quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Devaneios que inspiraram lixos literários

Seu dotô, pode botar aí, que foi verdade! 

Por: Ivanildo Silveira

O jornalista baiano, Juarez Conrado (vide foto), na década de 80, escreveu para o Jornal "A Tarde", uma série de 03 reportagens, depois transformada em livro, sobre os últimos dias de Lampião, antes da chacina, que o vitimou, na Grota do Angicos/SE, em 28/julho/1938.

Com base em depoimentos de coiteiros e ex-cangaceiros, em entrevistas com testemunhas oculares, e apoiado em cuidadosa pesquisa, que incluiu visitas ao cenário dos acontecimentos, o jornalista refez os sete dias, os últimos da vida do Rei dos cangaceiros.

Uma das reportagens feitas pelo citado jornalista, foi com o grande coiteiro " Manoel Félix" (vide foto, logo abaixo). Esse coiteiro esteve com Lampião, na Grota do Angico, em vários dias, seguidos, inclusive, no penúltimo dia que antecedeu a morte do Rei do Cangaço.

O grande coiteiro "Manoel Félix"

Nascido e criado em Poço Redondo, de onde jamais se afastou, trabalhando sempre no campo, Manoel Félix um sertanejo calmo e tranquilo, e, certamente, a principal testemunha de tudo o que ocorreu com "Lampião" e seu bando durante os sete dias de permanência na Grota do Angico, onde, surpreendido pela tropa do tenente Bezerra, encerrou, tragicamente, os 22 anos de aventuras pelos sertões de sete estados nordestinos.

Cortesia do pesquisador/escritor- Dr. Sérgio Augusto de Souza Dantas

Durante muito tempo conviveu com "Lampião", sendo por ele encarregado da aquisição de mantimentos na feira de Piranhas, no Estado de Alagoas, do outro lado do Rio São Francisco, bem à frente de Canindé.

Manoel Félix como a grande maioria dos moradores de Poço Redondo/SE de uma certa idade, viu de perto "Lampião", a quem jamais traiu ou temeu, porque dele ignora qualquer crueldade praticada na região contra os que ali viviam, o que não acontecia, porém, com as "volantes", temidas e odiadas pela barbaridade de seus integrantes que, no afã de compensarem sua incapacidade em descobrirem o bandoleiro, martirizavam com seus impiedosos tratamentos a quantos julgavam "coiteiros".

Manoel Félix , amigo particular de Virgulino Ferreira da Silva, a quem reconhece "um homem fino e educado", embora lamentando o seu trágico fim, "porque um homem como Lampião não devia morrer assim", confessa ter sentido "uma frescura de alivio no espinhaço" ao certificar-se de sua morte, pois, mais dia, menos dia, sabia que também ele acabaria torturado pelas desumanas "volantes".

Seu depoimento gravado, que nos prestou em Poço Redondo/SE, percorrendo em nossa companhia os principais pontos por onde "Lampião" passou, é o maior documento que pode existir sobre os últimos dias do "Governador do Sertão".

Viajou com Lampião

Manoel Félix que já conquistara a confiança de Lampião, teve oportunidade de fazer algumas viagens em companhia do famoso bandoleiro, a última das quais à localidade conhecida como Capoeira, às margens do Rio São Francisco, fato ocorrido após sua chegada à Gruta do Angico.

Em meio à viagem, pegaram uma cabra, do que se encarregou o próprio Manoel Félix, com ela preparando o almoço, já por volta das quatro horas da tarde. Propositadamente, tendo em vista que o encontro se daria à beira do rio, por onde navegavam muitas canoas, "Lampião" permaneceu escondido no mato até o cair da noite, quando foi se avistar com o fazendeiro Joaquim Rizério, com quem fizera as pazes após longos anos de feroz inimizade. O que conversaram ninguém veio a saber, pois a reunião entre ambos foi sigilosa, em local reservado.

Poupava as cobras

Já de retorno à gruta, um fato chamou a atenção de Manoel Félix: a preocupação de Lampião e seu bando em não matarem cobras por mais venenosas que fossem. Disso, aliás, o próprio coiteiro teve provas quando, distraidamente, ia pisando uma cascavel que surgira em meio ao caminho. Pegando de um pau para matá-la, foi impedido por Zé Sereno, que não permitiu, procurando, com muito jeito, fazer com que a cobra retornasse aos matos de onde havia saído.

Em outra,oportunidade, quatro ou cinco dias antes da chacina, Manoel Félix, em companhia do seu irmão Adauto, foi até a gruta levar para Lampião certa quantidade de doce de côco, por ele muito apreciado, tendo o cangaceiro, bastante satisfeito, agradecido o presente, logo distribuído em pequenas quantidades com algumas mulheres do grupo, como Maria Bonita, Enedina, Cila, Maria, Dulce e Maria, mulher de Juriti.

Nesse dia, havia chegado um sobrinho de Lampião, chamado de “José” – de 18 anos, a fim de integrar-se ao bando, tendo "Lampião" encarregado o coiteiro de comprar na feira de Piranhas/AL, do outro lado do rio, a mescla para preparar o bornal do jovem, o que, entretanto, não chegou a acontecer, como veremos mais adiante.

Lampião esperava “Corisco e Labarêda”


Conquanto nada lhe dissesse diretamente, porque com ele não conversava sobre assuntos internos do grupo, Manoel Félix ouviu de Lampião, na véspera de sua morte, estar na expectativa da chegada de Ângelo Roque, o "Labarêda", que fora a Jeremoabo, e de Corisco, que se encontrava do outro lado, em Alagoas.

Embora a conversa sobre esses dois bandoleiros fosse com Zé Sereno, Manoel Félix sentiu por parte de Lampião certa preocupação ante a demora dos mesmos, preocupação que o levou a conjecturar sobre um possível encontro com as volantes, hipótese logo descartada porque, segundo disse, "se fosse macaco a gente já tinha sabido".

Até às 18 horas do dia 27/julho/1938, véspera da morte de Lampião, quando deixou a Grota, Manoel Félix não registrou a chegada de nenhum dos dois celerados, confirmando-se depois que se encontravam ausentes no momento do cerco pela tropa do Tenente João Bezerra.

Contatos

Outro detalhe muito importante relatado por Manoel Félix é o que se relaciona às ligações de Lampião com influentes fazendeiros, principalmente nos estados de Bahia, Alagoas e Sergipe, embora sempre com o cuidado de não revelar, nem mesmo aos seus mais chegados seguidores, a identidade desses indivíduos.

Na última semana de vida, Lampião  manteve, lá do Angico, contatos com vários desses fazendeiros através de emissários que despachava secretamente, e dos quais, por motivos óbvios, exigia absoluto segredo de suas missões, geralmente com o objetivo de apanharem dinheiro, mantimentos, armas e munições.

De quem chegava, ou de onde chegava o que ele precisava, Lampião fazia questão de não relatar, mantendo tudo sob o mais completo sigilo.

A confiança de Luiz Pedro

Por volta das 15 horas do dia 27/Julho/1938, treze horas portanto, antes do cerco que lhe causou a morte, Maria Bonita, que na opinião de Manoel Félix, não competia em beleza com Cila, deixou a gruta, onde se encontrava com os companheiros, e foi banhar-se no riacho que passa próximo a entrada da mesma.

O coiteiro descreveu-nos a fiel e corajosa companheira de Virgulino Ferreira a Silva, assim à vontade, como uma: "mulher baixinha, toda redondinha, uma carinha bonita e com dois olhos pretos e grandes, morena clara, cabelos negros e lisos, quadris relativamente largos, cintura fina, tendo os braços e pernas roliços e muito bem feitos".

Muito "prosista e conversadeira", brincava bastante com alguns dos bandoleiros, pelos quais era respeitada, apesar de muitos deles levarem essa brincadeira mais além, como Luiz Pedro, por ela chamado de “Caititu”, e que gozava da maior confiança e intimidade da mesma e do próprio Lampião, seu compadre.

Nada de anormal até o momento? Realmente o Juarez tava indo até "marro meno"... vejam como a "invenção" de um gesto poe em cheque a autoridade do Rei do cangaço perante seu comandados. (Kiko Monteiro) 

Nessa tarde, por sinal, depois de "caçoar" com Luiz Pedro, deixando de fazê-lo somente no momento em que se dirigia para o riacho, o bandoleiro, que estava sentado sobre uma pedra, deu-lhe uma palmada mais ou menos forte nas nádegas, fazendo-a correr na direção do pequeno córrego, enquanto Lampião, que a tudo assistia, sorriu como se nada tivesse acontecido.

Na véspera da morte

Manoel Félix recorda-se que, na véspera da chacina, quando esteve com Lampião, informou não lhe ter sido possível comprar na feira de Piranhas, em Alagoas, tudo o que ele mandara (carne, peixe, queijo, agulhas, chapéu de couro, uma máquina de costura e brim mescla), porque, como já dissemos na reportagem anterior, a Polícia passou a vigiá-lo.

Ainda assim, entregou as agulhas de Maria Bonita, devolvendo a Lampião os 200.000 réis que dele recebera para adquirir mantimentos. Conversaram durante longo tempo, comendo queijo, que chegara da Fazenda Mulungu, de onde o bando havia recebido certa quantidade de farinha e açúcar.

Lampião mostrava-se bem disposto, pedindo-lhe, inclusive, que lhe cedesse o cinturão em virtude do seu já se encontrar bastante estragado.

Também Maria Bonita, muito "prosista e conversadeira", conversou com Manoel Félix, procurando informar-se da situação financeira do mesmo e dos seus familiares.

Aliás, desde o primeiro encontro que teve com o grupo, na Fazenda Bom Jardim, em Sobradinho, no local conhecido como “ Olho D'Água de Antônio Jorge", quando foi levar banha de peixe que o seu tio Lisboa Félix, também amigo e coiteiro de Lampião, mandara para o cangaceiro "Boa-Noite" passar no joelho doente, que "Maria Bonita" demonstrou haver gostado dele.

Nessa tarde, dia 27 de julho, Manoel Félix recorda-se de que vários cangaceiros jogavam cartas, entre eles Juriti, Passarinho, e Sereno, Luiz Pedro, José de Julião, Moeda, Mergulhão, Colchete, Alecrim, Fortaleza, Cajazeira, Criança, Quinta-Feira, Elétrico, Macela, Canário e Caixa de Fósforo, enquanto outros passeavam nas proximidades.

Luis Pedro, teve oportunidade de mostrar-lhe, e ao seu tio Caduda, que estava em sua companhia, grande quantidade de ouro guardada numa pequena caixa, como anéis, correntões e argolas.

Este bandido, de estatura mediana, claro, cabelo miúdo, e muito alegre, juntamente com Manoel Moreno e Zé Sereno, preparou a comida para o grupo na véspera da morte.

Embora não lhe revelassem plano de ataques a qualquer cidade, Manoel Félix pôde ver que o grupo contava com grande quantidade de armas e munições, como fuzis e revólveres, além de punhais.

Na última tarde que teve de vida, Lampião, segundo  Manoel Félix estava absolutamente tranqüilo, chegando mesmo a fazer pilhérias quando soube do medo que causava ao coiteiro a possibilidade de ser descoberto pelas volantes. Aliás, nos últimos meses, Lampião parecia mais acomodado, um tanto diferente porque sempre pensativo, o que não impedia, porém, de manter a autoridade sobre o grupo, inclusive com os mais temíveis dos seus integrantes, como aconteceu com Luiz Pedro quando este, querendo botar o seu cachorro para brigar com "Guarany” o de "Lampião", acabou se desentendendo com o chefe, de quem levou, sem responder uma única palavra, séria repreensão.

Com relação ao cachorro “Guarany” ocorreu um fato interessante na segunda-feira que precedeu à chacina do Angico: descansando, com a cabeça recostada a uma pedra, Lampião cochilava, tendo ao lado seu fiel cão de guarda, quando dele se aproximou Zé Sereno, trazendo um bode que capturara pouco antes.

Vendo o animal, “Guarany”, latindo muito, avançou sobre ele, assustando-o, fazendo com que bode, espantado, pulasse sobre Lampião, que, extremamente supersticioso, vendo na reação do bicho um possível mau sinal, ordenou, aos gritos, que Zé Sereno soltasse imediatamente "esta peste", no que foi prontamente atendido.

Até às 18 horas do dia 27/julho/1938, aproximadamente, Manoel Félix permaneceu no Angico, de onde saiu com a recomendação feita por Lampião para retornar no dia imediato, madrugada ainda, pois eles teriam que viajar, tudo indicando que, como das vezes anteriores, a última das quais na Fazenda Santa Filomena, distante duas léguas da sede de Poço Redondo/SE, iria receber 50 ou 100 mil reis de gratificação, pelos serviços que prestou.

Este, o encontro que jamais iria se realizar, pois, de acordo com as instruções recebidas, ao se dirigir, na madrugada do dia imediato (28/julho/1938), para a Grota do Angico , à certa distância ouviu o tiroteio terrível, o que lhe deu a convicção de que, afinal, a volante houvera descoberto o esconderijo de Virgulino Ferreira da Silva, cercara-o e se encontrava dando-lhe combate, sobrevindo, a morte do Rei do Cangaço, naquele fatídico dia.

Fonte: Segunda reportagem publicada em 28/05/1980) no Jornal "A TARDE" / Salvador
Autor: Jornalista Juarez Conrado


Considerações

Realmente, eu achei, também, muito estranho, a narrativa do autor da matéria, ao tecer comentários na reportagem sobre "Maria Bonita", tendo informado: É a narrativa de um fato inusitado, envolvendo "Luiz Pedro  e Maria Bonita", e que deixa os estudiosos/pesquisadores do cangaço de "orelha em pé ". Como se vê, ou o jornalista exagerou na sua narrativa, ou o coiteiro Manoel Félix, lhe narrou o fato, de maneira diversa do ocorrido, na realidade. 

Na minha opinião, acho difícil e improvável, que tal fato, tenha ocorrido.

Convém, também salientar, que na literatura cangaceira, pelo menos nos livros que li até hoje, não constatei, nenhuma linha, em relação ao comportamento de Maria Bonita, em que o rei do cangaço tenha externado "cenas de ciúmes", da parte dele, em desfavor de algum cangaceiro " . 
 
Como se constata, há muitas informações relativas ao "casal Rei do Cangaço", que precisam de uma melhor análise, separando-se o fato real, da lenda, bem como as insinuações de alguns escritores .

Um abraço a todos, 
Ivanildo Silveira
Natal/RN

8 comentários:

Sérgio Dantas disse...

REPUBLICANDO, POIS FICOU 'APÓCRIFO':

Pelo texto vê-se que não é de hoje que se tenta, a todo custo, criar 'factóides' em torno da figura do lendário bacamarteiro.
Luíz Pedro estava com Lampião desde 1924 e ficou ao lado deste, como fiel escudeiro, até 28 de julho de 1938.
Pelo que se sabe, o 'cabra' sempre levou uma vida - mesmo fora da sociedade convencional - pautada pela amizade, obediência e profundo respeito por Lampião. Não consigo imaginar a ocorrência de uma cena lasciva como essa de 'passar a mão nas nádegas' da mulher do amigo.
Seria leviano demais!
A pergunta que fica é: tratava-se de um esconderijo de cangaceiros ou de uma sala requintada do bordel da cafetina franco-carioca 'Madame Légrand'?
Saudações
Sérgio

Rostand Medeiros disse...

Infelizmente, em meio a um tema tão popular, como é o caso do cangaço, não é de hoje que toda sorte de pessoas, desejosos de alcançarem pseudos holofotes, criam em relação a este tema tantos fatos hilários, ridículos e tornando o debate, a pesquisa sobre este assunto, muitas vezes motivo de piadas.
Não é a toa que setores da academia torcem veementemente o nariz quando o assunto é a pesquisa histórica sobre este tema. Para muitos mestres universitarios, as fontes envolvendo o tema cangaço são tão poluídas de tantas farsas e mentiras, que eles desestimulam seus pupilos a perderem tempo pesquisando uma temática que vai levar seus orientados para a vala comum da graduação. Para os mestres é complicado, não fica de “bom tom”, ter no seu currículo um dos seus alunos sido orientado para esta temática.
Não é difícil percebermos nos cursos de história das universidades nordestinas, área onde o fenômeno ocorreu, salvo raras exceções, a pouca produção acadêmica sobre este tema.
Em contrapartida sobram livros feitos na base do “Crtl V, Crtl C”, sem metodologia, cheio de informações batidas, onde as pessoas preferem o carpete, o ar-condicionado e a poltrona, ao invés de cair em campo, “comer poeira”, pesquisar nos locais onde os fatos ocorreram e com as pessoas, ou os descendentes dos que vivenciaram os episódios. Se ir para o sertão é difícil, imagine entrar em um arquivo cheio de fungos, ácaros e poeira.
Melhor é a invencionice.
Realmente, sou feliz por viver em um país democrático, onde todos podem expressar suas opiniões livremente. Entretanto temos de ler e escutar muita bobagem.

Sergio Dantas disse...

DA SÉRIE 'PERGUNTAR NÃO CUSTA':

ONDE ANDA GEZIEL, O CABRA-DO-PARÁ, QUE É ONIPRESENTE NO ORKUT, MAS NÃO APARECE AQUI?
ABRAÇO

Geziel disse...

Estou aqui encrenqueiro atrás de vc,mas fiquei refletindo sobre uma fala de Rostand, em que ele dizia no orkut que é porisso e por outras que a academia não se interessa pela pesquisa cangaceirista, se isso for verdade o caso é grave pois assim a temática estará nas mãos de escritores incipientes, não queerendo levantar uma bandeira academicista mas de uma pesquisa confiável e com método.

Sergio Dantas disse...

Apareceu.....cabra safado!

Narciso disse...

Nessa estória toda Manoel Félix não cruzou com Pedro de cândido ou Durval Rosa na sala-de-estar de Angico às vésperas do fatídico dia? Estranho!!!

Mendes e Mendes disse...

Pensando bem, é verdade o que afirma o escritor Rostand Medeiros, que muitas histórias são motivos de piadas, mesmo por depoentes que tentaram enfeitar o que aconteceu no movimento social dos cangaceiros.
As respostas do cangaceiro Balão ao repórter da Revista Realidade em novembro de 1973, foram mais do que fantasiadas, muito embora, existem outras que tem fundamentos.
Existem informações que quem armava Lampião, era o João Bezerra da Silva. Mas na minha humilde opinião, não há fundamento, uma razão é que: Qual é o inimigo que arma o seu próprio adversário para depois arriscar a vida? Só em vídeo game, quando muitos morrem e depois voltam a viver novamente para darem inícios aos ataques.
Por último, foi lançado um livro do senhor José Alves Sobrinho (parente de Zé Saturnino, que segundo Lampião, era o responsável pelas declinações da família Ferreira), afirmando que o rei não morreu em Angicos na madrugada de 28 de julho de 1938, tendo falecido aos 83 anos no Estado de Goiás.
Pela lógica, se Lampião tivesse escapado da chacina de Angicos, como ele era vingativo, teria voltado às suas origens, e formado um novo bando, que talvez, aproveitando os que restaram do seu poderoso grupo.
Qualquer pessoa que vive envolvida nas histórias lampiônica, e que conhece bem as fotos do rei (qualquer uma), e se observar a que foi feita após a chacina da grota onde existe um corpo e sobre ele uma garrafa de bebidas, não terá dúvida. Aquele corpo era do rei Lampião.
Aos poucos eu vou concordando com o escritor Alcindo Alves, no seu livro: (... Mentiras e Mistérios de Angicos).

Abraços aos confrades do Cariri Cangaço.
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.

JOSÉ MENDES disse...

Apesar de ser um estudante de um pouco mais de dois anos, e creio que ainda não tenho cinco por cento de conhecimneto sobre a literatura lampiônica, por ela ser vasta, mas eu também tenho a mesma opinião do Doutor Ivanildo Alves da Silveira.
Quando se respeita alguém, não há brincadeiras. O respeito de todos os cangaceiros com Maria Bonita e com Lampião era preservado. Lampião era na verdade um empresário, pois se contratava, tinha a sua empresa, muito embora para ele, do bem, e para nós, do mal. Qual é o patrão que se mistura com os seus funcionários? Nenhum! Do contrário perderá o respeito e não saberá mais como contornar. Por que era que no acampamento Lampião se isolava dos seus comandados, armando a sua central administrativa um pouco longe dos asseclas? Justamente para que eles o respeitassem. Se ele vivesse misturado com os cangaceiros, salvo uma reunião, chegaria o dia em que perderia por total o seu respeito.
Eu acredito que o coiteiro Mané Félix deu uma deslizadinha, quando afirma que Luiz Pedro deu uma palmadinha meio forte nas nádegas de Maria Bonita. E Lampião que assistia de camarote, não disse nada.

Felicidades aos confrades do Cariri Cangaço.

José Mendes Pereira
Mossoró-Rn.