segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tenente Pompeu e a morte do cangaceiro Virgínio 

Por: Aderbal Nogueira

Segue um trecho importante que gravei com meu amigo Ten. Pompeu Aristides de Moura, em 1996.

Vejam que coisa: Estava eu batendo, literalmente, de porta em porta em um bairro meio antigo de Arcoverde - Pernambuco, tentando encontrar alguém da época do cangaço, quando vi um senhor de aproximadamente 90 anos em um portão e, ao interpelá-lo ele me disse que não era dali, era de São Paulo. Nessa mesma hora uma criança passava correndo na calçada e ouviu a conversa, voltou correndo e disse - " Meu avô brigou com Lampião e ele mora bem ali". Pois bem, era o Ten. Pompeu, uma pessoa maravilhosa, de quem fiquei amigo e admirador.

Nessa época eu não pertencia à SBEC e nem conhecia o monossilábico amigo Paulo Gastão, a quem tempos depois levei para conhecer o Ten.Pompeu. Nesse primeiro contato gravei aproximadamente oito horas com ele e um dos fatos é esse que envio a vocês
- "A morte de Virgínio e uma perseguição ao bando em Serrinha do Catimbau".

Quase uma década depois, ciceroneado pelo amigo Vilela; que apesar do tênis VERMELHO e do bornal coloridíssimo; é um cabra arretado de quem eu tenho orgulho de ser amigo, desses que a gente guarda do lado esquerdo do peito, nos guiou por Serrinha do Catimbau onde pude gravar os outros dois depoimentos das senhoras Josefa e Maria do Carmo, que foram testemunhas oculares do ataque de Lampião àquela localidade e na qual o Ten.Pompeu veio em perseguição ao bando.

Espero que gostem do vídeo.



Aderbal Nogueira
Documentarista
Fortaleza,CE

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Adendo Lampião Aceso: 
Ten. Pompeu Aristides de Moura faleceu em 21 de Setembro de 2001.

Adendo Ivanildo Silveira:
1º) Não se sabe exatamente, qual o soldado que matou " Virgínio " , cunhado de Lampião, pois eles atiraram simultaneamente no grupo de cangaceiros, conforme relata o Ten. Pompeu.

2º) O Ten. Pompeu informa que em um combate no Estado de Alagoas, as "BALAS " usadas pelo grupo de Lampião, eram do ano de 1932, enquanto que as usadas pela polícia datavam de 1912/13 .

Se nós vermos o depoimento do Ten. Zé Rufino , no documentário de Paulo Gil, " Memória do Cangaço ", o mesmo informa, exatamente, o que o Ten. Pompeu narrou, logo acima, ou seja, as " balas " usadas em combate pelo grupo dos cangaceiros de Lampião, eram sempre " Balas Novas", enquanto a polícia, usava uma munição mais antiga .

3º) O Árabe Benjamin Abrahão, o qual fotografou e filmou Lampião e seu grupo , foi encontrado várias vezes na caatinga á procura do chefe cangaceiro, sem que a polícia o repreendesse, ou tomasse qualquer atitude contra o mesmo.

4º) No combate de Serrinha do Catimbau/PE, Lampião teve sua amada (Maria Bonita) ferida, com uma certa gravidade , além de ter perdido um cachorro, que foi fuzilado pelo grupo de civis, que defenderam aquele arraial do ataque cangaceiro.

5º) Comungo com o pensamento daqueles que entendem, que ainda, falta muita coisa a ser estudada/explorada no ciclo cangaceirístico.

6º) O amigo Aderbal possui as grandes qualidades de preservar a memória do cangaço, além de partilhar com os amigos, as informações e o fatos que detém, em seu acervo, O que não acontece, infelizmente, como muitos estudiosos do cangaço.

É por ai....

2 comentários:

Anônimo disse...

Já várias vezes estive aqui no teu blog, mas não deixei comentários. Excelente trabalho, visse. parabéns.
Rosilda Cavalcanti

Kiko Monteiro disse...

Rosilda muito obrigado pela sua atenção e incentivo ao nosso sítio.

Abraço Fraterno
Kiko Monteiro