domingo, 13 de junho de 2010

AOS SÓCIOS DA SBEC:

1º Discurso da nova presidencia


CARTA PROGRAMA


A SBEC completa nesse 13 de Junho, dezessete anos de atuação junto a sociedade. Ao longo desses anos vem consolidando sua atuação enquanto entidade de estudos do cangaço e também no apoio e assessoramento a eventos promovidos pelos mais diversos órgãos governamentais ou privados em todo o Brasil com a referida temática.
 
Somos uma entidade jovem e como tal dispomos de muita energia e expectativa em relação ao futuro. Futuro que vem sendo construído com muita luta e abnegação dos sócios e com gestões que demonstraram comprometimento com a Sociedade e seu desenvolvimento. 
 
Muito já foi feito, desde a primeira diretoria que teve à frente o Dr. Paulo Medeiros Gastão, idealizador e grande incentivador das ações da SBEC. Enfrentando todos os tipos de dificuldades, principalmente de ordem estrutural, conseguiu expandir suas ações para além de Mossoró, obtendo reconhecimento e ampliando seu quadro de sócios para outros Estados da União e até do exterior. Em sua gestão foi criado o FÓRUM DO CANGAÇO, como oportunidade de o conhecimento historiográfico ganhar novo fôlego, acolher novos desafios, analisar os novos limites e os diálogos interdisciplinares, fazer-se mais atual e atuante na sociedade e aproximar o tema da realidade vivida entre os docentes do ensino fundamental e médio, com o fim de melhorar e democratizar as discussões, bem como o acesso e a construção da história. 
 
Não poderíamos deixar de mencionar a gestão do Escritor Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira, que assumindo a SBEC ciente dos problemas estruturais ainda existentes e do desafio de dar continuidade a luta pela afirmação da Sociedade ampliou seu quadro de sócios, conseguiu junto a Câmara de Vereadores de Mossoró e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte a lei que reconheceu a SBEC como entidade de utilidade pública. Em sua gestão foi consolidado o FÓRUM DO CANGAÇO e realizou o I CONGRESSO NACIONAL DO CANGAÇO em Brasília/DF no ano de 2007. 
 
A atual gestão, tendo à frente o Escritor Ângelo Osmiro Barreto tem demonstrado o processo de amadurecimento da nossa Sociedade. Ainda que se mantenham os problemas de ordem estruturais, fortaleceu os laços entre a entidade e os sócios, incentivou e deu apoio a novos eventos sobre a temática como o Seminário Cariri Cangaço no Ceará e o Seminário Internacional Centenário de Maria Bonita na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. 
 
Outro destaque na atual gestão é a aproximação com Instituições de Ensino Superior-IES, que tem trazido bons resultados para a SBEC, pois amplia a nossa capacidade de ação e possibilidade de novas pesquisas, fortalecendo o diálogo da história com outros campos do conhecimento. 
Assim como as anteriores, a nossa gestão terá pela frente o compromisso de manter a seriedade e dedicação das nossas antecessoras. Alguns problemas enfrentados desde a primeira gestão continuam presentes, mesmo consciente das incansáveis tentativas por parte das diretorias anteriores em resolvê-los. 
 
Destacamos dentre eles a necessidade de solucionar a parte estrutural da Sociedade. Mesmo estando vivendo num momento histórico onde a internet transforma as relações e contatos pessoais em relações virtuais, não conseguimos conceber uma entidade sem um mínimo de ESTRUTURA FÍSICA, a saber: espaço para arquivo, reuniões da diretoria, acervo bibliográfico, dentre outras necessidades. 
 
Além do espaço físico, existe a necessidade urgente de uma REFORMULAÇÃO NO ESTATUTO da SBEC. Para isso nomearemos uma Comissão Estatuinte com a missão de reelaborar o estatuto e apresentá-lo para discussão e votação dos sócios na Assembleia Geral em data a ser marcada pela diretoria.
 
Algumas medidas deverão ser tomadas de forma urgente para que os trabalhos que propomos realizar à frente da entidade não sejam comprometidos e que não fiquemos a mercê de doações voluntárias dos sócios, empresas e instituições públicas. Para viabilizar as ações e administração da Sociedade, logo que assumirmos faremos o Censo da SBEC através do RECADASTRAMENTO DOS SÓCIOS DA SBEC-RSS. O formulário estará disponível no site oficial da SBEC a partir do dia 20 de Junho de 2010 e permanecerá até o dia 30 de Outubro do corrente ano.
 
O resultado do RSS nos dará condições de mapear as áreas de abrangências da Sociedade, o número de sócios existentes, atualização de dados pessoais, dentre outras informações que nos possibilitarão fortalecer os contatos com os colegas em todo o país e no exterior.
 
Ao longo dos dezessete anos de existência a SBEC tem se mantido com doações de sócios e simpatizantes da temática do Cangaço. Membros das diretorias anteriores nunca se furtaram em utilizar recursos pessoais para manutenção de despesas da entidade, dentre elas: contabilidade, edição de revistas ou informativos, documentação fiscal, panfletos de divulgação, dentre outras despesas menos ou mais significativas. Não podemos concordar com tal atitude, mesmo que o ato voluntário de doar algum recurso próprio para a SBEC seja louvável e merecedor de aplauso. Nossa Sociedade deve ter AUTONOMIA FINANCEIRA, para isso apresentamos como proposta o PAGAMENTO DE ANUIDADE pelos sócios que deverá ser apreciada na Assembléia Geral que ocorrerá no dia 10/06/2010 na ocasião do XII FÓRUM DO CANGAÇO em Mossoró. O valor, a forma e o início do pagamento deverão ser decididos na referida assembleia.
 
A SBEC deixou de publicar sua Revista POLÍGONO, os informativos e a Coleção SBEC. Foram edições que marcaram fortemente o nome da SBEC no mercado editorial. Precisamos RETOMAR tais EDIÇÕES ainda este ano. Os recursos provenientes dos sócios não serão aplicados apenas nas despesas administrativas, mais também nas publicações e eventos. Além dos nossos próprios recursos, buscaremos apoio em órgãos públicos e privados para viabilizar tais ações. Para concretizarmos a retomada das publicações será necessário a criação de um CONSELHO EDITORIAL, que ficará responsável pela editoração da Revista POLÍGONO e da Coleção SBEC.
 
O único evento realizado atualmente pela SBEC é o FÓRUM DO CANGAÇO, que com trabalho e dedicação dos sócios estamos chegando em sua 12ª edição, lembremos que deveria ser o 13º, haja vista não ter sido realizado a edição de 2009. Sabemos o quanto é difícil realizar eventos desse porte, a começar pelos obstáculos que nos deparamos quando buscamos apoio junto aos órgãos públicos e privados. Mesmo assim acreditamos que atividades dessa natureza só tem a contribuir para ampliar a discussão em torno da temática do cangaço, aproximar a SBEC da sociedade e garantir espaço junto às instituições de ensino e pesquisa.
 
Queremos e podemos fazer mais em relação a atividades desse porte. Antes mesmo de lançarmos nosso nome como candidato a presidência da Sociedade, tomamos a liberdade de realizar alguns estudos junto a universidades, entidades classistas, empresas privadas, conselhos de turismo, prefeituras e membros de governos de alguns Estados na perspectiva de criarmos alguns projetos que viessem a viabilizar algumas propostas de eventos nos moldes do FÓRUM DO CANGAÇO. Assim chegamos a conclusão da viabilidade da SBEC ir além do FÓRUM DO CANGAÇO, ou de apenas apoiar outros eventos como o Seminário Cariri Cangaço no Ceará e Seminário Centenário de Maria Bonita em Paulo Afonso na Bahia. 
 
Dessa forma já estamos em negociação para realização do II CONGRESSO NACIONAL DO CANGAÇO e do I ENCONTRO NORDESTE DO CANGAÇO. Os eventos ocorrerão entre a segunda quinzena de outubro e a primeira de novembro de cada ano. Sendo que o CONGRESSO ocorrerá nos anos ímpares e o ENCONTRO nos anos pares. A proposta de ser no segundo semestre se justifica pelo fato de não vir a concorrer com os eventos já programados para o primeiro semestre. Na ocasião da Assembleia Geral da SBEC em 10/06/2010 os locais e as datas dos eventos deverão ser anunciados.
 
Assim a SBEC terá sob sua batuta a partir de 2010, o FÓRUM, o ENCONTRO e o CONGRESSO, três eventos em nível municipal, regional e nacional, ampliando cada vez mais nossa atuação e fortalecendo nossa relação com os sócios de todo o país. 
 
O desafio será grande, mas temos plena convicção que atingiremos nossos objetivos. O compromisso assumido pelos que aceitaram compor a nossa diretoria nos dá força e coragem para tocar para frente esse projeto audacioso, ousado e, principalmente VIÁVEL. 
Nada que estamos propondo é impossível ou utópico. 
Será difícil. Sabemos disso. 
 
Seremos alvos de críticas. Estamos preparados para recebê-las.
Teremos barreiras pela frente. Iremos transpô-las.
Iremos cometer erros. Quem não comete ou nunca cometeu?
Pedimos apenas o SEU APOIO para trabalharmos pela SBEC.

Mossoró, RN 08/06/2010



Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente


Novo livro na praça

O bando de Pericás 

Título: Os cangaceiros
Subtítulo: Ensaio de interpretação histórica
Autor(a): Luiz Bernardo Pericás
Orelha: Lincoln Secco
Quartacapa: João José Reis
Páginas: 301
Ano de publicação: 2010
ISBN: 978-85-7559-161-1
Preço: R$ 54,00


O fenômeno do cangaço “independente”, que começou na segunda metade do século XIX e durou até cerca de 1940, tendo sido extensamente estudado por diversos autores. No entanto, boa parte destas obras é de caráter basicamente narrativo e por vezes, escrita em linguagem quase literária.

O historiador Luiz Bernardo Pericás foi além da constatação desta lacuna bibliográfica. O resultado desse trabalho é agora publicado pela Boitempo no livro Os cangaceiros – ensaio de interpretação histórica , no qual analisa as bases históricas e a atuação dos grupos do cangaço, como aqueles chefiados por Antonio Silvino, Sinhô Pereira, Corisco e Lampião.

Para o historiador João José Reis, "há tempos precisávamos de um livro que fizesse um balanço exaustivo do que se escreveu sobre este fascinante fenômeno social e cultural do Brasil no século passado. Luiz Bernardo Pericás revira uma vasta bibliografia sobre o cangaço para estabelecer uma certa ordem, e um método, na discussão e compreensão do mundo de Lampião e outros cangaceiros... O livro eleva a análise do cangaço a um patamar superior e serve como inspiração para se pensar outros tipos de banditismo, inclusive nos dias que correm".

O tema – já retratado de forma literária por autores como Graciliano Ramos e José Lins do Rego – é desenvolvido à luz de uma abordagem multidimensional, que toma a estrutura agrária sertaneja “como um forte elo entre a base econômica mais ampla e a superestrutura”, mas não se atém somente a uma interpretação economicista, investigando outros níveis para traçar um quadro complexo do banditismo rural nordestino.

Como aponta na orelha o também historiador Lincoln Secco, na história do Nordeste brasileiro “o cangaço apareceu como a forma pela qual se moviam as contradições típicas de uma sociedade formada por populações errantes, pobres e vitimadas pelo mandonismo local e marcada pela instabilidade”. Segundo Secco, “as vivas descrições geográficas revelam que o autor realmente percorreu o sertão nordestino”, relatando “os casos de violência, torturas, as relações amorosas, o cotidiano, o papel das mulheres e das crianças, a questão racial, os hábitos alimentares, as relações políticas, o coronelismo, as formas de combate, os armamentos e até as malogradas tentativas dos comunistas em dar uma direção programática para aquela forma de banditismo”.

Trecho da obra 

Para se entender toda a complexidade da dinâmica social do Sertão e do Agreste nordestinos, o surgimento e o fim do cangaço “independente” e as implicações que ele exerceu sobre as populações locais é necessário abordar os diferentes fatores de aparentes “imobilidades” e sobrevivências de resquícios culturais, como também as rupturas e modificações conjunturais e estruturais na região. A compreensão dos distintos traços característicos do modus vivendi local, do misticismo, do fanatismo, das superstições, da religiosidade, do “coronelismo”, das disputas familiares, da estrutura política e administrativa sertaneja e agrestina, e a presença de jagunços e coiteiros dentro da chamada “Civilização do Couro” são fundamentais, assim como um levantamento e uma análise do surgimento e da expansão das ferrovias, estradas de rodagem, movimento operário nas capitais em contraposição a um suposto isolamento (ou pelo menos, um maior distanciamento) das populações das áreas mais afastadas, a superestrutura jurídica estadual e federal, a entrada de capitais e investimentos nos diferentes estados nordestinos, as políticas dos governos federal e estaduais em relação ao banditismo rural, o mercado de trabalho, os ciclos de secas, o ambiente físico, as migrações populacionais, a industrialização do país, a economia nacional, as mudanças e modernização do Estado brasileiro, entre outros fatores. Ou seja, uma combinação de todos esses elementos. Explicações simplistas, exclusivistas, não conseguem compreender satisfatoriamente o fenômeno, que deve ser discutido a partir de uma realidade multidimensional.

Sobre o autor 

Luiz Bernardo Pericás é formado em História pela George Washington University, doutor em História Econômica pela USP e pós-doutor em Ciência Política pela FLACSO (México). Foi Visiting Scholar na Universidade do Texas. É também autor de Che Guevara: a luta revolucionária na Bolívia (Xamã, 1997), Um andarilho das Américas (Elevação, 2000), Che Guevara and the Economic Debate in Cuba (Atropos, 2009) e Mystery Train (Brasiliense, 2007).

Maiores Informações: 
Ivam Oliveira - (11) 3875 7285
vendas@boitempoeditorial.com.br
www.boitempoeditorial.com.br


A sugestão foi de Manoel Severo em seu blog Cariri Cangaço, 
Outros detalhes no Açude:Boitempo

SBEC tem novo Presidente

O Coroné passou a faixa para o professor 

Após uma Assembleia Extraordinária marcante, a SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, elegeu sua nova diretoria para o biênio 2010-2011. O encontro aconteceu no auditório da FAFIC-UERN em Mossoró, na tarde do último dia 10 de Junho.

Com a presença regimental de sócios, a Assembleia foi aberta pelo presidente Ângelo Osmiro, tendo como secretário da Mesa o sócio Assis Nascimento. Em seguida à abertura dos trabalhos, foi feito pelo presidente que saia; Ângelo Osmiro, uma prestação de contas de sua gestão à frente da entidade, desde o ano de 2009, quando enquanto vice eleito na chapa do sócio Paulo Gastão, assumiu a presidência pelo afastamento do titular.

Lemuel Rodrigues e Ângelo Osmiro

Em seguida também foi procedida uma apresentação de contas pelo ex-presidente Kydelmir Dantas, gestão 2007-2009. Dando prosseguimento, o senhor secretário leu a pauta da Assembleia, quando foi anuciado o pleito para a escolha da nova diretoria. Foi constatada a presença de apenas uma chapa inscrita, ato contínuo a mesma foi eleita por unanimidade, composta como segue:


Presidente: Lemuel Rodrigues Silva
Vice-Presidente: Múcio Procópio Amaral
Secretário: Francisco de Assis Nascimento
2º Secretário: Maria da Natividade Praxedes
Tesoureiro: Francisco Chagas Nascimento
2º Secretário: Antônio Vilela de Sousa

Dentre muitas propostas foram votadas a aprovadas as seguintes resoluções:

A) Formação de uma Comissão Especial escolhida pela Diretoria para proceder a Reformulação dos Estatutos da Entidade; foi indicado como Relator da Comissão, o sócio Honório de Medeiros;
B) Realização por parte da nova diretoria de Recadastramento de Sócios da SBEC;
C) Aprovada a fixação de Semestralidade no valor de R$ 60,00 (sessenta reais) a serem realizadas pelos sócios a partir do mês de Dezembro de 2010, e sempre nos meses de Julho e Dezembro, subsequentes, conferindo ao sócio o status de "Ativo".
D) Realização do II Congresso Nacional do Cangaço a se realizar no segundo semestre de 2011 na cidade de Cajazeiras, na Paraíba;
E) Realização do I Encontro Nordestino do Cangaço, inicialmente programado para o segundo semestre de 2012, com sede na cidade de Serrinha do Catimbau ou Mossoró.
F) A criação de um Conselho Editorial.
Na oportunidade também foi eleito o novo Conselho Consultivo da SBEC, formado pelos sócios:

Manoel Severo Gurgel Barbosa
Paulo Moura
Antônio Tomaz Cisne
Kidelmyr Dantas
Manoel do Nascimento

Ao final da Assembleia fizeram uso da palavra os ex-Presidentes, Ângelo Osmiro, Paulo Gastão, o Presidente eleito, Lemuel Rodrigues e seu Vice, Múcio Procópio do Amaral. Ficou definida a data de 30 de Setembro para a realização de uma nova Assembleia Extraordinária para analisar as mudanças estatutárias.

Novos Sócios da SBEC recebem Título no XII Fórum do Cangaço.
 Presidente Ângelo Osmiro, em últimas ações de sua gestão.

Além da Assembleia Extraordinária da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, acontecida na tarde deste último dia 10, quando tivemos a eleição e posse da nova diretoria da entidade, além de outras deliberações; a SBEC através de seu Presidente Ângelo Osmiro Barreto, passou aos mãos de três companheiros pesquisadores, o título de sócio da entidade aos professores; Emanuel Braz, Ana Lúcia Granja e Marcílio Falcão.

Professor Emanuel Braz

 Professor Marcílio Falcão

 
 Profressora Ana Lúcia Granja

Ângelo Osmiro ressalta a satisfação da SBEC ao empossar três novos companheiros do quilate dos professores Emanuel Braz e Marcílio Falcão e também da pesquisadora Ana Lúcia, "a entidade se renova a partir de seus quadros e com certeza se agiganta a cada dia com eventos como o XII Fórum do Cangaço, que os novos sócios; que já faziam muito pela SBEC, possam se unir à nova diretoria e assim fortalecer ainda mais o estudo e pesquisa das temáticas ligadas ao nosso nordeste". 

Pesquei no açude do Coroné Severo: Cariri Cangaço

Leilão Virtual

Quem quer comprar um chapéu de cangaceiro? 

Olá, meus queridos amigos...

Aqui vem esse matuto baiano para lhes propor algo interessante...

Tenho uma réplica perfeita de um chapéu de cangaceiro, feita por um neto de um parente de Maria Bonita, que era quem criava as peças de couro de Lampião, da Malhada da Caiçara, de acordo com o nosso amigo o pesquisador e escritor João de Sousa Lima. O chapéu foi encomendado por mim, junto com uns artigos de couro que João também encomendou, para o documentário sobre o cangaceiro GATO e, precisando de uma graninha, decidi colocá-lo a venda.


 Frente


 Lateral e parte superior


 Traseira

O chapéu é feito pelo modelo da revista "Aventuras na História", com a matéria sobre o rei do cangaço, que acho que é imitação do de Juriti. A diferença é que o meu, ao invés de ter rodas douradas simples na testeira, tem raras moedas de contos de réis.
 


A sugestão é um LEILÃO, entre os pesquisadores e interessados e começará com o valor de R$ 100...
 
Espero avaliar o melhor lance, e entregá-lo antes ou ás vésperas do Cariri Cangaço.
Envio pelos correios ou entrego em mãos caso o comprador esteja participando do evento.
   
Para os interessados, os lances deverão ser dados, através de comentários com nome e e-mail no meu blog, "conversas do sertão",  http://conversasdosertao.blogspot.com na página da propaganda do LEILÃO do Chapéu.
 
Um abraço.

 Saudações Virtuais
 
Rubervânio Rubinho Lima
Paulo Afonso/BA

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Simbologia

A Estrela Oculta do Sertão 

Por José Romero Araújo Cardoso (*)

Importante e valioso documentário, por título "A Estrela Oculta do Sertão", foi produzido na região nordeste, cujo destaque encontra-se no enfoque às tradições judaicas presentes nas práticas culturais do povo nordestino.

Protagonizado por médico paraibano de nome Luciano Oliveira, que por acaso perguntou a uma parenta sobre seus antepassados, obtendo como resposta às indagações provas suficientes, do vínculo com a antiga sefarade, que mudaram sua vida, "A Estrela Oculta do Sertão" afirma a veracidade de muitas histórias familiares espalhadas pelas quebradas do sertão nordestino.

Luciano Oliveira e sua equipe palmilharam diversos estados da região, intuindo comprovar a tese de que a genealogia de muitas famílias nordestinas está indissociavelmente atrelada ao sangue judeu.

Buscando subsídios em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, o protagonista desvenda antiquíssimas práticas culturais presentes no cotidiano do povo nordestino, como o costume de não varrer a casa passando lixo pela porta da frente, pois em um passado distante esta, na porta dos antepassados, continha um dos mais sagrados símbolos do judaísmo - A Mezuzá - pequena tabuleta de madeira impecavelmente trabalhada, contendo na parte de fora a letra SHADAI, primeira do Nome do Eterno Todo Poderoso, em hebraico, sendo que dentro contém os salmos, também na língua principal falada pelos judeus. Com a aculturação e a cristianização, quando da ênfase à efetivação dos cristãos-novos, a Mezuzá foi substituída pela cruz, indispensável em portas espalhadas por toda região.

Costumes presentes no dia-a-dia dos nordestinos, como o hábito de colocar pedras em cruzeiros no meio das estradas, também são esmiuçados no documentário, pois esta é uma das mais importantes manifestações de condolência judaica.

Nathan Wachtel, eminente professor do Collège de France, publicou importante livro, ainda em francês, sobre as tradições nordestinas, provando que as mesmas são eminentemente judaicas. O livro do professor Wachtell intitula-se La Foi Du Souvenir (A fé da lembrança)

Municípios localizados nos ermos distantes do sertão, como o pequeno Venha-Ver (corruptela de "Vir Chaver", em hebraico, ou seja, "Venha Amigo", a inquisição não lhe pega por aqui), localizado no alto oeste potiguar, foram visitados por Luciano Oliveira e equipe, cujo destaque encontra-se justamente na comprovação de que os moradores do lugarejo norte-riograndense descendem dos fugitivos da perseguição inquisitorial que se instalou em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte após a expulsão dos holandeses.

No estado da Paraíba, há ênfase à visita de Luciano Oliveira e equipe à cidade de Pedra Lavrada. O protagonista é da família Cordeiro desse município, cujas ramificações se espraiam pelo estado do Rio Grande do Norte, chegando ainda a influenciar na denominação toponímica de localidade chamada São José dos Cordeiros.

Sobrenomes comuns às famílias nordestinas são de origem judia, pois quando da grande conversão forçada, no final do século XV, houve pacto entre os judeus para adotarem nomes de plantas, árvores, animais, lugar de origem,etc., objetivando se reconhecerem no futuro.

Oliveira, Cardoso, Fernandes Pimenta, Gurgel, Carneiro, Alencar, Mangueira, Nogueira, Carvalho, Pereira, etc., são exemplos de sobrenomes com vínculos judaicos, presentes, na região nordeste e outras regiões, bem como países, em listas telefônicas, nomes de ruas, chamadas de salas de aulas e muitos outros

O documentário "A Estrela Oculta do Sertão" peca em não falar sobre a fase áurea desfrutada pelos judeus quando da dominação holandesa (1630-1654), pois a resposta para a presença dos descendentes desse povo na região nordeste encontra-se justamente na tolerância que os mandatários da Companhia das Índias Ocidentais manifestaram quando da conquista do nordeste brasileiro, pois necessitavam de capital para levar avante a experiência concentrada na exponencial relação com o açúcar nordestino,na época impossibilitado de ser comercializado na Europa pelos holandeses devido rixa com os espanhóis.

A expulsão holandesa do nordeste brasileiro fez com que verdadeira "caça às bruxas" fosse instalada, com a requisição lusitana da presença da Santa Inquisição. A importância da presença judia no nordeste era tão proeminente que a primeira Sinagoga das Américas foi construída no Recife.

Com a celeuma causada devido à saída batava, o rabino da sinagoga pernambucana, de nome Isaac Aboab da Fonseca, conseguiu comprar, através de quotas com os membros da comunidade, um navio no qual rumaram para o norte, tendo chegado à costa nordeste dos atuais EUA, onde ajudam a fundar um núcleo populacional que levaria o nome de Nova Amsterdão, hoje cidade de Nova York. O rabino da sinagoga Novayorkina chama-se Abraão Cardoso, descendente dos judeus pernambucanos que migraram, fugindo das perseguições inquisitoriais.

Grandes personalidades que fazem parte do seleto rol dos estudos judaicos no Brasil e no mundo foram entrevistadas quando da produção de "A Estrela Oculta do Sertão", a exemplo de Nathan Wachtell, Anita Novinsky, Paulo Valadares, João Medeiros Filho e família, Marcos Filgueira, Odmar Pinheiro Braga, etc.

A Estrela a qual se refere o título do documentário, obviamente, é o hexagrama dos judeus, a Estrela de David, com seis pontas, símbolo contido na bandeira do Estado de Israel, o mesmo que se encontra disfarçada em uma rosa no frontispício do velho casarão construído no amo de 1870, em Pombal (PB), na atual rua Coronel João Leite, propriedade, em um passado não muito distante, dos criptojudeus pombalenses Aarão Ignácio Cardoso D´Arão e sua sobrinha e esposa Facunda Cardoso de Alencar.

O documentário chama a atenção para uma questão delicada que é a situação dos "anussins", os "marranos", convertidos que buscam o regresso, ou seja, os descendentes desses fugitivos que escaparam da região litorânea e buscaram abrigo nos mais longínquos recônditos espalhados nas quebradas do sertão nordestino.


Para quem se interessa pelas questões pertinentes ao nordeste brasileiro, "A Estrela Oculta do Sertão" surgiu como um dos mais importantes documentários sobre a região nordeste, devido elucidar e responder antigas indagações sobre as origens e as práticas culturais da população que aqui habita.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: romero.cardoso@gmail.com.


Nota Lampião Aceso: Este documentário está disponível no Youtube, dividido em 10 partes. Não conseguimos postar todas aqui no blog pois algumas destas tiveram seus códigos de incorporação bloqueados.
  

Da certidão de óbito ao nascimento do mito:

Corisco e o cangaço na cena cultural e cinematográfica do Brasil

Por Cláudio C. Novaes

 
Dadá, Corisco e Abrahão

Analisamos o atestado de óbito de Cristino Gomes da Silva (Corisco) como um lugar de produção de imagens culturais que tensionam o discurso oficial sobre a performance do mito popular do cangaceiro no imaginário social e do cinema, fazendo um contrapondo entre filmes do cinema novo como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), de Glauber Rocha ; e Corisco e Dadá (1994), de Rosemberg Cariry, com o retorno do mito de Corisco na ficção cinematográfica do Brasil.

Este texto nasceu do encontro com a Certidão de Óbito de Cristino Gomes da Silva, durante pesquisa sobre a representação do Nordeste na Literatura e no Cinema, ao percorrermos as trilhas do Cangaço e do Messianismo brasileiros nas páginas, nas telas e nos documento oficiais. A linguagem do documento nos deu as pistas para lermos o discurso legal sobre a morte do último personagem da epopéia trágica do cangaço no Brasil, mas deu também pistas para lermos as “rasuras” no discurso nacionalista moderno sobre o mito da violência agrária do país. Apoiaremos a nossa análise da ficção cinematográfica brasileira de cangaço na tensão entre o discurso do perito na Certidão de Óbito de Cristino Gomes e as lendas locais, os discursos históricos e antropológicos sobre o mesmo tema do cangaço.

Assim, problematizamos a ética e a estética da mitificação do cangaceiro no cenário da política cultural brasileira dos anos 1950/1960, período no qual começa a internacionalização do cinema brasileiro, com o primeiro modelo clássico no filme O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto. A tese principal que defendemos aqui é de que o aspecto documental e ficcional das narrativas naturalistas brasileiras, principalmente o hibridismo estilístico cinemanovista e contemporâneo, tem a fonte nos discursos dos documentos oficiais jurídicos e jornalísticos sobre o cangaço, pois estas linguagens jurídicas e jornalísticas são contaminadas pela informalidade que desrecalca as imagens populares dos mitos que rasuram os limites entre a verdade histórica e a verossimilhança ficcional.

O mito de Corisco aparece da força performática na narrativa documental e ficcional produzida por jornalistas, fotógrafos e cineastas e policiais da época. Desde o cinema primitivo e o cinema clássico, de 1920 a 1950, estas imagens ganham força no projeto cultural literário nacional-popular inaugurado no regionalismo de 1930 e no cotidiano da imprensa moderna, popularizando-se nos romances e telas de cinema, como é o caso da extraordinária aventura do mascate libanês Benjamin Abrahão, registrando, no ano de 1936, as mais conhecidas imagens de Lampião e seu grupo, inclusive fotografando Corisco no ambiente real da luta dos cangaceiros no interior do Nordeste brasileiro.

Imagens estas já foram reutilizadas em filmes documentais do cinemanovismo, como Memórias do Cangaço (1963), de Paulo Gil Soares; e em filmes de ficção da retomada do cinema brasileiro, como Baile Perfumado (1997), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Enquanto personagem principal do ciclo cinematográfico brasileiro de cangaço, Corisco tem várias representações, algumas mais históricas da ação do cangaço; outras mais marcantes na estética inovadora. A performance dramática deste personagem nofilme Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), de Glauber Rocha, por exemplo, tem conseqüências políticas e estéticas definitivas para compreendermos a alteridade do discurso nacionalista no Brasil, tornando-se uma das obras inaugurais da ficção revolucionária do cinemanovismo; já a performance épica do filme de aventura Corisco, o Diabo Loiro (1969), de Carlos Coimbra, marca a permanência da linguagem melodramática clássica do cinema sem maiores repercussões políticas fora da tela, durante o período de censura do cinema nacional; e mais recentemente, o filme Corisco e Dadá (1996), de Rosemberg Cariry, marca a heterogeneidade do tema do cangaço na perspectiva crítica da contemporaneidade, buscando na performance do mito do cangaceiro uma representação da imagem da nação estilhaçada no espelho fragmentado.

A narrativa deste filme é trágica-dramática-lírica, sendo, ao mesmo tempo, enredo de aventura para a indústria cultural e também uma reflexão sobre a identidade fragmentária do mito agrário no mundo urbanizado, traço que caracteriza grande parte dos filmes da retomada pós-1990, quando os diretores articulam as teorias da cultura e da semiologia, revisitando as fontes literárias modernistas e dos cinemanovistas; e lendo com outros olhares os discursos dos documentos oficiais sobre o cangaço.

A Certidão de Óbito de Cristino Gomes da Silva de 27 de Maio de 1940 é um exemplo marcante, pois registra a morte do cangaceiro juridicamente, mas possibilita uma leitura que recompõe a tensão do discurso informal no jogo entre o documental e o ficcional, estratégia que consolidou o cinema moderno brasileiro sobre a temática histórica e social do cangaço. O poder do discurso oficial no documento procura desmistificar o discurso popular que engendra o mito do cangaço na memória nacional, mas a tensão entre os discursos pode ser flagrada na leitura em contraponto, articulando o texto reativo da escrita oficial sobre as condições da morte do cangaceiro com a escritura performática e ficcional que ativa a vida / morte do personagem Corisco na mitologia cinematográfica. Entre os vários filmes desta temática, selecionamos aqui dois deles, para estabelecermos este contraponto entre a política cultural da cinematografia brasileira e a política oficial do discurso do documento de óbito de Cristino Gomes. São os filmes: Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), de Glauber Rocha, do cinema novo; e Corisco e Dadá (1994), de Rosemberg Cariry; da retomada do novo cinema brasileiro contemporâneo.

A Certidão de Óbito original transcrita pelo oficial Evandro Cardoso de Andrade, da comarca de Miguel Calmon, Bahia, lavra a morte do cangaceiro nos seguintes termos: “Certifico que, em data de 27 de maio de 1940, no Livro n0 C 12, à fls 7 verso. sob o n0 1.567, foi feito o registro de Óbito de CRISTINO GOMES DA SILVA (vulgo Curisco)”. Neste primeiro traço narrativo da certidão, o morto tem a sua identidade apresentada com o destaque em vermelho e CAIXA ALTA do nome civil; e os (parênteses) utilizados para aprisionar o nome do cangaceiro grafado em letra regular e em vermelho, com o fonema kü grafado na forma mais popular Curisco e não Corisco, conforme a sintaxe culta mais aceita. O vermelho; a citação do vulgo entre (parênteses) e a grafia mais popular do fonema kü sugerem o ruído lingüístico de elementos populares recalcados na CAIXA ALTA e inércia do nome cartorial Cristino Gomes da Silva, que apaga a agilidade do raio significativo do nome vulgar atribuído ao mito do cangaceiro.

Os nomes – oficial e popular – são grafados no documento seguindo uma hierarquia da superioridade do primeiro em relação à inferioridade do segundo, conforme as marcas lingüísticas e gráficas da caixa alta do primeiro e da forma regular e do distintivo “vulgo” no segundo. Mas a reversão da leitura do significado pelas marcas discursivas da cor vermelha destrói a hierarquia e acende as nuances da cor vermelho / sangue, que banha a imagem da violência do cangaceiro. Esta imagem do vermelho / sangue é a marca problemática da fala do personagem Corisco de Glauber Rocha, em Deus e o Diabo, quando coloca a violência do cangaço na crise social e existencial do herói vencido na seqüência das mais emblemáticas do filme, quando Corisco baila em transe e promete matar o responsável pela traição e morte de Lampião.

Na seqüência ele contracena com o vaqueiro Manuel, com Rosa e com Dada, que não entendem a razão de tanto sangue, mas compreendem o transe do cangaceiro na autofagia da sua luta sem poder escapar da violência. Entretanto, a imagem da violência no filme de Glauber Rocha não é mais a cilada do naturalismo literário e cinematográfico tradicionais, pois a representação é construída revolucionariamente do hibridismo ideológico de traços “primitivos” do irracionalismo do cangaço, mas também vislumbra os traços de outra racionalidade dialética do cinema novo, que ativa nova compreensão sobre o cenário da violência agrária no Nordeste brasileiro. A fala de Corisco na cena desloca a categoria naturalista tradicional da violência do cangaço para um lugar político radical na história do cinema brasileiro:

Corisco – Tira os fantasma da cabeça que eu num agüento mais ver você no sofrimento... já faz três dia, é muito tempo pra quem viveu na guerra. O corpo de Maria Bonita inchou, apodreceu, os bicho agora tão comendo os olhos bonito dela... morreu Maria mas Lampião está vivo. Virgulino acabou na carne mas o espírito está vivo. O espírito está aqui no meu corpo que agora juntou os dois... Cangaceiro de duas cabeça, uma por fora e outra por dentro, uma matando e outra pensando! Agora é que eu quero ver se esse homem de duas cabeça pode consertar esse sertão. É o gigante da maldade comendo o povo pra engordar o Governo da República! Mas São Jorge me emprestou a lança dele pra matar o gigante da maldade. Ta aqui! Ta aqui o meu fuzil pra num deixar pobre morrer de fome! (ROCHA, p 274)

A transcrição da Certidão de Óbito continua desdobrando os traços “ficcionais” das informações sobre o morto: “... falecido em 25 de maio de 1940, às 17: 00 horas, nesta cidade de Djalma Dultra, comarca de Jacobina-Bahia.” Neste trecho, surgem situações discursivas relevantes, como a dos dois dias de decurso entre a constatação da morte e o seu registro oficial, o que permite inferências quanto à escolha do textodiscurso para oficializar a morte do cangaceiro, após as devidas autorizações legais, conforme requer um caso de Estado como o do cangaço, numa região praticamente sem a presença estatal, a não ser através da cobrança de impostos e da força policial.

O decurso do tempo entre a morte e o documento também pode indicar as condições de localização da luta e a deficiência de transporte na região. Mas um traço importante são mudanças estruturais da nação brasileira, configuradas nos elementos textuais e paratextuais referentes ao território do país em conformação, como na mudança do nome do distrito de Jacobina – Djalma Dultra, que após a emancipação passa a ser a comarca de Miguel Calmon. Na transcrição atual o documento é atualizado e o registro substitui a comarca sede na época da morte do cangaceiro - Jacobina, pela comarca atual de Miguel Calmon. O que parece irrelevante para a discussão identitária, assume um sentido importante, pois a reivindicação do título de sede do cartório onde está o registro da morte do famoso e mitológico cangaceiro Corisco, configura uma mudança na política cultural brasileira, pois, para a antiga comarca o importante era ter registrado em seu cartório o documento de extermínio do último cangaceiro, mas para a comarca atual o valor do documento é a preservação da memória do mito do cangaceiro. Esta mudança configura a nova política cultural brasileira contemporânea de resgate da história cultural do país.

Isto repercute com intensidade na ética e na estética cinematográfica do cangaço, que chegou a ser, durante a República Velha e o Estado Novo, no auge do cinema primitivo e do surgimento do cinema clássico, caso de polícia e de política, que repercute também na censura da ditadura militar contra a veiculação de filmes violentos que maculavam a integridade moral do país no exterior; repercute ainda hoje, quando as imagens do cangaço estimulam o público a compreender metonimicamente e metaforicamente a realidade nacional, através dos filmes que abalam a Identidade Nacional oficial, como é o caso do filme Corisco e Dadá.

Na Certidão de Óbito de Corisco surgem outros traços discursivos que dialogam mais fortemente com o mito do cangaço nocinema, causando mais fissuras no discurso do documento oficial sobre a desmistificação do “bandido social”. Vejamos os termos do documento: “sexo masculino” de “cor branca”, “profissão bandido”, “natural do Estado de Alagoas”, mas domicílio e residência “nômade”, contando “33 anos de idade” e “estado de civil solteiro”, “filho de Manoel Anacleto e Firmina Maia”, estes “residentes e domiciliados no Estado de Alagoas”. O sexo da violência no cangaço é o masculino, conforme a cultura patriarcal do Nordeste brasileiro. Mas Lampião introduziu a mulher no cangaço, passando ela a viver as mesmas experiências ativas e passivas da violência; no entanto a memória patriarcal ainda reluta em aceitar o novo papel feminino nas mesmas condições do homem.

Nos filmes de cangaço, mesmo do cinema moderno, as mulheres são geralmente vítimas do destino patrocinado pelo homem condutor da família, que não respeita as tentativas das companheiras para abandonar a violência. No filme Deus e o Diabo, uma das cenas enfoca a tensão do gênero, quando Corisco prepara os seus planos de vingança e, ao fundo da tomada, Rosa e Dadá alheiam-se à violência “masculina” e trocam carícias “femininas”. O discurso, que parece reproduzir a cultura convencional desvia-se quando a resistência de Rosa aos projetos de Manuel culmina com o assassinado do beato por ela, para livrar Manuel do inferno sebastianista que prometia o céu. A percepção política de Glauber Rocha desloca o discurso patriarcal da exclusividade masculina sobre a violência para a ação de Rosa ao matar ao beato, tendo esta violência um aspecto de liberação redentora, ao mobilizar no filme as dobras do discurso de Frantz Fanon na forma revolucionária do cinema novo, com a reversão da violência para despertar ao opressor o oprimido no ato violento assimilado e sublimado pelos dominados contra os projetos autoritários dos dominantes.

Para Frantz Fanon, “le colonialisme impliquait un univers manichéen oú l’inferiorité permanente du colonisé était tenue pour établie”. (FANON, 1991, 23) No filme Corisco e Dadá, a mulher acompanha a ações do homem, articulando a dialética do amor / dor na condição do papel feminino da donzela roubada da família, ou a mulher consciente da violência ao assumir a luta com companheiro na mesma condição, ressaltando outra racionalidade da personagem, em contraponto ao paradoxo da razão “instintiva” que associa a violência ao homem, ou masculiniza a mulher.

Na Certidão de Óbito, a questão identitária da cor “branca” atribuída a Corisco é o reflexo da memória vulgar que o populariza como o “diabo loiro”; a raça branca colada ao sertanejo encena uma contradição da teoria de miscigenação clássica, que via no branqueamento a melhora do mestiço. Mesmo “branco / loiro” atribuído a Corisco um estereótipo sem conotação étnica é importante discutirmos este discurso no documento, seguindo as recorrentes questões de raças no Brasil até hoje. Já a profissão de “bandido” instaura uma situação discursiva mais problemática ainda, devido ao inusitado uso do termo no documento oficial de óbito. O “bandido primitivo” no documento desvela o ressentimento social da escrita que desqualifica a vida social e econômica de Corisco.

Mas a história econômica do Nordeste cruza inevitavelmente com o cangaço, conforme a vasta documentação de teses como a de Rui Faço e Frederico Pernambucano de Mello, quanto à condição desprivilegiada de grande parte da população, que conduzia os jovens aos grupos de cangaceiros, grupos estes que movimentavam somas de pilhagens em negócios com mercadorias e armas, que enriqueciam muitos comerciantes, os quais diversificavam seus empreendimentos para “lavar” o dinheiro acumulado no comércio com os criminosos, sendo esta estratégia econômica da diversificação uma das condições primordiais do capitalismo moderno no Nordeste, apesar do combalido estágio econômico da região. Além do comércio nos negócios do cangaço, os cangaceiros também prestavam serviços ao latifúndio na rede de influências das disputas entre os senhores de terra na região. Ou seja, a “profissão de bandido”, conforme registra o documento, para justificar e desqualificar a morte do cangaceiro acaba por afirmar uma condição econômica fundamental da economia do sertão nordestino. Para Pernambucano de Mello:

Surpreendentemente é possível afirmar-se hoje, imagem literária à parte, que os maiores cangaceiros, entendidos estes como os chefes de grupos de maior expressão, gostavam da vida no cangaço. Num sertão profundamente conturbado pelas disputas entre chefes políticos, lutas de famílias, ausência de manifestações rígidas e eficazes de um poder público longinquamente litorâneo; sertão povoado pó um tipo especial de homem, individualista, sobranceiro, autônomo, desacostumado a prestar contas de seus atos, influenciados pelos exemplos de bravura dos cavaleiros medievais; sertão que tinha no épico o seu gênero maior, fazendo vivas páginas de um Carlos Magno e os Doze Pares de França, de um Roberto do Diabo, de um Donzela Teodora, de um João de Calais; num sertão assim anormal a olhos urbanos, o cangaço representava, na verdade, uma ocupação aventureira, um ofício epicamente movimentado, um meio de vida, ou até mesmo um amadorismo divertido de jovens socialmente bem situados, carentes de afirmação. (MELLO, 2004, 117)

Quanto aos termos da Certidão de Óbito sobre à origem do cangaceiro morto, do “Estado de Alagoas”; e ao seu domicílio “nômade”, ficam patentes outros traços circunstanciais do discurso de uma região informal na aparente formalidade do texto, circunstâncias que representam situações sociais e antropológicas fundamentais para o discurso da nacionalidade no Brasil. O deslocamento do cangaceiro entre o seu nascimento em Alagoas e sua morte na Bahia, reconstrói a divisão geopolítica da região cultural nordestina, que não se caracteriza nas fronteiras fixadas.

A gênese do nomadismo das memórias do cangaço percorre um longo corredor geográfico, atravessando as fronteiras geo-políticas do Ceará à Bahia, passando pelos territórios da Paraíba, do Piauí, de Sergipe, de Pernambuco, ou seja, por 7 (sete) Estados da Federação, dos 9 que compõem a região Nordeste do Brasil. Esta condição nômade repercute jurídica e militarmente sobre a condição federativa, levando a política de segurança do governo às estratégias de agrupamentos policiais que transitavam entre as fronteiras dos Estados, conhecidas pelo nome popular de forças militares “volantes”.

Quanto ao termo nômade utilizado na Certidão de Óbito, por certo o escrivão não levou em conta os problemas filológicos, sociais e antropológicos, muito menos, a tensão filosófica do conceito de nomadismo em relação ao termo migrante, qualificador mais comum deste personagem nordestino, tanto na nomenclatura oficial, quanto na arte regionalista tradicional. Para Gilles Deleuze (1997, 13), o nômade não é binário, mas “antes como a multiplicidade pura e sem medida, a malta, irrupção do efêmero e potência da metamorfose”, como o cangaceiro, o nômade “desata o liame assim como trai o pacto”, segundo Gilles Deleuze, (op. cit.) o nômade:

Faz valer um furor contra a medida, uma celeridade contra a gravidade, um segredo contra o público, uma potência contra a soberania, uma máquina contra o aparelho. Testemunha de uma outra justiça, às vezes de uma crueldade incompreensível, mas por vezes também de uma piedade desconhecida.

No qualificativo de nômade o escrivão flagrou a condição de Corisco e a memória coletiva do Nordeste, sendo esta a memória ativada na narrativa cinematográfica alegórica do cinema novo ao cinema contemporâneo de cangaço.

Os filmes Deus e o Diabo na Terra do Sol e Corisco e Dadá refletem nas imagens da nação a preocupação ética através da estética, impulsionando a recepção do cinema moderno brasileiro para o “entre-lugar” do espetáculo de ação e a reflexão identitária. Para realizar o contraponto ético e estético é importante percebermos os elementos articulados na linguagem do cinema, através da escolha da luz e da angulação das tomadas, mecanismos que produzem os sentidos epifânicos das personagens; é também necessário observarmos o diálogo entre a ficção e os discursos sociais, antropológicos e históricos oficiais sobre o tema do cangaço. A leitura deve atentar para os traços discursivos dialógicos entre obras de arte ficcionais e documentais e os textos oficiais, como a Certidão de Óbito de Corisco, para flagrarmos os sentidos que atravessam as descrições de Cristino Gomes da Silva, como, tinha “33 anos de idade”; era “solteiro” e filho de Manoel Anacleto e Firmina Maia.

Os 33 anos de idade atribuídos a Corisco realçam a juventude etária do líder cangaceiro, mas destaca também a precocidade da morte no violento sertão brasileiro da época, paradoxalmente uma longevidade aos 33 anos de idade, pois já se consagrava o mito. A figuração mítica da idade do cangaceiro pode ainda ser um oposto simétrico do Cristo, o cangaceiro ocidental da “não-violência”. A reversão entre violência / não-violência associada à percepção da performance social e mítica do Corisco versus Cristo, ou de Deus versus Diabo, deixa marcas fortes nas narrativas cinematográficas, como o São Jorge guerreiro enfrentando o Dragão da Maldade na obra de Glauber Rocha e em toda a tradição cinematográfica de cangaço.

Já a classificação civil de “solteiro” para o cangaceiro é mais uma marca da convenção social no documento, pois sabemos que Corisco convivia com Dadá com quem teve filhos e viveu segundo as normas da Igreja Católica, informalmente, por não poderem contrair o sacramento oficialmente, pelas óbvias razões do nomadismo. Seus pais sim, estes tinham os nomes firmados e domiciliados fixamente, portanto não tinham a necessidade de serem nomeados pelos nomes vulgos, apesar de ser esta uma norma social da região Nordeste, que sempre associa a pessoa a um nome popular.

Finalmente, a Certidão de Óbito de Cristino Gomes da Silva lavrada no cartório da Comarca de Miguel Calmon diz que as informações do documento tiveram como declarante o “Sargento José Fernandes da Silva”; e quanto à atestação do óbito, o texto explicita que “não teve assistência médica”; apontando como causa da morte “tiros de metralhadora no abdomem ”, e que o corpo foi sepultado no “cemitério da consolação, desta cidade.”

Cortesia Sergio Augusto de Souza Dantas

O declarante militar e a ausência de atendimento médico definem as condições da morte do cangaceiro, segundo uma lógica estatal do extermínio, o que caracteriza a luta do cangaço para além do rebelde primitivo de Eric Hobsbaw, atribuindo ao combate militar um aspecto de guerrilha com repercussão social e política, transformando o cangaço em mito no meio intelectual. Já os “tiros de metralhadora no abdomem” explicitam a guerra fratricida que não dá chances de vida ao “cabra marcado para morrer”. Apesar dos tiros fora de zonas mortais, a belicosidade moderna da metralhadora canta mais alto do que o grito de Corisco em Deus e o Diabo: “mais forte são os poderes do povo”. O ato de cortar as cabeças dos cangaceiros confirma esta descrição da morte marcada.

A cabeça cortada no plano real da luta entre o cangaceiro e o Estado é a imagem repetição do discurso ideológico oficial dos documentos sobre as trágicas epopéias populares da história social do país. Contudo, os mitos têm muitas cabeças, como diz o Corisco de Glauber, e uma delas é a memória popular que atravessa a linguagem oficial por dentro transformando as narrativas artísticas em releituras da nação oficial.

Bibliografia:

CAETANO, Maria do Rosário (org). Cangaço – O Nordestern no Cinema Brasileiro. Brasília: Avathar, 2005.
DELEUZE, Gilles. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia. Trad. Peter Pal Pelbart e Janice Caiafa. São Paulo: editora 34, col. Trans, 1997, vl 5.
DE MELLO, Frederico Pernambucano. Guerreiros do sol – Violência e bandistismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: Girafa, 2004.
FANON, Frantz. Lês damnés de la terre. Paris : Gallimard, 1991.
GALVÃO, Maria Rita e Jean-Claude Bernardet. O Nacional e o Popular na Cultura Brasileira – Cinema. São Paulo: Brasilense, 1983.
LEAL, Wills. O Nordeste no Cinema. João Pessoa: UFPB/FUNAPE, 1982.
ROCHA, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
SENNA, Orlando (org). Glauber Rocha - Roteyros do Terceyro Mundo. Rio de Janeiro: Embrafilme/Alhambra, s/d.
TOLENTINO, Célia Aparecida Ferreira. O Rural no Cinema Brasileiro. São Paulo: Unesp, 2001.
  
* Cláudio C. Novaes é Professor da Graduação dos Programas de Pós-Graduação do Departamento de Letras e Artes da Uefs contato cledson@uefs.br


Açude cult UFBA

terça-feira, 8 de junho de 2010

Atenção familia Cariri Cangaço

Recado do capitão Severo
 

Prezados amigos,

Já está disponível no Blog Oficial ; o novo DVD Cariri Cangaço 2009, ali vamos encontrar todas as informações; o BOX Completo, o DVD Documentário, enfim;


Visite o Blog e saiba como adquirir seu exemplar.
www.cariricangaco.blogspot.com 

Manoel Severo 
Curador e Coordenador do Cariri Cangaço



*A foto em momento de lazer e descontração é mera ilustração. O casal está dando duro para garantir um evento maior e tão inesquecível quanto o primeiro.

Reedição de importante obra.

'Seja marginal, seja herói´
O Rei do Cangaço, Lampião: personagem mítico-histórico do Nordeste brasileiro é analisado em obra de Eric Hobsbawm
Obra esgotada de Eric Hobsbawm, "Bandidos" ganha nova edição. Livro trata do fenômeno do banditismo social, que teve no cangaço uma de suas manifestações mais famosas

Hobsbawm
Se precisasse ser traduzido num instantâneo, o livro "Bandidos", de Eric Hobsbawm, poderia dar vez à famosa e polêmica obra do artista brasileiro Hélio Oiticica, da qual tomou-se de empréstimo o título desta resenha. A obra trazia uma reprodução da fotografia do bandido Cara-de-Cavalo, morto pela polícia carioca, como os dizeres "seja marginal, seja herói", logo abaixo da cabeça do cadáver.

Hobsbawm discorre sobre figuras que conjugam a marginalidade e o heroísmo (sobretudo na memória das sociedades, nem sempre coerente com os eventos históricos). O historiador britânico batizou o fenômeno de "banditismo social". No livro, incluiu bandidos quase lendários de diversas partes do mundo, como o personagem do cancioneiro medieval inglês Robin Hood, o separatista italiano Salvatore Giuliano, o fora-da-lei australiano Ned Kelly e nosso rei do cangaço, o pernambucano Lampião.

Em todos estes casos, o próprio meio social conferiu certa legitimidade à atuação transgressora destes personagens - e as origens marxistas do pensamento de Hobsbawm contribuem para isto. Ilegais, porém justos: fórmula perfeitamente traduzida no lema de "roubar dos ricos para dar aos pobres", associado ao famoso ladrão-arqueiro da Floresta de Sherwood.

"Bandidos" apareceu pela primeira vez, em inglês, em 1969. Ganhou tradução brasileira quatro anos mais tarde e desde então se encontrava fora de catálogo. A Paz e Terra (que relançou no ano passado três das principais obras do autor: "A Era das Revoluções", "A Era do Capital" e "A Era dos Impérios") acaba de lançar a tradução brasileira da quarta edição do livro, de 1999, que traz uma série de modificações em relação a versão já conhecida pelo leitor brasileiro. As diferenças vão do reposicionamento de capítulos, supressões e adições ao texto original e a inclusão de novos capítulos.

Carne, osso e imaginação

As modificações se evidenciam numa leitura mais sóbria. Os "bandidos" tornam-se menos simpáticos e mais complexos na nova leitura, feita a partir de uma série de críticas à tese de Eric Hobsbwam. Não que o autor agora a reconheça como equivocada. Contudo, o uso das fontes é mais criterioso e o material da memória é visto com mais desconfiança.

O deslocamento de posição representa um ganho para a obra. A tese de Hobsbwam ficou mais protegida de acusações redutoras que recebeu. Sobretudo a que dizia que sua leitura era demasiado automática, de causa e consequência, tornando os bandidos frutos de um meio, de um espaço e de uma época.

Assim, Lampião, por exemplo, ganha cores diferentes do personagem bravo e heroico como que o imaginário popular tende a identificá-lo. Há nele, decerto, algo de rebelde, de insurgente contra a ordem estabelecida. Contudo, o fim não chega a ser o da revolução, mas uma "correção" forçada desta ordem que, se não o exclui, ao menos o coloca à margem. Diferente de outros modelos de banditismo, como o que inclui a máfia, com uma moral e uma ética próprias, o bandido social não procura criar um ambiente à parte, uma antissociedade. Ele, ao contrário, é um elemento constituinte da sociedade e assim reconhecido, mesmo por seus opositores.

Três tipos

Hobsbawm divide os bandidos sociais em três tipos: o ladrão nobre, o combatente e o vingador. O primeiro é bem encarnado por Robin Hood, que faz justiça por necessidade, que mata apenas quando não há outra alternativa e que é acobertado pelo povo que protege; o combatente é o meio termo entre o bandido e o guerrilheiro, que teve no líder separatista Salvatore Giuliano um de seus exemplares mais célebres. Por vezes, os bandidos combatentes se envolvem em atividades revolucionárias. Já os vingadores tem sua fama ligada à força com que impõe seus atos às elites dominantes. Destes, não se espera ações positivas, podendo mesmo atacar a população pobre. Rico, o livro de Hobsbwam sugere o trânsito de definições do fenômenos reais, bem ilustrado no caso de Lampião. Nobre para uns, vingador para outros.




"Bandidos"
Eric Hobsbawm
R$ 45,00
280 Pág.
2010
Paz e Terra
Tradução: Donaldson M. Garschagen

Por Dellano Rios. REPÓRTER

Açude: Diário do Nordeste


Obs: As imagens do escritor e capa do livro, foram  inseridas na matéria original pelo no sentido de melhor ilustrá-la.

sábado, 5 de junho de 2010

Festança na terra da Iracema

Feliz aniversário Sr. Presidente 

Quero registrar - com meio dia de atraso - mas com muita satisfação que nosso cumpadi Ângelo Osmiro, presidente da SBEC, sopra velinhas no dia de hoje. Alegria hoje, felicidade sempre.


 "Seu Ângelo", assediado pela imprensa, aos pés do "padim", 
durante o Cariri Cangaço 2009.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cariri Cangaço 2010: Preliminares

Noite de lançamento reúne no Crato autoridades, intelectuais e admiradores


Entusiastas, admiradores, artistas, intelectuais, autoridades regionais, assim como uma gama de estudiosos da temática lampiônica estiveram reunidos na noite desta terça-feira, dia 1º no Centro Cultural do Araripe (antiga estação) do Crato prestigiando o ato de lançamento do DVD do Cariri-cangaço/2009.


Numa solenidade bem organizada e de puro bom gosto, os articuladores do Cariri Cangaço 2010 tendo a frente o seu curador Manoel Severo e a secretária de Cultura cratense, Danielle Esmeraldo, (Foto acima) anfitrião da noite - fizeram da iniciativa um verdadeiro congraçamento em torno da história do cangaço nas paragens nordestinas, em especial, no Cariri cearense. O tema do lançamento foi – 'Lampião no Ceará: Verdades e mentiras'.


Além dos prefeitos de Crato Samuel Araripe e de Aurora Adailton Macedo, representantes dos cinco municípios participantes: Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha e Aurora, como também de todas as entidades parceiras, tais como, URCA, ICVC, ICC, Pró Memória e SBEC prestigiaram mais um belo acontecimento proporcionado pelo Cariri Cangaço.


Agora em sua segunda edição, o evento a que tudo indica, se transformará de vez no mais importante e grandioso dos acontecimentos direcionados ao debate do fenômeno tipicamente Nordestino que foi o cangaço. Este ano, conforme os organizadores, o Cariri Cangaço será simplesmente um recorde, a começar pelo número de pesquisadores que já confirmaram presença, além dos municípios envolvidos, entidades parceiras, abrangência e magnitude dos assuntos que serão debatidos por conferencistas convidados.

Imagens de bastidores, depoimentos e outros registros imagéticos da primeira edição do Cariri Cangaço foram algumas das matérias exibidas na tela dando a exata dimensão do que foi a iniciativa do ano passado e sua repercussão junto a comunidade acadêmica, científica assim como junto a opinião pública de um modo geral.

Além do DVD principal de lançamento o 'kid-Cangaço' incluirá ainda, um box com 16 outros DVDs, contendo na íntegra tudo o mais que ocorreu no Cariri Cangaço. O material dentre em breve estará disponível para os interessados, disse a curadoria do evento.


Todos os que usaram a tribuna destacaram a imensa importância do Cariri Cangaço, bem como da sua grandiosidade em torna da temática de Lampião, o cangaço e outros temas palpitantes, considerados fundamentais para a compreensão da história e da sociologia nordestina, sertaneja e caririense.“O Cariri Cangaço representa, por assim dizer, a vitória da memória contra o esquecimento de um dos temas mais significativos do Brasil e do Nordeste em particular”, disse o secretário de Cultura de Aurora, José Cícero.
O Cariri Cangaço abre um espaço importante para que possamos realçar a verdadeira história escrita pelos oprimidos, num contraponto com a versão oficial, escrita pelos vencedores, completou.

Já a secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, Danielle Esmeraldo, destacou a importância do evento para a região. Manoel Severo, articulador do evento, por sua vez, ressaltou que o Cariri Cangaço em pouco tempo, deixou de ser apenas de natureza regional, para se tornar um dos maiores eventos culturais do Nordeste, sobretudo pela participação dos maiores pesquisadores do Brasil e do Mundo atraindo os olhares do Brasil para esta região.

Por tudo que vem propondo e realizando, o Cariri Cangaço já é uma referência para todos os que de algum modo demostram interesse em conhecer, estudar, interpretar e reescrever a verdadeira saga do povo sertanejo, de onde não se pode eximir fenômenos como o do cangaço, a religiosidade, o coronelismo, o fanatismo messiânico, a cultura e as tradições nordestinas, dentre outras temáticas inerentes aos grotões do mundo sertanejo, disse.


O ato de lançamento contou ainda com a participação especial do grupo musical crateto, (Foto acima) sem esquecer a belíssima exposição histórico-iconográfica do Crato antigo e de obras artesanais.

Da Redação do Blog d'Aurora

Pesquei no: Blog do Crato

Atividades da confraria

SBEC diploma novos sócios 

Caro amigo Kiko, no ultimo dia 1º de Junho fizemos a reunião mensal da SBEC - Sociedade Brasileira da estudos do Cangaço, aqui em Fortaleza. 

Encontros que dinamizam e agregam mais e mais amantes desta importante página da história brasileira, difusores e defensores da memória. E na oportunidade diplomamos novos sócios "velhos confrades".

 Recebeu Afrânio, das mãos do Capitão Alfredo Bonessi.

 Recebeu o escritor Haroldo Felinto, das mãos do comendador Mariano.

 Recebeu o poeta Edmilson Cisne, das mãos do documentarista Aderbal Nogueira.

 Recebeu o bancário aposentado Antonio Tomaz, do escritor Ângelo Osmiro.


Abraços!
Ângelo Osmiro Barreto
presidente da SBEC.


O Lampião aceso abraça e dá boas vindas aos novos sócios. 

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Raimundo Soares de Brito

O brilho da cultura potiguar em toda intensidade

Por José Romero Araújo Cardoso

Raimundo: uma vida dedicada à cultura (Ricardo Lopes)


Raimundo Soares de Brito sintetiza e personifica um dos mais luminosos pontos da cultura potiguar, pois com esforço e obstinação vem contribuindo formidavelmente para o enriquecimento das letras e da preservação da memória em território potiguar.

A hemeroteca que estruturou é um dos mais importantes repositórios de informações sobre o Estado do rio grande do Norte, pois ávido colecionador de velhos jornais, velhos alfarrábios e tudo que tem letras e números, Rai Brito impressiona pelo amor ao saber e pelo desprendimento, pelo desinteresse em servir a quantos que o procura para pesquisas, consultas ou informações referentes a tudo que envolve o Rio Grande do Norte, mas sobretudo Mossoró e região oeste.

Escritor de raros dotes, Raimundo Soares de Brito escreveu importantes trabalhos enfocando da indústria e do comércio na região a tratado memorialístico fantástico que preserva figuras populares fascinantes com as quais conviveu. O livro por título "Eu, ego e os outros", publicado pela Editora Queima-Bucha, consiste no reconhecimento do grande intelectual potiguar à importância da maioria dos personagens simples e humildes da nossa terra. Se não fosse Raimundo Soares de Brito, pessoas como Mané Cachimbinho, Pata Choca, etc., tinham caído no esquecimento completo.

A geografia e a história mossoroenses foram enriquecidas com a publicação dos volumes do Dicionário de ruas e patronos, frutos da obstinação e da perspicácia de Raimundo Soares de Brito.


Talvez um dos mais marcantes trabalhos de Raimundo Soares de Brito seja "Nas garras de Lampião", publicado pela Coleção Mossoroense da Fundação Vingt-un Rosado. Esmiuçando o diário do "Coronel" Antônio Gurgel, prisioneiro do bando de Lampião em 1927, Rai Brito legou-nos interessantes notas históricas sobre espaço e tempo das agruras vividas pelo bravo sertanejo que viveu indesejado drama antes e após o frustrado ataque bandoleiro a Mossoró.

 Raimundo Soares de Brito, Aldivan Honorato e Vingt-un Rosado - 1980

Amigo pessoal de Raimundo Soares de Brito, sempre contestei a "mania exagerada de perfeição" que acompanha imemorialmente o grande mestre. Exemplo disso encontra-se na relutância em publicar fabuloso trabalho memorialístico sobre o "Coronel" Quinca Saldanha, chefe político de Caraúbas (RN) que em um passado remoto, inexplicavelmente, atendeu aos apelos da Aliança Liberal e cerrou fileiras com o governo de João Pessoa no Estado da Paraíba, enviando, inclusive, jagunços para lutar ao lado das tropas legalistas em Tavares (PB), quando da guerra civil de Princesa em 1930.

Raimundo Soares de Brito é referência quando o assunto envolve o âmbito cultural no Estado do Rio Grande do Norte, pois com dedicação ímpar tornou-se uma das maiores autoridades das letras na região, razão pela qual a universidade do Estado do Rio Grande do Norte não titubeou em conceder-lhe título de Doutor Honoris Causa.


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(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.