sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Lampião e Zé Pereira

As memórias de Hermosa

Por Luís Eduardo Andrade para o 'Correio da Paraíba'   (28/12/2016)

Princesa Isabel. 13 de Fevereiro de 1913. Oito horas da manhã. Enquanto as ruas princesenses se coloriam para receber o carnaval, o mundo se preparava para receber aquela que lhe traria mais beleza. E por esse motivo, seu nome não poderia ser outro: Hermosa. A palavra que significa “bonita” em espanhol, foi a escolhida por João de Campos Góes e Alexandrina Pereira para chamar sua filha que acabara de nascer Hermosa Pereira Góes. Uma pena que João não pôde curtir outro carnaval ao lado de Hermosa.

Faleceu antes do primeiro ano de vida de sua herdeira. Aliás, primeiro ano dos 104 que vivera (e vive).


É impossível falar de Hermosa Góes Sitônio (nome de casada) sem mencionar assuntos como a Revolta de Princesa, o cangaço, o Coronel Zé Pereira, dentre outros tópicos que só quem vivenciou a história de perto, pode falar. Contudo, é necessário observar outros aspectos da personalidade de Hermosa. Chegar aos 104 anos de vida já não é das tarefas mais simples, porém, atingir essa meta com lucidez e simpatia é um feito digno de um ser humano ímpar. E as memórias de Hermosa não poderiam deixar de ser registradas e catalogadas. Por esse motivo, convido-lhe a embarcar na história e adentrar nas lembranças dessa mulher de fibra, exemplo de superação, empoderamento e principalmente, força de vontade.

Tio Zé Pereira

Um dos mais conhecidos “coronéis” do Nordeste, chefe político da cidade de Princesa Isabel e nêmesis do Rei do Cangaço Lampião, era simplesmente o Tio Zé Pereira, de Hermosa. Nos seus relatos, a sobrinha refere-se a o coronel como homem fino, educado e altamente inteligente. Talvez por isso, tenha conseguido tanto respeito. Como Hermosa e seus irmãos perderam o pai muito cedo, Zé Pereira assumiu a responsabilidade sobre os filhos da irmã. Se esforçando para que nada lhes faltasse. E nunca faltou.

Princesa Independente

Cento e quatro anos, em um período que compreende duas Guerras Mundiais, todas as Copas do Mundo, 25 Olimpíadas da Era Moderna, 10 papas, o primeiro passo do homem na Lua, Ditadura Militar no Brasil, dentre outros eventos que marcaram a história da humanidade, e foram vividos de perto por Hermosa. Mas dentre todos esses fatos históricos, um foi marcante na Paraíba: a Revolta de Princesa Isabel.

A revolução aconteceu em 1930, e tudo começou por conta de divergências políticas e econômicas entre o Governador que dá nome a Capital da Paraíba, e os coronéis do interior, que chefiavam não só a política, como a economia das cidades. E todos eles, encabeçados pelo Coronel Zé Pereira, ou Tio Zé Pereira, para Hermosa.Segundo ela, um homem muito incompreendido. Mas o que se tornou compreensível foi a revolta de Zé Pereira com o governador João Pessoa, quando o mesmo instaurou impostos e cargas tributárias para as exportações dos grandes latifundiários. E a situação ficou insustentável quando os candidatos do Coronel foram impedidos de concorrer à deputação federal, enquanto aliados do governador não tiveram candidatura barrada. Até que em 1930, Zé Pereira rompe efetivamente com o Estado da Paraíba e proclama Princesa como território livre, com hino e bandeira.

E enquanto a política fervia, a adolescente Hermosa cuidava de estudar e dos afazeres domésticos. Mal sabia ela, que dali a poucos dias, seria afetada diretamente pelo conflito, tendo que se exilar na cidade da família de seu falecido pai. E os embates começaram quando a Polícia da Paraíba foi enviada pelo governador até Teixeira, cidade próxima a Princesa, para impedir que as pessoas apoiassem a revolta. Zé Pereira não se intimidou e mandou 120 homens armados para o distrito em questão. E depois de muitas batalhas armadas, a revolução parecia ganhar força. Todavia, Hermosa relata que as “guerrilhas” aconteciam nas redondezas da cidade. Até que a revolta sofreu um golpe doloroso e paradoxal. João Pessoa fora assassinado por João Dantas, supostamente por motivos pessoais, e mitificou-se em todo o Brasil. E o que poderia dar fôlego a revolta, foi fundamental para sua queda. “Perdi a batalha.”, declarou Zé Pereira quando soube da morte de João Pessoa, segundo Hermosa.
 

A casa das 70 mulheres

Depois do fim da revolta, o Exército entrou na cidade para restabelecer a ordem pública. De acordo com Hermosa, que ainda não era casada com Zacarias Sitônio, grande amor de sua vida, foi um período muito bom, pois além da paz reinar, a cidade era embelezada pelos jovens e educados militares. Mas com a saída do Exército, a Polícia da Paraíba novamente entrou em Princesa para acabar com qualquer vestígio de revolução. E fez isso da forma mais brutal possível. Atacando e invadindo casas, queimando plantações e matando pessoas no meio das ruas. Não existia outra solução além da fuga.

Enquanto os homens envolvidos se exilaram por todo o Brasil, incluindo Zé Pereira, 70 mulheres foram morar na cidade de Flores (PE). Lá, começaram a trabalhar com costura, trabalhos manuais, ensinando crianças nas escolas, e até vendendo suas jóias. E justamente por essa posição à frente do seu tempo, acabaram sofrendo preconceito justamente por parte das mulheres nativas de Flores. Porém, encabeçadas por Hermosa, lutaram pelo empoderamento feminino naquela cidade.

Hermosa ainda relata um encontro emocionante. Certo dia, depois de uma jornada de trabalho, as 70 mulheres ouviram uma batida peculiar em sua porta. E ao perguntar de quem se tratava, foram surpreendidas: “É tio Zé Pereira”. Fugido, o coronel teve que ser célere na visita, visto que tropas da polícia todos os dias revistavam a casa das moças. “Foi um momento de muita emoção”, narrou Hermosa.

O grande amor

Depois da anistia e a saída das tropas da polícia da cidade de Princesa Isabel, as mulheres regressaram, após quase seis anos. E nessa volta, já madura, Hermosa Góes descobriu o grande amor de sua vida: Zacarias Sitônio. Digo descobriu, pois ambos já se conheciam desde a infância, mas na volta de Hermosa, a paixão floresceu. Leitor voraz e poeta declarado, Zacarias impressionava sua enamorada pela boca de Augusto dos Anjos. Os versos do livro “Eu”, estavam decorados em sua mente. Era um mar que misturava amor e poesia. E por falar em mar, surgiu daí a inspiração para os frutos desse amor: MARta, MARiângela e MARgareth. As três filhas de Zacarias e de Hermosa, que agora, configurava “Sitônio” como seu sobrenome. Seu cônjuge então, decidiu ingressar na política, e fazer oposição a Nominando Diniz, que passara a comandar a região, já que o tio Zé Pereira se afastara para um sítio em Serra Talhada (PE), em busca de paz. Zacarias, como bom “genro postiço”, elegeu-se prefeito e “guardou o lugar” de Aloysio Pereira, filho do Coronel, que estava no Rio de Janeiro estudando Medicina.

O Rei e a Princesa

Caminhando em paralelo às histórias da Revolta de Princesa, Hermosa relembra fatos relacionados ao movimento do cangaço, mais especificamente da intriga que Lampião, o rei, tinha com Zé Pereira, o coronel, e consequentemente, com Princesa. Segundo ela, Virgulino Ferreira recebia apoio de cidades vizinhas para manter seu bando ativo. E em uma das tentativas de invadir uma dessas cidades, Lampião sofreu um de seus piores ataques. As tropas do Coronel Zé Pereira o expulsaram e o chefe do bando foi alvejado com um tiro no tornozelo. Hermosa relata que quando o mesmo foi encontrado, agonizara na mata por 12 dias e tinha o pé preso à perna apenas por tendões.

Em outra história envolvendo o rei do cangaço, Hermosa conta que o bando chegou na fazenda Riacho dos Navios, onde seu pai costumava morar. E questionou de quem eram os gados daquela propriedade. “É dos sobrinhos do Coronel Zé Pereira”, respondeu um criado. E nesse momento, Virgulino autorizou sua tropa a fuzilar todos os animais. Sessenta cabeças de gados ao chão. Zé Pereira ainda foi traído por seu cunhado, Marcolino Pereira, que foi coiteiro de Lampião em uma de suas fugas nas redondezas de Princesa. “Eles protegiam Lampião por medo, não era maldade”, argumenta Hermosa. A centenária ainda afirma que não foram assassinadas pelo temido rei do cangaço por sorte. “Ele (Lampião) só não nos matou porque não conseguiu nos pegar ”, afirmou Hermosa.
 


Livro vivo

Pode-se dizer que Hermosa Góes Sitônio é uma fonte histórica viva. Assim como um livro que narra histórias que dão asas à nossa imaginação. Ouvir Hermosa é voltar no tempo sem sair do presente. É ver a História (com H maiúsculo) diante de nossos olhos. Que sua sensibilidade não se perca. E que esta princesa de Princesa se eternize como personagem vivo da História do Brasil.



Pesquei no Correio da Paraíba

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

CAPITÃO LUIZ MARIANO DA CRUZ

Memória de um Herói

Por Valdir José Nogueira*

Há homens predestinados a deixar para a história, um legado de coragem, de sacrifício, de amor e vocação à causa pública, aliado à determinação de seus ideais, com uma fé inabalável em Deus. O Legendário belmontense Capitão Luiz Mariano da Cruz encontrou nas décadas de 20 e 30 do século passado, um cenário desolador em decorrência do banditismo, que culminou com o aumento desordenado da criminalidade na região sertaneja. Intensificava-se naquela época o ciclo do cangaço, tempo difícil e inseguro para muita gente. Os cangaceiros aterrorizavam as cidades, realizando roubos, extorquindo dinheiro da população, sequestrando figuras importantes, além de saquear fazendas.

Esses grupos eram integrados, na maioria das vezes, por jagunços, capangas e empregados de latifundiários (detentores de grandes propriedades rurais). Esse movimento está diretamente relacionado à disputa da terra, coronelismo, vingança, brigas de famílias etc.

São José do Belmonte, hoje a próspera cidade do sertão central de Pernambuco, sendo uma região de fronteira, despontava como um verdadeiro arraial nas hostes do cangaço, por aqui Lampião, o rei do cangaço, deixou também seu rastro de sangue, morte e destruição, quando junto a um numeroso grupo de cangaceiros no dia 20 de outubro de 1922, invadiu a cidade para eliminar o próspero comerciante Luiz Gonzaga Gomes Ferraz. Durante o ataque, os cangaceiros também sofreram a heroica resistência do destacamento de polícia local sob o comando do bravo sargento Sinhozinho Alencar (José Alencar de Carvalho Pires) que contou naquela difícil situação apenas com oito praças. E dentre esses soldados lutou bravamente o jovem Luiz Mariano da Cruz, na ocasião com 22 dois anos de idade.

Pertencente a uma das tradicionais famílias belmontenses, o capitão Luiz Mariano da Cruz nasceu na fazenda Cacimba Nova no dia 08 de dezembro de 1899, filho do Sr. Manoel Mariano de Menezes e de dona Maria Francisca de Jesus. Luiz Mariano, durante sua vida se destacou como um aguerrido policial na perseguição a Lampião e seu bando.

Inicialmente, perseguiu-o no seu torrão natal, após, junto com o nazareno e lendário Tenente Manoel Neto, se embrenhou nas caatingas baianas e Raso da Catarina, onde teve dezenas de combates, tendo saído ferido em alguns, inclusive, tendo que se submeter a tratamento na cidade de Salvador, em face da periculosidade dos ferimentos sofridos. Na sua história militar, Luiz Mariano também foi delegado de polícia da cidade de Itabuna na Bahia e em Petrolina, Pernambuco.

 Cafinfin, Luiz Mariano e Manoel Neto

O bravo e afamado soldado Luiz Mariano, já capitão reformado, volveu os seus olhos inteligentes para a produção nativa do catolé, existente abundantemente na lendária Serra do Catolé, localizada nos limites do município de São José do Belmonte, sua terra natal, com o Estado da Paraíba. Luiz Mariano comprava toda a produção de catolé aos moradores da região, e comercializava com a empresa Alimonda Irmãos S.A. na cidade do Recife (PE). Esta empresa, fundada no ano de 1930, dedicou suas primeiras três décadas, à produção de sabão. O catolé de São José do Belmonte era destinado para esse fim, diante da visão empreendedora do Capitão Luiz Mariano. O pó da palha do catolé era também comercializado com empresários da cidade de Salvador (BA), e destinava-se ao fabrico de vinis, na época os famosos “discos de 78 rotações”.

Quis o destino, que no dia 21 de maio de 1943, numa das suas costumeiras viagens de negócios, transportando uma grande carga de catolés de São José do Belmonte para o Recife, o caminhão tombou em Ipanema, município de Pesqueira (PE), causando a morte aos 42 anos de idade do bravo e inesquecível capitão Luiz Mariano da Cruz.

 Sepultamento de Luiz Mariano

O mesmo foi casado em 1918 na cidade de Custódia – PE com Maria Bezerra (Liquinha). Desse casamento houve um filho o coronel José Mariano Bezerra (Zequinha), nascido no dia 14 de janeiro de 1928. Este senhor foi casado com Zuleima Ferraz Bezerra filha do coronel José Alencar de Carvalho Pires (Sinhozinho Alencar) e de Albertina Ferraz Alencar.

Porém, foi durante o combate contra o banditismo que o nome do Capitão Luiz Mariano ficou gravado na história. Durante esse período de terror, o capitão Luiz arregaçou as mangas, apurou crimes, prendeu bandidos, capturou bandos de cangaceiros e ladrões de cavalos, sem dispor à época, de armas, viaturas e helicópteros, enfrentando dificuldades de toda ordem. Dispunha na verdade, de seu velho “38” e de uma reduzida, mas eficiente equipe de policiais de sua irrestrita confiança.

Mais das vezes sua viatura era o lombo de um bom cavalo, para as estradas batidas de poeiras e veredas do sertão. Foi um policial astuto e muito valente. Enfrentou todas as adversidades da natureza, como o surto de infestação de várias doenças tropicais, como as terríveis febres, sobrevivendo heroicamente. Foi um trabalhador incansável, um líder nato, um policial polivalente.

A cidade de São José do Belmonte no passado denominou uma de suas ruas com o nome deste grande vulto de sua história. Todavia hoje a maioria dos seus habitantes desconhece a trajetória deste bravo belmontense, policial de brio, homem honrado e probo, símbolo da concretização de um ideal, que certamente servirá de luz, como um farol, a guiar as futuras gerações de oficiais e praças da bicentenária e histórica Corporação que é a Polícia Militar de Pernambuco.

*Pesquisador e escritor

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Um super documentário

Rastejador, de Thomaz Farkas


Finalmente temos o prazer de publicar, pela primeira vez nestes dez anos de atividade, um dos melhores documentários feitos sobre o tema.

Ao lado de "Memória do Cangaço", Rastejador é mais uma obra prima do genial Farkas, que agora está disponível com uma excelente qualidade áudio e vídeo.

Sinopse: Batista e Joaquim Correia Lima, ambos de Santa Brígida no sertão baiano, são profissionais que trabalharam como rastejadores, pessoas dedicadas a caçar animais e que posteriormente foram usadas para rastrear pessoas, servindo como fiel e eficiente auxiliar nas volantes, durante o movimento do cangaço no nordeste brasileiro.

1970 / 25min / Colorido / 16mm ampliado para 35mm



Folder


Pescado no thomasfarkas.com

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Leandro Cardoso em entrevista

Faroeste no chinelo

Por: Luana Sena

Foto: Mauricio Pokemon
Leandro Cardoso é um cardiologista de meia idade cujo hobby predileto é estar entre os livros. Não são títulos de medicina, nem poesia, tampouco ficção. O que atrai o médico são histórias sanguinárias de um passado recente do nordeste brasileiro: livros, punhais, cartucheiras, chapéus e outros pertences originais ocupam quatro armários do chão ao teto. Em um dos cômodos de seu apartamento, na zona leste de Teresina, Virgulino Ferreira, o rei do cangaço, está mais vivo do que nunca.

A paixão de Leandro pelo tema começou aos 12 anos, quando ganhou de presente do avô o livro “Lampião, cangaço, nordeste”. As marcas na dobradura dão pistas sobre o tempo, mas ele não é o mais antigo – nem seria o primeiro – livro daquela coleção. De lá para cá, Leandro seguiu lendo e pesquisando tudo o que diz respeito ao cangaço.

Leandro trabalhou por dez anos em São Paulo, “a capital mais nordestina de todas”, diz o médico. No consultório, conversa vai, conversa vem, vez por outra ele encontrava descentendes de cangaceiros – primos, irmãos, filhos – ou mesmo dos volantes (Força Volante era a tropa do governo montada para combater os cangaceiros nos anos 1930). “Eu fui médico da dona Mocinha, irmã de Lampião”, relembra. Cada personagem descoberto era como uma peça que faltava no quebra-cabeça do pesquisador.

Em maio de 2002, Leandro recebeu uma ligação inesperada de Aracaju. A voz do outro lado da linha disse sem cerimônia:

– A cabeça do vovô está aqui em casa, você gostaria de ver?

 Era Vera Ferreira, neta de Lampião. Pegou o primeiro avião. Tornou-se o segundo médico a confirmar que Lampião não era “lombroso” – a expressão remete ao médico italiano, Cesare Lombroso, criador da teoria de que traços físicos podem denunciar um perfil criminoso. “Orelha de abano, fronte fugidia, caninos possantes, eram algumas das características de um lombroso”, explica o médico. A teoria caiu em desuso, mas a curiosidade dos pesquisadores sobre Lampião permaneceu porque ninguém nunca tinha tido a oportunidade de examinar tão profundamente essas características.

Lampião e mais nove integrantes de seu bando foram mortos em 1938 por tropas da polícia na Gruta do Angico, sertão sergipano. As cabeças foram decepadas e permanceram por anos no Instituto Nina Rodrigues, na Bahia, até a família de Virgulino conseguir na justiça o direito de enterrá-la, no cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador. Mas, o início dos anos 2000 trouxe fortes chuvas a região, e a defesa civil obrigou a retirada das urnas do local. Elas foram entregues novamente as famílias. “Como eu sou amigo da Vera e ela sabia que eu estava escrevendo um livro, me ligou com essa proposta e eu nem pensei duas vezes”.

O exame resultou no livro “Lampião: a medicina e o cangaço – aspectos médicos do cangaceirismo”, escrito por Lendro em parceria com Antônio Amaury Corrêa de Araújo, umas das maiores referências em cangaço no Brasil. “Eu pude examinar o occipital dele por dentro e Lampião não era um lombrosiano nato”, diz o médico. O livro traz ainda outros diagnósticos sobre a figura do cangaceiro mais famoso da história, como a cegueira no olho direito. “Se você pegar a literatura, cada um diz uma coisa: catarata, glaucoma, mas tudo da boca pra fora”, afirma o pesquisador. “Durante um combate com uma volante, em 1925, uma bala pegou num espinheiro que estava perto de Lampião e ele foi atingido”, explica Leandro. “A causa mais comum de cegueira no sertão é trauma”, continua. “Se ele tivesse feito um transplante de córnea, provavelmente voltaria a enxergar, mas naquela época não existia”. Lampião virou um cego funcional e teve que aprender a ser canhoto quase aos 30 anos de idade.

Na prateleira, o livro escrito por Leandro divide espaço com mais de 100 títulos. Há ainda uma videoteca com filmes como “O cangaceiro”, de Lima Barreto (1953), “Nordeste sangrento”, com o estreante ator Paulo Goulart (1963) e “Baile perfumado”, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (1996). Entretanto, o filme mais precioso ali é um DVD um tanto caseiro com 11 minutos de imagens de Lampião e seu bando, registrados pelo sírio-libanês Benjamin Abraão na década de 1930. “Lampião aceitou que o libanês os filmasse porque ele era secretário de Padre Cícero”, explica Leandro. O filme ficou por anos preso no porões da ditadura Vargas e só se conhecia, afinal, seis minutos de gravação. “Benjamin passou meses lá com os cangaceiros, é provável que existissem horas e horas de gravação, mas boa parte do filme foi perdida ou danificada”. Foi Leandro e o cineasta Wolney Oliveira que encontraram, na cinemateca brasileira em São Paulo, mais cinco minutos inéditos de imagens.

Parte do acervo do pesquisador 
(foto: Mauricio Pokemon)

Além do acervo literário e visual, o médico também guarda peças originais do vestuário dos cangaceiros: chapéu, bornais floridos, cartucheiras, alpargatas e punhais – um deles foi presente de Moreno, considerado um dos cangaceiros mais valentes do bando de Lampião. “Parando minha recordação, eu ainda matei 21”, diz Moreno, aos 99 anos, no documentário “Os últimos cangaceiros”, lançado este ano no Brasil. Leandro conheceu Moreno e a mulher, Durvinha, cujas histórias de vida daria um filme. E deu! (Leia abaixo!)

Leandro fala de cada detalhe da indumentária do cangaço com um misto de admiração e extase. Ele sabe de cor as falas de Lampião no filme mudo. Tem na mente as datas dos combates, faz viagens frequentes para regiões que foram marco do “banditismo social” brasileiro e refuta pesquisadores. Para ele, um dos maiores equívocos é confundir o cangaceiro com a figura de um bandido. “O código penal da época era surra, bala e punhal”, explica. “Tratar o cangaceiro como bandido é um erro porque esse era o modus operandi daquela época”, defende. “A polícia agia assim e o coronel também”.

O médico vê o cangaço como uma manifestação contra a colonização, “um irredentismo brasileiro”, diz, citando a teoria de Frederico Pernambucano de Mello. “Cada vez mais eles foram empurrados pro sertão porque queriam viver sem lei nem rei”, afirma. O que os diferencia do bandido comum? “O bandido tende a se ocultar, viver na surdina. O cangaceiro não. Ele não se acha bandido porque tem um código de ética muito próprio. Você acha que um cara que se veste daquele jeito quer ficar oculto?”

O estilo cangaço também é outro ponto de equívoco sobre o que se prega a respeito de Lampião. Ao contrário do que vemos nas imagens da época, todas sem cores, as roupas não eram cinza, muito menos de estampa camuflada. “Parecia alegoria de carnaval”, brinca o pesquisador. “A roupa é espalhafatosa, mas nada daquilo é supérfluo”, explica enquanto mostra a forma correta de se abotoar um bornal. “Eles usavam quatro bornais em volta do ombro. O cara carregava mais de 30 quilos e podia rolar no chão que não saia nada do corpo”. Muitos desses detalhes estão no livro “A estética do cangaço” (Frederico Pernambucano de Mello), que traz ainda curiosidades sobre lenços, perfume francês, óculos alemão e outros delírios de consumo do vaidoso Lampião. “Era tudo muito bem feito, costurado em máquina, tinha uma preocupação visual”, diz o médico. “O faroeste americano não chega nem perto”.

Em outubro deste ano, algumas dessas peças vão estar expostas no 4º Congresso Nacional do Cangaço que acontece pela primeira vez no Piauí, na cidade de São Raimundo Nonato. Organizado pela SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos Sobre o Cangaço), o evento vai reunir (de 27 a 31) os maiores pesquisadores brasileiros sobre o tema – Vera Ferreira, neta de Lampião, confirmou presença para uma palestra. Leandro, que coordena o evento, também vai ministrar palestra e lançar nova edição de seu livro – serão cinco dias entregue a histórias de sangue e sertão pra faroeste americano nenhum botar defeito. “A gente não acredita no que a gente tem”, diz o pesquisador intrigado com o fato de Hollywood vender há anos Billy the Kid como o maior fora-da-lei de todos os tempos. “Ele matou três pessoas! Três! Agora veja Lampião”, propõe. “Se Tarantino visse um negócio desse ficaria louco!”.

Os últimos cangaceiros

 Ninguém podia imaginar que o pacato casal Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto, ambos com mais de 90 anos, tinham um passado tão misterioso quanto impressionante. Por quase cinquenta anos eles esconderam dos filhos um segredo revelado somente no século XXI: eles foram cangaceiros integrantes do bando de Lampião.

Os pesquisadores nunca chegavam a um consenso sobre o paradeiro daqueles que escaparam ao confronto sangrento em Angico, no Sergipe – alguns apontavam Ceará e Maranhão como possíveis destinos dos cangaceiros. Outros afirmavam que eles haviam morrido. Porém, escondidos atrás dos nomes falsos sobre os quais refizeram suas vidas em Belo Horizonte, estavam, na verdade, Antônio Ignácio da Silva, o Moreno, e Durvalina Gomes de Sá, a Durvinha.

Ele, cearense, e ela, pernambucana, estavam no interior do Ceará quando souberam da morte de Lampião e dos demais companheiros, em 1938. Disfarçados de retirantes, seguiram rumo ao sul, mudaram de nome e fizeram um pacto de nunca contar a ninguém o segredo.

 Lançado em 2014, filme mostra casal que pertenceu ao bando de Lampião 
(foto: divulgação)

A história teria mesmo ido ao túmulo, não fosse o fato de, pelo caminho, os cangaceiros terem deixado um filho, aos três meses de vida, aos cuidado de um padre em Tacaratu, no interior de Pernambuco. Acometido por uma doença em 2006, Moreno resolveu revelar a família o desejo que tinha de reencontrar o primogênito. Os filhos puseram-se a procurar o irmão, em Tacaratu, quando se depararam com a surpresa: “Ah, o filho dos cangaceiros?”

Com a revelação, pesquisadores de todos os cantos voaram para colher de perto os novos relatos e as recordações de Moreno e Durvinha – sabe-se que ela foi, num primeiro momento, mulher de Virgínio, cunhado de Lampião. Com a morte dele, Moreno assumiu Durvinha – era proibido mulher sozinha no bando.

A história virou enredo do documentário “Os últimos cangaceiros”, produzido por Wolney Oliveira. É o primeiro longametragem documental sobre o cangaço e, no seu lançamento mundial, em 2014, foi premiado em festivais de cinema no México, Havana e Bolívia. Moreno e Durvinha não chegaram a ver o filme pronto – ela morreu em 2008, ele, centenário, dois anos depois.

Além de relatos dos ex-cangaceiros, filhos, parentes (e o reencontro com Ignácio, o filho mais velho, deixado no Pernambuco), o longa traz cenas inéditas das gravações feita pelo libanês Benjamin, nos anos 1930 (aquelas, recuperadas por Leandro e Wolney na cinemateca). A produção conseguiu colorir frame a frame algumas imagens, que, além de modernizar, dão uma ideia mais realista da estética do cangaço. Outro trunfo são as legendas nas falas de Lampião e seu bando: uma equipe especialista foi contratada para decifrar o que os cangaceiros falavam no filme mudo. Wolney colocou Moreno e Durvinha para se reverem nessas imagens – o resultado, emocionante, está no documentário.

Pesquei em www.revistarevestres.com.br

domingo, 12 de agosto de 2018

Lampião Aceso responde...

Onde Sila estava nesta fotografia e quem é o homem trajado de cangaceiro ao seu lado

Por Kiko Monteiro

Eis ai uma foto, até então inédita na literatura lampiônica, cujo crédito do achado é para o youtuber e pesquisador do cangaço Robério Santos. 



A legenda sugere que seja a ex-cangaceira Sila, (Hermecília Brás São Matheus 1924 - 2005) em um evento no município de Itabaiana, SE. Não há qualquer dúvida que seja Sila, o que intrigou os seguidores do Robério é quem seria o senhor que aparece ao seu lado vestido de cangaceiro. Sugeriram que fosse um ex-cangaceiro, provavelmente o próprio Zé Sereno, de quem ela foi companheira.

Quando bati o olho não tive dúvidas e eis aqui a resposta ao enigma, inclusive corrigindo o local da foto. 

O senhor que aparece nesta foto é o lagartense José Bernadino Santos, popularmente conhecido como "Zé Padeiro".

Apaixonado por Lampião, segundo a historiografia local, ele ainda na adolescência teria pedido ao próprio Lampião para ingressar no bando, quando este se encontrava no sertão da Bahia [provavelmente na região de Paripiranga, área de atuação mais próxima de Lagarto.

Mas que para sua frustração o rei do cangaço não o aceitou na suas hostes, não teria reconhecido motivos para aquele jovem virar cangaceiro.

Frustrado, Zé Bernardino voltou para sua terra. Aprendeu o ofício da panificação, por isso o apelido. Porém, 20 anos depois, início dos anos 60, encomendou trajes, armas e acessórios, adotou o vulgo de ‘Azulão’ juntou 17 homens e duas mulheres e criou um grupo... folclórico, denominado ‘Cangaceiros de Lampião’.


O grupo sob o comando de seu criador. 
A moça que aparece atrás é sua filha, a mesma da foto com Sila.

Seu Zé faleceu em 1988. Mas a tradição do seu cinquentenário grupo é mantido até os dias de hoje por seus filhos e netos, que costumam se apresentar em diversos eventos na região. 

A apresentação cangaceiros de Lagarto faz um misto entre exibição de xaxado com tiros de bacamarte (todavia utilizando espingardas do tipo 'polvoreira' ou a vulgarmente conhecida como “de soca”) que assusta os distraídos, especialmente no Desfile cívico de 7 de Setembro.



Filhos, netos e bisnetos de Zé Padeiro, mantém o legado cultural do grupo em Lagarto, SE

Sim, mas e o local?

Foi justamente durante a visita de Sila a Fazenda do pecuarista José Martinho Almeida, no município de Lagarto, em 17 de janeiro de 1984.

O encontro é um dos capítulos do livro “Sila, uma Cangaceira de Lampião”, (páginas 110-111) escrito por ela em parceria com Israel Araújo Orrico, e publicado pela editora Traço no mesmo ano de 1984. O livro não traz qualquer ilustração desta visita a foto foi feita por familiares do fazendeiro.

Mas o que me deu mais certeza do local, não foi tanto pela presença de 'Zé Padeiro', mas pela do animal, um boi da raça Gir ou Zebu, cria de estimação do pecuarista Martinho Almeida, que teria convidado o brincante para recepcionar e homenagear a ilustre visitante junto com seu grupo.

*Fotos de Zé Padeiro e do seu grupo atualmente, cortesia de Eduardo Bastos

sábado, 11 de agosto de 2018

O casamento de Doca

O dia em que Lampião reencontrou um amigo de infância

Entre as terras desses guardiões, no povoado de São José, a 6km de Alagoa Nova, (Manaira, PB) morava Doca.

Manoel Bezerra de Macena, mais conhecido como Doca, era pai de Quitéria, de China e de Zé de Doca. Casou-se com a manairense Isabel Ferreira da Luz, conhecida por Isabel de Doca e que era tia de Didi Pereira da Silva. Todos esses nomes são de pessoas bem conhecidas dos manairenses. Ambos são descendentes dos primeiros fundadores da Fazenda São José. Ele, descendente de José Bezerra Leite, ela de Ignácio ou de Félix Ferreira da Luz.

Na juventude, Doca teria estudado algumas aulas junto com Virgulino Ferreira, construindo certa amizade, mantendo-a mesmo depois que este enveredou pelas trilhas do cangaço.

Nos anos 20, junto com Marcolino Diniz, comunicaram um local, julgado seguro, que permitiu a Lampião apoiar-se por algumas ocasiões nas imediações do Pau Ferrado.

Doca teve um desentendimento com o chefe do povoado onde residia e isso passou a trazer-lhe certos desconfortos. Quando resolveu casar-se com a manairense Isabel Ferreira da Luz, queria que a celebração ocorresse no São José, onde morava. O chefe da localidade mandou um recado a Doca informando que não permitiria que houvesse festa no casamento.

Motivo: Seria muita gente e ia fazer muito barulho. Naquela época, casamento tinha que ter o baile, mas ninguém podia ir contra uma ordem de um mandatário local.

Lampião soube dessa notícia e mandou um recado para Doca:

Amigo, pode contratá o sanfoneiro e organizá o baile que ninguém vai atrapaiá.”

No dia 23 de novembro de 1923, depois do casamento, chegou uma tropa armada. Vieram “passar a guarda” no casamento (garantir a tranquilidade).

“Lampião apitou num apito e mandou chamar Pai”. Pai foi e Lampião disse “pode botá o baile que eu quero vê quem num qué escutá”.

A festa aconteceu, o sanfoneiro tocou e nada interrompeu a alegria. Atrás da casa, sob as árvores, ficaram os cabras, aos quais foi servido um farto jantar. Há quem diga que eram 17, outros afirmam que eram 40 cangaceiros. Doca chamou Lampião para jantar dentro da casa e, ali pela madrugada, o convidado disse: “A festa tá boa, Doca, mas eu vou embora.”

Presentes de Lampião

Lampião levou como presente de casamento, para Doca, uma garrafa de fino vinho, envasado em uma garrafa de cristal decorado (foto abaixo).

Para Isabel, levou uma “vorta (colar) de muito bom tamanho, de ouro e mais um par de brincos.

Quitéria conta que, muitos anos depois, Isabel trocou por um cavalo, somente os brincos.

“Mas o cavalo morreu. O cavalo era de Feliciano, mas Feliciano morreu. Ele deu os brinco a Maria de Zé Grande, mas Maria de Zé Grande Morreu. Depois eu não sei mais não, acho que ninguém teve sorte com eles (os brincos)”.
    
Brincos e colar de ouro, para Isabel – Presentes de Lampião

Não somente na época do casamento, mas em outros momentos de lazer, na sala da casa de Doca tinha uma mesa onde Lampião fazia suas refeições e se distraía, jogando cartas de baralho. A mesa tinha uma grande gaveta, com fundo falso.
“Na revorta de 30, pai amarrou dois fuzi debaixo da gaveta (no compartimento do fundo falso). Os sordado vieram, quebraram tudo, inxero a casa de buraco de tiro, mas quando a guerra acabou nós chegô do Brejo (Triunfo) e nós chegô e tava lá os dois rife, a Puliça num achô.”
Uma bandeja em grosso alumínio era o prato utilizado pelo cangaceiro para sua alimentação. A casa ainda mantém-se de pé e é cuidada pela filha mais velha do casal que nos reconta essas histórias .

(Narrações de Quitéria de Doca)

Pescado em Manaíra.net

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

EVENTOS

Café Patriota e Cariri Cangaço: Novidade de Arrepiar em Fortaleza !

Nos acostumamos a afirmar que o Cariri Cangaço além de ser um grande indutor de fomento ao aprofundamento do estudo e da pesquisa sobre o cangaço e temas capilares da cultura nordestina, além de promover grandes seminários, visitas técnicas, debates, lançamento de livros e ter hoje um significativo grupo de mais de 600 pesquisadores de todo o Brasil, promove acima de tudo o encontro das pessoas e mais que isso, promove o encontro das pessoas com a verdadeira essência da alma nordestina.



É com esse sentimento que vem norteando todas as investidas de nossa marca, que o Cariri Cangaço firma a preciosa parceria com o Café Patriota; um empreendimento que nasceu com o forte sentimento de amor a história e às nossas verdadeiras raízes. 

O Café Patriota é um espaço especialmente diferenciado, cafeteria e restaurante com cardápio de primeira classe, livraria e espaço cultural para apresentações de conferências e palestras como também reuniões , situado bem no coração de um dos mais importantes bairros de Fortaleza, Aldeota, já se consolida como uma das casas referência quando se trata de unir gastronomia e cultura.


Anapuena Havena do Café Patriota:
"Já ansiosos por essa parceira com o Cariri Cangaço" 



A parceria foi firmada no dia 28 de julho último entre o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa e os proprietários da casa, Lincoln Chaves e Anapuena Havena, numa indicação de que muita coisa boa vem por ai. "Já fazia tempo que estávamos, eu e Ingrid Rebouças, namorando o Café Patriota e hoje confirmamos esse namoro a partir dessa parceira onde o Café Patriota, dos amigos Anapuena e Lincoln, receberão periodicamente conferências, palestras, debates e encontros do Cariri Cangaço em Fortaleza, capital cearense, será mais um espaço onde certamente haverá o encontro da alma nordestina" ressalta um entusiasmado Manoel Severo.


Já a proprietária do lugar, Anapuena Havena revela:"Estamos ansiosos com essa parceria, o Café Patriota é na verdade um projeto de valorização da história e cultura brasileira e certamente o Cariri Cangaço tem muito a nos acrescentar".






 Bruno Paulino levou Antônio Conselheiro ao Café Patriota


Ingrid Rebouças e Manoel Severo



Bruno Paulino, Manoel Severo e Anapuena Havena

A ideia é promover periodicamente conferencias, debates, apresentação de vídeo documentários como também realizar encontros do Cariri Cangaço na cidade de Fortaleza. Personagens como Lampião, Maria Bonita, Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Beato José Lourenço, Padre Ibiapina, Luiz Gonzaga, dentre muitos outros serão as estrelas principais da parceria Cariri Cangaço-Café Patriota. 

"Já estamos dando o primeiro passo nessa direção, estamos acertando com o Lincoln e a Anapuena já um primeiro encontro para o dia 11 de agosto, um sábado, as 10 horas da manhã nos salões da casa, esse será o primeiro momento do Cariri Cangaço-Café Patriota e nosso convidado especial será Virgulino Ferreira da Silva" confessa Manoel Severo. 

Café Patriota





 


 
"Conheci recentemente o Café Patriota. Criado por Lincoln Chaves, amante da história do Brasil, o Café Patriota traz uma mensagem de amor à pátria e ao seu povo. Com uma decoração repleta de símbolos e sentimentos, o Café Patriota tem em suas paredes quadros que retratam a história de nosso país. O café também possui uma livraria, em parceria com a Chiado Editora, e tem, na sua agenda cultural, lançamento de livros, com debates e conversas, além dos famosos Saraus Literários.

Os cafés, de uma forma geral, sempre foram ponto de encontro e de debates, e o Café Patriota quer resgatar esse costume. O cardápio do Patriota foi criado por Leandro Restrepo, trazendo pratos contextualizados historicamente, tudo uma delícia e feito com produtos de primeira qualidade. São pratos montados, tapiocas, sanduíches, drinks e outras bebidas, e, claro, os cafés mais tradicionais. O Café Patriota é mais uma opção gastronômica na querida Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, e traz um serviço diferenciado que certamente irá agradar aos seus clientes.

Viva a diversidade de ideias e os espaços para discussões sadias e responsáveis."

Leo Gondim

IN http://conhecendooceara.com.br/na-cozinha-com-leo-gondim-um-charme-de-lugar/
 
 

Café Patriota Av. Santos Dumont, 1453 Aldeota - Fortaleza - CE.
Estamos abertos todos os dias e feriados das 12h às 22h
 

Pesquei no sítio do coroné Severo

Histórias das Batalhas

Serra Grande se consolidou como a maior vitória

por Fernando Maia - Repórter


 Na casa para onde os feridos na batalha de Calumbi foram levados,
se vê a Serra Grande, local em que Lampião obteve a sua maior vitória no cangaço

Calumbi (PE). O enfrentamento motivou o ex-policial, pesquisador e colecionador Lourinaldo Teles a escrever, após seis anos de pesquisa, o livro “A maior batalha de Lampião- Serra Grande e a invasão de Calumbi”, o que valeu na época para Virgulino Ferreira o título de Imperador do Sertão. Para se ter uma ideia do material conseguido por Lourinaldo, ele coleciona mais de 300 projéteis retirados da serra onde foi travada a luta, além de cartuchos vazios, a maioria encontrados com um detector de metais. Nos cálculos do escritor, pelo menos cinco mil tiros foram deflagrados no evento no qual Lampião demonstrou toda a sua condição de estrategista.


 Lourinaldo Telles
(Foto Blog Cariri Cangaço)

Quando tomou conhecimento que o major Theófiles Torres seria nomeado comandante geral das forças volantes do interior pernambucano, Lampião, já sabendo que o principal objetivo do militar era prendê-lo ou matá-lo, buscou uma maneira de desmoralizá-lo. No dia 24 de novembro, sequestrou Pedro Paulo, o Mineirinho, representante da Shell na região. Seguiu para a Serra Grande, entre os municípios de Flores, de quem Calumbi se emancipou em 1964, e Serra Talhada. No local, além de ser acostumado a acampar, tinha no entorno vários coiteiros.


Lampião enviou uma carta para as autoridades de Serra Talhada exigindo uma quantia em dinheiro para liberar Mineirinho. A Polícia foi até o local do sequestro para levantar pistas. Enquanto isso, o cangaceiro e seu bando praticavam ataques e sequestros na região, numa indisfarçável tentativa de levar as volantes ao local onde cerca de 116 homens estavam entrincheirados.

Segundo o pesquisador, oficialmente a Polícia contava com 296 soldados, mas o número real seria 350, contra 116 cangaceiros. Num confronto que começou às 8 horas da manhã e foi concluído às 17 horas, o saldo foi o seguinte: 10 mortos e 14 feridos entre as forças policiais. Nenhum cangaceiro saiu ferido.

“Esse é o relato oficial. Entretanto, consegui encontrar pelo menos mais um outro policial que faleceu, conforme depoimento de seus familiares. Foi uma batalha extraordinária. Lampião estava armado até os dentes com o arsenal que recebeu em Juazeiro do Norte. Do outro lado, estava toda a elite da Polícia de Serra Talhada. É considerada a maior batalha de Lampião, pelo número de envolvidos, de mortos e feridos e munição deflagrada, pelo menos uns cinco mil tiros, se contarmos em torno de dez balas por homem”.

Na companhia de Lourinaldo, visitamos a casa de Zé Braz, no Sítio Tamboril, onde os feridos ficaram. “Sete dos mortos foram enterrados numa cova coletiva, depois que os três primeiros foram colocados em sepulturas individuais. Os 14 feridos vieram para cá. Esse pilão aqui é o original. Aqui os pintos eram jogados e o pilão era usado para triturar as aves junto com água. O preparo era dado aos feridos. A crendice popular indicava que aqueles que bebessem e não vomitassem escapavam; do contrário, morreriam. O certo é que todos os pintos do sítio foram sacrificados nesse dia”.

De cima da linha férrea da Transnordestina, Lourinaldo aponta para a região onde os homens de Lampião se entrincheiraram. “O local é conhecido até hoje como Serrote de Lampião. Era o ponto perfeito. Do alto da serra, se via tudo o que se passava embaixo. Além disso, existiam olhos d´água e muitos animais para a caça. Outro fator importante: vários amigos de Virgulino, antes de ele entrar para o cangaço se tornariam seus coiteiros. Por ali, quando adolescente, ele levava e trazia mercadorias para negociar em Triunfo e outras cidades com os irmãos, conhecendo cada centímetro daquela terra. Enfim, ele escolheu o território ideal para desafiar as forças oficiais”.

Polêmica

Embora reconheça em Lampião um “homem astuto, extremamente estrategista e inteligente”, Lourinaldo contesta o entendimento de que o Rei do Cangaço, capaz de práticas cruéis contra seus inimigos, jamais abusou de mulheres. “No meu primeiro livro, já citei um caso envolvendo uma mulher casada. A pedido da família, o nome não foi mencionado. Entretanto, brevemente lançarei outra publicação, intitulada “Lampião, o Imperador do Sertão”, no qual narrarei dois outros abusos, também de mulheres casadas. Já recebi a autorização das famílias para citar os nomes e o farei”.

Lourinaldo destacou que o que mais lhe impressionou na história do Rei do Cangaço “foi sua capacidade de liderar mais de cem bandidos da pior espécie”. Sobre o fato de policiais utilizarem os mesmos métodos de tortura praticados pelos cangaceiros, o pesquisador disse não haver a menor dúvida disso e tem uma explicação.

“Muitos personagens estiveram dos dois lados. Quelé do Pajeú, por exemplo, foi inspetor de Polícia em Triunfo (PE). Saiu da Polícia para se tornar cangaceiro de Lampião, com quem se desentendeu. Abandonou o bando e foi ser sargento na Polícia da Paraíba. Corisco era soldado do Exército. Quando saiu, entrou para o cangaço”.



Coleção

O pesquisador possui em sua coleção particular, além de centenas de balas e cartuchos encontrados na Serra Grande e até em Angicos, punhais que pertenceram aos cangaceiros Joaquim Teles de Menezes, Meia-Noite e Félix Caboge. Mas uma arma tem um valor inestimável. É a que Luiz Pedro, considerado braço direito de Lampião, matou acidentalmente Antônio, irmão de Virgulino. O fuzil é o mesmo com o qual Antônio pousa em suas pernas para a famosa foto de Lampião e o restante da família, em Juazeiro do Norte.


O escritor e colecionador conta que todos estavam bebendo e jogando baralho no acampamento, quando Antônio bateu na rede onde Luiz Pedro estava deitado com o fuzil engatilhado. A arma disparou um tiro certeiro em Antônio. Tal era a confiança de Lampião em Luiz Pedro que poupou sua vida, mesmo ele tendo tirado a do próprio irmão.

O fuzil foi deixado por Luiz Pedro na casa de uma irmã, chamada Elvira, que, muitos anos depois da sua morte, entregou a arma a Lourinaldo.

Publicado originalmente no Jornal Diário do Nordeste

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Em Fortaleza, CE

Estoril recebe exposição que lembra os 80 anos da morte de Lampião

A Prefeitura de Fortaleza, por meio das Secretarias Municipais do Turismo (Setfor) e da Cultura (Secultfor), em parceria com o Sesc apresentam a exposição No Rastro do Cangaço no Estoril. Do artista cearense Vlamir de Sousa, a mostra de arte lembra os 80 anos da morte do lampião, Virgulino Ferreira da Silva.



A exposição conta com mais de 20 obras que retratam a vida dos cangaceiros em pinturas a óleo, desenhos e aquarelas. A exposição conta com mais de 20 obras que retratam a vida dos cangaceiros em pinturas a óleo, desenhos e aquarelas.

Com caráter regional a exposição, que faz parte da série “Visões do Cangaço”, conta com mais de 20 obras que retratam a vida dos cangaceiros em pinturas a óleo, desenhos e aquarelas. A mostra ficará exposta até o dia 14 de setembro.

Homenageando Lampião, os trabalhos de Vlamir de Sousa abordam o dia a dia do grupo que marcou a cultura popular nordestina e retratam uma imagem diferente de Virgulino em suas obras, deixando de lado a violência e focando no ponto de vista da vivência do grupo.

Vlamir trabalha a mais de 20 anos em temas voltados para o cangaço. Com mais de 100 trabalhos, o pintor aborda diversas técnicas, trazendo consigo uma densa carga de conhecimento histórico e artístico.

Lampião ficou conhecido por ter atuado no nordeste brasileiro e por sua integração como o melhor líder cangaceiro da história, intitulado como o Rei do Cangaço.

Serviço

Exposição No Rastro do Cangaço

Local: Galeria Mário Baratta – Estoril (Rua dos Tabajaras, 397 – Praia de Iracema, Fortaleza)
Visitação: segunda a sexta-feira, 8h às 17h, sábado 9h às 15h
Acesso gratuito

Pesquei no Sebo Vermelho

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Primo e cabra de 'Sinhô'

Ascendência do Cangaceiro Cajueiro

Por:Valdir José Nogueira

José Pereira Terto, cangaceiro Cajueiro

Residente nas cercanias da Serra do Reino em Belmonte, o célebre cangaceiro “Cajueiro” tinha como nome de batismo José Pereira Terto, sendo filho de Manoel Terto Alves Brasil e de Antônia Pereira da Silva (Totonha). Amplamente conhecido no mundo do cangaço, Cajueiro foi o homem da mais elevada confiança de seus primos Sinhô Pereira e Luiz Padre.

Conta-se que em princípios do século XX, Cajueiro havia levado uma sova de um soldado por nome Cipriano de Souza, porém, ao chegar em casa, sua mãe dona Totonha Pereira não o abençoou.

Dias depois, Cajueiro resolveu assassinar o seu agressor e ao retornar para casa, foi abençoado por sua genitora. Depois deste fato, o mesmo resolveu ingressar no cangaço ao lado dos primos Sinhô Pereira e Luiz Padre.

Em 1919 foi para o Planalto Central com Luiz Padre. Retornando ao Pajeú no ano de 1922, Cajueiro foi de fundamental importância no estratagema de Sinhô Pereira, Luiz Padre e Ioiô Maroto que culminou no ataque a Belmonte no dia 20 de outubro de 1922, onde foi assassinado o coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, próspero comerciante daquela cidade sertaneja.

Cajueiro deixou seu nome marcado na história como um dos homens mais experientes do cangaço, muito valente e moralista.

Ascendentes de Cajueiro:

Lado materno:
Mãe; Antônia Pereira da Silva (Totonha, falecida em 06/05/1946 aos 80 anos de idade), filha do primeiro casamento de Dona Dé (Maria José Pereira da Silva) com o major Joaquim Pereira da Silva Tintão (este filho do Comandante Superior Manoel Pereira da Silva). Dona Dé era filha de Josefa Pereira da Silva (Dona Zefinha do Serrote) e de Joaquim Nunes da Silva. Portanto, Cajueiro era bisneto de Dona Zefinha do Serrote (Josefa Pereira da Silva) e também bisneto do Comandante Superior Manoel Pereira da Silva. O Barão do Pajeú era tio avô de Cajueiro.

Lado paterno:
Pai; Manoel Terto Alves Brasil, filho de José Alves dos Santos e de Carolina Jocelina (ou Marcionila) da Silva, esta filha do Padre Francisco Barbosa Nogueira e de Quitéria Pereira da Cunha da fazenda Cipó em Serra Talhada. Portanto Cajueiro era bisneto do Padre Francisco Barbosa Nogueira (este neto de Manoel Lopes Diniz fundador da fazenda Panela D’Água em Floresta).

Em virtude de umas querelas familiares onde residia, na fazenda Cipó em Serra Talhada, o casal José Alves dos Santos (Cazuza Cego) e Carolina Marcionila da Silva (filha do Padre Francisco Barbosa Nogueira e de Quitéria Pereira da Cunha), comprou em 1881, na Freguesia de Belmonte, uma propriedade na fazenda Campo Alegre, cercanias da Serra do Reino (cuja vendedora foi dona Jacinta Pereira de Souza), onde passou a residir. Este casal deixou nove filhos dentre os quais o Sr. Manoel Terto Alves Brasil que casou com Antônia Pereira da Silva (Totonha, filha do major Joaquim Pereira da Silva Tintão e Maria José Pereira da Silva, Dona Dé), pais de Cajueiro: José Pereira Terto.

Valdir José Nogueira,pesquisador e escritor
Pres. da Comissão Local do Cariri Cangaço
São José de Belmonte, Pernambuco



NOTA DO PESQUISADOR SOUSA NETO: Em 1923 ao chegar em Minas Gerais, Cajueiro ou Joaquim Araújo da Silva, nome adotado naquelas paragens torna-se amigo pessoal do Cel. Farnesi Dias Maciel, irmão do Presidente Olegário Maciel. Foi da guarda pessoal do Governador Olegário onde na revolução de 1930 deu total proteção a esse que junto aos primos JOSÉ ARAÚJO e FRANCISCO ARAÚJO, formaram um pelotão para guardar o Palácio do governador que esteve sob iminente ataque das forças getulistas.

Para ilustrar mais um pouco a bela matéria do nosso valoroso amigo Valdir José Nogueira, vejam abaixo a certidão de óbito do célebre Cajueiro. Atente para o detalhe: ele faleceu exatamente três meses e nove dias após Sinhô Pereira.


No Livro do cartório ambos os óbitos estão na mesma página. Outro detalhe, nasceram no mesmo ano 1896.

Abraço a todos! Depois contarei o resto.

Pesquei no Sítio do coroné Severo

Quem foi Monsenhor Berenguer?

Foi um padre que enganou Lampião

Por: José Gonçalves
Com Edição do Lampião Aceso

Este é o lendário Monsenhor Berenguer, que por quatro décadas foi pároco de Monte Santo, BA. Segundo a historiografia local, dentre as suas inúmeras façanhas está aquela de ter 'enganado Lampião'.


"O sacerdote, que se encontrou com Lampião no Cumbe [Euclides da Cunha], teve de contar com a ajuda de colegas para escapar da morte.

O sacerdote teria topado com o rei do cangaço nas proximidades do povoado Algodões [distrito do município de Quijingue] quando Lampião, acompanhado por oito cabras, pediu que o padre lhe cedesse um automóvel Ford de sua propriedade para transportar o bando até a vizinha cidade de Tucano. Porém o astuto Berenguer, simulou um problema mecânico no carro.

Os cangaceiros acabaram passando para um caminhão de propriedade do também padre José Eutímio.

Dias depois, Lampião ficou sabendo que o padre Berenguer estava se gabando de tê-lo ludibriado.

Sem perda de tempo, fez chegar ao sacerdote a seguinte ameaça: "padre Berenguer, no dia em que a gente se encontrar, vou ensinar o senhor a enganar Lampião". 

Graças à intervenção do também religioso Zacarias Matogrosso, que confirmou o tal defeito, o sacerdote escapou da vingança terrível do líder cangaceiro".

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Tributo

Das Volantes à CIPE Caatinga

Mais um vídeo produzido para a Série Memórias da PM da Bahia, sob a coordenação do major Raimundo Marins.

Neste capítulo "A evolução histórica das tropas baianas que enfrentaram o Cangaço no Sertão".



Pescado no Canal Carlos Alberto

domingo, 5 de agosto de 2018

Costa Rego X Lampião

Quando o Rei do Cangaço desdenhou do Governador das Alagoas

Pedro da Costa Rego, o célebre Costa Rego, nasceu no Pilar (AL), em 12 de março de 1889. Jornalista, escritor e político, na vida pública, foi secretário da agricultura (1912), deputado federal (1915-17, 1918-20, 1921-23), governador (1924-28) e senador (1929-30 e 1935-37), sempre por Alagoas.

A frente do Governo manteve também uma luta sem tréguas contra os cangaceiros que de vez em quando surgiam no sertão do estado.


Conta Leonardo Mota, em seu livro “Sertão Alegre“, que Lampião assim teria telegrafado a Costa Rego:

— “Eu tou costumado a travessar rio cheio quanto mais REGO…”.
Mas o fato é que o famoso bandoleiro 'comeu ruim' naquela época.

Ficaram no folclore alguns vestígios da perseguição de Costa Rego ao rei do cangaço. Diz uma velha peça de Reisado:

Costa Rego mandou um comandante
Com a tropa volante
Andar de déo em déo,
Lampião é a gota serena,
Mas com Zé Lucena
Ele acha o chapéo.


Ao som da “Mulher Rendeira”, cantava o povo naquele tempo:

Ao seu doutô Costa Rego
Lampião mandou dizer,
Que o tenente Zé Lucena
É duro de se roer.

Costa Rego já mandou
Volante para o sertão
Com Zé Lucena na frente
Para pegar Lampião.

Costa Rego em Alagoas
Não protege Lampião,
O que tem pra cangaceiro
Ou é bala ou é prisão.



Trecho do artigo 'Costa Rego no folclore alagoano' de José Aloísio Vilela, publicado originalmente em História de Alagoas

sábado, 4 de agosto de 2018

Recompensa atualizada

Trinta e sete cabeças de cangaceiros estão valendo 129:000$000 contos de réis

Por Joel Reis

"A Polícia Baiana organizou uma tabela de preços para as cabeças de Lampião e seus companheiros.  O capitão João Facó, chefe de Polícia, aprovou a tabela de preços organizada pelo Tenente Manoel Campos de Menezes, e já posta em vigor para quem trouxer as cabeças dos bandoleiros".
 
Capitão João Facó. Posse: 09.1931
Fonte: cangaconabahia.blogspot.com


Tenente Manoel Campos de Menezes 
Acervo do pesquisador Rubens Antônio

 "Estão valendo 129 contos"
Dizia a página 1 do jornal 'A Batalha' (RJ), ed. n. 1136, em 10 nov. 1933.

A referida tabela que o periódico publica é a seguinte:

Tabela: 37 cabeças valendo 129 contos de réis
Fonte: A Batalha (RJ), n. 1136, 10 nov. 1933, p. 2.

Tabela Explicativa:

- FAC-SÍMILE* da Tabela - Respeitando a ortografia do documento. Fac-símile - (do Latim fac simile = faz igual) é toda cópia ou reprodução de letra, gravura, desenho, composição tipográfica etc.

- Errata da tabela - A identificação e correção dos nomes dos cangaceiros: Conforme a Tabela da Figura 04 - Observa-se alguns nomes repetidos ou identificados como (2º), isto é, indicava que existiu ou existia um outro de mesma alcunha.

A explicação disso: os chefes de cangaceiros, ao recrutarem um novo membro para o bando, davam a ele a mesma alcunha de um cangaceiro que já não estava mais no grupo.

Assim, frequentemente a polícia anunciava a morte ou prisão de um cangaceiro e, com um tempo, o mesmo nome voltava a ser noticiado devido aos feitos praticados por esse novo cangaceiro de mesmo apelido. Com isso, as notícias de mortes e detenções divulgadas pelas autoridades se tornavam duvidosas e sem crédito diante da opinião pública, à medida que o mito da invencibilidade dos cangaceiros se sustentava. (OLIVEIRA, 2012).

- Os preços das cabeças dos cangaceiros em RÉIS  convertidos para o REAL. Levou-se em consideração a data da tabela  de 10 de novembro de 1933.

Tabela: Fac-símile, identificação e correção dos nomes, valores para o real (R$)
Fonte: viacognitiva.blogspot.com.br


Considerando a data da aprovação da tabela (10 de novembro de 1933) e a inflação nesse período foi - 2,0%. P.S.: Em 1933 houve -2,0% (deflação)...


... O valor atual (2018) das cabeças seria aproximadamente:



Lampião
Rs 50:000$000 = R$ R$ R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais)

Corisco
Rs 10:000$000 = R$ 200.000 (Duzentos mil reais)

Cirilo, Luis Pedro e Mariano
Rs 5:000$000 = R$ 100.000 (Cem mil reais)

Zé Baiano, Gato II, Moderno (Virgínio), Arvoredo II e Labareda
Rs 4:000$000 = R$ 80.000 (Oitenta mil reais)

Calais, Jurema II, Beija-Flor III, Maçarico II, Medalha II, Suspeita e Coqueiro II
Rs 2:000$000 = R$ 40.000 (Quarenta mil reais)

Bem-te-vi Moreno, Jararaca III, Alecrim, Bem-te-vi (de Corisco), Moita Brava II, Pancada, Criança III, Português, Boi Manso, Avião, Duca, Pai Véio II, Franqueza, Pó Corante II, Nevoeiro, Balão, Bom de Vera, Pedra D' Ave, Meia Noite III e Jurema
Rs 1:000$000 = R$ 20.000 (Vinte mil reais)

• Valor Total (todas as cabeças) $ 129:000$000 = R$ 2.580.000 (Dois milhões, quinhentos e oitenta mil reais)

Caso queiram aprender como fazer a conversão de réis para o real é só CLICAR AQUI

Publicado originalmente no  Via Cognitiva

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

No coito do pesquisador...

Como vai você, Luiz Ruben?

Aderbal Nogueira visita ao acervo do pesquisador pernambucano Luiz Ruben, uma referência no estudo do cangaço no Brasil.



Parte 2



Pescado no pioneiro, canal de Seu Aderbal