quinta-feira, 30 de julho de 2026

"Sinhozinho Alencar...

 Tem uma pontaria infernal!”

A frase de Lampião que eternizou o combatente belmontense na história do cangaço.

​Por: Valdir José Nogueira

Neste 28 de julho, a historiografia do Nordeste rememora a morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, ocorrida em 1938 na Grota do Angico, em Sergipe. O episódio selou o fim do ciclo do cangaço, mas os desdobramentos e memórias dessa época permanecem vivos em diversos municípios do Sertão pernambucano — entre eles, São José do Belmonte.

​O município guarda em suas páginas históricas as marcas da passagem do bando de Lampião e, simultaneamente, o protagonismo de figuras locais que atuaram no combate ao banditismo rural. O principal destaque belmontense nesse cenário foi José Alencar de Carvalho Pires (foto), popularmente conhecido como Sinhozinho Alencar.


Nascido na Fazenda Várzea no ano de 1892, Sinhozinho Alencar integrou as forças policiais e volantes que perseguiam os cangaceiros pela caatinga. Sua atuação militar e conhecimento do território garantiram-lhe reputação de estrategista e combatente de extrema precisão.

​A relevância de Sinhozinho no conflito foi reconhecida pelo próprio Lampião. Registros e relatos da época atribuem ao Rei do Cangaço a célebre declaração sobre o oponente belmontense: "Sinhozinho Alencar tem uma pontaria infernal!" A fala sintetiza o grau de dificuldade e o respeito mútuo existente entre as lideranças das volantes e os chefes do cangaço nas batalhas pelo Sertão do Pajeú.

​A celebração da data serve como resgate da memória documental e cultural da região. Lembrar a trajetória de Sinhozinho Alencar no 28 de julho reafirma o papel de São José do Belmonte na construção da história do cangaço, destacando a bravura dos nomes locais que enfrentaram um dos períodos mais violentos do interior nordestino.

 

Jornais

Lampião, “um homem que previa tudo


Em 1938, o Diário da Manhã (PE) publicou declarações do capitão Manoel Netto, antigo comandante das forças pernambucanas em operações contra o cangaço.

Segundo o jornal, Manoel Netto dizia conhecer bem os caminhos e estratégias de Lampião, afirmando que o chefe cangaceiro “previa tudo” e nunca dormia com o grupo completo, justamente para dificultar ataques das forças policiais.

A matéria também comentava o ataque em Angicos e a morte de Lampião, mas destacava que o banditismo não acabaria imediatamente, pois ainda existiam subchefes e grupos espalhados pelo Nordeste.

Um trecho chama atenção para o Tenente João Bezerra, citado como um dos grandes nomes na luta contra o cangaço e conhecedor do terreno alagoano.

Mais do que uma notícia sobre Lampião, o recorte mostra como a imprensa da época tentava interpretar o fim de um dos capítulos mais marcantes da história do cangaço.












Publicado originalmente pelo Acervo Memóriapé