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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Lugares de memória

O Cajueiro e a casa de Adauto Felix

Por Manoel Belarmino

Eu, o prof. Orlando de Carvalho e Vera Ferreira (Neta de Lampião e Maria Bonita), estivemos no Povoado Cajueiro (Poço Redondo). Na oportunidade, conversamos com moradores e visitamos uma relíquia histórica que está ali testemunhando que Poço Redondo é mesmo um poço de história e cultura... 


Aos fundos da foto acima, a casa histórica que pertenceu ao coiteiro de Lampião, Adalto Felix. Aquela casa do coiteiro do Cangaço na comunidade ribeirinha do Cajueiro, nas margens do Rio São Francisco, em Poço Redondo, é uma relíquia da história do Cangaço em Sergipe e Poço Redondo.

O visitante que vai ao Cajueiro não só saboreia as delícias do peixe na mesa e do banho na praia d'água doce, mas pode  olhar um pouco a história do lugar e do seu povo e contemplar o que há de mais belo da paisagem do Sertão.


Além da Capela de Santa Ana, pintada de azul, misturando-se com a luz do Sol da tarde, ali na Rua da Frente, pertinho das águas do Velho Chico, está, mais para o centro do Povoado Cajueiro, a casa onde o coiteiro de Lampião Adauto Felix morou. A casa está ali resistindo ao tempo como uma velha testemunha da história do Cangaço e do povo ribeirinho do Sertão do São Francisco.

sábado, 12 de novembro de 2022

Gleuse Ferreira

Bisneta de Lampião e Maria Bonita lidera novo 'bando' da família

Por Claudia Castelo Branco TAB, UOL

Paulo Serdan, 55, presidente da Mancha Verde, foi pego de surpresa quando advogados o procuraram num dia de julho. Eram representantes da família Ferreira — a família de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita.

No Carnaval de 2023, a agremiação paulista, atual campeã, vai levar à avenida o desfile "Oxente: sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil", que revisita tradições do sertão nordestino, onde nasceu o xaxado, dança do cangaço na qual a espingarda marcava o ritmo da pisada — o nome vem do barulho das alpercatas, o xa-xa, na areia. O que a Mancha Verde não sabia é que a única filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita, 90, está viva.

A conversa com os advogados foi amigável, visto que o desfile tem caráter cultural, não comercial. "É nossa família. Nós só queremos ser protagonistas também", diz a arquiteta Gleuse Ferreira Nunes de Oliveira, 41, bisneta do casal que liderou o cangaço. Gleuse tem viajado de Aracaju, onde mora, para São Paulo. Num domingo de novembro, ela chegou ao barracão da Mancha Verde no Bom Retiro carregando Bento, um chihuahua enfeitado com lenço no pescoço.

Gleuse Ferreira, bisneta de Lampião e Maria Bonita, 
no barracão da Mancha Verde, em São Paulo.

"Muita gente não sabe que existimos. Ou pensam que a gente tá lá no sertão, no meio do mato", conta, enquanto observa a estrutura de um Lampião gigante. "É esse aqui o meu?", pergunta — a convite da escola, a arquiteta será responsável pela decoração de um dos carros.

A família Ferreira é pequena, formada por mulheres animadas, aposentadas, viúvas ou solteiras — "o segredo da felicidade", segundo Expedita. Ela é mãe de Iza, Gleuse, Vera e Deja. Gleuse, 66, decidiu batizar a filha caçula, a arquiteta, com o próprio nome; e também é mãe de Karla, 43, que mora em Londres. "E a gente só anda agarrada, é uma folia", dizem. Certa vez, o marido de Expedita foi para o hospital, e um dos médicos não gostou de ver o quarto lotado de visitas. Vera, 67, logo reagiu: "Olha, a gente veio de um bando e vamos continuar em bando aqui dentro".

 

'É nossa família. Nós só queremos ser protagonistas também', diz Gleuse Ferreira  

Imagem: Pryscilla K./UOL.

Outros Carnavais

Ao contrário de cangaceiros nobres do passado, os Ferreira não eram proprietários de terra e não tinham finanças fora do cangaço. Após a morte dos pais, na grota do Angico (SE), Expedita recebeu de herança uma mecha de cabelo de Lampião, morto em 1938. Passou anos escondida e com medo, tanto que o sobrenome só foi para sua certidão em 2016. O olhar torto ao bando de Lampião mudou na década de 1980, quando se iniciou uma nova leitura da trajetória do cangaço. Hoje, o acervo da família vem sendo trabalhado também sob nova perspectiva. Vera lembra até hoje de uma viagem para São Paulo que fez na adolescência, com a mãe e a historiadora Marta Machado, e encontrou ex-cangaceiros. Todos levantaram-se em respeito à Expedita, o que a fez pensar que o avô não era o vilão que sempre ouviu dizer. Decidiu então ir viver no sertão, em busca de respostas.

 

O 'bando' da arquiteta Gleuse Ferreira: a mãe Gleuse, a bisavó Expedita, a tia Iza e a prima Luana. Imagem: Pryscilla K./UOL.

 

No livro "Lampião e Maria Bonita - uma história de amor e balas", o jornalista Wagner Gutierrez Barreira conta que os antigos cabras de Lampião se renderam em acordos com a polícia, outros abandonaram o cangaço, fugiram ou simplesmente tocaram a vida. A maioria cumpriu pena e muitos receberam indulto nos anos 1950. 

Na prisão, ganharam fama de tranquilos e alegres. "Quem entrava pro cangaço entrava com um sentimento de Justiça", observa Gleuse Ferreira, a bisneta. Diversas versões ficaram famosas sobre o que foi o bando, com relatos e informações contraditórias — muitas delas, fictícias. "[Lampião e Maria Bonita] são personagens que ultrapassam a própria realidade", comenta o carnavalesco André Machado, 37, exibindo entre suas referências para o Carnaval o livro "Bonita Maria do Capitão", de Vera Ferreira, a neta. De herói a vilão, há de tudo no imaginário ao redor de Lampião, incluindo um livro que diz que o sertanejo era gay. Também há controvérsias sobre a origem do apelido de Maria Bonita, mas é fato que foi no semiárido nordestino que Virgulino encontrou Maria de Déa, recém-separada, que abandonou tudo para seguir o amor de sua vida.

 

Bastidores do barracão da Mancha Verde para o Carnaval de 2023.


Viva o Nordeste


 "O Nordeste merece ser celebrado", comenta Paolo Bianchi, 47, diretor de Carnaval da Mancha Verde, que lembra do primeiro encontro entre as Ferreira e a diretoria no dia 7 de setembro. Parecia que já se conheciam há muito tempo. "Elas perceberam que a Mancha é uma família e sentiram-se acolhidas. Porque também existe um preconceito com escola de samba, a nossa que é vinculada a uma torcida, então?" 


Para o desfile, a arquiteta levará referências de Piranhas, no sertão de Alagoas, onde as cabeças de Lampião e companhia foram expostas pela primeira vez. A Imperatriz Leopoldinense, no Rio de Janeiro, é outra escola que levará à avenida (no caso, a Sapucaí) um enredo sobre "visões delirantes dos cordéis nordestinos que contam histórias fantásticas sobre a chegada de Lampião ao céu e ao inferno".

Imagem: Pryscilla K./UOL.


 Entre Rio e São Paulo, o bando estará muito à vontade na caatinga entre xique-xiques, mandacarus e facheiros cenográficos. "O Carnaval é uma coisa gigantesca, vejo como oportunidade para as pessoas conhecerem minha avó", afirma Gleuse, que confessa ficar incomodada ao ouvir que muita gente desconhece que Expedita existe. A família palpita, principalmente Vera. Ela logo apontou que os tons terra não eram muito usados pelos cangaceiros, que preferiam azul. "Tinha muita coisa colorida. Muitos lenços. Os bornais [bolsas carregadas no corpo] eram todos decorados. Tem gente que fala que o 'biso' foi o estilista, mas não foi. Foi Dadá [companheira do cangaceiro Corisco]. Todo mundo era muito enfeitado. Muitos brincos, anéis, colar", diz Gleuse.

 

Imagem: Pryscilla K./UOL.

 

Além das escolas de samba, o advogado da família, Alex Ferreira, 32, conversou com estúdios que estão com novos projetos envolvendo Lampião e Maria Bonita — entre eles, uma série documental. Eles também não sabiam que a família existia. "Existem. São mulheres de classe média, esclarecidas e que moram em Aracaju. Nós reforçamos isso nas conversas. Não para impedir, mas para proteger os interesses da família.".

Gleuse, que vem estudando licenciamento, defende que atividades assim devem ser impulsionadas, mas muitas empresas já utilizaram comercialmente a imagem do casal sem nunca procurá-las. Desde março, o escritório Cândido Dortas, de Aracaju, representa as Ferreira. Há cerca de um mês, elas conseguiram a autorização do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para comercializar a marca da família, liderada pela bisneta. "Devem achar que ando por aí vestida de Maria Bonita ou com um facão no bolso", brinca.

A história de Lampião e Maria Bonita continua viva, mas entre as Ferreira paira uma preocupação sobre a continuidade da família: nenhuma das três bisnetas tem filhos. "Se acabar, acabou. Pronto", diz Expedita, bastante pragmática. Na verdade, hoje ela está mais preocupada em aprender o samba-enredo da Mancha Verde para 2023.

 

 'O Nordeste merece ser celebrado', afirma Paolo Bianchi, diretor de Carnaval da Mancha Verde Imagem: Pryscilla K./UOL.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Pá butá na agenda

Seminário Cangaço Campina 2019

Campina Grande, PB

Quando: 22 a 24/11

Onde: Sítio São João - Centro - Campina

Breve traremos a programação oficial.





terça-feira, 3 de setembro de 2019

Maria Christina Russi da Matta Machado

Uma intérprete do cangaço

Por Luiz Bernardo Pericás1

Em 18 de setembro de 1970, Joaquim Câmara Ferreira, membro histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na época dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), aconselhava, numa carta a militantes de sua organização, que eles lessem dois livros que considerava importantes para sua formação naquele momento. O primeiro deles era Os sertões, de Euclides da Cunha. O outro, As táticas de guerra dos cangaceiros, escrito pela jovem pesquisadora Maria Christina Russi da Matta Machado. Não custa lembrar que o próprio Marighella dava grande valor ao estudo da gesta lampiônica e achava fundamental compreender a dinâmica das atividades dos afamados bandoleiros sertanejos nordestinos.

“Temos que ser como Lampião”, disse em certo momento o inimigo número um da ditadura. A forma como atuava Virgulino Ferreira e a longevidade de suas ações, portanto, certamente interessavam muito ao fundador da ALN, assim como ao seu sucessor no grupo (MAGALHÃES, 2012, p. 396; MAGALHÃES, 2015)2.

A obra de Machado, publicada no Rio de Janeiro em 1969, pela Editora Laemmert - na época dirigida pelo então jornalista e ideólogo da Organização Marxista Revolucionária (ORM), conhecida como Política Operária (Polop), Luiz Alberto Moniz Bandeira -, de fato, teria grande repercussão. Basta recordar que, quando o autor de O caminho da revolução brasileira foi preso, o comandante da Marinha que o interrogou no Centro de Informações da Marinha (Cenimar) chegou, inclusive, a mencionar o livro de Machado. Apesar de tudo, na ocasião, o texto polêmico não seria apreendido pelos militares (MONIZ BANDEIRA, 2010).

A Laemmert havia lançado no período obras emblemáticas, como A questão agrária, de Karl Kautsky, Da Noruega ao México e Revolução e contra-revolução, de León Trótsky, Poemas do cárcere e A resistência do Vietnã, de Ho Chi Minh, História do socialismo e das lutas sociais, de Max Beer, e O imperialismo e a economia mundial, de Nikolai Bukhárin, entre vários outros. O livro de Christina Matta Machado, incluído na série Cultura Popular, seria mais um nessa lista. E teria destaque. Afinal, na época em que As táticas de guerra dos cangaceiros foi editado, o Brasil passava pelo auge da ditadura, com perseguições, prisões e torturas de militantes de esquerda se tornando algo cada vez mais comum. E com a luta revolucionária se mostrando como única alternativa para diferentes grupos que apoiavam a resistência armada ao regime militar.


Nascida em 9 de fevereiro de 1938, em São Paulo, filha de Max Barbosa da Matta Machado e Adalgysa Russi da Matta Machado, Maria Christina Russi da Matta Machado concluiria o ginásio no Colégio Rio Branco, em 1954, e o curso clássico no Instituto Mackenzie, cinco anos mais tarde.

A jovem estudante se licenciou em história pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae da Pontifícia Universidade Católica (PUC) paulista (onde havia sido diretora de seu Centro Acadêmico) em 17 de dezembro de 1963, conseguindo, dois anos depois, uma bolsa de estudos obtida através do Serviço de Ensino Vocacional (SEV) de São Paulo, promovido pelo Ministério da Educação Federal, com o objetivo de treinar professores para a renovação do ensino secundário.

Ainda atuaria como membro da equipe de educação de base do Movimento Universitário de Desfavelamento (MUD) - nesse sentido, em 1965 participou do Seminário Nacional de Estudos do Problema Favela, organizado por essa entidade - e chegou a se matricular, em 1968, na Escola de Sociologia e Política (MACHADO, 1963a).

Em última instância, daria continuidade a seus estudos na Universidade de São Paulo (USP), onde ingressaria na pós-graduação, tendo como orientador de doutorado, inicialmente, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, de quem também foi aluna. Seria dispensada pelo eminente intelectual, segundo o próprio, por ele ter solicitado e obtido sua aposentadoria3 - outra versão, contudo, indica a mudança de tutor após ela ter se desentendido com o autor de Raízes do Brasil por desacordos sobre sua interpretação do tema (PAULA, 1973, p. 139-141).

Por causa disso, acabaria sendo orientada pelo professor Eurípedes Simões de Paula e prepararia a tese Cangaço: aspectos socioeconômicos, que mais tarde recebeu o título Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro4. Clique aqui

O prazo final para a sua entrega na secretaria seria 31 de agosto de 1972, ainda que o trabalho, ao que tudo indica, estivesse bem adiantado. Ou seja, ela possivelmente depositaria o material antes da data exigida pela burocracia acadêmica (é provável que fizesse isso no ano anterior ao solicitado) (OFÍCIO/CIRCULAR, 1972).

Já tinha uma banca montada informalmente, que seria composta por Ruy Galvão de Andrada Coelho5, Pasquale Petrone6, Carlos Guilherme Mota7 e Sebastião Witter8. Todos haviam se comprometido, extraoficialmente, a participar da arguição da candidata9. Mas isso nunca chegou a ocorrer.

Afinal, ela daria seu último suspiro na madrugada do dia 23 de outubro de 1971, dentro de seu próprio quarto, no apartamento em que morava com os pais, na Avenida Paulista, na capital do estado.

A causa: edema agudo do pulmão, insuficiência cardíaca, leucemia e anemia. Machado planejava se casar um dia após sua defesa na USP e partiria, em seguida, para a França, onde faria um segundo doutorado na Universidade de Paris (com uma bolsa concedida pelo governo daquele país). O projeto era ficar na Europa até o fim de outubro de 1972, onde seria orientada por Frédéric Mauro. Sua trajetória, interrompida abruptamente, portanto, impediu que desenvolvesse seus estudos e impossibilitou que pudesse sofisticar ou mesmo reavaliar os argumentos apresentados em seu livro de juventude (PAULA, 1973).

Mesmo seu derradeiro trabalho acadêmico poderia ter sido modificado e aprofundado. Afinal, o professor Simões de Paula aparentemente discutiu com a estudiosa vários aspectos do texto, seu método, fontes e bibliografia, todos elementos que não foram incorporados em suas páginas finais, por não ter havido tempo (PAULA, 1973). Além disso, o trabalho deixado, ainda em fase de desenvolvimento, foi revisado por seu pai (um advogado aposentado), que não conhecia o assunto. O esforço do progenitor certamente foi louvável, mas não impediu que restassem diversos erros na versão final (problemas que ocorreram também em seu livro e que passaram despercebidos pela própria autora e pelos revisores da Laemmert e da Editora Brasiliense, que publicaria uma nova edição do livro em 1978).

É verdade que Machado havia feito, por quatro anos, uma extensa pesquisa de campo, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Teria percorrido, acompanhada da mãe, quase uma centena de localidades nordestinas por onde passou Lampião, gravou muitas entrevistas com ex-cangaceiros e acumulou um vasto material de arquivo sobre o tema10. A jovem doutoranda chegou a possuir uma quantidade significativa de livros, caixas de microfilmes, fichamentos, fitas cassete e recortes de jornal ligados à sua investigação.

Como resultado parcial de seus esforços, escreveu, nos tempos de estudante, “Nordeste da seca não é Nordeste da miséria”, “O sertanejo tem no sangue a liberdade” (monografia preparada para o curso de Literatura Brasileira, no qual esteve inscrita em 1966), “Visão geral do Nordeste”, “O sertão não progrediu” e dois trabalhos baseados na disciplina ministrada por Sérgio Buarque, “Canudos e a política de Antônio Conselheiro” e “A política dos coronéis”. Entre 1966 e 1967, ela participaria de seminários do eminente escritor, que ocupava a cadeira de História da Civilização Brasileira (MACHADO, 1963b).

Chegou a publicar os artigos “Aos que se comunicam” e “Aqui ali mulher” no Diário de S. Paulo, ambos em 1967, e “Memórias do cangaço”, no Jornal da Tarde, no mesmo ano. Havia ainda preparado “Classes sociais no meio rural” para a Revista de Sociologia (MACHADO, 1963b). Em Realidade, em 1968, sairia uma entrevista com Dadá, a mulher de Corisco (MACHADO, 1968), assim como, no ano seguinte e na mesma revista, a reportagem “A vida depois do cangaço” (juntamente com seu noivo, o jornalista Humberto Mesquita, com fotos de Jorge Bodanzky), na qual mostrava o reencontro de antigos bandoleiros do grupo de Virgulino Ferreira que haviam sobrevivido à tragédia da Grota do Angico (Zé Sereno, Sila, Marinheiro e Criança) com o soldado da volante Adriano Ferreira de Andrade em um restaurante de São Paulo, em um almoço promovido pela própria pesquisadora (MACHADO; MESQUITA, 1968)11 (duas outras matérias para a mesma publicação, “O último dos místicos” e “Lampião”, foram preparadas, segundo a autora).


Em 1969 lançaria também seu As táticas de guerra dos cangaceiros. E entre 1973 e 1974, finalmente, os capítulos de sua tese Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro (MACHADO, 1973a; 1973b; 1973c; 1974a, 1974c)12 seriam publicados postumamente em cinco partes, em diferentes edições da Revista de História, obra que, em seu conjunto, foi considerada por Melquíades Pinto Paiva como um “importante estudo de natureza sociológica” (PAIVA, 2012, p. 223).

Não custa lembrar que aquele era um período de bastante interesse pelo cangaço, com periódicos como Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Diário de Notícias, Fatos e Fotos, Manchete e Realidade levando à luz entrevistas e matérias investigativas sobre o assunto, escritas por nomes conhecidos como Oswaldo Amorim, Jorge Audi e Nonnato Masson, entre outros (AMORIM, 1969; AUDI, 1968; MASSON, 1961; NOBLAT, 1972; 1973; SILVA, 1970).

A tese de Christina Matta Machado se destaca, especialmente, pelos depoimentos de cangaceiros, coiteiros, volantes e políticos, personalidades como Dadá, Saracura, Labareda, Zé Sereno, Zé Rufino, Sila, João Siqueira, Balão, Eustáquio Jovino Ribeiro, Luiz Caldeirão e João Bezerra, entre outros. Ou seja, a autora dá voz aos personagens. O recurso da história oral é, portanto, um elemento fundamental em seu trabalho. Também inclui trechos de matérias jornalísticas da época, mostrando o papel da imprensa na difusão da informação e na construção da imagem dos cangaceiros.


 Maria Chrsitina e o ex-cangaceiro Anjo Roque Labareda.

O caráter irredentista do cangaço, por sua vez, é bastante desenvolvido por ela. A parte IV da tese, que discute aspectos culturais do sertão, como os valores dos bandoleiros, suas formas de convivência, o comportamento da mulher, a questão do machismo, o misticismo, as superstições, as crendices e os padrões de honestidade, talvez seja a melhor do conjunto da obra, que alterna momentos favoráveis com outros de menor rigor metodológico.

Ainda assim, é possível apontar diversos problemas no trabalho. É certo que ela utiliza autores clássicos em sua tese, como Caio Prado Júnior, Oliveira Viana, Nelson Werneck Sodré, Vitor Nunes Leal, Marcos Villaça, Roberto C. de Albuquerque, Walfrido Moraes, José Américo de Almeida, L. A. Costa Pinto, Wilson Lins, Ulisses Lins de Albuquerque, Raimundo Nonato, Estácio de Lima, Optato Gueiros, Josué de Castro, Maria Isaura Pereira de Queiroz, Ranulpho Prata, Gustavo Barroso, Eric Hobsbawm e Rui Facó. Ainda assim, a bibliografia é insuficiente e usada de forma instrumental13.

A metodologia aplicada às entrevistas também é bastante frágil. A autora realizou arguições com um número limitado de indivíduos, classificando-os à sua maneira e extraindo conclusões peremptórias de amostragens aleatórias e exclusivistas14. Os números apresentados e as porcentagens não convencem os pesquisadores mais exigentes. O verniz cientificista, portanto, não se sustenta nesse caso (exemplos claros disso podem ser encontrados no capítulo “Coronel e seca” ou no “Anexo 1”, por exemplo). Além disso, a tendência a ver o mundo de forma maniqueísta, com poucos matizes, pode ser encontrada em profusão nos trabalhos da estudiosa, assim como algumas contradições na narrativa, como no trecho em que afirma:

Provavelmente a partir de 1930, com a desintegração das antigas oligarquias, os jagunços procuraram o cangaço como forma de defesa, uma vez que seus antigos protetores já não possuíam o mesmo prestígio.

Desta forma, o cangaço aumentou com todos esses elementos perseguidos, mas enfraqueceu-se em seus princípios e normas.

 Percebemos, na década de 30, o início da desintegração do movimento. (MACHADO, 1973b, p. 187 - grifos nossos).

É possível notar a influência de Eric Hobsbawm (Rebeldes primitivos, 1959)15 assim como do livro Cangaceiros e fanáticos, do jornalista Rui Facó (1963a)16. Mas, se o intelectual pecebista realizava seus estudos a partir de uma perspectiva político-partidária, a pesquisadora da USP analisaria o fenômeno de um ponto de vista acadêmico. Ou seja, a obra de Machado é claramente um reflexo de sua época, traduzindo para o meio universitário uma discussão candente no ambiente político da esquerda brasileira.

Um dos depoimentos incluídos na tese é emblemático. Um entrevistado da jovem pesquisadora diria: “Lampião tinha qualquer coisa de extraordinário - era sua tática de guerrilha. Quando Mao Tsé-tung fazia guerrilha no remoto Oriente, Lampião o fazia aqui no Brasil muito melhor” (MACHADO, 1974a, p. 179)17. Em outro momento, ela chegaria a afirmar que os cangaceiros “não roubavam dos pobres, e, muitas vezes, o produto do furto, efetuado contra os ricos, era distribuído com o povo” (MACHADO, 1974a, p. 195). Um argumento típico da interpretação de esquerda da época, mas que não corresponde necessariamente à realidade...

A pequena obra da autora certamente tem importância, ainda que esteja intrinsecamente ligada ao momento histórico em que foi produzida. Mas, se ela tem o mérito de ter sido pioneira nesse sentido, é difícil dizer que suas elaborações tenham resistido ao tempo.

O caso de As táticas de guerra dos cangaceiros é emblemático. É certo que houve quem admirasse tal estudo. A antropóloga Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros chegou a dizer que aquele seria “um dos mais interessantes livros sobre a história de Lampião [...] pela riqueza de informações sobre o cotidiano do cangaço”, destacando a “beleza da narrativa” (BARROS, 2007, p. 81). O fato de ter sido orientada na USP por dois renomados professores, de acordo com Barros, tornava aquele “trabalho obrigatório para quem estuda este tema” (BARROS, 2007, p. 81).

A mesma admiração tinha Expedita Ferreira Nunes, filha do “rei dos cangaceiros”. Foi Christina Matta Machado que possibilitou a ida de Expedita a São Paulo para conhecer a ex-bandoleira Sila, que morava na cidade. Este, um dos papéis desempenhados pela jovem estudante de doutorado: colocava em contato indivíduos ligados a Lampião ou a seu grupo, em recepções organizadas por ela.


 A jovem Vera Ferreira (neta de Lampião e Maria) e sua mãe, Expedita
durante encontro histórico em São Paulo.

De acordo com Expedita, foi Machado que a fez ver “melhor” seus pais e a enxergá-los de uma maneira diferente daquela apresentada por outros escritores. Teria sido por causa da historiadora que deixou de ter vergonha deles. O livro da autora paulista, portanto, era o de que mais gostava dentre todos que havia lido (SOUZA; ORRICO, 1984, p. 116-117).


 Expedita, a escritora e Vera

 O encontro que reuniu ex-companheiros do rei do cangaço.

A própria Sila escreveria sobre sua experiência no cangaço e incluiria Maria Christina nos agradecimentos de uma de suas obras (SOUZA; ORRICO, 1984, p. 116-117). A intimidade da pesquisadora uspiana com Sila era tal que ela se tornou madrinha de casamento de uma das filhas da ex-cangaceira, numa cerimônia lotada, que contou até mesmo com a presença de uma equipe de televisão para registrar o acontecimento (SOUZA, 1995, p. 82).


 Alguns destes ex-companheiros de armas não se viam desde o fim do cangaço

Ainda assim, houve aqueles que apontaram uma diversidade de problemas sérios na obra.

Possivelmente o principal deles tenha sido Frederico Pernambucano de Mello (um dos mais importantes pesquisadores do cangaço). Para ele, o livro de Machado estava “eivado de erros imperdoáveis, além de não conter em suas páginas nada que diga respeito ao título” (MELLO, 2004, p. 156).

No livro é possível encontrar, assim como na tese, uma bibliografia que abarcava autores conhecidos e fundamentais para o desenvolvimento do tema, como André João Antonil, Capistrano de Abreu, Manuel Correia de Andrade, Roger Bastide, Eduardo Barbosa, Antônio Callado, Euclides da Cunha, J. Pandiá Calógeras, Luís da Câmara Cascudo, Rodrigues de Carvalho, Paulo Dantas, Celso Furtado, Gilberto Freyre, José Alípio Goulart, Leonardo Mota, Walfrido de Moraes, Edmar Morel, Graciliano Ramos, Franklin Távora e Luís Viana, entre muitos outros.

A pesquisa hemerográfica, por sua vez, incluía periódicos nordestinos do auge do cangaço, como A Tarde e Diário de Notícias (Salvador), Correio de Alagoas e os sergipanos Correio de Aracaju, A República e A Gazeta. Além disso, também utilizou anotações da disciplina de pós-graduação “Cangaço na realidade brasileira”, da Cadeira de Literatura Brasileira, que ela cursou na USP, em 1966, trabalhando as informações da monografia do professor Bernardo Issler.

Em outras palavras, ela possuía bom material para construir sua análise. Ainda assim, o resultado ficou bem distante do ideal.

O livro tem como características principais, portanto, o viés narrativo e factual, a tentativa de reproduzir a linguagem e os diálogos locais, e a preocupação com os aspectos estratégicos, táticos e militares dos cangaceiros (principalmente no capítulo “Tática de luta”), reforçando a imagem daqueles brigands como algo semelhante aos “bandidos sociais”18 (ainda que não utilizasse explicitamente o termo em suas páginas).

Tanto as notas de referência como as explicativas são elaboradas, em geral, de maneira bastante displicente, com pouca preocupação com os detalhes bibliográficos ou indicação de datas e locais onde colheu os depoimentos e relatos dos entrevistados. Por sua vez, na terminologia aplicada pela autora, sem maior rigor, palavras e conceitos como “estilo medieval”, “regime puramente feudal” (no período colonial), “camponês” (para designar os sertanejos nordestinos)19 e mesmo “movimento armado contra a injustiça” (MACHADO, 1969, p. 203) para descrever o cangaço (ela classifica a modalidade de “fenômeno” em outro momento do livro) são usados pela pesquisadora, que até mesmo fala sobre uma “estratégia do coronelismo e seus mercenários”.

Na tese, ela afirmaria que “o cangaceiro é um herói que se rebela contra uma perseguição injusta da polícia” (MACHADO, 1973b, p. 196 - grifos nossos). Algo similar é dito no livro publicado pela Laemmert, dessa vez sobre Lampião (figura central de seu trabalho), que para ela havia sido “o anjo da guarda dos pobres”! (MACHADO, 1969, p. 68). Afinal de contas, ele “não foi o flagelo do sertão, mas o flagelo dos coronéis” (MACHADO, 1969, p. 207).

A autora naturaliza, de forma determinista, os traços psicológicos de indivíduos e grupos humanos. Já no início da obra, ela afirma que “os cangaceiros nunca foram entendidos, porque jamais foram pesquisados” (MACHADO, 1969, p. 9), negligenciando uma série de estudos importantes realizados sobre o fenômeno (com diferentes graus de qualidade, profundidade e sofisticação, por certo) ao longo de vários lustros antes da publicação de seu livro.

Afinal, seja qual for a opinião do estudioso (e seu perfil político e ideológico), não se pode desconsiderar os trabalhos de autores como Estácio de Lima, Luiz Luna, Leonardo Mota, Antonio Xavier de Oliveira, Pedro Baptista, Optato Gueiros, Abelardo Montenegro, Walfrido Moraes, Abelardo Parreira e Ranulpho Prata, entre tantos outros, muitos dos quais, por sinal, ela conhecia e havia utilizado em seus textos.

Também no começo do livro, ela diria, em relação à mentalidade dos portugueses, que “quando vieram para o Brasil [no período colonial], trouxeram sua arrogância de grandes senhores” (MACHADO, 1969, p. 14). Ao final, por sua vez, depois de afirmar que “o sertão talvez progredisse, porque o elemento humano é bom e trabalhador, possuindo energia suficiente para lutar por seus direitos, por sua terra e família” (MACHADO, 1969, p. 203), a pesquisadora paulista conclui:

“A verdade é que o coronel de ontem é o mesmo de hoje, com a mesma mentalidade medieval, com os mesmos costumes, e acreditando ainda na sua prepotência, com o mesmo orgulho, e representando o maior entrave para o desenvolvimento social, econômico e político do Nordeste” (MACHADO, 1969, p. 208).

A resolução dos problemas regionais, contudo, é deixada em aberto...

Mesmo que hoje o nome de Christina Matta Machado seja pouco lembrado pelo grande público, ela produziu um dos livros de bolso dos guerrilheiros na época da ditadura militar e foi lida com grande interesse por toda uma geração de jovens no início dos anos setenta do século passado20.

Seus trabalhos, apesar de todas as limitações, continuam emblemáticos e ainda são usados como referência bibliográfica pelos estudiosos do cangaço na atualidade.


SOBRE O AUTOR

LUIZ BERNARDO PERICÁS é professor de História Contemporânea da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e autor de, entre outros, Caio  Prado  Júnior: uma biografia política (Boitempo, Troféu Juca Pato – intelectual do ano, 2016). E-mail: lbpericas@hotmail.comhttps://orcid.org/0000-0001-8201-1181

 REFERÊNCIAS 

AMORIM, Oswaldo. O homem que chefiou Lampião. Jornal do Brasil,Rio de Janeiro, 25-27 de fevereiro de 1969.  

AUDI, Jorge. Eu sou o Labareda de Lampião. O Cruzeiro,19 de outubro de 1968, p. 13.  

BARROS, Luitgarde Oliveira Cavalcanti. A derradeira gesta: Lampião e nazarenos guerreando no sertão. Rio de Janeiro: Mauad, 2007.  

CÂMARA, Antônio. O PCB, Marighella e a questão agrária brasileira. In: NOVA, Cristiane; NÓVOA, Jorge (Org.). Carlos Marighella, o homem por trás do mito. São Paulo: Editora Unesp, 1999, p. 273-288. 

CANDIDO, Antonio. A visão política de Sérgio Buarque de Holanda. In: MONTEIRO, Pedro Meira; EUGÊNIO, João Kennedy (Org.). Sérgio Buarque de Holanda: perspectivas. Campinas: Editora da Unicamp; Rio de Janeiro: EDUERJ, 2008, p. 29-36.  

CANGACEIROS e fanáticos,novo livro de Rui Facó. Novos Rumos,Rio de Janeiro, ano V, n. 213, 22 a 28 de março de 1963, p. 5.  

FACÓ, Rui. Cangaceiros. Novos Rumos, Rio de Janeiro, ano II, n. 85, 14 a 20 de outubro de 1960, p. 5.
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HOBSBAWM, Eric. Primitive rebels: studies in archaic forms of social movement in the 19th and 20th centuries. Manchester: Manchester University Press, 1959.  

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 _____. Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro (II). Revista de História,n. 95, São Paulo, 1973b, p. 177-212. 
 _____. Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro (III). Revista de História,n. 96, São Paulo, 1973c, p. 473-489. 
 _____. Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro (IV). Revista de História,n. 97, São Paulo, 1974a, p. 161-200. 
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MESQUITA, H. A vida depois do cangaço. Realidade,Rio de Janeiro, ano III, n. 34, janeiro de 1969. Disponível em: . Acesso em: jan. 2019.  

MAGALHÃES, Mário. Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Correspondência com Luiz Bernardo Pericás, abril de 2015. 

MASSON, Nonnato. A aventura sangrenta do cangaço. Fatos e Fotos, 20 e 27 de outubro, 3, 10, 17 e 24 de novembro, 1 e 8 de dezembro de 1961.  

MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa, 2004.  

MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. Depoimento a Luiz Bernardo Pericás, janeiro de 2010.

 NOBLAT, Ricardo. Lampião morreu envenenado. Manchete,29 de abril de 1972, p. 154-157. _____. Memórias de Balão, um velho cangaceiro. Realidade,novembro de 1973, p. 45-47.  

OFÍCIO/CIRCULAR/36/72. In: Pasta de Maria Christina Russi da Matta Machado, administração, FFLCH/USP. 

 PAIVA, Melquíades Pinto. Cangaço: uma ampla bibliografia comentada. Fortaleza: Editora IMEPH, 2012. 

PAULA, Eurípedes Simões de. Carta a Eduardo Marques da Silva Ayrosa, São Paulo, 8 de junho de 1970, Processo 1.428, Protocolo 006142-2 de outubro de 1963, Proc. n. 1428/68, Setor de Pós-Graduação em História, USP. Processo aprovado pela Congregação em 16 de junho de 1970. In: Pasta de Maria Christina Russi da Matta Machado, administração, FFLCH/USP. PAULA, Maria Regina da Cunha Rodrigues Simões de. Nota. In: 

MACHADO, Maria Christina Russi da Matta. Aspectos do fenômeno do cangaço no Nordeste brasileiro (I). Revista de História, n. 93, São Paulo, Brasil, 1973, p. 139-141.  

PERICÁS, Luiz Bernardo. A era do couro. Entrevista ao jornalista Carlos Marcelo. Correio Braziliense, Caderno Pensar,Brasília, 14 de agosto, 2010a, p. 4-5. Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica. São Paulo: Boitempo, 2010b. O cangaço desmistificado. Entrevista ao jornalista Aldo Gama. Brasil de Fato,São Paulo, 7 a 13 de abril de 2011, p. 8. Cangaço e “banditismo social”: breves considerações. Ruris, revista do Centro de Estudos Rurais da Unicamp,v. 9, n. 2, 2015, p. 45-61

SECCO, Lincoln (Org.). Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes e renegados.São Paulo: Boitempo, 2014.  

PINHEIRO, Milton. Rui Facó. In: PERICÁS, Luiz Bernardo; 

SECCO, Lincoln (Org.). Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes e renegados.São Paulo: Boitempo, 2014, p. 117-127. 

 SILVA, Alberto. O filme no cangaço. Filme e Cultura, novembro/dezembro de 1970, p. 42-49.  

SOUZA, Ilda “Sila” Ribeiro de. Sila: memórias de guerra e paz.Recife: Imprensa Universitária/Universidade Federal Rural de Pernambuco, 1995. _____; 

ORRICO, Israel “Zai” Araújo. Sila: uma cangaceira de Lampião. São Paulo: Traço Editora, 1984.

Pesacado em Revistas USP

A matéria foi ilustrada pelo Lampião Aceso.

domingo, 16 de junho de 2019

Documentário

Lampião continua aceso

O Rei do Cangaço é o tema do documentário 'Lampião continua aceso', produzido pela TV Justiça. Virgulino Ferreira, trabalhador rural, deu lugar a Lampião, o cangaceiro que amedrontou o nordeste brasileiro por 16 anos. O que levou a essa transformação? Como era a vida fora da lei na Caatinga?

Os amores, os ódios, a morte. Esses sentimentos estão vivos 80 anos depois da emboscada que matou o bando cangaceiro. Lampião continua aceso.

Participação especial do pesquisador e escritor Sergio Dantas.

Aperte o play...


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Recado para os cangaceirólogos de Teresina...

Vera Ferreira promove palestra e lançamento no 'Salipi 2018'


O Salão do Livro do Piauí – SALIPI, realizado anualmente desde 2003, é o principal evento da Fundação Quixote e integra o circuito cultural das principais Feiras e Bienais de Livros do Brasil. O evento acontece sempre no mês de junho em Teresina e tem duração de uma semana.

O SALIPI iniciou como um experimento de alguns professores que resolveram juntar-se e organizar um evento literário, mesmo sem a menor experiência em organização de eventos de qualquer tipo. O sucesso foi retumbante, e desde então vem apenas aumentado de ano a ano.

O evento será realizado no Espaço Rosa dos Ventos – UFPI em Teresina – Piauí, de hoje, dia 1º, a 10 de Junho de 2018.

Dentro da vasta programação tem o Bate-Papo Literário, mediado pelo professor Luiz Romero e pela Prof.ª Laís Romero, que contam ainda com entrevistadores convidados.

É a vitrine do Salão do Livro do Piauí. Trata-se do espaço destinado aos lançamentos de livros e aos bate-papos com escritores consagrados e principiantes, que falam de suas produções e de cultura em geral. É no espaço do Bate-Papo Literário que acontecem os saraus, recitais, debates culturais, os “Diálogos Poéticos” e shows musicais intimistas com artistas da terra. Toda a programação é transmitida pela Rádio Antares e outros meios de comunicação.

No dia 08 de junho as 19 horas a jornalista sergipana Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria, estará proferindo a Palestra: 80 anos de Angico: massacre ou batalha? E promovendo o lançamento do seu livro em parceria com Germana Araújo, Bonita Maria do Capitão!

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Com apoio cultural do cumpadi Wilson Seraine e a Hora do Rei do Baião

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Documentário

Feminino Cangaço

O Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta o documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais.

Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais.



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Documentário radiofônico

Amor e renuncia: A presença da mulher no cangaço

Por Juliana Almeida


Este documentário foi o meu projeto de conclusão de curso em Jornalismo na Universidade Tiradentes. Explico logo abaixo como ele foi produzido:

Inicialmente foi realizado um levantamento de dados sobre a participação da mulher no cangaço, através de sites especializados, monografias e livros consultados na biblioteca da Universidade Federal de Sergipe e na biblioteca da Universidade Tiradentes. Após essa análise inicial do material disponível, foi possível reunir informações para aprofundar a discussão com pesquisadores sobre e cangaço e jornalistas, durante a realização da I Semana do Cangaço, realizada de 4 a 6 de junho de 2008, no Centro de Criatividade, em Aracaju.


Durante a Semana do Cangaço, foi possível fazer as entrevistas que compõe esse trabalho e ampliar as referências para a consulta de mais dados e depoimentos sobre a participação da mulher no cangaço, como a aquisição de documentários de vídeo e bibliografia específica sobre o tema proposto.

Com acesso a todo o material, a fase seguinte foi decupar as entrevistas gravadas e reunir as informações presentes neste memorial descritivo nos capítulos que tratam do fenômeno do cangaço no nordeste e a mulher no cangaço. É importante ressaltar que a qualidade de algumas entrevistas não está tão boa, mas elas foram imprescindíveis para a composição do documentário.

O documentário radiofônico foi elaborado a partir do roteiro estruturado para mostrar a influência e participação da mulher no cangaço sob diversos aspectos, sempre primando pela objetividade jornalística e coesão entre os fatos. O documentário traz elementos da literatura de cordel, trilha sonora específica, narração em off e entrevistas. O tempo de duração do documentário ficou em 17 minutos e 58 segundos e será veiculado em emissoras educativas que tenham interesse no resgate da memória de elementos da cultura nordestina

O documentário “Amor e renúncia: a presença da mulher no cangaço” traz as seguintes entrevistas:
·         Ariano Suassuna (Escritor)
·         Maria do Rosário Caetano (Jornalista e escritora)
·         Luiz Antônio Barreto (jornalista, escritor e pesquisador)
·         Jovenildo Pinheiro de Souza (professor da UFPE e pesquisador do cangaço)
·         Vera Ferreira (Jornalista neta de Lampião e Maria Bonita)
·         Expedita Ferreira (Filha de Lampião e Maria Bonita)

O documentário ainda traz os seguintes depoimentos extraídos do vídeo-documentário ’Mulheres Cangaceiras’ produzido e exibido pela TV SENAC, 1997:
·         Antônio Amaury Corrêa de Araújo (pesquisador do cangaço e escritor)
·         Ilda Ribeiro de Souza (Sila) – ex-cangaceira e mulher de Zé Sereno

A estrutura do documentário traz versos da literatura de cordel, de autoria de Franka e do jornalista Márcio Santana no formato de Martelo Agalopado, que são utilizados na abertura e encerramento e como ‘cortinas’ na separação dos assuntos abordados.

A trilha sonora contempla músicas típicas do nordeste, como o xaxado, na interpretação de Luiz Gonzaga e do ex-cangaceiro Volta Seca, além do grupo Anima.


Ouça o documentário Clique Aqui

Pescado em Audiografia

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Hoje em Salvador

Filme sobre mulheres no cangaço será lançado na Biblioteca Pública nesta quinta



Um documentário que conta a história das mulheres no cangaço será lançado nesta quinta-feira (6), em sessão gratuita às 19h30, na Sala Walter da Silveira, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. No filme são discutidos temas como as motivações para a entrada das mulheres no cangaço, seu papel dentro dos bandos, costumes, crenças, dramas pessoais, sexualidade e as representações destas mulheres.

O documentário conta de entrevistas com o sócio-fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais (Unehs), Antônio Amaury Correa, os pesquisadores Frederico Pernambucano de Mello, Luiz Ruben, Rosa Bezerra e Germana Gonçalves, além da filha e da neta de Lampião e Maria Bonita, Dona Expedita e Vera Ferreira, respectivamente.

Pescado em www.metro1.com.br

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Atenção Cangaceirólogos pernambucanos... ou de passagem!

Tem Cangaço na 8ª Bienal da UNE



É com a palestra "Lampião e Gonzagão: duas faces de um mesmo nordeste" que o evento abre espaço para a pesquisa de dois grandes nomes e conhecedores do assunto Vera Ferreira e Antonio Amaury

Gonzagão ficará a cargo do colecionador e especialista Paulo Vanderley Tomaz. 

Em Olinda, nesta Quarta-feira 23/01 na Praça do Carmo, no horário das 16 às 18 hs.
 

Compareçam!

 
Cartaz do evento que homenageia o rei do baião

Maiores informações, acessem: www.bienaldaune.org.br

Quem me soprou foi Rosa Bezerra!