domingo, 14 de junho de 2015

Tem reedição na praça

Rosa Bezerra relança "A representação social do Cangaço"



A escritora e psicóloga Rosa Bezerra relançou o livro “A Representação Social do Cangaço”. Filha do ex-cangaceiro, poeta e cantador Generino Bezerra, Rosa é uma estudiosa do mundo do cangaço e das repercussões do fato na sociedade brasileira e no Nordeste.
 “Há algum pensamento certo atrás dos óculos de Lampião. Suas alpercatas rudes pisam algum terreno sagrado”. (Rubem Braga).
Texto resumido do livro A Representação Social do Cangaço de Rosa Bezerra.

A escritora é graduada em Psicologia pela UFPE com especialização em Psicologia Social pela FAFIRE. Coordenadora do Núcleo de Estudos do Cangaço do qual eu também participo como ouvinte. Filha do ex-cangaceiro poeta e cantador Generino Bezerra, Rosa é uma estudiosa das coisas do cangaço e das repercussões do fato na sociedade brasileira, particularmente no nordeste.

“Na seca de 1892, os sertanejos contavam com Conselheiro, em Canudos, falsamente retratado como louco. Sua “loucura” criou uma cidadela auto-suficiente onde a propriedade onde a propriedade não conhecia a fome, e havia cultivo de vários gêneros alimentícios.  No entanto, o governo central e as oligarquias não eram “loucos” o suficiente para dar suporte aos retirantes em época de seca. Canudos foi assim, uma ameaça à ordem social estabelecida e ao controle exercido pela igreja sobre o povo sertanejo.

Canudos teve que ser destruída pela exigência dos latifundiários, que não suportaram tamanha agressão aos seus direitos “universais”. Foi totalmente erradicada, numa luta desigual, para servir de exemplo. Resistiu até o completo esgotamento. A cidadela do Conselheiro foi tomada casebre por casebre, palmo a palmo e o que era uma guerra contra gente simples da cidadela, transformou-se em vingança do estado de direito”. (Rosa Bezerra)


O livro pode ser adquirido nas livrarias do Recife ou via email : rosagenerino@gmail.com ao preço de R$ 50 (Cinquenta reais) Frete incluso.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Personagens

Sargento De Luz, o matador do cangaceiro Jurity

Rubens Antonio

A localização de imagens relacionadas ao Cangaço é relativamente fácil. Mais difícil é a disposição de imagens em qualidade melhor, incluindo-se nitidez e resolução. O caminho é ainda mais pedregoso quando buscamos uma fotografia que mostre uma personagem determinada.

Uma delas é a do sargento De Luz.

Conforme Alcino Alves Costa, seu verdadeiro nome era Amâncio Ferreira da Silva, um pernambucano, nascido em 1905, que, passando ao Estado de Sergipe, acabou, neste Estado, integrando a sua polícia. Seu maior feito lembrado relaciona-o ao cangaceiro Jurity.


Jurity, em tempo de Cangaço
.
Pós-Cangaço, já como o cidadão Manoel Pereira de Azevedo.
(imagem obtida por Rubens Antonio em suas pesquisas nos arquivos baianos)
.
Localizando-o, o sargento De Luz, ironizou.
"- Não sabia que era tão fácil pegar um jurity!"

Apesar da exibição de documentação comprovando ser uma pessoa quite com a Justiça, valendo-se do mesmo estar desarmado, enquanto estava acompanhado de praças armados, não só lhe deu ordem de prisão. Em um dos atos mais covardes, em tempos já pós-cangaço, foi conduzido a lugar ermo onde executou-o, atirando-o vivo em uma fogueira.
.
A única imagem, até agora, reconhecida, era aquela obtida por Alcino Alves Costa:



Porém a reobservação e reestudo de material disponível pode conduzir a revelações. A foto abaixo, publicada no "A Noite Ilustrada" de 08 de novembro de 1938, mostra a entrega do subgrupo comandando pelo cangaceiro Pancada.
Em sua legenda uma identificação reveladora.



Eis, enfim, uma imagem em melhor qualidade e menos alegórica do temível Sgtº De Luz, uniformizado e aparatado, em um evento relacionado ao fim do Cangaço.


Conforme Alcino Alves Costa, De Luz foi executado em uma tocaia encomendada por seu sogro, em 1952.

Pescado no essencial  Cangaço na Bahia

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Novo livro de Sabino Bassetti

Lampião - O cangaço e seus segredos


Através do e-mail sabinobassetti@hotmail.com vocês poderão estar adquirindo o mais recente trabalho de José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro, como o próprio título já diz, trará em suas páginas alguns segredos e informações, sobre o cangaço e seu representante maior, até então desconhecidas da grande maioria dos simpatizantes e estudiosos do assunto.

Um trabalho que foi desenvolvido através de pesquisas sérias e comprometidas com a verdadeira história, baseado em depoimentos e declarações de testemunhas oculares dos acontecimentos.

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e adquira já o seu.

Texto: Geraldo Junior

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eventos


XI Encontro Nordestino de Xaxado



O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO será realizado de 03 a 07 de junho de 2015, em Serra Talhada/PE, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, fortalecendo nossa cultura e mantendo viva a história do homem sertanejo.

O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO – em sua décima primeira edição – é um grande aporte na constituição da cidadania, a partir da cultura. Não podemos imaginar cidadania sem uma identidade cultural enraizada na história, na arte e na liberdade. Serra Talhada – o Brasil e Pernambuco – vem, a cada dia, experimentando uma verdadeira revolução cultural Esse evento caminha contribuindo com implementações propositivas para o fortalecimento desse intento, estimulando e transformando o cenário artístico, visando o resgate, a preservação e a valorização das nossas autênticas manifestações.

A Terra de Lampião abre as portas para receber grupos de cangaceiros de todo Nordeste, para fazer a poeira subir e o sertão estremecer, ao som do chiado da alpercata, vibrando na cadência do xaxado.

A execução deste projeto – ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO - no mesmo torrão em que veio ao mundo à figura mais importante do cangaço é de majestosa autenticidade e de uma dimensão grandiosa ao patrimônio cultural e histórico do povo brasileiro.
O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO proporcionará apresentações de grupos, na:
  • Estação do Forró – Polo Principal.
  • Na Feira Livre – Área de Alimentação.
  • Museu do Cangaço;
  • Escolas da Rede Pública de Ensino: Colégio Estadual Methódyo de Godoy Lima, Colégio Estadual Antonio Timóteo e Colégio Municipal Cônego Tôrres.

Dentro da programação do ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, haverá OFICINAS DE XAXADO para público de todas as idades, ministrada por dançarinos com larga experiência na dança, no aspecto histórico, teórico e prática.

Uma FEIRA DE ARTESANATOS DA REGIÃO comporá a programação do ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, pois a riqueza cultural do Sertão está presente nas mais diversas manifestações artísticas. O artesanato representa a relação do Homem com sua história e tradição, quando de suas nascem as mais belas expressões, utilizando madeira, couro, pedras, tecidos e fibra de bananeira..

Durante o evento acontecerá também:
  • Apresentações musicais com grupos e cantores de forró pé-de-serra.
  • ENCONTRO DE PONTOS DE CULTURA DO SERTÃO, pautando “A Identidade Cultural do Sertão nas Diversas Linguagens Artísticas”.
O ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO é um evento realizado anualmente, desde 2002, que reúne Grupos de Xaxado de todo nordeste para se apresentarem na Terra de Lampião e Capital do Xaxado. Os grupos participantes serão CONVIDADOS seguindo os critérios de ORIGINALIDADE e AUTENTICIDADE da dança.

Pescado nos domínios dos  Cabras de Lampião

sábado, 9 de maio de 2015

O que vem por aí...

Livro “Pegadas de um sertanejo: Vida e memória de José Saturnino”, de Antônio Neto e José Alves Sobrinho.


Local: Sindifisco Pernambuco
Rua da Aurora, 1443 - Santo Amaro - Recife/PE.
Dia: 15/05/2015 às 20h
Venda direta com o coautor:
José Alves - Fone: (81) 9952 - 8116 TIM

Preço do Livro: R$ 40,00 + Frete

O dinheiro da venda do livro será usado na construção da Biblioteca Luiz de Cazuza, na Fazenda São Miguel em Serra Talhada – PE.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

As pisadas de João de Sousa Lima

A morte de Antonio Ferreira


Dia 19 de abril de 2015, saí de Paulo Afonso na companhia dos amigos Josué Santana e Leide Soares, para nos encontrarmos com o casal de amigos Marcos de Carmelita e a professora Silvana, residentes na cidade de Floresta, Pernambuco, onde iríamos realizar uma visita técnica para registrar mais um dos pontos históricos que farão parte dos roteiros apresentados durante o evento Cariri Cangaço, encabeçado por seu curador, Manoel Severo. A pesquisa de campo teve como objetivo o mapeamento geográfico e histórico de um dos mais importantes fatos que marcam as histórias do cangaço na região pernambucana.

Um dos pontos mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de propriedade do coronel Ângelo da Gia. A fazenda, na época do cangaço, pertencia a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim. A fazenda não teria tanta importância para os pesquisadores do cangaço se lá tivesse sido apenas mais um dos inúmeros coitos dos cangaceiros. Nessa fazenda o Rei do Cangaço perdeu seu irmão Antônio Ferreira. Dirigimo-nos para Poço do Ferro, sendo guiado por Marcos de Carmelita, porém sem conhecermos ninguém da localidade, assim como parentes que ainda residem por lá.

Quando avistamos a pequena placa com o nome da fazenda, paramos em uma cancela, abrimos e seguimos a estreita estrada. Mais a frente encontramos um casebre onde reside o senhor João David da Silva, sua esposa Maria das Graças e os filhos Joaquim e Graziela. O João David nos recepcionou, serviu água e nos levou ao lugar onde foi enterrado o Antônio Ferreira.


Formação de pedras e uma cruz marcam o local

Marcos de Carmelita, João de Sousa e Josué.

Uma pequena formação de pedras e uma cruz marca o local da sepultura. Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima e Josué sendo recebidos pelos descendentes de Angelo da Gia.

Fizemos algumas fotos e fomos até a casa grande da fazenda, onde estavam  neta, bisnetos e tri-netos de Ângelo Gomes de Lima, o Ângelo da Gia. Na casa grande fomos recebidos por Washington Gomes de Lima, bisneto do coronel. Um fato interessante é que disseram que não seriamos bem recebidos pela família e confesso que de todos esses anos de pesquisas e entrevistas, nunca tive uma receptividade tão calorosa como a que recebemos da família.

Travamos um diálogo em uma festiva roda de conversas, tendo por depoentes a neta do coronel e matriarca da família, a senhora Eunice Gomes  Lima e suas filhas Ruth Gomes Lima Laranjeira e Maria do Socorro Gomes Lima Cordeiro e ainda, do tri-neto João Vítor Gomes Lima. As histórias foram muitas mais sempre voltávamos ao episódio principal: a morte de Antônio Ferreira e a perseguição sofrida pela família e imposta pelas volantes policiais.

Coronel Ângelo da Gia
Caravana Cariri Cangaço na Casa Grande da Fazenda
Uma das informações importantes nos forneceu Washington que contou que dois dias depois da morte de Antônio, uma volante chegou na fazenda Poço do ferro, descobriu o túmulo do cangaceiro morto, desenterrou-o e cortou a cabeça e colocou em uma estaca da porteira do curral do casarão do coronel. Quando a polícia saiu o coronel mandou enterrar a cabeça no antigo cemitério da família. Antônio Ferreira tem, portanto dois túmulos, sendo um para o corpo e outro pra cabeça.


Antonio Ferreira

Local onde foi morto Antonio Ferreira
 Fala-se que foi ai o juramento que Luiz Pedro fez dizendo que seguiria Lampião até sua morte. Se verdade ou não a promessa, eles morreram juntos na fria manhã do dia 28 de julho de 1938. Na fazenda Poço do Ferro ainda restam as velhas pedras escuras que circundam covas das pessoas de várias gerações da família e duas dessa simbolizam a passagem do cangaço em suas terras.
 
No final da conversa nos convidaram para um farto almoço regado a galinha cabidela, bode assado, arroz e feijão de corda. Porém o que mais me marcou nessa visita foram os sorrisos dos membros da família, que mesmo tendo sofrido os abusos e as injustiças de uma época tão marcada pela violência, não perderam suas essências de sertanejos valorosos e, sabem como poucos, receber calorosamente, aos que buscam os filetes de suas memórias históricas... Dona Eunice, Washington, Ruth, Maria Socorro e João Vítor, Deus proteja sempre vocês.
 
João de Sousa Lima, Historiador e escritor Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo AfonsoMembro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Conselheiro Cariri Cangaço
 
Matéria pescada no Sítio do Coroné Severo

Filme de Alceu estreia no Cine PE

"A luneta do tempo" faz parte da mostra especial do festival

Viver/Diario - Diario de Pernambuco
 

A 19º edição do Cine PE encerra na sexta-feira (8), no Cinema São Luiz, com exibição de A luneta do tempo, dirigido por Alceu Valença. Com falas rimadas, o filme faz referência à literatura de cordel. No elenco, os premiados atores pernambucanos Hermila Guedes e Irandhir Santos.
A exibição faz parte da programação especial do festival, que na abertura exibiu O exótico Hotel Marigold 2, do inglês John Madden.

Em agosto de 2014, A luneta do tempo conquistou os prêmios de Melhor trilha musical e Melhor direção de arte no Festival de Cinema de Gramado. Na trama, tragédia, sonho, humor e traição coexistem em um cangaço lúdico.

Serviço
Encerramento do Cine PE
Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora, 175, Boa Vista)
Quando:  sexta-feira (8), a partir das 20h
Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O que vem por aí...

Sérgio Dantas lança em breve “Corisco – A sombra de Lampião”
 Por Rostand Medeiros


No final do próximo mês de maio estará disponível o mais novo livro do pesquisador Sérgio Dantas, um dos mais renomados estudiosos do tema cangaço na atualidade.

Estamos falando da obra “Corisco – A sombra de Lampião”, um trabalho que trás o resultado de onze anos de pesquisa pelos sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

A ideia deste livro, segundo o autor, surgiu quando ele realizava entrevistas sobre as ações de Lampião e seu bando junto a antigos cangaceiros, policiais, ex-coiteiros e vítimas. Sérgio percebeu que a figura de Cristino Gomes da Silva Cleto, o verdadeiro nome de Corisco, era recorrente e muito presente. Logo veio a ideia de escrever sobre a vida do cangaceiro que, na opinião do autor, foi o mais destacado cangaceiro que andou com Lampião. Corisco também era conhecido como “Diabo Louro” e desde 1930 comandava um dos subgrupos de cangaceiros que atuavam junto ao “Rei do Cangaço”.

Para a conclusão de “Corisco – A sombra de Lampião”, Sérgio Dantas realizou cerca de 120 entrevistas, onde figuram oito ex-cangaceiros e cangaceiras. Mas igualmente o autor pesquisou em jornais antigos existentes em vários arquivos nordestinos, além de utilizar muito material proveniente de boletins e relatórios policiais. Em relação a estes últimos, o autor destaca o relatório do capitão Felipe de Castro, que organizou em maio de 1940 a perseguição que culminou na morte de Corisco.

Ainda sobre a morte deste famoso cangaceiro, Sérgio Dantas comenta que, entre vários relatos, o livro trás interessantes depoimentos de membros da família Pacheco, onde em sua propriedade ocorreu o combate final entre Corisco e a volante comandada pelo tenente Zé Rufino.

Não falta em “Corisco – A sombra de Lampião” o rigor de uma pesquisa histórica realizada com esmero e qualidade, onde os leitores vão desfrutar de muitas informações interessantes, em meio a uma narrativa dinâmica nas suas quase 350 páginas e uma iconografia composta por cerca de 70 fotografias.

A venda será realizada com exclusividade pelo amigo Francisco Pereira, da cidade paraibana de Cajazeiras, pelo valor de R$ 50,00 (com frete incluso). Os pedidos poderão ser feitos através do email franpelima@bol.com.br, ou o telefone (83) 9911 8286.

Vale a pena conferir!

Sobre o autor – Sérgio Augusto Dantas nasceu em Natal, é bacharel em Direito pela UFRN, magistrado desde 1993 e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte  – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião, entre a Espada e a Lei” (2008).

Publicado originalmente no essencial Tok de História

terça-feira, 21 de abril de 2015

Convite

Lançamento da biografia de Leandro Gomes de Barros  

Evento antecipa comemorações do sesquicentenário do mestre da Literatura de Cordel.




Quem me soprou foi a comadre Iris Mendes Medeiros.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Exposição internacional



Virgulino Lampião em Nova York 

Por: Sérgio Azol

A Saphira & Ventura Gallery, de Nova York; galeria norte americana que tem como uma de suas missões promover artistas brasileiros nos EUA e no mundo, estará promovendo neste mês de abril a Feira Internacional Art Expo, quando estará expondo para o público nova-iorquino o talento de artista brasileiros, dentre eles: Sérgio Oliveira do Atelie S-Azol.




O artista plástico potiguar, Sérgio Oliveira ; radicado em São Paulo há 20 anos; estará mostrando suas obras, telas da coleção Virgulino, na Feira Internacional Art Expo em Nova York na galeria Saphira & Ventura Gallery. O artista revela: "O foco do meu trabalho nos últimos 4 anos tem sido Lampião, o cangaço e a cultura popular do nordeste"; com uma arte contemporânea; pintura acrílica sobre tela, colagem e escultura, Sérgio espera mostrar a beleza das cores do sertão para o mundo.


"Essa parceria do meu ateliê com eles tem a finalidade de introduzir o meu trabalho da coleção Virgulino nos EUA, com a minha participação em 4 exposições, da galeria, e a participação em algumas feiras nos EUA e em outros países onde eles mantém parcerias com galerias locais.  Será uma excelente oportunidade para divulgar, através de meus quadros, a nossa cultura, o nosso povo e seus costumes mundo a fora. Estou muito feliz por isso, é uma conquista que sonhava a tempo." Ressalta Sérgio Oliveira.


 

Voltando dos Estados Unidos Sérgio Oliveira revela, "chegou a hora de sair do cômodo do lar e cair em campo para fazer algumas visitas pelo nordeste, será ainda mais enriquecedor. Desejo sentir a presença de Virgulino, pisar a terra que ele andou, ouvir histórias, ver objetos, quero dá mais autenticidade ao que estou produzindo".

Sérgio Azol é mais um convidado especial da Quinta Edição do Cariri Cangaço, quando setembro chegar, no Cariri do Ceará !

Você viu aqui, mas a matéria foi postada originalmente no Sítio do Coroné Severo

PRESERVAÇÃO

Codevasf doa área para ampliação da Grota do Angico e contribui para preservação da Caatinga em Sergipe

O Monumento Natural Grota do Angico, uma unidade de conservação entre os municípios sergipanos de Canindé de São Francisco e Poço Redondo, será ampliado em 85,3 hectares. O termo de doação que transfere a área à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) foi assinado pelo superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Said Schoucair.



A assinatura do termo de doação, que contou também com a participação do secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, ocorreu em solenidade realizada na 4ª Superintendência Regional da Codevasf, em Aracaju. A Companhia adquiriu a área no mês de março, um investimento de R$ 181 mil. Com essa ação, a Codevasf contribui para a preservação da Caatinga no Alto Sertão de Sergipe.

Said Schoucair destacou a importância de as ações da Codevasf estarem em sintonia com as políticas do governo estadual. “É um dia histórico para a Grota do Angico. Com essa doação, além da preservação do meio ambiente, estamos contribuindo para o turismo da região, por conta da história do cangaço. Temos hoje essa parceria importante com o governo do estado, que tem demonstrado uma atenção especial com a região do Baixo São Francisco”, afirmou.

Olivier Chagas, secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, disse que a Codevasf é um agente importante para as ações ambientais, e citou as de gestão de resíduos sólidos, para as quais a Codevasf está elaborando projetos de engenharia que beneficiarão 11 municípios sergipanos. “Assinar esse documento que vai triplicar a nossa área de preservação é uma grande satisfação, é uma oportunidade histórica de deixarmos um legado para o planeta. Vamos cuidar desse terreno com o zelo, carinho e o amor que o meio ambiente merece”, disse.

O investimento para a compra da área é uma ação de compensação ambiental que contribui para reduzir o impacto ambiental provocado pela implantação do projeto de irrigação Jacaré-Curituba, localizado na mesma região. A doação da área é uma das etapas necessárias para a transferência do perímetro irrigado ao governo estadual, conforme compromisso firmado em 2014 entre a Codevasf e o Estado de Sergipe.

A Codevasf também iniciou as tratativas para formação de reserva legal dos perímetros Propriá, Cotinguiba/Pindoba e Betume, com o objetivo de adquirir de novas áreas para serem incorporadas à Grota do Angico, totalizando mais de 1.000 hectares. A ação está adequada ao atual Código Florestal, que permite a formação de áreas de reserva legal em localidades fora do perímetro irrigado, dentro do mesmo bioma.

Participaram da reunião o diretor-presidente do Sergipe Parque Tecnológico (SergipeTec), Marcos Wandir, o chefe de Gabinete da 4ª Superintendência Regional da Codevasf, Antônio Porfírio - autor de estudos sobre o cangaço na região Nordeste -, o gerente regional de Revitalização, Oscálmi Porto, o chefe da Unidade Regional de Meio Ambiente, Sérgio Hughes, a chefe da Assessoria Jurídica, Maria da Salete Freire, além de técnicos da Semarh.

Foto: Sidney Gouveia
Fonte: www.codevasf.gov.br

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Escavações de Roberio

"Joãozinho Retratista e os Cangaceiros"

Por Robério Santos


Falar em Joãozinho Retratista sem falar de sua genialidade fotográfica desde a década de 10 até a de 70 seria como falar de Chaplim sem enunciar a importância dos seus filmes. Herdeiro não de uma fortuna, mas de um maquinário fotográfico do século XIX, Joãozinho começou a vida ajudando seu padrinho itabaianense, Miguel Teixeira da Cunha, primeiro retratista oficial de Sergipe. João de Germano Venta na sua juventude carregava o aparelho de congelar o tempo pra lá e pra cá com seu padrinho, este ato seria sua herança eterna (grande trabalhador) e seu grande prêmio veio junto ao casamento dele com Maria Osana Teixeira em 1918 no mesmo dia que Zeca Mesquita subia ao altar com sua primeira esposa, Bernadete, filha do chefe político local Manuel Batista Itajahy.

Joãozinho abraçou a fotografia, aposentou a antiga Photo Nacional (nome este dado por causa da inscrição na câmera de Teixeirinha, “National Camera”) e fundou a Photo Lobo. A década de 20 foi muito movimentada na vida de Joãozinho. Seu local de trabalho era o mesmo que Teixeirinha começara no século anterior numa Itabaiana ainda Villa, em 1872. Na sua porta ficava antes o Mercado dos Cabaús, depois a feira muda de local (foi para a praça da Igreja Matriz) com a morte de Itajahy e em 1927 ela volta para a praça Santo Antônio com a inauguração do Mercado Municipal por “Ozin” Dutra (assim Volta Seca o chamava), hoje o chamado Mercado Municipal Zezé de Bevenuto.

Nesta mesma época, Lampião, Sabino e seu bando invadiam Limoeiro e faziam as famosas fotos da multidão a pé e a cavalo. Tempos antes o grupo foi fotografado em Juazeiro do Norte, na visita ao Padre Cícero para o combate que nunca ocorreu à Coluna “Peste”. Em 1928 Lampião começa a se aproximar de Sergipe, os jornais anunciam a presença dele pelo oeste, vindo da Bahia. Ainda não havia chegado a hora de entrar no minúsculo Estado, mas que foi um dos mais importantes neste período sangrento e místico do cangaceirismo.

1929 chega e com ele a notícia oficial nos tabloides da capital Aracaju: Lampião e seu bando está em Sergipe! Ele entrara por Carira no dia 1o de março deste ano e com uma “carta de paz” se deixa ver de corpo aberto pela população local fazendo com que as pessoas o descrevesse perfeitamente até poucos anos atrás. Seus passos eram difíceis de serem detectados, assim só temos fragmentos de suas passagens.

Eles ficavam escondidos nos matos, em ranchos, em cidades pequenas (por pouco tempo) mas não temos um diário dele por Sergipe exatamente sobre todos os dias e o que fez aqui durante todo o tempo que ficou. Sabe-se que em 1929 Lampião escolhera Sergipe para ser sua “morada”, não se sabe a razão, mas ele estava aqui. Talvez em Sergipe ele tivesse mais amigos que inimigos... Antônio Caixeiro, pai de Eronides de Carvalho pode ser um bom exemplo.
Itabaiana é avisada por tropeiros carirenses da presença do cangaceiro pelas proximidades.

Joãozinho, o retratista e não o Veneno, um curioso nato, diz em voz alta que se tivesse a oportunidade de fotografar os cangaceiros ele iria. As pessoas enxergavam isso como um chiste, vindo de uma pessoa muito brincalhona como está no sangue ceboleiro. Capela, cidade que mantinha bons negócios com Itabaiana é telegrafada e avisada. Quem recebe a notícia lá em Capela é Zózimo Lima, chefe dos Correios local. Por volta das 16h um grupo conversava lorotas na porta da Farmácia Mendonça e Zózimo estava entre os moços, foi quando um de seus auxiliares chega com a devida notícia vinda de Itabaiana. O telegrama dizia:
Virgulino, partindo de Cariri(1) perambula norte Sergipe, visitará capelenses.
Voltando a Itabaiana, a tensão era enorme. A jovem Tethis Nunes se trancava em casa com medo dos cangaceiros. Os mais valentes diziam que se eles entrassem seriam recebidos a bala. A célebre Maria Carreiro ainda pegou seu cavalo e como uma Joana D’Arc solitária fez a ronda a fim de não deixar que fôssemos pegos de surpresa. Joãozinho Retratista de arma só tinha a câmera e ela estava preparada.

 Joãzinho dança com a filha Ângela
(Acervo do autor)

Um dia calmo de domingo como tantos outros, 31 de março, Joãozinho é procurado em sua casa na Praça da Santa Cruz (atual João Pessoa) por Etelvino Mendonça e Zeca Mesquita, este, dono do único carro da cidade, por isso a probabilidade enorme de Zeca ter participado da façanha. O papo foi dos mais interessantes, Etelvino descreve exatamente o que o retratista estava esperando há meses: eles iam até o Pinhão fotografar o bando de Lampião.

Virgulino chegara na surdina no dia 28 de março de 1929, cansado e desnutrido na fazenda do chefe político de Itabaiana. Lembra Sila décadas depois que Etelvino era cabra muito valente, pois para ser amigo de cangaceiros tinha que ter sangue no olho. A polícia de Carira não sabia se Lampião havia saído de Sergipe ou se estava nas proximidades, mas já estavam se movimentando na união de diversos policiais para a formação de algumas volantes que foram de extrema importância no combate aos cangaceiros no Estado. Lampião e nove de seus mais fortes asseclas descansam com um olho aberto e outro fechado. Dentre eles estava o itabaianense Volta Seca (provavelmente quem indicou o local da fazenda e do conhecido Coronel) e o Diabo Loiro, Corisco, que passara um tempo em Sergipe antes de entrar para o Cangaço.

Joãozinho acorda na segunda-feira nervoso. Sem contar aos familiares o que iria fazer. Ele separa seu material fotográfico e desmonta sua câmera caixão de mais ou menos cinco quilos, pega algumas fotografias já reveladas de Itabaiana e espera Etelvino e Zeca Mesquita chegarem para fazerem a viagem. Por volta das dez horas da manhã chegam à porta de Joãozinho, se acomodam no carro de Zeca e seguem viagem em direção a São Paulo (Frei Paulo). No caminho Etelvino adianta a Joãozinho que os cangaceiros estão mansos, não se sabe porque eles estão relaxados e queriam fazer um retrato para enviar para alguns familiares. Como só Joãozinho era conhecido retratista da região, Etelvino resolveu convidar o jovem de pouco menos 33 anos.

A viagem não era das melhores, chegando em São Paulo pegaram uma outra estrada (comparada a que temos hoje em dia) em direção ao Pinhão, pois a estrada oficial entre São Paulo e Mocambo só seria construída em 1932 segundo o escritor de Almas Torturadas, J. Rabelo. Chegando lá, Joãozinho já avistou espalhado pelo terreiro alguns cangaceiros proseando e de arma em punho. Alguns se alertaram, entraram e avisaram ao Capitão que o Etelvino havia chegado. Homem de poucas palavras, Lampião se aproxima de João Teixeira Lobo (aqui merece ter seu nome citado por inteiro), estende a mão, percebe a câmera na mão de Joãozinho, ensaia um sorriso e pergunta.
- Vai deixá o retrato bonito viu? Meus minino tão cansado e não querem ser molestados com demora. Vai demorá?
- Não, Lampião, é o tempo de arrumar o equipamento.

Virgulino deu a volta, foi conversar com Etelvino e Zeca Mesquita (este que era forte empresário local) e não se sabe se alguma quantia foi entregue ao cangaceiro. O povoado Pinhão estava longe, era quase visível a olho nu as pequenas casas que se fixavam perto de uma pequena Capela, também a povoação Mocambo era vista. Estavam numa fortaleza, um local alto e privilegiado que evitaria um ataque surpresa.

Por volta das 15h Lampião com um pequeno apito soa o alarme, já havia sido instruído por Joãozinho sobre o local ideal para o retrato (por causa da luz do sol). Pede educadamente a seus companheiros que se aproximem a uma das casas que formava o complexo da fazenda. Eram portas altas, parede fixa e que servia para guardar ferragens, sacos de ração e outras coisas. Antes de se aprontarem,

Lampião dá uma sondada na câmera para ver se era realmente de tirar fotos ou era uma arma escondida. Curioso e desconfiado chegou à conclusão que era de confiança. Joãozinho começa a focar os homens estranhos e debaixo do pano vermelho, aquele grupo amedrontador de cangaceiros se apresentava de cabeça para baixo no vidro fosco do fundo. Eles estavam em formação futebolística: cinco de pé atrás; cinco na frente com um joelho ao chão. O sol estava forte e alguns fechavam os olhos por causa do clarão. Lampião era o primeiro da esquerda, ajoelhado como os outros quatro, Volta Seca era o menorzinho de pé atrás.

Joãozinho pega o compartimento de madeira com a placa de vidro sensibilizada dentro, coloca no repartimento da câmera, fecha o obturador, puxa a proteção para deixar a placa de vidro na posição e anuncia a fotografia. Haviam alguns meninos curiosos na varanda da fazenda e Etelvino que não se atreveu entrar na fotografia, fica apenas de olho em todo processo. Voltando à foto, Joãozinho toma um susto ao ver que todos estavam com as armas apontadas para ele. Nisso Joãozinho com toda coragem do mundo indaga.
- Só faço a chapa se vocês virarem um pouco para o lado essas armas, não gosto de violência.
Luiz Pedro solta uma piada.
- Oxi ômi e esse canhão aí não atira foto?
E todos caíram numa risada, até Joãozinho.

Preparado o retrato, é dado o sinal. Joãozinho percebe um furo minúsculo no lado direito do fole, furo este confirmado em outras fotografias e até no remendo na câmera, confirmado por mim quase 80 anos depois. Mas, ele ficou com medo de dizer que a fotografia poderia não sair boa. Colocou o dedo onde entrava um pouco de luz e rezando (agora mais calmo por ver as armas um pouco mais de lado) para que tudo desse certo ele dispara e faz a foto. Na revelação, justamente Lampião saiu com menos nitidez. Ainda fotografou Etelvino Sozinho, também fotografou um grupo de pessoas no carro com dois cangaceiros juntos, o grupo completo com as pessoas e também fotografou individualmente alguns cangaceiros, assim como faria dias depois Felino Bonfim em Saco do Ribeiro (Povoado de Itabaiana) e meses depois Eronides de Carvalho em Jaramataia, ainda em Sergipe. Lampião tomara gosto pelo retrato desde 1926 em Juazeiro.

Acabada a sessão de fotos, Lampião se despede, avisa que quer uma cópia dos retratos e que é só avisar que ele manda alguém pegar em Itabaiana mesmo. Joãozinho presenteia Virgulino com algumas fotos de Itabaiana e pede para ele não ir lá, tudo que ele quiser ele pode ter sem a necessidade de amedrontar um povo simples e pobre. Tudo certo, Joãozinho volta todo feliz para casa, revela as fotos e dias depois entrega-as a Etelvino e nenhuma delas é vista por muito tempo. Mas, Terezinha Andrade, filha de Joãozinho Retratista sempre viu essas fotos ainda nas chapas de vidro, elas eram guardadas com um carinho enorme pelo velho pai.

A história virou lenda em Itabaiana, nenhuma prova concreta era vista aos olhos de Itabaianenses ou de outra região. Começo então a pesquisar a história de Itabaiana e logo de cara, em 2007 ouço pela primeira vez partes desta história que acabei de contar vinda das filhas de Joãozinho. Delas recebi centenas de fotografias, mas, do cangaço, só a lembrança.

Em 2011 localizo a primeira fotografia, não estava em boa definição mas era um grupo de pessoas numa fazenda e dois deles com cara de jagunços estavam sentados no automóvel. Batia com a descrição, mas ainda era pouco. Consegui a segunda, o grupo na mesma casa, agora com a presença de Joãozinho Retratista na fotografia. Quem havia fotografado? Era uma fotografia do mesmo dia. Consegui estes retratos originais com uma qualidade incrível e continuei minha busca. Neste mesmo ano publico a biografia “Joãozinho Retratista - O Mestre da Fotografia” e trago o caso pela primeira vez ao público.

2013 chega e com ele muitas ideias novas e a chance de publicar com Vladimir Souza Carvalho um dos livros mais esperados da história de Itabaiana, o “Álbum de Itabaiana” contendo 180 retratos feitos por Teixeirinha, Joãozinho Retratista e Percilio Andrade. Publico as duas fotos que havia encontrado, mas ainda faltava a cereja do bolo. Em setembro deste ano me chega à porta Abércio Gois e com ele um punhado de fotografias antigas de nossa Itabaiana. Amigo de longas datas ele me presenteia com um pedaço de nossa cidade e para minha surpresa eu me deparo com a foto mais incrível e que coroava totalmente minha pesquisa: a foto do bando de Lampião feita por Joãozinho.

Era um retrato simples de 17,5 x 11,5 cm colado numa base de papelão de 24 x 18,5 cm, em Sépia e com alguns pedaços já faltando. Mesmo assim, foi considerada pelos pesquisadores como um dos maiores achados fotográficos da história do cangaço.

Estamos hoje fazendo tudo com ela, desde Rubens Antonio a colori-la até decifrar detalhes escondidos nos pontos mais estragados dela. Nas costas do retrato está a grafia do fotógrafo (onde foi feita a analise grafotécnica e comprovado ser a letra de Joãozinho) a data 10 de abril de 1929 e hoje sabemos que na foto estão de pé: (Supostamente) Arvoredo, Volta Seca, Mariano, Labareda, Ezequiel. De joelhos: Lampião, Virgínio, Calais, Luiz Pedro e Corisco.

Ainda faltam encontrar fotos deste dia incrível, quem sabe possamos ter esse privilégio ainda nesta existência, pois, no dia que eu encontra-las, não ficarão em uma gaveta. Obrigado, Joãozinho por ter tido a coragem e a oportunidade que poucos tiveram.

Bônus:
Eis o resultado do trabalho de colorização de mestre Rubens Antônio.



1“Cariri” é na verdade “Carira” e Zózimo alertou toda região de Dores a Propriá. Ninguém acreditou.
Robério Santos, Membro da Academia Itabaianense de Letras
Fonte: O Cangaço em Itabaiana Grande

Publicado originalmente no Blog Cangaço na Bahia

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Estado de Sergipe 25 de Maio de 1934

Uma excursão à Anápolis
Uma entrevista bizarra com o célebre sargento José Rufino, comandante da volante que exterminou o grupo de Azulão.


 Transcrição de Antônio Corrêa Sobrinho

Afazeres profissionais nos levaram sábado último à linda cidade sertaneja de Anápolis.

Dezesseis horas, aboletados no estreito banco de uma “marinete” rumamos aos solavancos, numa “prize” desabalada, estrada afora, em busca de Itaporanga, etapa que foi vencida numa bela “performance”, por uma bela estrada de esteira empiçarrada e ampla, que se nos abria, interminável, o horizonte à frente.
Salgado às 18 horas, Lagarto às 19 e às 20, afinal, avistávamos as primeiras luzes da “cidade sorriso”.

O domingo em Anápolis, surgiu preguiçoso e friorento, no marasmo amolecido das cidades sertanejas.
Um café confortante e saímos a prosear com amigos do comércio que, a despeito dos raros transeuntes, trazem, àquela hora, abertas as suas portas.

O assunto é sempre o mesmo: - falta de chuvas, política, e... Lampião. A cidade acabava de passar por mais um susto pregado por Lampião. Ao apelo de seus habitantes, ameaçados pelo bandido, o governo de Sergipe havia mandado estacionar na cidade uma volante da nossa polícia que fazia, nas imediações, a caça ao bandido. Soldados baianos da célebre volante do sargento José Rufino que desciam na pista do grupo sinistro, vagavam pela cidade na sua indumentária típica. A dez do corrente haviam tiroteado Lampião na fazenda Jitaí, no sertão baiano e refaziam-se, no momento, das grandes caminhadas.

O sargento José Rufino celebrizara-se no encontro com o grupo de Azulão a 14 de outubro próximo passado, aonde morreu o chefe Azulão e mais três comparsas.

José Rufino

Era o assunto forçado nas palestras aos poucos, talvez pela falta de outros, íamos nos interessando pelos seus detalhes, quando um sertanejo agigantado, abeirando-se do balcão em passadas largas e pesadas, pede ao caixeiro um par de sapatos número 44 que, infelizmente, não é encontrado.
Ombros largos, pescoço hercúleo, bronzeado, cartucheira ampla, pendida ao peso das balas alinhadas, o olhar frio, inexpressivo, traços fisionômicos fortes, o sertanejo dá de ombros e vai sair quando alguém lhe perguntou, quebrando o silêncio feito no momento:
- O senhor pertence à volante José Rufino?
- Sou eu o próprio José Rufino, respondeu com ênfase o sertanejo.
Uma entrevista

Zé Rufino é o primeiro em pé à esquerda.
(A foto não compõe a matéria original)

Assaltou-nos a ideia de uma entrevista com o chefe da volante mais afamada de quantos andam, neste momento, na pista dos bandidos. Notando o meu interesse o homem iluminou o olhar duro, se avizinhando da minha cadeira.
- Há quanto tempo anda o senhor na caça de bandidos? Perguntamos.
- Há três anos que entrei como “Provisório” na força baiana. Estive no encontro da Maranduba onde perdi um primo meu e um irmão do meu companheiro de agora, sargento Vicente Marques. Depois do fogo de 14 de outubro aonde acabei com o grupo de Azulão fui efetivado no posto de sargento.
Continuação
 Meteu vagarosamente a mão no bolso do casaco, sacou de lá a fotografia sinistra de quatro cabeças decepadas e nos foi fazendo com o indicador, a apresentação mais estranha que temos tido:
- Aqui é Azulão. Este é Canjica, aqui é Maria e este o caboclo Zabelê. Deus me ajudou (em itálico). Foi uma boa caçada. A fotografia não está boa porque foi tirada em Monte Alegre (sertão baiano) depois de termos viajado um dia inteiro com as cabeças deles dentro de um surrão...
 Tudo isto nos ia sendo relatado com uma serenidade impressionante e trágica.
- Quantos homens perdeu neste combate?
- Dois só. Um ligeiramente ferido por três balas de raspão no rosto. Era meu rastejador. Quando se abaixava para examinar um rastro, recebeu uma descarga na cara. Já está bom.
- A sua tropa tem montadas?
- Soldado meu nunca montou. Soldado montado faz muito barulho e só anda na estrada. Na estrada, bandido não anda. Soldado meu não fuma de noite nem fala hora nenhuma. A gente faz tudo por sinal. O tenente Santinho é o que mais me recomenda: - longe de rua e de estrada se quiser encontrar com os bandidos.
- Quantos encontros já teve?
- Oito, contando com o do dia dez, na fazenda Jitaí.
- Por que não teve resultados neste último encontro?
- E eu sei?... Foi a sorte deles.
Nós demos na pista no dia 9 e saímos rastejando. De noitinha, o rastro baralhou-se num intrincado de macambira que a gente perdia de vista. Do fundo, aonde a macambira era mais alta, ouvimos vozes. Lá estava a caça. Meu pessoal se arrepiou e eu cochichei com o sargento Vicente Marques: - se avançarmos mais eles ouvem o barulho e se danam no mundo. Vamos dormir aqui. O sargento Vicente Marques que é um bicho certo no ponto (boa pontaria), esperou um tempão vendo se aparecia alguma cabeça para ele vazar. Mas, nada... De manhãzinha distribuí meu pessoal e lá vai bala. Eles gritaram de lá: - aqui também tem homem, macaco!... Gritaram assim nos xingando, mas arribaram no mundo que nós, sem podermos correr no intrincado da macambira, não encontramos mais ninguém quando chegamos no coito. Vimos lá muito sangue. Parece que ferimos algum dos 22 que estavam acoitados. Deixaram lá muita coisa que carreguei para Coité. Como vê vosmicê, é uma questão de sorte.
- E para onde deram os bandidos?
- Eles estão pra ir pra serra do Capitão.
- Estarão em Sergipe?
- Não creio. Quase que lhe posso garantir que Lampião não está em Sergipe.
"Sanharó"

Passou neste momento um soldado sergipano que, ao dar com o sargento, abraçou-o efusivamente.
- É o rastejador melhor que há neste sertão. Trabalhou comigo muito tempo. Bicho bom. Explicou José Rufino.
O soldado mirou-o com admiração, aparvalhado. Magricela, alto, pescoço fino e comprido, ligeiramente encurvado pra frente, seu corpo mirrava-se ainda mais, apertado à farda que vestia; rosto encarquilhado e vinculado por mil rugas, era o rastejador, o popular Sanharó, da polícia sergipana.

Outro tipo comum de sertanejo forte. Parece incapaz de uma agilidade. Resiste e age, entretanto, com uma capacidade assombrosa. Ao se abraçarem, pareceu-me um tronco de braúna que abraçasse uma vara de candeia. Braúna e candeia, o gigante e o pigmeu, resistem da mesma sorte às inclemências do meio em que vivem.

Estava satisfeita a nossa curiosidade e José Rufino e Sanharó lá se foram pela rua afora a procura dos sapatos número 44 tão difícil de encontrar como os bandidos que eles dão caça.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Finalmente!!!

José Umberto lança “Revoada” nesta sexta (26)


O filme “Revoada”, longa-metragem de José Umberto Dias, tem pré-estréia nesta sexta-feira, dia 26, às 19h, na sala Walter da Silveira (Barris) na Semana do Audiovisual Baiano Contemporâneo. O filme conta a história de vingança  dos cangaceiros após a morte do líder Lampião. No elenco, estão nomes como Jackson Costa, Analu Tavares, Aldri Anunciação, Gil Tavares e Nelito Reis. A entrada é franca.

O filme é resultado da pesquisa de mais de 20 anos realizada por Zé Umberto sobre o cangaço. O filme acompanha os dias subsequentes à emboscada que matou Lampião, quando o grupo, revoltado com o trágico acontecimento, decide partir para uma vingança alucinada. O dilema é se entregar ao governo ou lutar. Perseguido pela polícia, o grupo vive uma série de conflitos. A fuga, através das pedras, é caracterizada pela tensão, amizade, resistência, violência, sonhos, amor e medo da morte no período do crepúsculo do cangaço.


Foto: Alba Vasconcelos / Blog Caderno de cinema

O cineasta José Umberto Dias fez seu primeiro longa de ficção “O Anjo Negro”, em 1972. Ao longo dos anos 70 produziu filmes documentais em super-8. Entre 1976 e 1977 foi coordenador da Imagem e do Som da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Nos anos 80 e 90 realizou vários vídeos documentais para a TVE-Bahia/Irdeb, dentre os quais “Monte Santo - O Caminho da Santa Cruza”, “Salvador em Película - Um Século de Memória”, “Memória em Película - A Bahia e o Estado Novo”, “A Capoeiragem na Bahia” e “O Povo do Carnaval”.

José Umberto Dias é também crítico de cinema, ensaísta, ator, roteirista, escritor, dramaturgo e poeta. Em 1984 escreveu e dirigiu o espetáculo teatral O Beijo Final. Em 2005 foi contemplado com o prêmio de estímulo à produção cinematográfica de baixo orçamento do Ministério da Cultura para a realização do longa “Revoada”.

Além do filme de José Umberto Dias, cerca de 100 filmes produzidos na Bahia neste século estão em cartaz na Semana do Audiovisual Baiano Contemporâneo, de 26 a 28  (sexta, sábado e  domingo). A entrada é gratuita para os filmes nas salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto (Barris) e têm ingressos preços populares (R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)  para os filmes nas salas do Circuito Saladearte: Cinema do Museu (Vitória) e Cine Vivo (Paseo/Itaigara), com exceção do filme “Quincas Berro D'Água, de Sérgio Machado, no domingo, dia 28, às 20h, no Cine Vivo (Paseo/Itaigara), que tem entrada gratuita.

A programação completa com os horários de cerca de 100 filmes que estão em cartaz na Semana do Audiovisual Baiano Contemporâneo está no site www.cultura.ba.gov.br e no blog semanadoaudiovisualbaiano.wordpress.com  Esta é mais uma realização das secretarias estaduais de Cultura e de Comunicação/IRDEB e Ministério da Cultura, com apoio de várias instituições parceiras.

SERVIÇO:
O QUÊ: lançamento do longa metragem “Revoada”, de José Umberto Dias
QUANDO: dia 26/09 (sexta)
HORAS: 19h
ONDE: Sala Walter da Silveira

Informou Bahia Já