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quarta-feira, 9 de março de 2022

Higino Belarmino

As histórias de um inimigo do cangaceiro Lampião

Por Rostand Medeiros

O Início – Primo Cangaceiro – A Luta Contra Os Bandos de Antônio Silvino e dos Sipaúbas – Em Fernando de Noronha – Combates Contra os Seguidores do Padre Cícero na Sedição de Juazeiro – Confrontos Contra os Chefes Cangaceiros Sinhô Pereira e Luís Padre.

Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Higino José Belarmino foi um homem que veio ao mundo no dia 11 de novembro de 1895, no sertão alagoano, em meio a uma origem muito humilde, sendo filho do agricultor José de Moura Belarmino e da dona de casa Agda Maria da Conceição. Em um extenso depoimento realizado ao jornal recifense Diário da Noite de 1952, essa figura pouco comentou sobre sua família, mas disse que dos três filhos do humilde casal só ele “vingou”, ou seja, só ele sobreviveu as secas, a fome e as doenças que grassavam no interior nordestino o final do século XIX e nos primeiros anos do século XX, mostrando que desde cedo era um forte.

Frederico Pernambucano de Mello informou que Higino Belarmino era primo de um cangaceiro cognominado André Tripa, um homem que buscou a sobrevivência com um “Pau de fogo” nas mãos[1].

Sobre ele Frederico escreveu – Notório bandido de região fértil, a zona de transição mata-agreste de Pernambuco, nos anos relativamente calmos do início do século XX, terá sido também André Tripa, a quem Pereira da Costa distingue com o título de “célebre cangaceiro”, adiantando que se tratava do “terror” da zona sul do Estado. Na memória do nosso principal informante, Miguel Feitosa, fomos buscar a explicação para o vulgo curioso do bandido, em estanca dotada de admirável movimento, cuja autoria lamentavelmente ignorava:

Havia nas Alagoas

Uma tal Joana Fateira

Não tenho ciência certa

Se era casada ou solteira

Sei que tinha um bom menino

Que ajudava, por contínuo

A vender tripa na feira

Jornal comentando sobre a morte do cangaceiro André Tripa.

Essa “tal Joana Fateira”, segundo Miguel nos adiantou com toda segurança, além de mãe do Tripa, era tia do famoso comandante de volantes da polícia pernambucana Higino José Belarmino, o Nego Gino, que após duros combates na década dos 20 contra bandidos, principalmente Lampião, chegaria a patente mais alta da força, a demonstrar o quanto era vária e imprevisível a sorte de um menino do mato naquela época. Sim, porque a de seu primo valente muito cedo teria fim na vertigem da violência a que se entregou, sem ser socorrido nem mesmo pelas suas orações:

E certo que as orações

Não servem para ofender.

Mas fazem quem as traz consigo

Com elas se enfurecer,

Como André Tripa fazia,

Pois crendo que não morria

Matou gente até morrer”

Talvez temendo alguma perseguição pelo fato do parentesco com André Tripa, José de Moura Belarmino e Dona Agda deixaram o solo alagoano e passaram a residir na cidade pernambucana de Correntes, não muito distante de Garanhuns. Trabalhavam nas terras do Dr. Eutrópio Gonçalves de Albuquerque e Silva[2], juiz de direito aposentado e pessoa de muito prestígio na região.

Nessa convivência o juiz Eutrópio se afeiçoou do jovem Higino e passou, com a anuência de seus pais, a lhe ensinar elementos básicos da educação. Depois o patrão dos seus pais conseguiu para o garoto de quinze anos de idade um emprego na empresa Carlos de Britto & Cia., mais conhecida como Fábrica Peixe. Essa firma havia sido fundada por Maria da Conceição Cavalcanti de Britto e Carlos Frederico Xavier de Britto, no ano de 1898, na cidade pernambucana de Pesqueira. Começou como um pequeno negócio destinado a produção de doces de goiaba, mas em poucos anos se tornaria uma grande empresa e um marco da industrialização do Nordeste[3].

Logo Higino Belarmino deixa esse trabalho na Fábrica Peixe em 1911 e vem para o Recife com a intenção de ingressar como soldado raso na Força Pública de Pernambuco, atual Polícia Militar. Contou que tinha sido aberto o voluntariado, pois, como não era algo anormal das primeiras décadas do século XX, havia estourado uma nova revolta política no Brasil. Dessa vez o movimento ocorreu no Nordeste e foi comandada pelo general Emídio Dantas Barreto.

Busto do general Dantas Barreto – 
Fonte – http://bibianosilva.org/bibiano_pt/general-dantas-barreto

Esse militar havia decidido concorrer naquele ano contra Francisco de Assis Rosa e Silva, então governador de Pernambuco. Dantas Barreto perdeu a eleição, mas seus correligionários não aceitaram a derrota e o Recife testemunhou inúmeros acontecimentos violentos que deixaram a sua população apavorada. Tiroteios, brigas, fechamento do comércio, paralisação dos bondes e o povo sem ir às ruas. Até mesmo tropas federais do 49º Batalhão de Caçadores, junto com populares, realizaram ataques contra os quartéis da Polícia e o próprio Palácio do Governo. Finalmente, em 19 de dezembro de 1911, Dantas Barreto assumiu o cargo de Governador de Pernambuco[4].

Quanto a Higino Belarmino, apenas em 1º de março de 1912 quando a revolta já tinha sido encerrada, efetivamente se tornou um militar.

Realmente parece que Higino José Belarmino não havia nascido para ser operário de uma fábrica de doces, mas para viver com um “pau de fogo” nas mãos, tal como seu pretenso primo André Tripa. A diferença era que enquanto o Tripa apodrecia em uma cova, Higino utilizou sua farda e seu fuzil pelo resto de sua longa vida!

Trocando Tiros com Antônio Silvino e em Fernando de Noronha

Mal havia entrado na polícia Higino Belarmino já foi deslocado para a Zona da Mata Norte de Pernambuco, sob o comando do alferes Nicolau Pinto Teixeira,  com ordens de perseguir o cangaceiro Antônio Silvino e seu bando. A sua volante tinha sede na cidade pernambucana de Timbaúba e por lá o antigo operário de Pesqueira chegou em julho de 1912 e lá permaneceu um ano inteiro. Higino comentou que entre suas perseguições ao célebre cangaceiro, ele foi ferido por um balaço na coxa direita em um combate ocorrido nas imediações da cidade paraibana de Pedra de Fogo.

Vista atual de São Vicente Ferrer – 
Fonte – https://www.facebook.com/saovicenteferrerpe/

Ao cruzamos essa informação com os jornais pernambucanos e paraibanos de julho de 1912, não encontramos nenhuma referência sobre algum combate nessa cidade paraibana. Mas sabemos que no começo desse mesmo mês Antônio Silvino e seus cangaceiros estiveram próximos da vila pernambucana de São Vicente, atual cidade de São Vicente Ferrer, localizada a cerca de 60 quilômetros de distância de Pedra de Fogo. Nessa aproximação supostamente houve um tiroteio e depois os cangaceiros se homiziaram nas matas dos engenhos Patos e Condado, locais que estavam localizados na área do município pernambucano de Bom Jardim. Os jornais afirmaram que o cangaceiro Silvino conhecia bem aquelas brenhas, que utilizava aquela área como base para ataques aos lugares Macapá (atual Macaparana), Pirauá (hoje um distrito de Macaparana), São Vicente (atual São Vicente Ferrer) e Vicência[5].

Fernando de Noronha no início do século passado.

Após o ferimento Higino segue para o Recife para se reestabelecer e receber ordens. Não demorou e lhe foi informado que deveria seguir para o Arquipélago de Fernando de Noronha com um grupo de prisioneiros. Nessa época o mais belo e paradisíaco conjunto de ilhas oceânicas brasileiras possuía um dos mais temidos presídios do país. Era comum o tráfego de condenados, pessoal administrativo e guardas penitenciários entre Recife e a Vila dos Remédios, a capital de Fernando de Noronha. Para isso era utilizado o vapor de pesca “Alberto Maranhão”, pertencente à Companhia de Pesca do Norte do Brasil.

Esse barco havia sido construído na Inglaterra, sendo originário do porto de Grimsby, na região de North East Lincolnshire, leste da Inglaterra e batizado como Grover. Foi comparado em 1910 pelo empresário pernambucano, de origem holandesa, Julius von Shösten. Tinha 32 metros de comprimento, pesava 180 toneladas brutas, comportava uma tripulação de 12 homens, pescava com redes de arrasto que poderiam conseguir até 60 toneladas de peixes. Sabemos que Shösten tinha negócios no Rio Grande do Norte e isso talvez possa explicar a bajulação em batizar esse barco como “Alberto Maranhão”, então governador potiguar em 1910[6].

Mas aparentemente o negócio de pesca com o “Alberto Maranhão” não parece ter sido muito favorável para o empresário Shösten, pois no segundo semestre de 1912 essa nave basicamente fazia a ligação administrativa entre Recife e Fernando de Noronha e abastecia o faroleiro que atuava no Atol das Rocas.

Não temos indicação da data quando o soldado Higino Belarmino participou da viagem a bordo do vapor de pesca “Alberto Maranhão”, mas em 26 de agosto de 1912 essa nave retornou de Fernando de Noronha com nada menos que 42 detidos, que iriam concluir suas penas na Casa de Detenção de Recife[7].

Imagem antiga da Vila dos Remédios, em Fernando de Noronha.

Não sabemos como era realizado o transporte desses condenados em um barco originalmente destinado a pesca, nem como a escolta trabalhava, ou se os compartimentos de guardar pescados, que certamente deveriam existir em um barco de pesca, haviam sido adaptados como celas para trazer os prisioneiros. Deveria ser o tipo de viagem que deixaria com calafrios o pessoal que atualmente trabalha nas audiências de custódia pelo Brasil afora.

Versos e Balas Contra os Seguidores do “Padim Ciço”

Após conhecer o Oceano Atlântico e Fernando de Noronha, em 5 de dezembro de 1912 o soldado Higino recebeu ordens para se deslocar para a cidade de Exu, distante 600 quilômetros de Recife. Ele ficou por dois anos compondo a guarnição local[8]. Foi quando no Ceará estourou a Sedição do Juazeiro de 1914.

No contexto das lutas entre as oligarquias pela conquista do poder político na época da Primeira República (1889 a 1930), os poderosos coronéis da região do vale do Cariri, utilizaram a influência que o médico e deputado federal Floro Bartolomeu tinha sobre a figura do padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço do Juazeiro”. Com isso eles insuflaram os sertanejos da região a pegarem em armas para derrubar do poder o governador do estado do Ceará, o coronel Marcos Franco Rabelo. O governo de Pernambuco então envia homens da sua polícia para evitar a invasão do território pelos sediciosos do Juazeiro[9].  

Padre Cícero Romão Batista

Higino conta no seu relato de 1952, mesmo sem detalhar, que ocorreu uma luta no lugar Cana Brava, no município de Exu, Pernambuco, entre a força policial e os homens armados de Juazeiro. Contou que durante essas lutas os combatentes trocavam muitos insultos, palavrões e declamavam versos para ridicularizar os oponentes. O militar recordou essa quadra, criada e declamada pelo “Povo do Juazeiro”:

Eu num arrespeito puliça,

Sordado nunca foi gente,

Espero morrê de véio,

Dando carreira em tenente[10].

Higino animava seus companheiros, mandava bala e também afrontava os oponentes. Tirava a longa baioneta do seu fuzil, colocava no cano e dizia ”fulano, olha aqui a tua vela. Olha que vais ser sangrado”. Na mesma hora vinha a resposta do outro lado – muita bala e outro verso:

Cûm carne seca e farinha,

Rapadura no borná,

Eu mi apronto na caatinga,

Mas mió que um generá.

Membros da Sedição de Juazeiro.

Uma roupa de azulão,

Um bom cobertor baêta,

Faz parte do cangaceiro,

Como o punhá e o cruzeta[11].

Segundo relatou o soldado Higino, ou Nego Gino, como ficou mais conhecido, recebeu por participar dessas ações de combate a patente de anspeçada e logo depois a de cabo. Mas houve outro prêmio – Segundo o relato de Higino, os homens do padre Cícero criaram uma quadra enaltecendo sua valentia…

Eu sei que quando morrer,

Nos inferno vou pará,

Me valha padim Ciço,

Se eu encontrar Gino pru lá.

Não sabemos maiores detalhes da entrada dos sertanejos seguidores do padre Cícero em território pernambucano e de suas lutas com a força policial daquele estado, mas sabemos que o grosso da “Gente do padre Cícero” marchou e combateu desde o Cariri até Fortaleza e foram vitoriosos. Franco Rabelo foi deposto em 15 de março de 1914, ficando no poder apenas três meses.

Contra os Sipaúbas

No ano seguinte, nos primeiros dias de outubro de 1915, Higino Belarmino estava servindo sob as ordens do então tenente José Caetano de Mello, um oficial brioso e valente. Nessa época esse militar atuava na cidade de Cabrobó e juntos com outros policiais passaram a perseguir um grupo de cangaceiros que se encontrava atuando nessa região[12]. Este era o bando dos Sipaúbas, ou Cipaúbas, cuja grafia muda conforme a fonte pesquisada.

Um jornal de época e o depoimento de Higino Belarmino comentaram que esses cangaceiros atuavam nas caatingas dos municípios pernambucanos de São José de Belmonte, Salgueiro e Cabrobó. Já a prisão ocorreu no lugar Jacaré, cerca de duas léguas (16 quilômetros) de Cabrobó, próximo ao sítio Barro Vermelho. Foram presos os irmãos Cassiano e José Sipaúba.

Segundo Jorge Mattar Villela, autor do interessante livro O povo em armas : violência  política no sertão de Pernambuco, esses bandoleiros formavam um “microgrupo de base familiar cujas façanhas, já em 1915, os retirava das pequenas intrigas e fazia seus nomes migrarem para as preocupações das autoridades policiais litorâneas”. Villela informa que José Sipaúba foi a julgamento em 1916 e foi inocentado por unanimidade. Nos anos vindouros esse cangaceiro vai lutar ao lado de Sinhô Pereira e de Lampião[13].

Ainda sobre os Sipaúbas não podemos deixar de comentar que em Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil, Frederico Pernambucano de Mello informou que o grupo dos Sipaúba era composto por parentes e amigos, sendo naturais da famosa serra d’Umã, município de Floresta, Pernambuco. Essa era a terra dos índios da tribo Aticum-Umã, que se misturaram com um grupo de negros fugidos e ali aquilombados ainda no século XIX.

Notícia do ataque realizado em 25 de setembro de 1926, quando os Sipaúba mataram seis soldados de uma volante pernambucana que era chefiada pelo sargento José Alves de Barros, o Zé Saturnino.

Frederico conta que a serra d’Umã possuía uma “tradição de selvageria” e que muitos assaltos ocorriam nas estradas da região. Para esse autor o principal expoente desse bando foi Livino Sipaúba. Em 25 de setembro de 1926, os Sipaúba mataram seis soldados de uma volante pernambucana que era chefiada pelo sargento José Alves de Barros, o Zé Saturnino. Mas nos primeiros meses de 1927 o tenente Arlindo Rocha, também da polícia de Pernambuco, prendeu Livino Sipaúba e em seguida o fuzilou[14].

Não sabemos se os Sipaúbas capturados em Cabrobó pelo tenente José Caetano e seus policiais eram do mesmo grupo familiar dos Sipaúbas da serra d’Umã.

Combate da Quixaba, ou Queixada?

O relato de Higino José Belarmino então nos leva a 6 de novembro de 1919, na zona rural de São José de Belmonte, em um momento de seca tremenda. Nessa região o cabo Higino fazia parte de uma numerosa volante composta por mais de 70 militares e paisanos, comandados pelo agora capitão José Caetano de Mello e os tenentes Manuel da Costa Gomes e Augusto de Lira Guedes[15].

Antiga Rua do Comércio, em São José de Belmonte – 
Fonte – Arquivo de Valdir Nogueira, Belmonte-PE, 
através do pesquisador Artur Carvalho.

Os policiais receberam a informação que um grupo com cerca de 45 cangaceiros, comandados pelos chefes Sinhô Pereira e Luís Padre, estavam arranchados em uma propriedade que eles denominaram como Quixaba, a cerca de 8 léguas (48 quilômetros) de São José de Belmonte, tendo esses bandoleiros passado no dia anterior pelo lugar Olho D’Água[16]. Essa propriedade Quixaba pertenceria então a Antônio Pereira de Araújo, conhecido como Antônio Maroto, primo de Sinhô Pereira e Luís Padre.

Ao realizar essa pesquisa, nada descobri com o cruzamento de informações sobre a existência de alguma propriedade denominada Quixaba, localizada na zona rural de São José de Belmonte e que pertencia a Antônio Maroto. Diante da dúvida realizei um telefonema para meu amigo Valdir José Nogueira, a quem considero um dos maiores e mais abnegados pesquisadores nas questões sobre as lutas das famílias Pereira e Carvalho, sobre o cangaço na região do Pajeú pernambucano e sobre a história de São José de Belmonte, sua querida cidade.

Para Valdir o fato de não encontrar uma fazenda denominada Quixaba, que tenha pertencido a Antônio Maroto, reside em uma situação bem simples – Nunca existiu em São José de Belmonte uma propriedade com esse nome e que tenha pertencido a essa pessoa. Para esse pesquisador o fazendeiro Antônio Maroto tinha sim uma grande propriedade, mas essa era a Queimada Grande, com uma parte de suas terras pertencendo a São José de Belmonte e outra na área territorial do vizinho município de Jardim, já no Ceará[17].

Matriz de de São João, Mirandiba, Pernambuco – 
Foto – Kelvis Filipe.

Em relação ao combate de 1919, Valdir afiança que ele se desenrolou não muito distante de um pequeno arruado em desenvolvimento, denominado Queixada, e não Quixaba, atualmente a sede do município autônomo de Mirandiba[18]. Para o pesquisador belmontense, seja por erro de interpretação, ou de grafia, nos telegramas emitidos para o quartel da polícia em Recife, posteriormente divulgados para a imprensa local, sempre aparece o nome Quixaba.

Valdir Nogueira afiança também que o combate de 6 de novembro de 1919 se deu na área da serra da Forquilha, uma elevação com cerca de 600 metros de altitude, próximo da serra Comprida e ao norte do riacho Terra Nova. Essa região fica cerca de 16 quilômetros da antiga comunidade da Queixada, atual Mirandiba.

E realmente tudo parece ter bastante fundamento, pois segundo Valdir Nogueira a distância da região de São José de Belmonte para a Queixada equivale a 8 léguas (48 quilômetros). Próximo da área da serra da Forquilha existe até hoje uma propriedade denominada Olho D’Água. Valdir me recordou também que o local desse combate fica próximo das antigas comunidades de Bom Nome, Santa Maria (atual Tupanaci) e São Francisco (pequena vila que foi coberta pelas águas do açude da Serrinha, cuja população mudou para uma comunidade denominada Pajeú). Esses locais eram pontos de forte apoio e concentração de membros da família Pereira, onde Sinhô Pereira e Luís Padre contavam com bastante proteção.

Antiga ermida de São Francisco.

Ainda em relação ao combate da serra da Forquilha, Valdir Nogueira apontou que no Folheto XVII, intitulado A Primeira Caçada Aventurosa, do Romance D’ A Pedra do Reino e o Príncipe do sangue do vai-e-volta, 2ª Ed. 1972, p. 83, o escritor Ariano Suassuna, rememorou esse acontecimento:

“Saímos, tomando o lado do qual se avista, do terraço (do casarão da fazenda Carnaúba), a célebre “Serra da Forquilha”, aquela na qual um dos Pereiras mais valentes do nosso tempo, Sinhô, Chefe venerado de Virgolino Ferreira Lampião, tinha obtido vitória num sangrento combate contra a Polícia e os Carvalhos”.

Visual da caatinga na zona rural de São José de Belmonte – 
Foto – Rostand Medeiros.

Voltando para o combate de 6 de novembro de 1919.

O numeroso grupo de 45 bandoleiros estava na área da Quixaba, ou Queixada, porque esse local, segundo os estudiosos do tema Cangaço, pouco tempo antes tinha sido atacado por Cindário e outros inimigos da família Pereira. Sinhô Pereira então acreditava que nem a polícia e nem seus inimigos retornariam ao lugar naquele momento. Mesmo assim ele e Luís Padre dividiram seus homens pelos serrotes existentes, em um riacho próximo e em uma casa que havia sido anteriormente queimada, mas que possuía boas condições de proteger parte de seu grupo.

Em seu depoimento de 1952, Higino Belarmino afirma de maneira categórica que entre os cangaceiros que estavam ao lado de Sinhô Pereira nesse combate temos o vilabelense Virgulino Ferreira da Silva e dois de seus irmãos, que cada vez mais aprendiam sobre as táticas de combates na caatinga.

Enquanto os cangaceiros descansavam, a volante com mais de 70 militares e paisanos avançavam atrás deles!

Naquele dia Cindário e seu grupo de homens armados estavam entre os paisanos que acompanhavam os policiais. O nome real de Cindário era Jacinto Alves de Carvalho, sendo também conhecido como Cindário Carvalho, ou ainda Cindário das Piranhas. Esse homem é tido por Frederico Pernambucano de Mello como um “Cangaceiro vingador”, que havia se tornado o braço armado da família Alves de Carvalho em sua sangrenta luta contra a família Pereira[19].

Higino Belarmino narra então que a volante chegou na área onde se concentravam os cangaceiros ainda com dia claro, tendo ele seguido junto com o capitão José Caetano. O grupo se aproximou da casa semidestruída, onde os soldados desconfiavam que estivessem os bandoleiros. Quando estavam a dez metros do local os cangaceiros abriram fogo cerrado e oito militares tombaram ao solo, ficando sete feridos e um morto. Esse último foi o cabo José de Souza Oliveira, que segundo Higino recebeu um tiro na carótida e morreu nos seus braços.

Higino Belarmino

O tiroteio continuou forte, com os policiais em campo aberto e os cangaceiros, em número superior a vinte, atirando do interior da casa e gritando que os militares eram “filhos da besta torta”. Os soldados feridos gemiam e pediam ao capitão José Caetano que não os deixassem serem mortos a punhaladas pelos cangaceiros. Higino narra que aqueles pedidos desesperados tornaram seus companheiros mais aguerridos. Nesse momento o capitão chamou Higino e lhe disse que eles deviam tomar aquela casa “de qualquer maneira”. Mesmo com a munição escasseando, o cabo comandou um grupo de dez policiais em um ataque direto contra a casa. Entraram lutando pelos fundos da vivenda e se misturando aos cangaceiros, que fugiram pelas janelas, aos gritos[20].

Por volta das seis da tarde chegou na área do combate o capitão Theophanes Ferraz Torres, com um reforço de homens e munições. Esse militar informou ao comando da força policial em Recife que o combate durou duas horas e, além da morte do cabo José de Souza Oliveira, ficaram feridos os soldados Izidoro Leite da Silva, João Mathias Santos, José Soares da Costa, Henrique Ludgero Santos, Firmino Jeronymo Silva, Antônio Francisco Xavier e o cabo Antônio Marques Silva. O capitão Theophanes informou que o cabo Marques levou um tiro no crâneo, mas estava vivo quando o encontrou[21].

Na página 29 do livro de Nertan Macedo Sinhô Pereira – O Comandante de Lampião, publicado em 1975 (Ed. Artenova, São Cristóvão-RJ), o autor trás o depoimento de Sinhô Pereira sobre esse combate.

O antigo combatente das caatingas afirmou que o combate se deu realmente na propriedade Quixaba, que a mesma pertencia a seu primo Antônio Maroto e que o bando teria “23 ou 24 homens” e não 45 como Belarmino afirmou em 1952. Sinhô confirmou que a casa do lugar havia sido anteriormente depredada por Cindário e seu grupo e nela se encontrava seu primo Luís Padre com cinco ou seis homens. Já Sinhô estava em um riacho próximo com outros dezessete cangaceiros, deitados no chão, descansando. A polícia e Cindário chegaram e cercaram a casa, pensando que todos os cangaceiros estavam lá e para Sinhô Pereira a volante teria “20 e tantos homens”. Já o tiroteio teria durado três horas, em meio a um sol bastante quente. Ficaram feridos cinco cangaceiros: Zé Preto, Moreno, Teotônio, Chiquito e Zé Piutá. Além desses outro ferido foi Luís Padre, atingido de raspão na pestana, ferimento esse que sangrou bastante. Sinhô confirmou que um soldado ficou morto no terreiro e um dos policiais feridos ficou “todo aleijado”. Em nenhuma linha do seu depoimento a Nertan Macedo o ex-chefe cangaceiro afirmou que Virgulino Ferreira da Silva e seus irmãos estiveram presentes nesse combate.

Parte da entrevista concedida por Higino em 1952.

Em seu extenso depoimento realizado ao jornal recifense Diário da Noite de 1952, Higino Belarmino afirmou que após o termino do tiroteio o capitão José Caetano solicitou ao capitão Theophanes Ferraz a promoção do cabo Higino pela sua bravura e seu comportamento naquele combate. Mas o capitão Theophanes negou, visto não ter o inferior “morto o chefe dos bandidos Sebastião Pereira[22].

CONTINUA…………………………………………………………………………………………………………………………………………

NOTAS DESTE TEXTO..…………………………………………………………………………………………………………………………


[1] Ainda sobre André Tripa, Frederico Pernambucano de Mello nos conta o seguinte – Foi Morto com uma manulixa de um Tenório, da localidade Gentio, e também Miguel quem nos revela como isto se deu, a partir, como sempre, de uma denúncia:

Levaram fresca a noticia,

Na Pedra, ao capitão Basto,

Este tirou dez soldados,

Ver se o Tripa tinha gasto.

Seguiram para Santo Antonho,

Onde tem cabra medonho,

Bom de espingarda e de rasto.

Famoso e legendário ainda em vida, como costumava acontecer com os bandoleiros que mais se destacavam, Tripa mereceria, por morte, citação no relatório anual do chefe de polícia de Pernambuco, Manuel dos Santos Moreira, dirigido ao governador Sigismundo Antônio Goncalves, com data de 31 de janeiro de 1905:Nos limites da Pedra com o município de Garanhuns, deu-se o encontro da força com o grupo chefiado pelo célebre bandido André Tripa, resultando a morte deste e de uma praça.

Ver – Mello, F. P. Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 5ª ed. São Paulo-SP, 2013, páginas 355 a 357.

[2] Eutrópio Gonçalves de Albuquerque e Silva foi juiz em várias cidades do interior pernambucano, como Flores e Cimbres, tendo sido aposentado por problemas de saúde em 1905, conforme se descreve na primeira página, da edição de 7 de julho de 1905, do Diário de Pernambuco. O Dr. Eutrópio passou a receber uma pensão anual de três contos, oitocentos e sessenta mil e quinhentos e dezoito réis (3:860$518).

[3] Sobre a história da Fábrica Peixe ver – https://docplayer.com.br/35458755-Tomaticultura-industrial-no-cerrado-25-e-uma-visao-futura.html

[4] Sobre a Revolução de 1911 em Pernambuco e a vida de Dantas Barreto, ver http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=249&Itemid=1

[5] Ver Jornal do Recife, Recife-PE, edições de 20 de julho de 1912, pág. 2, e 24 de julho de 1912, pág. 2.

[6] Ver jornal A República, Natal-RN, edição de 19 de julho de 1910, pág. 1.

[7] Ver Jornal Pequeno, Recife-PE, edição de 26 de agosto de 1912, sem indicação de página.

[8] Ver Diário da Noite, Recife-PE, edição de 19 de abril de 1952, pág. 1.

[9] Ver Diário de Pernambuco, edição de 18 de fevereiro de 1914, pág. 1

[10] A declamação de versos em meio aos tiroteios na caatinga nordestina era algo comum e prática antiga, destinada a animar os combatentes no meio da refrega, ou “fogo”. Frederico Pernambucano de Mello nos conta – Rio Preto, no quartel final do século XIX, foi cangaceiro e cantador apreciado na fronteira da Paraíba com Pernambuco, dele não se sabendo se mais temido por conta dos desafios ou das brigadas em que se envolveu. Findo o combate, armas ainda em brasa, do bando de Sinhô Pereira – de atuação na mesma área mas já no século XX – alteava-se uma voz que fazia a perfeita crônica em versos de todo o combate. Ver – Mello, F. P. Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 5ª ed. São Paulo-SP, 2013, página 24.

[11] O termo cruzeta aqui empregado, se refere a uma denominação utilizada no Nordeste do Brasil, para determinados modelos do rifle de fabricação norte-americana da marcar Winchester.

[12] José Caetano de Mello nasceu em 18 de julho de 1872 no distrito de Papagaio, na cidade pernambucana de Pesqueira, sentou praça na então Força Pública de Pernambuco em 1893 nas patentes mais baixas e durante as três décadas em que esteve na corporação ascendeu as patentes mais elevadas pela sua capacidade na luta contra o cangaço. Esteve em atuação em mais de vinte cidades pernambucanas e travou lutas com célebres cangaceiros como Antônio Silvino, Sinhô Pereira e Lampião. Aparentemente foi aposentado em 1926 por um problema na mão esquerda, em decorrência de um tiro recebido. Escolheu viver na cidade de Angelim, no agreste pernambucano, a 25 quilômetros de Garanhuns, onde constitui família e findou seus dias em 5 de novembro de 1964. Apesar dos seus feitos como policial é um homem praticamente esquecido pelos que estudam o tema do Cangaço no Nordeste do Brasil. Exceção do pesquisador e escritor pernambucano Júnior Almeida, que em junho de 2018 participou, juntamente com a Polícia Militar do Estado de Pernambuco e da Prefeitura Municipal de Angelin, de uma tocante cerimônia em memória desse valente militar.

Ver – https://www.portalagresteviolento.com.br/2018/06/11/oficial-das-volantes-sera-homenageado-em-angelim/ 

–   https://www.portalagresteviolento.com.br/2018/06/14/oficial-das-forcas-volantes-foi-homenageado-em-angelim/ 

–   http://senhorcariri.blogspot.com/2018/06/homenagem-in-memoriam-ao-capitao-das.html

[13] Ver Vilella, J. M. O Povo em Armas : violência  política no sertão de Pernambuco. 1ª ed. Rio de Janeiro-RJ, 2004, páginas 178 e 178. O trabalho de Vilella é muito interessante, onde durante suas pesquisas entrevistou participantes diretos ou indiretos de movimentos armados ocorridos no sertão pernambucano e pesquisou em vários processos judiciais arquivados nos fóruns das cidades interioranas.

[14] Ver – Mello, F. P. Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 5ª ed. São Paulo-SP, 2013, página 234.

[15] Ver Diário da Noite, Recife-PE, edição de 22 de abril de 1952, sem indicação de página.

[16] Sobre as informações referentes a distância e quantidade de cangaceiro ver jornal A Província, Recife-PE, edição de 13 de novembro de 1919, pág. 1.

[17] Para Valdir José Nogueira, com as divisões territoriais que afetaram inúmeros municípios nordestinos ao longo das últimas décadas, as terras da fazenda Queimada Grande que se encontram no Ceará atualmente pertencem ao município de Penaforte, criado em 31 de outubro de 1958.

[18] Segundo informações existentes a primeira casa da atual sede do município de Mirandiba foi construída em 1915, por um proprietário rural chamado Elizeu Campos e queixada é a denominação de um tipo de porco selvagem existente no Nordeste do Brasil, cujo nome cientifico é Tayassu pecari. Depois a localidade foi crescendo e teve sua denominação alterada para São João de Campos (1915) e na sequência para Mirandiba (1938), que é uma denominação indígena para porco selvagem ou porco queixada. Ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Mirandiba

[19] Cindário, segundo Frederico Pernambucano de Mello, perdeu nas lutas sangrentas seus irmãos José e Antônio e fizeram parte do seu grupo os sertanejos José Cipriano, Vicente Moreira, João Porfírio, João Juvino, Barra de Aço, Eliziário e os irmãos Pedro. Ver – Mello, F. P. Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 5ª ed. São Paulo-SP, 2013, página 227.

[20] Ver – Gueiros, O. Lampeão – Memorias de um Oficial Ex-comandante de Forças Volante. 4ª ed. Livraria Progresso Editora, Salvador-BA, 1957, páginas 119 a 120.

[21] Torres Filho, G. F. de S. Pernambuco no tempo do cangaço (Antônio Silvino Sinhô Pereira, Virgulino Ferreira “Lampião”) : um bravo militar : a vida e a época do tenente-coronel Theophanes Ferraz Torres : 1894-1925. 1ª ed. CEHM, Recife-PE, 2002, páginas 222 a 224.

[22] Ver Diário da Noite, Recife-PE, edição de 22 de abril de 1952, sem indicação de página.

 

Pescado no Tok de História

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uma terra, um povo, uma saga

Coronel Manoel de Souza Ferraz

Demorei, mas finalmente selecionei estas matérias que estão entre as minhas prediletas. Este é o primeiro de cinco capítulos que transcrevemos do livro "Floresta uma Terra - um Povo" de Leonardo Ferraz Gominho publicado em 1996. São resumos biográficos de alguns dos homens e mulheres notáveis desta cidade e principalmente dos que fizeram história seguindo a carreira militar e é claro lutando juntos na Volante mais famosa e temida pelo Rei do cangaço "OS NAZARENOS".
Dedico este e os próximos posts ao nossos estimados amigos Netinho Nogueira e Kleyton Ferraz (bisneto de Manoel Flor). Lembrando que este é o mês da festa de Nossa Senhora da Sáude padroeira de nossa querida Nazaré do Pico.

João Flor, o pai

No Campo da Ema, terra pertencente à antiga fazenda Algodões - arrendada em 1819 por Manoel de Souza Ferraz (JSF, N 2) -, nasceu, em 1870, João de Souza Nogueira, futuro líder de uma família que teria sua importância na história da região e no combate ao cangaço: os Flor.

João de Souza Nogueira, ou João Flor, como tornou-se conhecido, era filho de Florência Filismina de Sá (Flor) e de Manoel de Souza Ferraz (JSF, Tn 18). Estimado e respeitado pela gente da terra, casou-se com Angélica Teodora de Souza e, por solicitação dos habitantes da região, assumiu em 1907 o cargo de subdelegado na fazenda Ema. Sempre procurando cooperar na manutenção da ordem, assumiu posteriormente cargos semelhantes. Era um homem ponderado em sua função de conselheiro e apaziguador de conflitos. Afável, levava, à sua maneira, vida social intensa, a despeito da violência que por vezes grassava na região.

Dotado de boa voz, tornou-se seresteiro requisitado, cantando muitas vezes ao lado do irmão Francisco e da negra Rita Grande. Na noite de 23 de junho de 1918, tornou-se padrinho de São João de Virgulino Ferreira da Silva, o futuro Lampião. Mais tarde se empenharia na luta contra o bandido até que, ao retornar de uma peleja, foi acometido de um acidente vascular cerebral que o deixou paralítico. A sua luta iniciada contra o banditismo teria continuidade através dos seus filhos Euclides de Souza Ferraz (01.03.1897 - 07.01.1968), Odilon de Souza Nogueira, Luís de Souza Nogueira, Américo, Hildebrando, Ildefonso e Manoel de Souza Ferraz. Também eram seus filhos: Valdemar de Souza Ferraz, Ana Angélica (Donana) e Emília Angélica de Souza Ferraz.

Nazaré

  

Manoel de Souza Ferraz, logo conhecido por Manoel Flor, nasceu a 20 de fevereiro de 1901, no lugar denominado Catarina, encravado na fazenda Ema, município de Floresta. A casa onde nasceu ficava perto da divisa dos municípios de Floresta e Serra Talhada (antiga Vila Bela), o que fazia com que os primeiros passos do futuro militar fossem dados nos territórios das duas comunidades. Ali residiu até a idade de 9 anos.

Bastante jovem, acompanhado dos pais e irmãos, não perdia as festas de maio da capela da Santa Medalha Milagrosa, onde se realizavam novenas famosas na região.  Do professor Domingos Soriano Lopes Ferraz (JSF, Tn 27), recebeu os primeiros conhecimentos, da mesma forma que o futuro Lampião.

Naquela escola as aulas eram dadas ao ar livre. Os alunos traziam de casa os banquinhos em que se sentavam para assistir às aulas à sombra de frondoso cajueiro, na fazenda Carquejo. “O esforçado mestre não se furtava aos pedidos de pais residentes em outras fazendas das ribeiras adjacentes, os quais receberiam a rara oportunidade de poder proporcionar instrução aos filhos. Gerações tiveram a benéfica influência do professor, que se preocupava em manter os pupilos afastados da onda do cangaço que corroía o Sertão”.

Conta Marilourdes Ferraz, no seu livro “O Canto do Acauã”, que o professor via sua residência ser invadida por rapazes e moças, alunos e companheiros de seus filhos, que permaneciam por várias horas em palestras e reuniões alegres, nos dias de repouso. Foi num desses encontros que um filho do professor, Manoel Soriano, contou o sonho que tivera na noite anterior: - “Vira surgir uma vila naquela área em que residiam”. A idéia empolgou os presentes, entre os quais Manoel Flor e seus irmãos Euclides e Odilon.


 Euclides

O entusiasmo foi geral e o primeiro passo foi a criação de uma feira semanal, marcada para os domingos. “A data inaugural da mesma foi fixada para 12 de setembro de 1917. Os idealizadores da vila a ser formada percorreram as ribeiras do São Domingos e São Gonçalo e a fazenda Campo Alegre, anunciando o acontecimento” e pedindo a cooperação de todos.

Os resultados não se fizeram esperar. Domingos Soriano logo doou trinta braças em quadra de terras de sua fazenda para patrimônio do povoado que surgia, sendo seguido pelo vizinho Antônio “Campo Alegre”, que doou área igual. Aí foram construídas residências pelos fazendeiros das redondezas. “Da sede do município, Floresta, veio preciosa ajuda ao fortalecimento do comércio local, por intermédio dos senhores João Gominho Filho, José Tiburtino e major João Novaes, que instalaram pequenas lojas de tecidos”.

O padre Antônio Zacarias de Paiva, de Serra Talhada, ao celebrar a primeira missa, sugeriu fosse dado o nome de Nazaré ao nascente povoado, pois o considerava abençoado pela paz e pela união de suas famílias. Elevada à vila, anos depois teve, por força de lei, que trocar sua denominação (já existia a cidade de Nazaré da Mata). A velha fazenda do professor Domingos Soriano emprestar-lhe-ia o nome, prevalecendo, entretanto, o feminino: Carqueja. Anos depois passaria, por fim, a se chamar Nazaré do Pico.

O templo da povoação foi construído com a orientação dos padres Luís e José Kehrle, irmãos. Todos trabalhavam: os adultos nas atividades pesadas; os jovens arrecadando fundos com os mais abastados e as crianças transportando tijolos e executando serviços mais brandos. Os comerciantes Luiz Gonzaga Ferraz, de Belmonte, Ubaldo Nogueira de Carvalho, de Triunfo, e o Sr. João Lopes Ferraz, da fazenda Ilha Grande e irmão de Domingos Soriano, ofereceram quantias consideráveis.

O padre Kehrle comprou uma imagem de Nossa Senhora da Saúde, padroeira de Nazaré.  Uma figura simples, mas destemida, respeitada e sempre lembrada - Antônio Gomes Jurubeba (v. JSF, Tn 4) - contribuía para a afirmação do povoado.

Uma pedra no caminho: Virgulino Ferreira da Silva

A vida na pequena povoação correu tranquila até quando chegou na região a família de Virgulino Ferreira da Silva. Este, acompanhado dos irmãos Antônio e Livino, começaram a se envolver com pequenos furtos, o que fez com que os três se indispusessem com a gente de Nazaré.

O ano de 1919 constituiu o início de longa temporada de apreensões para o povo de Nazaré. Naquele ano, Cindário Carvalho (Jacinto Alves de Carvalho) sitiava Nazaré a procura de inimigos (Francisco Nogueira e seus genros Praxedes Pereira e Raimundo Torres). Virgulino e Livino juntaram-se aos filhos e parentes de João Flor, prontificando-se a lutar ao lado dos nazarenos que, por pouco, não se envolveram na luta fratricida entre Pereira e Carvalho.

Logo em seguida, Virgulino e Antônio, inimigos de José Saturnino, emboscaram José Nogueira, cunhado de Saturnino, quando o mesmo voltava de uma feira em Nazaré. Ouvindo os tiros, os nazarenos correram em socorro de Nogueira, acompanhados de Livino Ferreira, que desconhecia serem seus irmãos os agressores.

Reconhecidos os irmãos Ferreira, João Flor ordenou a suspensão do fogo e repreendeu:

- “Que é isso, Virgulino? Então você atira em seu padrinho? Não me reconheceu quando cheguei?”

Virgulino respondeu que era aquilo mesmo, adiantando que, naquelas ocasiões, “afilhado briga com padrinho e padrinho com afilhado”.

João Flor intimou os irmãos a não retornarem a Nazaré se não quisessem viver pacificamente. Livino pulou para o lado dos irmãos dizendo que agora eram três para brigar. Estava iniciada a rixa dos Ferreira com os filhos do lugarejo.

Passaram-se alguns dias e os irmãos Ferreira voltaram acintosamente a Nazaré, provocando a todos, e poucos dias depois começaram a formar um bando. Tentaram entrar mais uma vez na povoação mas foram repelidos a bala, ocasião em que Livino foi baleado, preso e conduzido a Floresta.


 Livino Ferreira




Virgulino tinha votado naquele ano em Manoel Rufino de Souza Ferraz e em Ildefonso Ferraz, respectivamente candidatos a prefeito e subprefeito de Floresta. Os Ferreira procuraram então Antônio Boiadeiro, chefe político da família Ferraz, e com ele firmaram um acordo. Livino foi solto e os Ferreira mudaram-se, no segundo semestre de 1919, para Alagoas.

Virgulino não ficou muito tempo naquele Estado. Voltou a incursionar pela região de Nazaré e passou a perseguir parentes de João Flor. Temendo uma tragédia, os primos Manoel Flor e Luís Soriano viajaram no dia 24 de julho de 1923 para Floresta e solicitaram de Antônio Boiadeiro um reforço policial para o povoado. Receberam um conselho:

- “Voltem e nada relatem a qualquer pessoa, porque não temos soldados para enviar! E se os cangaceiros souberem que vieram aqui com esse propósito, a situação vai piorar”.

O militar



O clima reinante agravava-se a cada dia. Os filhos e parentes de João Flor e de Gomes Jurubeba envolviam-se em combates com o grupo de Lampião, perseguindo-o tenazmente. Foi quando João Flor teve a idéia de solicitar o alistamento dos filhos do lugar na polícia do Estado. Pedido aceito, o alistamento foi realizado em Nazaré. Armas e munições foram distribuídas. Manoel Flor entrou na polícia como simples praça a 26.02.1925 e daí por diante não descansou enquanto não viu extinto o cangaço no Sertão.

Logo nos primeiros dias de policial, passou a ser escolhido, dentro da volante, como líder do pelotão de vanguarda e, depois, começou a comandar volantes. Promovido a cabo e a 3º sargento, com essa patente teve a elevada incumbência de conduzir um destacamento da capital pernambucana até Arcoverde, em trem especial, onde assumiria temporariamente o Comando das Forças Volantes. Foi promovido a 2º tenente comissionado, efetivo e assim por diante, e todas as promoções recebidas foram por relevantes serviços prestados.

Na campanha contra Lampião, Manoel Flor participou de inúmeros e perigosos tiroteios e combates, destacando-se os seguintes: Enforcado (dois combates), Baixas, Xiquexique, Caatinga da Pedra Ferrada e Abóboras, no município de Serra Talhada; Nazaré, Caraíba, Serra Umã, em Floresta; Pelo Sinal e outros quatro combates, em Princesa (Paraíba); Cachoeira do Galdino, em Custódia; Fazenda Açude de dona Rosa, em Flores; Poço do Cosmo, em Bom Conselho; Serra do Ermitão, em Garanhuns; Gangorra (1928), Serra da Cana Brava, Olho d`Água do Chico e Raso da Catarina (1932), todos no município baiano de Glória; Pouso Alegre, em Campo Formoso, também na Bahia.

Em 1938, foi designado para comandar um contingente policial que combateria os fanáticos de Pau de Colher, nos sertões de Casa Nova, Bahia (v. Marilourdes Ferraz, ob. cit.). Por sua atuação firme, foi elogiado pelos habitantes dos lugarejos ameaçados de invasão pelos fanáticos do beato Lourenço, que tinham vindo do sítio Caldeirão, interior do Ceará. “Num raio de aproximadamente trinta quilômetros do reduto, os proprietários, ricos ou pobres, haviam abandonado suas terras, sob pena de, não tendo aderido ao movimento místico, serem considerados anti-cristãos e ameaçados de morte na fogueira, como efetivamente ocorreu com alguns infelizes”.

Na peleja contra os fanáticos, Manoel Flor via seus companheiros travarem lutas corporais com homens enfurecidos, parecendo, segundo dizia, “verdadeiros cães hidrófobos a fustigar sem quartel os policiais que combatiam desesperadamente e nunca tinham sequer imaginado um combate naquelas proporções”. Terminada a luta em Pau de Colher, “recebeu encômios das autoridades locais e do jornal O Farol, de Petrolina”.

Como tenente, a 8 de agosto de 1939, foi designado Comandante Geral das Forças de Combate ao Banditismo, cuja sede era em Águas Belas. Lampião já estava morto e a missão era “dar combate sem trégua aos remanescentes do grupo” do famoso bandido, bem como “evitar a formação de novos bandos de cangaceiros e garantir o material (armas e munições) do Estado”. Manoel Flor acumulava essa função com o cargo de Delegado do Município.

Em fevereiro de 1940, desaparecia o último grande cangaceiro, Corisco, o “Diabo Louro”, morto pela força comandada por José Rufino (florestano de Barra do Silva). Em julho, Manoel Flor recebeu ordens do Comandante Geral da Polícia de Pernambuco para fazer recolher a Águas Belas todo o material pertencente às volantes e que tinha sido distribuído em parte a fazendeiros do Sertão pernambucano para a defesa dos mesmos. Executou a ordem com sentimento de alívio e, a 19 de agosto de 1940, apresentou-se ao Quartel General para, emocionado, prestar contas de suas atividades. Esclarece-nos Marilourdes Ferraz - filha de Manoel Flor - que já “não havia mais cangaceiros no Estado e se sentia honrado pela incumbência de extinguir definitivamente as FCCB, encerrando uma luta de mais de duas décadas”.

Mas sua carreira militar não terminaria aí. Seria ainda Delegado Regional em Limoeiro e Pesqueira (por duas vezes), onde extinguiu o maior sindicato do crime daqueles tempos, conhecido como “Sindicato da Morte”. Delegado Regional em Garanhuns e Ouricuri. Delegado de Polícia em Águas Belas e Limoeiro (depois de ser aí Delegado Regional), “a pedido dos próprios habitantes do município devido à sua atuação sensata e elogiada”. Foi ainda Delegado de Polícia em Vitória de Santo Antão, Serra Talhada e Flores, “onde procedeu a pacificação política do município convulsionado pelas ferrenhas disputas político-partidárias”.

Comandou o 1º, 2º e 3º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco. Foi um dos sócios fundadores do Clube de Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, no Recife. Comandou o Esquadrão de Cavalaria “Dias Cardoso”.

Em 1969, gravou depoimento no Museu da Imagem e do Som da EMPETUR (Empresa Pernambucana de Turismo) sobre o Ciclo do Cangaço.

O político

 Reformado, voltou a sua Terra e dedicou-se à política, “um velho sonho que palpitava em suas veias, num desejo incontido de prestação de serviços públicos, próprio da altivez do seu espírito”. Apoiado pela família Novaes, candidatou-se nas eleições de 3 de outubro de 1955 ao cargo de prefeito de Floresta, perdendo, entretanto, para Audomar Ferraz.

Nas eleições de 3 de outubro de 1958, foi candidato a deputado estadual pela UDN, obtendo em Floresta 261 votos, sendo o terceiro mais votado, atrás do Dr. João Marques de Sá (o candidato da família Ferraz) e de Antônio Cavalcanti Novaes; não conseguiu se eleger.

No ano seguinte (02.08.59) voltaria a concorrer ao cargo de prefeito, desta vez com o apoio de Ferraz. Tendo como adversário Natanael Valgueiro Barros, foi eleito com 2510 votos, contra 2185 do adversário. Nessa eleição, João Firmo Ferraz foi eleito vice-prefeito em sua chapa. Luiz Cavalcanti Novaes disputava esse cargo na chapa encabeçada por Natanael.

A posse ocorreu a 7 de novembro de 1959, estando presentes, entre outros: Dr. Gilberto Augusto Correia Gondim (Juiz Eleitoral), deputado João Marques de Sá, coronel José Jardim, tenente-coronel Jesus Jardim, padre Evaldo Bette, senhores Américo Nogueira de Souza Ferraz (vereador em Itapetinga, na Bahia, e irmão do prefeito eleito), Isaias Ferraz (tabelião aposentado e na época vereador em Altinho), João Alves de Barros, Cornélio de Souza Nogueira (tabelião em Canhotinho), tenente Euclides de Souza Ferraz, tenente da Marinha Domício de Souza Ferraz, Didácio Alves Ferraz (vereador em Serra Talhada), Edmir Ferraz Gominho (vereador em Tacaratu), Dr. José Alventino Lima (Diretor do Hospital Regional de Floresta), Dr. Aldenir Torres de Araújo, subtenente Joaquim Lopes de Barros (Delegado de Polícia em Floresta) e Mílton Marcelino (Diretor da Escola Artesanal de Floresta).

À frente do Executivo Municipal, Manoel Flor restaurou e construiu barragens na Ema, Cacimba Nova, Lagoa Cercada, Angico, Riacho da Cachoeira, Pindoba, Logradouro, Umbuzeiro, Melancia, Barra do Silva, Boião, Algodões, Ipueira e Jenipapo, garantindo a reserva d’água nesses lugares.

Em 1961, construiu 547 metros de meio-fio e calçamento com paralelepípedos na rua Dr. Tito Rosas. Fez o meio-fio na rua Pereira Maciel e parte do calçamento de Carqueja. Mandou colocar lajeados à margem da estrada que dava acesso à cidade, melhorando o trânsito na época invernosa.

Trabalhadores foram empregados na extração de pedras no município. No final de sua gestão, grande quantidade de paralelepípedos possibilitaram o calçamento de várias ruas, pelo novo prefeito. Reconstruiu e melhorou as estradas de Carnaubeira a Olho d`Água do Padre, daí ao Mingu, de Queimadas a Jaburu, de Três Voltas a Queimadas, da casa de Silvério a Olho d`Água do Padre. De Carqueja ao Frazão, do Roque a Petrolândia, de Barra do Silva a Carnaubeira. De Airi a Floresta, daí a Carnaubeira. Estimulou e efetuou a arborização no município, com a distribuição de mudas de algaroba. Prestou auxílio aos agricultores, ampliou o quadro de professores e manteve o serviço de atendimento médico gratuito e o fornecimento de medicamentos a pessoas carentes.

Foi escolhido paraninfo pelos formandos da Escola Artesanal de Floresta, turma de 1959. No ano seguinte, foi Presidente da Comissão de Auxílio às Vítimas das Enchentes. Lutou pela instalação da primeira agência bancária de Floresta, comprando e cedendo um prédio ao Banco do Nordeste do Brasil para instalação da sua agência, lutando ainda pelo prosseguimento da rodagem de Serra Talhada a Carqueja.

Construiu jardineiras nas praças de Floresta, cuidando do seu embelezamento. Recuperou e conseguiu a doação, pela Comissão do Vale do São Francisco, do poço artesiano da vila de Carnaubeira, desobstruindo 60 metros de tubulação, além de reformar a casa do motor e a caixa d’água que passou a abastecer imediatamente a vila.

Levou energia elétrica às vilas de Carnaubeira e Carqueja (motores). Mais tarde, no prédio comprado pela prefeitura para instalação do motor que servia a Carqueja, funcionaria a agência dos Correios. Realizou o aterro de um alagadiço na rua Pereira Maciel e aumentou a rede de distribuição de energia da cidade, instalando mais um transformador para melhor atender à comunidade. Somente na gestão de Flávio Nunes Novaes a Empresa de Energia Elétrica de Floresta passaria ao controle da CELPE. Providenciou o levantamento topográfico e a planta da cidade, a qual teve a oportunidade de exibir em Palácio ao então Governador Cid Sampaio.

Seu trabalho à frente da Prefeitura possibilitou-lhe receber diploma de um dos prefeitos mais atuantes no Estado, em solenidade realizada no Teatro Santa Isabel, no Recife. Não se entendendo politicamente com os seus parentes (Ferraz), apoiou e elegeu prefeito o candidato indicado pelos Novaes, por sinal outro elemento da família Ferraz: o capitão Dário Ferraz de Sá (v. capítulo).

A homenagem póstuma

A morte veio alcançar o rijo sertanejo no Recife, onde viveu seus últimos dias, a 19 de fevereiro de 1975. No dia seguinte, data do seu aniversário, era levado à sepultura “por uma verdadeira multidão de amigos, parentes e admiradores”, sendo enterrado na sua querida Nazaré. O Governador Eraldo Gueiros Leite, pelo ato nº 555, de 11 de março daquele ano, conferiu-lhe, post-mortem, a Medalha Pernambucana do Mérito, classe ouro, reconhecendo-lhe os relevantes serviços prestados a Pernambuco.

O deputado Vital Novaes requereu e viu aprovado na Assembléia Legislativa um Voto de Pesar pelo falecimento do valente sertanejo.

Floresta, através de uma carta de dona Nahy Diniz Ferraz e de Maria Júlia Cornélio (Lia), publicada no Diário de Pernambuco de 1º de julho de 1975, agradecia e louvava de público o coronel Manoel de Souza Ferraz: - “...Floresta sente-se no dever de levantar seu último preito de gratidão nesta hora em que hasteia a bandeira de luto em memória de um dos seus filhos mais destacados, construtor incessante e incansável dos alicerces da paz e da concórdia dos dias difíceis da história da nossa comunidade... Suas qualidades de soldado inundaram a aurora de sua adolescência quando o Nordeste padecia os tremendos castigos impostos por Lampião. No meio deste cenário de inquietude, insegurança e incerteza, surgiu o bravo guerreiro ao lado de tantos outros heróis que a morte igualmente levou. Foi o começo de sua vida e de sua história, que mais tarde se tornaria fragmento da própria história do Nordeste. Foi o começo de uma carreira que por seus méritos se tornaria brilhante aos olhos da atual geração. Encontramos esse bravo soldado em todas as horas desse estágio nefasto empunhando sua arma na destruição do poderoso engenho levantado por Lampião, fruto de uma época deformada...”.

O Governador Joaquim Francisco deu ao Batalhão da Polícia Militar de Serra Talhado o nome do grande florestano.

Manoel de Souza Ferraz, o coronel Manoel Flor, era casado com Maria de Lourdes Ferraz, filha de Rita Maria de Carvalho e de Antônio Freire (proprietário da fazenda Carquejo). Dona Maria de Lourdes era neta do cearense Vicente Nogueira de Carvalho, senhor de engenho na Paraíba.



O casal deixou seis filhos:

1º - Valmir de Souza Ferraz - Viúvo da professora Natércia Duarte Ferraz, é Agente Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda de Pernambuco. Deixa quatro filhos.

2º - Maria do Socorro Ferraz Nogueira - Professora, dirigiu o Núcleo de Supervisão Pedagógica de Salgueiro. Era casada com o fazendeiro e comerciante Expedito de Sá Nogueira e deixou oito filhos.


3º - João de Souza Ferraz (Joãozinho Flor) - Pecuarista e funcionário da Secretaria de Agricultura do Estado de Pernambuco, foi vereador em Floresta e é casado com Maria do Carmo Novaes Ferraz (ex-diretora do Grupo Escolar de Nazaré do Pico).

4º - Oneide de Souza Ferraz Martins - Proprietária rural e viúva de Danton Martins, deixa dois filhos.


5º - Carmen Dolores Ferraz Barros - Professora e bacharel em jornalismo e direito, é casada com o médico Nivaldo Barros. Deixa três filhos.

6º - Marilourdes Ferraz - Nascida em Pesqueira, é jornalista, professora, pesquisadora e escritora. Autora do aclamado livro “O Canto do Acauã”, onde estão narradas as memórias do coronel Manoel Flor. É membro da Academia Pernambucana de Artes e Letras e do Comitê Pernambuco/Geórgia. Foi membro do setor de Relações Públicas do CEASA. Entre outras condecorações: Medalha do Mérito Educacional, classe prata, da Comissão de Moral e Civismo do Estado de Pernambuco; Bispo Azeredo Coutinho, da Academia de Artes e Letras. Tem diversos trabalhos publicados nas áreas da educação, cultura, abastecimento e ciclo do cangaço. É casada com Ronaldo Alves e deixa dois filhos.


A 1ª imagem pertence ao acervo do indispensável:  Genealogia Pernambucana