terça-feira, 22 de abril de 2014

Memória

Professor Vilela escreve sobre Dominguinhos



“Dominguinhos – O Neném de Garanhuns”. Este é o mais novo livro do professor, pesquisador e escritor Antônio Vilela. A obra  faz um retrospecto da vida do sanfoneiro, cantor e compositor José Domingos de Moraes, natural da Terra das Sete Colinas, e que ao longo de mais de 70 anos de vida conseguiu prestígio nacional e internacional como músico.

Vilela revela que o título original do livro seria “Dominguinhos. O Menino de Garanhuns” e que a mudança do título foi sugerida por Maria Auxiliadora, irmã do artista. “Quando criança ele era só era conhecido por Neném, principalmente entre os familiares”, revelou Maria ao escritor garanhuense.

No livro o autor traz documentos históricos, fotografias e depoimentos de jornalistas, historiadores e artistas, como Luiz Gonzaga, Fagner, Jorge de Altinho, Djavan, Nando Cordel, Genival Lacerda, Elba Ramalho, além de Guadalupe a Anastácia, que foram casadas com Dominguinhos.

O escritor pesquisou desde a infância e adolescência do músico em Garanhuns, onde ele começou tocando na frente do Hotel Tavares Correia e nas feiras. Focou sua ida para o Rio de Janeiro, a amizade com Gonzagão, até chegar ao Dominguinhos doente, sua morte e a luta para que seus restos mortais ficassem em Garanhuns.

É um trabalho de apaixonado pelo que faz, de um escritor voltado para os valores do Nordeste e de sua cidade.

“Dominguinhos – O Neném de Garanhuns” com orelha de Mourinha do Forró e prefácio de Zezinho de Garanhuns já pode ser encontrado nas livrarias e bancas de revista da cidade.

O livro tem 144 páginas. Custa R$ 35,00 ( Trinta e cinco reais) com frete incluso. Você pode adquirir o seu hoje mesmo entrando em contato com o autor através do email incrivelmundo@hotmail.com ou pelos fones (87) 3763 - 5947 / 9944-8888 (Tim)

Texto pescado em http://robertoalmeidacsc.blogspot.com.br/2014/04/professor-vilela-escreve-sobre.html

Documentário

"Jesuíno Brilhante, o herói bandido"

O documentário é o resultado de um trabalho de um então grupo de alunos do curso de jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN, dentre eles, além deste jornalista que vos escreve, Bruno Soares, Lenilson Freitas, Fabio Faustino, Rodolfo Paiva e Stenio Urbano. A produção contou também com a participação do técnico em imagens Cícero Pascoal e a supervisão do professor Tobias Queiroz.

Produção

De produção e pretensões modestas, a ideia era contar a história do cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante em no máximo 20 minutos e isso só poderia ser feito de forma "alternativa". Nada de longas pesquisas, apenas entrevistas pontuais, e o método se explica: Tudo o que se sabe de Jesuíno Brilhante é oriundo de relatos orais e da literatura de cordel. O único livro que tenho notícia baseia-se também nessas duas fontes. Foi então que selecionamos alguns cidadãos patuenses (cidade de Patu, local de origem de Jesuíno Brilhante) entre entusiastas e conhecedores da história de Jesuíno e dois pesquisadores

Mito

Jesuíno brilhante é, como a maioria dos cangaceiros famosos, um mito. Transita no imaginário popular ora como bandido ora como herói, e as entrevistas contidas no documentário revelam essa dupla interpretação que se tem do cangaceiro. As contradições contidas nas falas dos participantes não são deliberadas, resultam da aura mítica que a história de Jesuíno carrega.
Experimentalismo

O documentário é experimental. As narrativas foram substituídas por versos de cordéis que contam a história de Jesuíno. Os versos delimitam os capítulos, em ordem cronológica. Cada verso inaugura uma passagem da história de Jesuíno que imediatamente se conecta com as versões dos entrevistados. É um "docordel".



Ficha Técnica
Pesquisa: Bruno Soares e Stênio Urbano.
Fotografia: Bruno Soares e Cícero Pascoal
Roteiro: Allan Erick
Entrevistas: Rodolfo Paiva e Stênio Urbano.
Edição de imagens: Cícero Pascoal e Allan Erick
Direção: Allan Erick, Bruno Soares, Stênio Urbano e Rodolfo Paiva
Entrevistados: Alfredo Leite, Maria das Dores (Dodôra), Zé de Alzerina, Stanislau Lima, Kydelmir Dantas e Dona Francisca.

Fonte:  http://allanerick.blogspot.com.br/2013/07/jesuino-brilhante-o-heroi-bandido.html


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Firmina Maria da Conceição, a "Dona Cabocla"

Aos 109 anos, Ex Coiteira de Lampião, ainda vive em Paulo Afonso.
Por João de Sousa Lima

Constatei como Dona Cabocla é bem cuidada por suas filhas e netas

Conheci Cabocla em dezembro de 1999, ela foi uma das minhas grandes descobertas para falar da passagem de Lampião por Paulo Afonso.  Pude entender através de Cabocla os pontos percorridos, os coitos visitados, alguns costumes, detalhes de cangaceiros, gostos, estratégias e conhecer um pouco da rede de proteção para a sobrevivência do cangaço no que abrange a região de Paulo Afonso e o Raso da Catarina.

Firmina Maria da Conceição nasceu em 1905, no povoado “Poços”, uma das fazendas que se situava às margens do Raso da Catarina e foi incluída por Lampião nos seus trajetos como rota secreta e segura, favorecendo sua passagem em direção aos povoados Malhada da Caiçara, São José, Santo Antônio, Várzea, Riacho e todo o estado Sergipano.

O primeiro filho de Firmina acabara de nascer no meio daquele mundo inóspito e primitivo, tendo por testemunha apenas a população resumida de cinco famílias simples. Presente naquele momento de perpetuação da vida estava o sogro Faustino, dona Clara, Batista, Maria de Zeca e Zé Antônio. Cabocla completou quinze dias de resguardo e como de costume acordou cedo e foi fazer a visita matinal na casa da amiga Clara. O que aquela manhã havia lhe reservado de surpresa a acompanharia pelo resto da vida. Na sala da residência de dona Clara, Cabocla parou extasiada diante do que seus olhos contemplaram. Muitas vezes ouvira falar de Lampião, porém, jamais imaginaria ficar diante daquela figura real. Uma voz que mais parecia o som de um trovão quebrou o silêncio que se abatera naquele cubículo abarrotado de cangaceiros:
-   Tá cum medo?

Diante de toda expectativa a resposta saiu:
-   Não!
-   Você sabe cunzinhar?
-   Sei!


Cabocla rememora sua amizade com Lampião
Com este pequeno diálogo começaria uma grande amizade entre Cabocla e Lampião. Neste dia Cabocla preparou um verdadeiro banquete para os cangaceiros.

Os Poços passaria a ser um dos principais esconderijos do Rei do Cangaço. Os coitos que cercavam os Poços e foram utilizados pelos cangaceiros onde permaneciam por dias e dias arranchados, foram: Saco da Palha, Sítio do Sabino, Malhada Bonita, Quixabeira e Serrotinho. 

No princípio Cabocla não contou aos pais do encontro que tivera com Lampião.
Como as visitas de Lampião foram ficando muito freqüentes Cabocla teve que pedir ajuda a amiga Lúcia de Sabino para ajudá-la a cozinhar. Depois Lúcia se encarregou da cozinha e Cabocla da lavagem das roupas, uma árdua tarefa, tendo em vista que as roupas eram lavadas na casa dos pais, no povoado São José e eram escondidas por causa do forte cheiro que ficava, pela quantidade de perfume que os cangaceiros usavam. Cabocla tinha que adentrar alguns metros no mato temendo ser descoberta pelas volantes policiais.

A lavagem às vezes era feita durante a noite, tornando a tarefa ainda mais penosa. Sem contar que o sabão era fabricado pela própria lavadeira em um processo milenar: Cabocla queimava a lenha, pegava a cinza e molhava, deixando-a de molho por três dias, depois destilava e misturava com o sebo de boi. A constante fabricação, através da fumaça que se formava, afetou a visão de Cabocla pro resto da vida.

O Sr. Dionísio, do povoado São José, era quem fazia o contato entre Lampião e Cabocla. Assim que o Rei do Cangaço chegava a um dos coitos dos Poços Cabocla era logo avisada.
Dos Poços uma das cunhadas de Cabocla, se apaixonou pelo famoso cangaceiro Mariano Laurindo Granja, um dos homens de confiança de Lampião.

Otília Maria de Jesus era filha do velho Faustino e resolveu acompanhar seu grande amor passando a chamar-se Otília de Mariano. Os Poços jamais seriam o mesmo depois que Otília passou a ser cangaceira, Lampião perdia aí um dos mais famosos coitos da região de Paulo Afonso.

Agora em fevereiro de 2014 fiquei surpreso ao saber que Cabocla ainda estava viva aos 109 anos de idade. Imediatamente lhe fiz uma visita. Por incrível que pareça ela lembrou minha pessoa. Encontra-se lúcida, recordando fatos, lembrando momentos vividos e perpetuados em sua memória, fatos esses envolvendo as histórias de Lampião e seus diversos grupos de cangaceiros. Firmina Cabocla é um capitulo vivo desses momentos.

João de Sousa Lima
Historiador e escritor
Paulo Afonso, Bahia, madrugada de 25 de fevereiro de 2014.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Novo livro na praça!!!

"O processo de Dores"



O chanceler Paulo Medeiros Gastão acaba de lançar o segundo volume da serie de processos contra o Cangaço.
  
Digitalizado e postado originalmente no site do Tribunal de Justiça de Sergipe e compartilhado pelo blog Lampião Aceso, o processo movido contra Lampião pela comarca de Capela contra o Rei do cangaço por ter assassinado o jovem José Elpídio dos Santos na cidade de Nossa Senhora das Dores, SE em outubro de 1930 foi minuciosamente lido, transcrito e finalmente apresentado aos colecionadores e especialmente os profissionais da área do direito. 

São trinta e sete páginas de um relato coletado na íntegra de documentação originária do judiciário sergipano. As ocorrências constam nas páginas desde que instaurado o processo. Assim o caro leitor terá nova forma de ver o cangaço com a participação direta dos anais do judiciário. Cangaço analítico e objetivo. Mais uma edição especial da Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço - SBEC.
 
Solicite o seu com o autor Paulo Gastão - pelo e-mail paulomgastao@hotmail.com
Valor: "R$ 25,00" (Vinte e cinco reais) com frente incluso.

Depósito ag, Banco do Brasil - nº 3526-2 e c/c 737-4. 
(Após depósito confirme guia de pagamento via email).

segunda-feira, 7 de abril de 2014

“Jornal da Tarde” (Do “O Estado de S. Paulo”) – 31 de julho de 1973

Coiteiro é homem que não morre!
Por: Claudio Bojunga

Diz Eufrázio, 82 anos, coiteiro de Lampião
Foto: Josenildo Tenório

“Acoitar”, na linguagem sertaneja, significa “proteger participando”. Não é só calar a boca, fechar os olhos à passagem de algum bandido ou dar pistas falsas à polícia. O coiteiro também servia de moleque de recados e era ele quem abastecia de roupas e alimentos os grupos de cangaceiros.
Mas talvez a melhor definição de coiteiro tenha sido dada por um deles, Eufrázio Carlos do Amazonas, 82 anos, homem que nunca levou um empurrão, nem da polícia nem de cangaceiro.
 - Coiteiro – diz ele rindo – é um homem como eu, que não morre.

Eufrázio, que nem apelido recebeu durante a primeira fase do cangaço, a mais violenta, de 1914 a 1928, quando Lampião se mudou para a Bahia, orgulha-se de sua intimidade com Virgulino Ferreira, com todos os fazendeiros do Pajéu e se diz amigo íntimo dos mais famosos caçadores de cangaceiros da primeira fase: os tenentes Mané Neto e Higino.

Um homem virava coiteiro, naquela época, por cinco razões básicas: medo de morrer; vingança (usar o cangaceiro para vingar algum parente morto pela polícia); gratidão (recebia favores e dinheiro dos cabras, e tinha de pagar); interesse comercial (cangaceiro não dava muito valor a dinheiro) ou polícia (como enviado especial de algum fazendeiro ou chefe político esperto).
O negro Eufrázio, gordo, risonho, deve ter usado todas essas razões. Segundo ele, nunca viu ninguém morrer.
-E eu vou dar gosto de ver coisa feia?

Créditos para Antônio Correia Sobrinho

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Menino Pedro, do Cordel e do Baião

Estimulado pelos pais a ler livros, garoto de oito anos devorou Chico Bento, adora versos do cordel e se diz um grande fã de Luiz Gonzaga

Por Nélson Gonçalves    

Pedro Popoff
Foto: Alan Schneider/G1
Seus roteiros contêm emboscadas, retratam com fidelidade os perrengues do sertão entre a volante (polícia do tempo do cangaço) e o grupo de Virgolino Lampião, tudo regado a espontaneidade, mas sem descuido da ambientação e do figurino. O toque pessoal na trama começa com o fim determinando o começo, onde a morte do cangaceiro-protagonista é lançada, logo na primeira cena, para sustentar a dinâmica de interrogação ao longo de toda a enquete. Quem quiser saber o desfecho da cilada inicial tem de acompanhar o confronto até a última cena.

A descrição acima é de um roteiro de enquete teatral de autoria de Pedro Motta Popoff, um menino de oito anos, filho de pais comerciantes. Para contar sua historinha, o garoto simulou as cenas, cantarolou a sonoplastia e consumiu vários minutos para que seus desenhos, em sequência, fossem compreendidos do jeito que ele pensou a encenação.

O computador existe na vida de Pedro, mas para baixar músicas do baião ou para pesquisar sobre personagens do cangaço, Anastácia, Luiz Gonzaga, Tião Carrero... A ‘arma virtual’ que hipnotiza a molecada, para o pequeno Pedro, é apenas ferramenta. O que realmente rouba sua atenção é o mundo do cangaço, a literatura de cordel e uma variedade de canções de bom gosto que causa surpresa até no mais experiente apreciador de gêneros nacionais.

Os pais, Marcelo Motta e Carla Popoff, apresentam referências da mediação que foi feita com o filho desde seu nascimento. “O pai tem parente com fazenda, então isso pode ter despertado o amor que ele tem por animais. Ele ama bichos e, em especial, cavalos”, conta a mãe. Marcelo menciona que Pedro sempre foi convidado a ler, desde menino e, ainda durante a gestação, “convidado” a ouvir música fora do circuito comercial, sobretudo MPB, um prato sonoro recheado de autores na casa da família. “Ele lia revistinhas do Chico Bento e a partir de um DVD  se apaixonou pelo Chico. Ele troca muito presente de brinquedo por livro”, cita.

Pergunte a Pedro o que ele acha do sertanejo universitário e saberá se a “receita” de apresentação de estímulos, pelos pais, ajudou: “Sertanejo universitário não é música!”.

No ano passado, Pedro pediu de presente uma vitrola. “Fomos à feira do rolo e compramos um aparelho que toca vinil. Ele não desgruda do aparelho”, contam. O garoto ganhou um Xbox, mas o game perde feio para os livrinhos de cordel e os discos na disputa pelo seu tempo para brincar.


Mais radiola, menos Xbox
Foto: Alan Schneider/G1
O detalhe nos estímulos culturais apresentados pelos pais ao garoto: “Colocávamos MPB para ele ouvir ainda na minha barriga e vamos lhe oferecendo livros e autores tanto de música como de literatura. Mas ele escolhe. É uma apresentação democrática”, esclarece a mãe.

Pedro fica pela manhã com os pais, em uma loja na região central, quase na esquina entre a avenida Duque de Caxias e a rua 13 de Maio. Após o almoço, vai para a escola. Quem circula pela rua 13 já não mais se surpreende com um garoto, por vezes, pendurado em galho de uma das árvores na frente do terreno da loja dos pais. De chapéu do cangaço na cabeça (Pedro tem uns 20 tipos de chapéu e quer ir a todo lugar com a indumentária), o menino recita trechos de cordel e canta baião e xaxado. O xaxado foi difundido pelo grupo de Lampião como uma dança de guerra e entretenimento.
“Os cangaceiros eram corajosos e Lampião formou o bando para matar o coronel e enfrentar a volante, que era a polícia lá do sertão. A mulher mais valente do cangaço foi Dadá, mulher do Corisco, vingador de Lampião. Ela era corajosa também. Já a Maria era a mais Bonita, por isso casou com Lampião. O tenente Bezerra, da volante, é quem matou Lampião, mas foi em uma emboscada na fazenda Angico em Sergipe. Ele foi pego pelos macacos. Macaco e volante é a mesma coisa viu!”,
descreve Pedro Motta Popoff ao ser perguntado sobre o que é o cangaço.

A resposta é absolutamente espontânea, sem consultar livro algum. Em sua coleção pessoal, o garoto tem “Lampião, o rei dos cangaceiros”, de Billy Jaynes Chandler, entre outros.

Talvez do gosto do pai, o menino também adora música raiz, em específico os ponteados na viola de Tião Carrero, e também Raul Seixas. “Eu assisti ao filme ‘De Pai para filho’, que fala da história do rei do baião, o Luiz Gonzaga. Mas o Gonzaguinha no filme parece mais com o Raul do que com o filho do rei do baião”, opina o menino.

É disco que ele gosta
Foto: Alan Schneider/G1
Quando bati palmas na chegada à sua casa, do portão era possível ouvir o pequeno cantando baião rasgado enquanto tomava banho.

“É todo dia assim. Tomar banho é uma cantoria. E ele vai cantando e algumas vezes parte para inventar letras ou canções. Um dia percebi que ele cantava algo triste e me aproximei sem ele perceber.

Anotei o que ele cantava e era uma música que falava da tristeza pelo fim da infância. Anotei o que entendi à mão.

Mas interrompi porque ele passou a chorar muito e não me aguentei e o abracei embaixo do chuveiro”, lembra Carla Motta.

Brincar de baião

Pedro não desgruda de uma costureira (ele mesmo explica que é o nome que o cangaceiro dava à metralhadora) feita em papel machê e, ao criar seus roteiros do mundo de Lampião, nunca deixa de usar botina, camisa xadrez, o porta cartucho de couro feito pela mãe enfeitando o peito e, claro, o chapéu do sertão.

Foi um pouco mais de uma hora, ao lado da vitrola, para conhecer apenas as 10 canções que Pedro Motta Popoff mais gosta. A lista ia crescendo, com apontamentos de autores também de fora do mundo do baião. E ele, com um dó danado, tentou insistir em não ter de cortar nenhuma das “melhores” de sua coleção (veja a lista acima).

Ele não só conhece as letras, como tenta interpretar o estilo típico do sertanejo cantar. Pedro também arrisca passos do xaxado. Ao final de cada canção lança comentários sobre o que ouviu.

Pedro e sua fã nº 1 a mamãe Carla Motta. 
Foto: Alan Schneider/G1

No início, a mãe teve preocupação com sua convivência na escola. “Fiquei preocupada com algum tipo de discriminação, porque ele quer ir de chapéu na aula e não gosta de brincar de jogo eletrônico com os meninos. Mas ele é bem resolvido com isso. Nós sempre dissemos a ele que contasse aos amigos que é isso que ele gosta, de chapéu e botina. Ele fala para os meninos que eles precisam conhecer a cultura do nosso País”, sorri a mãe.

Na TV e no computador, Pedro usa seu tempo para assistir a documentários. “Ele ama a Inesita Barroso e insistiu tanto que eu tive de levá-lo para assistir à gravação do Viola Minha Viola na TV Cultura em São Paulo”, acrescenta a mãe. Uma particularidade: Pedro não odeia, mas não liga para o mestre dos causos Rolando Boldrin. “Eu gosto de ponteio de viola do Tião Carrero”, finaliza.

Pesquei no JC Net

No sentido de enriquecer a matéria que não trazia ilustrações ripei fotos do Site G1 que também produziu uma matéria sobre o menino Pedro.  Confira

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Documentário completo

A mulher no Cangaço

Com cenas reconstituídas sobre algumas das mais de 50 mulheres que estiveram no cangaço. Destaque para Dadá (Sérgia Ribeiro, mulher de Corisco), Cila (mulher de Zé Sereno) e Adilia (mulher de Canário). Dadá relembra o dia em que foi raptada por Corisco.

Cila conta que teve que doar o filho, cujo parto foi feito por Maria Bonita, pois não dava para criar um bebê devido a peregrinação do bando pelas caatingas e sertões. Adilia conta que encontrou na companhia do marido, Canário, a liberdade que o pai lhe negava."

Exibido originalmente em 1976 no Globo Repórter da TV Globo com cenas gravadas no povoado de Sítios Novos, do município de Poço Redondo - SE. Um das muitas curiosidades é que Maria de Juriti se recusou a participar do filme

Dados técnicos do documentário: http://cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis...



Fonte: Canal do Youtube de alencar2
Créditos pra o amigo Paulo Davi Alcântara

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cangaço e imprensa

Lampião no marketing fúnebre

Por: Geraldo Duarte*

O tenente João Bezerra da Silva, pernambucano e comandante da Volante do 2º Batalhão do Regimento Policial do Estado de Alagoas, contava poucos dias do enfrentamento e do extermínio do bando de Lampião. O embate ocorreu na madrugada de 28 de julho de 1938, defronte à Grota de Angico, na fazenda de igual denominação, na área situada na divisa dos municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco, em Sergipe.

O fator surpresa, no ataque ao bivaque da cangaceirada, consagrou-se decisivo para o êxito do confronto.

Dele, restaram mortos Virgolino Ferreira da Silva, “Rei do Cangaço”, sua amásia Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, “Rainha do Cangaço”, e nove cangaceiros. Todos, após as mortes, foram decapitados, tiveram suas cabeças salgadas e expostas à curiosidade popular.

Dera-se o fim da temida e sanguinária súcia de criminosos que, por vinte anos, aterrorizou os sertões nordestinos. O acontecimento mereceu manchetes e destacados espaços nos noticiosos da mídia nacional, bem como, fez-se replicar na estrangeira. Os fatos obtiveram invulgar acompanhamento público, ensejando comentários opiniões e análises no País. Durante semanas mantiveram-se como a temática maior dos brasileiros e, em especial, das populações do Nordeste.

Mesmo inexistindo, à época, a terminologia “marketing”, e a publicidade e propaganda sendo expressas como “reclame”, as comunicações de mensagens dos produtos ocupavam chamativos espaços na imprensa, nas emissoras de rádio e na panfletaria em geral. Assim, os divulgadores de então, “marqueteiros” do futuro no passado, ligaram aquela conhecida luzinha representativa da ideia e geraram anúncios de impacto, apesar de reprováveis pela ética e pelos princípios humanitários. A morte e os dias de guarda funéreos da cristandade não mereceram o mínimo de respeito para com o cangaceiro-chefe e a cangaceiragem. Ao contrário. Registraram-se, afora outras comemorações comedidas ou veladas, as comercialmente alardeadas como de vendagem promocional.

O jornal Correio de Aracaju, circulante em 8 de agosto de 1938, apresentava, com o destaque de cercadura e letras maiúsculas, uma campanha de vendas tétrica:
“DEPOIS DE MORTO LAMPIÃO TUDO PELO PREÇO DE CUSTO NAS CASAS NUNES. ATÉ 15 DE SETEMBRO PRÓXIMO. RUA JOÃO PESSOA, 156 E 179.”.

Dia seguinte, o macabro propagandear coube veiculação à Folha da Manhã, também noticioso aracajuano. De forma lírica, porém, não menos lúgubre. Poeticamente, os ledores viram o enaltecimento do propalado miraculoso Tônico Phos- Kola, sob o título "A Morte de Lampião":
“O tenente Bezerra – Herói do dia,
O bravo militar alagoano,
Há muito tempo já se consumia,
Arquitetando um plano,
Noite e dia,
Numa incansável obstinação:
É que jurara a Deus, que salvaria,
A gente sofredora do sertão,
Do flagelo que há tanto a perseguia,
Matando Lampião!

Mas ele não dispunha da memória,
Atrapalhado pelo esquecimento...
Daí o retardar-se a sua glória,
A sua grande glória do momento!

E era assim.
Aquilo parecia não ter fim...
A ideia chegava-lhe e... fugia!
Não havia um remédio, não havia,
Como gravar pudesse, na cachola,
O plano que traçara e em que se via,
De uma noite pro dia,
Transformado em herói, carregado em charola...

Foi quando resolveu tomar Phos-Kola
- o remédio prodígio,
Pra quem tem perda de imaginação.
Vem daí o prestígio,
Com que ora se alçou ao mais justo fastígio,
“O bravo militar que matou Lampião.”.
Segundo garantia o tal “remédio prodígio para quem tem perda de imaginação”, na embalagem, lia-se ainda: “Bom para a memória. Abre o apetite. Fortalece músculos, nervos e ossos”.

Crível, portanto, que o “capitão” Virgolino desconhecia o miraculoso fármaco usado pelo super tenente Bezerra. O conhecesse e fosse real o alardeado pelo produtor, dependendo da dosagem, o militar não teria cantado de galo no terreiro do caolho.

Sede do Laboratório Phos-Kola em Aracaju

 Fonte: Aracaju Antiga
 
Ninguém se arvore em falar de propaganda enganosa, defendentes ou não da autoridade ou do fora da lei, pois o delito era desconhecido e o Código de Proteção e Defesa do Consumidor somente nasceu meio século depois.

As mensagens publicitárias citadas foram reproduzidas do livro "O Fim de Virgulino Lampião: o que disseram os Jornais Sergipanos", de autoria do professor e advogado Antônio Corrêa Sobrinho, obra na qual o cangaceirólogo e radialista José Clenaldo dos Santos recebeu especial homenagem.

*Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

Fonte: Jornal da Cidade, Edição de 22 de Janeiro de 2014.
Créditos para Archimedes Marques

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Jornal da Tarde (O ESTADO DE SÃO PAULO) – 30/07/1973

O desagravo de Capela - 1930
Por: Claudio Bojunga

Eles tinham provocado muito e agora Capela estava preparada. O velho Mano Rocha ia tirar sua forra. Havia ainda homens valentes, como o major Honorino, Dudu aleijado, Turrão, gente capaz de enfrentar Lampião, Corisco, Carrasco, Moita Brava, Balão, Baliza, Nevoeiro, Pancada e quantos viessem. E eles vinham. Lampião disse que Capela tinha roubado, quer dizer deixado de lhe dar o dinheiro que havia pedido da primeira vez. Agora ia arrasá-la. Mano Rocha duvidava.

Foto de Josenildo Tenório

Virgolino pediu doze contos. Tinha gente disposta a dar. Mano disse que tinha que passar em cima de seu cadáver e depois enterrá-lo num cemitério da UDN (gente da UDN não aceitava ser enterrado em cemitério PSD). Os amigos deram força. Turrão, o finado Ivo, o finado Galileu, Aurélio Alves. Major Honorino comandou um grupo. Havia um terceiro. Lampião trazia reféns. Major Félix era um deles. “Fomos para cima da igreja”. Quem fala é o Mano Rocha – macho de verdade.

E a fuzilaria começou. No canto da praça os cangaceiros ficaram atocaiados. Bala neles. Uns correram, outros ficaram, ninguém caiu: a grande vítima do seu segundo ataque a Capela foi um piano de cauda. Os cangaceiros, quando viram bala vindo da igreja da Purificação, saíram berrando que os santos estavam atirando neles. Pelo menos é o que diz Mano. Já Balão, que estava no cerco, confirma que aquele sangue correndo na cerca fora da cidade e que nenhum dos personagens de Capela soube explicar, era do cangaceiro Gato, alvejado nos peitos. Tinham que tratar dele – cabra bravo. Corisco recuou. Gato teve que colocar muita pimenta na ferida, mas acabou recuperando.

Mano Rocha e major Honorino tinham lavado a honra da Capela.

ZÓZIMO LIMA, a respeito - Gazeta de Sergipe, 12/04/1969

Jornalista Zózimo Lima
Acervo de Zózimo Lima Filho
“Nos livros escritos sobre Lampião, a começar pelo do Ranulfo Prata, até os de Eduardo Barbosa, Nertan Macedo, Joaquim Góis há manifesta injustiça.

Neles não consta o nome do major Honorino Leal, uma das principais figuras entre os que combateram Lampião, na segunda investida contra a Capela, a 16 de outubro de 1930.

Pois foi Honorino Leal que, de fuzil em punho, ao lado do sargento de polícia Saturnino, em fuga, na praça do Cemitério ofereceu tenaz resistência aos nove cangaceiros que tentavam penetrar no centro da cidade, trazendo, como reféns, os senhores Felix da Mota Cabral, do engenho Pau Seco, José Cabral Filho, do engenho Pedras, José Xavier de Andrade, do engenho Lavagem e mais Jocundino Calazans e Manuel de Melo Cabral Filho.

Honorino Leal animou o grupo, diante da audácia dos bandidos, postados a poucos metros de distância, a manter firme a resistência, fazendo-os recuar para outra direção, além da chamada rua do Lá Vem Um.

É imperdoável a omissão do nome de Honorino Leal, que recusou, com padre Juca, a proposta feita pelo bandido, por intermédio do refém Felix Cabral, de entrar pacificamente na cidade pela segunda vez, como o fizera da primeira, um ano antes.

E o tiroteio foi cerrado, partindo tiros até das torres da Matriz, fazendo com que os bandoleiros recuassem.

É de justiça que futuros historiadores da incursão trágica de Virgolino Lampião, corrijam, nos seus livros, os enganos e a missão do nome do major Honorino, verdadeiro herói, como outros capelenses, na luta para que a cidade ameaçada não fosse entregue ao saque e ao assassínio por aqueles monstruosos criminosos.

Deverá ter algum valor o meu testemunho, porque lá me encontrava nas duas vezes que Lampião esteve na Capela. A primeira, pacificamente; a segunda, com propósito de satisfazer os seus instintos sanguinários. Fui, até, quando da primeira visita do bandido, ameaçado pelo mesmo de ser degolado, caso transmitisse, pelo telégrafo, do qual eu era o chefe, a sua estada no momento, ali.”

Créditos para Antônio Correa Sobrinho

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Busca insólita

Filho procura mãe raptada por cangaceiro

Por Marici Capitelli

Uma decisão tomada em 1939 por um cangaceiro no interior da Bahia reflete ainda hoje na vida de uma família de Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Aos 78 anos, José Grigório de Jesus procura pela mãe que foi raptada por Angelo Roque, o Labareda, um dos chefes do bando de Lampião. Entre as muitas ações nos últimos 40 anos para ter notícias da mãe, ele gravou depoimentos na internet, colocou anúncios em jornais, participou de programas de TV e rádios, visitou asilos, conversou com estudiosos do cangaço e cangaceiros realizou viagem ao Nordeste em busca de pistas da mãe, que se estiver viva tem cerca de 92 anos.

Durante essas quatro décadas de buscas, José Grigório acabou encontrando uma tia e uma irmã, filha de sua mãe com o cangaceiro. Mas isso não é suficiente. “O que quero mesmo é encontrar a minha mãe, ou pelo menos saber onde ela foi enterrada. Ninguém desaparece da terra dessa maneira”, diz o idoso que chora enquanto conta a sua história. “Isso ainda me dói muito”, justifica ele, que é líder comunitário no Capão Redondo e dedica todo o tempo para melhorar a vida da comunidade local.



A baiana Ana Senhora de Jesus era dona de casa, mãe de quatro filhos e morava em um sítio em uma cidade que é chamada atualmente de Coronel João de Sá. José Grigório tinha três anos e era o segundo da prole quando o cangaceiro Angelo Roque chegou com seu bando numa tarde na propriedade da família, que tinha bom poder aquisitivo. “Meus parentes sempre contaram que ele estava armado e perguntou ao meu pai se ela era mulher dele.”

Diante da resposta positiva, Labareda teria dito que ela não era mais mulher dele a partir daquele momento. Ana, segundo o marido e os parentes, foi autorizada a pegar algumas roupas, foi colocada num cavalo e nunca mais ninguém da família teve nenhuma notícia dela.


Aos 13 anos, José Grigório (Foto) deixou a Bahia para nunca mais voltar e se mudou para São Paulo. Foi metalúrgico, líder sindical e acabou preso em algumas greves na época da repressão política.

Tinha vergonha de contar o passado da mãe e dizia para todo mundo que ela havia morrido. Não contou nem mesmo para a sua mulher Maria, com quem se casou em 1963. Mas, na década de 1970, quando ela assistia a um programa popular de TV viu uma mulher que procurava pelos filhos e citava o nome de José Grigório. Como ela era muito parecida com a sua cunhada, Maria pressionou o marido até ele confessar a verdade. “Foi só aí que ele admitiu que a mãe tinha sido raptada”, conta Maria que se tornou aliada na busca pela sogra.

O casal chegou a ir até a emissora de TV, mas não conseguiu contato com a mulher. A partir daí, as buscas por Ana Senhora nunca mais pararam. Algum tempo depois, José Grigório colocou anúncio em um jornal em busca da mãe. Um leitor disse que ela vivia em Itaquera, na zona leste. Maria fez várias buscas na região. “Também procurei em asilos por toda a cidade”, conta a mulher.

O idoso gravou depoimentos para uma webTV . “A história dele sensibilizou muito os ouvintes”, lembrou o apresentador Nilo March, que fez uma campanha durante três meses à procura de Ana Senhora. Receberam uma informação que ela estaria vivendo em Santo Amaro, na zona sul, mas não foi possível confirmar.

Outros filhos e parentes

Dos quatro filhos de Ana Senhora de Jesus, só restam três. A mais velha, Joana, morreu há 17 anos. A caçula Maria José da Silva, de 73, compartilha do sonho do irmão em saber o paradeiro da mãe. Quando Ana foi levada, ela tinha 1 ano e 5 meses e estava nos braços dela. “Fui criada pelos padrinhos e só com 11 anos soube da verdade. Fiquei muito triste”, recorda.

O outro filho de Ana, José André dos Santos, de 76 anos, não tem vontade de rever a mãe nem de saber notícias. “Ela podia ter voltado.” Anita, filha de Ana com Angelo Roque, também disse aos irmãos ter mágoa da mãe por ter sido abandonada ainda bebê.

Angelo Roque raptou Ana Senhora em 1939, mas em 1940 ele se entregou à polícia. Solto, foi segurança no IML da Bahia e morreu no início da década de 1970.  Quando Ana foi levada, sua irmã Maria Senhora de Jesus nem tinha nascido. “Toda a minha família procurou muito por ela”. Os irmãos chegaram a ir a outros estados em busca de notícias. “Nunca conseguimos nada. Nossa mãe morreu falando dessa filha raptada.”

Aos 69 anos, Maria sonha em encontrar ou ter notícias da irmã. “Pelo menos a gente resolveria esse assunto.” Dos sete irmãos, além de Ana, só ela e a irmã mais velha estão vivas. “Uma das maiores alegrias da minha vida foi ter reencontrado meus sobrinhos filhos da Ana.”

Mulheres no cangaço

Antonio Amaury Correa de Araújo, estudioso do assunto cangaço, conhece um pouco a história de Ana Senhora de Jesus. “Quando Labareda se entregou à polícia, ela o acompanhou e aparece nas fotos ao lado dele.” Ele conta que a família de Ana era coiteira - oferecia algum tipo de ajuda aos cangaceiros, que ia desde oferecer alimento até a conivência dos grandes latifundiários.


Ana aparece atrás do companheiro "Labareda"
no dia das entregas.


A historiadora Ana Paula Saraiva de Freitas, autora de uma tese sobre a presença feminina no cangaço, conta que as mulheres, depois que integravam os bandos, não tinham como sair. “Ou sofriam retaliações do próprio grupo ou da sociedade que também as via como bandidas.”

Pescado no Jornal da Tarde
1ª e 2ª Fotos print de imagens de Francisco Paz (Portal: R7)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Charges históricas

Silvino e a critica politica nos jornais sulistas

Colaboração de Raimundo Gomes
(Fortaleza,CE)

Recentemente descobri várias charges, tendo Lampião como tema, na revista ilustrada Fon-Fon. Desta vez, descobri outras, mas do cangaceiro Antonio Silvino, na revista carioca "O Malho" do período 1907 e 1914, quando da prisão do bandido.

Ei-las:

Charge de 23 de fevereiro de 1907,que ironizava o assalto de Antônio Silvino à Mesa de Rendas(fisco) da cidade de Barra de São Miguel, onde após o saque deixou os funcionários nus.
(Revista ilustrada O Malho).


Desta vez, a ironia é com relação a Antonio Silvino e sua interferência junto
às ferrovias inglesas da Great Western.
(Revista O Malho, 5 de outubro de 1907).
 
 
Desta vez aparece o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, travando interessante diálogo com um homem do povo. Na conversa, cobra-se mais ações não só de Pernambuco, mas de outros estados para o fim do cangaceiro.
(Revista O Malho, 27 de julho de 1914).
 
 
Com o cangaceiro ferido e preso, o Governador de Pernambuco, Dantas Barreto, exulta de felicidade e lamenta não poder prender outros bandidos, em especial no Ceará. Quem seriam ?
(Revista O Malho, 5 de dezembro de 1914).
 
 
Outra charge feita após a prisão do cangaceiro, com o tenente Theophanes Ferraz trazendo Silvino numa coleira. Novamente o Ceará é mencionado, como ainda tendo muitos bandidos que precisavam ser presos. Era a época da sedição do Juazeiro, cujos jagunços do Floro Bartolomeu e do Padre Cícero derrubaram o Governador do Ceará, coronel Franco Rabelo.
(Revista O Malho,19 de dezembro de 1914).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Delmiro Gouveia

Professor Edvaldo Nascimento festeja 60 anos do município com o lançamento do seu livro sobre a educação no sertão


No dia 14 de fevereiro, quando o município de Delmiro Gouveia comemora 60 anos de emancipação, o professor Edvaldo Nascimento homenageia a cidade lançando o seu livro que fala sobre a educação no sertão de Alagoas. A obra, que traz como título “Delmiro Gouveia e a Educação na Pedra”, será mostrado aos delmirenses em noite de autógrafo na Escola Delmiro Gouveia. O lançamento reunirá a primeira edição, impressa pela Viva Editora, e a segunda, impressa pela Editora do Senado Federal, onde será distribuída a todos os professores presentes. 
No evento estarão reunidos amigos, representantes políticos e de diversos segmentos da cidade e do país, além de músicos e artistas, que farão apresentações para o público. Para o professor, o lançamento em Delmiro Gouveia será um misto de homenagem à cidade e celebração aos diversos amigos que conquistou ao longo dos seus 40 anos de vida.
“Para mim será uma honra poder lançar este livro em Delmiro Gouveia, a cidade que me acolheu e inspirou o meu trabalho exatamente na data em que a mesma comemora seus 60 anos. Desde já agradeço a todos que acreditaram nesta obra que é dedicada, acima de tudo, aos sertanejos. Este evento será um misto de festividade e celebração, onde estarei reunindo os diversos amigos que fiz durante os 40 anos de vida. Estou muito feliz em poder ter esta oportunidade”, frisou.
“Delmiro Gouveia e a Educação na Pedra” é o resultado da dissertação de mestrado que Edvaldo defendeu em março de 2012, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde são analisados os processos educacionais implantados pelo industrial Delmiro Augusto da Cruz Gouveia no sertão. “É uma abordagem sobre educação no sertão dominado pelos coronéis da primeira república”, reforça o professor.



O livro esteve entre as obras lançadas na VI Bienal Internacional de Alagoas, em outubro de 2013, e reuniu um grande público. Representantes de diversos segmentos, de Maceió e do sertão, estiveram presentes prestigiando o evento.  Intelectuais, artistas, reitores, dirigentes partidários, empresários, representantes do poder público e do judiciário, estudantes e escritores foram saudar o autor.
Para Edvaldo ter um livro lançando durante a Bienal é uma honra. “Este evento tem reunido grandes autores brasileiros, além do considerável número de visitantes, tornando-se o maior evento literário de Alagoas sendo, portanto, uma honra para mim ter lançado meu livro neste evento. Fico feliz em ver a história de Delmiro sendo reconhecida e só tenho a agradecer aos amigos que estiveram comigo, celebrando mais este trabalho. Foi realmente uma grande satisfação”, disse.


Foto Assessoria
O historiador participou ainda do lançamento da reedição do livro Fábrica da Pedra, de autoria do jornalista Pedro Motta Lima, (In memoriam), onde Edvaldo escreveu o posfácio. O evento, realizado no estande da Editora do Senado Federal, reuniu o presidente do Senado Renan Calheiros, o governador de Alagoas Teotônio Vilella, a antropóloga Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, o neto de Pedro Motta Lima, e o neto do autor André Motta Lima, entre outros convidados.
O professor Edvaldo estuda o sertão de Alagoas e seus personagens há mais de 15 anos e é considerado um dos principais pesquisadores da vida e da obra de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, industrial nascido em Ipu, no Ceará, e que modernizou o Recife e viveu seus últimos quinze anos de vida no sertão alagoano, onde construiu a primeira Usina Hidrelétrica do Nordeste, Angiquinho (1913), implantou um Núcleo Fabril e uma Fábrica de Linhas (1914).

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Revista "A noite Ilustrada", edição de 30 de Novembro de 1932

Quando Lampião ficou sem Açúcar

Colaboração de "Volta Seca"
Membro do grupo Lampião Cangaço e Nordeste (Facebook)








Cabeça de Açucar
(Cortesia de Rubens Antônio)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Convite

Capitão Marins lança "Guarda Pelé"

Preciso fugir brevemente do tema para avisar que nosso confrade, o capitão da Policia Militar Baiana Raimundo Marins vai estar lançando em Salvador uma biografia em homenagem ao mais popular dos servidores de sua corporação. O evento ocorre Segunda-Feira, 17 de fevereiro às 10hs na Assembleia Legislativa da Bahia. O livro integra a coleção "Gente da Bahia".
Exemplo de profissional policial militar, o Cabo Armando Marques, mais conhecido como “O Guarda Pelé”, ficou famoso, no Brasil e até no exterior, por desenvolver uma técnica de controle de tráfego, que aliava os movimentos de ordem unida aos sinais de trânsito. Isso lhe rendeu uma merecida homenagem: Um livro sobre sua história.
Concedeu entrevista ao Historiador, Capitão Raimundo Marins, e passou a narrar sua trajetória, indissociável da carreira policial militar, como “Guarda Pelé”, que cheio de irreverência inovou no controle do trânsito.
Cabo Armando Marques. O "Guarda Pelé".

No início da década de 70, após pedir transferência para “Os Galés”, por ser mais próximo de sua casa, o então Soldado Armando deparou-se com um trânsito em caos. Já em casa, frente ao espelho criou os movimentos que mudariam completamente a sua vida e elevariam o nome da Corporação, nascia o “Guarda Pelé do Trânsito”, trânsito fluindo, anônimos e autoridades aplaudindo.
 Não demorou muito e vieram as campanhas publicitárias para DETRANS de diversos estados, seguidas de contratos comerciais, como o da Agência Esquire (1974), que fez do “Pelé do Trânsito” garoto propaganda da Empresa de Transporte Aéreo Cruzeiro do Sul. A imagem do policial militar e sua eficiência correram o mundo, o que lhe rendeu prémios como o Leão de Prata em Sawa.
O Cabo Armando, atualmente na reserva da PMBA, colocou à disposição do historiador não só a narrativa de suas experiências, mas também os arquivos literais e simbólicos. Agora é conferir a publicação e conhecer mais sobre este famoso policial militar baiano.
Texto e foto de Jaguaraci Barbosa
Fonte: Blog PM informa

Convite para impressão. 
(A apresentação será indispensável).