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segunda-feira, 30 de março de 2026

Homenagem

 Antônio Amaury dará nome a logradouro em Araraquara

Por Kiko Monteiro

Em sessão ordinária realizada na tarde da última terça-feira (24), a Câmara Municipal de Araraquara (SP) aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei nº 63/2026, que denomina um logradouro público da cidade em homenagem ao pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo (1934–2021).




Natural de Boa Esperança do Sul (SP), Amaury mudou-se ainda jovem para Araraquara, onde construiu sua trajetória pessoal e intelectual. Foi na cidade que despertou a paixão que marcaria sua vida: o estudo do cangaço e da cultura nordestina, interesse que, como costumava brincar, o “nordestinizou” para sempre, a partir do contato com um cordel sobre o cangaceiro Corisco.

A proposta foi apresentada pelo vereador Alcindo Sabino, a partir de iniciativa articulada com o comunicador social João Neto, responsável por encabeçar a petição que resultou no projeto.

A homenagem reconhece a relevância da obra de Amaury, referência na pesquisa sobre o cangaço e importante nome da historiografia nordestina. Para familiares, amigos e admiradores, a aprovação representa o reconhecimento público de um legado construído com dedicação e rigor.

Um dos filhos do homenageado, Carlos Elydio, destacou a importância simbólica da honraria. “Estou feliz pelo reconhecimento, na cidade onde se formou o espírito crítico e investigativo de meu pai, por meio dessa justa homenagem. Foi também em Araraquara que ele conviveu e estudou com outros dois grandes contemporâneos, o dramaturgo Zé Celso Martinez e o escritor Ignácio Loyola Brandão. Certamente, tiveram bons mestres no Colégio São Bento”, afirmou.

Amaury vive, em sua obra, em seus ensinamentos e na memória de todos que seguem inspirados por sua trajetória.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Amaury em Documentário

As mulheres no cangaço

Através de depoimentos do grande decano da pesquisa, mestre Antonio Amaury; da ex-cangaceira "Sila", o universo feminino das mulheres dos grupos de Lampião e Corisco, são cantadas e decantadas neste documentário de 50 minutos, produzido há 20 anos pela Rede Sesc Senac de Televisão de São Paulo.

Apresentação de Rejane Marques e Eldo Mendes.
Produção: Branca Regina Rosa.
Realização: We Do Comunicações.
Direção de Dimas Oliveira Junior e Luis Felipe Harazim




Pescado no canal de Dimas Oliveira Jr.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Documentário

Feminino Cangaço

O Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta o documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais.

Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Jornal da Tarde (O estado e São Paulo) 31 de Julho de 1973

A História que nos perdoe. Mas por que não se conta de uma vez a verdade sobre o Cangaço?

Por: Claudio Bojunga

Dizer que Padim Ciço, um santo, fez Virgolino Ferreira um bandido é um sacrilégio. Mas o santo fez o bandido virar capitão, sim, embora historiadores do cangaço omitam esse episódio em seus livros. Há outras omissões. Embora os personagens da História ainda estejam dispostos a depor para a História. Por enquanto, porque estão todos muito velhos.

O coronel aposentado Higino José Belarmino, o homem que mais combates travou com Lampião e seu bando, durante a primeira fase do cangaço, até 1928, desistiu de ler qualquer livro, jornal ou revista que trate desse assunto. Tem dois motivos para isso. O primeiro é pessoal: até hoje, segundo ele, ninguém descreveu corretamente a morte dos dois irmãos de Virgulino Ferreira, Antônio e Livino, considerados por todos como mais violentos, ferozes e ousados do que o irmão. Prova é que morreram logo, em combates com o então tenente Higino.


cel. Higino José Belarmino
Foto: Josenildo Tenório

O segundo motivo – e o que mais irrita o coronel – é a sua obsessão pela minúcia. “Já perdi a conta dos doutores (escritores, jornalistas, sociólogos) que vieram aqui falar comigo. E esta é a segunda vez que trazem a maquininha (gravador)”. A maioria dos entrevistadores do coronel conversava horas – até dias – com ele, anotando um dado ou outro, geralmente datas. “Um negócio feito assim só pode sair torto”, diz ele. O coronel está alertando, com muita seriedade, todos os estudiosos do assunto.

A maioria dos livros históricos – que fique claro: a maioria – ou ensaios sobre cangaceirismo parte de premissas discutíveis (alguns até partem de preconceitos) ou escolhem, a esmo, um determinado ângulo do fenômeno. Então temos livros que, sem maiores explicações, rotulam Lampião de “revolucionário”, vestem-no de Robin Hood, tratam as volantes como “forças opressivas” e, no fundo, descrevem o velho lugar comum que leva o leitor a identificar o bandido como mocinho e vice-versa. Se a intenção é politica, esses escritores perdem, nos seus preconceitos, ótimos detalhes que até ajudariam a defesa de suas teses; que, por exemplo, os métodos usados pela polícia na luta, em nada, mas em nada mesmo, se diferenciam dos métodos dos cangaceiros.

Quando o coronel Higino diz que “eu era um boi”, fica claro sua identificação com os inimigos. A volante, enfim, seria um grupo de cangaceiros funcionários públicos. Igualmente ferozes e ingênuos. Outros pontos: não é possível pesquisar o cangaço sem o conhecimento profundo da República Velha, das condições socioeconômicas do Nordeste, na época, da psicologia do seu povo, das complicadíssimas árvores genealógicas, os clãs, os feudos, as pequeninas máfias. Como falar de cangaço sem o entendimento das relações estado-igreja-povo? A função dos beatos, o messianismo, o compadrismo político, tudo isso contribuindo direta e indiretamente para a formação dos bandos sanguinários, na verdade manuseados por uma série de elementos que vão desde o cínico senhor feudal às relações econômicas do Nordeste com o Centro-Sul. Há um exemplo edificante, de um homem que pesquisa o assunto há mais de vinte anos e ainda não escreveu o seu livro: o paulista Antônio Amaury C. Araújo.

O jovem Amaury
(Cortesia do mestre para ilustrar o artigo)

À medida que ele avança no conhecimento do cangaceirismo, mais dados lhe são exigidos. Talvez uma pesquisa dessas, que além de muita cultura e paciência, obriga a gastos inestimáveis de dinheiro, nunca venha a ser feita no Brasil. A solução poderia estar num trabalho de equipe, financiado por uma riquíssima instituição cultural. E alguém teria realmente interesse de esmiuçar tão obsessivamente um período regional da História do Brasil? É fácil concluir que um trabalho assim é impossível, mas não se pode perdoar a desonestidade (ou o despreparo, vá lá) de alguns autores. Como é possível perdoar um “historiador” que, pelo simples fato de venerar o Padre Cícero do Juazeiro, omita da sua “história do cangaço” o episódio da “promoção” de Virgulino Ferreira a “capitão”?

Alguns personagens desta página – todos da primeira fase do cangaço, a mais desconhecida, que vai de 1924 a 1928, quando Virgulino atravessou o rio são Francisco e foi brigar na Bahia – estão dispostos a testemunhar, depor. Ainda podem chegar à minúcia. Mas os historiadores bem intencionados devem se apressar: a média de idade dessa primeira fase está por volta dos oitenta anos.

A arteriosclerose começa a apagar a memória de muitos. A morte natural está bem próxima. E logo agora que se descobre que cangaceirismo está longe de ser um assunto esgotado pela História, como dão a entender os representantes do sensacionalismo escrito, falado, filmado e televisionado.

Créditos para Antônio Correa Sobrinho

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Trouxe do Cariri

Lançamentos e relançamentos para sua estante

Assim morreu Lampião, em sua 4ª edição

Lampião foi envenenado? Esta pergunta tem sido feita com muita constância
pelos pesquisadores interessados na vida de Lampião. E a resposta foi dada pelo 
médico Dr. Leandro Cardoso, durante apresentação dos resultados de seus 
estudos a este respeito, através das análises feitas sobre os prováveis venenos 
utilizáveis à época, e seus respectivos efeitos nas vitimas, contribuindo assim 
para elucidar as questões levantadas a este respeito. 

O mesmo trabalho encontra-se transcrito na integra no presente livro, e foi apresentado em primeira mão na 2ª edição do Cariri-Cangaço.


Alguém traiu Lampião?  A entrevista feita com Joca Bernardo, traz a resposta 
à esta pergunta, dada de viva voz pelo mesmo ao autor deste livro, reincidente 
entre os estudiosos do assunto.

A nova edição conta com 317 páginas.
Valor de lançamento : R$ 45 (Quarenta e cinco reais) Frete a consultar.

Os pedidos serão feitos diretamente ao autor:
Antônio Amaury Corrêa de Araújo
Rua Guajurus, 156 – Jardim São Paulo
São Paulo – SP

CEP: 02.045-070

E-mail: aamaurycangaceiro@gmail.com Tel.: (11) 2972  4824

"Dé Araújo" Um cangaceiro Afamado, um soldado célebre


Trata o presente trabalho, em especial, da biografia, resumida, de um cidadão sertanejo, que, achando-se injustiçado, resolveu pegar em armas para executar sua vingança. Na sua espetacular trajetória de vida, tornou-se cangaceiro – ao ingressar no grupo liderado pelo Sinhô Pereira -,  incorporou-se a Força Pública de Pernambuco, virou desertor, reassumiu as fileiras do cangaço – mais uma vez sob o comando do Sinhô Pereira e, logo  a seguir, ficou sob a chefia do temível Lampião -, até o momento que não mais compactou com os bandoleiros, e, finalmente, sendo convencido por familiares e amigos, a tentar a sorte no Sudeste brasileiro, se incorporou no Regimento de Cavalaria da Força Pública de São Paulo e tornou-se um militar exemplar.

• Nº de páginas: 328. Valor R$ 50 (Cinquenta Reais) Frete incluso. Envie pedido para o autor pelo email geraldoferraz@uol.com.br

Sitio dos Nunes de Flores, vive saga cangaceira


Sítio dos Nunes é um distrito pertencente a Flores, sertão do Pajeú Pernambucano surgida no século XIX por Portugueses. Lá, Virgulino Ferreira da Silva e seus sequazes praticaram crimes gerando assim processos jurídicos do qual este, está compilado na íntegra neste trabalho pioneiro documental, onde resgatamos com muita seriedade e compromisso histórico este fato ocorrido no sertão nordestino dando início uma nova fase de estudos: o Judiciário nas Caatingas, termo corretamente aqui utilizado em sua forma original e grafia da época.
 

Para aqueles estudiosos, pesquisadores e admiradores da temática do Cangaço, este livro Sítio dos Nunes de Flores Vive uma Saga Cangaceira nada mais é do que um instrumento indispensável e de fundamental relevância para os que buscam elucidar, mediante análise documental, o fato ocorrido e vivido neste sertão, onde Lampião reinou por quase vinte anos sendo mitificado e se tornado lenda pelas suas façanhas.

Apreciem a leitura, pois o livro é de caráter inédito buscando novas perspectivas elucidativas.


Nº de páginas: 46. Valor de lançamento R$ 25,00 (Vinte e cinco reais) Com frete incluso. Para adquirir entre em contato com a coautora Ana Lucia Granja Souza annags.lucia@hotmail.com.

Como Capturar Lampião


Pesquisando os jornais da Bahia, começando do ano de 1928 até o final da década de 30, dentre eles, A Tarde, Diário da Bahia, Diário de Notícias, O imparcial, Nova Era, incluindo também jornais de outros estados, como, A República, de Alagoas, Diário Oficial do Poder Legislativo de Pernambuco, além dos Boletins da Polícia Militar da Bahia, para um trabalho onde parte dele publiquei em outros livros, observei que existia uma preocupação muito grande, não só do estado, mas, uma verdadeira fixação de grande parte da sociedade civil, com o extermínio do grupo de Lampião.

Foi publicado na época, além das estratégias do estado, ideias, algumas absurdas e fantasiosas de como fazer isso. Assim, resolvi extrair da minha pesquisa, a parte que encontrei sobre esse assunto e transcrevo as matérias ao longo do livro....

Nº de páginas: 142. Valor: R$ 30,00 (Trinta e cinco reais) Com frete incluso. Pedidos para o autor através do email graf.tech@yahoo.com.br

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Outra leva de novidades...

...E relançamentos que compõem a mini bienal do maior encontro de cangaceirólogos do Brasil

Lampião, morreu assim pela 4ª vez

Lampião foi envenenado? Esta pergunta tem sido feita com muita constância 
pelos pesquisadores interessados na vida de Lampião. E a resposta foi dada pelo 
médico Dr. Leandro Cardoso, durante apresentação dos resultados de seus 
estudos a este respeito, através das análises feitas sobre os prováveis venenos 
utilizáveis à época, e seus respectivos efeitos nas vitimas, contribuindo assim 
para elucidar as questões levantadas a este respeito. 

O mesmo trabalho encontra-se transcrito na integra no presente livro, e foi apresentado em primeira mão na 2ª edição do Cariri-Cangaço.


Alguém traiu Lampião?  A entrevista feita com Joca Bernardo, traz a resposta 
à esta pergunta, dada de viva voz pelo mesmo ao autor deste livro, reincidente 
entre os estudiosos do assunto.

A nova edição conta com 317 páginas.
Valor de lançamento : R$ 45 (Quarenta e cinco reais)

"Dé Araújo" será imortalizado por Geraldo Ferraz



Trata o presente trabalho, em especial, da biografia, resumida, de um cidadão sertanejo, que, achando-se injustiçado, resolveu pegar em armas para executar sua vingança. Na sua espetacular trajetória de vida, tornou-se cangaceiro – ao ingressar no grupo liderado pelo Sinhô Pereira -,  incorporou-se a Força Pública de Pernambuco, virou desertor, reassumiu as fileiras do cangaço – mais uma vez sob o comando do Sinhô Pereira e, logo  a seguir, ficou sob a chefia do temível Lampião -, até o momento que não mais compactou com os bandoleiros, e, finalmente, sendo convencido por familiares e amigos, a tentar a sorte no Sudeste brasileiro, se incorporou no Regimento de Cavalaria da Força Pública de São Paulo e tornou-se um militar exemplar.

• Valor de lançamento R$ 40 (Quarenta Reais).

Aninha e Paulo resgatam um capítulo perdido


Sítio dos Nunes de Flores, vive Saga cangaceira é o fruto da parceria entre a professora e pesquisadora Ana Lúcia Granja e Paulo Medeiros Gastão.

Um relato de crimes praticados por cangaceiros no distrito de Sítio dos Nunes, Estado de Pernambuco. O Processo é instaurado na Comarca de Flores e se passa no ano de 1928.


Este documento encontra-se na integra, sendo o primeiro a ser lançado para deleite dos leitores do cangaço em território nacional.

Lembramos aos aficionado do cangaço que a tiragem da 1ª edição é limitada. Sendo de agradável leitura e trazendo fatos nunca descritos desde o primeiro livro que retrata o cangaço.


Valor de lançamento R$ 15,00 (Quinze reais)

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Posteriormente faremos a divulgação e forma de aquisição para os rastejadores de todo país. E como bem disse o confrade Honório de Medeiros - " Preparem os corações e mentes, aficionados da história do Sertão nordestino: Vem aí o...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Eventos históricos

O cangaceiro Lampião no banco dos réus

Por Paulo César Gomes

Lampião foi absolvido! Essa frase que é recheada de elementos que perturbam a cabeça de curiosos e estimula o trabalho de pesquisa de estudiosos do cangaço no Brasil e no mundo, foi dita em alto em bom tom no dia 13 de abril de 2002, no Sítio Passagem das Pedras, a 46 Km da cidade de Serra Talhada – PE, ao lado da casa onde Lampião nasceu. Nesta data ocorreu o julgamento (simulado) do Rei do Cangaço, um evento que foi organizado pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, presidida pelo escritor pesquisador Anildomá Willans de Souza (Domar).

O julgamento foi conduzido pelo juiz Assis Timóteo Rodrigues, que na época atuava pela Comarca de São José de Belmonte; a defesa de Lampião foi feita pelo advogado Franklin Machado e a acusação pelo historiador e ex-prefeito Luiz Lorena (representando o Ministério Público). O conselho de sentença – que foi formado após sorteio – era composto de intelectuais, historiadores e advogados de vários estados do Nordeste. Virgolino Ferreira da Silva foi representado pelo saudoso ator, poeta e coreografo Gilvan Santos.


Antônio Amaury foi assistente da defesa.

O evento atraiu pessoas de diversas regiões do Brasil, somando cerca de 400 pessoas, inclusive estudantes de História e Turismo das universidades do Rio Grande do Norte e Pernambuco. Durante duas horas e meia, essa plateia acompanhou atentamente sob o sol da caatinga os ataques e defesas em torno da figura lendária e controversa de Lampião, o maior dos cangaceiros.

“Absolvê-lo é condenar a história da minha Serra Talhada”, apelou exaustivamente, o promotor Luiz Lorena. Já a defesa recorreu a elementos históricos, como a impunidade dos coronéis, os esbulhos de terra, a perseguição aos pobres, para apontar Lampião “como um fruto do meio”. Em determinados momentos, dava-se a impressão que Lampião estava em carne e osso no sítio, tal era o envolvimento da plateia, dos advogados e do juiz Assis Timóteo.

Após ouvirem as alegações da acusação e da defesa, cada jurado declarou o seu voto e, coube ao ex- presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) – seção Serra Talhada –, Jânio Carvalho, o voto que absolveu Lampião pelo placar de 4×3. Emocionada, a neta de Lampião, Vera Ferreira, abraçou calorosamente o ator que representou o seu avô. Após a leitura da sentença, o escritor Hilário Lucettti (Crato – CE), que fez parte do júri e pediu a condenação de Lampião, expressou o seu desejo de recorrer da sentença.

Mas o juiz Assis Timóteo esclareceu que por se tratar de um júri popular simulado, não cabiam recursos e nem apelações uma vez que essas regras não foram estabelecidas. Na verdade, Lampião já fora inocentado em outubro de 1997 pela prescrição do último processo que tramitava contra ele. O juiz Clóvis Silva Mendes, que na época ocupava a comarca de Serra Talhada e de Flores, inocentou Lampião de uma ação datada de 1928. Nesse processo o cangaceiro era acusado de matar três homens em 1925.

Adendo: Reveja um vídeo de Aderbal Nogueira com  compacto deste evento.


Independente de todas as controversas, ou não, que rodeiam o universo no qual foi edificada a figura de Lampião, uma coisa é certa, a história do cangaço e do povo nordestino é encantadora, marcada por passagem de lutas e de pioneiros. Uma expressão verdadeira da identidade cultural e social do povo brasileiro.

Lampião foi bandido sim! Praticou e o foi vítima de atrocidade, e isso ninguém será capaz de mudar, mas não podemos negar que a sua história é repleta de simbolismo e cultura, fatores que são não podem serem desprezados pela nossa população. Eventos como o que narrei aqui, ajudam a promover o nome de Serra Talhada no cenário regional, nacional e mundial, o que passar a ser uma forma legitima de recuperar todo o prejuízo econômico provocado pelo cangaço.
 Pesquei no Farol de Noticias

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Documentário radiofônico

Amor e renuncia: A presença da mulher no cangaço

Por Juliana Almeida


Este documentário foi o meu projeto de conclusão de curso em Jornalismo na Universidade Tiradentes. Explico logo abaixo como ele foi produzido:

Inicialmente foi realizado um levantamento de dados sobre a participação da mulher no cangaço, através de sites especializados, monografias e livros consultados na biblioteca da Universidade Federal de Sergipe e na biblioteca da Universidade Tiradentes. Após essa análise inicial do material disponível, foi possível reunir informações para aprofundar a discussão com pesquisadores sobre e cangaço e jornalistas, durante a realização da I Semana do Cangaço, realizada de 4 a 6 de junho de 2008, no Centro de Criatividade, em Aracaju.


Durante a Semana do Cangaço, foi possível fazer as entrevistas que compõe esse trabalho e ampliar as referências para a consulta de mais dados e depoimentos sobre a participação da mulher no cangaço, como a aquisição de documentários de vídeo e bibliografia específica sobre o tema proposto.

Com acesso a todo o material, a fase seguinte foi decupar as entrevistas gravadas e reunir as informações presentes neste memorial descritivo nos capítulos que tratam do fenômeno do cangaço no nordeste e a mulher no cangaço. É importante ressaltar que a qualidade de algumas entrevistas não está tão boa, mas elas foram imprescindíveis para a composição do documentário.

O documentário radiofônico foi elaborado a partir do roteiro estruturado para mostrar a influência e participação da mulher no cangaço sob diversos aspectos, sempre primando pela objetividade jornalística e coesão entre os fatos. O documentário traz elementos da literatura de cordel, trilha sonora específica, narração em off e entrevistas. O tempo de duração do documentário ficou em 17 minutos e 58 segundos e será veiculado em emissoras educativas que tenham interesse no resgate da memória de elementos da cultura nordestina

O documentário “Amor e renúncia: a presença da mulher no cangaço” traz as seguintes entrevistas:
·         Ariano Suassuna (Escritor)
·         Maria do Rosário Caetano (Jornalista e escritora)
·         Luiz Antônio Barreto (jornalista, escritor e pesquisador)
·         Jovenildo Pinheiro de Souza (professor da UFPE e pesquisador do cangaço)
·         Vera Ferreira (Jornalista neta de Lampião e Maria Bonita)
·         Expedita Ferreira (Filha de Lampião e Maria Bonita)

O documentário ainda traz os seguintes depoimentos extraídos do vídeo-documentário ’Mulheres Cangaceiras’ produzido e exibido pela TV SENAC, 1997:
·         Antônio Amaury Corrêa de Araújo (pesquisador do cangaço e escritor)
·         Ilda Ribeiro de Souza (Sila) – ex-cangaceira e mulher de Zé Sereno

A estrutura do documentário traz versos da literatura de cordel, de autoria de Franka e do jornalista Márcio Santana no formato de Martelo Agalopado, que são utilizados na abertura e encerramento e como ‘cortinas’ na separação dos assuntos abordados.

A trilha sonora contempla músicas típicas do nordeste, como o xaxado, na interpretação de Luiz Gonzaga e do ex-cangaceiro Volta Seca, além do grupo Anima.


Ouça o documentário Clique Aqui

Pescado em Audiografia

terça-feira, 30 de julho de 2013

Erraram

Diário do Nordeste atribui a Antônio Amaury afirmação falsa

Nós também erramos muito por aqui. Mas reparem o quanto é recorrente, parece regra, a lamentável falta de cuidado da imprensa quando quer tratar de "Cangaço". Troca-se Sergipe por Alagoas, Maria por Inacinha, 28 por 27, que o penúltimo era o ultimo... 

Melhor evitar comentários. Se fosse pra reproduzir uma a uma teríamos que criar um outro blog dedicado exclusivamente a estas pérolas. Mas para defender um amigo e mestre faço questão de pedir a retratação urgente do citado veiculo de imprensa escrita.

A edição de hoje (30 de julho de 2013) do Jornal Diário do Nordeste começa muito bem anunciando o lançamento em circuito nacional do aguardado filme/documentário "Os Últimos cangaceiros" de Wolney Oliveira. Até ai maravilha, ótima noticia.

Mas em determinado trecho o jornal cearense, mesmo sem a intenção de ressuscitar a polemica (que por ser considerada calunia e difamação foi parar nos tribunais), achou de confundir os autores, atribuindo ao veterano e respeitado escritor paulista Antônio Amaury Corrêa de Araújo a afirmação e publicação de um livro que sugeria a homossexualidade do Rei do Cangaço. Logo Amaury com seus mais de sessenta anos dedicados a uma pesquisa responsável e que na época do acontecido, tão chocado quanto os familiares de Virgolino, procurado por jornais, sites e revistas do sudeste negou e condenou esta informação.

Amaury já está ciente do fato. Bastante preocupado, 
conta com a compreensão dos amigos.
Foto: Manoel Severo

O que mais me espanta é que Antônio Amaury, assim como outros autores citados na matéria, foi consultado pela repórter. Divulgou seu próximo livro, alertou sobre a questão de "Candeeiro" não ser o ultimo ex cangaceiro vivo, etc. Um mal entendido que poderia ser evitado se o questionassem na mesma oportunidade sobre o respectivo e totalmente desnecessário assunto?

Para ler a matéria, Clique Aqui


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tem reedição na praça

Antônio Amaury e Luiz Ruben relançam "Lampião e a Maria Fumaça"

Este trabalho tenta mostrar que a saga cangaceira não estava restrita aos lugares menos civilizados do nordeste e sim, lado a lado da tecnologia de transporte mais avançada na primeira metade do século XX.

Do Rio Grande do Norte até a Bahia, Lampião e seus seguidores cruzaram os trilhos de empresas ferroviárias como é o caso da Great Western of Brazil Railway Ltda., Leste Brasileiro, a Estrada de Ferro do Estado de Sergipe e a Estrada de Ferro Paulo Afonso, que estava localizada nos Estados de Alagoas e Pernambuco e fazia a ligação entre Piranhas em Alagoas e Jatobá em Pernambuco, vencendo a parte não navegável do Rio São Francisco e  pertencia, no período de Lampião, à Great Western.

No período do cangaço, as ferrovias dos Estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, estavam sob concessão da Great Western.
Lampião e seu grupo nunca se atemorizaram com o progresso da máquina a vapor, pois, como almocreve, andou pelo nordeste afora encontrando trilhos em todos os centros onde o seu pai fazia comércio.

Os relatos são bibliográficos, pois esse tema Lampião e a Maria Fumaça, pela primeira vez são compilados em único livro. Os acontecimentos nas Estações de Mossoró, Capela, Barrinha, Itumirim, Queimadas, etc, mostram que Lampião e seus subgrupos não mediam esforços para continuar ampliando o seu domínio pelas regiões onde, Capitão Virgolino  se auto denominou “governadô do sertão”.

Serviço

O que? Livro Lampião e a Maria Fumaça (2ª edição)
Editora Graftech.
Autores: Antônio Amaury Corrêa de Araújo e Luiz Ruben F. A. Bonfim.
Número de págs. ´84

Quanto? R$ 30,00 (Trinta reais) Com frete já incluso.


Onde comprar? Pelo e-mail graf.tech@yahoo.com.br


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Temas do evento

A chegada de Sinhô Pereira ao Cariri Cangaço

Por: Jorge Remigio

Quando setembro vier, teremos o prazer de desfrutar a convivência por quase uma semana, com grandes personalidades do meio cangaceirístico, como também, de muitos amigos e amigas formados no seio desse encontro grandioso e singular, que é o CARIRI CANGAÇO. Este prima por dar um caráter cultural, didático e educativo ao evento, como também, tem a força de interagir plateias e pesquisadores nos seminários que sucedem nas cidades acolhedoras que fazem parte do circuito. A notícia da inclusão e discussão em seminário do personagem Sinhô Pereira, foi muito acertada. 

Parabenizo a organização do evento, pela escolha, sabemos o valor que tem o estudo desse que é considerado o maior expoente de um cangaço típico e não comum, que foi o cangaço de vingança. Mais acertado ainda foi o convite ao brilhante pesquisador, Dr. Leandro Cardoso Fernandes, que por afinidade é um Pereira, para proferir a palestra sobre o cangaceiro Sebastião Pereira da Silva. O Sinhô Pereira. 

O brilho do mito Lampião ofuscou a história de muitos cangaceiros de destaque que o antecederam. Personagem exaustivamente estudado e decantado ao longo da história, o qual se confunde até mesmo com o próprio cangaço. Cabe agora aos pesquisadores contemporâneos a tarefa de suprir essa extensa lacuna. 

O CARIRI CANGAÇO sai na frente e põe em discussão: Sinhô Pereira. Seu Rodrigues para os seus cabras. Uma de suas bisavós chamava-se Quitéria Rodrigues do Nascimento, mãe de Ana Sá, sua avó e irmã de Jacinta Rodrigues que se casou com o português José Pereira da Silva que migrou do sertão dos Inhamuns cearense, sendo os pioneiros da família Pereira na região do médio Pajeú. Os quais eram donos de extensa área territorial e constituíram uma numerosa prole. 

Leandro Cardoso Fernandes
A fixação dos Pereira no Vale do Pajeú, mais precisamente em uma região que compreende hoje os Municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, seu Distrito Bom Nome e parte do Município de Flores, marca uma época de desbravamento dos ermos sertões, a luta com o gentio na disputa do espaço e da criação do gado em currais. Foi mesmo uma autêntica epopeia esse período, conhecido por ciclo do couro ou ciclo do gado. Sinhô Pereira tem sua gênese aí. Nasceu dessa cultura, dessa formação social, mesmo que um século depois, as vicissitudes do tempo não mudaram radicalmente a atmosfera cultural do ambiente. 

Na primeira geração, os filhos do patriarca José Pereira e da sua esposa Jacinta Rodrigues, vão ser muito importante para dar sequência ao domínio territorial já conquistado. Consolidando de vez os seus currais naquela região. Todos os filhos do patriarca vão ser tio avós de Sinhô Pereira, exceto Francisco e Ana que eram seus avós. 

O primeiro filho foi Simplício Pereira da Silva, casado com Ana Joaquina Nunes, essa, filha do sesmeiro Aniceto Nunes da Silva e de Antônia Lourenço de Aragão. Chegou ao título de Coronel da Guarda Nacional e foi o maior desbravador daquela mata virgem. Tornou-se uma lenda em sua época, os seus feitos são extensos, participou ativamente no sertão de várias convulsões políticas que se sucederam após a abdicação de D. Pedro I. Sua história carece de muitas páginas.

O segundo: João Pereira da Silva casou-se com Antônia de Sá e era dono da Fazenda São Cristóvão em Belmonte. Terceira: Josefa Pereira da Silva, que se casou com Joaquim Nunes da Silva, irmão das esposas de Simplício e Manoel. Quarto: Antônio Pereira da Silva, casado com Constância Pereira da Silva, dono da Fazenda Campo Alegre. Quinto: Francisco Pereira da Silva, casado com Ana de Sá, fundador da Vila de São Francisco, avós de Sinhô Pereira e Luiz Padre. O grande industrial João Pereira Santos, vem desse ramo. Sexto: Manoel Pereira da Silva, casado com Francisca Nunes, irmã da esposa de Simplício. Foi a maior figura do clã dos Pereira, chefe político da família, liderava o partido Conservador no Brasil Imperial naquela região, era Comendador, Comandante Superior das Ordenanças de Flores, Ingazeira e de Vila Bela e Coronel da Guarda Nacional. 

Faleceu em 1862. Foi o pai de Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, o qual herdou a chefia política do pai. Andrelino foi o primeiro prefeito de Vila Bela (1892-1895) Sétimo: Vitorino Pereira da Silva. Foi presidente da Câmara Municipal de Vila Bela. Oitavo: Joaquim Pereira da Silva. Casou com Severina Pereira Aguiar e em segundas núpcias, com Constância Pereira de Sá. Ficou estabelecido no berço da família, ou seja, na Fazenda Carnaúba e era o pai de Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba. Esse ramo deu vários prefeitos de Serra Talhada. Né Pereira era padrinho de Sinhô e primo legítimo do seu pai Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”. Nono: Sebastião Pereira da Silva casado com a sobrinha, Januária Pereira da Silva, Irmã do Barão do Pajeú, filha do seu irmão Manuel Pereira. Foi Capitão da Guarda Nacional e em segundo casamento, desposou Maria Febrônea de Sá, que era filha da sua sobrinha Manuela Pereira, filha do seu irmão Francisco. Teve 32 filhos. Décimo: Alexandre Pereira da Silva, fazendeiro, o qual casou com Joana de Sá. Foi morto pelos fanáticos do Reino Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Onze: Cipriano Pereira da Silva, solteiro, foi morto pelos fanáticos do Reino Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Local atualmente pertencente a São José do Belmonte. Doze: Ana Pereira, se casou com Francisco Mariano de Sá. Treze: Mariana Pereira da Silva (interdita).


Como se observa, na primeira geração casou-se quase todos com as filhas e filho do casal José Mariano de Sá e Quitéria Rodrigues do Nascimento. No caso, já eram primos pela linhagem materna. A evolução da árvore genealógica desenvolveu-se principalmente nos casamentos próximos, consanguíneos de primos com primas basicamente. Porém, identifiquei cinco casamentos entre tio e sobrinha. Quais sejam: Os dois casamentos do Capitão Sebastião Pereira da Silva, já citados acima, o de Januária, filha do Barão do Pajeú, que casou com um irmão deste, José Pereira da Silva, são os pais de José Simplício Pereira Sá (Pereirão), que casou com a filha do Major José Inácio do Barro-CE, Virgínia Amélia Pereira de Souza. A filha de Andrelino, (Barão) Francisca Pereira da Silva (Dona Chiquinha), casou com o tio Manoel Pereira da Silva Jacobina, conhecido por Padre Pereira, pais de Luis Padre. Ele era irmão da mãe dela, Maria Pereira da Silva. Dos cinco filhos que tiveram, dois nasceram com problemas mentais. O Filho do Barão do Pajeú, o Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, casou com Maria Pereira da Silva, conhecida por Marica, filha de sua irmã Generosa Pereira da Silva. Essa consangüinidade facilitava o aparecimento de patologias na geração seguinte, como: Doença mental, bócio, surdez e mudez.

 
Quero ressaltar aqui, que vários membros da família Pereira, tiveram união matrimonial com Carvalho. Família também clânica e que se fixou naquela região nos mesmos moldes dos vizinhos. Pereira e Carvalho no decorrer das décadas seguintes desenvolveram-se como oligarquias fortes e com interesses comuns, ou seja, a disputa pela hegemonia do poder político naquela região. Portanto, o choque seria inevitável.  Em novembro do ano de 1848 na Comarca de Flores do Pajeú, eclode o primeiro conflito, dessa que seria uma duradoura contenda. Em espaços alternados, vingou até o ano de 1922. Encerrando-se quando o cangaceiro Sinhô Pereira abandona definitivamente a luta armada no Pajeú das Flores, e “navega” para as longínquas terras de Goiás.

 
D. Chiquinha  e Manoel Pereira da Silva Jacobina "Padre Pereira".
pais do cangaceiro Luiz Padre.

No alvorecer do século XX chega à Vila Bela, monsenhor Afonso Antero Pequeno. De família influente politicamente no Cariri Cearense, que naquele momento ardia em conflitos coronelísticos, trazendo na bagagem o germe da discórdia e o espírito beligerante. Envolvido na luta do primo, Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, que tentava depor o Coronel José Belém de Figueiredo, vice-presidente do Estado do Ceará (1904), requisitou junto às lideranças políticas dos dois clãs, Pereira e Carvalho, armas, munição e um contingente considerável de jagunços para reforçar a facção do seu parente. A negação do Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva ao pedido do padre caudilho e consequentemente a concordância em tudo pela liderança dos Carvalho, Coronel Antônio Alves do Exu, fez com que o pároco passasse a interferir e interceder favoravelmente junto aos Carvalho, na luta e interesses políticos das duas famílias. 


Nas eleições municipais de 1907, foi eleito prefeito de Vila Bela com o apoio da família Carvalho, empurrando os Pereira para oposição. Abrindo um parêntese e voltando dois anos, 1905 é uma data de sangue. No centro de Vila Bela, dia da feira livre, é ferido gravemente à bala, falecendo dias depois, Manoel Pereira Maranhão, conhecido por Né Delegado, recentemente deposto do cargo, era primo legítimo do pai de Sinhô, sendo o autor do crime: Antônio Clementino de Carvalho (Quelé), o qual se refugia na residência do Monsenhor Afonso Pequeno, próximo ao local do fato. Após muito tumulto, o padre negociou a entrega e prisão do amigo, sendo este, posteriormente desaforado para comarca de Flores. O padre fez questão de atuar como um segundo advogado de defesa do réu na tribuna do júri, onde fora este absolvido.

Né Delegado quando convalescia, pediu para os parentes não executarem vingança, reconhecendo ele, que fora intempestivo e inconsequente, quando investiu contra Quelé. Aquele ano de 1905 foi precursor do acirramento e de vários desentendimentos entre membros das duas famílias, expondo mais ainda o Coronel Antônio Andrelino, já bastante desgastado politicamente junto à oligarquia Rosista. O Comendador Rosa e Silva dominou a política pernambucana por quase duas décadas, sendo o clã dos Pereira seus correligionários fies. O setuagenário Manoel Pereira da Silva Jacobina, pai de Luis Padre e tio de Sinhô, ganhou o apelido de Padre Pereira por ter sido seminarista. Sendo uma pessoa sensata e de índole conciliatória, passou a ser requisitado com frequência para apaziguar as rusgas familiares. Ele tinha sido o segundo prefeito de Vila Bela (1895-1898).   
O final do ano de 1907 se aproximava e mais precisamente no dia 15 de outubro, é morto de emboscada o Padre Pereira, pessoa muito amada e respeitada pela família e por quase toda população de Vila Bela. O crime de emboscada na cultura sertaneja é conceituado como um ato covarde, traiçoeiro, desprezível. O chamam pejorativamente de crime de pé de pau. Para as pessoas daquela região, esse tipo de crime é uma atitude infamante, digna de repúdio. O crime de homicídio “a peito” é até justificado naquela cultura braba. Existem versões para os motivos que deram causa a esse atentado contra Padre Pereira. O mais plausível, entendo que tenha sido um acerto de conta entre João Nogueira, que era casado com Benvenuta Pereira, conhecida por Benuta, sobrinha da vítima e meia irmã de Sinhô Pereira. A sucessão de casamentos ao longo dos anos entre Nogueira e Carvalho, resultou em uma só família. 
 
João Nogueira insistia em requisitar a parte de terras na herança da esposa, uma vez que a mãe desta, Úrsula Alves de Barros, já havia falecido. O sogro, Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”, foi consultar o irmão, no caso Padre Pereira, e esse opinou que não seria oportuno vender e partilhar suas terras naquele momento. Resultou então, em uma inimizade e um ódio cego por parte de João Nogueira contra Padre Pereira. O qual contratou os cabras: Luis de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes, para eliminar o seu desafeto. A comoção foi grande no seio da família Pereira, principalmente por parte da viúva, Francisca Pereira da Silva (Dona Chiquinha), que era esposa, sobrinha e prima segunda da vítima. Esta, de temperamento forte e no calor da hora, convoca alguns sobrinhos do esposo e primos: Manoel Pereira da Silva Filho, conhecido por Né Dadu, era o mais afoito, Pedro Pereira Valões, Manoel Pereira Valões, o cabra Pedro de Santa Fé e outros mais, para executarem a vingança imediata. Nessa ocasião, Sebastião Pereira contava com onze anos e Luis Padre, filho da vítima com quinze anos. 

O sobrenome Valões, foi uma criação de Aureliano Pereira da Silva, irmão do Barão do Pajeú e avô de Sinhô. Ele registrou três filhos, dos nove que teve com Maria Pereira da Silva, com sobrenome Pereira Valões. Conta-se que este lia uns livros sobre França e Bélgica e achava bonito o sobrenome Valões. O grupo formado na emoção parte para vingança. Executam Joaquim, irmão de João Nogueira, e em seguida, cometem um assassinato torpe. Matam Eustáquio Carvalho, que era um velho bondoso, sem envolvimento naquela guerra dos clãs. A alegação era que tinha que morrer alguém dos Carvalho com índole boa, parecida com a do Padre Pereira. ”Os Carvalho tinham que sentir a mesma dor que os Pereira sentiam naquele momento”. São atitudes medievais, herdadas de um Portugal arcaico e por anos isolado de uma Europa revolucionária, política e industrialmente. Tem início agora, a fase mais crucial da beligerância familiar. 


Né Dadu assume a chefia da luta, é agora o braço armado da família, reagindo e investindo contra os inimigos.
Com o advento do Marechal Hermes da Fonseca à presidência da república em 1910 e a sua “Política Salvacionista,” a qual tinha como lema, moralizar os costumes políticos e reduzir as desigualdades sociais, preocupa-se em derrubar as velhas oligarquias do Partido Republicano Conservador nos Estados, estimulando a substituição dos governadores por militares. É lançada a candidatura do General Emílio Dantas Barreto, então, Ministro da Guerra, ao governo de Pernambuco na eleição de 1911. O chefe político da família Pereira, Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, o qual fora desprestigiado politicamente pela Oligarquia Rosista, passa agora a apoiar o General Emílio Dantas Barreto, que disputava uma eleição contra o próprio Rosa e Silva, apoiado agora pelo clã dos Carvalho em Vila Bela. 


Em todo o Estado a disputa é fervorosa, principalmente na Capital. Apuradas as urnas, Rosa e Silva ganha com uma margem superior a três mil votos. No Sertão do Estado, o General Dantas Barreto só ganhou em duas cidades: Vila Bela e Salgueiro. É uma amostra de que o Coronel Antônio Andrelino ainda tinha influência e poder na região onde militava politicamente. Houve uma reação imediata do grupo de apoio ao General, em não aceitar o resultado do pleito. Alegavam fraude. O Jornal Diário de Pernambuco era de Rosa e Silva. Os Jornal A Província e O Pernambuco defendia interesses Dantista, os quais reclamavam uma vitória de Dantas Barreto. O clima de guerra generalizou-se em Recife, população amotinada, tiroteios, depredações, a Câmara impossibilitada de reunir-se e com a intervenção de tropas federais, muda-se todo o processo que até então, dava vitória a Rosa e Silva. Anulam-se as eleições de Triunfo e de Águas Belas e em assembléia extraordinária é reconhecida a vitória de Dantas Barreto ao governo do Estado.

  General Emídio Dantas Barreto (*1850 +1931) 
http://www.pe.gov.br/
      
Os Pereira readquirem o poder político no município e o Coronel Antônio Andrelino Pereira é alçado novamente ao poder. Porém, essa situação transformou-se rapidamente. Uma campanha sistemática de denúncias enviadas ao governador por telegramas, pelos adversários de Antônio Andrelino, ao menor incidente envolvendo membros da família Pereira, a intervenção nesse processo do Monsenhor Afonso Antero Pequeno, que assumiu uma postura conspiratória, publicando notas nos jornais da capital, alegando que: 
“Dar o poder a Antônio Andrelino, é como dar uma espada para um louco”. 
Como tinha amizade com o Padre Batista Cabral, o qual era membro e tinha força no diretório Dantista estadual, passou o monsenhor a influenciá-lo. Comungando tudo isso a uma postura de conciliação do novo governo, em aproveitar as forças derrotadas, levou rapidamente o Coronel Antônio Alves do Exu à presidência do diretório em Vila Bela, consequentemente a mandar politicamente na cidade e adjacências. Esse ano de 1912 começava realmente nefasto para o clã dos Pereira. Iniciava-se aí a derrocada política e econômica do Coronel Antônio Andrelino, dono da famosa fazenda Pitombeira, herdada do seu pai, o Barão do Pajeú. Os ânimos já bastante acirrados e agora com os Carvalho no poder, isso implicava ter as forças policiais ao seu dispor.
                               
Nessa época, Dona Chiquinha já residia no Barro-CE, com os filhos. O Barro do Major José Inácio de Souza. Manoel Pereira da Silva Filho, o Né Dadu, sempre andava entre o sertão das Alagoas e a ribeira do Pajeú com quatro ou cinco cabras de confiança e era perseguido sistematicamente por membros dos Carvalho em junção com as forças policiais. Os dois clãs familiares eram distribuídos em fazendas, verdadeiros feudos. Os Carvalho tinham na fazenda Barra do Exu, do chefe político Coronel Antônio Alves da Fonseca Barros, o seu “Buck” maior, como também, era sede das discussões políticas. Seguido das Fazendas Umburanas de Jacinto Alves de Carvalho, conhecido por Sindário, Antônio e José da Umburana e a Fazenda Piranhas de Lucas Alves de Barros. Os Pereira com as Fazendas Carnaúba de Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba e Pitombeira do Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva. Eles eram mais financiadores das empreitadas de defesa e ataque. Entraram no conflito armado em situações extremas, como ocorreu em 1908, quando a Vila de São Francisco foi cercada por grande contingente de jagunços e familiares do Coronel Antônio Alves do Exu, sitiando Né Dadu e vinte e cinco homens que cuidavam da defesa respondendo ao fogo cerrado dos inimigos. Quando os sitiados chegaram a uma situação limite, quase sem munição, chega o socorro salvador dos parentes Manoel Pereira Lins, Antônio Andrelino, Baião Pereira e Cincinato Pereira, com mais de cem homens e após três horas de tiroteio, o cerco é rompido.
 

 Sob monumento na Matriz de Santo Antônio do Barro, 
descansa o corpo de Dona Chiquinha Pereira.


A Vila de São Francisco concentrava os Pereira mais diretamente ligados na vingança, muitos com sobrenome Pereira Valões.  Como era de praxe, a oligarquia que estivesse de cima na política, tinha todas as benesses do poder. Isso só acirrava ainda mais o conflito. É notório, que o acompanhamento de membros da família Carvalho em diligências policiais, geraria constrangimento aos familiares adversários. E foi justamente o que ocorreu em 1915 na Vila de São Francisco, quando Sebastião Pereira, então com 19 anos, foi insultado, agredido por Antônio da Umburana e policiais, como também a sua genitora, Constância Pereira de Sá e uma governanta velha, passando todos por uma situação vexatória.           


No dia 16 de outubro de 1916, Né Dadu é morto covardemente pelo cabra apelidado de Palmeira ou Zé Grande. O assassino tinha trabalhado para os Carvalho e encontrava-se preso por furto. Né Dadu o retirou da cadeia, mesmo os familiares censurando essa sua atitude arriscada e imprudente. Ponderava, alegando que o cabra poderia lhe passar importantes informações sobre os seus inimigos.
Né Dadu
In http://familiapereira.net.br


Na primeira oportunidade que teve, Palmeira executou Né Dadu com um tiro de rifle e fugiu na escuridão. A parcialidade de instituições como Polícia e a Justiça eram tamanha, que nem o inquérito policial foi instaurado para apuração do crime. 

...
Esse fato extremo foi o estopim final para o jovem Sebastião Pereira da Silva, então com vinte anos e nove meses, tomar a decisão extrema de formar bando e ingressar no cangaço de vingança.  
 
Tinha muita disposição para isso, era solteiro e o caçula dos vinte e um irmãos. A princípio, teve o apoio unânime da família. A decisão de migrar para o sul do Ceará, mais precisamente para a Vila do Barro, foi uma atitude pensada, arquitetada, sem o arrebatamento da emoção e da vingança precipitada. 

A “mão de obra” do trabuco, existente no Cariri Cearense era bastante farta e experiente, como também, o laço de amizade da família Pereira com o Major Zé Inácio de Souza, solidificou-se ainda mais com o casamento da sua filha Virgínia Amélia com José Simplício Pereira, conhecido por Pereirão, neto do Barão do Pajeú e sobrinho do coronel Antônio Andrelino. 

O Livro José Inácio do Barro foi lançado por ocasião do Cariri Cangaço 2011, 
na cidade do Barro - CE.
Um trabalho grandioso, contando a história do Major José Inácio. Autor: Sousa Neto

Não entendo qualquer tipo de cangaço, sem a mobilidade necessária. É uma condição “sine qua non” para existência de qualquer bando. Então, Dispondo Sinhô Pereira da proteção importante e de um coito seguro e impenetrável nas fazendas do major José Inácio, isto foi bastante significativo e decisivo para sua militância no banditismo de vindicta, por quase seis anos. Caso tivesse constituído o seu bando com cabras e jagunços das fazendas dos familiares, seria inviável do ponto de vista da mobilidade como falei acima. O bando formado no Barro passou a fazer investidas rápidas contra os inimigos na região do Pajeú e em seguida, retornavam ao coito seguro e impossível de ser molestado naquele momento, dada a força política e o poderio bélico que dispunha o major todo poderoso do Barro.

É evidente, que não existe almoço grátis e, mais na frente, o major José Inácio vai solicitar algum “trabalho” do bando de Sinhô Pereira. O Pajeú pegou fogo no ano de 1917. As investidas do bando comandado por Sinhô e o primo Luis Padre às Fazendas Piranhas e Umburanas foram devastadoras, levando seus donos a migrarem para cidade enquanto organizavam a defesa. Jacinto Alves de Carvalho, o famoso Sindário, constituiu também bando de cangaceiros para defender-se e também investir contra o bando de Sinhô. O governador de Pernambuco, Manoel Borba, mandou para Vila Bela, nesse ano, na tentativa de barrar os sucessivos embates entre o bando de Sinhô e membros da família Carvalho, vários oficiais e um grande contingente de soldados. Os graduados: João Nunes, Teófanes Torres, Optato Gueiros, Lira Guedes, José Caetano, Cardim e Manoel Bigode. 


Theóphanes Ferraz Torres
Fonte: Pernambuco no tempo do cangaço - Geraldo Ferraz 
 
O bando de Sinhô variava muito o número de componentes, dependendo muito da empreitada a ser cumprida. Quando Luis Padre e Sinhô Pereira tomaram conhecimento do paradeiro do assassino do seu irmão, o famigerado Palmeira, logo rumaram para o Estado de Alagoas na companhia de dois cabras para executar a vingança. Essa foi concretizada à punhaladas pelo próprio Sinhô. Ao retornarem para Vila de São Francisco, tomaram conhecimento que Luiz de França, o assassino do Padre Pereira, estava residindo na Serra Vermelha. Foram incontinenti, fazer-lhes uma “visita”, encontrando-o na hora do jantar. Luiz de França tentou fugir na escuridão da noite, o qual tinha sido ferido à bala, sendo encontrado e morto na manhã seguinte.


É necessário esclarecer, que nessa intriga e luta dos Pereira e Carvalho, não se envolviam todos familiares. Tinham os cabeças, ligados diretamente ao conflito. Os alvos diretos de Sinhô Pereira e Luis Padre, eram: Jacinto Alves de Carvalho, o Sindário, seus irmãos Antônio da Umburana e Mocinho. O Zé da Umburana foi assassinado de emboscada em 1911. O crime não foi atribuído aos Pereira. A vítima tinha deflorado uma moça da localidade São Serafim, hoje Calumbi-PE. Os familiares desta o executaram. João Lucas das Piranhas, esse com parentesco com Pereira. Natinho, João Nogueira, o qual era cunhado de Sinhô, o coronel Francisco Alves do Exu e o irmão Agnelo.  De todos esses inimigos figadais de Sinhô Pereira, só Antônio da Umburana sucumbiu vitimado pela arma pontiaguda do vingador. 
 
Sinhô teve informações que Antônio da Umburana estava no povoado de Queixada, hoje Mirandiba-PE, então, dirigiu-se até lá com o bando e após várias horas de tiroteio e resistência de Antônio que estava no interior de uma residência, este teve que sair para não morrer queimado após terem ateado fogo na casa. Morreu com várias punhadas desferidas pelo cangaceiro vingador. No ano de 1918, já não era unânime a aceitação dos Pereira, referente às atividades cangaceira de Sinhô e Luis Padre. Existia no seio da família um desgaste psicológico grande, um clima de constante expectativa e sobressaltos, como também, grandes perdas econômicas. Após o falecimento de Dona Chiquinha, no Barro-CE, acometida pela avassaladora epidemia da gripe espanhola, naquele mesmo ano de 1918, resolve os primos: Sinhô Pereira e Luis Padre, abandonar o cangaço e seguirem juntos para o Estado de Goiás. 

 Fazenda do major Zé Inácio do Barro
  
A viagem transcorria normal até então e, estrategicamente, se dividiram para não despertar a curiosidade de transeuntes ou mesmo de alguma força policial. A intenção era encontrarem-se ainda no Estado do Piauí, próximo da cidade Caracol e seguirem até o destino final, São José do Duro, corruptela de São José D’Ouro, em Goiás, hoje Estado de Tocantins. 

Porém, o grupo de Sinhô Pereira é surpreendido por uma força policial piauiense, comandada pelo Tenente Zeca Rubens e após dois confrontos sucessivos com baixas em ambos os lados, Sinhô Pereira não teve mais condições de consumar o seu intento, retornando ao palco de guerra no Pajeú e Cariri Cearense.  O crescimento econômico e o poderio político do major José Inácio foram vertiginosos. O seu “modus operandi” é questionável, justificando-se e amparando-se na prática comum à época, que era a deposição de chefes políticos pelo uso da força e atitudes nada civilizadas. 


Na maioria das vezes com a conivência ou omissão do próprio poder estadual, encastelado na capital do estado. Sinhô Pereira já há mais de dois anos dispondo da proteção, munição farta, contingente de homens afeitos àquela profissão, tudo disponibilizado pelo Major José Inácio, é inconcebível que este não se envolvesse nos interesses e questões do protetor e amigo, caso fosse requisitado. Nas ações de interesses do chefe político do Barro, em que tomou partido, desviadas do seu objetivo principal que era a vingança familiar, considero pontuais. Em vinte de janeiro de 1919, na zona rural de Milagres, invade com o bando a casa da senhora Praxedes, viúva do coronel Domingos Leite Furtado, de onde é roubada uma quantia considerável em dinheiro. Um ano depois, vinte de janeiro de 1920, a casa da fazenda do Coronel Basílio Gomes da Silva, localizada no Município de Brejo Santo é saqueada. 

Este não procurou providências temendo represálias. Dois anos depois, em dezenove de janeiro de 1922, por desavença, interesses políticos e rixa familiar do amigo e protetor José Inácio, Sinhô invade a Vila de Coité, Distrito de Mauriti, reduto e residência do Padre Lacerda, desafeto de José Inácio de Souza.



Padre Lacerda
Fonte: Lampião e o Estado Maior do Cangaço
Hilário Lucetti / Magérbio Lucena. pág 121.
 
A resistência do povoado é heroica, impossibilitando os invasores de aniquilar o Padre Lacerda que no interior de sua casa com jagunços e amigos, respondeu a altura o intenso tiroteio. Esse episódio é emblemático para a derrocada do Major José Inácio. Iniciam-se as pressões por parte do Presidente do Estado Justiniano Serpa, motivadas por uma enxurrada de denúncias e artigos publicados em jornais da capital, contra o maior coiteiro de cangaceiros de que se tem notícia para as bandas do Cariri. O pacto envolvendo os Estados da Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte é concretizado, podendo agora, suas forças policiais ultrapassarem as divisas estaduais em perseguição de bandoleiros, sem a necessidade da autorização prévia. O major José Inácio já planejando retirar-se do seu feudo para terras distantes, arquiteta sua última investida contra os fazendeiros na região de Catolé do Rocha-PB, Waldevino Lobo, Adolfo Maia e Raquel Maia, com o nítido objetivo de usar esse dinheiro em novo domicílio. 


Jorge Remígio
O plano é executado pelo bando de Sinhô Pereira, agregado ao de Ulisses Liberato e muitos cabras do Major. Não chegaram até a fazenda de Raquel Maia. Achou por bem Sinhô Pereira, retornar ao Barro, após saquearem Waldevino Lobo e Adolfo Maia. Logo em seguida, José Inácio é preso, porém, por pouco tempo. Sua fuga, meio que facilitada, encerra-se um capítulo na história coronelística do Cariri Cearense. Os fatos narrados acima ocorreram em um espaço de três anos. Entendo que Sinhô Pereira cometeu muitos “pecados” fora do seu objetivo principal, que era a vingança. Entendo também, que não houve uma transtipificação do seu cangaço, ou seja, não enxergo que tenha feito um cangaço de negócio, meio de vida. O bando não era sustentado com dinheiro de saque.


Naquele mundo estranho que foi o cangaço, todos pecaram: Coronéis, Cangaceiros, Coiteiros e Policiais. Com a saída do Major José Inácio do seu território, o cangaço de Sinhô Pereira ficou inviável. As investidas que fazia contra os inimigos no Pajeú e o retorno seguro para o Barro, não existiam mais. 

Lampião praticamente assumiu o grupo no mês de maio de 1922. Não comungo com a ideia de que Sinhô Pereira tenha influenciado no ataque à casa da Baronesa de Água Branca em junho de 1922. Lampião já tinha autonomia sobre o bando. Quando Sinhô parte para sua viagem e abandona totalmente sua vingança, a entrega do bando para Lampião em agosto daquele ano é puro simbolismo. 
 
Sebastião Pereira e Antonio Amaury. 
Patos de Minas, MG jan. de 1970
Arquivo do pesquisador.

Lampião era detentor do produto do saque em Água Branca. Sinhô teve uma considerável ajuda financeira dos parentes Manoel Pereira Lins e Isidoro Conrado para a sua viagem. O agora ex-cangaceiro partiu ao encontro do primo Luiz Padre e do amigo José Inácio de Souza, com um sentimento de não ter concretizado a sua vingança. Advogo a tese, de que o cangaço é muito mais dependente e ligado ao Coronelismo do que se possa imaginar. Essa ideia vale para qualquer tipo de CANGAÇO.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

- Albuquerque, Ulisses Lins.  UM SERTANEJO E O SERTÃO

- Barreto, Ângelo Osmiro. ASSIM ERA LAMPIÃO

- Carvalho, Rodrigues de. SERROTE PRETO

- Dantas, Sérgio Augusto de Souza. LAMPIÃO, ENTRE A ESPADA E A LEI

- Melo, Frederico Pernambucano de. GUERREIROS DO SOL

- Maciel, Frederico Bezerra. LAMPIÃO, SEU TEMPO E SEU REINADO. vol. I

- Neves, Napoleão Tavares. CARIRI, CANGAÇO, COITEIROS E ADJACÊNCIAS

- Sá, Luiz Conrado Lorena. SERRA TALHADA 250 ANOS DE HISTÓRIA, 

- Sousa, Severino Neto. JOSÉ INÁCIO DO BARRO E O CANGAÇO

- Wilson, Luis. VILA BELA, OS PEREIRAS E OUTRAS HISTÓRIAS

Pescado no Cariri cangaço