quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cangaceiros

Quem foste tu?

Por: Helton Araújo (Canal Cangaço eterno)




Na imagem, vemos Manoel Aureliano Lopes, conhecido como Cobra Verde, nascido em 1º de dezembro de 1917, natural de Piranhas (AL).

Ingressou no cangaço em 1935, tendo passado pelo bando de Moreno. Esteve presente na região da Grota do Angico em 28 de julho de 1938 — data marcada pela morte de Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros. No entanto, no momento do ataque, não se encontrava no local, pois havia saído para buscar leite em uma fazenda nas proximidades.

Em entrevistas concedidas a periódicos da época, afirmou que havia 49 cangaceiros em Angico, sendo 42 homens e 7 mulheres. Segundo sua própria lista, ele integrava o grupo liderado por Luiz Pedro.

Relatou ainda que, antes de ingressar no cangaço, trabalhava na fábrica de pedras de Delmiro Gouveia, onde recebia um salário muito baixo — motivo que o levou a entrar no cangaço em busca de "ganhar uns cobres", segundo suas palavras.

Posteriormente, entregou-se à polícia em Poço Redondo (SE), juntamente com outros cangaceiros, sendo conduzido pela polícia alagoana até Maceió (AL), onde permaneceu detido.

No período pós-cangaço, trabalhou como pedreiro. Em 1943, alistou-se como militar, adotando o nome de Aureliano Lopes da Silva.


Fontes: Jornal Gazeta de Alagoas; Jornal A Noite; livro Cangaceiros de Lampião de A a Z, de Bismarck Martins de Oliveira.


História dos Volantes

Tenente Peregrino de Albuquerque Montenegro



Nascido em 1897 na Paraíba, em uma família de militares e posseiros, sua vida foi marcada pela migração. Após o assassinato de um de seus irmãos em 1908, a família Montenegro buscou refúgio no Ceará. Com a morte do pai em 1911, Peregrino ingressou na carreira militar.

A partir de 1915, ele se destacou na perseguição implacável a figuras como Lampião e Sinhô Pereira, com quem travou uma rivalidade que durou mais de dez anos. Peregrino comandava uma "volante" de 20 homens escolhidos a dedo.

Um erro de julgamento na Chapada do Araripe marcou sua carreira.

Ao tentar prender Rubião Ricarte por desacato (o rapaz estava embriagado), Peregrino foi surpreendido pelo irmão de Rubião, Raimundo Ricarte, que rendeu o Tenente com uma faca no pescoço. A fuga dos irmãos deu origem a um novo e perigoso bando de cangaceiros: os Ricartes.

Após o incidente com os irmãos Ricarte, a carreira de Peregrino Montenegro consolidou-se como uma das mais implacáveis do Sertão, marcada por missões de "limpeza" e confrontos diretos com rebeldes e cangaceiros.

Como Delegado Especial na cidade de Campos Sales, Peregrino recebeu ordens diretas para liquidar cangaceiros e ele eliminou bandos perigosos.

Um dos episódios mais memoráveis foi o confronto direto com o Tenente Tarquínio, da Coluna Prestes. Tarquínio o desafiou para um duelo no punhal, mas acabou sendo alvejado por um tiro de mosquetão e finalizado a golpes de faca.

A rivalidade com Chico Chicote, que foi encontrado morto em posição de tiro após o combate na fazenda Guaribas, teve a participação ativa das volantes que Peregrino ajudou a estruturar.

Nem tudo foi glória militar; Peregrino foi acusado de excessos graves contra civis e familiares de cangaceiros.

O caso mais famoso foi o ataque à família de Ioiô Maroto, em Belmonte (PE), onde sua volante teria agredido mulheres e idosos, o que motivou vinganças posteriores e críticas em jornais da época (como no jornal A Província).

Peregrino Montenegro sobreviveu a inúmeras emboscadas e tiroteios, consolidando-se como um dos raros oficiais que enfrentou Lampião, a Coluna Prestes e os coronéis rebeldes, saindo vivo para contar a história. 


Postado originalmente pelo perfil "O cangaço pelo Nordeste Brasileiro!