valeu de duas caracteristicas marcantes
"Ser sobrancelhuda é um ponto. Aliás Cristina é a nossa Frida Kahlo. Outro é o arranjo decorativo na peça que usa cruzando o peito, abaixo do lenço". 
Respeitamos, opiniões contrárias ( é o princípio democrático). Observem o quadro abaixo, as fotos comparativas, e, tire sua própria conclusão.



Foto: ripada de Antonio Amaury, pg. 186,
in ' Lampião as mulheres e o cangaço "

E ai amigo? Qual seu posicionamento sobre a " identidade da cangaceira enigmática " ? Concordam que seja Cristina? Se discorda, quem seria ela, em sua opinião ? Comente!

Abraço e obrigado pela participação

Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Natal/RN

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Adendo
Antonio Amaury Corrêa de Araújo, em Lampião: as mulheres e o cangaço, afirma que: Cangaceira trair o companheiro era condenada à pena de morte, dentro das "leis morais rígidas do bando". Lídia de Zé Baiano não foi a única a ser punida desta forma. Cristina, foi acusada de ter um caso com o cangaceiro "Gitirana", repentista habilidoso que fazia parte do grupo de Corisco.

Cristina conseguiu adiar a sua sentença de morte por apenas três ou quatro dias. Mulher no bando, Corisco só admitia Dadá. Montada a cavalo, com consentimento de Corisco Cristina foi enviada de volta à família, mas no meio do caminho foi morta a golpes de faca por Luís Pedro e outros homens, que "vingariam" Português e queriam evitar que ela delatasse os pontos de apoio dos cangaceiros.

O crime ocorreu em 21 de julho de 1938, uma semana antes do ataque em Angicos que vitimou Lampião, Maria e outros nove bandidos.

Transcrito de Fundação Joaquim Nabuco

domingo, 4 de março de 2012

Recado do mestre Alcino

Obrigado, II Arena de Arte e Cultura da Rota do Sertão

Nos dias 08 e 12 deste mês de fevereiro de 2012 eu fui agraciado através de uma emocionante homenagem que carinhosamente recebi dos responsáveis pelo importantíssimo movimento cultural intitulado ARENA de Arte, Cultura e Turismo, em sua segunda edição.


Cartaz do evento

Sediada na pujante Nossa Senhora da Glória, a bela capital do Sertão do São Francisco, e a participação efetiva e afetiva dos municípios que compõem a ROTA DO SERTÃO: Ribeirópolis, São Miguel do Aleixo, Monte Alegre de Sergipe, Poço Redondo e Canindé de São Francisco, a II ARENA deu-me o prazer, a felicidade e a honra de ser o homenageado em tão grandioso evento.

Em sua primeira edição a ARENA homenageou o célebre artesão Véio, esse notável sertanejo que fez de sua sublime arte uma história de competência e motivo de orgulho não só de sua amada N. S. da Glória, mas de todo sertão e do próprio Sergipe.


Este é o célebre Véio
Pescado in Sou de Glória

Essa vitória não foi só minha e de Véio. Nós fomos os escolhidos para recebermos tão comovente cortesia porque temos a felicidade e o privilégio de sermos filhos de uma região venturosa e repleta de lindas e comoventes histórias. Pedaço de Sergipe recheado de pessoas que nasceram com a arte e a cultura entranhadas em seu sangue e em seu espírito.

Eu e Véio trilhamos toda a nossa existência amando, pesquisando e criando para o Brasil e para o mundo a nossa arte, a arte do povo sertanejo, a arte do povo do Sertão do São Francisco. Portanto, nos sentimos orgulhosos e maravilhados por termos sido os escolhidos para sermos os homenageados durante os dois primeiros eventos da Rota do Sertão.

Senhores criadores e patrocinadores desse extraordinário acontecimento, tendo a frente à senhora prefeita de Nossa Senhora da Glória, Luana Michelle, obrigado pela vontade e inspiração em buscar acima de tudo o resgate de nossa cultura, do viver e do fazer de nossa passada gente. Felizes somos nós por procurar pesquisar e registrar os grandes feitos históricos e culturais de nossa terra, de nosso chão caboclo. Historiografia que está sendo vilipendiada pelos novos tempos da modernidade, mas que, graças à boa vontade e inspiração de Luana e seus colegas de outros municípios, Sergipe e o povo sentiram na alma a grandeza de mossa cultura e de nossas tradições.

O povo viu feliz e emocionado o valor grandioso de nossa história. A história de um povo sofrido, mas pleno de fé, vitalidade e vigor. Todos os municípios se apresentaram através de seus artistas e defensores de nosso folclore com dignidade, competência e muito carinho. Lá estavam às autoridades municipais, orgulhosas em razão do êxito total do evento e o desempenho impressionante de seus grupos artísticos que brilharam intensamente com a beleza do reisado, do xaxado e do grupo de teatros, além dos cantores que inebriaram os que participaram da grandiosa festa.

Capitaneada pelo prezado, competente e querido amigo Roberinho, a equipe organizadora ultrapassou todas as expectativas. Foi zelosa com seu inigualável tratamento para com todos que visitavam o local onde a II ARENA estava localizada.

Que a II ARENA cultural da Rota do Sertão e outros eventos culturais espalhados pelas cidades e municípios de nosso Estado não caia em segundo plano e entre em decadência.
Valorizar a cultura é valorizar os nossos costumes, as nossas origens e as nossas tradições. A história sertaneja é bela e comovente. Ela não pode e nem deve morrer. Tem é que ser cultuada e levada até a nossa juventude que cada vez mais se afasta de suas origens e ignora totalmente o viver dos pioneiros de um sertão que eles também são filhos.

Que as possíveis mudanças políticas que poderão acontecer nas futuras administrações que se iniciarão no próximo ano não sejam um entrave a esses movimentos culturais que procuram resgatar os valores artísticos da história do povo sertanejo, e porque não dizer, de Sergipe.

Eu e Véio fomos os homenageados nestas duas edições. Com fé em Deus outras edições chegarão e assim vai ser possível Sergipe conhecer outros artistas e pesquisadores das coisas de nosso mundo caboclo, fazendo com que homens e mulheres de altíssima competência se tornem conhecidos em nosso Sergipe, e porque não dizer, no Nordeste e no Brasil.

Publicado na edição de 1º de março de 2012, no JORNAL DA CIDADE, Aracaju – Sergipe.


Saudações,
Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo - SE

sexta-feira, 2 de março de 2012

No Gabinete do Professor

Lampião Aceso visitou o mestre Antonio Amaury


Este blogueiro, Sra René e Antonio Amaury.


Na ultima Quarta-feira, 29 em estadia na grande selva de Pedra, intimado pelo anfitrião e seguindo as coordenadas do conterraneo Marcelo Rocha fomos bater na casa do amigo Antonio Amaury. Sim, matamos a vontade de conhecer o nº 156 da Rua Grajurus.


Ivanildo Silveira até ligou nos encomendando uma entrevista, mas findou sendo uma visita formal. Indagações até foram feitas, mas somente mera curiosidade que complementam informações já sabidas. 


A matéria aqui é uma forma de registrar nosso momento e agradecer a atenção e recepção deste escritor, virtude conhecida por muitos dos confrades que estão lendo este arquivo... Bem, não sei se tiveram o mesmo privilégio de provar o almoço de Dona René) - outro ponto alto da visita.


Claro que tiveram, a satisfação e deferencia deste casal é a mesma com todos que lhe foram tomar a benção.


Fomos apresentados ao acervo de relíquias e parte do material que resultou nas suas mais de dez obras. Dastaque para a gravação do depoimento de cangaceiros convidados para uma feijoada ocorrida no ano de 1969 na antiga residencia dele. Entre estes estava "Formiga", "Sila", "Zé Sereno" e "Dadá". 


Destaco como interesse em particular pois Dadá começa a recordar músicas no que logo é acompanhada pelos colegas.


Amaury nos apresentou duas peças muito estimadas sendo um punhal que pertenceu ao cangaceiro Luis Pedro e uma Luger "Parabéllum" que foi de um volante desconhecido. Ambos foram doação de amigos.










No mais, tivemos oportunidade de visualizar as correspondencias que ele recebeu do escritor lagartense Ranulpho Prata na época em que estes debatiam as concepções do seu famoso Livro "Lampião".


No momento, Amaury aguarda e avisa aos confrades sobre a segunda edição do Livro "Lampião as mulheres e o cangaço". Que será lançado dentro em breve pela editora Traço. Acompanhamos um contato entre ele e o editor.




Capa da 1ª edição.


Como se não bastasse a minha incoveniencia que já durava meio dia ele se ofereceu como guia e nos acompanhou até o centro histórico de São Paulo - numa inédita viagem de metrô - olha eu ali, um matuto provando os "avanços" da cidade grande. Neste passeio nos contou sobre alguns fatos ocorridos na capital dos nordestinos e nos apresentou prédios daquela região que são símbolos de sua história.




Reafirmo minha gratidão à familia Correia de Araujo. Um dia eu volto, quem sabe. 


Ah! ele não posa porque serviu de fotógrafo, as fotos foram cortesia de Carlos Elydio de Araújo, filho do mestre.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Guerreiros do Sol em sua 5ª Edição



Guerreiros do sol, em nova edição, é um estudo fiel e detalhado do cangaço no Nordeste brasileiro. O assunto é apresentado sob vários aspectos, entre eles o condicionamento socioeconômico gerado pelo ciclo do gado. O autor, Frederico Pernambucano de Mello, considerado um dos grandes especialistas no assunto, utilizou extensa documentação histórica para pesquisar o cangaço, além de coletar informações em jornais, depoimentos escritos e orais e na poesia sertaneja.

Neste livro, que conta com prefácio de Gilberto Freyre, são mostrados tipos humanos que encontramos hoje e que surgiram já nos primeiros dias da colonização - o valentão, urbano ou rural, o cabra de bagaceira, o jagunço, o cangaceiro. Mas o autor não descreve apenas na particularidade o reflexo da violência que há muito tempo se manifesta em nosso país; analisa também o que chama de "cangaço meio de vida", "cangaço vingança" e "cangaço refúgio".

Ariano Suassuna define assim a obra do autor: "Sem sombra de dúvida, a teoria do escudo ético de Frederico Pernambucano foi a única que, até o dia de hoje, me pareceu convincente: foi a única que explicou a mim próprio os sentimentos contraditórios de admiração e repulsa que sinto diante dos cangaceiros".


512 pág. Preço: R$ 60,00 (Sessenta Reais) com frete já incluso para qualquer canto do país. Adquira o seu agora com o professor Pereira através do E-mail franpelima@bol.com.br
Ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - 8706 2819 (OI).


A propósito, o Professor Pereira acaba de atualizar o catálogo dos seus livros a venda, são mais de 300 títulos sobre Cangaço, Canudos, Padre Cícero, Coluna Prestes, entre outros. Solicitem pelo e-mail indicado acima.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Coronel Aristides Simões de Freitas

O artigo Lampião em Itiúba do nosso confrade e colaborador Ivanildo Silveira é um dos mais acessados e comentados no emborná deste blog. Vamos reforçar o interesse dos cidadãos desta cidade baiana com mais esta sublime e ilustrada matéria do C.S.I. Rubens Antonio.


Nascido em 1865, o coronel Aristides Simões de Freitas tornou-se a figura exponencial de Itiúba, em termos de vida política, nas décadas de 1910 e 1920. Configurava-se como o grande representante representante local do governo estadual.


O governador da Bahia Goes Calmon visitando Itiúba, 
ciceroneado pelo coronel Aristides Simões.

Com o início da campanha contra o Cangaço, tornou-se, na sua região, uma das principais referências de confronto aos cangaceiros. Nos anos de 1929, 1931 e 1932, comandou a preparação de Itiúba, Bahia, para o confronto com o bando de Lampeão.

Isto após receber o bilhete enviado pelo cangaceiro através do vaqueiro "Zézinho, do Licuri Torto", exigindo que enviasse uma soma vultosa. Ao mesmo pediu que fosse responder a Lampeão fosse buscar o dinheiro. Coisa que Zézinho, sangrando de saúde, recusou-se a fazer, caindo no mundo.

 Aspecto de Itiúba, quando do assédio pelos cangaceiros.

Ato contínuo, o coronel Aristides armou cerca de sessenta jagunços e os posicionou nos três sítio entendidos como entradas da cidade. Traçou a estratégia de uma primeira pseudo-resistência ao bando, com fuga dos defensores do sítio. Nesta, o próximo passo seria uma fechada da entrada por onde teriam já passado, numa estratégia de cerco do bando dentro da cidade, que estava preparada para tal.

Ficou na memória da cidade a coordenação firme que a sua figura, com seu 1,9 metro de altura, exerceu.

 Coronel Aristides

Alguns indicam que a sua própria residência, além de outras da cidade, foram preparadas para a luta contra os cangaceiros. Daí, na parte inferior vêem-se as denominadas “torneiras”, que seriam aberturas para a passagem do cano das armas, caso tivesse que se entrincheirar neste último ponto.

Robério Pinto de Azeredo, que viveu a época do cangaço em Itiúba e a estudou após esta, contesta essa visão deste uso, ao menos nesta cidade. Para ele os orifícios inferiores, no caso, seriam meros artifícios arquitetônicos de circulação de ar.

No alto da sua residência aparecem as suas iniciais “ASF”. Ao lado da mesma, na cor amarelo, aparece o antigo Itiúba Plaza Hotel, propriedade atualmente comprada pela Prefeitura Municipal. Na verdade, trata-se de outra residência referencial, pois pertenceu, nos tempos do cangaço, a Berlarmino Pinto de Azerêdo, que, com a influência e apoio de Aristides, tornou-se o primeiro prefeito de Itiúba, quando da sua emancipação, em 1935.


 Residências, à direita do coronel Aristides, à esquerda, de Belarmino Pinto

Nos anos 1930, coordenou o processo de transferência do seu poder para a liderança de Belarmino Pinto de Azerêdo. O coronel Aristides veio a falecer, em 1948, em Salvador, sendo enterrado no cemitério da Quinta dos Lázaros. Três anos após, sua nora cuidou do translado dos seus restos para Itiúba, sendo inumado no mausoléu familiar.


 Sepultura familiar - O nicho do coronel Aristides é o mais alto.

 Detalhe da Carneira do coronel Aristides.


 Vavá Simões - neto do coronel Aristides, em 2011.

Os estudos desenvolvidos peço autor deste blog, com o acordo do estudioso Robério Pinto, indicam que as passagens de 1929 e 1931, efetivamente, foram do bando comandado por Lampeão. Já a passagem de 1932 foi por um sub-grupo comandado por "Corisco".

 Pesquei no essencial Cangaço na Bahia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Encontro de Gigantes

Por: Alcino Alves Costa

Outrora, Poço Redondo era um arruado pertencente ao vasto município de Porto da Folha. Com sua emancipação em 25 de novembro de 1953 quase todas as fazendas nascidas nos escondidos daquelas brenhas caatingueiras passaram a pertencer ao novo município. Dentre elas uma fazenda chamada Pia Nova. Nos idos do cangaço o proprietário da Pia Nova era um caboclo de “boa cepa”, “raiz de braúna”, verdadeira “madeira de lei”, “homem atutanado”, sertanejo de “peso e medida”, chamado Torquato José dos Santos.


João Torquato

Já caindo para a idade seu Torquato cuidava com esmerado carinho e zelo de sua terrinha, de sua família, especialmente de sua numerosa filharada. No meio dela um rapazinho saindo da puberdade, chamado João. Este jovem caboclo carregava orgulhosamente o nome de seu pai junto ao seu nome de batismo. Vindo, com o passar dos anos, a se tornar no célebre João Torquato, o homem que derrotou Corisco, o “Diabo Louro”, na famosa medição de força acontecida na fazenda Queimada de Luís.

O sofrimento, dores e provações de João Torquato começaram acontecer naquele entardecer do triste dia 02 de maio de 1937, quando chegou a sua casa um bando de malvados cangaceiros comandados por Zé Sereno e Mané Moreno.Numa atitude injusta e perversa, os cruéis cangaceiros assassinam o velho Torquato e seu genro Firmino. Medonha tragédia que destroçou a vida de João e todos da família.

Desatinado com tamanha injustiça, João Torquato só pensava em vingar a morte do papai amado e de seu cunhado Firmino. Só lhe restava uma alternativa. Mesmo sabendo que sua mãe iria acrescentar ainda mais as suas dores e sofrimentos se decidiu por procurar uma das “forças do governo” que combatiam Lampião e nela se engajar. Só assim teria oportunidade de caçar e se vingar dos monstros que tiraram a vida de seu pai.

Foi o que fez. Procurou a volante comandada pelo famoso Zé Rufino e nela deu início a uma nova e inesperada etapa de sua vida; a vida de caçar cangaceiro. Pouco se demora sob o comando de Zé Rufino. O seu destino é a volante do temido Antônio Recruta, onde perseguiu cangaceiro por longo tempo. Nesta volante, João Torquato participou de vários confrontos com os cangaceiros.

Um deles, no entanto, se tornou célebre. Aquele em que sozinho enfrentou a cabroeira de Corisco, baleando-o e tirando a vida dos cangaceiros Guerreiro e Roxinho.

Como se sabe Corisco, após a morte de Lampião, ficou “atuleimado” e “atarantado” da cabeça, sem tino e sem razão. Ensandecido, cometeu diversas atrocidades, dentre elas as monstruosas execuções e degolamento de Domingos Ventura e mais cinco pessoas da família do vaqueiro da fazenda Patos, nas Alagoas, e como requinte final, após cortar as cabeças de suas desventuradas vítimas, as enviou para a cidade de Piranhas, aonde foram entregues ao prefeito João Correia Britto. O mesmo acontecendo, já em Sergipe, na fazenda Chafardona, em Monte Alegre de Sergipe, quando em mais um ato brutal assassinou Sinhozinho de Néu Militão, cortou a sua cabeça colocando-a em uma gamela e a enviando para o então povoado de Monte Alegre, por um rapaz chamado Santo e entregá-la ao cabo Nicolau que ali destacava.

Foi logo após esse crime que Corisco se deslocou até as caatingas da linha divisória entre Sergipe e Bahia. Existem duas versões sobre o local em que aconteceu o extraordinário combate travado por João Torquato e Corisco.

O notável historiador Antônio Amaury, em seu livro “Gente de Lampião: Dadá e Corisco”, no capítulo “Agonia do cangaço”, páginas 113, 114 e 115, seguindo as acreditáveis informações de Dadá, diz que este confronto entre Corisco e João Torquato, aconteceu na fazenda “Lagoa da Serra”, residência do coiteiro Geraldo. Ocorre que João Torquato afirmava convicto que o seu embate com Corisco se deu em uma fazendinha abandonada chamada “Queimada de Luís”. Está em muitos livros a história deste confronto. Como se sabe o cangaceiro Guerreiro foi morto pelas balas do fuzil de João Torquato quando caminhava ao lado de Dadá e Roxinho pela malhada da fazendinha.

Imaginando que Guerreiro fosse Corisco, João Torquato faz pontaria em seu corpanzil e dispara a sua mortífera arma. O bandido tomba gravemente ferido. Não é Corisco é o cangaceiro Guerreiro. Corisco e os que lhe acompanhavam pensaram ser uma volante. A cabroeira corre e se ampara no paredão de um tanque. Prepara-se para enfrentar os agressores. Assim pensando, Corisco grita raivoso:
“- Macacos covardes! Venham! Vamo brigar. Vocês tão pegados é com Corisco” 
Jamais poderia imaginar que estava sendo atacado apenas por um soldado. João se surpreendeu ao ouvir aquela possante voz. Pensava que o bandido que havia derrubado na malhada da fazenda fosse justamente Corisco, mas estava enganado. Os cangaceiros estão amparados no paredão do tanque. No outro lado do paredão está João Torquato que os enfrenta como desmedida coragem. Troca tiros com os bandidos. De repente divisa um cangaceiro que como se fosse uma cobra – e cobra ele era – se arrasta cautelosamente a sua procura. Sem perda de tempo o “contratado” dispara seu fuzil e o assecla despenca, rolando em sua direção. O “cabra” é muito jovem. Mais parece um menino. É Roxinho, o mesmo que estava ao lado de Guerreiro e Dadá na malhada da fazenda.


Grupo de Zé Rufino, primeiro a esquerda.

O menino é valente. Tenta pegar a sua arma que havia escapado de suas mãos. Não consegue. João Torquato com o coice de seu fuzil esbagaça a sua cabeça.Temendo o cerco da volante, assim imaginava Corisco, o mesmo e sua Dadá deixam o paredão do tanque e procuram a proteção da caatinga. João Torquato grita para o “Diabo Louro”:
- Tá correndo covarde? Num diz que é valente, cabra frouxo. Num corra! Vamo brigar”.  
O famoso alagoano escuta as palavras desafiadoras do soldado. É um valente. Vira-se para enfrentar a volante. Surpreso se depara apenas com um inimigo. Cadê os outros? Fica a se indagar por segundos. É a sua perdição. João Torquato aproveita aquela momentânea indecisão e dispara a sua arma. Naquele dia o filho de seu Torquato estava totalmente protegido pela sorte. Uma bala atingiu justamente os dois braços de Corisco deixando-o fora de combate.

O balaço fez com que o fuzil do companheiro de Dadá caísse por terra. Sem forças para segurá-lo o cangaceiro se desespera e procura se proteger na mataria. Percebendo a situação do famoso bandoleiro, João Torquato grita desafiador:
“- Não corra covarde. Espere pra morrer”.
Mesmo com os braços destroçados Corisco pára. Mostra o quanto é valente. Sabe que irá morrer, mas morrerá como um verdadeiro homem. João Torquato aponta-lhe a sua mortífera arma. Será o fim de um dos mais famosos companheiros de Lampião.


Dadá e Corisco

É neste instante tão decisivo que entra em cena a figura de Dadá. Sem temer o inimigo o enfrenta com inusitada coragem. Nele atira, fazendo-o desviar a sua atenção em Corisco e ter que trocar tiros com ela. Dadá não pára de atirar. Atira no feroz inimigo e empurra Corisco na direção de uma baixada protetora ali nas proximidades. As balas de sua arma se acabam. Eis que numa atitude gigantesca e inesperada, a companheira de Corisco o defende jogando pedras em João Torquato, o homem dos olhos grandes e “abotecados” como ela dizia.

Continua empurrando o companheiro. Escorrega e cai. O vingador da morte do pai sorriu. Apontou-lhe o seu fuzil. Iria matá-la sem piedade. Errou o alvo. Com raiva se prepara para o segundo tiro. Percebe então que a sua arma estava sem munição. Enfia uma das mãos no bornal. Tem que recarregar rapidamente o seu fuzil. Ao retirar a mão do bornal com as balas o nunca esperado aconteceu. Seus companheiros vinham chegando e sem medir as consequências atiraram justamente em João Torquato ferindo-o na mão que ele segurava as balas. Os pedidos que naquela agonia Dadá rogava a Nossa Senhora foram atendidos. Na confusão que reinou no meio dos da volante, Corisco e sua valente companheira conseguiram se salvar.

Como se sabe, Corisco deixou esse mundo no dia 25 de maio de 1940, assassinado pelas armas de Zé Rufino. Baleada, Dadá teve a sua perna amputada.


João Torquato deixou à volante e retornou a sua amada Pia Nova, onde viveu até o final de seus dias. Em 1958 vamos encontrá-lo ao lado de Zé de Julião. (Foto à direita) Havia se tornado um de seus fiéis aliados, naquela famosa disputa política entre o antigo cangaceiro Cajazeira e o seu oponente Artur Moreira de Sá, quando os dois eram candidatos a prefeito de Poço Redondo.

Desesperado com a monstruosa perseguição que lhe movia o governador do Estado, Zé de Julião roubou a urna no dia da eleição, ou seja, em 03 de outubro de 1958, e João Torquato ali estava de arma em punho, pronto para matar ou morrer defendendo um dos antigos “cabras” de Lampião, cangaceiros que ele tanto odiava.


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Para conhecer mais detalhes sobre essa história de sofrimento do povo sertanejo de Poço Redondo, em especial da família Torquato, leia-se os capítulos “Combate da Arara – morte de Zepelim”, página 249; “Os cangaceiros se vingam e matam Torquato e Firmino”, página 259; “A traição se consuma”, página 261; “Um milagre salva a volante”, página 265; e “A vingança de João Torquato, o filho de Torquato e o tiroteio com Corisco”, página 273, da terceira edição do livro “Lampião além da versão – Mentiras e mistérios de Angico”, que se encontra a venda com professor Pereira, em Cajazeira, na Paraíba. através do E-mail franpelima@bol.com.br
Ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - 8706 2819 (OI)




Alcino Alves Costa
Caipira de Poço Redondo
Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Pais e filhos

A filha de Luiz Pedro e Nenê 

Por Rubens Antonio

Material levantado de fontes documentais pelo pesquisador Orlins Santana de Oliveira, Membro do Instituto Historico da Bahia, gentilmente disponibilizada por este estudioso através do Blog Cangaço na Bahia.

Em março de 1934, uma criança foi entregue ao chefe da estação de Jurema, no Distrito de Juazeiro, na Bahia. Este se incumbiu de encaminhá-la para Salvador. Na capital, chegaram duas, ambas relacionadas como filhas de cangaceiros. Na pequena menina juntada no caminho, tinha um bilhete esclarecia. Chamava-se ¨Maria¨ e era filha do cangaceiro Luiz Pedro.


Nenê e Pedro

Enviada para Salvador, foi colocada em 28 de maio de 1934 na roda do Asylo dos Expostos, na capital.


Transcrição do registro de entrada:



"Livro n.28 do Asylo dos Expostos. 
De 10 de Maio de 1934 á 21 de Novembro de 1935 1934 

Maio – 28


Pelas 14 horas 1/2 foi posta na roda do Asylo de N.S. da Misericordia uma menina parda, com 3 mêses de edade, em bom estado de saúde.
Trouxe os seguintes objectos:
1 – Vestido com renda de bilro
2 – Fralda de morim velha;
3 – Touca branca com renda de bilro
e a seguinte declaração:
Maria – com 3 mêses de edade, filha do bandido.
Pae – Luiz Pedro
Mãe – desconhecida, vinda do Nordeste"


A menina foi batizada Maria de Matos, no dia 29, Morreu de pneumonia, a 8 de julho de 1934.

Registro de batismo e de falecimento:



Transcrição:
Maria de Mattos Baptisou no dia 29 de Maio de 1934
Falleceu de pneumonia, em 8 de Julho de 1934.

Yvone, filha de Emídio e de Verônica de Jesus

A outra, precisamente a que fora entregue ao chefe da estação, era identificada como Yvone. Um bilhete a referenciava como filha de um cangaceiro cujo nome real era Emidio ou Ymidio Ribeira da Silva, do bando de Arvoredo. A mãe da criança estava indicada como se chamando Veronica de Jesus. O cangaceiro foi citado, dado o sobrenome, como sendo parente de Sérgia Ribeiro da Silva, a Dadá.


Estação de Jurema - foto fornecida por Orlins Santana de Oliveira.

Enviadas as crianças para Salvador, foram colocadas, em 28 de maio de 1934, na roda do Asylo dos Expostos, em Salvador.


Santa Casa de Misericórdia, em Salvador, atualmente:

Situação atual da antiga localização da Roda dos Expostos, da Santa Casa de Misericórdia, em Salvador:

Situação antiga com a Roda dos Expostos, na Santa Casa de Misericórdia, em Salvador:
Atualmente, a roda original encontra-se no Convento do Desterro.

Registro de batismo e de falecimento:


Transcrição:

Yvone de Matos Baptisou-se no dia 24 de abril de 1934.
Está no Asylo.
Falleceu de bronco-pneumonia, no dia 1 de abril de 1935.

Pescado no Açude de Cumpadi Rubens