quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lampeão, 1936

O filme de Benjamin Abrahão


Curta-metragem / Sonoro / Não ficção
Material original
35mm, BP, 11min10seg, 307m, 24q
Data e local de produção
Ano: 1936
País: BR
Cidade: Fortaleza
Estado: CE

Data e local de lançamento
Local: Cine Moderno

Sinopse:
Cenas da vida cotidiana de Lampião e seu grupo captadas pelo cinegrafista Benjamin Abrahão. As formas de sobrevivência na paisagem do sertão, os gestos, os hábitos, as vestimentas, a alimentação. Orgulhosos de sua condição,alguns membros do grupo aparecem ostentando suas armas e suas habilidades de combate na caatinga. Maria Bonita e Lampião surgem em instantes de descontração, ressaltando a harmonia interna do grupo.

Gênero Documentário
Companhia(s) produtora(s): Aba Film
Produção: Adhemar Bezerra Albuquerque.
Fotografia/Cinegrafista: Benjamin Abrahão.
Locação: Fazenda Bom Nome - Alagoas

Observações: 

Sem tirar uma conclusão definitiva ABL/FEC informa que a projeção do filme para o Capitão Cordeiro Neto e autoridades locais se deu no dia 02.07.1938.

A fonte EJ/CANGACEIROS informa que as filmagens foram realizadas entre junho e outubro de 1936, enquanto que ABL/FEC especifica os meses de maio e outubro.

ABL/FEC informa: teria havido uma "exibição privada no cine Moderno [Fortaleza], para o chefe de polícia, Capitão Cordeiro Neto, e outras autoridades, de cuja sessão ficou um registro fotográfico. A data dessa exibição é duvidosa, mas temos uma referência a 2 de julho de 1938".

JHD/BA acredita que essa exibição ocorreu em 1937 e assinala que Benjamin, Abrão filmou o bando de Lampião em duas longas estadias, que deve ter se estendido até 1937. ABL/FEC faz amplo relato dessas incursões.

ABL/FEC transcreve a notícia do Correio do Ceará, de 7 de abril de 1937, na qual Lourival Fontes, diretor do Departamento Nacional de Propaganda, solicita a apreensão do filme.

Relata ainda que Adhemar Gonzaga "teria mantido clandestinamente uma cópia em seu poder, a qual foi negociada nos anos 50 para distribuidores paulistas."

FCB/FF observa que o filme foi adquirido em 1940 por Alexandre Wulfes e reapresentado com o filme COMENDO DE COLHER.

A fonte JHD/BA informa que Alexandre Wulfes e Al Ghiu conseguiram recuperar o material, aproveitando, porém, menos da metade do original, perfazendo um documentário de quinze minutos de projeção."

Pesquei no: Cinemateca

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Prazer em conhecer

Lampião Aceso entrevistou o pesquisador e escritor Leandro Cardoso Fernandes

Sua “entrada” no cangaço deu-se quando tinha 12 anos. Seria a "síndrome de Volta Seca"?

Na época recebeu de presente do avô o livro “Lampião, Cangaço e Nordeste”, da Aglae Lima de Oliveira. O livro, que é ricamente ilustrado e o impressionou sobremaneira. A partir daí vestiu a camisa e entrou em campo. Começou a comprar livros e lê-los com voracidade.

Em 1991, foi estudar Medicina em Recife. Aproveitou o tempo em Pernambuco para investigar o que havia à disposição sobre o cangaço. Visitou museus, inclusive o Museu da Polícia Militar, que mostrava roupas das volantes e armas usadas na guerra contra o cangaço. Este local infelizmente encontra desativado e as peças têm paradeiro ignorado como relatou o escritor Geraldo Ferraz em sua entrevista.

Teve seus primeiros contatos com ex-cangaceiros, ex-volantes e com gente que conheceu protagonistas. Conheceu Drª. Laís Vieira, médica e, na época, tenente da Polícia Militar, que conviveu com o lendário Manoel Neto (inclusive foi para o seu enterro). Ela lhe deu informações interessantes sobre como vivia o ex-caçador de cangaceiros, como por exemplo, que o coronel Mané Neto só andava armado e desconfiava de todo mundo.

Ainda em Recife, precisamente em 1996, teve a oportunidade de conhecer na Fundação Joaquim Nabuco o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello, já havia ficado impressionado com as suas obras “Guerreiros do Sol” e “Quem Foi Lampião”.

Em 1998 foi parar na Selva de Pedra. Em São Paulo, de cara, seu volume de livros aumentou, pois não saía dos sebos do bairro da Liberdade e o da Maristela Kalil, próximo à Praça da República, sempre em busca de cangaço.

Dos livros de Amaury, ele destaca particularmente “Lampião: As Mulheres e o Cangaço”, que segundo sua opinião ainda é a melhor obra já publicada sobre o universo feminino no cangaço; e o “Assim Morreu Lampião”, uma reportagem emocionante sobre o dia fatídico do Angico,

Leandro lembra que “Assim Morreu Lampião” inclusive foi o embrião para o primeiro Globo Repórter (O Último Dia de Lampião, de Maurice Capovilla). Estes dois livros do Amaury lhe causaram grande impacto e começou a nutrir a vontade de conhecer o autor pessoalmente, uma vez que já o admirava a partir da honestidade com que escrevia.

Um belo dia recebe o telefonema de Dr. Napoleão, seu sogro, lhe avisando que dois "cangaceirólogos" iriam procurá-lo: Adivinhe Quem? Dr. Antonio Amaury e Dr. Melquíades Pinto Paiva.
Amaury telefonou; marcaram um encontro em sua casa, e pronto: todos os finais de semana (e muitas vezes as suas tardes de folga) eram na casa dele, falando de... Cangaço.
Dr. Leandro nos faz lembrar tal sensação de um músico que é fã de determinado artista e que de repente alem de conhecê-lo cria uma amizade cumplicidade que proporciona uma parceria em um novo trabalho, o que veremos em outro parágrafo. 
Os cavalheiros conviveram semanalmente por nove anos. Quando Dr. Melquíades - que reside no Rio - estava em São Paulo, os três almoçavam juntos falando de... Cangaço. Dr. Melquíades, diga-se de passagem, é detentor da maior biblioteca sobre cangaço do mundo!

Em 2002, Leandro Cardoso, Carlos Eduardo Gomes (confrade carioca), Dr. Benedito Denardi, Dr. William White, Dr. Mozart Pinho e Dr. Antonio Amaury empreenderam uma grande jornada pelos cenários “lampiônicos”: Piranhas, Poço Redondo (ocasião em que conheceu Durval e Alcino Costa), a localidade Mucambo, local onde o cadáver de Nenê de Luis Pedro ficou exposto aos curiosos; a fazenda Jacoca, onde Corisco foi apelidado de Diabo Loiro; visitaram Água branca (AL); Canindé do São Francisco (SE); Pinhão (SE) palco da batalha entre soldados e os sobreviventes de Angicos e também do combate de Lampião com o tenente Menezes em 1929.
Visitaram a Fazenda Patos e seu famoso curral de pedra, onde Corisco degolou os membros da família Ventura, em 1938. Tiveram também a oportunidade de conversar com o único irmão vivo da cangaceira Lídia, nos escombros da casa onde ela nasceu. E ainda deram uma esticada até o cenário do combate da Maranduba, um dos mais intensos da história do cangaço.

 William White, Dr. Amaury, eu e Dr. Benedito Denardi na casa da Baronesa de Água Branca.

 Com Dr. Amaury no local do combate da Maranduba. As cruzes mostram onde os soldados foram enterrados.

Em Angico

 Dr. Benedito, Jairo Luiz, Dr. Amaury, William White, eu e Carlos Eduardo Gomes, no famoso curral de pedra onde Corisco degolou os membros da família Ventura, na fazenda Patos.

 Jairo, eu, Dr. Amaury, o irmão de Lídia e o Dr. Benedito Denardi, na casa velha da fazenda Pedra D'água à poucos metros de onde teve o combate da Lagoa de Domingos João.

Em Aracaju, Leandro foi recebido por Expedita Ferreira e Vera Ferreira (filha e neta do rei do cangaço). Na ocasião, Vera estava de posse das cabeças de Lampião e Maria Bonita, que haviam sido recolhidas de Salvador (por problemas no cemitério que sofreu danos pelo inverno abundante). Como estava escrevendo um livro especifico sobre medicina e cangaço, aproveitou para examinar estas peças, que estavam bastante avariadas.
Relatando esta oportunidade que poucos tiveram, lembra nosso entrevistado de que um dos contatos mais prazerosos que teve durante estes anos foi com o médico baiano Lamartine Lima, que foi assistente do Prof. Estácio de Lima.
Prof. Lamartine relatou-lhe aspectos médico-legais das cabeças, trechos de entrevistas que colheu, como por exemplo, o soldado que matou o cangaceiro Azulão, que, após acertá-lo na coluna deixando-o tetraplégico, degolou-o vivo (vide foto no livro do Estácio), dentre muitas outras passagens curiosas.

Então apresente suas crias!
- Junto com o Dr. Antonio Amaury, “Lampião a medicina e o cangaço, aspectos médicos do cangaceirismo”. Publicamos o livro em 2005 e viemos lançá-lo no Salão do Livro do Piauí.

O livro foi feito com intenção de preencher algumas lacunas da historiografia do cangaço, como por exemplo, a questão do olho direito do Rei do Cangaço. Até então não havia estudo sobre a mais provável causa da cegueira direita de Lampião: ficava-se a especulação sobre glaucoma congênito, catarata congênita, espinho, sem que o assunto fosse submetido realmente a uma análise mais criteriosa.


Nesta ocasião também lancei o cordel “Sinhô Pereira, o Homem que Chefiou Lampião”, prefaciado por Dr. Antonio Amaury. Muito pouco se escreve sobre Sinhô Pereira, seja em prosa ou em verso.


Escrevi um capítulo no livro “Caatinga”, de Almeida Cortez e colaboradores, intitulado “Caatinga, Cangaço e o Raso da Catarina”, e recentemente colaborei com o cineasta Wolney Oliveira, com relação ao apoio histórico, no filme “Os Últimos Cangaceiros”, que aborda a vida de Moreno e Durvinha, a ser lançado brevemente.





  

Livro Preferido?
- Colocarei dois: “Assim Morreu Lampião”, do Antonio Amaury, e “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”, do Magérbio de Lucena e Hilário Lucetti. Ao terminar de ler estas duas obras, a minha sensação era de que acabara de fazer um curso, tal era quantidade de novas informações adquirida.

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro?
- "Lampião, entre a Espada e a Lei", de Sérgio Augusto de Souza Dantas. Uma biografia impecável de Lampião, inclusive com análise jurídica dos crimes.

Com quantos personagens desta história você teve contato?
- Através de Dr. Amaury, travei contato com diversos ex-cangaceiros, ex-coiteiros e seus descendentes: Vou enumerar aleatoriamente os que me venham na lembrança: Leônidas Fernandes... quase um xará... Filho de dona Delfina, a única mulher a ter sido presa por ser coiteira de Lampião, era proprietária da fazenda pedra D’água em Canindé/SE. Leônidas foi quem cuidou dos braços varados de bala do cangaceiro Novo Tempo, após o combate da Lagoa de Domingos João em 1937, e foi o pivô da morte do cangaceiro Juriti, pelo Sargento Deluz.

 
Dona Delfina

 
Leônidas
  

Através de Leônidas conheci também Zé Cícero, (cujo pai trabalhava com couro no sertão alagoano e baiano e certa vez foi ameaçado pelo Tenente Douradinho que intimou-lhe a fazer um chapéu para um de seus comandados. Ele o fez, mas o soldado não foi buscar e Zé Cícero me presenteou com o mesmo). Joãozinho de Donana ex-coiteiro de Corisco e Zé Baiano, que inclusive criou uma das filhas de Corisco e Dadá, e foi testemunha ocular do combate entre Lampião e o Tenente “Meneis” (Manoel Campos de Menezes) nas ruas de Pinhão (SE) em 1929.  


 Eu, Joãozinho de Donana, Dr. Mozart Pinho e, atrás, Dr. Benedito Denardi.

Sila de Zé Sereno, (que ainda acompanhei como médico no Hospital São Paulo, onde ela ia submeter-se a uma cirurgia). Dona Mocinha irmã de Lampião ainda viva e seu filho Expedito (que conheceu, também, pessoalmente Lampião), e me disse que ao chegar ao coito, por sinal muito próximo à rua de Pedra de Delmiro (onde estava morando com os pais), observou muito bem Lampião e me disse que o chapéu que ele estava usando não era de couro, mas sim de feltro.  


 Com dona Maria Ferreira Queiroz, a Mocinha, última irmã viva de Lampião

Moreno e Durvinha; mestre Pedro Batista, que foi o último remanescente dos batalhões patrióticos de Juazeiro (faleceu há uns dois anos em Barbalha-CE), inclusive andou com o tenente Chagas que foi levar o convite a Lampião para que este se apresentasse em Juazeiro. Esse encontro aconteceu na fazenda em São José do Belmonte/PE, divisa com o Ceará (fazenda Malhada Grande). Ele por ser um soldado raso naturalmente não sabia o teor da conversa, mas lembra de ter conhecido Manuel Pereira Lins o famoso “Né da Carnaúba”. Mestre Pedro trabalhava com manutenção de engenhos de rapadura de cana.


 Moreno

Durvinha... 
Saliente hein doutor? Nem notou quem os espreitava

O mestre Pedro
Também estive com Dulce companheira do cangaceiro Criança, em São Paulo, mas não foi uma entrevista formal... (Necessário ressaltar que ainda está ainda viva,). Por intermédio de Dr. Amaury, ainda conversei com Antonio Jacó “o Mané Veio” que matou o cangaceiro Luis Pedro entre outros, mas ele estava com a audição muito ruim, o que muito prejudicou as perguntas e respostas. Ex cangaceiro Candeeiro, ainda vivo, que reside em Buique, onde o conheci, quando eu ainda estava na faculdade em Recife, em 1996; nesta mesma ocasião conheci o ex-volante de Nazaré tenente João Gomes de Lira, na pequenina Carqueja (PE). Apertei a mão de David Gomes Jurubeba, levado por um colega de turma que era da família Pereira, mas infelizmente não pude entrevistá-lo, pois na ocasião estava doente. Durval Rodrigues Rosa, como já citei acima que conheci por volta de 1998, quando da minha primeira ida a Poço Redondo; a cangaceira Maria de Juriti eu apenas vi, pois os familiares não permitiram nossa aproximação para entrevistá-la. E saindo das hostes de Lampião conheci um descendente de um dos moradores da Fazenda Pedreira, no sertão paraibano, palco de combate de Antonio Silvino em 1901, o meu amigo Jota Nóbrega, que me relatou pormenores desse fatídico dia, que ouvira de seu avô, então adolescente naquela ocasião. Ele arrumou para transporte os soldados mortos e encontrou como despojos do combate, um punhal e uma Winchester que provavelmente pertencia aos cangaceiros de Silvino.

Qual destes foi o mais difícil?
- Não diria difícil, mas incompleto foi justamente a visita a Maria de Juriti que se resumiu em um cumprimento, de longe, pois a família era avessa ao assunto cangaço.

Pois é, não foi somente meu primo que perdeu a viagem! 
Essa mesma informação é passada por João de Sousa em sua entrevista que realizamos anteriormente. Povinho egoísta ! Brincadeiras a parte vamos pensar quantas famílias não tiveram a mesma atitude e outros ex cangaceiros foram esquecidos para sempre. Quem sabe a história precisou destes depoimentos que foram enterrados com seus antigos Vulgos. 


Com quem gostaria de ter conversado?
- Gostaria de ter conversado com Manoel Neto, com o cangaceiro Luis Pedro e com Juriti. Esses três, como personagens de proa da saga do cangaço, teriam informações muito interessantes sobre os diversos aspectos, principalmente a rotina do grupo.

Qual o contato que não foi possível e lhe deixou de certo modo frustrado?
- Antonia de Gato e Manoel Tubiba. Meu amigo, assim que eu soube que Antonia de Gato havia sido descoberta pelo João de Sousa Lima eu fiquei assanhado para conhecê-la lá na região de Paulo Afonso, mas infelizmente tive que adiar e quando pensei que poderia concretizar soube que ela já havia falecido. E o Manoel Tubiba, cangaceiro velho, que andou com Lampião nos primórdios e que estava nas barbas dos pesquisadores, sem que ninguém soubesse. É uma pena que não se tenha colhido seu depoimento, pois quando descoberto ele já havia falecido. A sua descoberta também cabe ao nosso maior caçador de cangaceiros nos dias atuais: João de Sousa Lima.

Qual é o seu capitulo preferido?
- Um episódio de acho interessante é o da morte de João de Clemente no sertão baiano, ocorrido aí no início dos anos 30, perto de Riacho Seco, imediações de Glória, por ali. Porque, neste episódio, pode-se vislumbrar, em meio à moral distorcida de Lampião, algum lampejo de “humanidade”. O Rei do Cangaço demonstrou muito remorso em ter assassinado o João de Clemente, dizendo textualmente a várias testemunhas (entre elas Dadá), que o rapaz nada tinha lhe feito e que se arrependia de tê-lo matado.


Eu visitei o local em que ele foi enterrado e tirei algumas fotos em companhia de Dr. Amaury.


Eis um resumo do episódio: Os cangaceiros entraram na fazenda do Seu Clemente justamente no momento em que o João (de Clemente) estava encourado (com os apetrechos de vaqueiro) para ir buscar o gado na malhada. E, na hora que avista a cabroeira, se assusta, monta no cavalo e sai apressadamente. Lampião à frente do grupo grita para o João parar e apear, exigindo que ele retorne. Diante da recusa o que acontece... Lampião atira de ponto e mata o jovem João. Os cabras vão se aproximando do terreiro da casa da fazenda, ao tempo que Seu Clemente, pai de João, vem saindo para acercar-se do que fora aquele disparo. Ao perceber o filho morto, seu João, desesperado, puxa o facão da cintura e parte para cima do Rei do Cangaço, e os cangaceiros (incluindo aí Ângelo Roque) apontam os fuzis para o velho, para matá-lo. Lampião imediatamente intervém: - Pára! Pára!Ninguém atira! Tira o facão do velho, que ele está no direito de pai. Ou seja: ele matou alguém nada lhe tinha feito, e poupou a vida do velho que veio para matá-lo de facão em punho. São as contradições do cangaço, na cabeça de referenciais éticos distorcidos de Lampião. O arrependimento pela morte de João de Clemente, ele confessou para vários de seus companheiros como Dadá e também Zé Sereno, dizendo que aquela foi uma morte que ele se arrependia de ter feito.

Um cangaceiro (a)?
- Luis Pedro.

Um volante?
- Manoel Neto e Arlindo Rocha.

Um coadjuvante?
- Eronides de Carvalho. Foi um grande colaborador e fez algo inusitado para a época, que muita gente desconhece. Uma vez que Lampião era dado a algumas sofisticações, na visita a fazenda Jaramataia um dos cabras estava sofrendo de dor de dente, e o Dr. Eronides, como médico, oferece uma aspirina para ele. O cabra, desconfiado, aguarda a aprovação do capitão... Que de pronto autoriza, então o cangaceiro toma o medicamento, e melhora da dor de dente. Destaco Eronides também pelas belíssimas fotos que ele que ele fez de Lampião e seu bando. Excelentes registros de Mariano, Zé Baiano, Calais, Arvoredo e outros. Este homem, que abrigou Lampião em sua fazenda e o presenteou, inclusive com perneiras do Exército. Filho de Antonio “Caixeiro” de Carvalho, grande protetor de Lampião em terras sergipanas em 1937, é nomeado Interventor de Sergipe, no Estado Novo de Vargas. A partir daí ele aparece na imprensa condenando o cangaço e os seus colaboradores, e até cobrando um fim para esse flagelo. Me lembrou muito os nossos políticos de hoje, que, mesmo flagrados na ilegalidade, na primeira oportunidade pregam a moral e os bons costumes.


Uma personagem secundária? Queria ter bom papel, mas não passou de figurante
- Durval Rosa. Durval era um rapazinho e sua importância no episódio da morte de Lampião é hipertrofiada. A sua real importância na história do cangaço deve ao fato de ter estado com Lampião naqueles dias, e ter reconhecido o mesmo após sua morte, sendo mais uma testemunha ocular em Angico, ou seja: vacina contra novas teorias mirabolantes. Acredito que naquelas horas que antecederam o combate de Angico, Pedro de Cândido tinha ido buscá-lo até por que sozinho não conseguiria guiar as três volantes envolvidas e também por que provavelmente queria ganhar tempo, até que Lampião percebesse a aproximação dos soldados, ou então que os soldados deixassem o cerco para a manhã seguinte quando – isso ele sabia muito bem - Lampião já teria deixado o Angico.

Geralmente todo pesquisador é colecionador qual é o foco de sua coleção?
- Alem de livros, punhais que consegui por doação, sendo que alguns são originais, e outros são réplicas. Um dos punhais que mais gosto é um que foi feito por Paulo Pereira, filho de José Pereira, o homem que fazia punhais para Lampião no Crato, sob encomenda de Júlio Pereira, genro do Coronel Santana. Tenho algumas peças feitas pelo cangaceiro Balão (um chapéu, bornais, alpercatas, cartucheiras para bala de revólver e fuzil), o chapéu que foi encomendado a um volante, que nunca foi usado, e um anel presente de Durvinha, que, apesar de ser posterior ao cangaço, foi um presente muito especial.


Entre as peças tem alguma relíquia? 
- Consegui, no Cariri cearense, algumas preciosidades, como uma das armas trazidas aos batalhões patrióticos e que foi presenteada por Antonio da Piçarra a um coronel da região (não revelarei o nome); e que me foi presenteada por seus descendentes. Também consegui uma arma de um dos cangaceiros de Lampião, que, após ter recebido um mosquetão em Juazeiro, para combate à Coluna Prestes, presenteou sua antiga arma para uma pessoa que residia em Barbalha, a qual seu neto me presenteou.

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário enfim sem exagero da ficção lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia, enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou?
- Como representação histórica eu cito “Corisco, o diabo loiro”. Apesar da caracterização do ator de Corisco (Maurício do Valle) não ser das melhores, mas as indumentárias e a historia como um todo ficou bem representada neste filme. Também pudera: o roteiro tinha a colaboração do Amaury e a indumentária foi toda feita por Dadá. Já como filme emblemático eu elejo “O Cangaceiro” de Lima Barreto. Eu conheci em São Paulo, em companhia do Dr. Antonio Amaury e do Wolney Oliveira, o Galileu Garcia que, além de assistente de direção do Lima Barreto, também atuou no papel de assistente do chefe da volante. Segundo Galileu nos contou este o filme rendeu proporcionalmente mais que o americano Titanic. Mas a Vera Cruz não viu a cor do dinheiro e faliu anos depois.

Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?
- Tem várias. Mas vou ficar com a estória da indumentária, que alguns autores e jornalistas escreveram no passado, afirmando que era feita para camuflar o cangaceiro na caatinga. Ora, meus amigos, o traje do cangaceiro mais parece uma fantasia de carnaval: estrelas no chapéu, lenço colorido, perfumes exagerados misturados com suor, moedas na testeira do chapéu e na bandoleira do rifle... ou seja: quando o sol batia em cima do bandido, de longe se via o brilho e o reflexo. Na minha opinião, o traje era uma maneira de o cangaceiro se impor perante seus interlocutores. Era um traje adptado ao seu meio de vida. Nada ali é superfluo, mas dizer que era pra camuflar o cangaceiro, é demais!

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”, “João Peitudo, filho de Lampião”, “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?
- Em São Paulo, também tive a oportunidade de conhecer e até conviver com o Ananias (Pretão) e o Arlindo, ambos pretensos irmãos de Maria Bonita. Visitei o Arlindo em Osasco (SP) e o Ananias na zona leste da capital. Quando digo pretensos irmãos de Maria Bonita é por que não vi o resultado do exame de DNA realizado. Na minha opinião, qualquer um deles pode, circunstancialmente, ser filho de Lampião e Maria.


Eu, apesar de não entender muito de genética, mas como profissional tenho alguns rudimentos, e conheço algumas condições que são necessárias para se obter um resultado confiável. Como já disse, não vi o resultado do que foi feito.


Quando se mexe com ciência, tenta-se mostrar onde provavelmente está a verdade. E pra isso existe um grau de certeza. Se o resultado é positivo ou negativo temos ver o grau de certeza disso, ou seja, o intervalo de confiança onde está provavelmente a verdade (é verdadeiro positivo? Falso positivo? Verdadeiro negativo? Ou falso negativo?). O que dificulta o resultado deste exame especificamente é que nós não temos descendentes de Lampião que sejam do sexo masculino, pra comparar o cromossomo Y. Não há mais irmãos homens, nem filhos homens de Lampião. Então, fica a cargo dos geneticistas fazerem com que o exame tenha um padrão seguro de certeza para se poder afiançar a verdade.


Quanto ao Ezequiel eu, particularmente, acho que ele morreu de bala, na Lagoa do Mel.

Dr. Leandro já nos responde esta pergunta em seu sublime texto “As verdades de Angico”, mas vamos carimbar a resposta novamente: Lampião morreu baleado ou envenenado?
- Lampião morreu baleado. Tiros no tórax e no baixo ventre. E, depois de caído (talvez até morto), deram-lhe um tiro na cabeça. Esta história de veneno é ficção científica.

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?
- Depois de passar uma chuva em São Paulo (nove anos e meio) e agora, como costumo dizer, “venci a lei da gravidade”, voltei pra minha terra, Teresina, no Piauí. E tenho a intenção de resgatar alguns fatos ligados ao cangaço no território piauiense. Apesar de Lampião não ter agido no Piauí, há muita coisa interessante a ser pesquisada. Um exemplo é a epopeia de Sinhô Pereira em 1919, quando ele foi rechaçado pela volante do tenente Zeca Rubens, na região de Caracol (PI). Nesta ocasião morreu o célebre cangaceiro Cacheado.


Existem relatos sobre um cangaceiro chamado Vicente Bezerra da Costa que tinha um pequeno bando e agia nos limite da Serra da Ibiapaba, hostilizando principalmente fazendeiros portugueses na época da independência do Brasil, inclusive com vários casos de sequestros e assassinatos.


Tem um episódio muito interessante que culminou com verdadeira guerra entre os coronéis Ângelo Gomes Lima o “Ângelo da Jia”, de Tacaratu (PE), famoso coiteiro de Lampião, e o Coronel Aureliano Augusto Dias, de Caracol (PI). Brigaram por conta da exploração de maniçobais no interior do Piauí. Foi guerra sangrenta com grande aporte de jagunços e cangaceiros da Bahia e Pernambuco, principalmente capitaneados pelo famoso Coronel baiano Franklin Albuquerque. Os subsídios para este futuro trabalho em parte já foram colhidos na época do lançamento de meu livro em parceria com Antonio Amaury “Lampião: A medicina e o cangaço”. Naquela ocasião nós conversamos com o Dr. William Palha Dias, neto do Coronel Aureliano. Inclusive tem um detalhe interessante: o avô dele recebeu Sinhô Pereira quando de sua passagem para Goiás em 1922. Desta visita ele nos relatou alguns pormenores, como, por exemplo, a companhia feminina do ex-chefe de Virgulino, que se chamava Alina e que rumou com ele para Goiás...


...Vamos ver o que vai dar.

*A foto de Eronides foi pescada no Blog Fontes da História de Sergipe

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Procurando livros sobre cangaço?

Pereira atualizou seu catálogo!

Lembrando que aqui são listados somente livros sobre Cangaço, se você procura por Coronelismo; Messianismo: Canudos, Caldeirão. Por Padre Cícero; Luiz Gonzaga; Secas; Revolução de 30; história do nordeste: Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte e vários nºs Revista Itaytera basta comentar solicitando uma cópia da listagem completa que lhe enviamos por email.

Atenção: Alguns destes títulos ele dispõe apenas de uma unidade, então será sempre importante confirmar estoque e alteração de preço do mesmo caso haja reposição de exemplares por mais novos ou mais velhos.


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       AUTOR                          TÍTULO                              VALOR /OBS.

  1. Abelardo F. Montenegro Fanáticos e Cangaceiros / 140,00  Regular estado
  2. Aglae Lima de Oliveira Lampião – Cangaço e Nordeste  2ª Ed. 1970 / 120,00 Bom estado
  3. Alcino Costa O Sertão de Lampião/ 40,00 Novo
  4. Anildomá Willans Lampião – Nem herói Nem Bandido / 35,00 Novo
  5. Anildomá Willans de Souza Nas Pegadas de Lampião / 30,00 Novo
  6. Antonio Amaury C. de Araújo Assim Morreu Lampião / 20,00 Novo
  7. Antonio Amaury C. de Araújo Gente de Lampião – Sila e Zé Sereno 15,00 Novo
  8. Antonio Amaury C. de Araújo Lampião e as Cabeças Cortadas / 45,00 Novo
  9. Antônio Amaury C. de Araújo Lampião – As Mulheres e o Cangaço1984 / 100,00 Bom estado
  10. Antônio Amaury C. de Araújo Lampião Segredos e Conf. do Tempo do Cangaço / 45,00 Novo
  11. Antonio Amaury C. de Araújo Gente de Lampião - Dada e Corisco Ótimo estado (40,00), Bom estado (30,00)
  12. Antonio Amaury e Carlos Elydio Lampião, Herói ou Bandido? / 22,00 Novo
  13. Antonio Barroso Pontes Cangaceirismo do Nordeste / 30,00 Regular estado
  14. Antonio Barroso Pontes Sertão Brabo / 25,00 Bom estado
  15. Antônio Vilela de Souza O Incrível Mundo do Cangaço - vol. 2. 2010 / 35,00 cada Novo
  16. Antonio Porfírio de M. Neto A História de Frei Paulo (capítulo de 13 pág. sobre Lampião e Zé Baiano no povoado Alagadiço) / 30,00 Bom estado
  17. Bezerra e Silva Lampião e Suas Façanhas / 80,00 Bom estado
  18. Billy Jaynes Chandler Lampião o Rei dos Cangaceiros / 45,00 Ótimo estado e Bom estado / 35,00
  19. Bismarck Martins de Oliveira Histórias do Cangaço - O Saque de Souza – PB 1924 / 28,00 Novo
  20. Carlos Lyra (entrevista) Nunca Matei Ninguém - Chico Jararaca / 25,00 Novo
  21. Carlos Newton Júnior O Cangaço na Poesia Brasileira / 30,00 Novo
  22. Cicinato Ferreira Neto A Misteriosa Vida de Lampião / 30,00 Novo
  23. Daniel Lins Lampião – O Homem que Amava as Mulheres / 20,00 Ótimo estado
  24. Élise Jasmin Cangaceiros 2006 / 80,00 Novo
  25. Èrico de Almeida Lampião – Sua História – Rep. Fac-similar - 1998 / 80,00 Bom estado
  26. Estácio de Lima O Mundo Estranho dos Cangaceiros / 110,00 Ed. 2006 Novo e Ed.1965
  27. F. Pereira Nóbrega(pe.Pereira) Vingança Não 40,00 Novo. Ed. 1960 / 80,00
  28. Firmino Holanda Benjamim Abrahão / 15,00 Novo (bolso)
  29. Frederico P. de Mello Estrelas de Couro. Edição de luxo - Lançamento 1,6 kg / 120,00 Novo
  30. Frederico Pernambucano de Mello Guerreiros do Sol 1ª Ed. 1985 80,00 Bom estado
  31. Geraldo Ferraz Pernambuco no Tempo do Cangaço 2 Volumes. / 120,00 Novo
  32. Gonçalo Ferreira da Silva Lampião – A Força de Um Líder. / 40,00 Novo
  33. Gregg Narber Entre a Cruz e Espada: Violência e Misticismo no Brasil Rural 206 pag. / 350,00 Bom estado
  34. Hilário Lucetti/Magérbio Lucena Lampião e o Estado Maior do Cangaço / 60,00 Novo
  35. Honório de Medeiros Massilon 40,00 Novo
  36. Iaperi Araújo No Rastro dos Cangaceiros 152 pag. 40,00 Novo
  37. Ilda Ribeiro de Souza Angicos- Eu Sobrevivi- Sila 1997 60,00 Ótimo estado
  38. Ilda Ribeiro de Souza/Israel Araujo Sila Uma Cangaceira de Lampião 40,00 Bom estado
  39. Ivan Bichara Carcará- Romance Histórico - Ataque de Sabino Gomes a Cajazeiras em 1926  276 pag. / 25,00 Bom estado
  40. João de Sousa Lima A Trajetória Guerreira de Maria Bonita / 35,00 Novo
  41. João de Sousa Lima Moreno e Durvinha / 35,00 Novo
  42. João de Sousa Lima e Juracy marques(Org.) Maria Bonita- Diferentes contextos que envolveram a vida da rainha do Cangaço 172 pag. / 32,00 Novo
  43. João Gomes de Lira Lampião, Memórias de um Soldado de Volantes - 1990 e 2006 (2 volumes) / 100,00 Bom Estado (1vol) Novo (2vol.)
  44. José Alves Sobrinho Lampião e Zé Saturnino - 16 anos de lutas / 40,00 Novo
  45. José Anderson Nascimento Cangaceiros, Coiteiros e Volantes / 25,00 Novo
  46. José Peixoto Junior Bom de Veras e Seus Irmãos (Os Marcelinos) / 30,00 Novo
  47. José Vieira Camelo Filho (ZUZA) Lampião e Sertão e Sua Gente / 35,00 Novo
  48. Leandro C. Fernandes / Antônio Amaury Lampião a Medicina do Cangaço / 35,00 Novo
  49. Leda Barreto Julião - Nordeste- Revolução / 22,00 Bom estado
  50. Leonardo Mota No Tempo de Lampião 2002 / 35,00 Novo
  51. Luis Wilson Vila bela, os Pereiras e Outras Histórias / 200,00 Capa Dura Bom Estado
  52. Luiz Bernardo Pericás Os Cangaceiros / 50,00 Novo
  53. Luiz Luna Lampião e Seus Cabras / 15,00 Estado ruim
  54. Luiz Rubens F A Bonfim Notícias Sobre a Morte de Lampião -166 pag. / 35,00 Novo
  55. Luiz Rubens F. de A. Bonfim Lampião e os governadores – volume I / 30,00 Ótimo estado
  56. Luiz W. Torres Lampião e o Cangaço / 25,00 Ótimo estado
  57. Marcos Medeiros A Caatinga Sustentou Campesino e Cangaceiro Cordel 16 pag. / 5,00 Novo
  58. Maria C. R. da Matta Machado As Táticas de Guerra dos Cangaceiros / 40,00 Bom estado
  59. Maria C. R. da Matta Machado Aspectos do Fenômeno do Cangaço no Nordeste Brasileiro 1974 / 50,00 Bom estado
  60. Maria Isaura P. de Queiroz História do Cangaço / 15,00 Bom estado
  61. Mariane L. Wieserbron Historiografia do Cangaço e o Estado Atual da Pesquisa Sobre Banditismo a Nível nacional e Internacional  Col. Mossoroense Série A - 28 pag. (Apostila) 20,00 Bom estado
  62. Marilourdes Ferraz O Canto do Acauã / 300,00 Regular Estado
  63. Mario Souto Maior Antonio Silvino – Capitão de Trabuco / 60,00 Ótimo estado
  64. Melchíades da Rocha Bandoleiros das Catingas 178 pag. / 40,00 Bom estado, envelhecido
  65. Moacir assunção Os Homens Que Mataram o Facínora / 40,00 Novo
  66. Nertan Macedo Lampião- Cap. Virgulino Ferreira – RJ 5ªed. - 1975 / 25,00 Bom estado
  67. Nertan Macedo Sinhô Pereira- O Comandante de Lampião / 50,00 Bom estado
  68. Nertan Macedo Floro Bartolomeu – O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros217 pag. / 50,00 Bom estado
  69. Oleone Coelho Fontes Lampião na Bahia / 50,00 Novo
  70. Optato Gueiros Memórias de Um Oficial Ex-comandante de Forças Volantes / 90,00 Capa dura - bom estado
  71. Raimundo Nonato Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro Romântico / 50,00 Novo 2007
  72. Ranulfo Prata Lampião / 20,00 Novo
  73. Raul Fernandes A Marcha de Lampião: Assalto a Mossoró. / 40,00 Novo
  74. Raul Fernandes Ultimato de Lampião e Resposta de R. Fernandes / 15,00 Novo
  75. Renato Phaelante Cangaço – Um Tema na Discografia da MPB 97 pag. / 40,00 Novo
  76. Rodrigues de Carvalho Serrote Preto 1961 e 1974 1ª e 2ª Ed. / 70,00 Ótimo Estado
  77. Rodrigues de Carvalho Lampião e a Sociologia do Cangaço / 80,00 Ótimo estado
  78. Rosa Bezerra A Representação Social do Cangaço / 40,00 Novo
  79. Rui Facó Cangaceiros e Fanáticos / 25,00 Bom estado
  80. Sérgio Dantas Lampião- Entre a Espada e a Lei / 55,00 Novo
  81. Sérgio Dantas Lampião e o Rio Grande do Norte / 55,00 Novo
  82. Sérgio Dantas Antônio Silvino, O Cangaceiro, o Homem, o Mito / 55,00 Novo
  83. Severino Barbosa Antonio Silvino – O Rifle de ouro / 80,00 Reg. Bom estado 100,00
  84. Vera ferreira /Antonio Amaury De Virgulino a Lampião2010 / 45,00Novo
  85. Vera Ferreira/Antonio Amaury Espinho do Quipá/ 35,00Ótimo estado
  86. Vilma Maciel Lampião- Análise de suas Características de Líder 20,00 Novo
  87. Xavier de Oliveira Beatos e Cangaceiros / 350,00 Capa Dura Bom Estado
Agora a relação de alguns títulos da “Coleção Mossoroense” Série “B” – Que são Plaquetas ou Folhetos, semelhante a uma apostila. São publicações de Palestras, Artigos, Pequenas Biografias, Crônicas, pequenos registros de Fatos históricos, entre outros. Tenho pequeno estoque desses trabalhos, pois a Coleção Mossoroense está em fase de arrumação, por mudança de Sede. Mas em breve terei estoque suficiente para atender a todos.
  1. Câmara Cascudo Jesuino Brilhante 23 pags. / 12,00 Ótimo estado.
  2. Câmara Cascudo Jararaca 20 pag. /12,00 Ótimo estado.
  3. Diógenes Magalhães O Frustrado ataque de Lampião a Mossoró 8 pag. / 6,00 Ótimo estado.
  4. Gutenberg Costa Breve Histórico do Cangaço e das Secas no RN 37 pag. / 15,00 Ótimo estado.
  5. Isaura Ester F. R Rolim Bibliografia Sobre Cangaço Cangaceirismo no Boletim Bibliográfico e na Coleção Mossoroense 10 pag. / 5,00.
  6. Jose Romero A. Cardoso Cangaço e Organização da Cultura, Caso da 1ª Biografia de Lampião 30 pag. / 10,00 Ótimo estado.
  7. José Romero A. Cardoso A Versão Oficial Sobre Lampião 12 pag. / 12,00 Ótimo estado
  8. Kécia B de Figueiredo e Terezinha H M Costa O Mito de Lampião – Visão Histórica e Literária 48 pag. 12,00  Ótimo estado.
  9. Laire Rosado  Depoimento Sobre Lampião em Mossoró 13 pag. 5,00 Ótimo estado.
  10. Oswaldo Lamartine Cangaço e Coiteiros 7 pag. / 5,00 Ótimo estado OBS. Pequeno conteúdo para título tão importante.
  11. Vingt-un Rosado Três Crônicas Sobre o Treze de Junho (1927) 11 pag. / 5,00 Bom estado.
  12.  

Crônica

Eu e Lampião 

de Rangel Alves da Costa*

Calma, não é bem o que estão pensando não.

Não vivi nos bravios tempos do autêntico cangaço sertanejo e nem de longe sou parente do Capitão. Quem dera ser, honra maior não haveria no meu ressequido e árido sangue nordestino. Quando Virgulino morreu meu pai ainda não era nem nascido. O filho de Dona Emeliana veio ao mundo dois anos depois, em 40. E dentre o ano que ele foi emboscado, em 1938, até o meu nascimento, em 1963, lá se foram vinte e cinco anos. Contudo, posso dizer que convivi e ainda convivo com Lampião.

Como já devem ter percebido, sou sertanejo de raiz e caule, broto e praga de chão, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. E foi naquelas redondezas, beirando as brenhas e se entrincheirando pelas caatingas, que o Capitão e o seu bando praticamente fixaram moradia durante os últimos anos de sua vida. Mesmo antes disso, andando pelas distâncias nordestinas, não demorava muito e o homem chegava por ali, onde mantinha vínculos de amizade muito fortes com poderosos da região.

Quando estava nos arredores do lugarejo mandava logo um coiteiro avisar ao meu avô materno Teotônio Alves China, o China, um respeitado comerciante do lugarejo, que providenciasse comida que em tal dia e tal hora ele chegaria por lá. Se não confiasse, se não fosse realmente amigo, jamais mandaria avisar ode estava e quando faria uma visita.

E Dona Marieta, coitada, minha avó, colocava as mãos na cabeça e ficava em tempo de endoidar. "Mai o que foi Marieta, só pruque o cumpade Lampião vem aqui você fica assim, e ói qui aqui ele nunca foi um estranho pra nóis não, pelo cuntraro. É nosso amigo e bom amigo. Entonce deixe de avexamento e vá arrumar os cabrito". Então minha avó respondia:  
"Mai num é isso não China, o poblema é qui o Pade Artur vai tá aqui na merma data qui o Capitão chegar. E cuma vai ser, Deus e o diabo numa casa só?".
Esse fato realmente aconteceu. Os livros relatam, mas nada se compara em ter ouvido essa passagem da boca dos meus avós. E contavam causos e causos, muitas coisas que na minha idade eu nem atinava sobre sua importância. E realmente o que não faltava era assunto sobre Lampião, pois o homem parece ter escolhido Poço Redondo como uma segunda casa sua. A primeira era a caatinga, com varanda de xiquexique e assento de mandacaru. Mas a família era grande, era muita, espalhada por todos os sertões nordestinos.

Desse misto de temor e reverência, aliado ao fato de que o homem sempre estava por ali desafiando as volantes, verdade é que mais de trinta filhos de Poço Redondo seguiram a trilha do bando de Lampião. Mocinhas muitas novinhas, ainda na adolescência, e se encantavam com os rapazes do bando e seguiam sertão adentro na vida de amor cangaceiro. Assim foi com Adília, Sila, Enedina, Rosinha e outras. Dentre os meninos de Poço Redondo estavam, por exemplo, Cajazeira, Canário, Elétrico, Mergulho, Novo Tempo e Zabelê.

Zabelê era meu tio. Quer dizer, tio de meu pai e irmão de minha avó Emeliana Marques Costa. Nascido Manoel Marques da Silva, ainda menino entrou pro bando do Capitão. Quando este morreu, junto com sua amada Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na madrugada nordestina e triste de 28 de julho de 1938, na Gruta do Angico, ali mesmo em Poço Redondo, nas beiradas do Velho Chico, o meu tio Zabelê desabou no mundo, que até hoje ninguém da família tem notícia onde foi parar. Antigamente, as irmãs – era filho único – faziam longas viagens por outros estados distantes na esperança de reencontrar o irmão, coisa que nunca foi possível. Zabelê é nome de passarinho e talvez tivesse voado.

Não cheguei a conhecer o filho Cajazeira, o Zé de Julião que morreu emboscado quando já havia deixado a vida e cangaceira e era político influente em Poço Redondo, mas conheci muito sua mãe, Sinhá Constança, numa amizade de avó e neto e cujas circunstâncias já relatei aqui numa crônica denominada "Essas coisas da vida". Só pra citar, a coisa que ela mais me pedia é que não a deixasse sem caixão quando morresse. Palavra de sertanejo como foi cumprida a promessa.

Mas não é só isso não, pois quando morava em Poço Redondo e todas as vezes que chegava por lá encontrava Lampião, Zé Rufino, cangaceiros, volantes, coiteiros e jagunços num proseado só. Dentro de casa, pelas salas e quartos. É que meu pai, Alcino Alves Costa, um dia ainda moço se interessou pela vida desse povo e nunca mais teve sossego nem deu sossego a eles, pois vive nas mesmas trilhas catingueiras recolhendo causos e estórias, depoimentos verídicos e de "vi dizer" para povoar o seu mundo de apaixonado escritor das coisas matutas e cheias de valentia e bravura.

Nesse trotar de trote já escreveu mais de seis livros sobre a saga cangaceira e o sertão. É autodidata, mas hoje é escritor de fama, requisitado por universidades, simpósios, palestrando na Academia Sergipana de Letras, no estranho mundo de Brasília e participando de muitos outros eventos. Lá em casa todo dia é um pesquisador diferente, desconhecido ou amigo, do quilate de Federico Pernambucano, Antonio Amaury, Paulo Gastão, Oleone Coelho Fontes, Antônio Kydelmir, Manoel Severo, João de Sousa Lima, Antonio Porfírio, Juarez Conrado e tantos outros.

Conheço alguns e por outros sou conhecido. Mas é assim mesmo. O que realmente importa é que sou amigo de Lampião. É como se eu tivesse seu sangue correndo pelas veias, com prazer, com um orgulho danado.


Rangel é Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
pesque lá açude do homi : www.blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Novidade em HQ

"Bando de Dois" leva velho oeste sangrento e terror ao cangaço.

da Livraria da Folha

O quadrinista Danilo Beyruth criou um universo próprio em "Bando de Dois" (Zarabatana Books, 2010). No quadrinho, uma dupla de cangaceiros, únicos sobreviventes do bando, buscam as cabeças de seus companheiros mortos.

Cheio de sangue, quadrinho de Danilo Beyruth leva terror ao cangaço brasileiro em clima de aventura "western"

Os dois protagonistas, impelidos por motivações diferentes, estão preparados para enfrentar um exército inteiro para completar a missão.

A HQ segue uma linha de velho oeste, em referência aos filmes clássicos do gênero produzidos pelo diretor italiano Sergio Leone (1929-1989), como na trilogia "Por um Punhado de Dólares", "Por Uns Dólares a Mais" e "Três Homens em Conflito".

O traço, detalhista e pessoal, lembra o trabalho de mestres dos quadrinhos mais realistas como o italiano Hugo Pratt, artista por trás do marinheiro Corto Maltese, ou o norte-americano Buscema, que desenhou o bárbaro Conan.

Sinopse

Paisagens desoladas, bandidos mal-encarados, povoados miseráveis no deserto, tesouros escondidos e trens carregados de dinamite.

Não. Não estamos falando de um filme de Sergio Leone.

"Bando de Dois", de Danilo Beyruth, leva para o cangaço o clima dos westerns italianos, resgatando a aventura nas HQs brasileiras.

Na história, dois últimos sobreviventes de um bando de vinte cangaceiros partem em busca das cabeças decepadas de seus companheiros, preparados para enfrentar um exército. Cada um com os seus motivos.


SERVIÇO
"Bando de Dois"
Autores: Danilo Beyruth
Editora: Zarabatana Books
Páginas: 96
Quanto: R$ 31 (preço especial, por tempo limitado)

Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
 
 
 
 
 
 
Pesquei na Livraria da Folha

"Caldeirão das almas"

Estórias extras 

Quem nunca sentou de noite no alpendre de um sitio lá no interior pra ouvir de um avô ou parente qualquer aquelas inesquecíveis e "traumáticas" estórias de "malassombro", lobisomem, mula-sem-cabeça, etc. Talvez não entenderá a graça do pequeno artigo. Mas só pra deixar claro: Não estamos pregando crença no sobrenatural.




No fim das palestras ocorridas no segundo dia do Cariri Cangaço 2010 me aproximei para acompanhar algumas entrevistas com o senhor Raimundo Batista de Lima, 65 anos, zelador do sitio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, zona rural de Crato-CE.


Seu Raimundo mora ali há 14 anos numa casa cedida pela prefeitura. Não é descendente de seguidores do beato Zé Lourenço. Mas tinha duas primas que eram viúvas de fanáticos. Estes morreram durante o bombardeio aéreo na Serra dos cavalos.

Fiz uma rápida pergunta ao seu Raimundo à respeito de Assombrações! Na certeza de ouvir um daqueles causos que só tem graça de noite - se é que o mundo dos mortos ainda assusta as pessoas diante do nosso atual cotidiano de violência.



E ouvi: Ele nos conta com firmeza no olhar que... nunca viu... mas que era comum em noites esporádicas ou até durante o dia ouvir gritos de dor, choro de crianças, sons de lenha sendo cortada nos fundos da sua casa. No dia seguinte ele mesmo ia checar o resultado do serviço do misterioso lenhador e... nada encontrava. As árvores estão sempre todas intactas.

Além de dois locais que ele desafia os visitantes mais afoitos: Descerem até o caldeirão à noite ou ir até um certo “Pé de juá” existente na mata próxima ao redor do caldeirão.

Ele conta que certa vez recebeu visita de uns espíritas que após ouvir o mesmo relato desejaram ir até a misteriosa ávore preferencialmente à meia noite, mas que precisariam dele como guia... o velho Raimundo... dispensou o cachê,  e justificou:
- Respeito muito os donos do lugar, eu aponto o caminho, e quem quiser que vá sozinho.
A doutrina do espiritismo Kardecista explica que: "Quando a passagem se dá de maneira violenta, com muito ódio envolvido, a pessoa desencarnada raramente se desligará do mundo material. O ódio será um elo de ligação com quem provocou mal a esse desencarnado, juntamente com sua sede de vingança e de justiça, o tornará obsessor, irá perturbar a mente e o espírito do(s) encarnado(s) que lhes causou mal. Além de que esse ódio e o ato cometido se tornará uma maldição eterna, e que ambos deverão passar por provas, por sucessivas reencarnações, até que o perdão surja". Fonte: Diário da Tereza

A maioria das centenas de vítimas foram enterradas ali mesmo, nos fundos da igreja e na mata fechada que circunda o palco de uma das maiores tragédias brasileiras.

sábado, 2 de outubro de 2010

Pra quem perdeu ou quer ver de novo!

Soares entrevistou Frederico Pernambucano de Mello 

 Parte 1



Parte 2



Parte Final




Programa de ontem, sexta-feira , 01/10/2010.

Pesquei no Canal da Editora Escrituras

Prazer em conhecer:

Lampião Aceso entrevistou o "cangaceiro carioca" durante o Cariri Cangaço 2010

2001 foi um ano importante para a rota do cangaço em Pernambuco. Uma certa propriedade localizada no povoado São Domingos, as margens do riacho São Domingos e aos pés da Serra Vermelha estava com placa de venda.

Era um sítio, mas não era um sítio qualquer era a Passagem das Pedras que um dia pertenceu à dona Jacosa a avó de Virgulino. Neste local o jovem foi criado e educado por ela.

O dono da "Passagem"

O valor imobiliário estava ao alcance de muitos conterrâneos do antigo e ilustre morador, mas o valor histórico não estava sendo considerado. Quem sabe a cancela e a memória fossem fechadas para sempre aos estudiosos e curiosos do assunto?

Carlos Eduardo Gomes pensou assim e adquiriu o lugar.
Carioca "mermo", nascido na capital fluminense onde vive há 53 anos. Chegou a cursar engenharia civil, mas não concluiu, pois nesse entremeio passou a se dedicar ao mercado financeiro trabalhando no Banco de investimentos do Brasil e no Banco Pactual durante 21 anos.
Hoje tem um escritório em sociedade com outros ex-colegas e presta consultoria financeira. Passou dias inesquecíveis da sua infância em Vassouras, interior do Rio, onde aprendeu a admirar e respeitar a vida no campo. Foi esta vivência que lhe despertou um desejo de desbravar outros interiores. E no nordeste a grande saga flecha o coração do cangaceiro carioca.
Cangaceiro ele já é, mas acredita que em vidas passadas também tenha sido um vaqueiro, tropeiro, um simples matuto, quem sabe pernambucano, talvez paraibano?... enfim, como diria o sábio Jessier Quirino...  


... A paz e o sossego no esboço de Carlos Eduardo é *“cagado e cuspido paisagem de interior”.

Carlos, depois deste resumo sobre sua louvável empreitada gostaríamos agora de saber como se deu sua entrada no cangaço e posteriormente mais detalhes sobre a compra da Passagem das Pedras.
- O começo de tudo foi a vontade e a curiosidade de conhecer o interior do Brasil, especificamente o Sertão nordestino. Evidentemente menos frequentado e prestigiado pelos turistas do sul e do sudeste. Sabemos que a prioridade da maioria e desfrutar das belezas do litoral. Em 1999 surge esta oportunidade. Eu deixei o trabalho no banco onde não sobrava tempo, tomei a decisão e achei que era hora de realizar esta viagem que eu planejava desde a década de 70. Iniciei em Pirapora-MG tentando margear o Rio São Francisco, que a propósito naquela época já não tinha mais navegação regular até Petrolina como antigamente. O assoreamento feroz já matou vários trechos do velho Chico. 

 Pau-de-arara sim sinhô

Realizei esta aventura solitária, de carro, tentando me aproximar o possível das margens do rio e curtir bastante. 

Dias depois deste rally eu assisti ao filme “Corisco e Dadá”, o mesmo estava em cartaz, e ai surge um interesse especial, pois uma parte daquela história se passa exatamente por alguns dos lugares que eu havia percorrido. 

Então procurei livros. E meu primeiro achado foi “Lampião, Rei dos cangaceiros” do Billy Jaynes Chandler, um livro essencial. Ah! E aproveito o ensejo para responder uma pergunta que você vem fazendo aos colegas: aconselho que este título seja adquirido para quem está iniciando no assunto, pois alem de ser bem escrito segue uma sequencia cronológica bem didática que favorece a compreensão.

O assunto definitivamente me conquistou busquei outros títulos e referencias indicadas por Chandler na bibliografia consultada do final de sua obra e adquiri várias destas. Chamou minha atenção as condições de marcha que os cangaceiros enfrentavam, o ambiente hostil, a carga excessiva segundo os manuais militares. Verdadeiros titãs.

Transformei-me num “caçador de livros de cangaço” virou meu hobby, busquei me aprofundar nesta história que é um misto de aventura, violência e até romantismo. Tem também o detalhe marcante da estética, da beleza plástica com suas paisagens e cores. E a partir daí me revelando um curioso apaixonado pelo tema conheci outras pessoas, fiz boas amizades.

Hoje eu continuo fugindo um pouco do meu cotidiano no Rio de Janeiro, basicamente do mundo financeiro em que trabalho e assim procuro participar de diversos encontros para a promoção e debate da temática. Reencontro velhos amigos e faço uma higiene mental.

A compra da Passagem das Pedras se dá em uma das tantas ocasiões de viagens ao nordeste. No afã de conhecer os cenários da saga de Virgulino e demais acontecimentos relativos ao cangaço. 

 Pernambuco? Sergipe? Paraiba ? Não senhores!
Carlos encontrou uma exposição fotográfica sobre cangaço
quando passeava por Montpellier na França em 2006.

 Cartaz do aludido evento enviado ao amigo Ângelo Osmiro.

No ano de 2000 em visita a Serra Talhada, na intenção de conhecer o berço do cangaceiro mais famoso, entrei em contato com Anildomá Willans, criador da Fundação Cultural Cabras de Lampião e há muito tempo um apaixonado pela história de Virgulino F. da Silva. 

 Quando Anildomá recebeu aquele turista talvez não imaginou que o cabra seria a solução para a sobrevivência da Passagem. 

Conhecendo o trabalho entusiasmado desse pernambucano, acabei convencido por ele a pensar seriamente em participar como investidor no seu projeto cultural. Diante da oferta de venda do Sítio Passagem das Pedras, ciente de que um novo proprietário poderia impedir o uso daquele lugar pela Fundação, acabei convicto de que aquela seria minha contribuição para manter viva a história e participar do trabalho louvável de Anildomá e seu grupo.

Avaliei que seria um investimento razoável. O Anildomá se encarregou de influenciar esse “ato de loucura” e acabei comprando a propriedade.

Eu, cidadão carioca, de repente faço um investimento no Sertão pernambucano...  

Reprodução da casa de Dona Jacosa. Avó de Virgulino

Já que não era precisamente um agronegócio não faria sentido pra muita gente.
- O que eu enxergava alem da preservação da memória do lugar era a maneira de contribuir com o trabalho do pessoal dos Cabras de Lampião que admiro muito.
Enfim do ponto de vista econômico eu notei que tinha pouco a perder, não havia motivo para não fazer.

Essa propriedade estava disputada? Houve alguma dificuldade, resistência de herdeiros, ou alguma repentina supervalorização?
- Dificuldade alguma. Não havia outros interessados a ponto de medir forças, o preço foi ajustado de maneira muito amigável, aliás, preço de mercado. Satisfação para ambas as partes. Hoje fico feliz ao constatar que desde 2002 - quando estruturamos o lugar – que inúmeros eventos são promovidos além do fluxo de visitantes anuais que aumenta gradativamente. Ainda esperamos apoio de outras pessoas e entidades para que se ampliem os atrativos da Passagem das Pedras.
  
 Negócio Fechado: Anildomá, Sra. Maria José (antiga proprietária) e o feliz comprador. 


E a reconstrução da casa de dona Jacosa que foi o principal foco da mídia na época foi um investimento seu ou já se aplicaram recursos da Fundação?
- O local não oferecia condições mínimas para receber os visitantes. Nossa primeira iniciativa foi perfurar um poço artesiano para abastecimento de água potável que é inclusive consumida pelos funcionários da fazenda e dos visitantes. Construímos também banheiro. Mas a réplica (eu prefiro chamar de representação) da casa de dona Jacosa ficou a cargo da Fundação.


Com que frequência Carlos vai até seu rancho histórico?
- No inicio, precisamente nos três ou quatro primeiros anos eu ia à Serra Talhada duas a três vezes por ano. Não é um deslocamento muito fácil. Até Recife o percurso é aéreo, mas da capital até lá são 450 km de automóvel, temos aí 900 km, percebam o quanto é desgastante. Apesar de inúmeros compromissos no Rio com trabalho e família a frequencia era aceitável... diria melhor “suportável”. Mas justamente no tocante a família os últimos cinco anos só me permitiram visitas esporádicas com intervalos de até dois anos.

Qual o livro preferido de Carlos Eduardo?
- Como já relatei O livro de Chandler que me introduz nesta saudável confraria. Mas o trabalho que considero a de maior importância na literatura é sem dúvida Guerreiros do Sol do Frederico Pernambucano.

Qual o capitulo?
- A polêmica morte de Lampião em 1938. Polêmica porque me diverte: Chego a comparar com a convocação da seleção brasileira... Ninguém está satisfeito, não se chega a uma conclusão. Tem sempre uma tese tentando explicar o porquê daquele acontecido. Por que Lampião estava distraído? Houve ou não envenenamento? Olha, eu tenho convicção que se tivéssemos a presença de uma câmera registrando toda a cena, ainda não seria suficiente para evitar estas opiniões contraditórias. Pensando bem se acabar... perde a graça.

É verdade compadre! O gás do Lampião é a polemização sobre seu fim e dos meios também.

Qual é o cangaceiro preferido do Carlos?
- Luis Pedro. Não sei se é fato aquela situação em que ele cumpre a promessa feita diante do cadáver de Antonio Ferreira (irmão do chefe supremo). Ele jura que no dia em que Lampião morresse ele também morreria em sinal de devoção ao rei. Um grande ato de solidariedade independente de ter sido promessa, mas isso só engrandece minha simpatia por este cabra.

 Nota: Luis Pedro foi o cangaceiro que mais tempo durou ao lado do seu capitão. Permaneceu de 1924 até o fim em Angico.

 O fiel Luis Pedro.



Um volante?

- Manoel Neto. Pela determinação, obstinação em que ele perseguiu Lampião, independente de recompensa que ele receberia por dar fim aos cangaceiros o que movia os “nazarenos” seria o prazer de ter em mãos o seu maior inimigo. Esse troféu já os bastava.

Um coadjuvante?
- O Antonio Caixeiro e seu filho Eronides de Carvalho. Que apesar da posição social um de grande pecuarista e coronel e o outro influente político do estado de Sergipe... (Mais tarde vem a ser o interventor)... Nunca tomaram precauções necessárias para esconder a condição de coiteiros oficiais dos cangaceiros neste estado!

Personagem secundária?
- Muito se discute sobre esta pessoa e sua versão. Então elejo para o posto aquela que tentou “enfeitar o pavão” para poder ter grande papel no ato final. Esta foi a Sila. Leiam a tirem suas conclusões. Os horários não coincidem aquela estória de ver lanternas e confundir com vaga-lumes é no mínimo absurda!

Parece que temos uma resposta para nossa próxima pergunta: Então esta seria a pérola mais absurda que leu acerca do cangaço?
- Não. Recentemente me assusta a informação sobre descoberta do petróleo por Lampião, citado no livro do Antonio Vilela. Ele precisa explicar melhor essa história. A informação que tenho é que a primeira descoberta de petróleo no Brasil deu-se no ano de 1939, na Bahia. Soube disso ao ler a biografia de Guilherme Guinle

Polêmicas recentes?
- Nenhuma destas e aceitável. Acho que o grande mistério de Angico é a distração fatal de Lampião. O que teria levado "O Rei" à ficar tão desprevenido? À ponto de se deixar cercar? Puxa, depois de inúmeras e mirabolantes escapadas. E aquela intuição sobrenatural? Que tal questionarmos sobre outra grande conspiração de Angico?

E qual seria?
- A tal possibilidade de um espião duplo, a serviço do bem e do mal! Não fica claro a real participação do Pedro de Cândido, isso sim rende um debate eterno e justificável.

Baleado ou envenenado!
- Baleado. Veneno não faz sentido algum!

Gostaria de aproveitar esse espaço aqui no blog Lampião Aceso para dar parabéns a todos que pesquisam, escrevem, divulgam e fazem parte desta comunidade de amantes das histórias de cangaceiros, que investem seus recursos, tempo e trabalho para recuperar pequenos fragmentos dos fatos ocorridos. Convivemos com pesquisadores que estão nessa trilha a décadas com o mesmo entusiasmo e dedicação. Felizmente hoje temos a Internet seus sites, blogs, que fazem as informações convergirem e facilitam o debate e a propagação das ideias. Quero registrar minha admiração pelo trabalho de todos. 
  
 O entrevistado, a testemunha e o perguntador. 


*Corruptela do termo “Em carrara esculpido”
*Fotos 1 e 2 Manoel Severo