terça-feira, 16 de março de 2010

Novo livro na praça

Diga lá, Xará! 

O autor

Marcos Edilson de Araújo Clemente, filho de Inácio Catingueira e dona Maria de Lourdes, nasceu em Paulo Afonso e sua formação acadêmica concentra-se na área da História. É doutorando pela UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre pela UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas – São Paulo e é graduado pela Universidade Católica do Salvador. Foi professor concursado da Universidade do Estado da Bahia, em Paulo Afonso. Atualmente é professor efetivo da Universidade Federal do Tocantins–UFT. Tem artigos publicados em revistas periódicas de circulação nacional.

A obra

Este é um livro convidativo. Folheando suas páginas o leitor encontrará uma abordagem singular sobre o cangaço e o seu consagrado chefe Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.
  
Diferente da maioria das obras sobre o tema, que buscam narrar fatos da vida do Rei do Cangaço - desde seu nascimento em Villa Bella, atual Serra Talhada-PE, perpassando pelos episódios de bravura ou de crueldade atribuídas àquele cangaceiro, até sua trágica morte em Angicos, sertão de Sergipe, em 1938- a perspectiva deste estudo migra do campo da história para o da memória.
  
O autor sai do lugar-comum e “procura compreender como vem se constituindo uma memória coletiva do cangaço e ainda como vêm se construindo imagens sociais de Lampião em diferentes localidades do sertão nordestino.”
  
Preocupa-se o historiador em explicar as múltiplas apropriações da personagem de Lampião em cidades que podem ser consideradas como centros irradiadores da memória do cangaço, a exemplo de Serra Talhada e Triunfo, em Pernambuco; Piranhas, Alagoas; Poço Redondo, Sergipe e Mossoró, Rio Grande do Norte. Todas elas, cada uma a seu modo, reivindicam para si uma forma singular de discutir o cangaço e Lampião, com o objetivo de compreender os problemas sociais que historicamente assolam a região sertaneja.
  
A pesquisa revela como se organizam nessas localidades os grupos ativos de defesa da memória, associações culturais e os museus do cangaço. Simultaneamente, revela também que Marcos Edílson é um historiador que não mede esforços para reunir e analisar fontes de estudo, ainda que estejam em lugares geograficamente distantes.
  
O foco do livro, no entanto, é a notável apreciação que o autor faz ao discutir os processos de constituição da memória coletiva do cangaço protagonizado pela Associação Comunitária dos “Cangaceiros” de Paulo Afonso, Bahia, sua cidade natal. O autor tece uma narrativa fluida, correta e atraente amparada em reflexões da moderna historiografia, ao lançar mão de relatos, de evidências e de pistas aparentemente sem importância das recordações individuais e coletivas, trilhando um caminho ainda hoje pouco explorado.
  
Marcos Edílson, docente da Universidade Federal do Tocantins, mestre em história pela Unicamp, atualmente doutorando pela UFRJ, recupera a história da agremiação e analisa o sentido das suas práticas sociais. Para tanto, transita e dialoga com domínios da história e da memória cujo aporte teórico provém de clássicos da historiografia francesa e inglesa como Jacques Le Goff, Pierre Nora, Maurice Halbwachs e Eric Hobsbawm, entre outros.
  
Lampiões acesos: o cangaço na memória coletiva, obra de título curto e sugestivo que remete o leitor para esse campo de conhecimento das memórias coletivas do cangaço, é um desdobramento de uma dissertação de mestrado defendida com distinção na Unicamp, em 2003. Trata-se, portanto, de um livro de muitos méritos tanto pelas teorias que o amparam como pelo objeto empírico que analisa. Finalmente, deve perguntar o leitor, o que a agremiação de Paulo Afonso recorda e imagina de Lampião e do instigante universo do cangaço? Deixamos ao leitor o prazer da descoberta. Nada como mergulhar na leitura desse livro e perceber que a história também se faz com muita recordação e pouco esquecimento.

Débora Cavalcantes de Moura 
Professora de língua portuguesa
Doutoranda em Literatura Brasileira - UFPB


Para contato e aquisição do livro:
Marcos Edilson de Araújo Clemente.
Rua Liberdade, 1040, Setor Itapuan 
Araguaina- TO 
CEP. 77823-550
(63) - 3414 - 0117 / 8131 - 8096.

Um comentário:

marcelo disse...

o que vc acha do livro de josé geraldo aguiar lampião o invencivel. sera que teria alguma chance dele naõ esta em angico na quele dia?