quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uma terra, um povo, uma saga

Coronel Manoel de Souza Ferraz

Demorei, mas finalmente selecionei estas matérias que estão entre as minhas prediletas. Este é o primeiro de cinco capítulos que transcrevemos do livro "Floresta uma Terra - um Povo" de Leonardo Ferraz Gominho publicado em 1996. São resumos biográficos de alguns dos homens e mulheres notáveis desta cidade e principalmente dos que fizeram história seguindo a carreira militar e é claro lutando juntos na Volante mais famosa e temida pelo Rei do cangaço "OS NAZARENOS".
Dedico este e os próximos posts ao nossos estimados amigos Netinho Nogueira e Kleyton Ferraz (bisneto de Manoel Flor). Lembrando que este é o mês da festa de Nossa Senhora da Sáude padroeira de nossa querida Nazaré do Pico.

João Flor, o pai

No Campo da Ema, terra pertencente à antiga fazenda Algodões - arrendada em 1819 por Manoel de Souza Ferraz (JSF, N 2) -, nasceu, em 1870, João de Souza Nogueira, futuro líder de uma família que teria sua importância na história da região e no combate ao cangaço: os Flor.

João de Souza Nogueira, ou João Flor, como tornou-se conhecido, era filho de Florência Filismina de Sá (Flor) e de Manoel de Souza Ferraz (JSF, Tn 18). Estimado e respeitado pela gente da terra, casou-se com Angélica Teodora de Souza e, por solicitação dos habitantes da região, assumiu em 1907 o cargo de subdelegado na fazenda Ema. Sempre procurando cooperar na manutenção da ordem, assumiu posteriormente cargos semelhantes. Era um homem ponderado em sua função de conselheiro e apaziguador de conflitos. Afável, levava, à sua maneira, vida social intensa, a despeito da violência que por vezes grassava na região.

Dotado de boa voz, tornou-se seresteiro requisitado, cantando muitas vezes ao lado do irmão Francisco e da negra Rita Grande. Na noite de 23 de junho de 1918, tornou-se padrinho de São João de Virgulino Ferreira da Silva, o futuro Lampião. Mais tarde se empenharia na luta contra o bandido até que, ao retornar de uma peleja, foi acometido de um acidente vascular cerebral que o deixou semi-paralítico. A sua luta iniciada contra o banditismo teria continuidade através dos seus filhos Euclides de Souza Ferraz (01.03.1897 - 07.01.1968), Odilon de Souza Nogueira, Luís de Souza Nogueira, Américo, Hildebrando, Ildefonso e Manoel de Souza Ferraz. Também eram seus filhos: Valdemar de Souza Ferraz, Ana Angélica (Donana) e Emília Angélica de Souza Ferraz.

Nazaré

  

Manoel de Souza Ferraz, logo conhecido por Manoel Flor, nasceu a 20 de fevereiro de 1901, no lugar denominado Catarina, encravado na fazenda Ema, município de Floresta. A casa onde nasceu ficava perto da divisa dos municípios de Floresta e Serra Talhada (antiga Vila Bela), o que fazia com que os primeiros passos do futuro militar fossem dados nos territórios das duas comunidades. Ali residiu até a idade de 9 anos.

Bastante jovem, acompanhado dos pais e irmãos, não perdia as festas de maio da capela da Santa Medalha Milagrosa, onde se realizavam novenas famosas na região.  Do professor Domingos Soriano Lopes Ferraz (JSF, Tn 27), recebeu os primeiros conhecimentos, da mesma forma que o futuro Lampião.

Naquela escola as aulas eram dadas ao ar livre. Os alunos traziam de casa os banquinhos em que se sentavam para assistir às aulas à sombra de frondoso cajueiro, na fazenda Carquejo. “O esforçado mestre não se furtava aos pedidos de pais residentes em outras fazendas das ribeiras adjacentes, os quais receberiam a rara oportunidade de poder proporcionar instrução aos filhos. Gerações tiveram a benéfica influência do professor, que se preocupava em manter os pupilos afastados da onda do cangaço que corroía o Sertão”.

Conta Marilourdes Ferraz, no seu livro “O Canto do Acauã”, que o professor via sua residência ser invadida por rapazes e moças, alunos e companheiros de seus filhos, que permaneciam por várias horas em palestras e reuniões alegres, nos dias de repouso. Foi num desses encontros que um filho do professor, Manoel Soriano, contou o sonho que tivera na noite anterior: - “Vira surgir uma vila naquela área em que residiam”. A idéia empolgou os presentes, entre os quais Manoel Flor e seus irmãos Euclides e Odilon.

O entusiasmo foi geral e o primeiro passo foi a criação de uma feira semanal, marcada para os domingos. “A data inaugural da mesma foi fixada para 12 de setembro de 1917. Os idealizadores da vila a ser formada percorreram as ribeiras do São Domingos e São Gonçalo e a fazenda Campo Alegre, anunciando o acontecimento” e pedindo a cooperação de todos.

Os resultados não se fizeram esperar. Domingos Soriano logo doou trinta braças em quadra de terras de sua fazenda para patrimônio do povoado que surgia, sendo seguido pelo vizinho Antônio “Campo Alegre”, que doou área igual. Aí foram construídas residências pelos fazendeiros das redondezas. “Da sede do município, Floresta, veio preciosa ajuda ao fortalecimento do comércio local, por intermédio dos senhores João Gominho Filho, José Tiburtino e major João Novaes, que instalaram pequenas lojas de tecidos”.

O padre Antônio Zacarias de Paiva, de Serra Talhada, ao celebrar a primeira missa, sugeriu fosse dado o nome de Nazaré ao nascente povoado, pois o considerava abençoado pela paz e pela união de suas famílias. Elevada à vila, anos depois teve, por força de lei, que trocar sua denominação (já existia a cidade de Nazaré da Mata). A velha fazenda do professor Domingos Soriano emprestar-lhe-ia o nome, prevalecendo, entretanto, o feminino: Carqueja. Anos depois passaria, por fim, a se chamar Nazaré do Pico.

O templo da povoação foi construído com a orientação dos padres Luís e José Kehrle, irmãos. Todos trabalhavam: os adultos nas atividades pesadas; os jovens arrecadando fundos com os mais abastados e as crianças transportando tijolos e executando serviços mais brandos. Os comerciantes Luiz Gonzaga Ferraz, de Belmonte, Ubaldo Nogueira de Carvalho, de Triunfo, e o Sr. João Lopes Ferraz, da fazenda Ilha Grande e irmão de Domingos Soriano, ofereceram quantias consideráveis.

O padre Kehrle comprou uma imagem de Nossa Senhora da Saúde, padroeira de Nazaré.  Uma figura simples, mas destemida, respeitada e sempre lembrada - Antônio Gomes Jurubeba (v. JSF, Tn 4) - contribuía para a afirmação do povoado.

Uma pedra no caminho: Virgulino Ferreira da Silva

A vida na pequena povoação correu tranqüila até quando chegou na região a família de Virgulino Ferreira da Silva. Este, acompanhado dos irmãos Antônio e Levino, começaram a se envolver com pequenos furtos, o que fez com que os três se indispusessem com a gente de Nazaré.

O ano de 1919 constituiu o início de longa temporada de apreensões para o povo de Nazaré. Naquele ano, Cindário Carvalho (Jacinto Alves de Carvalho) sitiava Nazaré a procura de inimigos (Francisco Nogueira e seus genros Praxedes Pereira e Raimundo Torres). Virgulino e Levino juntaram-se aos filhos e parentes de João Flor, prontificando-se a lutar ao lado dos nazarenos que, por pouco, não se envolveram na luta fratricida entre Pereira e Carvalho.

Logo em seguida, Virgulino e Antônio, inimigos de José Saturnino, emboscaram José Nogueira, cunhado de Saturnino, quando o mesmo voltava de uma feira em Nazaré. Ouvindo os tiros, os nazarenos correram em socorro de Nogueira, acompanhados de Levino Ferreira, que desconhecia serem seus irmãos os agressores.
 Reconhecidos os irmãos Ferreira, João Flor ordenou a suspensão do fogo e repreendeu:

- “Que é isso, Virgulino? Então você atira em seu padrinho? Não me reconheceu quando cheguei?”
 Virgulino respondeu que era aquilo mesmo, adiantando que, naquelas ocasiões, “afilhado briga com padrinho e padrinho com afilhado”.

João Flor intimou os irmãos a não retornarem a Nazaré se não quisessem viver pacificamente. Levino pulou para o lado dos irmãos dizendo que agora eram três para brigar. Estava iniciada a rixa dos Ferreira com os filhos do lugarejo.

Passaram-se alguns dias e os irmãos Ferreira voltaram acintosamente a Nazaré, provocando a todos, e poucos dias depois começaram a formar um bando. Tentaram entrar mais uma vez na povoação mas foram repelidos a bala, ocasião em que Levino foi baleado, preso e conduzido a Floresta.

Virgulino tinha votado naquele ano em Manoel Rufino de Souza Ferraz e em Ildefonso Ferraz, respectivamente candidatos a prefeito e subprefeito de Floresta. Os Ferreira procuraram então Antônio Boiadeiro, chefe político da família Ferraz, e com ele firmaram um acordo. Levino foi solto e os Ferreira mudaram-se, no segundo semestre de 1919, para Alagoas.

Virgulino não ficou muito tempo naquele Estado. Voltou a incursionar pela região de Nazaré e passou a perseguir parentes de João Flor. Temendo uma tragédia, os primos Manoel Flor e Luís Soriano viajaram no dia 24 de julho de 1923 para Floresta e solicitaram de Antônio Boiadeiro um reforço policial para o povoado. Receberam um conselho:
 - “Voltem e nada relatem a qualquer pessoa, porque não temos soldados para enviar! E se os cangaceiros souberem que vieram aqui com esse propósito, a situação vai piorar”.

O militar


O clima reinante agravava-se a cada dia. Os filhos e parentes de João Flor e de Gomes Jurubeba envolviam-se em combates com o grupo de Lampião, perseguindo-o tenazmente. Foi quando João Flor teve a idéia de solicitar o alistamento dos filhos do lugar na polícia do Estado. Pedido aceito, o alistamento foi realizado em Nazaré. Armas e munições foram distribuídas. Manoel Flor entrou na polícia como simples praça a 26.02.1925 e daí por diante não descansou enquanto não viu extinto o cangaço no Sertão.

Logo nos primeiros dias de policial, passou a ser escolhido, dentro da volante, como líder do pelotão de vanguarda e, depois, começou a comandar volantes. Promovido a cabo e a 3º sargento, com essa patente teve a elevada incumbência de conduzir um destacamento da capital pernambucana até Arcoverde, em trem especial, onde assumiria temporariamente o Comando das Forças Volantes. Foi promovido a 2º tenente comissionado, efetivo e assim por diante, e todas as promoções recebidas foram por relevantes serviços prestados.

Na campanha contra Lampião, Manoel Flor participou de inúmeros e perigosos tiroteios e combates, destacando-se os seguintes: Enforcado (dois combates), Baixas, Xiquexique, Caatinga da Pedra Ferrada e Abóboras, no município de Serra Talhada; Nazaré, Caraíba, Serra Umã, em Floresta; Pelo Sinal e outros quatro combates, em Princesa (Paraíba); Cachoeira do Galdino, em Custódia; Fazenda Açude de dona Rosa, em Flores; Poço do Cosmo, em Bom Conselho; Serra do Ermitão, em Garanhuns; Gangorra (1928), Serra da Cana Brava, Olho d`Água do Chico e Raso da Catarina (1932), todos no município baiano de Glória; Pouso Alegre, em Campo Formoso, também na Bahia.

Em 1938, foi designado para comandar um contingente policial que combateria os fanáticos de Pau de Colher, nos sertões de Casa Nova, Bahia (v. Marilourdes Ferraz, ob. cit.). Por sua atuação firme, foi elogiado pelos habitantes dos lugarejos ameaçados de invasão pelos fanáticos do beato Lourenço, que tinham vindo do sítio Caldeirão, interior do Ceará. “Num raio de aproximadamente trinta quilômetros do reduto, os proprietários, ricos ou pobres, haviam abandonado suas terras, sob pena de, não tendo aderido ao movimento místico, serem considerados anti-cristãos e ameaçados de morte na fogueira, como efetivamente ocorreu com alguns infelizes”.

Na peleja contra os fanáticos, Manoel Flor via seus companheiros travarem lutas corporais com homens enfurecidos, parecendo, segundo dizia, “verdadeiros cães hidrófobos a fustigar sem quartel os policiais que combatiam desesperadamente e nunca tinham sequer imaginado um combate naquelas proporções”. Terminada a luta em Pau de Colher, “recebeu encômios das autoridades locais e do jornal O Farol, de Petrolina”.

Como tenente, a 8 de agosto de 1939, foi designado Comandante Geral das Forças de Combate ao Banditismo, cuja sede era em Águas Belas. Lampião já estava morto e a missão era “dar combate sem trégua aos remanescentes do grupo” do famoso bandido, bem como “evitar a formação de novos bandos de cangaceiros e garantir o material (armas e munições) do Estado”. Manoel Flor acumulava essa função com o cargo de Delegado do Município.

Em fevereiro de 1940, desaparecia o último grande cangaceiro, Corisco, o “Diabo Louro”, morto pela força comandada por José Rufino (florestano de Barra do Silva). Em julho, Manoel Flor recebeu ordens do Comandante Geral da Polícia de Pernambuco para fazer recolher a Águas Belas todo o material pertencente às volantes e que tinha sido distribuído em parte a fazendeiros do Sertão pernambucano para a defesa dos mesmos. Executou a ordem com sentimento de alívio e, a 19 de agosto de 1940, apresentou-se ao Quartel General para, emocionado, prestar contas de suas atividades. Esclarece-nos Marilourdes Ferraz - filha de Manoel Flor - que já “não havia mais cangaceiros no Estado e se sentia honrado pela incumbência de extinguir definitivamente as FCCB, encerrando uma luta de mais de duas décadas”.

Mas sua carreira militar não terminaria aí. Seria ainda Delegado Regional em Limoeiro e Pesqueira (por duas vezes), onde extinguiu o maior sindicato do crime daqueles tempos, conhecido como “Sindicato da Morte”. Delegado Regional em Garanhuns e Ouricuri. Delegado de Polícia em Águas Belas e Limoeiro (depois de ser aí Delegado Regional), “a pedido dos próprios habitantes do município devido à sua atuação sensata e elogiada”. Foi ainda Delegado de Polícia em Vitória de Santo Antão, Serra Talhada e Flores, “onde procedeu a pacificação política do município convulsionado pelas ferrenhas disputas político-partidárias”.

Comandou o 1º, 2º e 3º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco. Foi um dos sócios fundadores do Clube de Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, no Recife. Comandou o Esquadrão de Cavalaria “Dias Cardoso”.

Em 1969, gravou depoimento no Museu da Imagem e do Som da EMPETUR (Empresa Pernambucana de Turismo) sobre o Ciclo do Cangaço.

O político

 Reformado, voltou a sua Terra e dedicou-se à política, “um velho sonho que palpitava em suas veias, num desejo incontido de prestação de serviços públicos, próprio da altivez do seu espírito”. Apoiado pela família Novaes, candidatou-se nas eleições de 3 de outubro de 1955 ao cargo de prefeito de Floresta, perdendo, entretanto, para Audomar Ferraz.

Nas eleições de 3 de outubro de 1958, foi candidato a deputado estadual pela UDN, obtendo em Floresta 261 votos, sendo o terceiro mais votado, atrás do Dr. João Marques de Sá (o candidato da família Ferraz) e de Antônio Cavalcanti Novaes; não conseguiu se eleger.

No ano seguinte (02.08.59) voltaria a concorrer ao cargo de prefeito, desta vez com o apoio de Ferraz. Tendo como adversário Natanael Valgueiro Barros, foi eleito com 2510 votos, contra 2185 do adversário. Nessa eleição, João Firmo Ferraz foi eleito vice-prefeito em sua chapa. Luiz Cavalcanti Novaes disputava esse cargo na chapa encabeçada por Natanael.

A posse ocorreu a 7 de novembro de 1959, estando presentes, entre outros: Dr. Gilberto Augusto Correia Gondim (Juiz Eleitoral), deputado João Marques de Sá, coronel José Jardim, tenente-coronel Jesus Jardim, padre Evaldo Bette, senhores Américo Nogueira de Souza Ferraz (vereador em Itapetinga, na Bahia, e irmão do prefeito eleito), Isaias Ferraz (tabelião aposentado e na época vereador em Altinho), João Alves de Barros, Cornélio de Souza Nogueira (tabelião em Canhotinho), tenente Euclides de Souza Ferraz, tenente da Marinha Domício de Souza Ferraz, Didácio Alves Ferraz (vereador em Serra Talhada), Edmir Ferraz Gominho (vereador em Tacaratu), Dr. José Alventino Lima (Diretor do Hospital Regional de Floresta), Dr. Aldenir Torres de Araújo, subtenente Joaquim Lopes de Barros (Delegado de Polícia em Floresta) e Mílton Marcelino (Diretor da Escola Artesanal de Floresta).

À frente do Executivo Municipal, Manoel Flor restaurou e construiu barragens na Ema, Cacimba Nova, Lagoa Cercada, Angico, Riacho da Cachoeira, Pindoba, Logradouro, Umbuzeiro, Melancia, Barra do Silva, Boião, Algodões, Ipueira e Jenipapo, garantindo a reserva d’água nesses lugares.

Em 1961, construiu 547 metros de meio-fio e calçamento com paralelepípedos na rua Dr. Tito Rosas. Fez o meio-fio na rua Pereira Maciel e parte do calçamento de Carqueja. Mandou colocar lajeados à margem da estrada que dava acesso à cidade, melhorando o trânsito na época invernosa.

Trabalhadores foram empregados na extração de pedras no município. No final de sua gestão, grande quantidade de paralelepípedos possibilitaram o calçamento de várias ruas, pelo novo prefeito. Reconstruiu e melhorou as estradas de Carnaubeira a Olho d`Água do Padre, daí ao Mingu, de Queimadas a Jaburu, de Três Voltas a Queimadas, da casa de Silvério a Olho d`Água do Padre. De Carqueja ao Frazão, do Roque a Petrolândia, de Barra do Silva a Carnaubeira. De Airi a Floresta, daí a Carnaubeira. Estimulou e efetuou a arborização no município, com a distribuição de mudas de algaroba. Prestou auxílio aos agricultores, ampliou o quadro de professores e manteve o serviço de atendimento médico gratuito e o fornecimento de medicamentos a pessoas carentes.

Foi escolhido paraninfo pelos formandos da Escola Artesanal de Floresta, turma de 1959. No ano seguinte, foi Presidente da Comissão de Auxílio às Vítimas das Enchentes. Lutou pela instalação da primeira agência bancária de Floresta, comprando e cedendo um prédio ao Banco do Nordeste do Brasil para instalação da sua agência, lutando ainda pelo prosseguimento da rodagem de Serra Talhada a Carqueja.

Construiu jardineiras nas praças de Floresta, cuidando do seu embelezamento. Recuperou e conseguiu a doação, pela Comissão do Vale do São Francisco, do poço artesiano da vila de Carnaubeira, desobstruindo 60 metros de tubulação, além de reformar a casa do motor e a caixa d’água que passou a abastecer imediatamente a vila.

Levou energia elétrica às vilas de Carnaubeira e Carqueja (motores). Mais tarde, no prédio comprado pela prefeitura para instalação do motor que servia a Carqueja, funcionaria a agência dos Correios. Realizou o aterro de um alagadiço na rua Pereira Maciel e aumentou a rede de distribuição de energia da cidade, instalando mais um transformador para melhor atender à comunidade. Somente na gestão de Flávio Nunes Novaes a Empresa de Energia Elétrica de Floresta passaria ao controle da CELPE. Providenciou o levantamento topográfico e a planta da cidade, a qual teve a oportunidade de exibir em Palácio ao então Governador Cid Sampaio.

Seu trabalho à frente da Prefeitura possibilitou-lhe receber diploma de um dos prefeitos mais atuantes no Estado, em solenidade realizada no Teatro Santa Isabel, no Recife. Não se entendendo politicamente com os seus parentes (Ferraz), apoiou e elegeu prefeito o candidato indicado pelos Novaes, por sinal outro elemento da família Ferraz: o capitão Dário Ferraz de Sá (v. capítulo).

A homenagem póstuma

A morte veio alcançar o rijo sertanejo no Recife, onde viveu seus últimos dias, a 19 de fevereiro de 1975. No dia seguinte, data do seu aniversário, era levado à sepultura “por uma verdadeira multidão de amigos, parentes e admiradores”, sendo enterrado na sua querida Nazaré. O Governador Eraldo Gueiros Leite, pelo ato nº 555, de 11 de março daquele ano, conferiu-lhe, post-mortem, a Medalha Pernambucana do Mérito, classe ouro, reconhecendo-lhe os relevantes serviços prestados a Pernambuco.

O deputado Vital Novaes requereu e viu aprovado na Assembléia Legislativa um Voto de Pesar pelo falecimento do valente sertanejo.

Floresta, através de uma carta de dona Nahy Diniz Ferraz e de Maria Júlia Cornélio (Lia), publicada no Diário de Pernambuco de 1º de julho de 1975, agradecia e louvava de público o coronel Manoel de Souza Ferraz: - “...Floresta sente-se no dever de levantar seu último preito de gratidão nesta hora em que hasteia a bandeira de luto em memória de um dos seus filhos mais destacados, construtor incessante e incansável dos alicerces da paz e da concórdia dos dias difíceis da história da nossa comunidade... Suas qualidades de soldado inundaram a aurora de sua adolescência quando o Nordeste padecia os tremendos castigos impostos por Lampião. No meio deste cenário de inquietude, insegurança e incerteza, surgiu o bravo guerreiro ao lado de tantos outros heróis que a morte igualmente levou. Foi o começo de sua vida e de sua história, que mais tarde se tornaria fragmento da própria história do Nordeste. Foi o começo de uma carreira que por seus méritos se tornaria brilhante aos olhos da atual geração. Encontramos esse bravo soldado em todas as horas desse estágio nefasto empunhando sua arma na destruição do poderoso engenho levantado por Lampião, fruto de uma época deformada...”.

O Governador Joaquim Francisco deu ao Batalhão da Polícia Militar de Serra Talhado o nome do grande florestano.

Manoel de Souza Ferraz, o coronel Manoel Flor, era casado com Maria de Lourdes Ferraz, filha de Rita Maria de Carvalho e de Antônio Freire (proprietário da fazenda Carquejo). Dona Maria de Lourdes era neta do cearense Vicente Nogueira de Carvalho, senhor de engenho na Paraíba.


O casal deixou seis filhos:

1º - Valmir de Souza Ferraz - Viúvo da professora Natércia Duarte Ferraz, é Agente Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda de Pernambuco. Deixa quatro filhos.

2º - Maria do Socorro Ferraz Nogueira - Professora, dirigiu o Núcleo de Supervisão Pedagógica de Salgueiro. Era casada com o fazendeiro e comerciante Expedito de Sá Nogueira e deixou oito filhos.


3º - João de Souza Ferraz (Joãozinho Flor) - Pecuarista e funcionário da Secretaria de Agricultura do Estado de Pernambuco, foi vereador em Floresta e é casado com Maria do Carmo Novaes Ferraz (ex-diretora do Grupo Escolar de Nazaré do Pico).

4º - Oneide de Souza Ferraz Martins - Proprietária rural e viúva de Danton Martins, deixa dois filhos.


5º - Carmen Dolores Ferraz Barros - Professora e bacharel em jornalismo e direito, é casada com o médico Nivaldo Barros. Deixa três filhos.

6º - Marilourdes Ferraz - Nascida em Pesqueira, é jornalista, professora, pesquisadora e escritora. Autora do aclamado livro “O Canto do Acauã”, onde estão narradas as memórias do coronel Manoel Flor. É membro da Academia Pernambucana de Artes e Letras e do Comitê Pernambuco/Geórgia. Foi membro do setor de Relações Públicas do CEASA. Entre outras condecorações: Medalha do Mérito Educacional, classe prata, da Comissão de Moral e Civismo do Estado de Pernambuco; Bispo Azeredo Coutinho, da Academia de Artes e Letras. Tem diversos trabalhos publicados nas áreas da educação, cultura, abastecimento e ciclo do cangaço. É casada com Ronaldo Alves e deixa dois filhos.


A 1ª imagem pertence ao acervo do indispensável:  Genealogia Pernambucana

2 comentários:

Anônimo disse...

excelente obra,resgatando a figura de um dos maiores homens que o nosso estado conheceu.

Blog do JAIR FERRAZ disse...

Parabens... excelente matéria!!