domingo, 4 de dezembro de 2011

Afinal: Lampião tinha um sósia perfeito?

“Um debate sobre Antropometria, à sombra dos Buritis”
 Por: Sérgio Dantas*

A História tem seus caprichos. Como se trata de um ramo no compartimento das ‘Ciências Humanas’, não se pode querer dela a precisão de um cálculo matemático. Em História, pode-se nunca atingir a verdade desejada em torno de um evento, mas, tão somente, a verossimilhança dos fatos vários que o geraram. Por tal, a presença de um mínimo de metodologia é necessária para narrar os fatos humanos da forma mais próxima ao real. Este seria o objetivo principal a perseguir.

No caso da reconstituição dos episódios ligados ao cangaço, claro, aplicam-se as mesmas regras utilizadas em História, já que aquele é um compartimento desta.
Mas, voltando aos caprichos desta Ciência, vamos recuar um pouco no tempo. Na manha de 28 de julho de 1938, quando as cabeças de Lampião, ‘Maria Bonita’ e mais nove cangaceiros chegaram a Piranhas, em Alagoas, foi um alvoroço. Após esteticamente arrumadas na escadaria da Prefeitura daquela cidade, e expostas à curiosidade pública, todos queriam ver de perto aqueles estranhos ‘troféus’ – principalmente, a cabeça de Lampião. O homem que parecia invencível, que possuía – na crença e no imaginário popular – o ‘corpo fechado’ para balas, que tinha poderes divinatórios e que reinava absoluto no sertão havia quase vinte anos, teve decepada a sua cabeça. Era difícil acreditar que tal um dia acontecesse.

Assim, naquela manhã de julho, os incrédulos – e não eram poucos – tiveram a oportunidade de ver perto a cabeça do cangaceiro famoso. Alguns até foram mais ousados, e levantaram a pálpebra do olho direito daquele resto humano, para constatar a existência do leucoma, a ‘pinta branca do olho’, que era um dos sinais marcantes do rei-do-cangaço: -“a prova está aí!” – muitos teriam dito.

A maioria reconheceu, naquele momento, a cabeça de Lampião. Houve, claro, um ou outro recalcitrante.

Afinal, discordar é próprio da natureza humana. Assim foi na cidade de Piranhas, na atual Delmiro Gouveia, em Santana do Ipanema, e em todos os outros lugares por onde passou a procissão macabra.
Naquele dia, porém, ninguém teve acesso a película cinematográfica feita pelo sírio-libanês Jamil Ibrahim Botto (o Benjamim Abraão). Ninguém, pois, pode fazer uma comparação direta entre alguns ‘takes’ do filme feito em 1936, com a cabeça que ali estava à mostra. A película, de efeito, havia sido confiscada pela polícia política de Getúlio Vargas e não fora divulgada como pretendia o aventureiro.

Todavia, décadas mais tarde, quando da edição do Cariri Cangaço 2011, eis que são apresentados novos fragmentos inéditos – e devidamente restaurados - da importante película histórica. Em certo momento, pois, vemos Lampião se dirigir contra a lente da câmera e, lentamente, tirar o seu chapéu de couro. Ali, naquele instante, tem-se uma visão plena do rosto do cangaceiro em 1936. Eis o fotograma:

Este quadro, em particular, nos chama a atenção para alguns detalhes. Em primeiro lugar, a calvície já acentuada do cangaceiro, bem marcada por falha na margem centro-direita da testa (do ponto de vista do observador). Apesar da má qualidade da imagem, observa-se também, por trás da lente dos óculos, o leucoma do olho direito. Vê-se o direcionamento dos cabelos, além da formação craniana, esta nitidamente dolicocéfala (largura frontal medindo mais ou menos 4/5 da altura do rosto).
 A fim de instigarmos o debate, resolvemos lançar mão de ferramentas digitais de imagem para chegarmos a algumas comparações. Na imagem abaixo, através da aplicação da ferramenta de ‘contraste’, do programa ‘Corel Photo Paint’, conseguimos deixar mais evidente o leucoma, além de suprimir a parte inferior dos óculos, deixando o rosto mais livre para análise:


Em um passo além, elidimos praticamente toda a estrutura dos óculos, e demos realce à sobrancelha direita do cangaceiro. Com o número 01, marcamos o avivamento da referida sobrancelha:

Seguindo, marcamos no fotograma o número 03, para indicar a ausência de rugas de expressão neste ponto. Não há compressão da pele neste pedaço do rosto. Não a mínima evidência de sobrecenho carregado. E esta marcação servirá como comparativo em uma imagem mais abaixo. Vejamos:

A partir deste ponto, comecemos a fazer as comparações. Além do fotograma já aludido, vamos utilizar um detalhe da famosa foto das cabeças dispostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas. O objetivo é comparar características contidas na cabeça do rosto do cangaceiro quando vivo, com outras existentes na cabeça exposta naquela manhã de julho de 1938.
As duas imagens estão postas lado a lado. De início, observem-se as numerações (a) e (b). Em comum entre as duas imagens, temos uma marca de calvície acentuada no terço médio esquerdo da cabeça, com marca incisiva em direção à parte posterior do crânio. Neste ponto, há um compasso simétrico entre as duas imagens, ao que nos parece.
 Com o sinal “\/”, marcamos a saliência do osso esfenóide direito, característica que também nos parece igual em ambas as imagens. A largura do rosto também não foi desconsiderada, de modo que a marcamos em uma escala 01_______02, a qual é rigorosamente igual nas duas fotos, como se vê na ‘régua’ colocada abaixo de ambas. Também se nota a INEXISTÊNCIA das rugas de expressão – ou enrugamento da pele -entre as sobrancelhas. O fato se verifica em ambas as imagens. 


Agora, em mais uma etapa, ‘importamos’ a imagem do rosto sem vida, e o aplicamos no fotograma de 1936, usando o sentido de A para B, como indicado pela seta. O encaixe da imagem, sem sombra de dúvida, parece perfeito. Não há sobras ou excessos pela inserção .

O único ponto que não mostrou simetria, seria a parte inferior do rosto; o ‘queixo’. Veja-se que as marcações 03 e 03A mostram esse descompasso. No entanto, neste particular havemos de nos valer da história. De efeito, ainda na Grota do Angico, um soldado (possivelmente José Panta Godoy) disparou um tiro de fuzil na cabeça do cangaceiro, quando este já se encontrava morto. A prova de tal fato está na imagem de número 05, lado direito, onde se percebe - ao lado esquerdo de quem olha -, grande quantidade de massa encefálica no orifício de saída do projétil.
Com o tiro disparado contra a cabeça, indubitavelmente, foram lesionados os ossos ‘temporal’, ‘esfenóide’ e ‘zigomático’, cedendo os ‘malares’, no sentido ‘de baixo para cima’, horas mais tarde, quando a cabeça foi colocada no batente da escadaria, em Piranhas. O rosto cedeu, sendo comprimido em função da quebra da estrutura óssea. Assim, o queixo um tanto proeminente outrora, deixa de existir e, em seu lugar, encontramos uma espécie de ‘dobra epitelial’, logo abaixo da boca. 

E em relação a esta (a boca), note-se que, em ambas as imagens, apesar de apresentar sentidos diferentes (côncavo em uma; convexo em outra), a medida da boca é rigorosamente a mesma. Na imagem abaixo, destacamos em um retângulo a boca na imagem do cangaceiro vivo (c), e, em seguida, a recortamos e a aplicamos embaixo da fotografia da cabeça já decapitada (d). A simetria é rigorosa; as medidas são literalmente iguais.

Repetindo a imagem - agora sem a marcação na imagem da esquerda - para que a comparação possa ser feita de forma livre.
 

Desta forma, como deixei claro no início deste modesto artigo, fica aberto o debate em torno da certeza – ou não – se a cabeça exposta na escadaria da Prefeitura de Piranhas seria realmente a de Lampião. Sabendo de histórias que recrudescem aqui e ali, dando conta de uma sobrevida do rei-do-cangaço – após 1938 - em Goiás, em Mato Grosso, em Minas e até na Paraíba, cabe, então, a pergunta:

“Teria Lampião sido substituído por um sósia rigorosamente igual? Um sósia perfeito? Fica lançada a questão!!

Saudações!
Sérgio Augusto de Souza Dantas
Natal, RN

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*Bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008). Clique aqui e confira uma entrevista com SD

16 comentários:

pedro luís disse...

Belíssimo trabalho, parabéns!!!

Geziel disse...

Quando foi veiculada esta foto, pensei na similiaridade com aquela de Piranhas, mas o tratamento dado por este estudo ficou magnífico, parabéns

ADERBAL NOGUEIRA disse...

Trabalho sério é marca de Sérgio Dantas. É essa a qualidade de quem sabe o que diz. Que o cabra morreu, morreu. Resta decifrar como. Só bala? Com ajuda de dopping? Vamos vasculhar. Amigo Sérgio, levante também as possibilidades citadas acima. Você, juntamente com o reverendo Ivanildo são gabaritados para tentar elucidar essa pendenga. Abraços.
Aderbal Nogueira

Narciso disse...

Belíssimo artigo Sérgio, uma verdadeira aula de anatomia,não tenho dúvida nenhuma que a cabeça exposta em Piranhas era do legítimo rei do cangaço. Embora tentem mostrar o contrário com estórias mirabolantes e fantasiosas
. Até que ponto a cultura nordestina/sertaneja daquela época
permitiria a um sósia substituí o líder nessa circunstância?!
Seria um sósia com espirito Xiita?Um cangaceiro Kamikase???

Grande abraço...

Narciso Dias
Conselheiro do Cariri Cangaço.

IVANILDO SILVEIRA disse...

AMIGOS DO BLOG:

MAIS UMA AULA DADA PELO " MESTRE ", E AMIGO, DR. SÉRGIO DANTAS..

PARABÉNS PELO BELÍSSIMO ARTIGO, E,OBRIGATORIAMENTE, DEVE FAZER PARTE DE UM CAPÍTULO DE UM NOVO LIVRO.

ISSO É QUE É DISCUTIR " CANGAÇO" COM TÉCNICA E SERIEDADE...

ABRAÇO A TODOS
IVANILDO SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

Anônimo disse...

Prezado Sérgio Dantas,

A sua presença em meio aos "vaqueiros da história" nos deixa honrados e felizes.

A sua postagem sobre se Lampiao tinha um sósia perfeito foi maravilhosa.

É maravilhoso termos pessoas capazes e sinceras rastejando a história e procurando, com sabedoria, deslindrar os labirintos e as versões. Você é uma dessas pessoas.

Meu amigo! Gostaria que fizesse o mesmo trabalho com a cabeça da foto de Lampião morto e a cabeça do velho de Buritís e assim ficarmos sabendo das diferenças existente entre as mesma, e também, o mesmo trabalho, a mesma comparação da cabeça de Maria Bonita morta com a cabeça dela em vida.

Abraços, meu querido amigo. Você é um dos grandes pilares que luta em favor de nossa história.

De seu admirador,

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo - Se

Sergio Dantas.'. disse...

Amigo Aderbal:

A essa altura do campeonato, é muito difícil aparecer uma prova robusta - e, principalmente, confiável - em torno da possibilidade de uso de veneno ou 'dopping', como o amigo se referiu.
Creio que os amigos Sabino e Magale esgotaram o assunto sobre o episódio de Angico no livro "Lampião - Sua Morte Passada a Limpo".
No mais, acredito que outras dúvidas sobre o episódio permanecerão, para sempre, no limiar entre o real e o imaginário.
Abs do amigo
Sérgio Dantas.'.

Juliana Ischiara disse...

Perfeito! Parabéns pela excelência do texto Sérgio. Como sempre, seu trabalho nos mostra a seriedade e o compromisso que tens pela história.

Abraço

Juliana Ischiara

CARIRI CANGAÇO disse...

Amigo Sérgio, são trabalhos como o seu , fruto de sua dedicação e seriedade, que nos fazem ver o quanto vale a pena trilharmos esse caminho e estarmos à frente das trincheiras.

Severo

Anônimo disse...

A semelhança.

Meus confrades da comunidade Lampião o grande rei do cangaço, prestem-me bem atenção nessa postagem. É isso mesmo que todo mundo pensou: SÉRGIO DANTAS está no nosso meio de onde jamais deveria ter se alsentado. Deus sabe o que faz: EI-LO de volta ao universo de Lampião, detalhando logo de retorno uma matéria para além do surreal, Sim, porque de Lampião não se duvida nada, foi super inteligente no campo estratégico, o que não conseguia com bons modos, subornava. Pode comparar esta situação com o talento De Sérgio Dantas para produzir Literatura do cangaço. Vamos confessar logo - Sou fã público nº 1 do Dr Sério Dantas. Sua postagem é para quem sabe da Hstória do cangaço, profundamente. ELE sabe tudo de Lampião e seus asseclas. É autoridade no assunto.

Um abraço no Dr Sérgio. Seja bevindo ao cangaço, que agora ficou maia rico.

JOBENO
João Pessoa-PB, 07 Dez 2011

Sérgio.'. disse...

Amigo ALCINO:

A de Maria, quem sabe um dia? Quanto ao cidadão de Buritis, deixo o encargo a quem defende a polêmica 'tese da sobrevivência'. Meu pensamento, como o amigo sabe, é justamente o oposto.
Forte abraço, com votos de saúde.
Sérgio Dantas.'.

Anônimo disse...

Parabéns !

É Evidente que a notícia da morte de Lampião acontecida com certa facilidade, não correspondeu as expectativas da população, dos militares, dos seus protetores, e até mesmo pelos membros de seus sub-grupos de cangaceiros. Todos o tinha como um malfeitor invencível, desde o primeiro momento este fato foi elemento de suspeitas, era difícil para todos compreender a morte deste afamado bandido, sem que o mesmo não tenha a oportunidade de oferecer combate, de demonstrar toda a sua violência, todo o seu instinto animal e as suas estratégias de guerrilha, que o mesmo aprimorou no decorrer de 20 anos de crimes e atrocidades. Naquela época, todos imaginavam a sua morte, num evento violento de horror, sangue e ódio, e este simples fato, somados a interesses dos mais variados como: o interesse Governo de Getúlio em demonstrar o seu poder e presença, as versões formuladas pelos seus inimigos, dos seus amigos e até mesmo daqueles que deveriam escreva-la de forma responsável e coerente, mais que se entregam a ambição pela busca do status.

A cada dia que passa, aparecem versões mirabolantes e cada vez mais absurdas, há quem fale que ele morreu em idade avançada no sul do país, há quem diga que Lâmpião morreu de tuberculoso bem antes do fatídico dia da Grota do Angicos, há quem falou que ele morreu envenenado, e mesmo passado dezenas de anos de sua morte, novas versões surgem a cada dia, versões que não merecem nem mesmo nosso comentário. O fato é que!, graças a determinação de pessoas realmente responsáveis, que buscam a pesquisa séria, com uma ótima argumentação, documentação, conhecimento científico e acima de tudo amor por nossa história e cultura, como: Dr. Sérgio Dantas, Mestre Ivanildo Silveira, Rostand, Honório de Medeiros, Dr. Manoel Severo do Cariri Cangaço, e dentre outros tantos amigos que também participam de forma responsável, pesquisando e conservando a história, é que podemos acompanhar uma matéria belíssima com esta aqui acima. Parabéns a todos os mestres e a todos nós que desfrutamos de tópicos tão ricos em histórias que fazem jus a nossa história!.

Abraço a Todos os Amigos e conclamo todos a participarem sempre, com a responsabilidade e respeito a cultura!

Jomar Henrique
Natal,RN

josé sabino bassetti disse...

Olá Pessoal.

Esse trabalho do Sérgio, é coisa de prateleira de cima. Trabalho extremamente técnico, profundo, convincente que deve ser levado a sério por todos pesquisadores. Isso é trabalho de gente grande que não pode parar no meio do caminho de jeito nenhum.

Abração a todos.

Sabino Bassetti

Anônimo disse...

O nosso Sérgio Augusto de Souza Dantas mais uma vez nos dá provas de seus cuidados nas pesquisas que faz.

Achei muito interessante as suas comparações e análises. Como você sabe, desde o ano de 1963 trabalhei com as cabeças de Lampião, Maria Bonita, Corisco (também o seu braço direito fraturado), Azulão, Maria de Azulão (ela teve outros apelidos), Zabelê e Canjica, e somente em duas delas encontrei fraturas cominutivas no crânio: em Lampião e em Zabelê. Quando, em 2001, exumei a cabeça de Lampião, já quase consumidas todas as partes moles pela hidrólise do carbonato de cálcio com o qual fora coberta em 1968, apareceram claramente os fragmentos das fraturas múltiplas e irregulares, que realmente comprometeram toda a estrutura do crânio, como refere Sérgio, o que comprova a ação de elementos contundentes e ainda podendo-se verificar sinais de perfuro-contusâo no lado direito da mandíbula e da base craniana fragmentada, compatível com lesão causada por tiro de fuzil, felizmente restando indene a parte do osso occipital onde estão as cristas cruciformes que formam a Torcular de Herófilo, sem a fosseta de Lombroso, o que prova aquele assassino contumaz não apresentar a famigerada marca do "criminoso nato", mais uma vez desacreditando a teoria do mestre italiano da Antropologia Criminal. Mestre Estácio de Lima, de quem fui Assistente durante muitos anos, fez com que os cangaceiros que estavam cumprindo sentença judicial na antiga Penitenciária do Engenho da Conceição, entre eles, parece-me, Volta Seca, Passarinho, Deus-te-guie, Balão, Saracura e Labareda (deste eu conheço o original do documento por ele firmado), vissem e declarassem se realmente aquela era ou não a cabeça de Lampião, e todos a reconheceram como sendo daquele seu chefe de bando.

Abraço atencioso,
Lamartine Lima

Comentário via Blog João de Sousa Lima

José Lima Dias Júnior disse...

Prezado Sérgio Dantas,

Parabenizo pelo excelente trabalho. Porém, não consigo compreender as imagens do nariz expressas no fotograma e na "suposta" cabeça. Percebi algo disconforme entre uma e outra. Contudo, essa observação não inválida seu posicionamento e pesquisa. Creio que o seu trabalho fortalece e abre caminho para a pesquisa histórica, sobretudo, ao cangaceirismo.

Saudações cordiais,

Prof. José Lima Dias Júnior (Mossoró-RN)

Sergio Dantas.'. disse...

De fato, a formação do nariz é um pouco diferente. O nariz no "fotograma" (não trata-se de foto, mas, de fotograma) é mais rombudo, pois não tinha 'ainda' sido massacrado com duas ou três coronhadas de cabo de fuzil, como relataram vários soldados que participaram da expedição à Grota do Angico, em 1938.
E este ponto é pacífico.
O meu posicionamento parte de comparações primárias, e não se trata de um trabalho médico-legal terminado e definitivo (embora me sinto lisonjeado com o comentário feito pelo Dr. Lamartine Lima - o qual fora da 'equipe' do falecido Estácio de Lima - e que trabalhou como Legista a vida inteira).
Todavia, deixo em aberto o debate. E, como já me referi antes, os defensores da tese da existência do 'Lampião de Buritis', podem se valer da mesma técnica, mesmo primária, e apresentar seus pontos de vista, através da comparação de imagens.
Afinal, o debate é saudável.
Sds
Sérgio Dantas.'.