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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Nota de falecimento

Floresta e a Memória do Cangaço estão em luto!

É com imenso pesar que comunicamos, que faleceu hoje em Floresta (PE) aos 101 anos de idade, o nosso amigo, ex-soldado de Volante, Manoel Cavalcanti de Souza, o "Neco de Pautilia".


Registro da minha primeira visíta ao penúltimo dos nazarenos em julho de 2008,
junto com o amigo Cap. Marcelo Rocha.

A opinião que ele tinha sobre o grande rival dos Nazarenos era um pouco diferente daquela dos companheiros de milícia. O soldado reconhecia qualidades e nutria por Lampião uma complacência... porque não dizer, admiração e respeito.

Só pra sublinhar um trecho do curriculum deste guerreiro na historiografia do cangaço: Neco participou de "6" combates. Cinco deles contra Lampião, (destaque para o grande Fogo da Fazenda Maranduba em Sergipe no ano de 1932). Já no ultimo ele teve que encarar sozinho, cangaceiros que descobriram sua identidade e endereço.

Tive a honra de conhecer seu Neco com um pouco do vigor que lhe restava para encenar o que viu e viveu no front nordestino, especialmente o terror em Maranduba. 


Seu Neco adorava receber visitas, mesmo em setembro de 2013, debilitado, mas com a ajuda da sobrinha, nossa amiga Maria Amélia ele respondeu a varias perguntas de nosso companheiro de expedição Geziel Moura . Respostas firmes e autenticas confirmadas pelo amigo Sergio Dantas.

Mas quero lembrar com gratidão de um Neco que eu conheci a seis anos, um importante remanescente que com gestos e reprodução das falas de todas as personagens envolvidas contava em detalhes as coisas que nem a idade lhe fizeram esquecer. Seu Neco era sucinto, objetivo, não decorava conjecturas. Quem o ouvia, viajava junto com ele nas suas memórias.
Neco de Pautilia em uma prosa com Luiz de Cazuza



Quem foi Neco de Pautilia
*Por Wanessa Campos (Jornalista e pesquisadora do cangaço)

Neco costumava dizer de maneira paradoxal que, se o tempo retroagisse, ele não teria ingressado nas volantes, a polícia da época. “Afinal, Lampião nunca me fez mal. Era um homem bom. Ruim era a polícia que açoitava os coiteiros.” Antes de ingressar nas volantes, foi almocreve (espécie de vendedor ambulante) no Sertão, para esquecer um amor que as famílias não queriam.

Veio então a Revolução de 30 (movimento armado que facilitou a chegada de Getúlio Vargas ao poder) e os nazarenos (moradores do distrito de Nazaré do Pico, Floresta) não participaram. Neco resolveu juntar-se ao grupo de conterrâneos para formar uma das frentes de combate a Virgolino Ferreira, estimuladas pelo governo.

A história de Seu Neco foi muito bem "cantada"



O grupo seguiu em direção ao Raso da Catarina (Bahia). Cada um levava no bornal farinha, sal e rapadura. Nas mãos, um rifle como se fosse o “sentimento do mundo.” Entretanto, o objetivo maior era ganhar dinheiro. O então jovem Neco, aos 19 anos, partiu para o desconhecido fascinante e ao mesmo tempo perigoso. Foram três dias de caminhada comendo mal, sem dormir e o pior era a expectativa de a qualquer momento deparar-se com o bando de cangaceiros. E foi o que aconteceu.

Veio então o temido tiroteio, que resultou em vários feridos de ambos os lados. Não dava para recuar. A partir daí, Neco enfrentou mais quatro combates, viu companheiros e cangaceiros morrerem de sucesso (morrer em combate), entre Pernambuco Sergipe e Bahia. Conheceu Virgolino e não teve medo.

Mas aquela vida de incertezas, enfrentando chuva, sol, sede, calor e frio nas caatingas, não era a que Neco pediu.

Resolveu abandonar as volantes e sem receber o dinheiro prometido, $2 contos. Levou apenas $500 mil réis mais a passagem de volta. Deixando a vida militar e de volta ao aconchego, Neco foi barbeiro, alfaiate, sapateiro, até tornar-se funcionário público da Suvale, hoje Codevasf.



Trecho do Doc Xaxado a dança de Cabra Macho
De Anildomá Willans (Fundação Cabras de Lampião).



Aposentado, levou a vida remoendo o passado ao lado de sua grande paixão: Mariquinha, que conheceu aos 13 anos de idade numa escola da zona rural de Floresta. Antes do primeiro encontro, Neco leu o nome dela escrito no quadro de uma sala de aula – Maria Ribeiro dos Anjos. Achou bonito aquele nome e escreveu por cima o seu com uma bala de rifle. Pronto! Os destinos estavam selados. Casou com Mariquinha um ano depois. O casal deixou um prole invejável de 110 descendentes. Como nos contos de fadas, Neco e Mariquinha foram felizes por 80 anos.

*Publicado originalmente no Jornal do Comercio, Recife, em 28.11.2009

domingo, 13 de outubro de 2013

Crônica de uma expedição

Na rota dos primeiros passos de Lampião

Por: (*) Sérgio Dantas

Dia 20 de setembro de 2013. Chego ao Terminal Rodoviário de Serra Talhada por volta as 21:50h e ali já encontro os amigos Kiko Monteiro, Geziel Moura e seu filho Felipe. Os dois últimos, nortistas de Belém do Pará, fazendo uma das suas primeiras incursões pelo mega calor do sertão nordestino. Kiko, do ‘Lampião Aceso’, cabra já por demais calejado nas andanças pela caatinga, ansioso por rever velhos coitos e conhecer uns poucos novos.

Fizemos nosso “Quartel General” em Triunfo, pouso de clima mais ameno, cidade a pairar soberana sobre o horizonte de Pernambuco. “O ponto mais alto do Estado” – garantem os nativos e a Geografia nos confirma o dito. Estamos no Pajeú, próximos à divisa com a Paraíba, em meio a palcos de acontecimentos diversos na sangrenta epopeia do cangaço.


Kiko Monteiro, Sérgio Dantas e Geziel Moura traçam o mapa.
(Foto: Felipe Mauler)

O nosso objetivo imediato seria o de visitar a maior quantidade possível de lugares relacionados ao início da ‘carreira’ de Lampião. Entre os dias 20 e 24 de setembro deste ano, caímos na estrada e tentamos levar a cabo a meta estabelecida.

Como é gratificante reencontrar amigos; ver a história de perto; criar imagens – mesmo que mentais - sobre os eventos que ocorreram neste ou naquele lugar. E lá fomos nós, decididos a fatiar o Pajeú; a aprender a ler as suas entranhas; a relembrar episódios que aprendemos através de livros sobre o tema. 

Na manhã do dia 21, logo cedo, após lauto café-da-manhã, descemos a Serra da Baixa Verde e fomos ao nosso alvo: a casa de Luiz Gonzaga de Souza Ferraz, na agradável Terra das Pedras do Reino; São José do Belmonte. Viagem tranquila, sem sobressaltos. A Serra do Catolé um tanto à frente; bem mais à direita. Prosa boa, uma anedota aqui e ali, o amigo Kiko fazendo imitações de ‘personagens famosos’.

Em pouco estávamos diante do imponente casarão. Linhas originais conservadas, paredes de exagerada largura, o sótão com sua escadaria antiga – testemunha silenciosa daquele dia 20 de outubro de 1922. Recebidos pela professora Pergentina, atual proprietária do imóvel, podemos ver em detalhes toda a sua estrutura. Depois da inspeção ao velho sótão, de onde Gonzaga caiu para a morte nas mãos de Livino Ferreira e "Cajueiro", varejamos cada detalhe da construção centenária. A pequena câmera Sony H90 nas mãos de Kiko, registrando detalhes, imagens e falas.


Fachada do casarão de Luiz Gonzaga de Souza Ferraz
 (Foto: Kiko Monteiro)

Interior do casarão de Gonzaga
(Foto: Kiko Monteiro)

Sótão que Gonzaga tentou em vão usar como esconderijo.
 (Foto: Kiko Monteiro)

De volta à Serra Talhada, parada no ‘Coringa’ para almoço. Depois, Cemitério, para visita ao túmulo de David Jurubeba. Daí, a viagem continua até a Pedreira de Zé Saturnino. Nesta, encontramos João Alves de Barros, filho do primeiro grande inimigo do rei do cangaço. Um pouco de prosa, e ele nos mostra, ao longe, o local da primeira tocaia, onde Antônio Ferreira saíra ferido. –“Ali na Serra Vermelha, e não naquelas pedras em cima da outra aí na beira da estrada, como tem uns mentirosos que contam”. Não soubemos identificar a quem o Sr. José Alves se referia, mas o fato é que ele estava certo. O combate foi na base da Serra Vermelha, onde, mais de trinta anos depois, foram encontrados um resto de punhal, uma espora e outras coisas de menor importância. As peças maiores nos foram mostradas. Tudo fotograficamente registrado.


Registrando a visita e agradecendo pelo depoimento do Sr. João Alves.
 (Foto: Geziel Moura)

As pedras no sopé da Serra Vermelha. 
Primeira refrega entre os Ferreira e José Saturnino.
(Foto: Kiko Monteiro)


Ferragem de um punhal encontrado no local acima há trinta anos.
(Foto: Kiko Monteiro)

 Ruínas da Maniçoba da Pedreira (casa de Zé Saturnino).
 (Foto: Kiko Monteiro)

Ainda na Pedreira, vimos, ao longe, o velho ‘Lero’, 94 anos, também filho de Zé Saturnino. ‘Lero’ não mais tange gado. Não consegue mais se por de pé sem a ajuda de um ‘andador’. Hoje o tempo lhe obrigada a apenas tanger a vida..

Mais adiante - depois de quase ‘150 porteiras’ a abrir e fechar -, chegamos à verdadeira fazenda Passagem das Pedras, margens do riacho de São Domingos. O veio d’água seco, areial puro, em virtude da prolongada estiagem. O cruzamos de carro e chegamos até a residência de Camilo Nogueira, que nos recebe com a simpatia de costume. Um ‘gentleman’ em pleno sertão. Ali do lado, os restos da casa onde nascera Virgolino Ferreira, o ‘Lampião’.  Geziel não cabe em si de tanta felicidade ao pisar no solo onde seu principal ídolo abrira os olhos a primeira vez. Sensação única para o ‘cabra do Norte’.

Riacho de São Domingos: há anos sem correr água!
(Foto: Kiko Monteiro)

Na casa que havia neste local nascera Virgolino.  
Apenas o velho mandacaru...

...e alguns restos de telhas e tijolos atestam o local exato da casa dos Ferreira.
 (Foto: Kiko Monteiro)

Olha a cara do paraense! Geziel todo prosa, sentado num velho tronco de cumeeira, contempla o lugar que deu origem ao brasileiro mais estudado de todos os tempos.
(Foto: Sergio Dantas)
Nosso estimado Camilo Nogueira apresenta duas peças de um torno de madeira 
que pertenciam a José Ferreira, pai de Lampião.
(Foto: Kiko Monteiro)

Antes de encerrar o dia de visitas, uma parada nas ruínas da casa de Dona Xanda, mãe de Saturnino. As paredes – antes marcadas por tiros – já praticamente caíram. Restos das brigas entre o cangaceiro famoso e José Alves de Barros, o Zé Saturnino. Já na saída do local, Geziel lembra-se de apanhar um pedacinho de tijolo para presentear um amigo: “entregue isto ao Dr. Ivanildo” – ele me pede. E completa: “já que ele nunca veio aqui, diga a ele que eu envio essa lembrança!”. Em Natal, dias depois, cumpri a missão a mim confiada.


Fazenda Pedreira. Ruínas da casa de dona Xanda.
(Foto: Kiko Monteiro)


Encomenda para Ivanildo Silveira. Camilo detalha o fabrico dos tijolos.
(Foto: Sérgio Dantas)

No dia seguinte, mais viagens e visitas. Sítio dos Nunes e Serra Grande, primeiros pontos do roteiro. Trilha de barro a partir de Varzinha, até chegarmos ao pé da velha trilha para Betânia, onde foi deflagrado o primeiro tiro do grande combate de 26 de novembro de 1926. Serra Grande; quase 18 km de extensão. Combate na chã mais baixa, onde as duas partes altas do maciço se encontram e criam uma espécie de passagem natural para o lado sul. Já tinha estado lá uma vez. Na época, o acesso era mais fácil, pois ainda não existiam os trilhos da futura “Transnordestina”. Agora, a viagem até a serra, a partir da BR 232, tem que ser feita em grande parte a pé, debaixo de sol escaldante. Os trilhos cortaram a passagem que antes era praticamente livre: apenas uma cancela! Hoje chegar lá se tornou bem mais difícil. Afinal, como diria alguém, “o progresso tem que abrir mão da História”.


Perto da Serra Grande. Agora, com um obstáculo a mais a transpor: 
os trilhos da Transnordestina.
 (Foto: Felipe Mauler)

Na encosta da Serra Grande.

A tarde, mais lugares a ver. Paramos em Nazaré, solo dos mais devotados e ferrenhos perseguidores de Lampião. Rubelvan Lira – filho do saudoso tenente João Gomes de Lira – nos recebe. Pouco depois, vem ao nosso encontro o Sr. Ulisses, filho do valente Euclides ‘Flor’. E nos reclama: “deveriam ter avisado, para que a gente preparasse um almoço bom!”. A prova do bom e desinteressado hábito sertanejo de bem receber as visitas. Improvisou-se almoço. Comida excelente!

Com Ulisses Ferraz 
 mais que satisfeitos com o convite para o comes... e bebes também.
(Foto: Felipe Mauler)

Uma visita ao cemitério velho. Fotos das lápides de Manoel Neto, Euclides Flor, Manoel Flor e Hildebrando Ferraz. O amigo da Terra do Açaí quase não quer sair do ‘campo santo’. Ali estão os restos de outros referenciais seus, notadamente Manoel Neto, o “Mané Fumaça”. E ainda havia mais a ver: os monumentos, a igrejinha, as relíquias fotográficas e materiais guardadas na casa de Zezinho. Emoção única ver e tocar na túnica militar de Odilon Flor, com suas divisas de sargento. Tudo registrado para a posteridade.

Cemitério de Nazaré do Pico.
 O túmulo em destaque é onde repousam os restos mortais do lendário Manoel de Souza Neto e Hildebrando Ferraz.
(Foto: Sérgio Dantas)

Reencontro com o casal de amigos Iraci e Zezinho de Emília.
(Foto: Felipe Mauler)

Blusão militar ou gandola do Sargento Odilon Flor.
 (Foto: Sérgio Dantas)

Nos despedimos do povo bom de Nazaré e tocamos a viagem até Caraíbas, palco de grande combatede 15 de fevereiro de 1926. Uma cerca de arame farpado nos impede de ir até o pé do serrote onde houve o confronto. Queríamos pelo menos um cartucho antigo, para presentear um amigo nosso. Mas nos contentamos em ver o local a algumas dezenas de metros.

Depois, fazenda Tapera, de Manoel Gilo. Ali fomos muito bem recepcionados por Djalmir, neto de Cassimiro de Gilo, único sobrevivente do tiroteio que ali ocorrera em 26 de agosto de 1926. Djalmir, que trabalhava como motorista do sanfoneiro Dominguinhos, nos mostra tudo. Dos restos da casa às trincheiras naturais existentes nos barrancos de riacho próximo. De cartuchos encontrados entre os escombros da casa ao cemitério onde se sepultaram os corpos de Manoel Gilo e de outros mortos daquele violento dia de agosto. Depois do lanche, deixamos a fazenda já cumprimentando a noite.


 O anfitrião Djalmir conta a tragédia que se abateu sobre a Família Gilo.
(Foto: Kiko Monteiro)

Em busca de vestígios, no local onde antes foi a casa da família Gilo.
(Foto: Kiko Monteiro)

Vestígios de 87 anos: 
Cápsulas de balas de calibres diferentes.
(Foto: Kiko Monteiro)

A margem do Capim Grosso, riacho que corta a propriedade, serviu
como proteção para Lampião e os cabras. Assim como o São Domingos o Capim Grosso é mais um areal resultado da terrível seca.
(Foto: Sérgio Dantas)

Num pequeno cemitério dentro da propriedade jazem 11 vitimas de Lampião.
(Foto: Kiko Monteiro)

Faltava Floresta do Navio. De última hora, resolvemos entrar na cidade e fazer uma visita a seu Neco - Manoel Cavalcanti de Souza-, último ‘nazareno’ vivo. ‘Neco de Pautília’. Apesar da saúde fragilizada, o velho combatente ainda relatou detalhes do combate de Maranduba, do qual participara sob as ordens do Coronel Liberato de Carvalho. “Morreram três cangaceiros: Sabonete, Catingueira e Quina-Quina” – relembra com alguma dificuldade. Saímos de Floresta com a triste impressão de que não veríamos o guerreiro mais uma vez. A vida e seu curso inexorável rumo ao desconhecido.

[OBS. Por conta do estado de saúde e principalmente por questão de ética não exibiremos a foto do amigo e velho guerreiro Neco. Apesar de termos tido autorização da família para registrar a visita.]

No dia 23, pela manhã, uma passadinha na Fazenda Abóboras, local de nascimento do famoso cangaceiro Sabino Gomes. Instalações amplas; bom exemplar da arquitetura do início do Século XX. A casa grande, embora reformada, guarda traços de sua grandiosidade original. Tudo fechado; um perdigueiro montando guarda. A nossa esquerda, a serra do Xique Xique, ao lado da Serra Talhada. Ali teve combate em 1925 e também estava em nossa relação de lugares a visitar.


Chegando às Abóboras de Sabino
(Foto: Kiko Monteiro)

A casa-grande da fazenda Abóboras.
(Foto: Felipe Mauler)

Depois de uma passagem rápida pelo Museu do Cangaço de Serra Talhada, nos despedimos do amigo Kiko. Infelizmente o cabra não pode permanecer conosco até o final, sob pena de perder sua carona de retorno ao Sergipe.

Fim de linha pra Kiko Monteiro. Visita ao acervo do museu do Cangaço 
mantido pela Fundação Cabras de Lampião, na terra do Xaxado.
(Foto: Felipe Mauler)

A viagem continuou sem a animação do cabra ‘Gitirana’. Fomos a Xique Xique e podemos bem entender toda a dinâmica do combate ali havido em novembro de 1925. Um açude cobre parte do local, mas ainda é possível ver pedras da cerca natural e o paredão da serra. Ali morrera Ildefonso Flor, garoto imberbe, em seus 16 anos de vida. A serra ao lado, testemunha de tudo, em seu silêncio milenar.


 Geziel Moura pega um bronze 
as margens do açude do Saco, em Xique-Xique. .
(Foto: Sérgio Dantas)

O dia se completa com a ida à Baixa do Juá, próximo ao Tenório, onde fora baleado Livino Ferreira, irmão de Lampião, na data de 5 de julho de 1925. Aqui também a Transnordestina criou algum obstáculo para acesso. Mas cremos que valeu ir até o local, hoje tão esquecido pelos livros. Nos pareceu ainda virgem, intocado, caatinga bruta.

Baixa do Juá (ou Tenório), 
local do combate onde Livino foi ferido de morte.

Para coroar a viagem, uma breve entrada na Paraíba. Terras de Princesa Isabel, feudo dos Pereira e dos Diniz. Uma passada em Patos do Irerê, onde reinou absoluto o Coronel Marcolino Diniz, sombria figura detentora do poder naquelas plagas. Na povoação, esquecida pelos homens e pelo tempo, a igrejinha singela – onde se conta ter acontecido o casamento do cangaceiro Meia-Noite. Um pouco fora do arruado, o casarão velho dos Patos que, se não cuidado a tempo, em breve será apenas um monte de entulho.

Igrejinha de Patos de Irerê: infinitas histórias!
 (Foto :Sérgio Dantas)

Dentro desta capela encontra-se o túmulo do Cel. 
Marcolino Diniz e de sua esposa "Xandu".
 (Foto: Sérgio Dantas)

Casa de Marcolino Diniz
  (Foto: Felipe Mauler)

 Casarão dos Patos de Irerê.
(Foto: Felipe Mauler)

Muitos lugares, histórias várias. Porém, todos entrelaçadas pela presença constante de Lampião e seus cangaceiros. Bom visitar, conhecer, apreender as particularidades de cada sítio histórico, em particular. Em breve, outras viagens virão. Esperamos com as boas companhias desta. O alvo nos indica, a priori, o nordeste da Bahia. Encontraremos o momento certo para a incursão.

Sérgio Augusto de Souza Dantas
Natal, RN

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*Bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008). Clique Aqui e confira uma entrevista com SD

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

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Antônio Barroso Pontes  Cangaceirismo do Nordeste 1973 187 pág. 50,00 Bom estado/envelhecido

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Frederico Pernambucano de Mello  Quem foi Lampião 1993  151 pag. 70,00  Ótimo estado


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- Gilbamar de Oliveira Bezerra  A Derrota de Lampião (Mossoró) 2010  104 pág.  28,00 Novo
- Gilmar Teixeira  Quem Matou Delmiro Gouveia? 2011 152 pág.  40,00 Novo
- Gouveia de Helias Dias Sem Compaixão 2010 178 pág. 25,00 Novo
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Hilário Lucetti Histórias do Cangaço 2001 115 pág. 50,00 Bom estado


- Honório de Medeiros Massilon 50,00 Novo
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- Ilsa Fernandes Queiróz  Mulheres no Cangaço, Amantes e Guerreiras. 144 pág. 30,00  Novo
- Inês Caminha L. Rodrigues  A Revolta de princesa 1981  81 pág. 15,00  Bom estado-Livro Bolso
- Isabel Lustosa  De Olho em Lampião 2011  109 pág.  25,00  Novo
- Ivan Bichara   Carcará- Romance Histórico - Ataque de Sabino Gomes a Cajazeiras em 1926 - 276 pág. 30,00  Bom estado
- João Bezerra da Nóbrega  Lampião e o Cangaço na Paraíba 2011 345 pág.  55,00 Novo
- João de Sousa Lima  A Trajetória Guerreira de Maria Bonita  38,00  Novo
- João de Sousa Lima  Moreno e Durvinha  38,00  Novo
- João de Sousa Lima e Juracy marques (Org.)  Maria Bonita- Diferentes Contextos Que Envolveram a Vida da Rainha do Cangaço  172 pag.  38,00 Novo
- João Lelis de Luna Freire  A Campanha de Princesa 2000  390 pág. 55,00 Ótimo estado
- Joaquim Inojosa República de Princesa  55,00  Bom estado
- Joaryvar Macedo e Rejane M. Augusto Gonçalves Os Augustos  2ª Ed. 2009  627 pág. 65,00 Novo
- Jorge Mattar Villela  O Povo em Armas: Violência e Política no Sertão de Pernambuco 2004 292 pág. 35,00  Ótimo estado
- José Alves Sobrinho  Lampião e Zé Saturnino, 16 anos de lutas.  40,00  Novo


José Alves Sobrinho  Lampião, Antônio Ferreira e Levino – A parceria e o Cangaço 2012 235 pág.  55,00  Novo


- José Anderson Nascimento  Cangaceiros, Coiteiros e Volantes.  30,00  Ótimo estado
- José Cavalcanti  Bicho do Cão - Canga, Cangaço, Cangaceiro. 271 pág. 140,00  Bom estado
- José Gastão Cardoso A heroica resistência de Princesa 2ª ed. 25,00 Novo
- José Hilário Do Cangaço ao Congresso 1994 241 pág. 30,00 Envelhecido pelo tempo
- José Peixoto Junior  Bom de Veras e Seus Irmãos (Os Marcelinos)  40,00 /envelhecido
- José Sabino Bassetti e César Megale Lampião, Sua Morte Passada a Limpo 2011. 192 pág. 45,00 Novo
- Juarez Conrrado  Lampião - Assaltos e Mortes em Sergipe 2010  301 pág.  55,00  Novo
- Juarez Conrado  A Última Semana de Lampião (Reportagens) 1980  84 pág. 70,00  Bom estado/Capa envelhecida
- Késsia Brito e outra  O Mito de Lampião 47 pág.  12,00  Bom estado
- Kydemir Dantas  Mossoró e o Cangaço 1997 149 pág. 30,00 Bom estado
- Leonardo Mota  No Tempo de Lampião 2002  40,00  Novo
- Luitgarde Oliveira C. Barros A Derradeira gesta: Lampião e os Nazarenos Guerreando no Sertão 2000   260 pág.  50,00  Novo
- Luiz Bernardo Pericás Os Cangaceiros  55,00 Novo
- Luiz Luna  Lampião e Seus Cabras 2ª Ed. 1972  160 pág. 45,00  Bom estado
- Luiz Ruben  Lampião Conquista a Bahia 2011  422 pág.  45,00  Novo
- Luiz Ruben F. Bonfim  Lampião e os Interventores 2007 236 pág. 38,00  Novo
- Luiz Rubens F. de A. Bonfim  Notícias Sobre a Morte de Lampião 166 pág.  38,00  Novo
- Luiz Rubens F. de A. Bonfim  Lampião e os governadores 35,00 Novo
- Luiz W. Torres  Lampião e o Cangaço  28,00  Ótimo estado
- Luiz Zanotti   Lampião: Texto, Tela e Palco – Tese de Doutorado - 2012. 308 pág.  50,00 Novo
- Manoel Benício O Rei dos Jagunços 1997  30,00  Ótimo estado


Manoel Cavalcanti de Souza (Ex-volante Neco de Pautília) Lembrar e escrever, não é só querer - “Memórias” do Cangaço e Genealogia. 167 pág.  32,00 Novo

- Manuel Andrade Filho  Fortaleza de São João – Vida e Morte de Lampião 1988  592 pág.  60,00  Capa dura/bom estado
- Maria Christina Matta Machado  As Táticas de Guerra dos Cangaceiros 2ª Ed. 1978 150 pág.  45,00  Bom estado de leitura/envelhecido
- Maria Isaura P. de Queiroz  História do Cangaço  25,00  Bom estado / envelhecido
- Mariane L. Wiesebron  Historiografia do Cangaço e o Estado atual da pesquisa sobre banditismo à nível nacional e Internacional (Apostila) 28 pág. Coleção Mossoroense Séria “A”  28,00  Bom estado
- Marilourdes Ferraz  O Canto do Acauã  4ª edição 2012 Lançamento  680 pág.  130,00  Novo
- Mario Souto Maior  Antônio Silvino – Capitão de Trabuco 40,00 Novo
- Melquíades Pinto Paiva  Bibliografia Comentada do Cangaço vol. III. 105 pág.  10,00 Ótimo estado
- Melquíades Pinto Paiva Bibliografia Comentada do Cangaço vol. V  89 pag. 10,00 Novo
- Melquíades Pinto Paiva A Matriarca do Sertão: Fideralina Augusto Lima 153 pág. 35,00 Novo
- Melquíades Pinto Paiva  Ecologia do Cangaço  40,00  Novo
- Melquíades Pinto Paiva  Cangaço, uma ampla bibliografia comentada 2012. “392 pág. 85,00 Novo / Capa dura
- Miriam V. Garate  Civilização e Barbárie nos Sertões 25,00 Novo
- Moacir Assunção  Os Homens Que Mataram o Facínora 2007  278 pág.  55,00 Parte da capa rasgada, miolo ótimo.


Napoleão Tavares Neves  Cariri, Cangaço, Coiteiros e Adjacências 2009.  131 pag.  35,00  Novo


- Nelly Cordes  O Rei dos Cangaceiros 1954  181 pág. 30,00  Bom estado/envelhecido
- Nertan Macedo Lampião- Cap. Virgulino Ferreira – 5ªed. 1975  25,00  Regular estado
- Nertan Macedo Sinhô Pereira - O Comandante de Lampião 50,00 Ótimo estado
- Nertan Macedo Floro Bartolomeu, o caudilho dos beatos e cangaceiros. 202 pág. 55,00 Ótimo estado
- Nertan Macedo Volta Seca, O Menino Cangaceiro 1982  106 pág.  90,00  Bom estado
- Oleone Coelho Fontes Lampião na Bahia  50,00  Novo
- Optato Gueiros  Lampião, Memórias de Um Oficial Ex-comandante de Forças Volantes (Ed. Fac-similar). 279 pág. 45,00  Bom estado
- Padre João Carlos Perini  Padre Cícero e Lampião 12,00 Novo
- Paulo Medeiros Gastão Lampião de A a Z 2011 75 pág. 15,00 Novo
- Paulo Medeiros Gastão O Cangaço e a Imprensa 2012  80 pág. 23,00 Novo
- Paulo Moura  Lampião: A Trajetória de Um Rei Sem Castelo  150 pág.  35,00  Novo
- Pedro Baptista  Cangaceiros do Nordeste 2011  279 pág.  37,00  Novo
- Pedro Nunes Filho  Guerreiro Togado – 2011 - Edição de Luxo  516 pág.  100,00 Novo
- Raimundo Nonato  Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro Romântico  40,00 Novo.
- Raimundo Nonato  Lampião em Mossoró 2012  325 pág.  45,00  Novo
- Ranulfo Prata Lampião  28,00 Ótimo estado
- Ranulfo Prata  Lampião, Documentário 2010 239 pág.  35,00  Novo
- Raquel de Queiroz  Lampeão, a Beata Maria do Egito - Teatro 1995. 60 pág.  20,00 Ótimo estado
- Raul Fernandes  A Marcha de Lampião - Assalto a Mossoró. 55,00  Novo.
- Raul Fernandes  Lampião na Fazenda Veneza  23 pág. 15,00 Novo


Reinaldo Azevedo  Cangaço, tatuado no traço 22x31cm  2012 131 pág. 68,00  Novo/encadernação de luxo.


- Renato Phaelante  Cangaço, Um Tema na Discografia da MPB.  97 pág.  40,00  Novo
- Ricardo Albuquerque (org.)  Iconografia do Cangaço – (Livro Álbum) Inclui Filme com Cenas Inéditas de Lampião e Seu Bando (DVD)  215 pág. 115,00  Novo
- Roberto Pedroso Monteiro  O Outro Lado do Cangaço,  As Forças Volantes em Pernambuco entre 1922-1938 2004.  185 pág.  60,00  Ótimo estado

- Rodrigues de Carvalho  Serrote Preto 1974  80,00  Bom estado
- Rodrigues de Carvalho  Lampião e a Sociologia do Cangaço 379 pág. 90,00 Bom estado, manchas no corte
- Ronald Daus O Ciclo Épico dos Cangaceiros na poesia popular do Nordeste 1982  161 pág.  30,00  Bom estado. Envelhecido
- Rosa Bezerra A Representação Social do Cangaço 50,00 Novo
- Rui Facó  Cangaceiros e Fanáticos 2012  40,00 Novo.


Sérgio Augusto S. Dantas  Antônio Silvino: O Cangaceiro, o Homem, o Mito 2ª Edição 2012. 314 pág.  45,00  Novo


- Severino Barbosa  Antonio Silvino – O Rifle de ouro  80,00 regular  100,00 Bom estado.
- Sousa Neto José Inácio do Barro e o Cangaço 2011 223 pág. 38,00  Novo.
- Ulysses Lins de Albuquerque  Um Sertanejo e o Sertão 2ª edição. (Anexo "A luta dos Pereiras e Carvalhos") 242 pág. 45,00  Bom estado/envelhecido pelo tempo.
- Valdir Nogueira  São José do Belmonte 1999 (O trágico fim do Cel. Gonzaga e a História da Pedra Bonita) 361 pág.  65,00  Ótimo estado
- Vilma Maciel  Os Fuzilados do Leitão 2ª Edição 2012  88 pág. 23,00 Novo
- Vilma Maciel  Lampião: Luta, Sangue e Coragem 2012 (Romance Histórico)  188 pág. 33,00  Novo
- Waldemar Alves da Silva Júnior O coronelismo em Salgueiro (1920-1945) 2008  277 pág.  50,00    Capa dura /ótimo estado com carimbo

 *Imagens meramente ilustrativas
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Att. Professor Pereira
Cajazeiras/PB