quinta-feira, 23 de julho de 2015

Novidades na latada do Cariri Cangaço Piranhas 2015

Cangaço - Ecos na literatura e cinema Nordestino, de Vera Figueiredo


A literatura presta uma imensurável contribuição ao estudo, pesquisa e divulgação da história e cultura nordestina, especialmente ao Cangaço, Coronelismo, Misticismo e temas afins.

No presente trabalho, a professora Vera Figueiredo Rocha faz uma análise séria, competente e esclarecedora das obras literárias: “Coiteiros”, de José Américo de Almeida; ”Cangaceiros” e “Pedra Bonita”, de José Lins do Rego; “O Cabeleira”, de Franklin Távora e “Sem Lei, nem Rei”, de Maximiano Campos; além dos roteiros dos Filmes: “O Cangaceiro”, de Lima Barreto; “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha; “Corisco e Dadá”, de Rosemberg Cariry e “Baile Perfumado” de Hilton Lacerda, Paulo Caldas e Lírio Ferreira.

A autora utiliza uma responsável e lúcida para extrair, dessas obras, os fatores condicionantes e características marcantes do fenômeno do Cangaço, como a seca, injustiças, ausência do Estado nos setores vitais da sociedade, a violência, vingança, crueldade, código de honra, sofrimento e traições.

É importante destacar que, a autora procurou ser fiel, nas suas análises na medida do possível, às construções e desenvolvimento dos textos e Roteiros das obras em epígrafe, mesmo que venha contrariar, em alguns momentos, seus próprios conceitos e de outros estudiosos do assunto. Como por exemplo, a afirmativa, nas obras analisadas, que Lampião praticou um cangaço de vingança, conceituação que não se coaduna com a convicção da grande maioria dos estudiosos deste fenômeno.

Numa leitura sistemática e criteriosa, podemos constatar que a autora procurou, com responsabilidade e competência, agregar ao seu trabalho, uma sólida fundamentação teórica, recorrendo a renomados escritores, como Gilberto Freyre, Roberto Damatta, S. Freud, Frederico Pernambucano, Gustavo Barroso, Antônio Amaury, E. J. Hobsbawan e Djacir Menezes, entre outros.

O Título da segunda parte “O Imaginário do Cangaço na Literatura do Nordeste”, sintetiza , com maestria, o núcleo desse extraordinário trabalho. Sua leitura contribui com o esclarecimento de muitos pontos complexos do fenômeno do cangaço.

Para finalizar as minhas observações e reflexões, chego à conclusão de que a literatura de cordel, a poesia dos poetas repentistas, os roteiros dos filmes e os romances, contribuíram para a formação do imaginário popular sobre a figura e as ações dos cangaceiros e a consequente construção do Herói e do mito, tratados na segunda e terceira parte desse trabalho, com muita lucidez.

Uma proveitosa leitura, a todos!
Francisco Pereira Lima (Prof. Pereira)

Valor: R$ 40 (com frete incluso) Para adquirir este livro envie email para franpelima@bol.com.br, ou o via telefone (83) 9911 - 8286.

Luiz Ruben lança Fim do Cangaço: As entregas




Este livro vem de uma longa pesquisa realizada nos jornais baianos, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em Salvador, capital da Bahia, distante 470 km da minha atual residência, em Paulo Afonso, no nordeste baiano. Buscava saber tudo que foi publicado sobre o cangaço, especialmente sobre Lampião nos jornais daquela época. Daquele trabalho mais abrangente, fiz um recorte que apresento agora, tratando especificamente do fim do cangaço, através das entregas dos grupos cangaceiros, mostrando tudo que o jornal A Tarde, Diário de Notícias,Diário da Bahia, Estado da Bahia, O Imparcial, A Noite, Correio da Manhã, Diário da Noite, Jornal de Alagoas, Gazeta de Alagoas e O Globo, publicaram sobre o assunto.
 

Com o fim do rei do cangaço na grota de Angico em Sergipe, em 28 de julho de 1938, os cangaceiros remanescentes passaram por certo isolamento, pela falta de um líder como Lampião. Seria uma decorrência natural Corisco assumir a chefia dos bandos, mas, dois meses após a morte de Lampião, em outubro de 1938, iniciou-se o processo das rendições por parte do grupo de Zé Sereno. O fim do cangaço se aproximava.
 

Esse trabalho é dividido em quatro partes. A primeira mostra as entregas dos cangaceiros liderados por Zé Sereno, Ângelo Roque e o grupo do cangaceiro Pancada. Os primeiros se entregaram na Bahia, e o último em Poço Redondo estado de Sergipe, para as polícias alagoanas e sergipanas.
A outra parte deste trabalho foi realizada no Quartel dos Aflitos, atual QG da Polícia Militar, também em Salvador. São os documentos oficiais dos Boletins da Polícia Militar da Bahia sobre o combate ao banditismo, obtidos graças à gentileza do amigo, na época tenente Marins, que me deu total acesso aos arquivos da Polícia Militar da Bahia do período de 1928 a 1940.
Na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, localizada no bairro dos Barris em Salvador, fiz o levantamento dos jornais locais a partir da morte de Lampião em julho de 1938, mostrando o que a imprensa baiana publicou sobre as entregas dos cangaceiros à Polícia Militar da Bahia, com menor destaque ao grupo de Zé Sereno, ao contrário do grande destaque dado a rendição do grupo de Ângelo Roque, com fotografias e páginas inteiras sobre o fato.
As entregas à Polícia alagoana obtive o material da imprensa Caetés, como troca de documentos com o pesquisador David Bandeira e Marcos Edilson. Também de pesquisa feita por Ana Paula Arruda, por mim contratada para essa missão em Aracaju, onde foram pesquisados os jornais tanto sergipanos quanto alagoanos.
 

A morte de Corisco e a sua perseguição estão descritas de duas formas, a primeira pela imprensa baiana, através de enviados ao local da morte de Corisco e ferimento de Dadá. Outra parte é descrita nos boletins oficiais da Polícia Militar da Bahia, narrada pelos próprios protagonistas dos acontecimentos e de oficiais ligados ao comando da perseguição aos fugitivos, Dadá, Corisco, a menina Zefinha, e o cangaceiro Rio Branco com sua companheira.
Nas matérias publicadas pela imprensa, quando foi presa e depois operada para amputação da perna, Dadá revela uma versão para sua entrada no cangaço, conforme vemos nos jornais da época, que é diferente da versão dada tempos depois, de que foi raptada e seduzida à força por Corisco, publicada em livros, revistas e jornais.
 

Um fato curioso que apresento são os relatos das negociações de prazo com a Polícia Militar para sua entrega e agiotagem por parte de Corisco que vemos nos boletins oficiais da polícia. Outra curiosidade é quando ele joga dinheiro, quando da tentativa de fuga dele em 25 de maio de 1940 na fazenda Pacheco, publicado nos jornais.
 

Procurados pelos pesquisadores e repórteres na vida após o cangaço, os ex cangaceiros foram tirados do anonimato. Alguns ficaram à vontade com a exposição, a exemplo do cangaceiro Volta Seca, que não perdia oportunidade tanto na época em que ficou preso, como após sua libertação pelo indulto de Getúlio Vargas. Outros, contudo, se reservaram e só foram descobertos quase no fim de suas vidas.
Já Dadá era uma figura bastante procurada pela imprensa, não só por ter sido esposa de Corisco, mas também por ter sido uma hábil cangaceira, e uma excelente costureira, introduzindo uma nova estética na vestimenta dos cangaceiros pela sua arte nos bordados.
 

Apresento neste trabalho uma série de fotografias, entre outras, mostrando aspectos urbanísticos de algumas das cidades que tiveram alguns fatos ligados às visitas dos cangaceiros, na área de atuação dos grupos que andavam com Lampião no cangaço.
Quero deixar registradas minhas homenagens à imprensa alagoana e baiana pelos seus profissionais anônimos e os que estão identificados neste trabalho.
 

Confira na imagem as informções para aquisição. 

Piranhas no tempo do Cangaço, novo livro de Gilmar Teixeira


 
Gilmar Teixeira leva para a latada seu segundo livro. Depois do instigante "Quem matou Delmiro Gouveia", ele passeia pelos fatos que envolveram Piranhas nas tramas do Cangaço. Aguardem maiores informações sobre aquisição deste trabalho.

Lampião - O cangaço e seus segredos é a novidade de Sabino Bassetti
 

 

Através do e-mail sabinobassetti@hotmail.com vocês poderão estar adquirindo o mais recente trabalho de José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro, como o próprio título já diz, trará em suas páginas alguns segredos e informações, sobre o cangaço e seu representante maior, até então desconhecidas da grande maioria dos simpatizantes e estudiosos do assunto.

Um trabalho que foi desenvolvido através de pesquisas sérias e comprometidas com a verdadeira história, baseado em depoimentos e declarações de testemunhas oculares dos acontecimentos.

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e adquira já o seu.
Texto: Geraldo Junior

Corisco – A sombra de Lampião, 4º livro de Sérgio Dantas

 

Estamos falando da obra “Corisco – A sombra de Lampião”, um trabalho que trás o resultado de onze anos de pesquisa pelos sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

A ideia deste livro, segundo o autor, surgiu quando ele realizava entrevistas sobre as ações de Lampião e seu bando junto a antigos cangaceiros, policiais, ex-coiteiros e vítimas. Sérgio percebeu que a figura de Cristino Gomes da Silva Cleto, o verdadeiro nome de Corisco, era recorrente e muito presente. Logo veio a ideia de escrever sobre a vida do cangaceiro que, na opinião do autor, foi o mais destacado cangaceiro que andou com Lampião. Corisco também era conhecido como “Diabo Louro” e desde 1930 comandava um dos subgrupos de cangaceiros que atuavam junto ao “Rei do Cangaço”.

Para a conclusão de “Corisco – A sombra de Lampião”, Sérgio Dantas realizou cerca de 120 entrevistas, onde figuram oito ex-cangaceiros e cangaceiras. Mas igualmente o autor pesquisou em jornais antigos existentes em vários arquivos nordestinos, além de utilizar muito material proveniente de boletins e relatórios policiais. Em relação a estes últimos, o autor destaca o relatório do capitão Felipe de Castro, que organizou em maio de 1940 a perseguição que culminou na morte de Corisco.

Ainda sobre a morte deste famoso cangaceiro, Sérgio Dantas comenta que, entre vários relatos, o livro trás interessantes depoimentos de membros da família Pacheco, onde em sua propriedade ocorreu o combate final entre Corisco e a volante comandada pelo tenente Zé Rufino.

Não falta em “Corisco – A sombra de Lampião” o rigor de uma pesquisa histórica realizada com esmero e qualidade, onde os leitores vão desfrutar de muitas informações interessantes, em meio a uma narrativa dinâmica nas suas quase 350 páginas e uma iconografia composta por cerca de 70 fotografias.

A venda está sendo realizada com exclusividade pelo professor Pereira, pelo valor de R$ 50,00 (com frete incluso). Os pedidos poderão ser feitos através do email franpelima@bol.com.br, ou o telefone (83) 9911 8286.


Esses e muito mais no...




quarta-feira, 8 de julho de 2015

Programação

Cariri Cangaço Piranhas 2015



25 de Julho - Sábado

19:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo
- Apresentação da Filarmônica Mestre Elísio
- Formação da Mesa de Autoridades e Representantes de Sociedades e Grupos de Estudos

- Hino Nacional
- Abertura Oficial
- Entrega de Diplomas Cariri Cangaço

20:00hs Palestra: "Piranhas e sua Historia"
Deputado Estadual e Pesquisador INÁCIO LOIOLA DAMASCENO FREITAS

21:00hs  Apresentação Cultural do GMAP
 Grupo Musical Armorial de Piranhas

26 de Julho - Domingo

- 7:30hs Saída para Maranduba - Poço Redondo
- 9:00hs Palestra "O Fogo da Maranduba" por MANOEL SEVERO BARBOSA

- 11:00hs Inauguração
MEMORIAL ALCINO ALVES COSTA em Poço Redondo
Palestra: "O Cangaço e o Legado de Alcino Alves Costa" Por ARCHIMEDES MARQUES

- 13:00hs Almoço em Poço Redondo
Apresentações Culturais

- 14:00hs Retorno para Piranhas.

- 15:00hs Palácio Dom Pedro II - Prefeitura Municipal
Palestra "Um Estudo Multidisciplinar sobre o Cangaceirismo" Por LAMARTINE ANDRADE LIMA

LANÇAMENTO DO PROJETO DE RESTAURAÇÃO DAS ESCADARIAS
IPHAN
- Trajeto pelas ruas de Piranhas - Apresentação do Roteiro da Invasão dos Cangaceiros
Por JOÃO DE SOUSA LIMA e INÁCIO DE LOIOLA
- 19:20hs Centro Cultural Miguel Arcanjo
Lançamento: - "Água Branca - História e Memória" Por EDVALDO FEITOSA

- 19:30hs Painel: "Corrupção na Época do Cangaço"
Por JORGE REMÍGIO, NARCISO DIAS e SOUSA NETO

- 20:30hs Palestra: "Cinema e História do Cangaço"
Por ANTONIO FERNANDO DE ARAÚJO SÁ e VERA FERREIRA (Neta de Lampião e Maria)

- 21:30hs Centro Histórico
Teatro do Cordel da Rabeca "O Amor de Filipe e Maria e a Peleja de Zerramo e Lampião"

27 de Julho - Segunda

- 8:00hs Fazenda Picos
Mapeamento da Rota dos Cangaceiros para Invasão de Piranhas

- 8:30hs Fazenda Pau de Arara
Contextualização Histórico-Geográfica da Invasão
Por INÁCIO DE LOIOLA DAMASCENO FREITAS

- 10:30hs Fazenda Cachoeirinha
Palestra: "O Ataque a Cachoeirinha"

- 11:45hs Instituto Federal de Alagoas - IFAL
Palestra: "Uma Viagem Fotográfica pelo Cangaço"
Por IVANILDO SILVEIRA e KIKO MONTEIRO

- 12:30hs Almoço no IFAL
14:00hs Painel: "A Vingança de Corisco no Palco dos Inocentes"
Por: CELSO RODRIGUES, ANTONIO AMAURY e SÍLVIO BULHÕES (Filho de Corisco e Dadá)

- 15:00hs Homenagem a Família de Domingos Ventura
LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL DA RESTAURAÇÃO
Fazenda Patos

- 15:30hs Rasga Bode

- 16:30hs Retorno à Piranhas

19:20hs Centro Cultural Miguel Arcanjo
Lançamento do Livro: - "Piranhas - No Tempo do Cangaço" de GILMAR TEIXEIRA

19:30hs Painel: "Arqueologia do Cangaço"
Apresentação das Repercussões e Primeiros Resultados
Por LEANDRO DOMINGUES DURAN

20:30hs Painel: "A Sexualidade nos Tempos do Cangaço"
Por WESCLEY RODRIGUES, JULIANA PEREIRA e ADERBAL NOGUEIRA

28 de Julho - Terça feira

- 9:00hs Grota do Angico - Poço Redondo
Missa do Cangaço
Realização: VERA FERREIRA - Sociedade do Cangaço


- 13:00hs Passeio pelos Canyons do São Francisco
Encerramento no Restaurante Karrancas


Cariri Cangaço Piranhas 2015
Realização:
Prefeitura Municipal de Piranhas
Secretaria de Turismo e Cultura de Piranhas
Instituto Cariri do Brasil

Apoio:
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Sociedade do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço

domingo, 14 de junho de 2015

Tem reedição na praça

Rosa Bezerra relança "A representação social do Cangaço"



A escritora e psicóloga Rosa Bezerra relançou o livro “A Representação Social do Cangaço”. Filha do ex-cangaceiro, poeta e cantador Generino Bezerra, Rosa é uma estudiosa do mundo do cangaço e das repercussões do fato na sociedade brasileira e no Nordeste.
 “Há algum pensamento certo atrás dos óculos de Lampião. Suas alpercatas rudes pisam algum terreno sagrado”. (Rubem Braga).
Texto resumido do livro A Representação Social do Cangaço de Rosa Bezerra.

A escritora é graduada em Psicologia pela UFPE com especialização em Psicologia Social pela FAFIRE. Coordenadora do Núcleo de Estudos do Cangaço do qual eu também participo como ouvinte. Filha do ex-cangaceiro poeta e cantador Generino Bezerra, Rosa é uma estudiosa das coisas do cangaço e das repercussões do fato na sociedade brasileira, particularmente no nordeste.

“Na seca de 1892, os sertanejos contavam com Conselheiro, em Canudos, falsamente retratado como louco. Sua “loucura” criou uma cidadela auto-suficiente onde a propriedade onde a propriedade não conhecia a fome, e havia cultivo de vários gêneros alimentícios.  No entanto, o governo central e as oligarquias não eram “loucos” o suficiente para dar suporte aos retirantes em época de seca. Canudos foi assim, uma ameaça à ordem social estabelecida e ao controle exercido pela igreja sobre o povo sertanejo.

Canudos teve que ser destruída pela exigência dos latifundiários, que não suportaram tamanha agressão aos seus direitos “universais”. Foi totalmente erradicada, numa luta desigual, para servir de exemplo. Resistiu até o completo esgotamento. A cidadela do Conselheiro foi tomada casebre por casebre, palmo a palmo e o que era uma guerra contra gente simples da cidadela, transformou-se em vingança do estado de direito”. (Rosa Bezerra)


O livro pode ser adquirido nas livrarias do Recife ou via email : rosagenerino@gmail.com ao preço de R$ 50 (Cinquenta reais) Frete incluso.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Personagens

Sargento De Luz, o matador do cangaceiro Jurity

Rubens Antonio

A localização de imagens relacionadas ao Cangaço é relativamente fácil. Mais difícil é a disposição de imagens em qualidade melhor, incluindo-se nitidez e resolução. O caminho é ainda mais pedregoso quando buscamos uma fotografia que mostre uma personagem determinada.

Uma delas é a do sargento De Luz.

Conforme Alcino Alves Costa, seu verdadeiro nome era Amâncio Ferreira da Silva, um pernambucano, nascido em 1905, que, passando ao Estado de Sergipe, acabou, neste Estado, integrando a sua polícia. Seu maior feito lembrado relaciona-o ao cangaceiro Jurity.


Jurity, em tempo de Cangaço
.
Pós-Cangaço, já como o cidadão Manoel Pereira de Azevedo.
(imagem obtida por Rubens Antonio em suas pesquisas nos arquivos baianos)
.
Localizando-o, o sargento De Luz, ironizou.
"- Não sabia que era tão fácil pegar um jurity!"

Apesar da exibição de documentação comprovando ser uma pessoa quite com a Justiça, valendo-se do mesmo estar desarmado, enquanto estava acompanhado de praças armados, não só lhe deu ordem de prisão. Em um dos atos mais covardes, em tempos já pós-cangaço, foi conduzido a lugar ermo onde executou-o, atirando-o vivo em uma fogueira.
.
A única imagem, até agora, reconhecida, era aquela obtida por Alcino Alves Costa:



Porém a reobservação e reestudo de material disponível pode conduzir a revelações. A foto abaixo, publicada no "A Noite Ilustrada" de 08 de novembro de 1938, mostra a entrega do subgrupo comandando pelo cangaceiro Pancada.
Em sua legenda uma identificação reveladora.



Eis, enfim, uma imagem em melhor qualidade e menos alegórica do temível Sgtº De Luz, uniformizado e aparatado, em um evento relacionado ao fim do Cangaço.


Conforme Alcino Alves Costa, De Luz foi executado em uma tocaia encomendada por seu sogro, em 1952.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Novo livro de Sabino Bassetti

Lampião - O cangaço e seus segredos


Através do e-mail sabinobassetti@hotmail.com vocês poderão estar adquirindo o mais recente trabalho de José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro, como o próprio título já diz, trará em suas páginas alguns segredos e informações, sobre o cangaço e seu representante maior, até então desconhecidas da grande maioria dos simpatizantes e estudiosos do assunto.

Um trabalho que foi desenvolvido através de pesquisas sérias e comprometidas com a verdadeira história, baseado em depoimentos e declarações de testemunhas oculares dos acontecimentos.

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e adquira já o seu.

Texto: Geraldo Junior

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eventos


XI Encontro Nordestino de Xaxado



O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO será realizado de 03 a 07 de junho de 2015, em Serra Talhada/PE, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, fortalecendo nossa cultura e mantendo viva a história do homem sertanejo.

O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO – em sua décima primeira edição – é um grande aporte na constituição da cidadania, a partir da cultura. Não podemos imaginar cidadania sem uma identidade cultural enraizada na história, na arte e na liberdade. Serra Talhada – o Brasil e Pernambuco – vem, a cada dia, experimentando uma verdadeira revolução cultural Esse evento caminha contribuindo com implementações propositivas para o fortalecimento desse intento, estimulando e transformando o cenário artístico, visando o resgate, a preservação e a valorização das nossas autênticas manifestações.

A Terra de Lampião abre as portas para receber grupos de cangaceiros de todo Nordeste, para fazer a poeira subir e o sertão estremecer, ao som do chiado da alpercata, vibrando na cadência do xaxado.

A execução deste projeto – ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO - no mesmo torrão em que veio ao mundo à figura mais importante do cangaço é de majestosa autenticidade e de uma dimensão grandiosa ao patrimônio cultural e histórico do povo brasileiro.
O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO proporcionará apresentações de grupos, na:
  • Estação do Forró – Polo Principal.
  • Na Feira Livre – Área de Alimentação.
  • Museu do Cangaço;
  • Escolas da Rede Pública de Ensino: Colégio Estadual Methódyo de Godoy Lima, Colégio Estadual Antonio Timóteo e Colégio Municipal Cônego Tôrres.

Dentro da programação do ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, haverá OFICINAS DE XAXADO para público de todas as idades, ministrada por dançarinos com larga experiência na dança, no aspecto histórico, teórico e prática.

Uma FEIRA DE ARTESANATOS DA REGIÃO comporá a programação do ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, pois a riqueza cultural do Sertão está presente nas mais diversas manifestações artísticas. O artesanato representa a relação do Homem com sua história e tradição, quando de suas nascem as mais belas expressões, utilizando madeira, couro, pedras, tecidos e fibra de bananeira..

Durante o evento acontecerá também:
  • Apresentações musicais com grupos e cantores de forró pé-de-serra.
  • ENCONTRO DE PONTOS DE CULTURA DO SERTÃO, pautando “A Identidade Cultural do Sertão nas Diversas Linguagens Artísticas”.
O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO é um evento realizado anualmente, desde 2002, que reúne Grupos de Xaxado de todo nordeste para se apresentarem na Terra de Lampião e Capital do Xaxado. Os grupos participantes serão CONVIDADOS seguindo os critérios de ORIGINALIDADE e AUTENTICIDADE da dança.

Pescado nos domínios dos  Cabras de Lampião

sábado, 9 de maio de 2015

O que vem por aí...

Livro “Pegadas de um sertanejo: Vida e memória de José Saturnino”, de Antônio Neto e José Alves Sobrinho.


Local: Sindifisco Pernambuco
Rua da Aurora, 1443 - Santo Amaro - Recife/PE.
Dia: 15/05/2015 às 20h
Venda direta com o coautor:
José Alves - Fone: (81) 9952 - 8116 TIM

Preço do Livro: R$ 40,00 + Frete

O dinheiro da venda do livro será usado na construção da Biblioteca Luiz de Cazuza, na Fazenda São Miguel em Serra Talhada – PE.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

As pisadas de João de Sousa Lima

A morte de Antonio Ferreira


Dia 19 de abril de 2015, saí de Paulo Afonso na companhia dos amigos Josué Santana e Leide Soares, para nos encontrarmos com o casal de amigos Marcos de Carmelita e a professora Silvana, residentes na cidade de Floresta, Pernambuco, onde iríamos realizar uma visita técnica para registrar mais um dos pontos históricos que farão parte dos roteiros apresentados durante o evento Cariri Cangaço, encabeçado por seu curador, Manoel Severo. A pesquisa de campo teve como objetivo o mapeamento geográfico e histórico de um dos mais importantes fatos que marcam as histórias do cangaço na região pernambucana.

Um dos pontos mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de propriedade do coronel Ângelo da Gia. A fazenda, na época do cangaço, pertencia a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim. A fazenda não teria tanta importância para os pesquisadores do cangaço se lá tivesse sido apenas mais um dos inúmeros coitos dos cangaceiros. Nessa fazenda o Rei do Cangaço perdeu seu irmão Antônio Ferreira. Dirigimo-nos para Poço do Ferro, sendo guiado por Marcos de Carmelita, porém sem conhecermos ninguém da localidade, assim como parentes que ainda residem por lá.

Quando avistamos a pequena placa com o nome da fazenda, paramos em uma cancela, abrimos e seguimos a estreita estrada. Mais a frente encontramos um casebre onde reside o senhor João David da Silva, sua esposa Maria das Graças e os filhos Joaquim e Graziela. O João David nos recepcionou, serviu água e nos levou ao lugar onde foi enterrado o Antônio Ferreira.


Formação de pedras e uma cruz marcam o local

Marcos de Carmelita, João de Sousa e Josué.

Uma pequena formação de pedras e uma cruz marca o local da sepultura. Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima e Josué sendo recebidos pelos descendentes de Angelo da Gia.

Fizemos algumas fotos e fomos até a casa grande da fazenda, onde estavam  neta, bisnetos e tri-netos de Ângelo Gomes de Lima, o Ângelo da Gia. Na casa grande fomos recebidos por Washington Gomes de Lima, bisneto do coronel. Um fato interessante é que disseram que não seriamos bem recebidos pela família e confesso que de todos esses anos de pesquisas e entrevistas, nunca tive uma receptividade tão calorosa como a que recebemos da família.

Travamos um diálogo em uma festiva roda de conversas, tendo por depoentes a neta do coronel e matriarca da família, a senhora Eunice Gomes  Lima e suas filhas Ruth Gomes Lima Laranjeira e Maria do Socorro Gomes Lima Cordeiro e ainda, do tri-neto João Vítor Gomes Lima. As histórias foram muitas mais sempre voltávamos ao episódio principal: a morte de Antônio Ferreira e a perseguição sofrida pela família e imposta pelas volantes policiais.

Coronel Ângelo da Gia
Caravana Cariri Cangaço na Casa Grande da Fazenda
Uma das informações importantes nos forneceu Washington que contou que dois dias depois da morte de Antônio, uma volante chegou na fazenda Poço do ferro, descobriu o túmulo do cangaceiro morto, desenterrou-o e cortou a cabeça e colocou em uma estaca da porteira do curral do casarão do coronel. Quando a polícia saiu o coronel mandou enterrar a cabeça no antigo cemitério da família. Antônio Ferreira tem, portanto dois túmulos, sendo um para o corpo e outro pra cabeça.


Antonio Ferreira

Local onde foi morto Antonio Ferreira
 Fala-se que foi ai o juramento que Luiz Pedro fez dizendo que seguiria Lampião até sua morte. Se verdade ou não a promessa, eles morreram juntos na fria manhã do dia 28 de julho de 1938. Na fazenda Poço do Ferro ainda restam as velhas pedras escuras que circundam covas das pessoas de várias gerações da família e duas dessa simbolizam a passagem do cangaço em suas terras.
 
No final da conversa nos convidaram para um farto almoço regado a galinha cabidela, bode assado, arroz e feijão de corda. Porém o que mais me marcou nessa visita foram os sorrisos dos membros da família, que mesmo tendo sofrido os abusos e as injustiças de uma época tão marcada pela violência, não perderam suas essências de sertanejos valorosos e, sabem como poucos, receber calorosamente, aos que buscam os filetes de suas memórias históricas... Dona Eunice, Washington, Ruth, Maria Socorro e João Vítor, Deus proteja sempre vocês.
 
João de Sousa Lima, Historiador e escritor Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo AfonsoMembro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Conselheiro Cariri Cangaço
 
Matéria pescada no Sítio do Coroné Severo

Filme de Alceu estreia no Cine PE

"A luneta do tempo" faz parte da mostra especial do festival

Viver/Diario - Diario de Pernambuco
 

A 19º edição do Cine PE encerra na sexta-feira (8), no Cinema São Luiz, com exibição de A luneta do tempo, dirigido por Alceu Valença. Com falas rimadas, o filme faz referência à literatura de cordel. No elenco, os premiados atores pernambucanos Hermila Guedes e Irandhir Santos.
A exibição faz parte da programação especial do festival, que na abertura exibiu O exótico Hotel Marigold 2, do inglês John Madden.

Em agosto de 2014, A luneta do tempo conquistou os prêmios de Melhor trilha musical e Melhor direção de arte no Festival de Cinema de Gramado. Na trama, tragédia, sonho, humor e traição coexistem em um cangaço lúdico.

Serviço
Encerramento do Cine PE
Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora, 175, Boa Vista)
Quando:  sexta-feira (8), a partir das 20h
Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O que vem por aí...

Sérgio Dantas lança em breve “Corisco – A sombra de Lampião”
 Por Rostand Medeiros


No final do próximo mês de maio estará disponível o mais novo livro do pesquisador Sérgio Dantas, um dos mais renomados estudiosos do tema cangaço na atualidade.

Estamos falando da obra “Corisco – A sombra de Lampião”, um trabalho que trás o resultado de onze anos de pesquisa pelos sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

A ideia deste livro, segundo o autor, surgiu quando ele realizava entrevistas sobre as ações de Lampião e seu bando junto a antigos cangaceiros, policiais, ex-coiteiros e vítimas. Sérgio percebeu que a figura de Cristino Gomes da Silva Cleto, o verdadeiro nome de Corisco, era recorrente e muito presente. Logo veio a ideia de escrever sobre a vida do cangaceiro que, na opinião do autor, foi o mais destacado cangaceiro que andou com Lampião. Corisco também era conhecido como “Diabo Louro” e desde 1930 comandava um dos subgrupos de cangaceiros que atuavam junto ao “Rei do Cangaço”.

Para a conclusão de “Corisco – A sombra de Lampião”, Sérgio Dantas realizou cerca de 120 entrevistas, onde figuram oito ex-cangaceiros e cangaceiras. Mas igualmente o autor pesquisou em jornais antigos existentes em vários arquivos nordestinos, além de utilizar muito material proveniente de boletins e relatórios policiais. Em relação a estes últimos, o autor destaca o relatório do capitão Felipe de Castro, que organizou em maio de 1940 a perseguição que culminou na morte de Corisco.

Ainda sobre a morte deste famoso cangaceiro, Sérgio Dantas comenta que, entre vários relatos, o livro trás interessantes depoimentos de membros da família Pacheco, onde em sua propriedade ocorreu o combate final entre Corisco e a volante comandada pelo tenente Zé Rufino.

Não falta em “Corisco – A sombra de Lampião” o rigor de uma pesquisa histórica realizada com esmero e qualidade, onde os leitores vão desfrutar de muitas informações interessantes, em meio a uma narrativa dinâmica nas suas quase 350 páginas e uma iconografia composta por cerca de 70 fotografias.

A venda será realizada com exclusividade pelo amigo Francisco Pereira, da cidade paraibana de Cajazeiras, pelo valor de R$ 50,00 (com frete incluso). Os pedidos poderão ser feitos através do email franpelima@bol.com.br, ou o telefone (83) 9911 8286.

Vale a pena conferir!

Sobre o autor – Sérgio Augusto Dantas nasceu em Natal, é bacharel em Direito pela UFRN, magistrado desde 1993 e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte  – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião, entre a Espada e a Lei” (2008).

Publicado originalmente no essencial Tok de História

terça-feira, 21 de abril de 2015

Convite

Lançamento da biografia de Leandro Gomes de Barros  

Evento antecipa comemorações do sesquicentenário do mestre da Literatura de Cordel.




Quem me soprou foi a comadre Iris Mendes Medeiros.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Exposição internacional



Virgulino Lampião em Nova York 

Por: Sérgio Azol

A Saphira & Ventura Gallery, de Nova York; galeria norte americana que tem como uma de suas missões promover artistas brasileiros nos EUA e no mundo, estará promovendo neste mês de abril a Feira Internacional Art Expo, quando estará expondo para o público nova-iorquino o talento de artista brasileiros, dentre eles: Sérgio Oliveira do Atelie S-Azol.




O artista plástico potiguar, Sérgio Oliveira ; radicado em São Paulo há 20 anos; estará mostrando suas obras, telas da coleção Virgulino, na Feira Internacional Art Expo em Nova York na galeria Saphira & Ventura Gallery. O artista revela: "O foco do meu trabalho nos últimos 4 anos tem sido Lampião, o cangaço e a cultura popular do nordeste"; com uma arte contemporânea; pintura acrílica sobre tela, colagem e escultura, Sérgio espera mostrar a beleza das cores do sertão para o mundo.


"Essa parceria do meu ateliê com eles tem a finalidade de introduzir o meu trabalho da coleção Virgulino nos EUA, com a minha participação em 4 exposições, da galeria, e a participação em algumas feiras nos EUA e em outros países onde eles mantém parcerias com galerias locais.  Será uma excelente oportunidade para divulgar, através de meus quadros, a nossa cultura, o nosso povo e seus costumes mundo a fora. Estou muito feliz por isso, é uma conquista que sonhava a tempo." Ressalta Sérgio Oliveira.


 

Voltando dos Estados Unidos Sérgio Oliveira revela, "chegou a hora de sair do cômodo do lar e cair em campo para fazer algumas visitas pelo nordeste, será ainda mais enriquecedor. Desejo sentir a presença de Virgulino, pisar a terra que ele andou, ouvir histórias, ver objetos, quero dá mais autenticidade ao que estou produzindo".

Sérgio Azol é mais um convidado especial da Quinta Edição do Cariri Cangaço, quando setembro chegar, no Cariri do Ceará !

Você viu aqui, mas a matéria foi postada originalmente no Sítio do Coroné Severo

PRESERVAÇÃO

Codevasf doa área para ampliação da Grota do Angico e contribui para preservação da Caatinga em Sergipe

O Monumento Natural Grota do Angico, uma unidade de conservação entre os municípios sergipanos de Canindé de São Francisco e Poço Redondo, será ampliado em 85,3 hectares. O termo de doação que transfere a área à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) foi assinado pelo superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Said Schoucair.



A assinatura do termo de doação, que contou também com a participação do secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, ocorreu em solenidade realizada na 4ª Superintendência Regional da Codevasf, em Aracaju. A Companhia adquiriu a área no mês de março, um investimento de R$ 181 mil. Com essa ação, a Codevasf contribui para a preservação da Caatinga no Alto Sertão de Sergipe.

Said Schoucair destacou a importância de as ações da Codevasf estarem em sintonia com as políticas do governo estadual. “É um dia histórico para a Grota do Angico. Com essa doação, além da preservação do meio ambiente, estamos contribuindo para o turismo da região, por conta da história do cangaço. Temos hoje essa parceria importante com o governo do estado, que tem demonstrado uma atenção especial com a região do Baixo São Francisco”, afirmou.

Olivier Chagas, secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, disse que a Codevasf é um agente importante para as ações ambientais, e citou as de gestão de resíduos sólidos, para as quais a Codevasf está elaborando projetos de engenharia que beneficiarão 11 municípios sergipanos. “Assinar esse documento que vai triplicar a nossa área de preservação é uma grande satisfação, é uma oportunidade histórica de deixarmos um legado para o planeta. Vamos cuidar desse terreno com o zelo, carinho e o amor que o meio ambiente merece”, disse.

O investimento para a compra da área é uma ação de compensação ambiental que contribui para reduzir o impacto ambiental provocado pela implantação do projeto de irrigação Jacaré-Curituba, localizado na mesma região. A doação da área é uma das etapas necessárias para a transferência do perímetro irrigado ao governo estadual, conforme compromisso firmado em 2014 entre a Codevasf e o Estado de Sergipe.

A Codevasf também iniciou as tratativas para formação de reserva legal dos perímetros Propriá, Cotinguiba/Pindoba e Betume, com o objetivo de adquirir de novas áreas para serem incorporadas à Grota do Angico, totalizando mais de 1.000 hectares. A ação está adequada ao atual Código Florestal, que permite a formação de áreas de reserva legal em localidades fora do perímetro irrigado, dentro do mesmo bioma.

Participaram da reunião o diretor-presidente do Sergipe Parque Tecnológico (SergipeTec), Marcos Wandir, o chefe de Gabinete da 4ª Superintendência Regional da Codevasf, Antônio Porfírio - autor de estudos sobre o cangaço na região Nordeste -, o gerente regional de Revitalização, Oscálmi Porto, o chefe da Unidade Regional de Meio Ambiente, Sérgio Hughes, a chefe da Assessoria Jurídica, Maria da Salete Freire, além de técnicos da Semarh.

Foto: Sidney Gouveia
Fonte: www.codevasf.gov.br

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Escavações de Roberio

"Joãozinho Retratista e os Cangaceiros"

Por Robério Santos


Falar em Joãozinho Retratista sem falar de sua genialidade fotográfica desde a década de 10 até a de 70 seria como falar de Chaplim sem enunciar a importância dos seus filmes. Herdeiro não de uma fortuna, mas de um maquinário fotográfico do século XIX, Joãozinho começou a vida ajudando seu padrinho itabaianense, Miguel Teixeira da Cunha, primeiro retratista oficial de Sergipe. João de Germano Venta na sua juventude carregava o aparelho de congelar o tempo pra lá e pra cá com seu padrinho, este ato seria sua herança eterna (grande trabalhador) e seu grande prêmio veio junto ao casamento dele com Maria Osana Teixeira em 1918 no mesmo dia que Zeca Mesquita subia ao altar com sua primeira esposa, Bernadete, filha do chefe político local Manuel Batista Itajahy.

Joãozinho abraçou a fotografia, aposentou a antiga Photo Nacional (nome este dado por causa da inscrição na câmera de Teixeirinha, “National Camera”) e fundou a Photo Lobo. A década de 20 foi muito movimentada na vida de Joãozinho. Seu local de trabalho era o mesmo que Teixeirinha começara no século anterior numa Itabaiana ainda Villa, em 1872. Na sua porta ficava antes o Mercado dos Cabaús, depois a feira muda de local (foi para a praça da Igreja Matriz) com a morte de Itajahy e em 1927 ela volta para a praça Santo Antônio com a inauguração do Mercado Municipal por “Ozin” Dutra (assim Volta Seca o chamava), hoje o chamado Mercado Municipal Zezé de Bevenuto.

Nesta mesma época, Lampião, Sabino e seu bando invadiam Limoeiro e faziam as famosas fotos da multidão a pé e a cavalo. Tempos antes o grupo foi fotografado em Juazeiro do Norte, na visita ao Padre Cícero para o combate que nunca ocorreu à Coluna “Peste”. Em 1928 Lampião começa a se aproximar de Sergipe, os jornais anunciam a presença dele pelo oeste, vindo da Bahia. Ainda não havia chegado a hora de entrar no minúsculo Estado, mas que foi um dos mais importantes neste período sangrento e místico do cangaceirismo.

1929 chega e com ele a notícia oficial nos tabloides da capital Aracaju: Lampião e seu bando está em Sergipe! Ele entrara por Carira no dia 1o de março deste ano e com uma “carta de paz” se deixa ver de corpo aberto pela população local fazendo com que as pessoas o descrevesse perfeitamente até poucos anos atrás. Seus passos eram difíceis de serem detectados, assim só temos fragmentos de suas passagens.

Eles ficavam escondidos nos matos, em ranchos, em cidades pequenas (por pouco tempo) mas não temos um diário dele por Sergipe exatamente sobre todos os dias e o que fez aqui durante todo o tempo que ficou. Sabe-se que em 1929 Lampião escolhera Sergipe para ser sua “morada”, não se sabe a razão, mas ele estava aqui. Talvez em Sergipe ele tivesse mais amigos que inimigos... Antônio Caixeiro, pai de Eronides de Carvalho pode ser um bom exemplo.
Itabaiana é avisada por tropeiros carirenses da presença do cangaceiro pelas proximidades.

Joãozinho, o retratista e não o Veneno, um curioso nato, diz em voz alta que se tivesse a oportunidade de fotografar os cangaceiros ele iria. As pessoas enxergavam isso como um chiste, vindo de uma pessoa muito brincalhona como está no sangue ceboleiro. Capela, cidade que mantinha bons negócios com Itabaiana é telegrafada e avisada. Quem recebe a notícia lá em Capela é Zózimo Lima, chefe dos Correios local. Por volta das 16h um grupo conversava lorotas na porta da Farmácia Mendonça e Zózimo estava entre os moços, foi quando um de seus auxiliares chega com a devida notícia vinda de Itabaiana. O telegrama dizia:
Virgulino, partindo de Cariri(1) perambula norte Sergipe, visitará capelenses.
Voltando a Itabaiana, a tensão era enorme. A jovem Tethis Nunes se trancava em casa com medo dos cangaceiros. Os mais valentes diziam que se eles entrassem seriam recebidos a bala. A célebre Maria Carreiro ainda pegou seu cavalo e como uma Joana D’Arc solitária fez a ronda a fim de não deixar que fôssemos pegos de surpresa. Joãozinho Retratista de arma só tinha a câmera e ela estava preparada.

 Joãzinho dança com a filha Ângela
(Acervo do autor)

Um dia calmo de domingo como tantos outros, 31 de março, Joãozinho é procurado em sua casa na Praça da Santa Cruz (atual João Pessoa) por Etelvino Mendonça e Zeca Mesquita, este, dono do único carro da cidade, por isso a probabilidade enorme de Zeca ter participado da façanha. O papo foi dos mais interessantes, Etelvino descreve exatamente o que o retratista estava esperando há meses: eles iam até o Pinhão fotografar o bando de Lampião.

Virgulino chegara na surdina no dia 28 de março de 1929, cansado e desnutrido na fazenda do chefe político de Itabaiana. Lembra Sila décadas depois que Etelvino era cabra muito valente, pois para ser amigo de cangaceiros tinha que ter sangue no olho. A polícia de Carira não sabia se Lampião havia saído de Sergipe ou se estava nas proximidades, mas já estavam se movimentando na união de diversos policiais para a formação de algumas volantes que foram de extrema importância no combate aos cangaceiros no Estado. Lampião e nove de seus mais fortes asseclas descansam com um olho aberto e outro fechado. Dentre eles estava o itabaianense Volta Seca (provavelmente quem indicou o local da fazenda e do conhecido Coronel) e o Diabo Loiro, Corisco, que passara um tempo em Sergipe antes de entrar para o Cangaço.

Joãozinho acorda na segunda-feira nervoso. Sem contar aos familiares o que iria fazer. Ele separa seu material fotográfico e desmonta sua câmera caixão de mais ou menos cinco quilos, pega algumas fotografias já reveladas de Itabaiana e espera Etelvino e Zeca Mesquita chegarem para fazerem a viagem. Por volta das dez horas da manhã chegam à porta de Joãozinho, se acomodam no carro de Zeca e seguem viagem em direção a São Paulo (Frei Paulo). No caminho Etelvino adianta a Joãozinho que os cangaceiros estão mansos, não se sabe porque eles estão relaxados e queriam fazer um retrato para enviar para alguns familiares. Como só Joãozinho era conhecido retratista da região, Etelvino resolveu convidar o jovem de pouco menos 33 anos.

A viagem não era das melhores, chegando em São Paulo pegaram uma outra estrada (comparada a que temos hoje em dia) em direção ao Pinhão, pois a estrada oficial entre São Paulo e Mocambo só seria construída em 1932 segundo o escritor de Almas Torturadas, J. Rabelo. Chegando lá, Joãozinho já avistou espalhado pelo terreiro alguns cangaceiros proseando e de arma em punho. Alguns se alertaram, entraram e avisaram ao Capitão que o Etelvino havia chegado. Homem de poucas palavras, Lampião se aproxima de João Teixeira Lobo (aqui merece ter seu nome citado por inteiro), estende a mão, percebe a câmera na mão de Joãozinho, ensaia um sorriso e pergunta.
- Vai deixá o retrato bonito viu? Meus minino tão cansado e não querem ser molestados com demora. Vai demorá?
- Não, Lampião, é o tempo de arrumar o equipamento.

Virgulino deu a volta, foi conversar com Etelvino e Zeca Mesquita (este que era forte empresário local) e não se sabe se alguma quantia foi entregue ao cangaceiro. O povoado Pinhão estava longe, era quase visível a olho nu as pequenas casas que se fixavam perto de uma pequena Capela, também a povoação Mocambo era vista. Estavam numa fortaleza, um local alto e privilegiado que evitaria um ataque surpresa.

Por volta das 15h Lampião com um pequeno apito soa o alarme, já havia sido instruído por Joãozinho sobre o local ideal para o retrato (por causa da luz do sol). Pede educadamente a seus companheiros que se aproximem a uma das casas que formava o complexo da fazenda. Eram portas altas, parede fixa e que servia para guardar ferragens, sacos de ração e outras coisas. Antes de se aprontarem,

Lampião dá uma sondada na câmera para ver se era realmente de tirar fotos ou era uma arma escondida. Curioso e desconfiado chegou à conclusão que era de confiança. Joãozinho começa a focar os homens estranhos e debaixo do pano vermelho, aquele grupo amedrontador de cangaceiros se apresentava de cabeça para baixo no vidro fosco do fundo. Eles estavam em formação futebolística: cinco de pé atrás; cinco na frente com um joelho ao chão. O sol estava forte e alguns fechavam os olhos por causa do clarão. Lampião era o primeiro da esquerda, ajoelhado como os outros quatro, Volta Seca era o menorzinho de pé atrás.

Joãozinho pega o compartimento de madeira com a placa de vidro sensibilizada dentro, coloca no repartimento da câmera, fecha o obturador, puxa a proteção para deixar a placa de vidro na posição e anuncia a fotografia. Haviam alguns meninos curiosos na varanda da fazenda e Etelvino que não se atreveu entrar na fotografia, fica apenas de olho em todo processo. Voltando à foto, Joãozinho toma um susto ao ver que todos estavam com as armas apontadas para ele. Nisso Joãozinho com toda coragem do mundo indaga.
- Só faço a chapa se vocês virarem um pouco para o lado essas armas, não gosto de violência.
Luiz Pedro solta uma piada.
- Oxi ômi e esse canhão aí não atira foto?
E todos caíram numa risada, até Joãozinho.

Preparado o retrato, é dado o sinal. Joãozinho percebe um furo minúsculo no lado direito do fole, furo este confirmado em outras fotografias e até no remendo na câmera, confirmado por mim quase 80 anos depois. Mas, ele ficou com medo de dizer que a fotografia poderia não sair boa. Colocou o dedo onde entrava um pouco de luz e rezando (agora mais calmo por ver as armas um pouco mais de lado) para que tudo desse certo ele dispara e faz a foto. Na revelação, justamente Lampião saiu com menos nitidez. Ainda fotografou Etelvino Sozinho, também fotografou um grupo de pessoas no carro com dois cangaceiros juntos, o grupo completo com as pessoas e também fotografou individualmente alguns cangaceiros, assim como faria dias depois Felino Bonfim em Saco do Ribeiro (Povoado de Itabaiana) e meses depois Eronides de Carvalho em Jaramataia, ainda em Sergipe. Lampião tomara gosto pelo retrato desde 1926 em Juazeiro.

Acabada a sessão de fotos, Lampião se despede, avisa que quer uma cópia dos retratos e que é só avisar que ele manda alguém pegar em Itabaiana mesmo. Joãozinho presenteia Virgulino com algumas fotos de Itabaiana e pede para ele não ir lá, tudo que ele quiser ele pode ter sem a necessidade de amedrontar um povo simples e pobre. Tudo certo, Joãozinho volta todo feliz para casa, revela as fotos e dias depois entrega-as a Etelvino e nenhuma delas é vista por muito tempo. Mas, Terezinha Andrade, filha de Joãozinho Retratista sempre viu essas fotos ainda nas chapas de vidro, elas eram guardadas com um carinho enorme pelo velho pai.

A história virou lenda em Itabaiana, nenhuma prova concreta era vista aos olhos de Itabaianenses ou de outra região. Começo então a pesquisar a história de Itabaiana e logo de cara, em 2007 ouço pela primeira vez partes desta história que acabei de contar vinda das filhas de Joãozinho. Delas recebi centenas de fotografias, mas, do cangaço, só a lembrança.

Em 2011 localizo a primeira fotografia, não estava em boa definição mas era um grupo de pessoas numa fazenda e dois deles com cara de jagunços estavam sentados no automóvel. Batia com a descrição, mas ainda era pouco. Consegui a segunda, o grupo na mesma casa, agora com a presença de Joãozinho Retratista na fotografia. Quem havia fotografado? Era uma fotografia do mesmo dia. Consegui estes retratos originais com uma qualidade incrível e continuei minha busca. Neste mesmo ano publico a biografia “Joãozinho Retratista - O Mestre da Fotografia” e trago o caso pela primeira vez ao público.

2013 chega e com ele muitas ideias novas e a chance de publicar com Vladimir Souza Carvalho um dos livros mais esperados da história de Itabaiana, o “Álbum de Itabaiana” contendo 180 retratos feitos por Teixeirinha, Joãozinho Retratista e Percilio Andrade. Publico as duas fotos que havia encontrado, mas ainda faltava a cereja do bolo. Em setembro deste ano me chega à porta Abércio Gois e com ele um punhado de fotografias antigas de nossa Itabaiana. Amigo de longas datas ele me presenteia com um pedaço de nossa cidade e para minha surpresa eu me deparo com a foto mais incrível e que coroava totalmente minha pesquisa: a foto do bando de Lampião feita por Joãozinho.

Era um retrato simples de 17,5 x 11,5 cm colado numa base de papelão de 24 x 18,5 cm, em Sépia e com alguns pedaços já faltando. Mesmo assim, foi considerada pelos pesquisadores como um dos maiores achados fotográficos da história do cangaço.

Estamos hoje fazendo tudo com ela, desde Rubens Antonio a colori-la até decifrar detalhes escondidos nos pontos mais estragados dela. Nas costas do retrato está a grafia do fotógrafo (onde foi feita a analise grafotécnica e comprovado ser a letra de Joãozinho) a data 10 de abril de 1929 e hoje sabemos que na foto estão de pé: (Supostamente) Arvoredo, Volta Seca, Mariano, Labareda, Ezequiel. De joelhos: Lampião, Virgínio, Calais, Luiz Pedro e Corisco.

Ainda faltam encontrar fotos deste dia incrível, quem sabe possamos ter esse privilégio ainda nesta existência, pois, no dia que eu encontra-las, não ficarão em uma gaveta. Obrigado, Joãozinho por ter tido a coragem e a oportunidade que poucos tiveram.

Bônus:
Eis o resultado do trabalho de colorização de mestre Rubens Antônio.



1“Cariri” é na verdade “Carira” e Zózimo alertou toda região de Dores a Propriá. Ninguém acreditou.
Robério Santos, Membro da Academia Itabaianense de Letras
Fonte: O Cangaço em Itabaiana Grande

Publicado originalmente no Blog Cangaço na Bahia