quarta-feira, 28 de julho de 2010

Opinião

28 de Julho 2010, 72 anos de culto ao herói errado

por Luiz Berto

João Bezerra
Uma simbiose perfeita entre o homem e a natureza oferece, atualmente, um espetáculo fulgurante às cidades de Piranhas (Alagoas) e Canindé do São Francisco (Sergipe) com belíssimas paisagens, exóticas formações rochosas, águas cristalinas, trilhas ecológicas; e, sobretudo, uma singularidade ímpar de vegetação diferenciadamente exuberante e diversificada fauna.

Navegando pelo Velho Chico (aquele da “unidade nacional”), mais ao sul do lado sergipano entre cânions e rochas, ninhais de garças, praias fluviais e ilhas flutuantes, encontramos o município de Poço Redondo, na antiga região de campo-santo do Morgado do Porto da Folha; e, mais precisamente, após uma trilha de aproximadamente meio quilômetro, nos deparemos com a histórica Grota do Angico.

Tal Grota testemunhou, há exatos 72 anos, a derrocada do “Cangaço” quando da morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Tal empreitada foi comandada pelo célebre, e historicamente esquecido, comandante das “Volantes”, Tenente João Bezerra da Silva (Foto), da Polícia Militar de Alagoas, na manhã da quinta-feira 28 de julho de 1938.

Entendendo-se o Cangaço como hordas de bandoleiros e salteadores que aterrorizavam as cidades e povoados da região, marcadas pelo medo, pânico, pavor, terror e desmedida violência. Entendendo-se, por outro lado, as Volantes como forças policiais surgidas na década de 1920, itinerantes e de rápido emprego tático em ações no interior dos enfeudados sertões do nordeste “sub-saariano” brasileiro e criadas para combaterem este fenômeno fora-da-lei; poderemos conhecer o real significado do acontecimento, ora em transcurso, para estas ordeiras e honestas comunidades sequiosas de desenvolvimento e melhor qualidade de vida.

Contudo, não devemos nos esquecer que, na gênese do cangaço, mormente sua atividade criminosa e não justificada, manifestava-se uma forte reação social ao obtuso poder central, ao descaso dos políticos regionais e aos “coronéis de terra”, responsáveis pela miséria, trabalho servil e pelo abandono das populações interioranas da região Nordeste do Brasil.

Portanto, em vez de se querer “endeusar”, “martirizar” ou “canonizar” a figura de um bandido; conclamamos que seja feita uma revisão histórica dos fatos, atos e personagens envolvidos nos episódios em pauta. Talvez, se conhecêssemos melhor o verdadeiro papel das Polícias Militares (Força Pública ou Brigada Militar, à época) - em particular - as Forças Volantes; e, mais ainda, a trajetória policial-militar do Coronel Bezerra (então Tenente); talvez, não se cultuassem facínoras ou heróis errados de todos os matizes.

 
João Bezerra sentado fila de baixo, é o sétimo da esquerda para a direita.


O texto é de 2008. Atualizamos a data até porque todos hão de convir que Lampião é sempre atemporal.

Pesquei no :Besta Fubana

Um comentário:

José Mendes Pereira disse...

É verdade Luiz Berto.

Todos que participaram da caçada aos bandidos são merecedores de um elogio, de uma admiração e um cantinho bem reservado ao lado da fama.

Não importa se Lampião foi morto por estratégia, quando muitos dizem ter sido covardia. O bom mesmo era que Lampião tivesse sido abatido em combate. Aí, sim!

Mas já que ele era um grande destemido e difícil de ser pego em combate, os policiais usaram as suas táticas para por fim o bandoleiro mais perigoso do Brasil.

Mas eu parabenizo o grande homem do cangaço, o rei Lampião, pela sua coragem, pela sua inteligência e por não ter tido medo de ninguém.

José Mendes Pereira- - Mossoró-RN.