terça-feira, 7 de setembro de 2010

Revendo a Homenagem do amigo João de Sousa

Moreno e o autor
Antônio Ignácio, o futuro cangaceiro Moreno e a epopéia de um peregrino.
Dia 01 de novembro de 1909, nasceu Antônio Ignácio da Silva, em Tacaratú, Pernambuco. Filho de Manuel Ignácio da Silva e Maria Joaquina de Jesus.

Antônio foi batizado em Mata Grande, Alagoas, no dia 06 de março de 1910, portanto quatro meses e cinco dias depois de nascido. Os padrinhos de batismo foram Martinho Affonso Leite e Joaquina Maria da Conceição. Quem realizou o batismo foi o vigário Manoel Firmino Pinheiro.

Manuel Ignácio e sua esposa tiveram dez filhos, sendo quatro homens e seis mulheres: Floro Ignácio da Silva, Otaviano Ignácio da Silva, Justo Ignácio da Silva, José (Jacaré) Ignácio da Silva, Firmina (Minô) Maria da Conceição, Maria São Pedro, Minervina Maria da Conceição, Técula (Santa) Maria da Conceição e Maria José da Conceição.

Manuel teve que mudar-se de Tacaratú, por ter praticado um crime, levando toda sua família, estando Antônio Ignácio com poucos anos de nascido. O destino escolhido por Manuel Ignácio para se esconder, foi Brejo Santo, Ceará, por já ter alguns familiares nesta cidade.

Em Brejo Santo, a família ficou por muitos anos. Antônio Ignácio aprendeu a ler com o professor Manuel da Paz. Maria José casou-se com Manuel Basil, tendo com ele, duas filhas: Edite e Alexandrina. Maria José viria a separar-se depois e voltaria a morar em Tacaratú, onde se casou novamente, desta vez com Manoel Miguel.

Manuel Ignácio tinha inclinações musicais e dele veio o incentivo que motivou os filhos a tocarem alguns instrumentos. Maria José tocava violão e cantava. Otaviano dedilhava com perfeição, as cordas de um cavaquinho e também tinha uma excelente voz. José tocava rabeca e fazia versos rimados. Antônio tocava pé de cabra, um tipo de sanfona pequena muito utilizada no nordeste, principalmente nas décadas de vinte e trinta.

José ganhou o apelido de Jacaré por gostar de cantar, repetidas vezes, esta velha cantiga:

“Jacaré diz que tem
Uma cama e um sofá
É mentira de Jacaré
Ele quer se casar
Deixa estar Jacaré
A lagoa é de secar
Depois da lagoa seca
Quero ver Jacaré nadar”.


Em Brejo Santo, Jacaré formou um grupo, que dizem , andou aterrorizando as pessoas e teve que fugir junto com o amigo Róseo Moraes, depois de um forte cerco policial, indo encontrar guarida na cidade alagoana de Piranhas, ao lado do coronel José Rodrigues, desafeto de Delmiro Gouveia.

Jacaré casou com Maria Lima, uma moça de Água Branca, Alagoas, que trabalhava na tecelagem da Fábrica da Pedra. Quando da morte de Delmiro Gouveia, Jacaré e Róseo Moraes foram acusados como sendo os matadores deste grande e ilustre Sertanejo. Com a repercussão do crime Jacaré fugiu pra Brejo Santo, ficando sob a proteção do major Zé Inácio. O major quando ficou sabendo do crime, comunicou as autoridades Piranhenses, sobre o paradeiro de Jacaré.

A prisão do acusado não se demorou e enquanto era recambiado do Ceará para Alagoas, na divisa do Ceará com Pernambuco, nas imediações de São José do Belmonte, Jacaré foi friamente assassinado, como queima de arquivos que talvez denunciasse homens importantes da sociedade, como mandante do crime daquele que viria a ser um dos maiores progressistas do Sertão Nordestino.

Antes de ser transferido, Jacaré mandou um bilhete para o pai, que trazia a seguinte quadra:

“Yone é Lionely
O perverso traidor
Eu vingo e vingarei
Seja lá em quem for”.


Uma velha quadrinha ainda é lembrada por pessoas que viveram aquele período:

“Mataram Delmiro Gouveia
Como quem mata um preá
Pegaram o Jacaré
No caminho de Propriá”.


 Sem que se tenha certeza do crime, Jacaré pagou com a vida, a vida de um sertanejo valioso e eternizado por suas obras referenciais e dignas de elogios e considerações. Maria José, depois que se separou do primeiro marido, casou novamente com um rapaz de Tacaratú e veio residir novamente nesta cidade, onde tocava e cantava na igreja.
  
Antônio Ignácio, com 16 anos de idade, voltou pra Tacaratú e ficou morando algum tempo com a irmã Maria José. Na sua cidade natal Antônio envolveu-se em uma confusão (que não conseguimos colher dele qual havia sido o problema) e teve que sair da cidade, retornando para Brejo Santo e de lá, seguindo para Missão Velha, próximo a Juazeiro, Ceará, onde pretendia ser policial.

Quando Antônio chegou a Barbalha, um rapaz falou que ele não poderia ser policial, pois ele era menor de idade. O sonho estava adiado. Antônio seguiu sem rumo certo, chegando a Cajazeira do Rio do Peixe, Paraíba. Nesta cidade ele foi preso por ter sido confundido com o cangaceiro Volta Seca e só foi liberado depois que constataram que ele não fazia parte do cangaço. Saindo de Cajazeira do Rio do Peixe, andando aproximadamente trinta e seis quilômetros, encontrou uma fazenda onde pediu guarida e conseguiu emprego na plantação de um roçado. O dono da fazenda, um senhor chamado André, era negociador de peles, que as revendia em Rio Branco, Pernambuco (hoje Arcoverde).

Na fazenda de André, uma sobrinha do proprietário era encarregada da ordenha do leite dos animais. Essa jovem enamorou-se de Antônio e o convidou para ir um dia tomar leite com ela. Antônio respondeu que só poderia ser no domingo que era seu dia de folga.
Uma agregada de André, chamada Antoninha, notando a aproximação dos dois jovens, chamou Antônio e falou para que ele tivesse cuidado, pois a sobrinha do patrão não era mais virgem e tinha “se perdido” em troca de uma novilha de gado.

Com o intuito de se fazer confusão, Antoninha falou para o patrão André que Antônio andava comentando que a sobrinha dele não era mais virgem. André procurou Antônio para esclarecer os fatos:
- Antônio, Antoninha me disse que você anda dizendo que minha sobrinha não é mais moça?
-Olha André, quem me contou foi sua agregada. Eu sou chegante aqui de pouco tempo e como é que eu ia saber de uma conversa dessa? Eu não saio de sua casa!
-Pois olhe, quando for no finalzinho da tarde e eu for liberar o pessoal do serviço, ela vai estar lá e aí a gente vai esclarecer esta conversa, ela vai ter que provar isto!
Antônio concluiu sua tarefa diária e ao entardecer, como combinado, se dirigiu a casa de André. Quando Antônio chegou à fazenda, o alpendre da residência estava repleto de gente, entre as pessoas encontravam-se os pais da moça, a agregada Antoninha, um funcionário da fazenda chamado Nêzero, o proprietário André e seu irmão Ananias. Quando Antônio foi se aproximando, Antoninha se adiantou e perguntou:
- Hô seu Zé, que história foi essa que você foi contar pra André?
- Aquela que você me contou!
- Mentira sua!
- Dona Antoninha eu não sou homem de mentira. A senhora fala a verdade, não venha jogar a culpa pra mim não, eu tô chegando de pouco tempo e não sei do procedimento da moça não!
- É mentira sua!
Neste momento Antônio perdeu a cabeça e esmurrou a orelha de Antoninha, que caiu de imediato. O marido de Antoninha investiu contra Antônio que sacou uma faca peixeira e a cravou no peito do rapaz. O marido de Antoninha caiu junto a esposa, se estrebuchando e poucos segundos depois morreu. Moreno ainda empunhando a faca ensanguentada advertiu:
- Aqui agora, eu só conheço como amigo, aquele que não se encostar perto de mim! 
André, diante do choro desesperado de Antoninha, desabafou:
- Quem matou seu marido foi você mesmo, com o danado do seu fuxico!
Antônio pediu pra jogarem suas roupas fora que ele queria fugir. Nêzero deu um sinal pra Antônio e foram se encontrar em um ponto logo adiante:
- André vai pagar a você!
- Não, eu só quero minhas tralhas que estão ai!
Nêzero foi buscar as roupas de Antônio e este seguiu sua viagem, levando nas costas o peso de um crime cometido, acontecido diante de uma das maiores pragas que assolou o Sertão Nordestino: “o Fuxico”.

A epopeía Continua

Antônio caminhou durante dias, parando nas roças e fazendas, dormindo muitas vezes ao relento e passando sede e fome, com o sol a tostar-lhe a pele já morena. Peregrinando tortuosos caminhos ele conseguiu chegar a uma das mais belas regiões Nordestina: As verdes serras da pernambucana cidade de Triunfo.
  Antônio pediu trabalho na fazenda do coronel João Cordeiro, em Santa Cruz da Baixa Verde:
- Eu tô precisando trabalhar doutor e queria que o senhor me arrumasse alguma coisa!
- Eu estou sem trabalho agora!
- Eu tô viajando e tô precisando!
- Olha como você está me contando a história que está precisando, eu vou deixar você trabalhar uma semana a 500 réis o dia!
- Eu aceito!  
Depois de cinco dias de trabalho, o coronel pagou o serviço e convidou Antônio pra trabalhar por mais dois meses, pagando 1000 réis o dia.

Antônio trabalhou por quase três meses e recebendo o pagamento seguiu caminho, sem antes agradecer ao coronel João Cordeiro pela oportunidade e pela confiança que ele havia lhe dedicado. O coronel João Cordeiro era pai do doutor José Cordeiro de Lima, médico formado em 1923, pela faculdade de medicina da Bahia. Foi José Cordeiro que em 1924 cuidou do ferimento do pé de Lampião e, no ano seguinte, mesmo não conseguindo salvar a vista do Rei do Cangaço, logo após o combate da Baixa do Juá, onde foi atingido por espinhos, contribuiu com seus conhecimentos, para uma cicatrização descomplicada.

A fazenda Baixa Verde tornou-se um dos pontos de reabastecimento e descanso para Lampião e seu grupo, sempre que o cangaceiro passava naquela localidade, abastecendo os bornais de carne seca, farinha e rapadura, alimentos sempre encontrados na casa do coronel João Cordeiro de Lima e sua esposa dona Maria de Souza Lima, pais do doutor Zé Cordeiro.

O médico Zé Cordeiro exercia além da medicina, os dons da poesia repentista e do dedilhar da viola, tendo sido amigo do famoso Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Antônio tomou rumo sem destino, indo parar em Alagoa de Baixo (hoje Sertânia). Nesta nova trilha, um dos agregados do coronel João Cordeiro, um jovem chamado também de João, resolveu acompanhar Antônio.

Nesta cidade eles trabalharam abrindo estradas, em uma árdua tarefa de transportar pedra e areia em um carrinho de mão. Depois de dias cansativos, chegou uma migração, contratando pessoal pra trabalhar nas proximidades da capital pernambucana, em um lugar chamado São Paulo. Os trabalhadores deixaram o serviço que estavam realizando, pegaram suas contas e embarcaram no trem. Antônio que até então estava indeciso quanto ao seu destino, demorou um pouco pensando qual decisão tomar e quando constatou que poucos amigos ficariam naquele trabalho, resolveu também embarcar seguindo a migração. Para descontentamento dos dois amigos Antônio e João, eles ficaram sem o salário por a empresa não ter mais dinheiro em caixa, devido o grande número de gente que trocou de trabalho.

Antônio ficou perambulando na estação, se despedindo e vendo os amigos lotarem os vagões do trem. João deu um jeito e entrou em um dos vagões, sem ser percebido. Quando a Maria Fumaça avisou da partida com um longo e estridente apito e sua caldeira quente moveu as engrenagens que acionaram as rodas de ferro, Antônio olhando os amigos que acenavam, não se conteve e pulou, pendurando-se em um dos vagões, deixando pra trás o trabalho e o dinheiro a que tinha direito.

Em Pesqueira, com uma parada pra reabastecer o trem com água e lenha, um funcionário da estrada de ferro repreendeu Antônio:
- Moço, você não pode viajar desse jeito não!
 Antônio respondeu:
- Eu preciso ir de todo jeito!
O funcionário chamou um guarda e Antônio foi obrigado a descer. O trem foi reabastecido e tocou outra vez, seu silvo de partida e assim que começou a andar, Antônio jogou-se de novo, segurando-se às ferragens de um vagão.

Depois de um longo caminho, o trem chegou a Bezerros e o funcionário novamente repreendeu Antônio:
- Moço, você não pode ir dessa maneira!
- Eu vou de todo jeito! Respondeu o enfurecido rapaz.
O funcionário não vendo outra solução, embarcou o jovem em um dos apertados vagões e o trem seguiu, parando em Vitória de Santo Antão, onde os peões desembarcaram e foram acomodados em caminhões que os transportaram até as proximidades de Sirinhaém e Camela, em um arraial chamado São Paulo. Neste local tinha tanto bicho de pé, devido a uma grande criação existente de porcos, que alguns funcionários que contraíram os germes, quase ficaram aleijados. O remédio para acabar com os bichos foi despejarem, espalhando, uma enorme quantidade de garapa azeda de cana de engenho.

Antônio ficou por alguns meses trabalhando nesta localidade, ganhando 3000 réis por dia. Começou trabalhando na escavação de terra e no transporte de carrinho de mão, exercendo depois as funções de Cavoqueiro e Marteleteiro a 5.000 réis o dia.

Com o árduo e fatigante trabalho, pelas condições precárias da obra, vários funcionários adoeceram e Antônio foi um deles, contraindo uma forte cesão. A doença abalou profundamente os ânimos de Antônio e por durante seis meses ele ficou sendo auxiliado por amigos e por algumas prostitutas que faziam ponto nas proximidades da obra e acabaram se tornando amigas de Antônio.

Totalmente restabelecido, Antônio partiu pra outra empreitada, indo prestar seus serviços nas usinas de beneficiamento de açúcar.

Em Santo Amaro de Sirinhaém, Antônio trabalhou nas usinas Estreliana e Jaguaré, exercendo a função de Turbineiro e Ensacador.

Novo caminho trilhado e o jovem chegou à divisa de Pernambuco e Alagoas onde foi trabalhar nas usinas Serra Grande e Catende, na função de empilhador de sacos. Demorou-se pouco nesta última fazenda por ter trocado tapas com um rapaz de cor negra que o havia perturbado, durante um amontoamento de sacos. Antônio seguiu pra trabalhar na usina O Barquinha, de propriedade do coronel Antônio Fontes, na fazenda Santo Amaro.

Em Santo Amaro, em dia festivo, Antônio foi divertir-se um pouco e enquanto dançava com uma moça, aproximou-se um sargento com dois soldados e lhe fizeram as seguintes recomendações:
- Hei, você já foi soldado?
- Não!
- Então dance direito com essa moça!
Antônio continuou dançante até que um dos soldados se aproximou e perguntou:
- Cadê o punhal?
- Eu não tenho punhal!
- Você tá falando muito aborrecido! Venha aqui fora comigo!
Antônio seguiu os soldados. Lá fora, os soldados mandaram Antônio dar um passo pra trás e assim que ele atendeu, os policiais começaram a açoitá-lo com varas de pau bica. Antônio começou se defendendo com os braços e depois correu até um cercado que estava próximo e arrancou uma madeira, confrontando os soldados que recuaram.

Dias depois o comandante intimou Antônio para comparecer na delegacia e lá, depois de longos minutos de conversa, selaram nova amizade. O policial mandou por Antônio, uma carta para apresentar na polícia. Antônio ainda pediu outra carta de recomendação ao coronel Antônio Fontes. No quartel, Antônio passou dez dias limpando armas e fazendo faxina, até o dia que chegou um comandante que recrutava jovens para a fileira dos combatentes do estado.

O comandante leu as cartas de Antônio, pediu os documentos e Antônio falou que não tinha documentos. Duas filas foram feitas e Antônio ficou na fila dos dispensados. O sonho de ser policial estava acabado. Sem outra alternativa, o jovem seguiu caminho indo trabalhar nas fazendas Chã Preta e Tangue Dágua, seguindo depois pra cidade de Palmeira dos Índios e logo após chegando em Santana do Ipanema, onde ficou algum tempo exercendo a profissão de barbeiro.

Antônio trabalhava em uma barbearia e diante da pouca presença de fregueses combinou com o dono para ficar trabalhando apenas nos sábados, domingos e feriados, passando os restos dos dias trabalhando na lavoura.

Feito o acordo, Antônio foi arranjar trabalho na fazenda Pedra D’água, de propriedade do senhor Jovino, pai da futura cangaceira Maria, de Pancada. Antônio plantava e cuidava das criações de Jovino, ficando depois, também encarregado de cuidar da casa e dos animais de Antonim, um senhor que possuía uma fazenda junto a de Jovino.
 
Antônio e o destino como "Moreno"

Antônio dividia seus dias lutando nas plantações, colheitas, pastoreio e na barbearia. Dia após dia a labuta diária consumia suas horas, o sol minguava suas forças, a sua juventude perdia-se na falta de opção, as esperanças afogavam-se nas enxadadas das areias quase sempre secas da caatinga. Como tantos sertanejos fortes que embalados na confiança de uma vida mais digna, envelheceram dedicando seus préstimos a uma convivência pacifica e honrada, vivida nos mais absoluto abandono das oligárquicas civilizações progressistas.

Naqueles socavões, Antônio travaria contato pela primeira vez com homens de vestes estranhas a seu mundo simples. Enquanto abria fendas para depositar as sementes germinantes, Antônio se surpreendeu com a chegada de alguns cangaceiros. Era Virgínio, Luiz Pedro, Maçarico, Fortaleza e Salviano (Medalha), primo de Durvalina. Os cangaceiros conversaram por alguns minutos e depois entregaram uma carta destinada ao senhor Antonim, pedindo dinheiro e dizendo a data que voltariam para pegarem a encomenda. Antônio não conseguiu esquecer aqueles homens diferentes. Ele guardou a correspondência e na primeira oportunidade que teve a apresentou ao velho Antonim, que a leu e deixou 200 mil réis para ser entregue aos cangaceiros.
  
Dois meses se passaram até que Antônio tivesse novamente a visita dos Bandoleiros das Caatingas. O jovem Antônio entregou a quantia deixada por Antonim e sendo convidado por Virgínio e Luiz Pedro para tomar um café onde eles estavam arranchados, não se fez de rogado e aceitou o convite, de imediato. No coito, Antônio permaneceu por três dias, totalmente conquistado pelo estilo de vida do cangaço.

A prova de fogo

No terceiro dia, alguns cangaceiros chegaram ao coito, trazendo amarrado um coiteiro que os havia denunciado a polícia. O homem foi entregue para Antônio matar. Virgínio deu uma “mauser” para Antônio realizar o crime e ele seguiu a risca a empreitada, disparando a arma no peito do sentenciado, que caiu inerte no meio do acampamento, sendo vítima de uma lei imposta em nome do silêncio. O matador foi rebatizado depois do crime, quando Luiz Pedro deu-lhe o apelido que serviu de senha para a entrada no bando, saindo de cena o sertanejo Antônio Ignácio e surgindo o cangaceiro “Moreno”.
  
Moreno adotou a partir daí, um diferenciado estilo de vida. Nesta mesma hora lhe entregaram um rifle com munições e poucos minutos depois, Moreno teria mais uma prova de fogo, quando encontraram alguns policiais e trocaram tiros, colocando os soldados em desordenada fuga. O rifle de Moreno apresentou problema e ele não conseguiu disparar nenhum tiro. Depois do combate Moreno queixou-se a Luiz Pedro do acontecido e de imediato, o velho cangaceiro, trocou o rifle por um mosquetão, arma que Moreno só se apartou em 1940 quando abandonou o cangaço.


PARA SABER MAIS: Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço. João de Sousa Lima
adquira através do Telefone: (75)-8807-4138 ou mensagem de email joaoarquivo44@bol.com.br

4 comentários:

CARIRI CANGAÇO disse...

Maravilhosa e oportuna homenagem a Moreno e sua família. Parabens aos amigos João de Sousa Lima e ao grande Kiko.

Manoel Severo
Cariri Cangaço

Julio Cesar disse...

João Lima, meu amigo, voce diz que Manuel Ignacio teve 10 filhos, sendo 4 homens e citou todos eles.
Onde está Moreno?


Abraços

João de Sousa Lima disse...

caríssimo Júlio César,
continua sendo 10 filhos, só acrescentando 05 homens e 05 mulheres, o nome que faltou na relação é o nome do homenageado.

José Mendes Pereira disse...

João de Sousa Lima tem motivos para homenagear o cangaceiro Moreno. Foi um dos pesquisadores que mais teve contato com ele. Fez suas entrevistas ao casal mais querido no meio dos grandes escritores e pesquisadores do cangaço. Parabéns João de Sousa Lima! Você já fazia parte desta família sofrida e marcada por muitos que ainda a consideravam como um desastre na sociedade.

José Mendes Pereira - Mossoró-Rn.