sexta-feira, 10 de maio de 2019

Estácio de Lima

O acadêmico e o Mundo Estranho dos cangaceiros

Por Lamartine Lima*

No ano do centenário do falecimento de Nina Rodrigues, foi publicado, na “Coleção Ponte da Memória”, através da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, um importante livro, o derradeiro escolhido para re-ediçâo pelo falecido membro da Academia de Letras da Bahia, Guido Guerra. Foi escrito por um outro acadêmico, também falecido, que merece ter revistos seus traços bio-bibliográficos.




O autor, Estácio Luiz Valente de Lima, nasceu na cidade de Alagoas, depois denominada de Marechal Deodoro, antiga capital do estado de Alagoas, no dia 11 de junho de 1897, filho do desembargador Luiz Monteiro de Amorim Lima e de D. Francisca de Jesus Valente de Lima, caçula de 14 irmãos, compondo uma daquelas famílias numerosas nordestinas do passado, que deram grandes médicos, advogados, engenheiros, militares, sacerdotes e religiosos ao Brasil.

Fez o curso primário na sua cidade natal e o secundário em Maceió e Recife, para onde se transferira seu pai, quando a família foi residir no arrabalde da Várzea, onde, atualmente, localiza-se a Universidade Federal de Pernambuco. Rapazinho ainda, prestou concurso, alcançou o primeiro lugar e foi nomeado telegrafista dos Correios e Telégrafos. Nessa condição, no ano de 1916, despediu-se dos pais, irmãos e amigos, embarcou num paquete, veio para Salvador trabalhar naquela repartição pública, prestar concurso vestibular, em que tirou o primeiro lugar, e fazer o curso da famosa e primaz Faculdade de Medicina da Bahia.

Na capital baiana, morando na república estudantil “Não Posso Comer Sem Molho”, na Rua da Lama, bairro da Barroquinha, fez a boêmia da estudantada de seu tempo, todavia destacou-se como dedicado às ciências e também às letras, ficou conhecido como ótimo orador.




Assim, apreciado pelos seus mestres da Faculdade, recebeu convite para tornar-se acadêmico-interno do Serviço de Clínica Médica de Augusto do Couto Maia, no antigo Hospital de Isolamento de Monte Serrate, atual Hospital Couto Maia, na Península de Itapagipe, em Salvador, onde passou a desempenhar suas funções com grande proficiência, inclusive acompanhando as autópsias ali realizadas no Serviço de Patologia. No final do curso, foi eleito pelos colegas como orador da turma dos doutorandos, para a cerimônia em que solenemente colariam grau no ano de 1921.

Quis o Destino que o seu pai falecesse às vésperas da formatura, ele declinasse da honra de orador para outro colega, recebesse sem solenidade o diploma de médico, e colocasse no dedo o anel da eterna lembrança do genitor. Logo decidiu completar a formação profissional na Europa e, com esforço econômico, viajou para a Alemanha, onde fez estágio em Berlim, no Urbankrankenhauss, em que frequentou as clínicas médicas do cardiologista Max Koch, e do nefrologista Fritz Munck.

Estava na capital alemã, quando recebeu carta de Couto Maia, avisando-o do falecimento, no ano de 1923, de Oscar Freire de Carvalho, o segundo aluno preferido (o primeiro discípulo fora Júlio Afrânio Peixoto, nessa época catedrático no Rio de Janeiro) e sucessor, na cadeira de Medicina Legal da Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, de Raymundo Nina Rodrigues, o Mestre da Escola da Bahia, que, no ano de 1906, falecera em Paris, França.

Oscar Freire, além de ter sido, também, fundador do Instituto “Nina Rodrigues”, sede do Serviço Médico-Legal do Estado, em Salvador, criara a especialidade na Faculdade de Medicina de São Paulo, e ali construíra o instituto que hoje tem o seu próprio nome. Imediatamente, Estácio de Lima voltou-se com afinco para o estudo da Medicina Forense com os sucessores de Casper, na capital alemã, com Leclerc em Estrasburgo, na Alsácia-Lorena, e com Balthazard, na capital francesa. Regressou ao Brasil, no ano de 1925, com o objetivo de fazer o concurso para a celebrizada cátedra que pertencera a Nina e a Oscar, onde teve como competidor o primeiro aluno deste último, Armando de Campos Pereira, importante jornalista, dirigente de “A Tarde”, o maior periódico da capital baiana.

Foi um muito disputado certame, em 1926, no qual Estácio apresentou tese sobre assunto então absolutamente novo – Indagação da Ascendência –, escreveu dissertação acerca do ponto sorteado – Responsabilidade Civil – e teve de dar demonstrações de grande domínio das matérias envolvidas nas questões teóricas e práticas científicas de laboratório e sala de necropsia, além de superar enormes obstáculos políticos, vindo a vencer galhardamente.

Por sua vez, Armando de Campos deixou Salvador e foi tornar-se legista de nomeada no Rio de Janeiro. Assumida a cadeira, o Professor Estácio de Lima tornou-se, ipso-facto, diretor do Instituto “Nina Rodrigues”, e resolveu retomar os trabalhos do Mestre Nina, na Antropologia Forense, e do Mestre Oscar, na Perícia Judiciária, procedidos paralelamente ao ensino, e, para tanto, contou com a assistência do seu conterrâneo recém-formado Arthur Ramos de Araújo Pereira – depois o extraordinário docente de Psiquiatria Social no Rio de Janeiro e revisor da obra do Mestre da Escola da Bahia –, mais Álvaro Dória, Egas Moniz Barreto de Aragão Júnior e outros profissionais escolhidos.

Assim, quando, em 1929, o capitão de cangaço pernambucano Lampeão (que muitos grafam hodiernamente Lampião) e seu grupo de cangaceiros, perseguidos desde Pernambuco, atravessaram o rio São Francisco, para a Bahia, alcançaram o Raso da Catarina, e aquele chefe procurou aumentar o seu bando com sertanejos recrutados nos municípios do interior baiano e sergipano, surgiu ocasião do Professor Estácio estudar os criminosos do banditismo rural. Sabedor de que existiam coiteiros poderosos para os cangaceiros, ele fez contatos com importantes fazendeiros daquela região porém não logrou obter entrevista com Lampeão e seu bando.

No ano de 1932, todavia, Mestre Estácio foi chamado a examinar, com seu assistente Arthur Ramos, dois jovens criminosos que haviam sido capturados no interior do Estado. Eram os cangaceiros Volta Seca – apontado como tendo sido, em 1929, o sangrador, a punhal, dos soldados da Polícia Militar, baleados por Lampeão e Corisco, no destacamento de Queimadas, – e Passarinho, noviço do bando. Seus exames clínico-psiquiátricos e antropológicos, em que suas histórias foram bem ouvidas, encetaram as anotações e registros médico-legais, inclusive fotográficos, que fundamentaram as primeiras observações científicas diretas sobre os bandidos do sertão brasileiro.


Dr. Athur Ramos


Seguiu-se que, em 1936, foram entregues, ao Instituto “Nina Rodrigues”, as primeiras peças de decapitação de cangaceiros, as cabeças de Azulão, Maria do Carmo (Maria de Azulão), Zabelê e Canjica, degoladas por uma Força Policial Volante baiana, comandada pelo civil contratado Eleutério, conhecido como Cravo Roxo, de Campo Formoso, que os pegou de emboscada numa fazenda em Baixa Verde, também no interior da Bahia. Tais segmentos cefálicos foram examinados e mumificados por Estácio de Lima. Trinta e dois anos depois, em 1968, elas foram inumadas, em nichos vedados, dentro de uma reentrância entre carneiras do velho Cemitério da Quinta dos Lázaros, por ordem do governador do Estado da Bahia. Em 2003, exumei-as, fotografei-as e fiz a respectiva ata, a pedido da administração daquela necrópole, onde elas estão postas em ossuário.




No ano de 1938, o Professor Estácio, mandou buscar em Maceió, onde estavam com o Professor José Lages Filho, no instituto que hoje tem o nome de “Estácio de Lima”, e recebeu no “Nina”, as cabeças de Lampeão e sua mulher, a cangaceira baiana Maria Bonita, mortos e decapitados, com mais nove bandidos, na Grota de Angicos, próxima do rio São Francisco, no município de Poço Redondo, estado de Sergipe, pela tropa do Tenente João Bezerra, da Polícia Militar de Alagoas. As duas peças foram minuciosamente estudadas por ele, que nelas não encontrou os famosos estigmas anatômicos apontados por Césare Lombroso.

Depois de modeladas suas máscaras mortuárias, foram mumificadas, pelos cuidados de um de seus assistentes, o suíço-baiano Dr. Charles René Pittex. Trinta anos depois, em 1968, foram também inumadas, juntamente com aquelas anteriormente referidas, no Cemitério das Quintas, por ordem do Governo do Estado.

Em 2001, exumei-as, a pedido da família do casal de cangaceiros, a filha, Expedita, e as netas, Vera e Gleuce, estas quem presenciaram todo o procedimento, de que fiz a ata, documentaram tudo com fotografias e filmagem, e conduziram as duas cabeças para sepultamento no túmulo dos parentes, em Aracaju, Sergipe. Ainda, no ano de 1941, o Professor mandou desenterrar, em Miguel Calmon, e trazer para o “Nina”, a cabeça e o braço direito fraturado por bala, do cangaceiro Corisco, que fora abatido quando fugia, com a esposa cangaceira Dadá; depois de pernoitarem em uma casa de farinha da Fazenda Juá, na Malhada da Areia, no local Barro Alto, vizinho do lugar Ventura, fronteira do município de Miguel Calmon, nos contrafortes da Chapada Diamantina, foram surpreendidos, de manhã, pela tropa do Tenente José Rufino, da Polícia Militar do Estado da Bahia.




As peças estavam saponificadas; mesmo assim, foram analisadas por Estácio de Lima e conservadas por Charles Pittex. Trinta e sete anos depois, as peças foram inumadas, igualmente às dos outros bandidos, por ordem governamental.

A cangaceira Dadá, viúva de Corisco, fora ferida na perna esquerda, amputada, na sede daquele município, e re-operada do coto, no Hospital Santa Isabel, da Santa Casa da Misericórdia da Bahia, pelo cirurgião Aristides Novis Filho. Estava “sub judice” quando foi apresentada ao Professor Estácio, já presidente do Conselho Penitenciário do Estado, que a entrevistou, tornou-se amigo e, mais tarde, muito ajudou na formação e no encaminhamento prático das filhas e netos daquela senhora. Em 1977, a bordadeira Dadá, no segundo casamento, fez exumar e dar sepultura em túmulo condigno, àqueles restos mortais do seu primeiro marido, o cangaceiro Corisco, perto da capela do Cemitério das Quintas. Finalmente, em 1943, os últimos bandidos de Lampeão, os cangaceiros Labareda, Saracura, Deus-te-Guie, Candeeiro e Balão, através de acordo procedido por um fazendeiro de quem eram amigos, renderam-se ao juiz de Direito de Jeremoabo, Antonio de Oliveira Brito, foram presos, submetidos a júri, sentenciados, apenados e transferidos para a capital baiana, onde cumpriram alguns anos de prisão na antiga Penitenciária do Engenho da Conceição.

Do total de oito componentes do bando de Lampeão, aprisionados e processados pela Justiça na Bahia, sete deles foram condenados. Na qualidade de catedrático de Medicina Legal, Estácio de Lima os entrevistou, examinou-os, analisou individualmente suas personalidades, o comportamento carcerário de cada um deles, observados durante longo período, finalmente exarou seu Parecer.

Considerou os cangaceiros como homens imersos nas circunstâncias de seu áspero ambiente sertanejo; sujeitos aos costumes de reviçamento medieval em uma sociedade interiorana camponesa quase esquecida pelas autoridades constituídas regularmente nas cidades; diferentes daqueles que ali não se tornaram criminosos, talvez porque estes não sofreram ofensas maiores; os cabras da peste, umas vezes na situação de vitimados pela injustiça manipulada pelos coronéis, outras tantas pela truculência da polícia a serviço dos proprietários rurais, mais outras, deserdados da honra pessoal ou da terra de sua sobrevivência, pela indignação foram empurrados para o crime, na condição de rebeldes que pegaram em armas e viveram ou morreram como bandoleiros rurais.

No mesmo passo, reativos, a forte excitação endócrina, proporcionando o seu vigor pessoal, impelia à liberdade de ação e capacidade de imposição da vontade pelas armas, que os levou, em seguida, a fazerem daquilo rendosa profissão, na qual se tornaram conhecidos e seria quase impossível deixá-la. Seu julgamento popular ouvia-se pela boca dos simples cantadores de feira, nas comunidades pobres do sertão, do agreste ou da mata, recitando cordéis sobre suas façanhas e recebendo animados aplausos dos matutos humildes, que viam naqueles guerrilheiros os seus iguais heroificados. E os moços caipiras mergulhados naquela atmosfera, gênese de mais cangaceiros. Não negou, todavia, o Professor Estácio, a possibilidade de algum criminoso não ter maior razão para ser bandido, que um convite de um chefe de cangaço, e usar um falacioso escudo ético.


 Ele ponderou que, fora daquelas circunstâncias, aqueles homens seriam, como mais tarde demonstrariam ser, capazes de plena recuperação social, tornando-se cidadãos úteis. Logo conduziu a revisão de seus autos processuais no Conselho Penitenciário, arrazoou com seus fortes argumentos ao presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra, que lhes indultou as penas. Estácio conseguiu-lhes emprego digno, eles formaram família e criaram os filhos corretamente, como pessoas prestantes, nos padrões comuns da sociedade citadina.

Pelo resto de suas vidas, nunca mais delinquíram. Como também aconteceu com os cangaceiros Zé Sereno, Cila e Criança, que Estácio de Lima conheceria, bem mais tarde, em São Paulo, os quais, depois da morte dos principais chefes, conseguiram fugir para o Sul do País, onde começaram nova vida de trabalho e tiveram prescritos os prazos para serem levados à barra dos tribunais. Senhor das mais exatas informações e registros dessas fontes primárias, originais, o Professor Estácio de Lima, que, além de cientista e presidente da Academia de Medicina, também era literato e presidente da Academia de Letras, ambas da Bahia, sentiu a necessidade de escrever um livro sobre aquele mundo estranho dos cangaceiros. E assim o intitulou.

Elegeu os mais velhos daqueles bandoleiros – Labareda e Saracura – como regentes da orquestração dos outros antigos companheiros de lutas, para reviver na memória, para a qual não faltaram as relembranças de Dadá, aquele tão esquisito pequeno universo do cangaço.


 Benício Saracura


 Ângelo Roque, "Labarêda"

Determinou que um funcionário de sua cátedra na Universidade Federal da Bahia, acadêmico-monitor Rogério Henrique de Medeiros Pacheco, seu conterrâneo alagoano e estudante de Medicina, acompanhasse Labareda pelas históricas veredas do sertão baiano, anotasse e fotografasse os lugares e pessoas remanescentes dos tempos dos reencontros entre volantes e cangaceiros, e trouxesse o relatório de como estava aquele torrão depois de três décadas de exterminado o cangaço. Foi em busca de antigos comandantes de Forças Policiais Volantes, como os coronéis João Bezerra e José Rufino, famosos perseguidores de bandidos e matadores de cangaceiros, entrevistou-os, procurou velhos componentes das tropas, inclusive rastejadores, e colocou-os ao lado dos antigos cangaceiros para recontarem as suas versões de perseguições, fugas e combates.

Tendo ao seu lado a conterrânea e assistente, quem o sucederia em todas as cadeiras que ensinou, Professora Maria Theresa de Medeiros Pacheco, a qual conheceu tão bem os velhos cangaceiros, ele estudou as anotações, registros de entrevistas e fotografias.

Em seu estilo suave de amante das belas letras, entrecortado de frases pronunciadas pelos sertanejos rudes, Estácio de Lima construiu seu livro singular, preciosíssimo, O Mundo Estranho dos Cangaceiros, que foi lançado, em primeira edição, no ano de 1965, na Livraria Civilização Brasileira, pela Editora Itapoan, através do proprietário das duas, o falecido livreiro Demeval Chaves.

Para citar apenas uma cena marcante, aquela em que é descrita a eutanásia do cabra Sabino – dos mais valentes e cruéis homens do cangaço – quando, malferido em combate, e para não dar oportunidade à polícia que tanto o queria sangrar, tira o lenço vermelho do pescoço e o coloca sobre o rosto, enquanto roga ao seu compadre, o cabra Mergulhão, que lhe dê um tiro de parabélum no crânio.

Essa obra veio juntar-se a outras que escreveu desde a sua tese inicial, Introdução ao Estudo da Agonia, passando pelas acima citadas duas monografias para a cátedra, mais o trabalho pioneiro no País sobre A Inversão Sexual Feminina, os avançados Ensaios de Sexologia, a original pesquisa sobre O Infanticídio e o Estado Puerperal, o especialista demonstrado mais uma vez em Perícias e Pareceres, o ficcionista revelado em A Aeromoça e Outras Novelas Regionais, o etnólogo mostrado no O Mundo Místico dos Negros, livros editados, além de três centenas de ensaios, artigos e crônicas brilhantes e inspiradas poesias publicados em coletâneas, revistas e jornais. Lamentavelmente, faltou a reunião de seus discursos admiráveis, pronunciados de improviso, os quais não anotava, restando alguns gravados, nem sempre em condições perfeitas.

Recebeu Estácio de Lima a láurea de Professor Emérito, depois de haver sido, ainda, catedrático da Faculdade de Odontologia e da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, e titular da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Salvador, e mais, fundador da cadeira e primeiro titular de Medicina Legal na Escola “Bahiana” de Medicina e Saúde Pública e na Academia de Polícia Militar do Estado da Bahia. Presidiu inúmeras bancas de concurso para titulares da especialidade, participou de congressos nacionais e internacionais de Medicina Legal, viajou pela América do Sul, voltou outras vezes à Europa, e, em duas oportunidades, demorou pesquisando na África Ocidental.

Como desejou, prosseguiu nos trabalhos de Nina Rodrigues, Mestre da Escola da Bahia, anotou, na qualidade de Ogâ do Terreiro do Gantois, as observações sobre a religião dos orixás, relacionadas com as práticas médicas; registrou as reações dos homens do povo, alcoolizados ou drogados pela maconha; documentou as entrevistas com homossexuais, masculinos e femininos; analisou os criminosos, particularmente os homicidas; estudou os costumes dos africanos no Continente Negro e na Bahia; criou uma coleção de objetos, que deu origem ao Museu Antropológico e Etnográfico “Estácio de Lima”; e, principalmente, ensinou através da teoria e da prática pericial, no exercício da função de grande educador, premiado pela Academia Nacional de Medicina.

Em reconhecimento, a Cidade do Salvador e o Estado da Bahia oficializaram sua cidadania, que já obtivera no dia-a-dia de serviços prestados aos concidadãos de sua comunidade.

O Professor Estácio de Lima, alagoano, baiano e soteropolitano, um homem admirável, faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de maio de 1984, em Salvador, recebeu homenagens oficiais dos governos estadual e municipal, das universidades, academias e demais instituições a que pertenceu, e particularmente de seus antigos alunos, na Faculdade de Medicina da Bahia, em cujo Salão Nobre o féretro foi velado, sob a Guarda de Honra dos Cadetes da Polícia Militar. Depois de ato religioso celebrado pelo seu conterrâneo alagoano, confrade da Academia de Letras da Bahia e Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil, D. Avelar Brandão Vilela, foi conduzido, sobre a elevação da escada de um carro de bombeiros, acompanhado por seus amigos, para receber sepultamento no Cemitério do Campo Santo.


A republicação de seu mais famoso livro, no ano de 2007, é, sem dúvida, a melhor homenagem que se poderia prestar, pela passagem do 110º ano de seu nascimento.

* Lamartine de Andrade Lima é médico e ensaísta, presidente da Academia de Letras e Artes do Salvador e presidente emérito do Instituto Bahiano de História da Medicina.

Pescado em Blog do Facó

Adendo Lampião Aceso: 



Na imagem acima o recipiente sepulcral de Estácio Luiz Valente de Lima, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Cortesia do pesquisador Rubens Antonio, Blog O cangaço na Bahia

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