105 anos de uma tragédia em Bom Nome
Por: Valdir José Nogueira de Moura.
Na tarde de 24 de agosto de 1921 — há exatos 105 anos —, por volta das 16h, as terras próximas à povoação de Bom Nome foram palco de um dos episódios mais marcantes e dolorosos da história do cangaço.
A ira tomava conta de Sebastião Pereira, o lendário Sinhô Pereira. Pouco antes, em um combate violento contra a volante do capitão Zé Caetano, o bando havia perdido Luiz Macário, um dos cabras mais valentes do grupo. Em fuga e cego pela perda, Sinhô Pereira cruzou o caminho de um homem simples e desarmado: o Sr. João Bezerra do Nascimento.
Sem qualquer chance de defesa, um tiro tirou a vida daquele inocente, desencadeando um remorso que mudaria os rumos do cangaço.
A DOR DO SANGUE E O PESO DA CONSCIÊNCIA:
Em 1971, quando retornou ao seu torrão natal após décadas vivendo no Planalto Central, Sinhô Pereira desabafou ao pesquisador Luiz Lorena sobre o fato que mais o perturbara na vida:
"A morte de João Bezerra em Bom Nome. Na forma como eu procedi, acelerou minha decisão. O meu estado de espírito estava de tal forma desajustado que eu já não tinha condição de conduzir as ações do grupo que comandava."
O LAÇO DE SANGUE ESQUECIDO PELA FÚRIA:
No Sertão do Pajeú, onde as famílias se entrelaçavam, a tragédia guardava uma ironia cruel: a mãe e o sogro de João Bezerra eram parentes em segundo grau do pai de Sinhô Pereira. Naquela tarde de agosto, o chefe cangaceiro assassinou, sem saber, um próprio parente.
O baque moral e familiar acelerou a saída de Sinhô Pereira do cangaço, abrindo caminho para que, anos mais tarde, Virgulino Ferreira da Silva — o Lampião — assumisse a liderança definitiva do grupo.

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