segunda-feira, 28 de julho de 2014

Scans

Cangaço para os Hungaros
Por: Ângelo Osmiro e Major István


Ângelo Osmiro em Foto de Manoel Severo
A revista Természet Világa é uma publicação mensal editada na Hungria há 145 anos (conforme capa). É uma revista científica de uma Universidade deste país, que durante esses 145 anos a revista não deixou de ser editada um só mês, nem mesmo durante as duas grandes guerras mundiais

O texto publicado em parceria com o confrade Major István é um resumo da trajetória de Lampião do nascimento até a morte, fazendo uma analogia (muito superficial) com a violência atual.


Major István arquivo pessoal

Major István é Hungaro, professor visitante da UECE (Universidade Estadual do Ceará). O conheci quando ele compareceu a uma das reuniões mensais do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC. Depois tivemos um contato maior quando de uma viagem a Lavras da Mangabeira (Cariri Cangaço) aí surgiu o convite para escrevermos em parceria essa matéria. Estivemos reunidos no apartamento  dele e nas reuniões do GECC seguintes e elaboramos o texto em parceria. Eis ai o resultado. Por enquanto vou ficar devendo a tradução.


capa









segunda-feira, 21 de julho de 2014

Arruma a mala aê...

Todos à Piranhas!!!



Tudo pronto para a abertura da Agenda Cariri Cangaço 2014. Piranhas, a sede Cariri Cangaço nas Alagoas, promove a primeira Avante-Première do evento que tem seu ponto alto em Setembro de 2015. Uma das cidades mais bonitas e acolhedoras do Brasil, às margens do São Francisco, rica em beleza, esbanjando história e tradição, realiza no próximo mês de Julho, de 24 a 28 a Semana do Cangaço, com vasta e rica programação no momento em que se registram 76 anos da morte de Virgulino Ferreira em Angico, Sergipe.
Veja a programação completa


Dia 24 de Julho de 2014
Quinta –feira – Piranhas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo de Medeiros
16:00 h –  Abertura da Semana do Cangaço 
Prefeito de Piranhas Dr. Dante Alighieri
Apresentação da Filarmônica  Mestre Elísio – Piranhas /AL
16:20 h –  Palestra : Soldado Adrião - A Outra Face do Cangaço
                 Palestrante:  Antonio Vilela – Pesquisador e Escritor
SBEC e Conselheiro Cariri Cangaço
17:00 H – Intervalo
17:10 h – Mesa Redonda :  Cultura Regional 
                  Prof. Dr. Benedito Vasconcelos ( Presidente da SBEC )
                  Profª Railda Nascimento ( MAX – Museu de Arqueologia de Xingó)
                  Luiz Carlos Salatiel ( Prefeitura de Piranhas)
                  Jaqueline Rodrigues ( Representante da ASTURP )
                  Coordenador da Mesa : Manoel Severo ( Curador do Cariri Cangaço)
17:40 h – Debate
18:40 h – Apresentação  de peça teatral com o grupo Estrelas do Sertão
19:20 h –  Lançamento dos Livros
"Lampião em Paulo Afonso" - João de Sousa Lima
"Dicionário Biográfico Cangaceiros e Jagunços" - Renato Luis Bandeira


Dia 25 de Julho de 2014
Sexta-feira - Piranhas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo
10:00 h - Reunião Extraordinária da SBEC
11:00h - Reunião Extraordinária do CARIRI CANGAÇO
15:00 h –  Lançamento do Projeto  Arqueologia do Cangaço
                   Prof. Dr. Carlos Guimarães ; Prof. Dr. José Roberto Pellini
                   Prof. Dr. Leandro Domingues Duran
                   UFMG , UFBA, UFS - MAX, UFPA
15:40 h – Intervalo
15:50 h – Palestra : Lampião no imaginário do homem do sertão
                  Palestrante : Prof. Wescley Rodrigues
16:30 h – Exibição do documentário:
                  “A violência oficial nos tempos do Cangaço"  de Aderbal Nogueira.
16:40 h – Mesa Redonda :  "O Estado e o Cangaço" Componentes da Mesa:
                  * Manoel Severo - Fortaleza, CE
                  * João de Souza Lima - Paulo Afonso - BA
                  * Sousa Neto - Barro, CE
                  * Tenente Coronel Lucena - Maceió - AL
                  Coordenador da Mesa : Jairo Luiz Oliveira
17:20 h – Debates
18:00 h – Apresentação do grupo de xaxado Cangaceiros do Capiá  Piranhas /AL
18:30 h – Encerramento


Dia 26 de julho de 2014
Sábado - Piranhas - AL
 09:00 h - Oficina de Discussão Arqueologia e Cangaço.
                  Participantes : Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC GECC,     GPEC e Cariri Cangaço.
12:00 h – Término da oficina e intervalo para almoço.
09:00 h - Oficina de discussão Arqueologia e Cangaço:Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC e Cariri Cangaço
12:00 h – Término da oficina
14:00 h – Exibição de Imagens inéditas "O cangaceiro Vinte e Cinco" de Aderbal Nogueira
14:40 h - Dinâmica: A história oral como história
15:40 h - Debates



Dia 27 de Julho de 2014
Domingo - Piranhas - AL
09:00 h – City Tour em Piranhas: Visitas: Palácio D. Pedro II  (atual Prefeitura Municipal) ; Museu do Sertão; Local da morte do coiteiro  Pedro de Cândido e Estação Ferroviária.



Dia 28 de Julho de 2010
Segunda-feira
08:00 h – Saída para Angico – Missa do Cangaço
Local de embarque : Porto de Piranhas/AL
13:00 h – Retorno


Manoel Severo e Jairo Luiz

O evento é uma realização da Prefeitura Municipal de Piranhas com a marca Cariri Cangaço e o apoio da ASTURP, da Universidade Federal de Sergipe e do MAX - Museu de Arqueologia de Xingó e terá as conferencias, debates e exibição de vídeos no Centro Cultural Miguel Arcanjo na Piranhas Antiga, Patrimônio da Humanidade; além de visitas dirigidas a muitos dos principais cenários do cangaço lampiônico da década de 30, tanto em Piranhas como em Entremontes e Olho d'Água do Casado,  em Alagoas e Canindé do São Francisco e Poço Redondo em Sergipe.

A Avante-Premiere Cariri Cangaço 2014 em Piranhas tem a frente o pesquisador e Conselheiro Cariri Cangaço, turismólogo Jairo Luiz; e terá as presenças de representantes da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, do GECC - Grupo de Estudos do Ceará, do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, além de Universidades e escolas, dentre outras representações e instituições ligadas à pesquisa e estudos do Cangaço, de todo o Brasil.

SEMANA DO CANGAÇO 2014
CARIRI CANGAÇO PIRANHAS

ALAGOAS - BRASIL


Aguardamos Você !

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço
Jairo Luiz Oliveira - Coordenador Geral da Semana do Cangaço

terça-feira, 15 de julho de 2014

Em Cajazeiras, PB

Lampião assustou Cristiano Cartaxo 

Por: Francisco Frassales Cartaxo
 
Cristiano Cartaxo

Cresci ouvindo meu pai narrar, vez por outra, o susto que passou ao ver-se frente a frente com Lampião. Cristiano Cartaxo (foto) contava sempre a mesma versão, quase com as mesmas palavras a indicar a veracidade do episódio por ele vivido. Certa ocasião, noite alta, ele se dirigiu à Farmácia Central, fundada pelo seu pai, o major Higino Rolim, para aviar uma receita, a pedido de pessoa amiga. 

Nessa época, década de 20 do século passado, a farmácia ficava na Rua Sete de Setembro, hoje Avenida Presidente João Pessoa. Cristiano entrou na botica, deixando a porta entreaberta, e foi preparar o remédio. Com pouco tempo, apareceu um desconhecido em trajes estranhos, arma de fogo e punhal. Meu pai apressou-se em procurar atendê-lo àquela hora da noite:

- O senhor deseja alguma coisa? Precisa de algum remédio?
 
Sabino Gomes em
Foto de Francisco Ribeiro
 
Disse mas não obteve resposta. O estranho esboçou apenas um leve sorriso, deu alguns passos, lentamente, parou para espiar melhor as pra- teleiras, voltou a caminhar pelo pequeno corredor até os fundos da loja, sem uma palavra, por mais que meu pai insistisse em oferecer-lhe seus serviços profissionais de farmacêutico. O visitante saiu pela porta, não sem antes fazer breve reverência de cabeça. Meu pai, sem pestanejar fechou a porta com ferrolho e voltou à sua tarefa. Claro que teve medo, sobretudo, porque isso se deu após o ataque do cangaceiro Sabino Gomes (foto) que, segundo meu pai, tinha como um dos seus objetivos ao invadir Cajazeiras “agarrar o enxu do major Higino”, numa referência ao cofre da farmácia do meu avô.

Sabino Gomes conhecia bem Cajazeiras. Fora guarda-costas de Marcolino Diniz, um cidadão que residiu em Cajazeiras, pouco depois de assassinar o bacharel Ulisses Wanderley, juiz de direito da cidade de Triunfo (PE), em 30 de dezembro de 1923. Preso em flagrante, foi solto pelos cabras de Sabino, a mando de Lampião, que era amigo e protegido do coronel Marçal Florentino Diniz, pai de Marcolino. Em Cajazeiras, Marcolino fundou e manteve, junto com o advogado Praxedes Pitanga, o jornal O Rebate, que circulou entre 1925 e 1928. Marcolino era irmão unilateral de Sabino Gomes, pois este nascera de relação sexual do coronel Marçal com sua cozinheira, em Abóboras, município de Serra Talhada (PE), perto de Princesa Isabel, terra do famoso coronel José Pereira, aliás, sogro de Marcolino Diniz.

Sabino chegou a trabalhar nas obras de construção do açude de Boqueirão e desfilava armado pelas ruas de Cajazeiras, na qualidade de capanga de Marcolino Diniz.
 

Como o poeta Cristiano soube que o cangaceiro misterioso era Lampião? Meu pai o identificou numa foto que correu mundo, batida pelo fotógrafo profissional, Francisco Ribeiro, em Limoeiro do Norte, quando o bando ali estacionou, ao regressar da frustrada invasão a Mossoró. Em Limoeiro, os cangaceiros foram recebidos sem hostilidade. Ao contrário, tiveram direito a banquete, fizeram compras no comércio e até rezaram na igreja em companhia do padre.

Revejo, agora, a foto histórica, inserida no livro de Frederico Pernambucano de Mello: Guerreiros do sol - Violência e banditismo no Nordeste do Brasil -, talvez o melhor estudo acerca do fenômeno social do cangaço nordestino. Revejo com saudade do meu pai que, em 2013, completa 100 anos de formado na antiga Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mistérios de Angico

Quem era o cangaceiro “NÃO CONHECIDO” – parte 2.
Por Luiz Ruben (*)

Ainda nos documentos citados no artigo anterior, na continuação das minhas pesquisas para meu mais recente livro “O Fim do Cangaço: As Entregas, encontrei mais um documento que talvez esclareça o nome de guerra do cangaceiro "Luiz de Thereza" desta vez no Jornal Gazeta de Alagoas em 1º de novembro de 1938, numa entrevista com o cangaceiro "Cobra Verde".

Cobra Verde
Segue a transcrição de parte do jornal com a entrevista de Cobra Verde e em anexo o fac-símile do citado jornal, uma foto do cangaceiro Cobra Verde e algumas observações sobre o fato.

Transcrição parcial do Jornal Gazeta de Alagoas, 1 de novembro de 1938

Fala-nos Cobra Verde

Como se sabe três dos sete bandidos capturados em Poço Redondo, os denominados, Vila Nova, Santa Cruz e Cobra Verde achavam-se com Lampião no valhacouto de Angico, quando as forças comandadas pelo 1º tenente, hoje capitão João Bezerra os atacou.

Cobra Verde saía muito cedo pra comprar leite numa vacaria cita em Cajueiro, distante meia légua de Angico. De volta, ouviu os tiros e desconfiou do que acontecia. Então se aproximou cauteloso, subindo a uma elevação, de onde viu, ao longe, o combate. Não quis mais saber de nada e abalou no mundo.

Os bandidos que se encontravam em Angico


Foi Cobra Verde que nos forneceu a relação completa dos celerados que se achavam em Angico, no momento da refrega, ao todo 42 homens e 7 mulheres. Lá estavam Lampeão e os seus sequazes habituais, que nunca dele se afastavam, Quinta-Feira, Elétrico, Laranjeira, Candeeiro, Alecrim, Vila Nova, Quixabeira, Chá Preto e um Menino, sobrinho de Lampeão, de 16 anos.

Estavam também os seguintes grupos:

- O de Luiz Pedro constituído por Moeda, Vinte e Cinco, Cobra Verde, Amoroso, Cruzeiro e Azulão;

- O de José Sereno, formado por Cajazeira, Marinheiro, Pernambucano e Ponto Fino;

- O de Balão por Bom Deveras, Mergulhão, Macela e Besouro;

- O de Criança por Santa Cruz, Colchete, Cuidado;

- O de Jurity, por Penedo, Borboleta e Mangueira;

- O de Diferente por Velvel e Beija-Flor;

E mais: Zabelê, Lavandeira, Pitombeira e Delicado, que costumavam andar sós. As mulheres eram Maria Bonita, amante de Lampeão, Enedina, de Cajazeira, Maria, de Jurity, Bastiana de Moita Braba, Sila, de José Sereno, Dulce, de Criança e Dina, de Delicado.



 § § §

Observações:

O único cangaceiro relacionado por Cobra Verde que nos parece novidade é o Velvel, (escrito dessa forma no jornal). Este cangaceiro nunca foi mencionado em outras fontes, por isso, me parece plausível que o Luiz de Thereza divulgado na matéria do Jornal de Alagoas do dia 9 de novembro de 1938 com a manchete: Quem era o bandido que não foi identificado no sucesso de Angico, compartilhado por mim a todos os pesquisadores, possa ser esse cangaceiro aqui relacionado por Cobra Verde.

Alerto que a lista dos grupos feita por Cobra Verde pode gerar algumas divergências aos pesquisadores mais atentos.

Cobra Verde, diferente de outros cangaceiros sobreviventes a Angico e que vieram a declarar décadas depois, com divergências, os cangaceiros participantes do evento, não conseguiram fazer uma listagem numerosa. Cobra verde, entretanto, dá essa declaração onde relaciona um maior número de cangaceiros, apenas três meses depois dos fatos de Angico, que culmina com a morte de Lampeão.

Maurício Ettinger identificou o “Não Conhecido” (assim denominado na lista de identificação das cabeças dos cangaceiros na foto da escadaria de Piranhas), como sendo Luiz de Thereza.

Será o Velvel o nome de guerra de Luiz de Thereza? Fica ai uma pista, para ser ou não confirmada!

Espero que ao compartilhar essas “descobertas” esteja contribuindo para o fim de mais um mistério na história do cangaço. 


Saudações cangaceiras
Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista, Turismólogo, Pesquisador de Cangaço e Ferrovias.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Seu Nôza... José Moura de Oliveira

Mais uma fonte que seca
Por: Rubens Antônio

Faleceu, ontem, 3 de julho de 2014, em Salvador, José Moura de Oliveira.


Nascido em 23 de fevereiro de 1925, em Queimadas, Bahia, naquele município, era mais conhecido pelo apelido que lhe deu sua irmã mais velha, quando era ainda um bebê. "Nôza". Com a idade, ganhou um "Seu" ao antigo apelido, tornando-se "Seu Nôza".

Desconhecido da imensa maioria das pessoas, é uma verdadeira referência por dois pontos.
Em primeiro lugar, era a criança que estava dentro quartel, em Queimadas, quando foi invadido pelos cangaceiros, em dezembro de 1929. Ao seu lado, Lampeão parou e deu ordem de prisão aos policiais.
Apesar da tenra idade, a impressão que lhe causou o evento deixou em sua memória viva impressão e perfeita recordação. Isto, especialmente, por haver testemunhado o início do massacre, nomeadamente a morte dos dois primeiros policiais.

Em segundo lugar, considerando a quantidade de equívocos, inverdades e mistificações diversas que àquele evento começaram aderir, iniciou uma coleta de informações, registrando-as meticulosamente.
A quem o visitava, recebia com imensa simpatia e atenção, apresentando o seu relato já impresso.
Dizia:
"- Junta-se aí o que eu vivi, o que eu vi, com o que ouvi dos demais..."
Este documento era lido, por ele, para o interessado, na íntegra e, na medida do possível, enriquecido, conforme o interlocutor apresentava novas perguntas.


 Seu Nôza lendo seu relato dos eventos de 22 de dezembro de 1929, em Queimadas.

Para conhecer o depoimento : Clique Aqui
Uma versão mais recente e completa, a derradeira, ainda está por ser publicada.


Desenhando a situação real das antigas sepulturas dos soldados, 
no cemitério de Queimadas.


Com Valdeci Figueiredo dos Santos e Jubiratan Silva Santos, 
filhos do sargento Evaristo, sobrevivente do massacre de Queimadas.

Tendo vivido a maior parte dos seus últimos anos em Salvador, próximo aos filhos e netos, veio a nesta cidade falecer, em função de um câncer.



Seu corpo foi levado a Queimadas e, neste 4 de julho de 2014, estará sendo ali sepultado. Um abraço, amigo... E muito obrigado pelo seu senso de História e compromisso com esta.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vai começar a festa!!!

Divulgada programação do Cariri Cangaço Piranhas 2014



Tudo pronto para a abertura da Agenda Cariri Cangaço 2014. Piranhas, a sede Cariri Cangaço nas Alagoas, promove a primeira Avante-Première do evento que tem seu ponto alto em Setembro de 2015. Uma das cidades mais bonitas e acolhedoras do Brasil, às margens do São Francisco, rica em beleza, esbanjando história e tradição, realiza no próximo mês de Julho, de 24 a 28 a Semana do Cangaço, com vasta e rica programação no momento em que se registram 76 anos da morte de Virgulino Ferreira em Angico, Sergipe.
Veja a programação completa


Dia 24 de Julho de 2014
Quinta –feira – Piranhas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo de Medeiros
16:00 h –  Abertura da Semana do Cangaço 
Prefeito de Piranhas Dr. Dante Alighieri
Apresentação da Filarmônica  Mestre Elísio – Piranhas /AL
16:20 h –  Palestra : Soldado Adrião - A Outra Face do Cangaço
                 Palestrante:  Antonio Vilela – Pesquisador e Escritor
SBEC e Conselheiro Cariri Cangaço
17:00 H – Intervalo
17:10 h – Mesa Redonda :  Cultura Regional 
                  Prof. Dr. Benedito Vasconcelos ( Presidente da SBEC )
                  Profª Railda Nascimento ( MAX – Museu de Arqueologia de Xingó)
                  Luiz Carlos Salatiel ( Prefeitura de Piranhas)
                  Jaqueline Rodrigues ( Representante da ASTURP )
                  Coordenador da Mesa : Manoel Severo ( Curador do Cariri Cangaço)
17:40 h – Debate
18:40 h – Apresentação  de peça teatral com o grupo Estrelas do Sertão
19:20 h –  Lançamento dos Livros
"Lampião em Paulo Afonso" - João de Sousa Lima
"Dicionário Biográfico Cangaceiros e Jagunços" - Renato Luis Bandeira


Dia 25 de Julho de 2014
Sexta-feira - Piranhas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo
10:00 h - Reunião Extraordinária da SBEC
11:00h - Reunião Extraordinária do CARIRI CANGAÇO
15:00 h –  Lançamento do Projeto  Arqueologia do Cangaço
                   Prof. Dr. Carlos Guimarães ; Prof. Dr. José Roberto Pellini
                   Prof. Dr. Leandro Domingues Duran
                   UFMG , UFBA, UFS - MAX, UFPA
15:40 h – Intervalo
15:50 h – Palestra : Lampião no imaginário do homem do sertão
                  Palestrante : Prof. Wescley Rodrigues
16:30 h – Exibição do documentário:
                  “A violência oficial nos tempos do Cangaço"  de Aderbal Nogueira.
16:40 h – Mesa Redonda :  "O Estado e o Cangaço" Componentes da Mesa:
                  * Manoel Severo - Fortaleza, CE
                  * João de Souza Lima - Paulo Afonso - BA
                  * Sousa Neto - Barro, CE
                  * Tenente Coronel Lucena - Maceió - AL
                  Coordenador da Mesa : Jairo Luiz Oliveira
17:20 h – Debates
18:00 h – Apresentação do grupo de xaxado Cangaceiros do Capiá  Piranhas /AL
18:30 h – Encerramento


Dia 26 de julho de 2014
Sábado - Piranhas - AL
 09:00 h - Oficina de Discussão Arqueologia e Cangaço.
                  Participantes : Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC GECC,     GPEC e Cariri Cangaço.
12:00 h – Término da oficina e intervalo para almoço.
09:00 h - Oficina de discussão Arqueologia e Cangaço:Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC e Cariri Cangaço
12:00 h – Término da oficina
14:00 h – Exibição de Imagens inéditas "O cangaceiro Vinte e Cinco" de Aderbal Nogueira
14:40 h - Dinâmica: A história oral como história
15:40 h - Debates



Dia 27 de Julho de 2014
Domingo - Piranhas - AL
09:00 h – City Tour em Piranhas: Visitas: Palácio D. Pedro II  (atual Prefeitura Municipal) ; Museu do Sertão; Local da morte do coiteiro  Pedro de Cândido e Estação Ferroviária.



Dia 28 de Julho de 2010
Segunda-feira
08:00 h – Saída para Angico – Missa do Cangaço
Local de embarque : Porto de Piranhas/AL
13:00 h – Retorno


Manoel Severo e Jairo Luiz

O evento é uma realização da Prefeitura Municipal de Piranhas com a marca Cariri Cangaço e o apoio da ASTURP, da Universidade Federal de Sergipe e do MAX - Museu de Arqueologia de Xingó e terá as conferencias, debates e exibição de vídeos no Centro Cultural Miguel Arcanjo na Piranhas Antiga, Patrimônio da Humanidade; além de visitas dirigidas a muitos dos principais cenários do cangaço lampiônico da década de 30, tanto em Piranhas como em Entremontes e Olho d'Água do Casado,  em Alagoas e Canindé do São Francisco e Poço Redondo em Sergipe.

A Avante-Premiere Cariri Cangaço 2014 em Piranhas tem a frente o pesquisador e Conselheiro Cariri Cangaço, turismólogo Jairo Luiz; e terá as presenças de representantes da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, do GECC - Grupo de Estudos do Ceará, do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, além de Universidades e escolas, dentre outras representações e instituições ligadas à pesquisa e estudos do Cangaço, de todo o Brasil.

SEMANA DO CANGAÇO 2014
CARIRI CANGAÇO PIRANHAS

ALAGOAS - BRASIL


Aguardamos Você !

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço
Jairo Luiz Oliveira - Coordenador Geral da Semana do Cangaço

quinta-feira, 26 de junho de 2014

"Despretobranquização" do cangaço ou...

Colorizando para melhor aprender

Trabalho - e bota trabalho nisso - de: Rubens Antônio

A colorização de imagens adentra os espaços de estudo como recurso.
Dá-se o realce como aplicado reforçando a sensação de "eco temporal", facilitando, com a introdução de uma concepção de resgate visual, a percepção do fato em sua dimensão precisa

Cabeças dos cangaceiros na antiga escada da Prefeitura de Piranhas, Alagoas:



Corisco e Dadá, em foto de Benjamin Abrahão Boto:


 Apetrechos e cabeças dos cangaceiros Mariano, Pai Véio e Zeppelin, mortos por Zé Rufino.

 
 OBS.No Seminário Cariri Cangaço de 2010 a maioria dos pesquisadores presentes, analisando fatos posteriores concordaram que esse último seria o cangaceiro "Pavão" e não Zepellin como identificado na legenda.

Tenente Geminiano José dos Santos, da Força Pública do Estado da Bahia. Assassinado por Lampião, em 1930:



A cangaceira Inacinha


Balbina da Silva. Moradora de Canindé do São Francisco, em Sergipe, ferrada pelo cangaceiro José Bahiano:


Pescado no essencial Cangaço na Bahia
Contato com o artista (71)  9227 - 3570 / 3336 - 3498
rubensantonio@gmail.com

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Luiz Gonzaga Ferraz

O massacre de São José do Belmonte
Por Sousa Neto

Ouvindo amiudadas vezes as gravações feitas pelo amigo Amaury Correa de Araújo com Sinhô Pereira e Cajueiro no final dos anos sessenta sobre esse episódio tão marcante na historia daquela cidade, fui algumas vezes averiguar “in loco” e extrair por mim mesmo determinadas conclusões.

É certo que os homens ricos do inicio do século passado, na ausência de estruturas financeiras formais com suficiente segurança, tinham que guardar o seu dinheiro e objetos de valor em suas próprias residências, despertando assim o interesse de todos os ripários.

Por essa época grupos de cangaceiros e salteadores infestavam os sertões nordestino roubando, assaltando, extorquindo e muitas vezes até sequestrando. A ausência do estado e o diminuto contingente de agentes da lei favoreciam essas ações.

Sebastião Pereira em foto de Antonio Amaury
Luiz Gonzaga Gomes Ferraz havia se destacado na região do Pajeú como próspero comerciante. Era alheio a guerra travada entre as influentes famílias Pereira e Carvalho por questões políticas naquela e em outras províncias da região. Até comentavam o interesse de Gonzaga de ingressar na política por anseio de algumas outras famílias amigas, mas Gonzaga Ferraz era mesmo um grande empreendedor.

Em março de 1922 o principal protetor de Sebastião Pereira e Luiz Padre, “major” Zé Inácio do Barro devido à austera perseguição do Governador do Ceará Justiniano de Serpa, seguiu os mesmos passos de Luiz Padre rumo ao estado de Goiás onde se homiziaram. Ficara ainda Sebastião Pereira (Sinhô Pereira) com os mesmos planos já frustrado uma vez.

Sem o auxilio do major Zé Inácio e do coronel Antônio Pereira em declínio financeiro, mantenedores do bando, Sinhô Pereira se obriga a pedir ajuda a outros parentes mais abastados, fazendeiros amigos e comerciantes afortunados. Manter um grupo armado naqueles tempos não era tarefa das mais fáceis.

No mês de maio daquele mesmo ano um comboio conduzindo mercadorias para Luiz Gonzaga foi interceptado pelo bando de Sinhô que saqueou todos os artigos. Sinhô Pereira já era avesso a Gonzaga por esse lhe negar ajuda financeira por varias vezes, inclusive recebeu certo dia como resposta da esposa de Gonzaga Dona Martina, “que se quisesse dinheiro, que fosse trabalhar como o seu esposo”.

Havia, entretanto um destacamento do Ceará sob o comando do Tenente Peregrino Montenegro, homem versado pelas barbáries cometidas em busca de arrancar qualquer informação a cerca do major Zé Inácio e seus asseclas, ultrapassando inclusive as fronteiras de seu estado para saciar o seu desejo e alcançar os seus intentos.

Nas cercanias do vilarejo de Belmonte havia a fazenda Cristóvão, pertencente a Crispim Pereira de Araújo, conhecido como Yoio Maroto, casado no seu primeiro matrimônio com Maria Océlia Pereira, irmã de Luiz Padre. Ao ficar viúvo casa-se com a prima da primeira esposa por nome Francisca Pereira Neves e por ocasião do falecimento de Francisca, casa-se pela terceira vez com a cunhada de nome Generosa.

Yoio Maroto era amigo e duas vezes compadre de Gonzaga
aonde o respeito era reciproco.
(Acervo Sousa Neto)

Por ocasião da passagem do tenente Montenegro a vila de Belmonte ficou sabendo por Gonzaga Ferraz das tropelias do bando de Sinhô Pereira naquela região e da amizade e parentesco entre o chefe cangaceiro e Yoio Maroto e rumou sem demora a fazenda Cristóvão. Ao chegar, ao finalzinho da tarde o perverso oficial já mostra a que veio e começa o seu interrogatório, como de costume a base de boas chicotadas nos criados da fazenda que acudiam pelo nome de Zé Maniçoba e Zé Preto. Foi uma noite de terror para a honrada família que ouviam palavrões dos mais alarmantes por parte da soldadesca embriagada que humilharam Yoio Maroto por algumas vezes. O ex- cangaceiro Cajueiro disse a Dr. Amaury que a sua mãe só não morreu por um milagre de Deus.

Logo de manhã cedo sem as informações almejadas a volante cearense tratou de sair da fazenda Cristóvão e talvez pela falta de caráter que lhe era peculiar, Montenegro afirmou que estava ali por informação e solicitação de Luiz Gonzaga. Para alguns uma justificativa herética e totalmente sem crédito.

O fato é que dali por diante a semente da desavença foi cultivada, Luiz Gonzaga jurando inocência e Yoio Maroto fingindo acreditar.

Sedento de vingança sempre triste e acabrunhado Yoio Maroto mandou avisar a Sinhô Pereira o ultraje sofrido juntamente com a família. Sinhô já decidido a seguir para Goiás pede então a Lampião que resolvesse essa questão de Belmonte. Sinhô Pereira tinha enorme gratidão e apreço a Yoio, que além de ser seu primo era casado com Maria, irmã de Luiz Padre.

Luiz Gonzaga Gomes Ferraz avisado de um possível ataque por parte de cangaceiros parentes de seu compadre contratou um efetivo armado para lhe garantir proteção. Semanas após resolveu deixar Belmonte retirando-se para a Bahia e depois Sergipe buscando se estabelecer quando foi convencido a voltar ao Pernambuco com todas as garantias, inclusive do governo do estado. Esse fato provocou ainda mais a ira de Yoio Maroto que começou a ponderar ser Belmonte pequeno demais para os dois, vez por outra murmurava: aqui ou um ou outro!


Luiz Gonzaga Lopes Gomes Ferraz
(Acervo Valdir Nogueira)


Entra em cena Antônio Maroto, irmão de Yoio que para conseguir um empréstimo de três contos de reis, convenceu Gonzaga a não acreditar na boataria de uma possível vingança por parte de Yoio e que se empenharia no sentido de convencer o seu irmão de sua inocência. O avisa da saída de Sinhô Pereira do sertão nordestino o que deixa Gonzaga exultante, e em uma demonstração de placidez despensa a sua guarda pessoal recolhendo as armas e munições. Acreditou que tudo havia acabado. Mero engodo. Ainda alertado pelos habitantes de Belmonte para não dar crédito a Antônio Maroto, alguns amigos diziam: “Gonzaga em cangaceiro não se pode confiar, Yoio está preparando o bote"!

É certo que todos tinham razão. Yoio Maroto ia pouco a pouco arregimentando homens para o ataque. Entre outros contou com Tiburtino Inácio (Gavião), filho do major Zé Inácio do Barro que tinha uma irmã casada com um primo de Yoio. Depois Cicero Costa e mais alguns familiares.

Em recente entrevista que fiz com o Sr. Vilar Araújo, filho de Luiz Padre no estado de Tocantins, esse afirmou que José Terto (Cajueiro) já se encontrava na região central do país há mais de dois anos ao lado de seu pai, quando da chegada de Sinhô Pereira lhe ordenando a voltar ao sertão nordestino comandar essa ação. Vilar conta que o seu tio Quinzão (Cajueiro) quando tomava umas doses de aguardente, sempre narrava esse episódio.

É certo que a mãe de Cajueiro D. Antônia Pereira da Silva foi ultrajada pela força volante de Peregrino Montenegro como ele mesmo narra. O que me causou mais curiosidade foi o fato do cangaceiro tão distante ser enviado para comandar uma ação já designada a outro.
Questionei com o senhor Vilar essa motivação de Sinhô Pereira e Luiz Padre. A resposta veio sem pestanejar: “Tio Chico (Sinhô Pereira) acreditava que Lampião pudesse não atender ao seu pedido”.
Cajueiro chega e se integra ao pequeno grupo liderado por Lampião e principia os preparativos para o ataque.

Yoio Maroto escolheu o dia ideal para o ataque. Belmonte estava em festa, outubro era o mês dos festejos celebrados ao Sagrado Coração de Jesus. Dia 19 de outubro o “noitário” ou patrono da festa era justamente Luiz Gonzaga Gomes Ferraz e o ataque teria que ser no dia seguinte logo cedo, pois com certeza Gonzaga estaria em casa.

Lápide do antigo túmulo de Luiz Gonzaga Ferraz 
exposta na casa de Cultura de S. J. do Belmonte
Foto: Sousa Neto

Ao romper o dia 20 de outubro o casarão de Gonzaga estava completamente cercado. O povoado é acordado ao som de machadadas, pernadas e várias outras formas de conseguir arrebentarem as portas da residência. As pancadas pouco a pouco iam despertando os vizinhos e outros moradores que logo perceberam se tratar de um violento ataque a residência do homem mais prestigiado daquele vilarejo.

Segundo o cangaceiro Cajueiro na aludida entrevista, disse ser ele o primeiro a penetrar no interior da residência após escalar o muro do quintal. Ficou dando apoio enquanto os seus companheiros arrombavam um portão que dava para a rua dos fundos. Outro grupo tentava o arrombamento da porta da frente. Foi justamente nesse momento que Cajueiro assistiu a morte de Baliza, um dos que tentavam despedaçar o portão. A morte de Baliza ainda não está de tudo esclarecida, há mais razões para esse assassinato e em breves dias irei explanar. Isso é outra história.

Alguns moradores já acordados vieram em socorro de Gonzaga e assim começa o tiroteio.

Gonzaga que ao ouvir as pancadas e perceber que o bando sinistro havia penetrado na residência subiu a escadaria por um dos quartos que dava para o sótão da casa. Ainda segundo Cajueiro uma senhora apavorada pergunta quem é o chefe, ele responde: “nóis num tem chefe”, nesse momento um cangaceiro tenta contra uma jovem que parte em sua direção e lhe agarra dizendo: valha-me senhor pelo amor de Deus! Cajueiro manobra o rifle e diz: Agora você escolhe, ou solta à moça ou me mata ou morre. Então o seu companheiro a soltou e essa foi em direção a sua mãe que se encontrava na cozinha. Cajueiro então pergunta: - Cadê o “major” tá ai? Ela respondeu “tá ai dentro sim senhor”. Ato continuo Cajueiro tranca a família em um quarto e chama o cangaceiro Livino para nas palavras dele “dar uma busca na casa”.
Cajueiro dando boas risadas, confessa ao Dr. Amaury que Gonzaga havia caído do sótão e estava escondido atrás da porta.

Estive recentemente observando o sótão da casa de Gonzaga e pude perceber que a parte que compreende a sala de estar, bem como todos os quartos do lado esquerdo do grande corredor estavam forrados. O lado direito da casa, o sótão estava em construção. O detalhe é que a parte acima dos quartos por onde tinha a escada de acesso, eram de tábuas fornidas e pregadas de cima para baixo, ambiente propicio para armazenar objetos, alimentos etc. A parte da sala de estar era toda forrada de madeira fina, toda ela pregada com pregos de baixo para cima, apenas para adornar ainda mais o bonito recinto.

Luiz Gonzaga aterrorizado tentando se ocultar naquele ambiente escuro, caminhou para o mais distante possível da escada e foi para a parte da sala de estar. Penso haver ele esquecido que aquele adorno não suportaria o seu peso. Foi ai que o assoalho cedeu, ele caiu e tentou se abrigar atrás da porta, mas a casa já estava infestada de bandidos que pensavam apenas em passar a mão nos objetos de valor.

Ainda segundo Cajueiro Livino Ferreira foi quem fez o serviço, matou o “major” Gonzaga. Morreram nesse episódio o cangaceiro José Dedé “o Baliza”, Antônio da Cachoeira (sofreu um ataque cardíaco fulminante) e o soldado Heleno Tavares hoje homenageado com o nome da rua que combateu o bando nefasto. Saíram feridos do bando de Lampião, Yoio Maroto com um tiro no braço, o valente Zé Bizarria e Cícero Costa.

Essa é uma das primeiras imagens de Lampião. 
O Rei do Cangaço está sentado, é o segundo da esq. para a direita

Anos depois foi aberto um inquérito para apurar essa ocorrência e em 07 de outubro de 1929 todos os 42 implicados foram condenados.

Yoio Maroto refugiou-se no Barro, debaixo da proteção de Justino Alves Feitosa que dias depois lhe deu carta de recomendação endereçada ao Coronel Leandro da Barra, homem influente na região dos Inhamuns que o acolheu. Yoio passou a viver usando o nome fictício de Coronel Antônio Alves. Com muito esforço e trabalho adquiriu a fazenda Malhada Vermelha aonde veio a falecer em 19 de maio de 1953.

Fontes Pesquisadas:
 ARAÚJO, Vilar (Entrevista em julho 2013)
 FERRAZ, Marilourdes – O Canto do Acauã
 MOURA, Valdir José Nogueira (HISTORIADOR E ESCRITOR)
 CORRÊA, Antônio Amaury – LAMPIÃO Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço.
 REVISTA - A Província – O universo pelo Regional – Fevereiro de 1998

domingo, 15 de junho de 2014

Adeus a "Vinte e cinco"

Morreu o ultimo cangaceiro
Nos informou João de Sousa Lima

Depos de Neco de Pautilia a memória do cangaço perde mais um ícone. Faleceu hoje 15 de junho, na capital alagoana José Alves de Matos o ex cangaceiro "25". Aos 97 anos de idade, Vinte e cinco era "oficialmente" o ultimo ex cangaceiro vivo. Dos remanescentes do cangaço "lampionico" resta apenas Dulce que foi companheira do cangaceiro "Criança".

Aposentado como funcionário público estadual, ao longo dos anos o ex cangaceiro recebeu visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro. O que ajudou a costurar a história desse movimento tão complexo.


Vinte e cinco recebeu o escritor João de Sousa Lima 
no dia 29 de Abril de 2014.

Vinte e Cinco era de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs. Do segundo casamento do seu pai nasceram mais cinco homens e três mulheres. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: "Santa Cruz", "Pavão", "Chumbinho", "Ventania" e "Azulão 3". No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz era aceito no grupo de Mariano.
 

Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. 

No fatídico 28 de Julho de 1938 ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

 Na ocasião das entregas junto com vários cangaceiros.

Após a morte de Lampião Vinte e cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros. Permaneceu preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu através de um amigo emprego no estado como Guarda Civil. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia admitir um criminoso na guarda ja que ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho que afirmou com toda convicção que entre os 38 guardas José Alves era o melhor profissional entre eles. 
 
 Vinte e Cico, Cobra Verde e Santa Cruz
a disposição da justiça.

O Secretário resolveu fazer um concurso entre os guardas e José Alves contratou duas professoras. Esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores mas quase foi reprovado justamente na "prova" de tiro, pois era acostumado com a Parabellum e teve que atirar com um revolver 38, abriram uma exceção para o candidato que então conseguiu provar sua habilidade e destreza. Atirando com uma parabellum ele acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. 


Segue abaixo uma entrevista concedida a Antonio Sapucaia para o Jornal Gazeta de Alagoas edição de 16 de setembro de 2012.
 

José Alves de Matos, o conhecido ex-cangaceiro “Vinte e Cinco”, que por cinco anos integrou o bando de Lampião.

Era casado com Maria da Silva Matos desde 1959, pai de uma prole de sete filhos, entre os quais há dentista, economista, assistente social, técnica de saúde e uma funcionária pública federal. Acerca do casamento, dizia que acreditava no destino, considerando que a esposa nasceu em 1938, exatamente no ano do extermínio do grupo de Lampião; ambos não tinham pai nem mãe, e o matrimônio, realizado em Maceió, já dura 55 anos de felicidade.

Considerava-se um homem de bem com a vida, não se arrependeu de nada que fez, principalmente no tempo de cangaceiro, de cuja época dizia ter saudades, “porque ali todo mundo era tratado como igual e todos eram amigos confiáveis. A vida era bastante complicada”, disse com certo ar de tristeza, “mas era muito boa, e se havia momentos de agonia, os momentos de alegria e de prazer eram maiores"

Nascido no dia 8 de março de 1917, em Paripiranga, na Bahia, ingressou no mundo do cangaço aos 16 anos de idade, no dia 25/12/1933, razão porque Corisco o apelidou de "Vinte e Cinco". 


“Ao ingressarem na vida do cangaço”, “todos esqueciam os seus verdadeiros nomes e a partir daí passavam a ser conhecidos pelos apelidos que recebiam. Também recebiam ordem de manter o máximo de respeito entre eles, pois seriam tratados como verdadeiros irmãos e irmãs. Se alguns deles se dispersavam do bando, após algum tiroteio, mesmo que fossem homem e mulher, havia respeito total entre ambos, até que novamente o grupo se reencontrasse. Uma coisa que Lampião fazia questão de manter, aumentando o vigor da voz, era o respeito absoluto entre todos”.
Vinte e Cinco confessou: 
A Polícia era cheia de analfabetos, havia oficial que não sabia sequer atender a um telefonema. Além disso, eram excessivamente violentos, e foi essa violência desmedida que levou muitos jovens a ingressar na atividade do cangaço, entre os quais eu me incluo”.
E continuou: 
“Os policiais, conhecidos como macacos, chegavam à casa dos agricultores e indagavam se Lampião havia passado na localidade; se a resposta fosse negativa, eles apanhavam porque poderiam estar mentindo; se a resposta fosse positiva, apanhavam ainda mais porque não informaram, antes, sobre a presença deles no local”.
A respeito do seu ingresso na vida do cangaço, respondeu: 
“Havia uma família que tinha parentes na Polícia, e fez uma denúncia de que a nossa tinha admiração por Lampião. Daí, terminaram dando uma pisa em um sobrinho meu, que passou três dias acamado. Dias depois, encontramos com um membro dessa família, que já não gostava do meu sobrinho por causa de uma namorada, terminou havendo uma briga entre nós, pelo que fiquei foragido durante dois anos, carregando como lembrança uma cicatriz na cabeça, cujo ferimento foi curado com pó de café”.

“Ao regressar, fui a uma feira colocar sola em um sapato, cujo sapateiro era cabo da Polícia, de nome Passarinho, que me reconheceu. Terminei preso durante doze horas e, como consequência, resolvi fazer parte do bando dos cangaceiros onde eu já tinha cinco parentes. Mantive contato inicialmente com Corisco, que chefiava um grupo, tendo-o encontrado junto com Dadá, sua companheira, e um cachorro de nome ‘Seu Colega’”.
Vinte e Cinco recordou que vez por outra Lampião pedia a Corisco que o colocasse à sua disposição e, em meio a essas oportunidades, terminou ficando com o Rei do Cangaço, até quando ocorreu a chacina de 28 de julho de 1938, em Angico, no Estado de Sergipe.

O regime que imperava no cangaço era rigoroso, mas todos viviam satisfeitos. Não faltava comida – carne de bode, carneiro, boi, farinha, sal, queijo –, uma vez que os fazendeiros ordenavam aos vaqueiros para abastecer os grupos, o que não acontecia com relação aos que faziam parte da Polícia. Do mesmo modo, não faltavam bebidas, mas aquele que as adquiriam era obrigado a experimentá-las antes de serem servidas a Lampião.



Escritor Sergio Dantas em visita à "Vinte e cinco"
A propósito – lembrou Vinte e Cinco – Lampião quando passava em lugar que não tinha aguardente ou conhaque, ele deixava dinheiro com alguém para que os produtos fossem comprados. Tinha mais: orientava no sentido de que as bebidas fossem enterradas no quintal da casa, bem arrolhadas, e que um dia retornaria para degustá-las.

Sabe-se que certa vez Lampião deixou alguma importância com determinada mulher para a compra de bebidas e, dias depois, retornou para saboreá-las. Antes de ingeri-las, pediu à mulher que as experimentasse, o que foi recusado por ela. A mulher terminou confessando que a Polícia a havia obrigado a colocar veneno na aguardente. Depois de perguntar como é que a Polícia soube que a bebida estava enterrada no quintal, mandou que a mulher ficasse despida, saísse correndo e se abraçasse com um pé de mandacaru que estava mais adiante.

Nada faltava ao grupo, conforme relata Vinte e Cinco. Havia alegria, principalmente em razão de alguns tocarem realejo, e dinheiro também não faltava, distribuído por Lampião, periodicamente, não sendo verdade que recebiam semanalmente importância fixa, como já foi noticiado.

Não faltavam mulheres para a prática sexual, pois alguns tinham as suas companheiras no bando. Para os solteiros também não faltavam mulheres, quando chegavam às fazendas, e muitas vezes eram mandadas para as suas companhias pelos próprios maridos, pois além de serem bem compensadas financeiramente, presenteavam-nas com brincos, cordão de ouro, anel etc. – relatou Vinte e Cinco

Os cachorros de nome “Seu Colega” e “Guarani” exerciam papel importante, haja vista que, além de serem adestrados para despertar a atenção do grupo quando algum estranho se aproximasse, muitas vezes comiam antes uma parte das comidas que seriam servidas aos cangaceiros para terem a certeza de que não estavam envenenadas.

Sobre Lampião, explicou que “era um tanto fechado, mas em alguns momentos se mostrava brincalhão. Era portador de uma espécie de enxaqueca e, quando amanhecia acometido do mal, falava muito pouco com a gente. Em nenhum momento ouvi dele dizer-se arrependido da vida que levava e, igualmente, nunca manifestou a intenção de abandonar o cangaço, como já foi dito por aí”. Era católico; das 4h30 da manhã para as 5 horas, os cangaceiros acordavam, colocavam os joelhos no chão e começavam a rezar.

Vinte e Cinco confessou que somente Lampião, Luiz Pedro e Quinta Feira sabiam quando e onde eram adquiridas as armas utilizadas pelos bandos. Algumas eram guardadas em ocos dos paus até que delas precisassem, mas era proibido perguntar onde eram adquiridas. Além dos chapéus de couro que portavam e dos apetrechos que conduziam, eram indispensáveis dois cobertores de chitão, um servia para forrar o chão e o outro para cobrir-se.




Barreira, Santa Cruz, Vila Nova e Peitica. 
sentados - Pancada, Vinte e cinco e Cobra Verde.

Vinte e Cinco participou de vários tiroteios, mas preferiu não relacioná-los, referindo apenas ao que ocorreu em Pedra d’Água, em Sergipe, quando morreu "Barra Nova". Nunca foi vítima de ferimentos graves, carregando nos ombros alguns arranhões que não lhe causaram mal algum. Recordou que "Barreira" que foi funcionário da Secretaria da Fazenda de Alagoas – degolou Atividade, colocou a cabeça em um saco e foi se entregar à Polícia.

Sobre Pedro de Cândido, diz que era o homem de maior confiança de Lampião, entre os coiteiros. Recorda que a intimidade era tanta entre os dois que havia uma certa ciumeira por parte dos cangaceiros, ou seja, ele “não entrou no espinhaço do grupo”, expressão que significava não simpatizar, não gostar do outro.

 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

1938

Uma entrega de cangaceiros 

Por Rubens Antonio

Após o massacre de Angicos, muitos cangaceiros entregaram-se.O contexto das entregas teve início com o aparecimento espontâneo de cangaceiros, que se apresentaram, em 12 de outubro de 1938, quando de uma pregação dos freis capuchinhos Francisco e Agostinho de Loro Piceno, em terras de Jeremoabo. Este, dirigindo-se aos mesmos, convidou-os à entrega, oferecendo-se como intermediário.

Havendo sucesso neste evento, aproximou-se de outra missão de capuchinhos, conseguindo intermediação para a entrega, um outro grupo de  seis cangaceiros chefiados por Zé Sereno. Isto se deu por volta de 20 de outubro de 1938.

Entre 27 e 31 de outubro, houve negociação com um terceiro grupo. Porém, antes que ele se entregasse, um coiteiro afirmou aos cangaceiros que tudo não passava de uma armadilha. Este outro grupo, então, evadiu-se.

Consciente das propostas deste blog, uma primeira imagem foi cedida pelo pesquisador do Cangaço e estudioso Orlins Santana de Oliveira, também reconhecido como "o mais dedicado pesquisador do Brasil em naufrágios na costa baiana". Batida em Jeremoabo, a imagem se apresentava, neste primeiro esforço, sofrida pelo tempo, sendo uma das cópias originais, cuja posse pertence, conforme Orlins, ao acervo da Família Ferreira.

Repassando a mensagem do prezado Orlins (Foto) para os estudiosos do Cangaço:
"A única foto que se tem conhecimento tirada com a policia, cangaceiros e a igreja católica.
Hoje ela pertence ao acervo da Família Ferreira - Expedita, Vera e outros. Cedida por Orlins Santana de Oliveira, seu criado.

Não é cópia, é uma foto original da época. tamanho 6x9. Zé Sereno, citado como chefe e marcado pelos padres com uma cruz, na foto. Citações no verso.
Um abraço a todos."

No fundo da foto aparece uma inscrição evocando as personagens nela presentes:


.Transcrição:
"frei Agostinho e frei francisco
Mons, José Magalhães
Capitão Anibal e Alipio Fernandes da Silva : O bando
de Lampião que se entregou
em Geremoabo (1938:
O homem é o
Balão e Zé Sereno, chefote do bando"

Fonte da imagem de Orlins Santana de Oliveira:
http://www.nectonsub.com.br/wordpress/page/70

Na busca da ampliação da identificação das personagens desta imagem, buscou-se apoio junto aos religiosos.

Os frades que aparecem na imagem são da Ordine dei Cappuccini, ou seja, capuchinhos. A ordem chegou à Bahia em 27 de abril de 1892, estabelecendo o que mais tarde seria reconhecido com "Provincia di Nostra Signora della Pietà di Bahia e Sergipe”.

O site oficial da Ordem divulgou a foto legendada:

Aparecendo em:

Os dois capuchinhos que aparecem sentados são precisamente os freis Francisco, cujo nome completo era Francesco Urbania, e Agostinho, de nome completo Agostino da Loro Piceno. Estes aparecem nesta outra fotografia contemporânea aos eventos, de propriedade do Centro de Memória dos Capuchinhos, em Salvador:


Na foto das entregas, ocupando a posição central, de pé, está também um padre. É o Monsenhor José Magalhães e Souza, que esteve à frente da Paróquia de Jeremoabo, na igreja matriz São João Batista, de 1928 a 1959.
Fonte: "História da Diocese de Paulo Afonso", do Monsenhor Francisco José de Oliveira, in http://portaljv.com.br/eventos.htm.

Uma das sugestões de identificação, incluindo o cangaceiros, salvo melhor juízo, é:
De pé, da esquerda para a direita:
Marinheiro, Laranjeiras, Desconhecido talvez Beija-Flor, padre José Magalhães e Souza, Novo Tempo, Ponto Fino, Quina-Quina, Azulão e Balão.
Sentados, da esquerda para a direita:
Cuidado, Jurity, Candieiro, frade capuchinho Agostinho, capitão Annibal Ferreira - comandante do Destacamento do Nordeste da Bahia, tenente Alípio Fernandes da Silva, frade capuchinho Francisco, Zé Sereno e Creança.

De modo a permitir melhor abordagem da imagem, possibilitando seu melhor estudo, Centro de Memória dos Capuchinos, através do Frei Ulisses Bandeira, franqueou acesso ao original efetivo, a primeira imagem revelada, desta fotografia. Ela é aqui oferecida aos estudiosos em melhor resolução, de maneira a ajudar no afirmar ou contestar a identificação dos cangaceiros: