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terça-feira, 27 de maio de 2014

Influências

Quando Lampião veio para a festa  


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A figura do temido cangaceiro em uma peça do Teatro
de Revista do Rio de Janeiro

Era uma época onde o rádio se popularizava, mas os cariocas ainda sabiam dos acontecimentos do seu país e do mundo pelas várias edições diárias dos inúmeros periódicos que circulavam pela então Capital Federal. Já a distração era ocupada em grande parte pelo crescente futebol pré-Maracanã, pelos cinemas e os inúmeros teatros, onde os espetáculos do chamado teatro de revista eram muito populares[1].
 
No início do século XX este tipo de apresentação teatral apresentava entre outras coisas aquilo que era considerado picante ou obsceno. Tinha a intenção de agradar o público de maneira abrangente, a que preço fosse. Nessa época o teatro popular era a maior diversão e o teatro de revista era o principal polo da cultura popular.

Típica cena de teatro de revista no Rio de Janeiro - Fonte - http://cifrantiga3.blogspot.com.br/
 Típica cena de teatro de revista no Rio de Janeiro – Fonte – http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

Com a Primeira Guerra Mundial o Brasil ficou separado do resto do mundo, sem receber influências do estrangeiro, e cada vez mais o teatro de revista nacionalizava-se, entrelaçando a música popular de forma estreita e indissolúvel. Afastando-se do modelo luso-francês surgiu uma nova fórmula onde a melodia passou a ser parte integrante do conjunto. O teatro popular havia adquirido um perfil tipicamente nacional iniciando uma nova fase na História Social da cultura brasileira. Havia neste contexto espaço para as criações regionais, colocando no palco personagens sertanejos.
 
No Rio de Janeiro a dupla Jararaca e Ratinho passa a fazer teatro de revista em 1929. Estes artistas faziam números mistos de músicas e piadas, explorando canções sertanejas, o humor, melodias, o trocadilho, as adivinhações, as críticas e sátiras políticas[2].
 
Renascendo das Cinzas
 
O imigrante italiano Pascoal Segreto, um descobridor de talentos, portador de uma visão empresarial extraordinária, mantinha várias companhias. Ele investiu no teatro de revista, sendo chamado pelo ator Procópio Ferreira de “papa do teatro brasileiro“. O seu principal empreendimento teatral foi a Companhia de Operetas, Mágicas e Revistas do Teatro São José, este também de sua propriedade[3].


Em 12 de setembro de 1931, com o São José funcionando como cineteatro, após a apresentação de “Amores e Modas”, de Mauro de Almeida, quando tinha início o filme “A minha noite de núpcias”, de Leopoldo Fróes, o prédio pegou fogo, só ficando de pé a fachada e as escadas laterais da sala de espera.
Intentando criar a casa da canção nacional, o dançarino e produtor Duque, em parceria com Segretto, aproveitou a parte não incendiada do teatro e instalou a Casa de Caboclo, reproduzindo a morada do nosso tabaréu: o madeiramento rústico, de paus toscos, coberturas de sapé, formando frisas e camarotes; palco e uma varanda de casa da roça, ao fundo[4].

Pascoal Segretto - Fonte - Wikipidea.org
Pascoal Segretto
Fonte – Wikipedia.org

No periódico carioca “Correio da manhã”, de 10 de setembro de 1932, as impressões da nova companhia de revista do Rio de Janeiro foi de certo espanto com o fato que tudo ali apresentado era “brasileiro”. Comentaram que “tudo é nosso: toadas, a suavidade das modinhas, desafios”. A apresentação de espetáculos tipicamente brasileiros não era novidade no Rio, mas a Casa do Caboclo chamou a atenção de maneira positiva da imprensa e do público.
 
Atores e Músicos de Primeira Qualidade
 
Dentro da estrutura clássica, entre quadros cômicos, sambas e marchinhas carnavalescas, a tônica dominante incidia no humor caipira, como por exemplo, as famosas imitações que Jararaca e Ratinho faziam de Getúlio Vargas e Washington Luís.

Em 1922 os Turunas Pernambucanos desembarcavam no Rio de Janeiro. Entre eles, Jararaca (o terceiro senatado à direita) e Ratinho (de pé, à esquerda, com o clarinete). pela foto podemos ver que o carioca conheceu a roupa e o imaginário dos cangaceiros ainda no início da década de 1920  - Fonte - http://mpbantiga.blogspot.com.br/
Em 1922 os Turunas Pernambucanos desembarcavam no Rio de Janeiro. Entre eles, Jararaca
(o terceiro sentado à direita) e Ratinho (de pé, à esquerda, com o clarinete). 

Pela foto podemos ver que o carioca conheceu a roupa e o imaginário dos cangaceiros ainda no início da 
década de 1920 – Fontehttp://mpbantiga.blogspot.com.br/

Certamente que uma das razões deste êxito estava nos atores, atrizes e músicos que ali se apresentavam. Muitos destes fazem parte de qualquer trabalho referencial sobre as artes no Brasil. Além de Alvarenga e Ranchinho estava na companhia uma jovem atriz de 25 anos, chamada Dolores Gonçalves Costa, mas que ficou conhecida como Dercy Gonçalves. No grupo de músicos um negro forte, que era flautista, saxofonista, compositor, arranjador e se chamava Alfredo da Rocha Vianna Filho, mas já era conhecido como Pixinguinha. Dois anos depois da companhia inaugurada foi contratada uma jovem de apenas 16 anos, chamada Vicentina de Paula Oliveira, mas que já se apresentava artisticamente como Dalva de Oliveira. Neste mesmo ano Francisco José Freire Júnior, mais conhecido como Freire Júnior, estreou na Casa de Caboclo com a revista “Carnaval do sertão”, de autoria de Duque.
 
O nordestino mais comentado no Rio
 
Em uma entrevista ao jornal “Diário da Noite” (Ed. de 5/7/1933, pág. 3), Duque comentou que seu sucesso em terras estrangeiras se devia muito ao nosso folclore, as características das raízes do Brasil, mas que para ele era muito pouco conhecido pelo público brasileiro em geral. Por isso a razão de criar aquela companhia teatral. Para Duque, tudo que fosse regional e chamasse atenção deveria ser apresentado na Casa do Caboclo. E se havia algo que vinha do Nordeste e repercutia com força nos jornais cariocas, eram as ações do cangaceiro Lampião e seu bando.

Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, o Duque.
Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, o Duque.

Mesmo atuando em uma região onde a infraestrutura era quase nada, as comunicações precárias, o apoio do Governo Federal mínimo, as peripécias e façanhas de Lampião eram publicadas quase diariamente em alguns periódicos cariocas.
 
O nome de Lampião tomou outra dimensão no Rio quando, no primeiro semestre de 1931, o capitão do Exército Carlos Chevalier, piloto da Aviação Militar, decidiu criar uma expedição militar ao interior nordestino. Pensava em utilizar aviões e aparato bélico moderno para caçar e matar o “Rei dos Cangaceiros”. Esta pretensa ação militar causou muito estardalhaço na imprensa e no meio do povo. Logo voluntários esbravejando muita valentia apareciam nas páginas dos jornais querendo pegar em armas. O negócio teve tal alcance que o plano foi apresentado a Osvaldo Euclides de Sousa Aranha, então ministro da justiça. Homem inteligente e capaz, mas certamente por ser gaúcho de Alegrete e desconhecer o sertão nordestino, Aranha caiu como um verdadeiro pato nesta maluquice desenvolvida pela mente necessitada de holofotes de Carlos Chevalier[5].
 
O inusitado plano encheu as páginas dos jornais cariocas, mas jamais saiu do papel para a ação prática. O capitão se tornou motivo de piada e Lampião se tornava cada vez mais conhecido na Capital Federal. Com um nome tão popular entre os cariocas, logo Lampião e o cangaço seriam atrações na Casa do Caboclo.
 
Lampião Vem Para a Festa

A peça foi promovida e dirigida por Duque. No final de agosto de 1933 ele divulga na imprensa que em breve estrearia “Lampião chegou ao arraiá”.

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A primeira apresentação ocorreu no sábado, 26 de agosto. Segundo os jornais cariocas o autor e diretor buscou explorar “a popularidade trágica do célebre cangaceiro nordestino”, mas sem esquecer o lado cômico, reservando aos espectadores “uma surpresa engraçadíssima” durante as cenas. 

Infelizmente os jornais não detalharam como seria o enquadramento deste contraste entre “a popularidade trágica” envolvendo a figura de Lampião, com “uma surpresa engraçadíssima”. Mas pelo próprio nome da peça “Lampião chegou ao arraiá”, deveria ser uma cena que evocaria uma chegada inesperada do cangaceiro em meio a festejos juninos. Mas isso é pura especulação!

passeata
Para promover a peça a “troupe” da Casa do Caboclo decidiu realizar uma “passeata” pela Praça Tiradentes, onde se encontrava o Teatro São José, inclusive com os atores montados em alimárias. 

Pela foto (acima) existente deste evento, podemos ver que o nível de reprodução cenográfica das roupas e equipagens do grupo de cangaceiro de Lampião ficou muito a desejar.
Nesta época Lampião e outros cangaceiros já haviam sido fotografados e, aparentemente pelo sucesso da companhia teatral, o problema desta cenografia tão limitada não foi dinheiro. Provavelmente tinha mais haver com a ideia de “Lampião chegou ao arraiá” ser uma peça cômica, onde o detalhamento não merecia a devida atenção.
Conclusão
 
“Lampião chegou ao arraiá” foi, como a maioria do trabalho desenvolvido por Duque na Casa do Caboclo, um sucesso. Ela não sofre nenhum processo de censura e nem os jornais tratam das apresentações de forma negativa. Mas igualmente não trazem maiores detalhes.

Atores e atrizes da Casa do Caboclo.
Atores e atrizes da Casa do Caboclo.

Certamente este e outros espetáculos que tinham como figura central o “Rei do Cangaço” foram produzidos no Rio de Janeiro. Seguramente estas apresentações ajudaram a popularizar entre os cariocas (talvez de forma distorcida) a imagem de Lampião[6].
 
Esta popularização só tendeu a crescer nos anos vindouros da década de 1930, principalmente com o trabalho de libanês Benjamin Abrahão Botto. As fotos e o filme por ele realizado, e censurado pelo Estado Novo, de um lado ajudaram a manter na mente de todos os brasileiros a imagem de Lampião, Maria Bonita e seus “cabras”. Mas esta exposição também contribuiu para que as autoridades do regime de força de Getúlio Vargas acentuasse junto às autoridades estaduais nordestinas a necessidade do fim deste cangaceiro. Como de fato ocorreu no dia 28 de julho de 1938.

Referências 

– Para compreender melhor como era A Casa de Caboclo, ver uma representação do especial da TV Globo “Dercy de verdade” - http://globotv.globo.com/rede-globo/dercy-de-verdade/v/dercy-se-apresenta-na-casa-de-caboclo-e-e-superaplaudida/1762999/
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-77042009000100005&script=sci_arttext#tx27
http://www.dicionariompb.com.br/freire-junior/dados-artisticos
www.mackenzie.br/…/O_teatro_popular_Rio_de_Janeiro__a_cidade_ polifonica__1930-1945_.pdf - Cadernos de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, “O teatro popular: Rio de Janeiro, a cidade polifônica (1930-1945)”, artigo produzido sob a coordenação e organização de Arnaldo Daraya Contier (Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.), com a participação de Andréa Cristina Primerano,  Andréa Rodrigues, Keila Haddad de Oliveira, Nívea Lopes (Alunas do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie).
http://www.allaboutarts.com.br/default.aspx?PageCode=12&PageGrid=Bio&item=0801M2

[1] O que se chama teatro de revista é um género de teatro, de gosto marcadamente popular, que teve alguma importância na história das artes cênicas, tanto no Brasil como em Portugal, que tinha como caracteres principais a apresentação de números musicais, apelo à sensualidade e a comédia leve com críticas sociais e políticas, e que teve seu auge em meados do século XX.

[2] José Luís Rodrigues Calazans, o Jararaca, era natural de Maceió, Alagoas, e Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho. era paraibano da cidade de Itabaiana. Formaram uma dupla caipira, ou sertaneja, e fizeram as respectivas carreiras praticamente enfocando o gênero regional. Além de cantores foram compositores, atores e humoristas. Atuaram no teatro, rádio, cinema e televisão.

[3] O Almanak Laemmert aponta que o Teatro São José possuía em 1926 a lotação de 2 frisas, 28 camarotes, 840 poltronas, 57 balcões e 30 gerais.

[4] Duque, cujo nome verdadeiro era Antônio Lopes de Amorim Diniz Miranda, era protético dental de formação, mas dedicou-se à dança, criou coreografias, compôs canções que ficaram famosas. Excelente dançarino encontrou dificuldades e, em 1906, foi para Paris. Sua habilidade no maxixe foi fundamental para o sucesso na França. Maria Lino foi sua primeira parceira na Europa, mas a parceria mais longeva foi com a francesa Gaby. Logo, Duque abriu uma escola de dança em Paris e se apresentou com sucesso na América do Norte. De volta ao Brasil, escreveu e dirigiu revistas, ensinou no Conservatório Teatral e fundou a Casa de Caboclo.

[5] Sabemos que Carlos Saldanha da Gama Chevalier é autor do livro “Os 18 do Forte”, uma coletânea sobre a vida do militar e revolucionário Siqueira Campos. Em 1 de outubro de 1927, o então 1º tenente Chevalier, realizou no Campo dos Afonsos (RJ) o primeiro salto de paraquedas no Brasil. Foi utilizado um avião Breguet 14 pilotado pelo 1º tenente Aroldo Borges Leitão e tendo como observador o capitão Átila Silveira de Oliveira.

[6] Provavelmente o teatro de revista deve ter produzido outros trabalhos com foco em Lampião e no cangaço. Sabemos que em outubro de 1938, após sua morte, foi encenada no Rio a peça “Lampeão, o caboclo máu”.

Pescado no  Tok de História

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cangaço do ponto de vista da cultura Pop

Programa Qu4tro coisas

O rei do cangaço, o capitão, o cavaleiro do diabo, o "Harry Potter do sertão" vem chegando com seu bando de cangaceiros no Qu4tro Coisas. Pablo Peixoto conta várias causos da história do "Western Brasileiro" e fala de uma coisa boa, uma velha, uma ruim e uma boa sobre Cangaceiros.


 
 
Pescado na página do YouTube do programa Qu4tro Coisas

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

13 de Dezembro...

100 anos do maior artista da cultura nordestina

Por Rostand Medeiros


Luiz Gonzaga faz 100 anos! Mas aí me perguntam “Mas como, se ele morreu?” Pode ter morrido para os tolos. Pois este gênio nordestino não morrerá jamais.

Luiz Gonzaga Nascimento, nasceu em uma sexta-feira, no dia 13 de dezembro de 1912 , numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, à 13 quilômetros de uma longínqua cidade sertaneja chamada Exu, no extremo oeste do Estado de Pernambuco.

É apontado pela crítica como um dos nomes mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos. A importância de Luiz Gonzaga deve-se à abrangência que sua obra tem em todo o território brasileiro.

Era filho de Ana Batista de Jesus, conhecida como Mãe Santana, ou simplesmente Santana, uma dedicada agricultora e dona de casa, e de Januário José dos Santos, afamado tocador de sanfona de 8 baixos na sua região e que também consertava este tipo de instrumento musical.


 Exu e a Igreja do Bom Jesus na década de 1950

Consta que seu nome se deu pelos seguintes motivos; Luiz, porque era dia de Santa Luzia; Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês que Maria deu à luz a Jesus. Foi batizado na matriz de Exu no dia 05 de janeiro de 1913, pelo Padre José Fernandes de Medeiros.

Desde criança, Luiz Gonzaga se interessou pela sanfona, ele ajudava o pai tocando e cantando em festas religiosas e forrós. Luiz Gonzaga, mesmo muito precoce já recebia cachê ( 20$000 vinte mil réis) para cantar e tocar a noite toda em festas de região, tornando-se famoso em 1920. Quatro anos depois, sua família mudou-se para Araripe, após uma enchente. Lá, Luiz chegou a receber mais que seu pai, mas o que ele recebia ainda não era suficiente para comprar um fole. Diferente dos outros garotos de sua idade que queriam ir para se divertirem, Luiz Gonzaga gostava era de ficar no palco tocando com seu pai e demais músicos.

Aos treze anos, Luiz Gonzaga compra sua primeira sanfona, na cidade de Ouricuri-PE, graças ao empréstimo concedido pelo coronel Manoel Ayres de Alencar: um 8 Baixos, Koch, marca veado, igual ao do Mestre Januário, ao preço de 120 mil réis. Quando saldou sua dívida, anunciou ao coronel Ayres que não iria mais trabalhar com ele, pois a partir de então, seria sanfoneiro profissional.


Antiga Rua Padre João Batista, na Exu da década de 1950.

Antes dos dezoito anos Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região e que Luiz conheceu ao participar de um grupo de escoteiros. Foi rejeitado pelo pai dela, que não o queria para genro e ameaçou-o. Ferido na sua honra de macho novo, aproveita o dia da feira e vai tirar satisfações da desfeita armado com uma faquinha, isso tudo após tomar uns goles de cana para dar coragem. Ao saberem do episódio, Januário e Santana lhe dão uma surra. Revoltado por não poder casar-se, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército como voluntário.

Luiz Gonzaga aumenta sua idade para sentar praça no Exército, mais precisamente no no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza. Ali é conhecido como soldado Nascimento. O ano era 1930, ano de revolução, isso fez Gonzaga seguir em missão militar por várias partes do Brasil como corneteiro de sua unidade. Para ele foi uma fase também muito importante, pois teve realmente acesso às várias culturas que encontramos neste país.


 Soldado Nascimento
Fonte – www.defesanet.com.br

Após o término do tempo legal de serviço militar, o soldado Nascimento escolhe continuar servindo no Exército, instituição que representou o papel de uma grande e importante escola. Nas horas vagas acompanhava, pelos programas de rádio, os sucessos musicais da época. Por não conhecer a escala musical, é reprovado num concurso para músico numa unidade do exército, em Minas Gerais. Vira “soldado-corneteiro 122″ e ganha o apelido de “bico de aço”.

Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical e aprende a tocar sanfona de 120 baixos .

Gonzaga é ludibriado por um caixeiro-viajante, a quem paga 500 mil réis em prestações mensais para adquirir uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos. Foge do quartel, em Ouro Fino-MG, para ir buscar a sanfona em São Paulo. Lá chegando, descobre que não vendiam sanfona no endereço que o caixeiro lhe dera. Ao retornar ao hotel onde se hospedara, acaba comprando uma sanfona igualzinha à que tinha ido buscar.



Em 1939 Luiz dá baixa das Forças Armadas, impulsionado por um decreto que proibia para os soldados um engajamento superior a dez anos no Exército. Desembarca no Rio com bilhetes comprados para Recife, de navio, e Exu, de trem. Enquanto aguardava a chegada do navio que o levaria ao Recife, resolve conhecer o Mangue, o bairro boêmio vizinho. E lá, com sua sanfona Honner branca, faz sucesso tocando valsas, tangos, choros, foxtrotes e outros ritmos da época. Através de um músico amigo, o baiano Xavier Pinheiro, casado com uma portuguesa, Gonzaga vai morar no morro de São Carlos, à época tranquilo reduto português no Rio. Consta que teve sua primeira apresentação em palco, num cabaré chamado “O Tabu”.

Luiz Gonzaga tocava em festas na Lapa ou se apresentava nas ruas passando o chapéu. O homem simples não tinha vergonha de se apresentar na rua e foi assim, longe dos holofotes, longe dos palcos que ele começou sua carreira no Rio de Janeiro, tocando na rua, apenas um estranho, apenas mais um entre muitos que buscavam ganhar algum dinheiro para sobreviver na cidade maravilhosa.

Por consequência da Segunda Guerra Mundial, o país foi invadido por músicas e ritmos estrangeiros, mas nada impediu Luiz Gonzaga de  tocar, sendo assim, ele começou a tocar os ritmos incluindo blues e fox trot, afinal vivia da música e precisava agradar o público.

Dono de um enorme talento logo começou a participar de programas de calouros, com um  repertório composto basicamente de músicas estrangeiras. Mas o sucesso não veio.



Tudo mudou em 1941. Um dia, pressionado por estudantes cearenses, Luiz Gonzaga modifica o seu repertório e consegue tirar nota máxima no programa “Calouros em Desfile”, de Ary Barroso, na Rádio Tupi, executando a música Vira e Mexe, um “xamego” (chorinho) lá do seu pé-de-serra. Pouco tempo depois vai trabalhar com Zé do Norte no programa “A hora Sertaneja”, na Rádio Transmissora. Nesta mesma época chega ao Rio seu irmão José Januário Gonzaga, fugindo da seca devastadora e trazendo um pedido de ajuda por parte de Santana. Zé Gonzaga passa a morar com o irmão.

Luiz Gonzaga já atraia a atenção das pessoas, já tocava bem melhor, sua voz inconfundível dava nova tonalidade às canções e o ritmo não deixava ninguém ficar parado e tudo isto despertava a atenção das pessoas e começava já a chegar também nas rádios.

Em 5 de março de 1941 Luiz realiza sua primeira participação numa gravação da empresa Victor, atuando como sanfoneiro da dupla Genésio Arruda e Januário França. Seu talento chama a atenção de Ernesto Augusto Matos, chefe do setor de vendas da Victor. E no dia 14 de março Luiz Gonzaga grava, assinando pela primeira vez como artista principal, e exclusivo da Victor, quatro músicas que são lançadas em dois 78 rotações. É publicada a primeira reportagem sobre Luiz Gonzaga na revista carioca Vitrine, com o título “Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom”. Ainda em 1941, Gonzaga grava mais dois 78 rotações. O sucesso havia chegado, e Gonzaga já era chamado como “O maior sanfoneiro do nordeste, e até do Brasil”.


Gonzaga apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Mas em 1943, após conhecer o trabalho do sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo, que se apesentava no palco com as roupas típicas de sua cultura; Luiz decidiu vestir-se com roupas típicas do nordeste, adotando o traje de vaqueiro – figurino que o consagrou como artista.

Desta época recebeu o apelido de Lua do amigo O apelido “Lua”, invenção de Dino 7 Cordas pelo rosto arredondado de Gonzaga, é divulgado pelo radialista Paulo Gracindo na Rádio Nacional.


Dois anos depois, em 11 de abril, Luiz Gonzaga grava o 25º disco de sua carreira como sanfoneiro, e o primeiro como cantor, com as músicas Dança Mariquinha, mazurca de sua autoria com letra de Miguel Lima, e Impertinente, polca também de sua autoria, instrumental. Mas a afirmação como intérprete só chega com o 31º disco, lançado em novembro, pelo sucesso estrondoso da mazurca Cortando o pano, uma parceria com Miguel Lima e Jeová Portella.

 Fonte – www.jconlineblogs.ne10.uol.com.br

Ainda em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes dos Santos deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga mantinha um caso há meses com a moça – iniciado quando ela já estava grávida – Luiz, sabendo que sua amante ia ser mãe solteira, assumiu a paternidade da criança, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, foi expulsa de casa por ter engravidado do namorado, que não assumiu a criança. Ela foi parar nas ruas, sofrendo muito, até que foi ajudada e descobriu-se seu talento para cantar e dançar. Ela passou a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz.

A relação de Odaléia, conhecida por Léia, e Luiz, era bastante agitada, cheia de brigas e discussões, e ao mesmo tempo muita atração física e paixão. Após o nascimento do menino, as brigas pioraram, já que havia muitos ciúmes entre os dois. Eles resolveram se separar com menos de dois anos de convivência. Léia ficou criando o filho, e Luiz ia às vezes visitá-los.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu, e teve um emocionante reencontro com seus pais, Januário e Santana, que desde 1930 não viam o filho. No retorno para o Rio, passa pela primeira vez no Recife, participando de vários programas de rádio e muitas festas. Nesse momento conhece Sivuca, Nelson Ferreira, Capiba e Zé Dantas, estudante de medicina, natural de Carnaíba, músico por vocação e apaixonado pela cultura nordestina.




Desejoso de encontrar o parceiro certo para expressar sua musicalidade sertaneja, Luiz Gonzaga procura o cearense Lauro Maia. Este lhe apresenta o cunhado, também cearense, advogado e poeta, Humberto Teixeira. Esse primeiro encontro rendeu a primeira parceria, No meu pé de serra, xote que só seria gravado em novembro do ano seguinte.

Em 1947, em parceria com Humberto Teixeira, a música ícone do Nordeste: Asa Branca.  Asa Branca tornou-se praticamente um hino do povo sofrido do nordeste brasileiro. A parceria com Humberto Teixeira gerou sucessos como Baião, Juazeiro, Mangaratiba, Paraíba e tantos outros. Nessa época Luiz Gonzaga adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro estilizado, baseado no que Lampião usava nas tropelias do cangaço.


 Outubro de 1948. A conceituda “Revista do Rádio”, aponta Luiz Gonzaga, artista da RCA Victor, emplacando os primeiros lugares da venda de discos.

Num domingo de julho de 1947, Gonzaga conhece na Rádio Nacional, a contadora Helena das Neves Cavalcanti, e a contrata para ser sua secretária. Rapidamente o namoro acontece, e Gonzaga pensa em casar. No ano seguinte o matrimônio acontece e o casal vai viver, juntamente com a mãe de Helena, dona Marieta, no bairro de Cachambi. Eles não tiveram filhos biológicos, por Helena não poder engravidar, mas adotaram uma menina, a quem batizaram de Rosa Maria.
 
 Gonzaga chamando atenção nos jornais cariocas, 
como nesta edição de 12-03-1948, do jornal “A Noite”.

Ainda em 1948 Odaléia morre de tuberculose. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com dois anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena, e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou. Luiz não viu saída: Entregou o filho para os padrinhhos da criança, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, criá-lo, no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava a criança e o menino era sustentado com a assistência financeira do artista. Luizinho foi criado como muito amor. Xavier o considerava filho de verdade, e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina um amor verdadeiro de mãe.


 A luta em Exu, entre as famílias Alencar e Sampaio, repercutia fortemente no Rio de Janeiro em 1949. Jornal carioca “A Manhã”, 06-11-1949.

Aproveitando uma folga entre as gravações, Luiz Gonzaga leva a esposa e sogra para conhecerem o Araripe, e sua terra Exu. Porém, interrompem a viagem quando estavam no Crato, por causa das desavenças e mortes entre as famílias tradicionais Sampaio e Alencar. A grande violência que marcava a disputa entre os clãs rivais ameaçava sua família, ligada aos Alencar. Preocupado, Gonzaga aluga uma casa no Crato, para onde leva seus pais e irmãos, enquanto preparava a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, o que ocorreu ainda em 1949.

Em 1950, em janeiro, o médico formando Zé Dantas chega ao Rio de janeiro, a fim de prestar residência no Hospital dos Servidores. Nesse ano, Luiz Gonzaga lançou, gravando ou cedendo para outros intérpretes, mais de vinte músicas inéditas, a maioria parcerias com Humberto Teixeira e Zé Dantas que se tornariam clássicos nacionais. Depois deste ano, começou a fazer shows pelo interior do país continuando muito popular. Neste período Luiz Gonzaga já era bem mais conhecido e seus shows estavam sempre cheios, por onde passava o sucesso era garantido.


Fonte – www.substantivoplural.com.br

Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra – o Sertão nordestino – para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado.

Depois da morte de Zé Dantas, fez parceira com outras pessoas. Ganhou o apelido de Rei do Baião dos cidadãos paulistas e até hoje é conhecido como tal. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, não parou mais de fazer sucesso e se tornou um dos artistas mais conhecidos e respeitados do Brasil.



Em 1968, aconteceu uma coisa engraçada na carreira do cantor; Carlos Imperial espalhou que os Beatles gravaram “Asa Branca” tudo mentira, é claro! Sendo assim, Luiz ocupou muito lugar na imprensa por causa da repercussão dessa brincadeira. Em 1971, após Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravaram “Asa Branca”. Depois disso o Rei do Baião chegou a se tornar sucesso entre os hippies.

Em 1980 foi convidado a cantar para o  Papa João Paulo II e recebeu um “Obrigado, cantador”. Em 1982, enfim, virou o Gonzagão e seu filho o Gonzaguinha que acompanhou seu pai numa turnê, mostrava que só daria orgulho ao pai.


 Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Admirado por grandes músicos, gravou nos anos oitenta com cantores de grande sucesso como Raimundo Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, Milton Nascimento e outros, conseguindo alavancar ainda mais sua carreira. Ao todo, Luiz Gonzaga conseguiu gravar em toda sua vida cinquenta e seis discos compondo mais de quinhentas canções de grande sucesso nacional. Recebeu no ano de 1984 o primeiro disco de ouro com o Danado de Bom, outro grande sucesso.


Relação das músicas e sequência como elas foram cantadas no show de Gonzagão & Gozaguinha no Rio de Janeiro – Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Em 1988, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria osteoporose e desobedecendo a ordens médicas, participou de um show no dia 6 de junho no Teatro Guararapes em Recife, cidade onde viveu seus últimos dias de vida.

No dia 21 de junho foi internado, morrendo em dois de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital de Pernambuco. Como ele próprio contou em tributo à Humberto Teixeira ” o homem morre, mas sua obra torna-se imortal”.


Gonzaga convalescente da doença que o levou.
Fonte: www.oabelhudo.com.br

Aos 76 anos, no ano de 1989 no dia dois de agosto às cinco e quinze da manhã morreu o Rei do Baião, depois de quarenta e dois dias internado no Hospital Santa Joana na cidade de Recife. No seu sepultamento compareceram mais de vinte mil pessoas que cantaram Asa Branca quando o caixão descia as quatorze horas e cinquenta minutos do dia quatro de agosto. Uma data que ficou marcada na vida de muitos brasileiros.


Funeral em Exú. Dois amores de Gonzaga se destacam na multidão que cerca o caixão. À esquerda aparece dona Helena Gonzaga, e à direita, de óculos escuros, Maria Edelzuita Rabelo com quem Gonzaga conviveu até seus ultimos dias. 
Fonte: www.museugonzagaoserrinha.blogspot.com.br


E assim o Brasil perdia um ícone da música popular e ganhava um mito que viverá para sempre em suas músicas, pois o homem simples soube cantar a simplicidade do sofrido povo brasileiro e chegou a conquistar a todos, independente da classe social, Luiz Gonzaga é querido por todos, é sem dúvida alguma o eterno Rei do Baião.

Fontes

http://100luizgonzaga.blogspot.com.br/2012/06/biografia_11.html

http://100anosdegonzagao.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga.html

http://www.portaljatoba.com.br/site/musica/item/908-100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-bai%C3%A3o

http://dicasgratisnanet.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga-resumo.html

http://maniadehistoria.wordpress.com/2012/06/24/100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga

Tá tudo lá, no: www.tokdehistoria.wordpress.com

Obs: As duas ultimas imagens foram inseridas pelo Lampião Aceso.

sábado, 28 de julho de 2012

O Tenente Bezerra invadiu o Angico...

E Lampião, foi-se à 74 anos




A Sugestão da poesia foi do confrade Jorge Remígio, sócio Fundador do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do cangaço.

Para descontar o impacto da foto, fazer jus ao título do artigo e homenagear o amigo Jorge "cangaceirólogo" e musicólogo desde que usava fraldas" Espie aqui ,que tal uma bela cantiga?

Apreciem a interpretação do "Cacai Nunes Quinteto" para um clássico da música nordestina "Tenente Bezerra" do saudoso "Gordurinha". Pescado na página do Grupo no YouTube.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bota pra curtir

Todas as apresentações do "2º Festival de músicas do cangaço de Serra Talhada"!

Escurinho - Nas Estradas de Bom Nome
"1° colocado e Melhor intérprete do festival".




Carlinhos Pajeú - Em Versos Quebrados, Mulher No Cangaço
"2° colocado no festival".




Tavinho Limma e Sandro Livarck - Flores do Cangaço 
"3° colocado no festival".



Rui Grúdi - O Brasil, o Cangaço e Lampião 
 "4° colocado no festival"




Laerson Alves - Um Cangaceiro e Um Cão
"5° colocado no festival"



Ernesto Teixeira - Convite a Lampião



Igor Bruno - Porrada





Gouveia Filho - O Cangaço e a Nova Ordem Social



Sandro Livarck - Saudade de Prosseguir



Charles Valença - Brilho de Lampião




Ray Di Serra - Riacho de Sangue




Zé Alberto - Semente do Cangaço



Chik - Lembranças do Cangaço





Cley Lunna - Alaúde




Aldeir Bezerra - O Trajeto do Rei




Lysia Condé - Estradeiro




Laércio Beethoven - Cordel Celeste




Roberta Aureliano - Amor Cangaceiro




Jamil Santos e Antônio Cabral - A Última Noite de Lampião




Tavinho Limma - Lembranças de Eu, Virgolino



15 minutos de extras: Making Of com ensaios, depoimentos entrevistas etc...






Créditos: Camilelles - YouTube




terça-feira, 1 de maio de 2012

Evento em Serra Talhada

"Escurinho" vence o 2º Festival de músicas do Cangaço


O cantor e compositor pernambucano, radicado há várias décadas na Paraíba, Jonas Neto Escurinho foi o grande vencedor do II Festival de Músicas do Cangaço, realizado na noite de 28 de Abril, na Estação do Forró – Vila Ferroviária, em Serra Talhada/PE, capital do xaxado e terra natal de Lampião, o Rei do Cangaço.

Quando Escurinho chegou à tarde, para “passar o som” de “Nas Estradas de Bom Nome”, melhor música do festival, encontrou-se no museu do cangaço, com seu amigo Epitácio Andrade, contemporâneo da Universidade Federal da Paraíba, nos anos oitenta do século passado.

Momento da premiação

A performance de Escurinho defendendo a música vencedora foi  irretocável, valendo-lhe também o prêmio de melhor intérprete. Para o médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio Andrade, a letra de “Nas Estradas de Bom Nome” é um convite ao engajamento político para o enfrentamento das questões sociais.

A segunda edição do festival musical do cangaço foi organizada pelo ponto de cultura “Cabras de Lampião”, patrocinada pela secretaria de cultura de Pernambuco, tendo mais de 90 composições inscritas, oriundas de todo país, e foram selecionadas vinte para a etapa final.

Na manhã seguinte à vitória de Escurinho, Epitácio Andrade foi parabenizá-lo na Pousada Lampião, onde estava hospedado, e lhe presentear com um exemplar de seu livro “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”.
 
Resultado Geral

2º lugar: "Em versos quebrados, mulher no cangaço"
Autor: João Sereno e Maviael Melo
Intérprete: Carlinhos Pajeú de Juazeiro/BA

3º lugar: "Flores do Cangaço"
Autor: Tavinho Limma e Sandro Livarck
Intérpretes: Tavinho Limma e Sandro Livarck de Ilha Solteira/SP

4º lugar: "O Brasil, o Cangaço e Lampião"
Autor: Rui Grudi
Intérprete: Rui Grudi de Serra Talhada/PE

5º lugar: "Um Cangaceiro e um cão"
Autor: Artur Silva
Intérprete: Laerson Alves Cidade de Guarabira/PB

# Melhor Intérprete: Escurinho





Com informações da assessoria do Dr Epitácio Andrade e do Portal Belmonte

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tá chegando a hora!

II Festival de Músicas do Cangaço



O II FESTIVAL DE MÚSICAS DO CANGAÇO, que acontecerá em Serra Talhada/PE, no dia 28 de abril de 2012,  é um momento de reafirmação e reforço na identidade cultural do homem nordestino, tendo como ponto de partida a música e a história. Poucos momentos são tão especiais como este, portanto, venha brindar conosco, curtindo excelentes músicas, com compositores e intérpretes de alto nível, com a participação d’OS PARICEIROS e ANCHIETA DALI, em shows emocionantes,  com uma platéia calorosa e aconchegante.

É assim a Terra de Lampião e Capital do Xaxado. No espaço do evento, na ESTAÇÃO DO FORRÓ, antiga Estação Ferroviária, não faltará  o artesanato, comidas regionais, uma boa poesia cordelesca, barracas com bebidas, regado a uma paixão infinda pela cultura do sertão.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA: www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com.br

Para mergulhar na cultura, se divertirem, se hospedar e comer bem, é só chegar aqui na Terra de Lampião. Segue algumas dicas:

Descanso?

Pousada Lampião – (87) 3831 1402
Pousada Maria Bonita – (87) 3831 1223
Frontal da Serra – (87) 3831 8060
Hotel das Palmeiras – (87) 3831 1625
Hotel São Cristovão – (87) 3831 1093
Cactos Hotel – (87)  3831 1560
Pousada Império da Serra – (87) 3831 5216

Comer?
Pizzaria Luar do Sertão
Churrascaria Plínio
Vianey Churrascaria
Serra China
Trivial
Pizzaria Bis
Oficina do Sabor
Restaurante Gabriela
Pizzaria Arri Égua
Sabor da Gente Restaurante

O visitante poderá ainda comer bode assado e cozido, arroz vermelho, rubacão e muito mais, na ÁREA DE ALIMENTAÇÃO DA FEIRA LIVRE.

O portal de entrada pra história de Serra Talhada é o MUSEU DO CANGAÇO, na Estação do Forró, antiga Estação Ferroviária.

O II FESTIVAL tem patrocínio do FUNCULTURA / FUNDARPE / SECRETARIA DE CULTURA / GOVERNO DE PERNAMBUCO, com o apoio da PREFEITURA DE SERRA TALHADA / SESC/PE e a KM Produções.


MUSEU DO CANGAÇO
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170
Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com

terça-feira, 27 de março de 2012

Forte concorrente

“Estradeiro” Representa o RN no II Festival de Músicas do Cangaço

Por Epitácio Andrade

Poema de Hélio Crisanto, musicado por Zeca Brasil, com interpretação da cantora Lysia Condé, “Estradeiro” está classificada para a final do II Festival de Músicas do Cangaço, que ocorrerá no próximo dia 28 de abril, na Estação do Forró, na cidade pernambucana de Serra Talhada, terra natal de Virgulino Ferreira da Silva, “Lampião”, o Rei do Cangaço.


Capa de Retrato Sertanejo de Hélio Crisanto 
Reprodução:


“Estradeiro” está no livro Retrato Sertanejo, do poeta Hélio Crisanto, editado pela Supercopia Gráfica Express, de Santa Cruz, na região do Agreste Potiguar, no ano de 2008.


Hélio Crisanto com Gilberto Cardoso no palco 
Foto: Cedida  

“Na vereda do destino/ Já pisei muitos espinhos/ No lodo do meu caminho/ Tropecei entre o cascalho/ Sou terra seca no malho/ Semente que não germina/ Sou a luz da lamparina/Clareando a vastidão/ Sou a lua do sertão/ No decote da colina”.
A primeira estrofe da obra resume como o poeta define sua criação: “Estradeiro é um pouco da estrada da vida”.

Zeca Brasil, Dudé Viana e Epitácio Andrade 
Foto: Tiara Andrade

Musicada pelo laureado cantor Zeca Brasil, que na foto aparece com pesquisadores do cangaço, a segunda estrofe da poesia ilustra a sua harmonia com a música:
“Trago na mala/ A viola e o repente/ E o grito desse gente/ Que tem sede e quer o pão/ Numa nação/ Que despreza os desvalidos/ E a dor dos oprimidos/ Faz doer o coração”.

Epitácio Andrade, Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto 
Foto: Lilian Holanda 

Não é a primeira vez que Hélio Crisanto incursiona pelo universo do cangaço. No período de 08 a 10 de julho do ano passado, em nossa companhia, juntamente com Gilberto Cardoso e outros cangaceirólogos, participou ativamente das atividades socioculturais do cortejo “Cangaço e Negritude”, por várias cidades do interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba, como registra a foto da passagem pelo Instituto Cultural “Casa do Beradero”, do ativista cultural Chico César, em Catolé do Rocha.

A estrofe seguinte, com humor e arte, alude ao cangaço:
“Sou estradeiro / Sou o fogo do corisco / Sou faca que fez o risco/ No bucho de Lampião / Sou cantador, sou fulô que não se cheira / Sou raiz da catingueira / Ressequida pelo chão”.
“Não sou herói/Bandoleiro ou vagabundo/Carrego as dores do mundo/Nos meus ombros de menino/Fujo a galope nas asas da ventania/Meia noite, meio dia/Vou correndo em desatino”,

Cantora Lysia Condé.  Reprodução

Conclui-se o poema “Estradeiro”, de Hélio Crisanto, cuja música de Zeca Brasil, parece ter sido criada para a graciosidade e suavidade da intérprete Lysia Condé.

Que tal uma audição?

terça-feira, 20 de março de 2012

II Festival de Músicas do Cangaço

A Comissão de Seleção / Triagem selecionou as 20 (vinte) músicas que irão participar do Festival no dia 28 de abril de 2012, na Estação do Forró, em Serra Talhada, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, onde será distribuída a seguinte premiação:

A. 1º LUGAR: R$ 4.000,00 (quatro mil reais);
B. 2º LUGAR: R$ 3.000,00 (três mil reais);
C. 3º LUGAR: R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais);
D. 4º LUGAR: R$ 2.000,00 (dois mil reais);
E. 5º LUGAR: R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais);
F. MELHOR INTÉRPRETE: R$ 2.000,00 (dois mil reais).

Classificadas


LEMBRANÇAS DO CANGAÇO
Autor: Mauricio Santos
Intérprete: Chik
Cidade: Recife/PE

LEMBRANÇAS DE EU, VIRGOLINO
Autor: Luís Cláudio Ribeiro (Casquideo)
Intérprete: Tavinho Limma
Cidade: Alfenas/MG

UM CANGACEIRO E UM CÃO
Autor: Artur Silva
Intérprete: Laerson Alves
Cidade: João Pessoa/PB

O BRASIL, O CANGAÇO E LAMPIÃO
Autor: Rui Grude
Intérprete: Rui Grude
Cidade: Serra Talhada/PE

ALAÚDE
Autor: Cley Lunna e Odália Araújo
Intérprete: Cley Lunna
Cidade: Macapá/AP

O TRAJETO DO REI
Autor: Henrique Brandão
Intérprete: Aldeir Bezerra
Cidade: Serra Talhada/PE

ESTRADEIRO
Autor: Hélio Crisano e Zeca Brasil
Intérprete: Lysia Condé
Cidade: Parnamirin/RN

CORDEL CELESTE
Autor: Laércio Beethoven
Intérprete: Laércio Beethoven
Cidade: Salvador/BA

AMOR CANGACEIRO
Autor: David Farias, Felipe Burgos e Roberta Aureliano
Intérprete: Roberta Aureliano
Cidade: Maceió/AL

A ÚLTIMA NOITE DE LAMPIÃO
Autor: Jamil Santos
Intérprete: Jamil Santos
Cidade: Jaboatão dos Guararapes

EM VERSOS QUEBRADOS, MULHER NO CANGAÇO
Autor: João Sereno e Maviael Melo
Intérprete: Carlinhos Pajeú
Cidade: Juazeiro/BA

RIACHO DE SANGUE
Autor: Ray di Serrat e Tico de Som
Intérprete: Ray di Serrat
Cidade: Serra Talhada/PE

SEMENTE DO CANGAÇO
Autor: Zé Alberto
Intérprete: Zé Alberto
Cidade: Exu/PE

CONVITE A LAMPIÃO
Autor: Edmilson Providência
Intérprete: Ernesto Teixeira
Cidade: Cratéus/CE

PORRADA
Autor: Igor Bruno
Intérprete: Igor Bruno
Cidade: Recife/PE

SAUDADE DE PROSSEGUIR
Autor: Zebeto Correa
Intérprete: Zebeto Correa
Cidade: Recife/PE

FLORES DO CANGAÇO
Autor: Tavinho Limma e Sandro Livarck
Intérprete: Tavinho Limma e Sandro Livarck
Cidade: Ilha Solteira/SP

BRILHO DE LAMPIÃO
Autor: Plínio Fabrício
Intérprete: Charles Valença
Cidade: Custódia/PE

NAS ESTRADAS DE BOM NOME
Autor: Escurinho
Intérprete: Escurinho
Cidade: João Pessoa/PB

O CANGAÇO E A NOVA ORDEM SOCIAL
Autor: Gouveia Filho
Intérprete: Gouveia Filho
Cidade: São Paulo/SP

O Festival tem o patrocínio do Funcultura / Fundarpe / Governo de Pernambuco.

Saudações cangaceiras.
Anildomá Willans de Souza
 


Museu do Cangaço
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170
Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Atenção cantadores e compositores

Vem aí...
  
II FESTIVAL DE MÚSICAS DO CANGAÇO -



Está previsto para o período de 10 de janeiro a 10 de fevereiro as inscrições para os interessados em participarem do 2º Festival de Músicas do Cangaço, indicado pra acontecer no dia 28 de abril de 2012, em Serra Talhada, a Terra de Lampião e Capital do Xaxado.

Em breve o as fichas de inscrições e regulamento vão estar disponíveis no blog - www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com- e no Museu do Cangaço. Serão distribuídos 
R$15.000.00 (quinze mil reais) em prêmios.

O 2º Festival de Músicas do Cangaço é de um evento competitivo, que tem como objetivo incentivar a boa música, aprimorar e desenvolver a cultura musical, revelar talentos, valorizar artistas, compositores e intérpretes;

O evento será de âmbito nacional, onde o cenário é propiciado pela diversificação cultural, voltado para Música Popular Brasileira, de composições inéditas, com temática Cangaço, visando envolver todos os gêneros e estilos, objetivando fomentar o segmento musical em vários formatos, além de formar platéia e criar massa crítica. Prepare sua música e arrume o matulão pra vir participar conosco dessa festa.

Att. Anildomá Willans de Souza

MUSEU DO CANGAÇO
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170
Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com

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*A sugestão da matéria foi do sempre atencioso cumpadi Wilson Seraine. Que a propósito merecia um cargo de acessor de comunicação do Ponto de Cultura. Wilson apesar de ser Piauiense da capital é quem nos repassa as novidades de Serra Talhada.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Coisas de Xangai

Eugênio Avelino ou o célebre cantador Xangai participou da edição especial com artistas nordestinos do programa Sarau, da Globo News, apresentado por Chico Pinheiro. Que também foi ao ar pela Globo Nordeste durante os festejos juninos deste ano. Xangai fala de sua origem e interpreta ou pelo menos deu uma palhinha de "INO NO CANGAÇO" (parceria com Ivanildo Vila Nova). Com "I" mesmo, pra entender o sentido, Confiram.

  
Quem deu o toque foi: Tuica

Xangai também interpreta uma cantiga de José Edison Dias que na minha opinião é uma das mais mais belas em se tratando de Cangaço, curtam ou conheçam "Rei do Sertão"

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Foi há 73 anos, exatamente numa Quinta-feira...

O fim da história
Gilberto Gil

Não creio que o tempo venha comprovar
Nem negar que a História possa se acabar
Basta ver que um povo derruba um czar
Derruba de novo quem pôs no lugar.

É como se o livro dos tempos pudesse
Ser lido trás pra frente, frente pra trás
Vem a História, escreve um capítulo
Cujo título pode ser "Nunca Mais".

Vem o tempo e elege outra história, que escreve
Outra parte, que se chama "Nunca É Demais"
"Nunca Mais", "Nunca É Demais", "Nunca Mais"
"Nunca É Demais", e assim por diante, tanto faz.
 
Indiferente se o livro é lido
De trás pra frente ou lido de frente pra trás
Quantos muros ergam como o de Berlim
Por mais que perdurem sempre terão fim.

E assim por diante nunca vai parar
Seja neste mundo, ou em qualquer lugar.

Por isso é que um cangaceiro
Será sempre anjo e capeta, bandido e herói
Deu-se notícia do fim do cangaço
E a notícia foi o estardalhaço que foi.
 
Passaram-se os anos, eis que um plebiscito
Ressuscita o mito que não se destrói
Oi, Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez
Lampião faz bem, Lampião dói
Sempre o pirão de farinha da História
E a farinha e o moinho do tempo que mói.

Tantos cangaceiros como Lampião
Por mais que se matem, sempre voltarão
E assim por diante, nunca vai parar
Inferno de Dante, Céu de Jeová.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DVD 1º Festival de Músicas do Cangaço. Parte 1

O evento ocorreu em 1º de maio de 2010 em Serra Talhada, PE. Foi mais uma realização da Fundação Cultural Cabras de Lampião que o transformou em DVD. E agora também disponível no YouTube em faixas avulsas para apreciação dos nossos rastejadores.

Créditos: Camillelles

João Valoá - Terra de Lampião



Júnior Vieira - Lampião Rei do Cangaço
 


Rui Grudi - Maria Bonita (Segundo colocado no festival)



Anderson Ramalho - Sertão



Mano Karlão & Dj Rill - Passado e Futuro



Roberto Xicoleite - Brinquedo de Menina
 


Laércio Beethoven - Canga (Terceiro colocado)



Zé Alberto - Dos Gravetos à Informática




Adquira o DVD através do Museu do Cangaço de Serra Talhada  (87) 3831 3860 cabrasdelampiao@gmail.com  

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Memorabilia

Novo "mimo" para o gabinete do Coroné! 

Caros amigos

Venho dividir com vocês a imensa satisfação que tive ao receber como doação da família de meu saudoso amigo Hilário Lucetti , nas pessoas de sua viúva Sra. Meire Lucetti e sua filha Andréia Lucetti, mais uma relíquia sobre o cangaço; o Álbum (LP) “A Música do Cangaço”. Material de estimado valor histórico.

Mais uma vez fico grato e lisonjeado pela deferência que mereci da família Lucetti, quando da doação da sua biblioteca e agora desta raridade em vinil.





Detalhes da compilação lançada em 1984: 
Fotos e textos sobre alguns dos principais fatos e por fim a dedicatória da família do ilustre escritor


Att Ângelo Osmiro.

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LAMPIÃO ACESO EMENDA:
Parabéns a família Lucetti por mais uma louvável atitude. O acervo do "Vaqueiro Cratense" está em boas mãos, quem conhece Ângelo sabe do respeito e apreço por cada folheto herdado. 

Bom proveito Coroné!

Abraço Kiko Monteiro