terça-feira, 26 de maio de 2026

Foto inédita

O tigre e o Leão

Por Jaozin Jaaozinn

Aos amigos, apresento uma fotografia inédita do senhor José de Souza Leão, conhecido como Zé Leão, pernambucano que ingressou nas forças volantes e combateu Virgolino com seus sequazes nos anos de guerra da década de 1920. Fotografia gentilmente cedida pelo seu sobrinho neto Adalberto Leão.



Sendo natural de Floresta/PE, não seria impossível que tenha presenciado os intensos conflitos que ocorreram nas regiões, desde aqueles envolvendo Pereira's e Carvalho's até os primeiros choques de Ferreira's com os Nogueira's. Futuramente, estaria inserido nessas histórias, marcando presença em conhecidos combates na literatura cangaceira. 

Dentre eles destaca-se o Fogo da Fazenda Tigre, situada nos rincões de Floresta/PE, em 16 de setembro de 1926. No confronto, José foi um dos 30 soldados comandados pelo sargento Domingos Oliveira de Souza, o Domingos Cururu. A tropa pernambucana, que vinha durante dias na persiga dos bandoleiros, graças ao auxílio de dois soldados da força, descobrem que Lampião e pequeno grupo se encontravam arranchados na fazenda Tigre, de Santinha do Tigre.

Ao tentarem cercar o local, Virgolino acaba percebendo e "dana grito" aos seus sequazes, que se preparassem para a troca de tiros. O tempo fechou naquele momento. Gritos, fuzilaria e xingamentos tomaram o terreno. Lampião tinha escolhido uma janela para ficar posicionado e responder fogo aos militares, mas sem sair do lugar. Grande azar. É atingido brutalmente no ombro, jogando-o com força para o chão. Sua sorte é que uma grande corruptela de seu grupo, que estava descansando em uma fazenda vizinha (a Monte Sombrio, de Xandinho), comandada pelo cangaceiro Moita Brava, vem acudir o Rei Cego, retirando-o imediatamente do local do embate.

Naquele dia, o Lampião era quase apagado.

Depois de tantas aventuras que participou, o Sr. Leão acaba se fixando na fazenda Gameleira, em São José do Belmonte/PE, constituindo família. Viveu por lá até o momento em que a velhice e o tempo o vencera, no ano de 1960. Entretanto, suas histórias ecoam pelo sertão e mundo afora, bem como o rugido do temido e respeitável leão, que tão bem o representa.

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