quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Fotos

 Cabras do Rifle de Ouro

Reuni algumas fotos de cangaceiros que pertenceram ao bando de Antônio Silvino ou o acompanharam em alguns momentos. 

Importante ressaltar que Antão Godê chefiava um bando independente mas que se juntava com Antônio Silvino quando necessário. 

 


Os cangaceiros Luiz e os outros dois desconhecidos acompanhavam Godê e aparecem em fotos ao lado dele.

 Créditos para Guilherme Velame Wenzinger

José Onias de Carvalho

As impressões de um repórter que esteve no Angico após o massacre

Por Valdir José Nogueira de Moura

Como repórter, o belmontense José Onias de Carvalho, também fez a cobertura do Combate de Angico, em que morreram Lampião e mais dez cangaceiros. Sobre o ocorrido, ele narrou os fatos nas páginas 10, 11 e 12 do livro de sua autoria “Memórias de um Matuto Sertanejo”.
 

José Onias era primo legítimo de Antônio Alves de Carvalho Barros, o famoso Antônio da Umburana, membro dos "futuqués", assassinado em outubro de 1918 na Vila de São João de Campos, hoje Mirandiba, que naquela época era distrito de Belmonte.

 

José Onias no Porto da cidade de Piranhas, AL, quando embarcava para a Grota de Angico, para fazer a cobertura da morte de Lampião.

José Onias de Carvalho nasceu em Belmonte/PE no dia 16 de março de 1901, filho de Antônio Onias de Carvalho e Maria da Luz Onias de Carvalho. Foi prefeito de Propriá no Sergipe, deputado estadual por aquele estado e também por Alagoas, e 6 vezes deputado federal. 

 

Confira neste trecho do livro Memórias de um matuto sertanejo, a descrição da expedição.






segunda-feira, 25 de julho de 2022

SAINDO DO FORNO!

 Novidades literárias que estarão na ´latada´ do "Cariri Cangaço Piranhas - 2022"

"Lampião e Benjamim Abraão - Uma das mais importantes reportagens fotográficas dos últimos tempos" ; de Angelo Osmiro Barreto.

 


O historiador, pesquisador e escritor Angelo Osmiro Barreto, nos brinda a todos com mais um importante trabalho literário saído da sua talentosa lavra.

Publicação com o prestigioso selo da Editora Sebo Vermelho, de Natal, RN. Adquira entrando em contato com o autor: (85) 99987-1646

Ângelo Osmiro, entre inúmeras outras atribuições, é presidente do insigne Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC.


"Manoel Neto no rastro de Lampião"; de Leonardo Ferraz Gominho.

 


Interessado? Pode enviar mensagem via zap (82) 99949 - 9831. R$ 60,00 (incluso correio), pagamento por PIX ou depósito em conta corrente Banco do Brasil ou Caixa Econômica.

 

“Lampião e a aliança de Gonzaga”; Novo livro de Valdir Nogueira

 


No alvorecer do dia 20 de outubro de 1922 a pacata cidade de São José do Belmonte teve a sua paz abalada ante a invasão e um massacre impiedoso, impetrado por um bando de cangaceiros que tinha como objetivo específico dar um fim a vida do industrial e bem sucedido coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz. Envolvendo as duas tradicionais famílias do lugar, Pereira e Carvalho, esse triste episódio por muito tempo permaneceu velado na cidade, deixou cicatrizes profundas. Até hoje, há quem se emocione ou evite falar sobre o fato que espalhou sangue e dor pelo município.

Assim como outros pesquisadores, desvendando mistérios, Valdir Nogueira, tenta elucidar, através dessa sua nova obra literária, a grande trama que foi o cruel assassinato, daquele que tentou desenvolver São José do Belmonte: Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, empresário ousado e empreendedor, um homem que ascendeu socialmente por esforço próprio, e que, infelizmente, teve a sua vida ceifada pelas balas assassinas do famigerado banditismo.

Sobre o novo livro de Valdir comentou o historiador e escritor Sérgio Augusto de Souza Dantas, prefaciador da referida obra:

“O presente trabalho chega em excelente hora. Pretende o autor – e o consegue com êxito – analisar devidamente um dos icônicos eventos protagonizados por Lampião, quando ainda incipiente chefe de grupo de cangaceiros e recém egresso da confraria capitaneada pelo célebre Sebastião Pereira, o “Sinhô”. Sem dúvida, cuida o presente trabalho do mais ousado episódio do início da carreira do hoje famoso cangaceiro pernambucano. Evento importante, mas que tem sido repetidamente desconsiderado pelos estudiosos do controvertido personagem. O assalto a Belmonte e o consequente assassinato de importante figura política do lugar – não nos custa destacar – são marcos em sua turbulenta vida de crimes. Será através destas duas ações que o apelido “Lampião” se consolidará em definitivo pelos sertões”.

A apresentação é do artista plástico Manuel Dantas Vilar Suassuna, e Orelha do historiador e escritor Igor Cardoso, ora editado sob a chancela do Centro De Estudos De História Municipal - CEHM, que promete trazer luz a um dos mais polêmicos episódios do cangaço, que no dia 20 de outubro do corrente ano completará 100 anos.

Para adquirir entre em contato com o autor pelo (87) 99652-9650

"Lampião: a construção de um mito" ; de Maria Otilia Souza.


 


Nesta obra, da  professora e escritora capelense Maria Otília Cabral Souza, que tem apresentação do ilustre Dr. Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço; a autora aborda a criação da imagem de Lampião como elemento simbólico do Nordeste, e por esse viés semiótico mostra os elementos que influenciaram esse processo, a exemplo da fotografia e seu caráter simbólico na construção e perpetuação do mito Lampião, a literatura de cordel como gênero épico na construção do herói popular, a visão midiática que o cinema propõe e sua postura crítica, a visão romanceada do herói bandido no romance e na música e por último, o papel da cultura de massa na descaracterização de Lampião.

Segundo a autora, "O desejo de transformar pessoas complexas e lendárias como Lampião em imagem símbolo torna-se cada dia mais forte, e na fronteira entre o passado e o presente quando impera o desconhecimento predomina a necessidade de reinventa-lo. Não importa ser, importa parecer. É nesse momento que o passado histórico doloroso se perde ancorado em novas interpretações. Destroem-se os valores históricos e se refaz uma nova imagem de Lampião. Ele se transforma em um produto de consumo exótico, extravagante e deixa para trás sua história, sua verdade.

Nesta obra a autora dá relevante destaque a dois importantes episódios de Lampião em Capela. História que há mais de 90 anos encontrava -se esquecida.

Após árdua tarefa de compilar informações, dirimir dúvidas, filtrar narrativas passadas, na incessante busca da verdade comparada, procurou narrar com extrema fidelidade fatos já conhecidos e vários outros inéditos com riqueza de detalhes e registros fotográficos desses dois episódios: Uma entrada inesperada em 1929 e uma tentativa frustrada em 1930 graças a coragem dos capelenses que lutaram com heroísmo em defesa da cidade.

A obra está à venda ao preço de R$ 50,00 + R$ 13,00 = 63,00 para qualquer parte do Brasil. Pix (79) 9 9909-6309.

"Quem Matou Delmiro Gouveia?", de Gilmar Teixeira.

 


A obra que está em sua segunda edição, traz um dos mais polêmicos episódios do começo do século passado, quando o um dos mais ousados empreendedores da história do nordeste, o cearense de Ipu, Delmiro Gouveia é alvejado a bala na varanda de seu chalé, no final da tarde, na localidade de Pedra, atual Delmiro Gouveia.

O livro é uma verdadeira odisseia na busca da elucidação dos fatos, confrontando depoimentos e notícias da época, rastreando fatos que passaram despercebidos quando ainda no calor dos acontecimentos. Vale a boa leitura e o conhecimento dos registros. Agora é esperar o lançamento do livro de Gilmar Teixeira e colocar mais lenha na fogueira das "mentiras e mistérios" das histórias do nordeste.

Para adquirir entre em contato com o autor pelo (75) 99199-1601

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Benício "Saracura"

Como foi a vida deste cabra após o cangaço (Atenção: foto inédita)

Por Moisés Reis

Benício Alves dos Santos era paripiranguense, entrou para o cangaço após desacertos com a polícia local e foi combater ao lado do notório Labareda. Sua vida durante o cangaço é relativamente bem conhecida. Saracura ficou famoso por aparecer em um famoso documentário onde é descrito por "Zé Rufino" como um homem destemido e inteligente, capaz de comandar um grupo por conta própria.
 

"Saracura" preso em Salvador

No mesmo documentário Benício aparece já como funcionário público do Instituto Médico Legal da Bahia. Em uma breve entrevista, entre informações sobre a vida bandoleira, deixa claro que não gostava de falar do cangaço.
 

Tudo que foi dito até aqui, não é novidade para quem gosta e pesquisa sobre o cangaceirismo, contudo, recentemente, tive a oportunidade ímpar de entrevistas Silvano Andrade Santos, filho de Benício. A descoberta do contato me foi gentilmente passada pelo pesquisador Kiko Monteiro (Blog Lampião Aceso).
 

Por telefone, Silvano me passou as informações que faltavam para compor o perfil de "Saracura" após o fim do cangaço e finalmente compor a historiografia sobre o tema.

Saracura faleceu ainda jovem, aos 59 anos, contrariando a tradição de longevidade dos cangaceiros sobreviventes ao cangaço. A data exata do seu falecimento é 2 de junho de 1975, morreu de hepatite e foi sepultado em Salvador.
 

Benício nasceu no dia 1º de novembro de 1916, se entregou em 1940 em Paripiranga e seguiu para cumprir pena em Salvador. Após cumprir sua sentença, continuou morando na capital, mas, de acordo com Silvano, fez diversas visitas à Paripiranga após o cangaço. Foi na fazenda de um amigo, Ramiro Vieira de Andrade, que conheceu a sua segunda mulher com quem viveria pelo resto de seus dias.
 

A filha do fazendeiro que encantou Saracura foi Josefa Vieira de Andrade Santos, ainda viva, com 83 anos, residente em Itaberaba, a 288 km de Salvador. Foi dela que Silvano retirou a maior parte das informações a mim passadas para a composição deste artigo, uma vez que ele tinha apenas 11 meses de idade quando o pai faleceu.
 

Sua vida cotidiana era dedicada ao trabalho e à família, tornou-se um cidadão tranquilo, ordeiro, casado, pai de quatro filhos, três biológicos e um adotivo. Como ele mesmo afirmou no documentário já citado, não gostava de falar do cangaço e está aí o motivo de sua vida civil não ter sido devidamente documentada até agora. 

Não temos informações acerca da sua relação com o outrora chefe Ângelo Roque. Sabe-se, contudo, que chegou a contar algumas histórias da respectiva parceria para a esposa em momentos de descontração.

 

Ângelo Roque, prestes a regeneração

 

A esposa de Saracura criou os filhos em Salvador apoiada na pensão de um salário mínimo que recebia como viúva, diante das dificuldades da vida, seu pai chegou a ir busca-la para voltar a viver em Paripiranga, mas ela recusou e preferiu criar os filhos onde acreditava ter melhores condições de dar a eles boa educação, oportunidade que não teve durante a vida. A família optou por Itaberaba, onde vive ainda hoje. 

A família permanece unida, Silvano é casado, pai de três filhos, um deles, o caçula, leva o nome do avô, Benício Andrade. É um nome forte para uma criança que vai crescer com um nome carregado de significados e com uma bela história de lutas.
 

Silvano é empresário e pai também de Victória Andrade (26 anos) e Miguel Andrade (21), Valentina Andrade, filha de Simone Andrade, completa o rol de netos do ex-cangaceiro Saracura.

 

Abaixo, uma foto inédita de Saracura e D Josefa Vieira, no dia do casamento religioso.
 

Benício e sua 2ª esposa, Josefa Vieira 

Acervo Kiko Monteiro (Lampião Aceso)

         

 *Moisés Santos Reis Amaral, Professor há 20 anos do Município de Fátima, Licenciado em História pela Uniages com especialização em História e Cultura Afro-brasileira, Mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe. Autor das obras: Manual Didático do Professor de História, O Nazista e da HQ Histórias do Cangaço. Contatos (75) 99974-289. E- mail.moisessantosra@gmail.com

terça-feira, 31 de maio de 2022

Reedição histórica

 O sertão, a política e os cangaceiros

 


Passados 14 anos desde que comecei o “Lampião Aceso”, (1º blog dedicado inteiramente ao tema cangaço), ele ainda me proporciona pouquíssimos “recebidos”, mas de indeléveis alegrias.
 

Temos o orgulho de ver nosso nome estampado em mais um livro. E este é um trabalho ispiciá…
 

Trata-se de uma reedição histórica de “O sertão, a política e os cangaceiros” uma plaquete de autoria de G. Pinto de Souza, lançada em edição única há 102 anos.
 

Fizemos a simples doação de uma cópia que me foi presenteada pelo filho do autor e graças aos contatos do confrade Angelo Osmiro Barreto, cabra que detém a maior biblioteca do gênero no país e do empenho do editor Adriano de Carvalho Duarte, ele agora está ao alcance dos amantes da historiografia nordestina.
 

Muito obrigado a estes vaqueiros! 

Para adquirir este livro entre em contato com Adriano zap (88) 9 9956 - 1897
 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Confira a Programação!

Cariri Cangaço Piranhas - 2022

 


Sertão das Alagoas - Nordeste do Brasil

 

28 de Julho - Quinta-feira
 

NOITE DE ABERTURA

18:30h Centro Cultural Miguel Arcanjo

19:00h – Formação da Mesa Oficial de Abertura

Hino Nacional - Filarmônica Mestre Elísio

MESA

TIAGO FREITAS - Prefeito Municipal

CELSINHO RODRIGUES- Presidente da Comissão Organizadora

MANOEL SEVERO - Curador Cariri Cangaço

MELLINA TORRES FREITAS - Secretária Estadual da Cultura

INÁCIO DE LOIOLA - Deputado Estadual de Alagoas

ARCHIMEDES MARQUES - Presidente da ABLAC - Sergipe

EDUARDO CLEMENTE - Secretário de Cultura e Turismo de Piranhas

ANGELO OSMIRO – Presidente do GECC - Ceará

NARCISO DIAS - Presidente do GPEC – Paraíba

ÁLVARO MOREIRA - Presidente da APLA

19:30h-Entrada do Estandarte do Cariri Cangaço

QUIRINO SILVA e CÉLIA MARIA - João Pessoa PB


19:40h - Apresentação do Cariri Cangaço

EMMANUEL ARRUDA - João Pessoa PB

19:50h – Cumprimentos aos Convidados

CELSINHO RODRIGUES - Conselheiro Cariri Cangaço

MANOEL SEVERO - Curador do Cariri Cangaço

INÁCIO LOIOLA - Deputado Estadual

TIAGO FREITAS - Prefeito Municipal de Piranhas


 20:00h – Posse de Novos Conselheiros Cariri Cangaço

1. JACQUELINE RODRIGUES - Piranhas AL

Entrega de Diploma por JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

2. PEDRO POPOFF - Bauru SP

Entrega de Diploma por KYDELMIR DANTAS - Nova Floresta PB

3. GILMAR TEIXEIRA - Feira de Santana BA

Entrega de Diploma por  CALIXTO JUNIOR Juazeiro do Norte CE


20:15h – Entrega de Diplomas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"
 

1. Prefeitura Municipal de Piranhas - TIAGO FREITAS

Entrega de Diploma por MELLINA FREITAS - Maceió AL

2. Academia Piranhense de Letras e Artes - ÁLVARO MOREIRA

Entrega de Diploma por CRISTINA COUTO - Lavras da Mangabeira CE

3. MFTur - ANTONIO MANOEL DE CARVALHO NETO

Entrega por Conselheiro CELSINHO RODRIGUES -  Piranhas AL


20:30h – Homenagem à Memória de Celso Rodrigues Rego

PADRE LUCIANO JOSÉ RODRIGUES BRITO

20:45h - Comenda de "Personalidade Eterna do Sertão"

CELSO RODRIGUES REGO In Memoriam

SÔNIA RODRIGUES e FAMÍLIA recebem

 de IVANILDO SILVEIRA e JOÃO DE SOUSA LIMA


21:00h - Comenda de "Personagem Histórica do Sertão"

CYRA BRITTO BEZERRA In Memoriam

PAULO BRITTO e ANE RANZAN recebem de INÁCIO LOIOLA


21:15h - Lançamento do Projeto

"CAMINHOS DA RESISTÊNCIA - PELAS RUAS DE PIRANHAS"

CELSINHO RODRIGUES

MIGUEL ALENCAR

29 de Julho - Sexta-feira

MANHÃ

9h30 - Saída para Tour Histórico
Lançamento Projeto
"CAMINHOS DA RESISTÊNCIA - PELAS RUAS DE PIRANHAS"

Apresentação do Roteiro e Episódios
PRISÃO DE INACINHA , INVASÃO E MORTE DE GATO
PERSONAGENS CHIQUINHO RODRIGUES - CYRA BRITTO

TRAMA PARA O CERCO DE ANGICO
PERSONAGENS JOCA BERNARDO - PEDRO DE CÂNDIDO
SARGENTO ANICETO - JOÃO BEZERRA
FERREIRA DE MELO

PRÉDIOS HISTÓRICOS

Explanações sobre o Roteiro e Episódios
CELSINHO RODRIGUES - Piranhas AL
MIGUEL ALENCAR - Piranhas AL
INÁCIO LOIOLA - Piranhas AL
JACQUELINE RODRIGUES - Piranhas AL
PAULO BRITTO - Recife PE
JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

11:30h - Centro Cultural Miguel Arcanjo
LANÇAMENTOS DE LIVROS

1. Lampião e a Aliança de Gonzaga
VALDIR NOGUEIRA - São José de Belmonte PE

2.Lampião, Herói ou Bandido - A Construção de um Mito
MARIA OTILIA CABRAL SOUSA - Capela SE

3. Lampião em Serrinha do Catimbau
JUNIOR ALMEIDA - Capoeiras PE

4.Guerra de Pau de Colher: Massacre à sombra da Ditadura Vargas
MARCOS DAMASCENO - Dom Inocêncio PI

5. Maria Bonita a Rainha do Cangaço
JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

6. Corisco e Dadá - Uma Saga de Amor, Cachaça e Sangue
7. Zé Baiano e os Engrácias
JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO - Salvador BA

8. Lampião e Seus Cangaceiros - 1920 a 1940 Caderno de Anotações
9. Lampião e a Revolução de 1930
10. Lampião em 1931 - O Imperador dos Sertões
11. Lampião em 1932 - O Terror dos Sertões
LUIZ RUBEN BONFIM Recife PE

12. Quem Matou Delmiro Gouveia
GILMAR TEIXEIRA Feira de Santana BA

13. Contadores de História - Lá vem a Maria Fumaça
REGINA CELI BORGES Jatobá PE

13:00h - Almoço

TARDE LIVRE

NOITE

18:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo

18:40h –Sessão Solene da ABLAC
Posse de Novos Acadêmicos
ARCHIMEDES e ELANE MARQUES - Aracaju SE

20:30h - Conferência e Lançamento
 "Memórias Sangradas"
RICARDO BELIEL - Rio de Janeiro RJ
LUCIANA NABUCO - Rio de Janeiro RJ

MESA:
JORGE REMÍGIO - Custódia PE
KIKO MONTEIRO - Lagarto SE
CARLOS ALBERTO SILVA - Natal RN
 

30 de Julho - Sábado

MANHÃ

7:30h - Saída para Grota do Angico - Poço Redondo SE
Porto de Piranhas

8:30h - MOMENTO SOLENE ECUMÊNICO
Onde serão Depositadas no Leito do Rio São Francisco, à bordo do Catamarã, as CINZAS do Pesquisador
ANTONIO AMAURY CORRÊA DE ARAÚJO

CARLOS ELYDIO ARAÚJO
MANOEL SEVERO

10:00h - GROTA do ANGICO
28 de Julho de 1938... A Morte de Lampião - Rei do Cangaço

Apresentação e Debate sobre o Cenário e Episódio
"Mentiras e Mistérios de Angico"

IVANILDO SILVEIRA - Natal RN
LEANDRO CARDOSO FERNANDES - Teresina PI
WESCLEY RODRIGUES - Cajazeiras PB
KYDELMIR DANTAS - Nova Floresta PB
MOACIR ASSUNÇÃO - São Paulo SP
JOSE BEZERRA LIMA IRMÃO - Salvador BA

12:30h - Almoço

TARDE LIVRE

NOITE

18:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo

19:00h – O Homem, a Vida e os Desafios de Antônio Amaury
CARLOS ELYDIO ARAÚJO - São Paulo SP

19:40h - Comenda "Personalidade Eterna do Sertão"
ANTONIO AMAURY CORRÊA DE ARAÚJO In Memoriam
Entrega por MANOEL SEVERO -  Fortaleza CE

20:00h - A Obra e o Legado de Antônio Amaury
LEANDRO CARDOSO FERNANDES - Teresina PI
ANGELO OSMIRO BARRETO - Fortaleza CE
LUIZ RUBEN BONFIM - Recife PE


Realização:
Instituto Cariri do Brasil
Conselho Alcino Alves Costa
Prefeitura Municipal de Piranhas
Secretaria de Cultura e Turismo de Piranhas

Apoio:
APLA - Academia Piranhense de Letras e Artes
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
MFTUR


NOTA IMPORTANTE CARIRI CANGAÇO

Para um melhor esclarecimento sobre o Cariri Cangaço Piranhas 2022, ressaltamos que toda a agenda do evento é totalmente grátis, sem necessidade de inscrição prévia nem pagamento de nenhuma taxa. 

Os participantes serão responsáveis por suas próprias despesas; de hospedagem e alimentação. A Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Piranhas 2022 coloca a título de sugestão a indicação de hotel; que estará concentrando a grande maioria de nossos convidados; sendo: Hotel Xique Xique - Bairro Xingó - Contato pelo ZAP (82) 98178.8756 ou Email: hotelxiquexiquepiranhas@gmail.com . Esclarecemos ainda que a cidade de Piranhas possui uma espetacular rede hoteleira, atendendo a todos os públicos, dessa forma basta a consulta via internet. 

Reiteramos que nosso compromisso é com você , sem dúvidas nosso maior patrimônio. Sejam todos muito bem vindos ao Cariri Cangaço Piranhas 2022, Território de Grandes Encontros.

Manoel Severo Barbosa - Curador do Cariri Cangaço

Celsinho Rodrigues - Presidente da Comissão Org. do Cariri Cangaço Piranhas

sábado, 14 de maio de 2022

O Cangaço em Poço Redondo

A capela da Fazenda Pelada

Rangel Alves da Costa

 


O dia era 13 de junho de 1932. Bem ao lado desta capelinha que tem São Clemente como padroeiro, na região da Pelada nos sertões sergipanos de Poço Redondo, o percurso cruel e desumano da Chacina do Couro (perseguição sangrenta comandada pela perversidade do cangaceiro Gato, tendo ao lado os igualmente terríveis bandoleiros Suspeita, Medalha, Azulão e Cajueiro, vitimando inocentes homens da terra), teve por consequência o assassinato de mais três homens da terra, um morador da região, um pai e um filho. 

 

Gato e Inacinha

Depois de terem chacinado Antônio Monteiro e o menino Galdino mais atrás, na região da Lagoa do Tingui, Gato e seus comandados seguiram buscando mais sangue. Chegaram à casa da fazenda na Pelada, de propriedade de um senhor chamado Clemente, já trazendo outro sertanejo amarrado: Alfredo. 

Na casa encontraram Clemente e o seu filho chamado João. Instantes após, pelo fato de Alfredo afirmar que já não suportava tanto sofrimento e preferia a morte, então a cangaceirama nem pensou duas vezes, pois fizeram o sertanejo impiedosamente tombar pela terra. 

  Em seguida, sem qualquer motivação para tamanha brutalidade e covardia, mataram também o pai e o filho. A antiga casa foi sendo abandonada e ao lado, após fatos misteriosos surgidos, uma casinha de oração foi construída. Tempos após, contudo, uma capelinha foi erguida para zelar pelas cruzes de Clemente, João e Alfredo, que continuam em seu interior.

Os moradores da região afirmam que num dos cantos da capelinha marcas de sangue insistentemente surgem, ainda que atualmente cimentada. São fatos, memórias e histórias ainda presentes na Pelada e região, e que vivamente testemunham a terrível passagem do cangaceiro Gato e sua malta pelos sertões poço-redondenses. 

Em julho, as pegadas dos turistas e pesquisadores estarão por aí. Quem quiser participar basta entrar em contato com o documentarista Aderbal Nogueira. Assim, nos dias 29 e 30 de julho, Poço Redondo se tornará num livro vivo para o conhecimento da história cangaceira nos sertões sergipanos do São Francisco.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Vítimas

Policias militares mortos ao terem enfrentado cangaceiros ou assassinados após capturados

Por Rubens Antonio

Em um tempo em que há quem, na Bahia, pense em colocar nomes de cangaceiros em praça, cabe lembrar estes nomes:

Cabeça do ten PM Geminiano José dos Santos, 
morto e decapitado pelo bando de Lampeão.

1924

11 de outubro de 1924

tenente Joaquim Alves de Souza

1927

14 de fevereiro de 1927

soldado Paulo Sant’Anna

dezembro de 1927

inspetor Norberto Xavier Gomes

cabo desconhecido

soldado desconhecido

1928

6 de abril de 1928

3° sargento Antônio Anacleto de Oliveira

21 de agosto - Passagem de Lampeão à Bahia

21 de dezembro de 1928

3° sargento José Joaquim de Miranda

soldado Francellino Gonçalves Filho

soldado Juvenal Olavo da Silva

1929

7 de janeiro de 1929

soldado José Rodrigues da Silva

soldado Manoel Nascimento Souza

2 de fevereiro de 1929

anspeçada Francisco Estevam do Carmo

soldado Enedino Alves Ribeiro

soldado Francisco Nascimento dos Santos

soldado Lourival Ricardo da Conceição

27 de fevereiro de 1929

anspeçada desconhecido

soldado desconhecido

14 de maio de 1929

soldado Pedro Alves da Fonseca

4 de julho de 1929

cabo Antonio Militão da Silva

soldado Cecílio Benedicto Silva

soldado Leocadio Francisco Silva

soldado Manoel Luiz França

soldado Pedro Sant’Anna

20 de setembro de 1929

soldado Antonio Geraldo de Oliveira

24 de setembro de 1929

cabo João Soares da Silva

21 de outubro de 1929

soldado Olegário Correia da Silva

18 de dezembro de 1929

soldado João Felix de Souza

soldado Vitorino Baldoino Lopes

22 de dezembro de 1929

anspeçada Justino Nonato da Silva

soldado Antonio José da Silva

soldado Arestides Gabriel de Souza

soldado Ignacio Oliveira

soldado José Antonio Nascimento

soldado Olympio Bispo de Oliveira

soldado Pedro Antonio da Silva


Cadáveres de alguns soldados que foram vítimas de Lampião no dia 22 de dezembro de 1929 em Queimadas-BA.

1930

29 de março de 1930

soldado Calixto Eleutério

1 de agosto de 1930

tenente Geminiano José dos Santos

2° sargento José de Miranda Mattos

soldado Argemiro Francisco dos Reis

soldado Arnaldo Claudio de Souza

1931

30 de janeiro de 1931

soldado desconhecido

3 de fevereiro de 1931

soldado desconhecido

soldado desconhecido

5 de fevereiro de 1931

soldado desconhecido

24 de abril de 1931

2° sargento Leomelino Rocha

soldado Carlos Elias dos Santos

soldado Francisco dos Santos

soldado José Carlos de Souza

soldado José Gonçalves do Amarante

soldado Pedro Celestino Soares

soldado Saul Ferreira da Silva

9 de maio de 1931

soldado desconhecido

soldado desconhecido

soldado desconhecido

junho de 1931

soldado Antonio José da Silva

28 de agosto de 1931

soldado Francisco Cyriaco Sant'Anna

1932

2 de fevereiro de 1932

soldado Bôaventura Manoel da Silva

1933

20 de julho de 1933

cabo Pedro Luiz de Farias

soldado Antonio Fernandes de Lima

7 de setembro de 1933

soldado José Fernandes

soldado Manoel Bellarmino de Macedo

2 de outubro de 1933

soldado Pedro Emygdio de Oliveira

 

Soldado Pedro Emygdio de Oliveira.

1934

22 de abril de 1934

soldado João Pereira de Souza

1939

23 de maio de 1939

soldado desconhecido

Postado originalmente no Cangaço na Bahia

Jornais

A Província, Recife, 20/12/1928
Arq. Joaquim P. da Silva.

 

Ex-cangaceiros presos na casa de detenção

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Um livro indispensável em nova edição

Cangaceiros de Lampião, de A a Z, de Bismarck Martins.

Eis aqui um dos trabalhos que eu mais consulto quando preciso produzir algum texto ou tirar dúvidas sobre algum cabra ou cabrocha.
 

A primeira edição estava esgotada há anos, mas agora já temos a 2ª leva de "Cangaceiros de Lampião, de A a Z", do pesquisador e escritor paraibano Bismarck Martins de Oliveira.

 


Produzido pela Mídia, Gráfica e Editora, Ltda, de João Pessoa, o livro tem 560 páginas, 1.219 verbetes e 280 fotografias, foi totalmente revisado e ampliado e com a identificação de mais de 200 novos cangaceiros e cangaceiras, ampliando para mais de 1.200, o número de indivíduos que passaram pelo bando de Lampião.
 

As razões das suas origens, os principais chefes cangaceiros, suas zonas de atuação, as motivações de cada um para enveredarem por aquele caminho, seus crimes e seus destinos. Tudo devidamente ilustrado.
 

Outros trabalhos do autor

Desde 1980 no estudo do cangaço, Bismarck tem cinco livros publicados sobre o tema: O Cangaceirismo no Nordeste (1ª Edição em 1988 - 2ª Edição em 2002 ambas esgotadas) -; O Saque de Sousa (2009) - também esgotada; Cangaceiros de Lampião de A a Z (2012) ; O Padre X O Cangaceiro (2019).
 

Confira abaixo um vídeo com a apresentação de Cangaceiros de Lampião de A a Z.

 
 
Valor com frete incluso: R$ 80 (Oitenta reais) Para adquirir entre em contato com o autor (83) 9811-5282 (WhatsApp)  

terça-feira, 12 de abril de 2022

O último de um clã

Lampião e a faca jardineira; entrevista com Simeão Pereira

 

No começo do ano de 1926 Lampião foi convidado pelo Dr. Floro Bartolomeu para se incorporar ao batalhão patriótico de Juazeiro do Norte Ceará. No dia 3 de Março de 1926, Lampião entra na cidade de Jardim já no estado do Ceará. Parece que Lampião premeditou passar na oficina de José Pereira grande cuteleiro cearense. Segundo o escritor e pesquisador jardinense José Márcio da Silva, ainda na juventude Virgulino junto com seu pai, trabalharam na cidade de Jardim-CE transportando mercadorias entre os Estados de Ceará e Pernambuco. 

Neste tempo os Ferreiras tinha uma Tropa de burros e eram almocreves. Foi por este motivo, que Lampião conheceu de perto estas famosas facas, que ali mesmo no comércio era usadas para cortar fumo de rolo, descascar laranja, cortar corda de Carua, cortar couro de animais e etc:, mas o papel de suma importância dessa faca era nas famosas brigas de peixeiras. Segundo o seu Simeão Pereira Filho de José Pereira o famoso cuteleiro de jardim, quando acontecia as brigas na feira de jardim, os cabras riscavam a faca no chão dizendo a seguinte frase "Aqui é língua de peba de Zé Pereira". Se referindo a faca. 

Depois do puxado de faca o desmantelo era feio. Seu Simeão Pereira já nos falou ao contrário, em uma entrevista acontecida em Janeiro deste ano (2021) o S. Simeão disse que achava bonito o duelo dos cabras na feira que acontecia com naturalidade. Segundo ele os cabras morriam mas não corriam da briga, e continuando o raciocínio do seu Simeão, ele disse que onde a jardineira penetrava não jorrava sangue de tão venenosa que as facas eram. No dia 3 de Março de 1926, Lampião entrou na cidade de Jardim sentido o caminho para Juazeiro. Ele passou pela manhã e foi direto para oficina de José Pereira que já era famoso na região, Lampião conhecia bem a fama dele. 

Lampião entrou na oficina dele, junto com dois cabras. Ele se apresentou dizendo quem era e já de imediato encomendou um punhal de 60cm que deveria estar pronto até às 3 horas da tarde. Da oficina de Zé Pereira Lampião se retirou para o sítio Juá próximo a Jardim e quando foi meio-dia Lampião, apareceu para pegar o punhal. Adivinha o que aconteceu? José Pereira acostumado a fabricar punhais usou de uma Agilidade de um gato e além de ter feito o punhal já estava terminando a bainha do mesmo. Lampião pegou o punhal e fez um teste. Ele botou o punhal no joelho e colocou força envergando para ver se quebrava mas o punhal Voltou ao estado inicial, bem reto. 

O Capitão então perguntou - "Quanto ficou o trabalho em cabra?" José Pereira não quis cobrar nada. E disse que fazer um punhal para Lampião era uma honra. Lampião impressionado com aquele homem perguntou se ele tinha algum desafeto na região para que ele mesmo desse fim a qualquer um, mas Zé Pereira disse que não tinha inimigo algum nem na cidade e nem no Estado, disse que já estava de bom grado receber Lampião na oficina dele. 

Depois da conversa Lampião montou um cavalo e retirou-se do centro da cidade. Já na curva quando Lampião desapareceu José Pereira fechou a porta da oficina, e danou-se no meio do mato onde só voltou dois dias depois. O mais interessante é que Zé Pereira fez apenas um punhal para Lampião, mas, o cuteleiro era tão bom que Lampião fez a propaganda dele por onde passou e as facas de José Pereira ganharam um patamar elevado. 

Hoje uma faca de Zé Pereira original custa entre R$ 1.000,00 e R$ 5000,00 devido a raridade. A passagem de Lampião em Jardim em 1926 foi tão marcante que José Pereira entrou para a história da cutelaria nordestina embora só tenha feito apenas um punhal para o Cangaço. Mas não fique preocupado pois ainda existe um filho de Zé Pereira trabalhando no ofício da cutelaria em Jardim. E o nosso grande amigo Simeão Pereira. 

Postado originalmente no canal Lampião Governador do Sertão (YouTube)

Descendentes

A neta de Chico Pereira

 Por Wanessa Campos

Ela nasceu no Recife, filha de mãe pernambucana e pai paraibano. Mora em Brasília desde criancinha. Optou para a área de comunicação há anos, o que faz com maestria. Deixou a TV aberta e migrou para Internet, onde tem 16,5 mil seguidores no Instagram somados a 115 mil no You Tube com assuntos diversos, indo de saúde a gastronomia. Brasília dos 60 é o seu projeto atual.

 


Seu nome: Mônica Nóbrega. E o que ela faz aqui, no meio das mulheres cangaceiras ? Ela é neta do cangaceiro Chico Pereira que fez história na Paraíba nos anos 20. Cresceu ouvindo histórias do Cangaço em casa. Pela avó, Jarda, viúva de Chico, pelo pai e, sobretudo pelo tio Francisco, que escreveu o livro Vingança Não! Ele foi a sua maior influência para agora se voltar para o assunto, pensando até em relançar o livro do tio que tanto sucesso fez anos atrás.

Chico Pereira


Recentemente, Mônica promoveu uma live com Vera Ferreira, neta de Maria Bonita e Lampião. As duas descendentes de cangaceiros famosos alcançaram sucesso total nessa empreitada. Duas mulheres bonitas, corajosas, talentosas e brabas. Têm a quem puxar….

Vamos aguardar então os novos desafios de Mônica que não tem jeito de valentona, mas é. Tal qual a Mônica da revista em quadrinhos….

 Pesquei em Mulheres do Cangaço

sábado, 9 de abril de 2022

Novidade em HQ

Al Stefano concretiza a profecia de Antonio Conselheiro, em sua nova obra “Piratas do Cangaço”
 

Por Patricia Visconti

 

 No final do século 19, em meados dos anos 1890, o beato Antonio Conselheiro profetizou uma sentença “O Sertão vai virar mar”, durante a Guerra de Canudos, o que acabou indo parar na obra de Euclides da Cunha, Os Sertões (1902). Porém, a profecia acabou não se concretizando naqueles tempos árduos de guerra civil pelo nordeste brasileiro.
 

Anos se passaram, o autor de Salseirada (2020), Al Stefano, chega com uma nova obra para mobilizar e trazer muita aventura ambientada em território Nordestino, somando tradições e histórias significativas e peculiares, a HQ Piratas do Cangaço, apresenta um universo distinto e paralelo onde o Sertão realmente virou um mar, e o cangaço tomou a forma de caravelas em disputas e pilhagens nas ilhas do Nordeste.
 


 Nesta peripécia aventuresca, três cangaceiros, Carcará, Vela Seca e Fogueteira, têm a principal função de resgatar Labareda, um antigo Capitão, das mãos implacáveis da República, em uma audaciosa e emocionante narrativa, Stefano, envolverá o leitor neste mundo colateral profetizando por Antonio Conselheiro e interpretado de forma única e característica pelo artista.

A obra encontra-se em pré-venda através do finaciamento coletivo, e deve ser lançado em breve, sob o selo Zapata Edições. Piratas do Cangaço foi viabilizado pelo ProAC LAB Aldir Blanc, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Pescado O barquinho Cultural

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Acadêmicos

Horas abertas, Corpos Fechados: A religiosidade do cangaço
 

Por Miguel Angelo Almeida Teles
 

De joelhos, Lampião puxa a reza para seu bando.

O escopo deste trabalho objetiva a realização de um estudo sobre a relação entre religiosidade e a crendice dos cangaceiros que permearam os sertões nordestinos desde o século XVIII até meados do século XX, considerando José Gomes Filho, o Cabeleira (1751-1776) e Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco ou Diabo Louro (1907-1940) respectivamente, o primeiro e o último chefe representante do grupo de cangaceiros.


Praticamente isolados no seu mundo, entregues aos desmandos dos coronéis e dos seus paus mandados e sem a ajuda efetiva dos poderes constituídos, os homens do sertão buscavam amparo, força e proteção no encosto do sobrenatural. Cercavam-se de signos sagrados e profanos como arma de defesa na sobrevivência perante sua fraqueza humana em lidar com os poderosos da terra.
 

Todos esses ensinamentos e religiosidade advêm de um catolicismo antigo, dos catecúmenos herdados dos colonizadores europeus, dos índios e negros que povoaram os sertões. Tal religiosidade era doutrinada nos escritos das Horas Marianas , da Missão Abreviada 4 e o do Lunário e Prognóstico Perpétuo para todos os Reinos e Províncias e...
 

----------------------

1 Trabalho apresentado no Seminário Angicos 80 anos: o Crepúsculo do Cangaço.
 

2 Miguel Angelo Almeida Teles, fotógrafo, documentarista e pesquisador de temas sertanejos como vaqueiros e cangaço. Sócio do IGHB. Aluno do VI Semestre do Curso de Licenciatura em História, UNOPAR. 

3 ROQUETE, José Ignácio. As Horas Marianas ou Ofício Menor de Nossa Senhora trazia orações e práticas alusivas às devoções da Mãe de Deus. 

4 COUTO, Manoel José Gonçalves. Editado em Portugal em 1859, além das biografias dos santos, trazia várias orações, bastante utilizadas pelos sertanejos.  

--------------------------------

...impulsionada por lendas, superstições, ladainhas, novenas, Santas Missões, terços na boca da noite e ofícios na madrugada. O medo do inferno, do diabo, do purgatório, do pecado carnal, da perseguição de espíritos inferiores, do feitiço, criava nesses homens um combinado de crença e religiosidade pautadas na fé, preceitos e regras de um sincretismo religioso repassado entre gerações através dos tempos.
 

A vida atribulada, repleta de arroubos, crimes e assaltos causavam no homem do cangaço um alarme doentio, repleto de agouros e presságios, acreditando em tudo, porque em tudo acreditava, e assim, nutria a sua fé a seu modo. Nas aflições e nas horas dos aperreios, o cangaceiro fazia pactos com santos de sua devoção e com espíritos protetores, assumindo os mais diversos compromissos para posteriores pagamentos das promessas alusivas aos pedidos por ele alcançados. Em um emaranhado de crucifixos e patuás e apoderando-se a tudo que lhes dava proteção, o cangaceiro prestava contas às suas diletas divindades e, convicto em extinguir a dívida, retribuíam os favores com a doação de dinheiro nos oragos das igrejas, ouvindo missas, confessando os pecados e comungando, contudo sem perder a fé na oração forte que trazia repassada por algum preto velho que lhe fechara o corpo.
 

Entretanto, nas refregas, encangotados na mesma confiança dos rosários e bentinhos, utilizavam da própria fé para rogarem aos céus por uma pontaria certeira, encomendando assim, a alma de algum desafeto ou integrante das volantes, abrindo o caminho do infeliz para o outro mundo. Eram as contas do rosário contribuindo com a mira da espingarda. Eram Deus e o diabo palmilhando os sertões nos rastos dos cangaceiros.
 

Nos sertões nordestinos, para alguns crendeiros, Deus e o diabo concorrem na força e no poder de igualdade. Nas horas tidas como abertas – seis horas, meio-dia, dezoito horas e meia-noite – o capeta anda solto no mundo arrebanhando almas para seu reinado no inferno.
 

Visando amealhar súditos, o “coisa-ruim” utiliza-se de artimanhas e tentações satânicas para
impressionar com seus poderes excepcionais aqueles que almejam força e imunidade contra
seus inimigos, no fechamento do corpo. Porém, segundo ainda se afirma por lá, o diabo dá,
mas um dia cobra! Pelo sim ou pelo não, ao bocejarem, por lá ainda fazem cruzes sobre a boca
escancarada para evitar que o diabo adentre nela. 5 

CORTÊS, Jerónimo. Orientava os leitores na agricultura, previsão do tempo, fases da lua, biografia dos santos, antídotos contra venenos de animais peçonhentos, tratamento de moléstias, eclipses solares, festas religiosas,etc.
 

Em suas anotações poéticas 6, o ex-cangaceiro Antonio Ignácio da Silva, vulgo Moreno, (2008, p. 10) sintetiza com a perspicácia de um versejador sertanejo, a vida errante dos homens do cangaço, quando descreve “todos os cangaceiros do grupo de Lampião/ andando nas matas verdes/ na sombra da solidão”, viviam sem pouso certo para o corpo e sem refrigério para a alma. Sem moradias, capelas ou sacerdotes que lhes guiassem nos ensinamentos da fé cristã e dos dogmas do catolicismo, os cangaceiros enalteciam uma religião eclética que confessavam, com desusada fé nos santos, nas rezas, nos patuás e nas promessas que faziam. Seguiam uma série de ritos e temiam os abusos que eles mesmos criavam. Nas dúvidas, esmiuçavam os acasos, confrontavam os acontecimentos e faziam
analogias para depois apurar as abstratas crenças que surgiam das suas suposições.


Diante do imaginário e das superstições que envolviam o mundo sertanejo do cangaço, o misticismo transitava livremente pelos caminhos da religião. Desta forma, esta pesquisa de cunho bibliográfico objetiva delinear a relação entre a religiosidade e a crendice de homens ditos cangaceiros, que palmilharam sertões nordestinos desde o século XVIII até meados do século XX, considerando José Gomes Filho, o Cabeleira (1751-1776) e Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco ou Diabo Louro (1907-1940) respectivamente, o primeiro e o último chefe representante do grupo de cangaceiros.
 

O FECHAMENTO DO CORPO
 

Cercados de insegurança em um espaço agressivo, brutal e atribulado, os cangaceiros buscavam proteção nas forças misteriosas do além, através de uma religiosidade heterogênea, que munida de muita fé no sobrenatural e vinculada às crendices, superstições e misticismo atuavam como supostas formas de defesa do corpo e do espírito.
 

Segundo Eliade, (1992, p. 17) “o homem toma conhecimento do sagrado, porque este se manifesta como algo absolutamente diferente do profano”. Assim, o autor sugere para esta revelação do sagrado, o termo hierofania, traduzindo apenas o que está implícito no seu conteúdo etimológico, como “algo de sagrado se nos revela”. Desta forma, ainda segundo o autor, o sagrado desponta para certos indivíduos por meios de símbolos e signos, na crença de que tais instrumentos os tornarão fortes e poderosos. 

 

Assim, Manuscrito ofertado ao autor pelo ex-cangaceiro Antonio Ignácio da Silva, vulgo Moreno. Chegara a nossas mãos por obséquio de Carla Gomes, por ocasião da entrevista concedida à pesquisadora, em outubro de 2008.

 

Santinho da 1ª Comunhão de Lampião

O homem das sociedades arcaicas tem a tendência para viver o mais possível do sagrado ou muito perto dos objetos consagrados. Essa tendência é compreensível, pois para os “primitivos” como para o homem de todas as sociedades pré-modernas, o sagrado equivale o poder e, em última análise, à realidade por excelência. O sagrado está saturado de ser. Potência sagrada quer dizer ao mesmo tempo realidade, perenidade e eficácia [...] (ELIADE, 1992, p. 18). 

 

Portanto, para os homens do cangaço, as proteções conseguidas sob a influência de rezas fortes, patuás e mandingas conferiam a esses crendeiros uma fé visceral nessa combinação mística. Acreditavam que amparados pela intercessão desses protetores sobre-humanos, que arremetiam em seu favor contra as forças malignas do universo, estariam fortalecidos e agraciados com o sortilégio do fechamento do corpo. 

Buscando a concepção da expressão “fechar o corpo”, Ferreira (1986, p. 482) nos remete a “torná-lo invulnerável a facadas, tiros e mordidas de cobra, mediante orações e feitiçarias”. Do mesmo modo, Cascudo (1972), além de pactuar com as afirmações de Ferreira (1986), reporta-se também a outras prerrogativas de imunização corporal e espiritual do indivíduo, numa combinação de rezas, regras e preceitos, onde, o corpo fechado pode resultar de amuletos conduzidos ao pescoço, livrando o portador de todos os perigos, morte súbita, águas vivas e mortas, faca fria e bala quente, agravo (injúria) ou por ter submetido o imunizado ao cerimonial do feitiço, da muamba, catimbó, macumba, de variadas formas quase dependendo de cada ‘mestre’ a maneira e cerimonial do ato. (CASCUDO, 1972, p. 294). 

Todo este processo de autodefesa do corpo e do espírito, mediante um valor pecuniário, acontece em uma cerimônia reservada entre o mestre e o aspirante, cujas formalidades rituais da cerimônia do “fechamento do corpo” são pormenorizadas por Cascudo. 

Deste modo, o cliente paga o calço da sessão, a quantia estipulada para fechar o corpo. Fecha-se a
sala, acende a velaria, o mestre abre a sessão. Depois da defumação, goladas de cauim (aguardente), o mestre sopra a água e despeja numa bacia nova de flandres. O candidato se descalça, entra na bacia, equilibrando-se, com o pé direito sobre o pé esquerdo [...]. 

Com um pé em cima do outro, dentro da bacia que tem água soprada pelo mestre, como em obediência a um rito de pajelança onde o sopro, peiuuá, é a essência, a65 materialização da força espiritual do pajé, reza o Creio em Deus Padre até a passagem morto e sepultado, substituindo pela frase guardado e fechado seja o meu corpo para todos os meus inimigos e desencarnados. O mestre, apanhando a chavezinha de aço, aproxima-se, dizendo num recitatório semi-cantado: 

 

“Fecha-te órgão, pelo Vacujá/ pra todos os males que no mundo há/ Fecha-te corpo, guarda-te irmão/ Na santa cova de Salomão.
 

E faz o gesto, de fechar com a chave, todas as articulações junta por junta dizendo em cada operação o mesmo versinho. Findando o serviço, entregam ao cliente uma garrafinha contendo um pouco da água que estava na bacia. Deverá ir jogá-la no mar à meia-noite. O mestre de outra parte fará o mesmo. Nessa noite o candidato beberá cauim legítimo, aguardente com raiz de jurema. (CASCUDO, 1972, p. 294-295).
 

Na obra “Meleagro”, Cascudo menciona mais uma variante da oração para resguardar o corpo contra todos os tipos de desgraças, ofensas, calamidades, aflições e doenças materiais e imateriais, recolhida pelo folclorista pernambucano Pereira da Costa, em sua obra Folclore Pernambucano:

 

P. 62 Livro Estrelas de Couro, Frederico P. de Melo


 

Trago o meu corpo fechado com as chaves do Santo Sacrário; dentro dele se encontra o meu Jesus Sacramentado, como no Sacrário se encerra; e assim como vós ó meu Jesus, o meu corpo será guardado, a minha alma não será maltratada dos meus inimigos e o meu sangue não será derramado, porque tenho o meu Santíssimo Sacramento para o guardar, e a Virgem Maria para me livrar de malefícios, bruxarias e feitiços; e no meu corpo não entrarão, coberto com o sagrado manto da Virgem
Maria, borrifado com o seu sagrado leite e trancado como o meu Jesus Sacramentado, com as chaves do Santo Sacrário e com o Credo em Cruz. Pax Domini, misericórdia, Aleluia. (COSTA [19--] apud CASCUDO, 1951, p. 62).
 

Além de todo o sincretismo religioso que envolvia o fechamento do corpo, os cangaceiros se valiam de uma série de benzimentos, rezas e talismãs, acreditando que tais fomentos adicionados à aludida ação, fortaleciam segundo suas crenças, a proteção do corpo e da alma. Assim, as orações fortes, bentinhos, patuás e escapulários eram utilizados pelos homens do cangaço para afastar os males, atrair sorte ou proteção, cujos signos variavam segundo a crença de cada possuidor.
 

AS ORAÇÕES FORTES, ‘BRABAS’ E AS REZAS CURADORAS
 

Embora biografados como criminosos com atributos de violentos, os cangaceiros professavam uma intensa religiosidade legada dos pais e avós com ênfase no catolicismo e nos preceitos da Igreja Católica. A vida delituosa e a incerteza do alvorecer, temendo o espectro da morte, faziam os cangaceiros buscarem nas orações a assistência divina para os males do corpo e do espírito. Por outro lado, utilizavam o suposto anteparo sobrenatural para propagarem entre os persigas a crença do “corpo fechado”, obtendo desta forma temor e respeito perante aqueles homens com fé e crendices idênticas.
 

Segundo Cascudo, [...] a oração é sempre uma fórmula de pedido a Deus. A oração forte, amuleto e
talismã, guardada numa sacola, defende de todos os males ou, lida ou rezada, abala os céus, cedendo a divindade aos rogos deprecatórios do suplicante, para o bem ou para o mal. (CASCUDO, 1972, p. 622).
 

Repletas de mistérios e de intenso ocultismo, as orações manuscritas, obra de escribas sertanejos sobre o domínio de alguma crendice supostamente poderosa, eram conservadas com zelo nos bornais ou carteiras dos cangaceiros e declamadas tão-somente em momentos de aflição extrema, como último recurso contra algum perigo ou ameaça. Outras, ensacadas em couro ou tecido, eram conduzidas como bentinhos no pescoço, com desvelo para não abrir o invólucro, incorrendo ao crendeiro o castigo de perderem as forças, abrirem o corpo e sucumbirem.
 

Conhecidas também como rezas forçosas, as rezas fortes faziam parte do grande arsenal crendeiro dos valentões, cangaceiros e salteadores que confiavam cegamente nos desmedidos poderes dessas rezas que conduziam consigo, sem a efetiva preocupação com o perigo, na confiança que tais rezas o faziam envultar7. Em viagem, fugindo de tocaias e cercos tais rezas eram pronunciadas para o livramento de encontros fatais, assim como, deter a rota do projétil, fechando e protegendo o corpo contra qualquer arma. Acreditavam que “[...] por sua virtude, nunca seriam feridos nos combates ou nas brigas, ou não morreriam em fogo, nem afogado, ou de morte súbita e que tudo lhe sucederia prosperamente”. (CASCUDO, [20--], p.156).7 

Suposta capacidade mágica de certos indivíduos que, em situações complicadas, se tornam invisíveis perante seus perseguidores e transmutam-se em pedras, arbusto ou tocos de madeira com auxílio de algumas rezas ou encantamentos.
 

Dentre as rezas forçosas mais conhecidas e consideradas como uma das mais fortes entre os cangaceiros, a Reza da Pedra Cristalina, encontrada nos pertences do rei do Cangaço, e transcrita na obra do Professor Estácio de Lima. Observamos que, assim como o catedrático, acatamos a ortografia e a pontuação do documento transcrito na integralidade na obra, corroborando com a ressalva da mantença ao respeito e ao cuidado quanto à “forma, as palavras que surgiam pela metade ou as falhas do texto”. (LIMA, 2006, p. 136).
 

"Minha pedra christalina que no mar fosse achada entre o calix e a hostia consagrada, tremo a terra mas não treme nosso Senhor Jesus Christo no altar assim treme os coração de meus inimigo quando olharem para mim eu tibenzo em cruz inão tu a mim entre o sol ialua e as Estrellas as três pessoas distintas da Santíssima tridade meu deus na travissia avistei meus inimigos meu deus oqui fasso com elles Com o manto da Virgem Maria sou cuberto e com o sangue do meu senhor Jesus Christo sou valido tens, vontade de atirar porém não atira si mi atirar agua pello cano da Espingarda correrá si estiver vontade de mifura a faca da mão cahira si miamarrar os nós dizatarão e si mi trancar as portas si abrirão. offiricimento S salvo fui salvou sou e salvo serei com a chave do sacrário e me fecho.1 PN 3 AM i 3 Gloria apatre iofereço a 5 Chagas de Nosso Senhor Jesus Christo".
(LIMA, 2006, p. 136-137).
Outra oração estimada e considerada “forte demais” pelos crendeiros era o Rosário Apressado destinado à Nossa Senhora da Conceição. Unicamente verbal era proferido de maneira célere e contínua, sem qualquer engano ou detença na pronúncia – por até três vezes, segundo o preceito da oração – era tomado como uma resposta negativa da divindade e tido como mau augúrio.
 

Ó Virgem da Conceição, Senhora Concebida, Mãe de Deus, Reino da Vida, Senhora dai-me a mão que minh’alma caída está; meu corpo estremecido sem a vossa consolação, vos aflita e ofendida fostes, Virgem e ao pé da Cruz e aflita e ofendida chamo por vós, mãe de Jesus, Ó Virgem da Conceição, vós não fostes aquela que dissestes, pela vossa sagrada boca, que quem por vós chamasse cento e cinquenta vezes por dia havia de ser valida? Pois é chegada a ocasião em toda tribulação. Valei-me, Ó Virgem da Conceição. (CASCUDO, 1972, p. 624).
 Mais adiante o folclorista potiguar cita a Oração do Rio Jordão como bastante
conhecida no ambiente do cangaço, ora transcrita.

 

Estavam no Rio Jordão ambos os dois. Chegou o Senhor São João: Alevanta-te, Senhor, que lá vem os inimigos teus! Deixa vir, João, que todos vêm atados de pés e mãos e almas e coração. Com dois eu te vejo, com três eu te ato. O sangue eu te bebo, coração eu te parto. Vocês ficarão humildes e mansos como a sola dos meus sapatos (diz três vezes batendo com o pé direito). Deus quer, Deus pode, Deus acaba tudo quanto Deus e eu quisemos. (CASCUDO, [20--], p. 642).
 

No que concerne aos sucessos causados por animais peçonhentos da caatinga, habitat natural das jararacas e cascavéis, não foi encontrada na bibliografia pesquisada, ou qualquer outra fonte, nenhum relato sobre algum cangaceiro morto ou ofendido por alguma serpente venenosa. Segundo a crendice popular, estes homens tinham “força” diante das víboras, por serem curados contra o veneno das serpentes, clamando por São Bento: “Valei-me! Meu Senhor São Bento, Valei-me! Valei-me! Valei-me! Livrai-me das cobras e dos bichos peçonhentos.” (OLIVEIRA, 1970, p. 121).
 

Ainda como exemplo de oração forte, foi recolhido em um caderno de anotações manuscrito pelo ex-cangaceiro Antonio Ignácio da Silva, vulgo Moreno, o seguinte rogo: “Jesus, Filho de Maria Santíssima, Mãe do Salvador, dai-me resistência para eu escrever as palavras do Senhor. Valei-me Jesus Mãe de Deus Salvador nas horas necessitadas na sombra dos sete amor. P. F. E. Santo. Amém.” (SILVA, 2008, p. 5).
 

Outra forma de rogo bastante utilizada no cangaço eram as Rezas Curadoras. De ação exclusiva para cura ou prevenção de doenças e males, as aludidas rezas são utilizadas até hoje por curandeiros e rezadeiras em virtude da desconfiança nutrida por alguns perante a eficácia da alopatia.
 

Estas rezas diferem das “orações fortes” e concernem apenas às rezas e aos ensalmos, como parte da terapêutica religiosa para cura das doenças e males do corpo. Ratificando, César afirma que por aquelas paragens, O termo oração nunca é proferido pelos rezadores e curadores. Aplicam sistematicamente a expressão reza com os seus derivados rezar e rezador. Chama-se o rezador para rezar a vaca engasgada; a rezadeira para rezar o mau olhado do menino; o vaqueiro para rezar no rastro de uma rês com bicheira. (CÉSAR, 1975, p.159).
 

Prevalece ainda, entre as poucas rezadeiras sertanejas, a reza da espinhela caída, bastante utilizada no cangaço. Como regra, o rezador utiliza um barbante para aferir a distância da ponta do dedo mínimo até o cotovelo e confronta com o intervalo entre os ombros 69. Excedendo na medida, o cristão está com o mal e procede-se a reza, acompanhada de três Ave-Marias, três Pai-Nossos e três Glórias ao Pai, com oferecimento às Cinco Chagas do Nosso Senhor Jesus Cristo.
 

Eu entro na palavra de Deus Padre, com as palavras de Deus Filho e de Deus Espírito Santo, espinhela caída eu te levanto com arcas e tudo, com os poderes de Deus Padre, com os poderes de Deus Filho e com os poderes de Deus Espírito Santo, Amém!.(SUSSOL, 1995, p. 213).
 

No tratamento do “impaludismo” ou “sezão,” o cangaceiro escavava o solo e depois recobria a abertura com a própria terra, pronunciando: “Sezão ti enterro aqui/ Ti afasta de mim/ Tu só torna vortá/, Si di novo eu aqui vim.” Em seguida, colocava um feixe de lenha para nunca mais retornar ao local. A eficácia da reza dependia do exato cumprimento dos preceitos e/ou da infelicidade do cristão em realizar o ato nos rastros de um corno. (MACHADO, 1974, p. 191).
 

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) traziam aos cangaceiros grandes incômodos com as infecções que elas ocasionam. Por considerarem as doenças venéreas uma “doença do mundo” ou “doença feita”, o tratamento era realizado exclusivamente à base da farmacopéia cangaceira, pois as forças das rezas não dispunham de poderes para curá-las. (MACHADO, 1974, p. 191).
 

As orações “brabas” são as orações adversas das instituídas pelo credo cristão da fé em um único Deus, repletas de menções e segredos obscuros e que reporta exclusivamente às forças demoníacas e misteriosas do inferno. Dentre elas, encontramos duas orações brabas, temidas e condenadas pela maioria dos crendeiros nordestinos e citadas no Livro de São Cipriano: “A oração da Cabra” Preta, a qual numa mistura com Santa Justina pede auxílio às forças satânicas e ao “Credo às Avessas”, lida “de trás pra frente” numa versão contrária ao “Credo Cristão”.
 

Em alusão aos amuletos, os cangaceiros dispunham de uma infinidade desses talismãs presos ao pescoço, pelos quais nutriam uma desmedida fé. Impregnados de suor e poeira só eram retirados, via de regra, na hora do coito, sobre a pena de incorrer no crendeiro uma série de castigos e desventuras, invalidando assim, os poderes do seu patuá.
 

Constituído de um pequeno envoltório confeccionado em tecido ou couro, os patuás traziam fragmentos de hóstias consagradas, relíquias, rezas forçosas e curadoras, facultando ao crédulo o fechamento do corpo, tornando-os valentes, audazes e temidos, os quais abduziam as coisas-feitas, os malogros e as moléstias. Desta forma, segundo Eliade, Manifestando o sagrado, um objeto qualquer torna-se outra coisa e, contudo, continua a ser ele mesmo, porque continua a participar do meio cósmico envolvente. Uma pedra sagrada nem por isso é uma pedra; aparentemente (para sermos mais exatos, de um ponto de vista profano) nada a distingue de todas as demais pedras. Para aqueles a cujos olhos uma pedra se revela sagrada, sua realidade imediata transmuda-se numa realidade sobrenatural [...]. (ELIADE, 1992, p. 18).
 

Além da proteção oferecida por orações, patuás e bentinhos, deparamos na iconografia do cangaço (JASMIN, 2006), com um legado de signos e símbolos visualizados nas armas e chapéus dos cangaceiros. Postulados na superstição para proteção dos armamentos, esses homens esculpiam o Signo de Salomão na parte externa das coronhas dos rifles e fuzis, em que a cada sete dias o benziam com sete cruzes e com o polegar sobreposto no centro da figura, rezavam um Pai Nosso e uma Ave Maria. (CÉSAR, 1975, p. 172). O chapéu, além de proteger o cérebro e órgãos do sentido contra as inclemências do tempo, era ornado com ícones cabalísticos, medalhas e moedas, postulando a salvaguarda do corpo. Sede da razão e da sabedoria, a cabeça era enaltecida como guia espiritual cristã, em apologia aos santos sacramentos da Igreja Católica relacionados como batismo, comunhão, crisma e extrema-unção.
 

Obstinados em manter o físico concatenado ao espiritual e, o corpo imune aos agravos do ferro quente8 e do ferro frio9, os cangaceiros, homens de credo e religiosidade apurada, seguiam à risca os mandamentos e preceitos pertinentes à mantença do “corpo fechado”. Cismados que o universo feminino anulasse tal mandinga, temiam e respeitavam o sexo oposto com uma desmedida fobia, em detrimento a uma passagem bíblica, escriturada no Antigo Testamento, onde:
 

A mulher, a que padece o seu fluxo de sangue menstrual, estará separada sete dias. Todo aquele que a tocar estará imundo até à tarde; e todas as coisas sobre que ela tiver dormido ou sobre o que se tiver assentado, durante os dias da sua separação, serão polutos. E se, com efeito, qualquer homem se deitar com ela, e a sua imundície estiver sobre ele, imundo será por sete dias; também toda a cama, sobre que se deitar, será imunda. (BÍBLIA SAGRADA, LEVÍTICO 15:19-21).
 

Deste modo, o comportamento dos homens do cangaço relacionado às regras impostas às mulheres os levava à abstinência sexual nos três dias que antecediam um assalto ou ataque.
-----------------------------------------

8 Ferimentos causados por armas de fogo.
9 Ferimentos produzidos por armas brancas como punhal, faca, etc.


Assim, nos deslocamentos dessas empreitas, margeavam as estradas e caminhos vicinais com o firme propósito de evitar algum encontro casual com o sexo oposto ou até mesmo com certos vegetais da flora sertaneja como o mororó (Bauhinia fortificata) e as flores do maracujá (Passiflora edulis) por acharem as mesmas parecidas com a genitália feminina. Ainda nesse universo, o medo crendeiro aconselhava o exame minucioso nos arreios, receosos que algum desafeto camuflasse entre a manta e a sela alguma peça íntima das mulheres. (CÉSAR, 1975,p. 32). Ainda segundo César, (1975, p. 173), “quando se tem inimigo, não se deve viajar antes do terceiro dia que visitou uma mulher, que bebeu aguardente ou que sentou numa banca de jogo”.
 

Nessas marchas, professando outras superstições para o resguardo do corpo, os cangaceiros norteavam suas jornadas, traçada por um encandeamento de preceitos legado dos mais velhos, sobre o lado apropriado no perpassar dos caminhos. Nas encruzilhadas do caminho, pisavam sistematicamente no flanco direito e distantes do cruzamento, para não calcarem a cruz formada com a intersecção das veredas, entretanto, só ultrapassavam a sombra de uma árvore, estando à mesma do seu lado esquerdo. (CESAR, 1975, p. 53)
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 

Objetivando relacionar a religiosidade e a crendice dos cangaceiros, compreendida ntre o Séc. XVIII até meados do Séc. XX, encontramos nas obras pesquisadas e referenciadas  neste artigo uma variedade de rezas e orações que associadas aos amuletos e preceitos, confirma a analogia entre a superstição e o devocionismo ao sagrado desses homens, que apesar de salteadores e assassinos, nutriam-se também de uma grande munição espiritual.
 

Assim, ficara manifesta a necessidade desses indivíduos em materializar a religiosidade, abstraindo a própria fé no espiritual e transpondo para os bentinhos e patuás a corporificação do sagrado. 

 

Ensimesmados, os homens do cangaço admitiam em suas crenças que esses aparatos além de oferecer um resguardo sobrenatural, fomentavam uma maior proximidade com o santo de sua devoção. Deste modo, acercados da fé nesses objetos consagrados, corroboravam nas suas convicções que tais talismãs e orações tinham o poder mágico de imunizá-los contra o ferro quente, o ferro frio, os achaques do corpo e os males do espírito.
 

Evidenciou-se também, nesses indivíduos, o temor com relação às mulheres, assim como tudo que evocasse o sexo oposto em razão de uma passagem bíblica concernente ao72 mênstruo feminino, visto que tal impureza deixava o corpo e a alma suscetíveis às perversidades naturais e sobrenaturais.
 

Verificou-se que o esfacelamento do cangaço, em consequência da morte do seu comandante em 1938 - Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião - implicou nas rendições e prisões de homens remanescentes dos bandos, terminando assim por criar as condições determinantes para a compreensão dos aspectos estruturais, religiosos e sociais na historiografia cangaceira. 

A facilidade na obtenção das informações, em razão do acesso e do contato direto entre historiadores e ex-cangaceiros em reclusão, proporcionara aos estudiosos uma diversidade de conhecimentos, subsídios utilizados para os capítulos da vasta bibliografia da história brasileira e nordestina sobre o tema. Entretanto, nota-se, a partir do que foi constatado, que se torna imperativo aprofundar as pesquisas sob a perspectiva da religiosidade e crendices dos cangaceiros, visto que é um tema pouco explorado e demanda um olhar crítico a esse respeito.

 

O autor

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

BÍBLIA sagrada. Trad. Francisco Zbik. Rio de Janeiro: Delta, 1980. 1126 p.
 

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 3 ed. Rio de Janeiro: Ediouro,
1972.

______. Cinco livros do povo. 3 ed. João Pessoa: UFPB, 1994. 456 p. 

______. Meleagro. Rio de Janeiro: Agir, 1951. 196 p.

 

CÉSAR, Augusto. Crendices: suas origens e classificação. Rio de Janeiro: MEC, 1975. 280 p.
 

ELAIDE, Mircea. O sagrado e o profano. Trad. Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fortes,
1992. 191 p.
 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, [1986].
73
 

HOORNAERT, Eduardo. Formação do catolicismo brasileiro: 1550-1800. Petropólis: Vozes,
1974. 140 p.

______. O misticismo moreno no Brasil. Petropólis: Vozes, 1991. 181 p.

  

JASMIN, Élise. Cangaceiros. São Paulo: Terceiro Nome, 2006. 150 p.
 

LIMA, Estácio de. O mundo estranho dos cangaceiros: ensaio bio-sociológico. 2 ed. Salvador:
ALB, 2006. 336 p.
 

MACHADO, Maria Cristina R. da Matta. Aspecto do fenômeno do nordeste brasileiro IV.
Revista de História. São Paulo: v. XLVII, n. 97, p.161-200, jan./mar. 1974.
 

MADEIRA, Paulo. Crenças incríveis. 2 ed. Brasília: THESAURUS, 2010. 304 p.
 

MARIZ, Celso. Ibiapina: um apóstolo do nordeste. Ed. Fac-similar. 3.ed. João Pessoa: SEC;
UFPB, 1997. 324 p.
 

OLIVEIRA, Aglae Lima de. Lampião cangaço e nordeste. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1970.
442 p.
 

RIBEIRO, René. Antropologia da religião e outros estudos. Recife: Massangana, 1982. 312 p.
 

SILVA, Antonio Ignácio da. [Caderneta de anotações sobre a vida, versos e orações do
cangaceiro Moreno]. Belo Horizonte: [s. n.], 1909-2010. 1 doc. (não paginado), Original, 20
cm.
 

SUSSOL, Max. O livro dos benzimentos brasileiros. São Paulo: Difusão Cultural do Livro,
1995. 416