segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Cangaceiros

João ´Coxó´

 

O cangaceiro "João Coxó", preso no ano de 1935 no local conhecido por "Brejão". Foi detido por membros da força volante de Garanhuns(PE), após um assalto cometido pelo bando de Lampião no povoado "Serrinha". 



Foto retirada do jornal Diário da Manhã(PE) - Edição de 04 de Agosto de 1935.

Créditos: Guilherme Velame Wenzinger

terça-feira, 1 de novembro de 2022

O LAMPIÃO ACESO RECOMENDA

Luma Hollanda apresenta seu mais novo rebento: "Lugares de Memória" do Cangaço
 

Assim como todo muçulmano precisa um dia ir a Meca, todo ´Cangaceirologo´ precisa um dia ir ao Angico; a Maranduba, a Malhada Caiçara, a Passagem das Pedras, a Patu e especialmente aos primeiros cenários do cangaço, que foram reunidos em um só trabalho pela pesquisadora e escritora pernambucana Luma Hollanda.


 


Este livro, primeiro escrito sobre o tema, apresenta a proposta geral, da constituição de uma memória coletiva do Cangaço e por meio de políticas de preservação, implementar literalmente os possíveis "Lugares de Memória" do Cangaço - Recortes geo-históricos do sertão nordestino.

 
Como recorte espacial, foram pesquisadas as cidades de nascimento e morte do cangaceiro Jesuíno Alves de Melo Calado, o “Jesuíno Brilhante” (1844-1879); do pórtico da cidade de Patu; da antiga cadeia pública de Pombal; do Memorial da Resistência à Lampião e do Museu Lauro da Escóssia, estes últimos situados na cidade de Mossoró/RN, dentre outros, os quais servem de locais de visitação e turismo.


Enfatiza, ainda, em sua valiosa obra, uma correlação de pensamentos entre os escritores Rui Facó e o Eric Hobsbawn, os quais possuem pontos confluentes sobre o banditismo social, alicerçado no meio rural, primitivamente.


O livro conta com 177 páginas e 35 fotos coloridas, algumas identificadas como possíveis "Lugares de Memória".

                                  

Está sendo vendido com valor promocional de pré-lançamento até 04/11: R$ 60 (sessenta reais) com frete incluso. 📲 Contatos p/ aquisição: (83) 99684-1036 / (83) 98230 7108.


 

Luma Hollanda é Conselheira Consultiva do Seminário Cariri Cangaço, Sócia da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) coautora do livro “Nas Trilhas do cangaço de Jesuíno Brilhante” (2013) e “Histórias do Baú da Vovó”.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Sinhô Pereira

Ex-chefe de Virgulino visita Bom Nome

Por Valdir Nogueira

Os infindáveis conflitos  entre Pereiras e Carvalhos surgidos na época imperial atravessaram o século 19 e se estenderam ao período republicano. Na primeira década do século 20, Luis Padre (primo de Sinhô Pereira) tem seu pai assassinado em um dos confrontos. O irmão de Sinhô Pereira, Né Pereira (Né Dadu), começou a liderar um grupo da família promovendo a vingança em intermináveis conflitos que seguiam sem parecer ter fim.


Ora, certa ocasião, Né Pereira recrutou Zé Grande, cuja alcunha era “Palmeira” para seu bando. Zé Grande era ex-jagunço dos Carvalhos. Passou um tempo preso e após fugir, foi pedir guarida aos Pereiras. Talvez Né Pereira acreditasse que ganharia um grande trunfo, já que o jagunço conhecia detalhes dos seus antigos patrões. No entanto, a história foi outra: Né Pereira tirava um cochilo, quando Zé Grande, aproveitando a oportunidade, o assassinou. Conta-se que ainda levou o chapéu e o punhal de Né Pereira para mostrar aos Carvalhos, na Fazenda Umburanas.


Foi o estopim. Ocasionando na entrada, de vez, de Sinhô Pereira e Luis Padre no Cangaço. Com fúria e revolta pela impunidade, montaram um bando numeroso e com muita sede de vingança. A partir de então os conflitos ganharam proporções muito mais intensas.

 
Foi nesse cenário que Sinhô Pereira recebeu a visita de Virgulino Ferreira e seus irmãos. No entanto, em 1922, após uma série de escaramuças Sinhô Pereira resolveu por fim ao seu legado no Cangaço, tendo passado então o comando do bando a Lampião, ordenando ao mesmo, porém, que ninguém da família Pereira seria jamais incomodada por cangaceiros. Virgulino prometeu e cumpriu.
Financiados por Isidoro Conrado e Né da Carnaúba, Sinhô Pereira e Luis Padre viajaram para Goiás, com a chance de recomeçarem a vida. E, sem explicar detalhes, Sinhô Pereira afirmou que não foi nada fácil.


Os anos se passaram e cada um seguiu seu rumo. Luis Padre manteve-se em Goiás. Sinhô Pereira foi para Minas Gerais, onde viveu até cumprir seu ciclo. Morreu em dezembro de 1979. Antes, em fevereiro de 1971, esteve, após 49 anos, no Pajeú, seu torrão natal. Cercado de lembranças e emoções boas e ruins visitou Serra Talhada, antiga Vila Bela, São José do Belmonte e Bom Nome.

 


 Sinhô Pereira (de óculos) com seus primos José Napo, Antônio e Jacinto Napo, filhos do Sr. Napoleão Alves de Araújo e dona Verdelina Pereira Valões, que era sobrinha de Né Pereira (Né Dadu). Fev. de 1971.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

VÍTIMAS

Coronel Joaquim de Cipó, BA

Créditos Guilherme Velame Wenzinger

 


Cel. Joaquim José Sant´Anna, civil morto na tentativa de invasão de Lampião a cidade de Cipó (BA) em 30 de Julho de 1930. 

Nessa oportunidade, o bando foi colocado para fora por uma guarda civil montada na cidade, a qual se juntou a força local. Dois anos depois, precisamente no mês de agosto de 1932, Lampião travaria mais um combate na cidade, com o ten. Ladislau na fazenda Cajazeira.
 

Fonte da foto: Livro "Os Dramas Dolorosos do Nordeste - A luz cerca da verdade" de Pedro Verne de Abreu.

Lançamentos

Mais uma catalogação da lavra de Bismarck Martins

Temos a satisfação de comunicar aos amantes do tema, o início das vendas e pré-lançamento do novo trabalho de Bismarck Martins: "FORÇAS VOLANTES! - OS HOMENS QUE COMBATERAM LAMPIÃO, DE A a Z".
 

 


Trata-se da primeira e necessária reunião destes personagens da saga em um único trabalho. Eu, particularmente, tenho o "Cangaceiros de A a Z" como um dos livros mais consultados e acredito que será a parelha ideal .

O livro conta com 524 páginas; 1.557 volantes identificados e 227 fotografias que passaram por minucioso crivo de especialistas.

Valor? R$ 70 (setenta reais). Obs. valor exclusivo para lote promocional de 200 primeiros exemplares ou até o dia 4/11 quando encerra a promoção.

Interessado? Entre em contato direto com o autor pelo (83) 98111-5282 zap ou ligação (81) 99609-5282.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Filme completo

Maria Bonita - Rainha do cangaço (1968)

  

Longa metragem de Miguel de Borges, é uma Biografia romance de Maria Bonita, filha de um fazendeiro pobre que, "sequestrada" por Lampião, se tornaria sua amante.
 

Elenco: Celi Ribeiro (Maria Bonita), Milton Moraes (Lampião), Roberto Bataglin (Bento), Sonia Dutra (Zefinha), Ivan Cândido, Joffre Soares,Rogério Fróes,   Wilson Grey e muitos outros.

  

Créditos: Canal Rio Bonito Antigo

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

"CHINA DO POÇO"

 Lampião e os segredos do casarão

 Por Rangel Alves da Costa

 

Teotônio Alves China, meu avô materno, pois pai de minha mãe Dona Peta (Maria do Perpétuo Alves), nas páginas da história é muito mais conhecido como "China do Poço", como referência e homenagem a Poço Redondo. Casado com Marieta Alves de Sá (Mãeta), este sertanejo possuía como residência um belo casarão numa esquina da atual Praça da Matriz de Poço Redondo, que um dia foi derrubado para dar lugar a uma moderna construção. 

 

Na foto abaixo, ainda que não seja possível identificar toda a sua beleza arquitetônica, avista-se uma suntuosidade até contraditória para a época, pois fincada numa povoação ainda nascente, de poucas casas e logradouros, onde rareavam moradias mais abastadas. 

 


Pois bem. Foi aí na porta do Casarão de China do Poço que no dia 19 de abril de 29 um inesperado visitante chegou. Tal visitante era nada mais nada menos que Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião (já havia sido patenteado por Padre Cícero do Juazeiro em 26). Acompanhado de cerca de oito cangaceiros (que permaneceram vigilantes nos arredores), Lampião ali chegava não como simples caminhante dos sertões e ali fazendo parada para matar a sede e a fome, pois já trazia consigo nome e endereço certos e, por isso mesmo, foi à porta de China que anunciou sua presença e o desejo de uma conversa mais reservada. Mas o que Lampião queria tratar de modo específico com China do Poço, pois estando ali pela primeira vez e já trazendo o nome do sertanejo escrito na memória? 

 

A arqueologia cangaceira ainda não fuçou bem tais aspectos, ainda não adentrou bem nos segredos escondidos por trás dessa visita a Poço Redondo em 29. Creio, contudo, que muito mais que China do Poço, o Capitão Lampião buscava encontrar outro ilustre personagem, que, coincidentemente (ou não) estava exatamente no casarão naquela hora e dia: Padre Artur Passos. Vigário da paróquia de Porto da Folha (da qual fazia parte a povoação de Poço Redondo), o Padre Artur Passos somente duas vezes ao ano se dirigia ao local para celebrar missa, e sempre ficava hospedado na casa de China do Poço. 

 

Teria Lampião interesse em encontrar o sacerdote, e por quê? Segredos e mistérios, mas, analisando seu histórico de atuação e de influência, atualmente sabemos que Padre Artur Passos possuía muito mais autoridade e mando do que imagina nossa vã filosofia. Ademais, mesmo que sua ida ao povoado fosse apenas duas vezes ao ano, o vigário percorria toda aquela região sertaneja, e com constante presença na região da baiana Serra Negra e tendo celebrado batizados e casamentos onde os padrinhos eram verdadeiros potentados, como aqueles da família de Pedro Alexandre da Serra Negra. As celebrações eram do lado sergipano, mas as propriedades geralmente eram dos poderosos do outro lado da fronteira, como muitas vezes ocorreu na igrejinha do São Clemente. 

 

Ora, Serra Negra era localidade estratégica e primordial nos objetivos de tomada dos sertões pelo bando de Lampião. 

 

E Padre Artur Passos possuía amizade e influência perante todo aquele coronelato baiano. Desse modo, cremos que muito mais há que ser revelado acerca daquela “inusitada” visita de Lampião ao Casarão de China do Poço, e, neste, o seu encontro com Padre Artur Passos. Dizem que Lampião até ouviu impropérios da boca do vigário, pois este não admitia estar na presença de um bandoleiro sanguinário. O líder cangaceiro, contudo, não reagiu um instante sequer. Será que tal celeuma já não estava programada? Mesmo tendo esbravejado tanto, depois o vigário dialogou reservadamente com o cangaceiro, sentou à mesma mesa para o regabofe, e até permitiu que o bando assistisse missa. Estranho, muito estranho. 

 

Padre Arthur Passos

Não foi só um almoço e uma missa, pois muito mais continua escondido no embornal do Capitão e na batina do Padre. Que a arqueologia cangaceira escavoque tudo isso.


quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Caso Ezequiel

Irmão de Lampião, viveu no Piauí?

Em 1999 estivemos na cidade piauiense de Valença do Piauí, onde iríamos colher subsídios para nosso livro “Antiguidades Valencianas”, sobre vestígios pré-históricos, arte rupestres, lendas, folclore, causos, ufologia, belezas rurais, etc. Ali nos chamou atenção uma curiosa notícia, de que um dos irmãos do famigerado Lampião teria vivido naquela Cidade em tempos idos. O texto abaixo é uma condensação do que escrevemos naquele livro, publicado em 2000, atualizado com notícias de outras fontes.
 

No Piauí mesmo o temível cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), vulgo Lampião, nunca pisou. Isso em que pese uma falsa notícia de que travara um combate em forças policiais no sul do Estado.


As sangrentas e polêmicas passagens do cangaceiro pelos sertões nordestinos nunca o trouxeram ao nosso Piauí.
 

Mas, curiosamente, há um interessante, mas não provado relato de que um dos seus irmãos, o caçula, teria vivido algum tempo em Picos e depois em Valença do Piauí, centro do Estado
Para nos inteirar desta veracidade ou não desta história, nos dirigimos a uma modesta casa no Bairro valenciano de Cacimbas, onde fomos encontrar Dona Luzia Alves Ferreira, nascida em 22 de maio de 1914 (hoje provavelmente falecida).
 

 

 

Ali fomos recebidos pela alquebrada, mas lúcida anciã, sempre muito desconfiada e relutante, nos liberando aos poucos a história do irmão do Rei do cangaço em Valença do Piauí. Porém, vaidosa, não nos permitiu por nada que fosse fotografada, alegando não estar adequadamente trajada para a ocasião. Assim sua imagem conseguimos através de uma fotógrafa da cidade, que nos cedeu gentilmente a preciosa foto que apresentamos neste artigo.

 

O cangaceiro Ezequiel fotografado em 1929...


...E o suposto "Ezequiel valenciano"

 
Segundo Dona Luzia, Ezequiel Ferreira, também conhecido como José Gomes (?), seria o irmão caçula de Lampião, muito novo na época do cangaço para empunhar armas.


Este pernambucano, da atual cidade de Serra Talhada, não teria dívida alguma com a justiça e vivia com outro irmão de Virgulino Ferreira, João Ferreira, onde tinham um pequeno comércio. Ezequiel, por sua vez, teria vindo de Picos (Piauí) para Valença por volta de 1980, vendendo, como ambulante, chapéu, fumo e alho.
 

Sem filhos, o irmão do cangaceiro passou a viver maritalmente com Dona Luzia até sua morte, no início dos anos 1990, sendo enterrado ali mesmo, em Valença do Piauí. Antes teria sido casado mas sobre sua primeira mulher, não sabemos nada. Em Valença teria vivido num sítio de propriedade de Dona Luzia.
 

“Como a senhora conheceu o irmão de Lampião?” – Indaguei.
 

“Conheci ele na feira de Valença” – respondeu ponderadamente a Sra.
 

“Ele não era valente como o famoso irmão? – Perguntamos
 

“Não senhor. Ele não gostava de armas de fogo. Ele só acompanhou o bando carregando armas e ajudando noutras coisas, pois era muito pequeno. Era um homem de faca...”
 

“E como a senhora soube que ele era mesmo irmão de Lampião? – Quisemos saber.
 

“Ele mesmo contou pra todo mundo ouvir.”
 

“E as pessoas acreditavam nele?” – Interrogamos.
 

“E ele era muito respeitado pelos vizinhos, pois era um homem calmo, e  se dava bem com todo mundo. 

Mas as pessoas diziam pra mim tomar cuidado com ele. As pessoas não acreditavam que ele era irmão de Lampião porque ele era moreno e não tinha olhos azuis como o cangaceiro.”
 

Obs: Lampião não possuía olhos azuis mas um deles (o direito) apresentava leucoma, com a característica cor clara.
 

“Durante todo tempo em que ele viveu em Valença do Piauí ele foi visitado por algum parente?” – 

Quisemos saber.
 

“Um tempo veio um casal de filhos de João Peitudo, filho de Lampião que mora em Juazeiro do Norte (Ceará). Nessa época o Ezequiel estava muito doente. Depois, ele foi com João Peitudo conhecer a família em Serra Talhada. Lá inclusive conheceu antigos inimigos da família. Um deles o convidou para uma visita uma sua casa. Desconfiado, o Ezequiel não aceitou o convite.”


“E o que ele dizia sobre o famoso irmão?” – Perguntamos.
 

“Dizia que Lampião não fazia mal a qualquer um. Só perseguia os inimigos. Também não perdoava os “macacos” da volante (polícia) e os entregadores (dedos duros).”


“Mas o Ezequiel confirmou a morte do irmão em Angico (Sergipe) em 1938?


“Não! Lampião nunca morreu naquela emboscada. Nem ele nem Maria Bonita. Lampião mesmo morreu foi no Rio do Sonho (Sono?), em Goiás, há uns 20 anos. “Nessa época o Ezequiel já estava em Valença.”


Obs: Quem fugiu e morou em Goiás foi Sinhô Pereira [1896-1979], antigo chefe do bando que tinha como membro Lampião. Pereira chegou a convidar Virgulino para se acoitar com ele em Goiás, coisa recusada pelo cangaceiro.


“E os dois mantinham algum tipo de correspondência? – Indagamos.
 

“Não se comunicavam, não. Mas um dia o Lampião mandou uma carta perguntando se Ezequiel queria ir morar com ele lá em Goiás. Ezequiel respondeu que não, pois gostava da vida tranquila aqui em Valença.”


Esta é uma história que se mistura folclore, com tradições e elementos intrusos suspeitos e incoerentes, senão vejamos.


O irmão de Lampião, Ezequiel Ferreira da Silva, vulgo “Ponto Fino” era realmente mais novo do que Lampião, pois nascera em 1908. Porém integrou o bando como membro armado, como pode se ver numa das imagens desta matéria.


Lampião teve quatro irmãos homens além de quatro mulheres.  Dos quatro irmãos homens, três acompanharam Virgulino no Cangaço: Antônio Ferreira, o mais velho [1895-1926] que morreu em 1926 num acidente bobo no qual numa brincadeira com Luiz Pedro seu fuzil caiu no chão e disparou acidentalmente. Livino Ferreira (1896-1925) que morreu em 1925 num combate noturno com uma força volante.


O caçula Ezequiel (1908-1931) foi abatido no dia 23 de abril de 1931 no tiroteio da Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel. João Ferreira (1902-?) foi o único que não abraçou o Cangaço.


Assim, Ezequiel não pode ter vivido com dona Luzia nos anos 1980, já que morrera em 1931.
Também não procede a afirmação de Dona Luzia de que estando vivo Ezequiel em Valença, moraria com outro irmão de Lampião, João Ferreira, o único que nunca entrou no Cangaço. João, ao que se sabe, foi morar em Osasco SP ou em Propriá, Sergipe.


Outro engano de Dona Luzia é que o tal João Ferreira da Silva, o João Peitudo (1942 - 2000), seria filho de Lampião, em que pese supostas provas apresentadas de sua filiação a Lampião e Maria Bonita (inclusive um DNA inconclusivo). Conhecido como João Peitudo por ter sido lutador de boxe, morreu de ataque cardíaco em Juazeiro do Norte-CE. Se nasceu em 1942 não poderia ser filho de Lampião e Maria Bonita, chacinados em 1938.


Longe de taxar dona Luzia como mentirosa, é possível que ela tenha ouvido narrativas de alguém que veio das bandas do cangaço, e talvez até de um parente de Lampião (mas nunca um irmão) esta história e nela tenha acreditado piamente, dentro de suas limitações intelectuais. Assim conviveu maritalmente e acreditou ter como companheiro um irmão do cangaceiro morto há décadas.
 

Em nenhum momento a velha senhora tentou me impressionar ou ser taxativa de maneira irredutível. Somente discorreu sobre o tema que lhe indaguei.


Quando o suposto Ezequiel esteve em Serra Talhada em 1984 para rever a família e tirar documentos para aposentadoria (?) conseguiu convencer alguns parentes e outros moradores de que era realmente o irmão do Lampião. Mas cometeu alguns escorregões quando, por exemplo, deixou de visitar sua única irmão viva na época, Dona Mocinha. No mais, nenhum pesquisador aceita esta versão de sobrevivência de Ezequiel Ferreira
 

Em 16 de janeiro de 1985, o Ezequiel de Valença deu uma entrevista ao jornalista Antônio de Pádua, do “Jornal da Manhã”, de Teresina, deixando-se fotografar ao lado do vereador valenciano Luís Rosa. Suponho que o alegado irmão de Lampião temia alguma repercussão jurídica negativa de sua entrevista, pois estava presente na mesma o afamado advogado piauiense Dr. Alfredo Cadena Neto, segundo a reportagem.  

 


Garantindo que era o irmão de Virgulino. disse que havia fixado residência em Valença do Piauí por volta de 1980 e era analfabeto, sendo sua profissão “banqueiro”, ou seja, possuía uma banca de vender artigos regionais, como fumo de rolo, rapadura, farinha, calçador, livretos de cordel, remédios caseiros, etc.  Disse ainda que frequentava a Cidade desde 1952 como ambulante.


O Ezequiel valenciano acrescentou que viajou constantemente como ambulante para as cidades nordestinas de Mossoró (Rio Grande do Norte), Bom Jardim (Pernambuco) e Catolé do Rocha (Paraíba), lugares onde era bastante conhecido. Mas não explicou se era conhecido como um vendedor valenciano comum ou como irmão do célebre cangaceiro Lampião.


Contou ainda sobre incontáveis anos do bando de lampião em escaramuças contra os “nazarezistas” (ferrenhos inimigos de lampião, os volantes nazarenos viviam no Povoado de Nazaré, próximo a Serra talhada). Disse ainda que não sabe quantas pessoas morreram no campo de luta mas que nunca matou ninguém, sendo apenas um rastejador, destinado a informar ao bando de Lampião a aproximação dos inimigos.
 

O que o Ezequiel Valenciano nunca explicou em suas entrevistas foi como escapou dos tiros que recebeu das volantes que, historicamente, causaram sua morte nem como escapou para o Piauí.
Outro problema que observamos é que na entrevista, o repórter se refere a Ezequiel como sendo um senhor de 72 anos em 1985, tendo nascido no dia 6 de janeiro. Ora, tendo nascido em 1908, o verdadeiro Ezequiel deveria ter 77 e não 72 anos em 1985.


Na entrevista ao repórter Antônio de Pádua o Ezequiel valenciano fala do assassinato do pai e da mãe quando se sabe que somente o pai foi assassinado. A mãe morreu de desgosto dias depois.
Mistérios, folclore, fantasia, elucubrações desenfreadas e afirmações desencontradas. Cada um faça seu julgamento....
.......... 

Créditos Reinaldo Antiquário

Fontes:
Coutinho, Reinaldo. Antiguidades valencianas. Teresina, 2000.
"Irmão de Lampião diz que nunca Matou Ninguém". Matéria publicada por Antônio de Pádua, no Jornal da Manhã, Teresina 16 de janeiro de 1985.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Personagens terciários

Quem é este senhor, e o que ele tem haver com a história do cangaço?

 


Crato, ano de 1935 - Pedro Maia (1892-1981) com o seu Ford 1934, placa "CE 20 8-A", estacionado numa das laterais da Praça Siqueira Campos, na Rua Dr. João Pessoa, esquina em que funcionou o Banco do Cariry, fundado em 1924.
 

Chofer de praça e fotógrafo (além de outras profissões), foi Pedro Maia quem acompanhou o médico e jornalista Otacílio Macedo na célebre entrevista com o cangaceiro Lampião, realizada em Juazeiro do Norte no dia 06 de março de 1926, ocasião em que o bandido e seus familiares foram fotografados pelo profissional cratense.

**Foto: Júlio Saraiva / Acervo: Linard. Créditos do post: Nélio Falcão

Adendo Lampião Aceso:

Duas das fotografias de Lampião e sua família, feitas por Pedro Maia em 1926.





    Já as fotos a seguir foram batidas por Lauro Cabral de Oliveira...



 


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Fotos

 Cabras do Rifle de Ouro

Reuni algumas fotos de cangaceiros que pertenceram ao bando de Antônio Silvino ou o acompanharam em alguns momentos. 

Importante ressaltar que Antão Godê chefiava um bando independente mas que se juntava com Antônio Silvino quando necessário. 

 


Os cangaceiros Luiz e os outros dois desconhecidos acompanhavam Godê e aparecem em fotos ao lado dele.

 Créditos para Guilherme Velame Wenzinger

José Onias de Carvalho

As impressões de um repórter que esteve no Angico após o massacre

Por Valdir José Nogueira de Moura

Como repórter, o belmontense José Onias de Carvalho, também fez a cobertura do Combate de Angico, em que morreram Lampião e mais dez cangaceiros. Sobre o ocorrido, ele narrou os fatos nas páginas 10, 11 e 12 do livro de sua autoria “Memórias de um Matuto Sertanejo”.
 

José Onias era primo legítimo de Antônio Alves de Carvalho Barros, o famoso Antônio da Umburana, membro dos "futuqués", assassinado em outubro de 1918 na Vila de São João de Campos, hoje Mirandiba, que naquela época era distrito de Belmonte.

 

José Onias no Porto da cidade de Piranhas, AL, quando embarcava para a Grota de Angico, para fazer a cobertura da morte de Lampião.

José Onias de Carvalho nasceu em Belmonte/PE no dia 16 de março de 1901, filho de Antônio Onias de Carvalho e Maria da Luz Onias de Carvalho. Foi prefeito de Propriá no Sergipe, deputado estadual por aquele estado e também por Alagoas, e 6 vezes deputado federal. 

 

Confira neste trecho do livro Memórias de um matuto sertanejo, a descrição da expedição.






segunda-feira, 25 de julho de 2022

SAINDO DO FORNO!

 Novidades literárias que estarão na ´latada´ do "Cariri Cangaço Piranhas - 2022"

"Lampião e Benjamim Abraão - Uma das mais importantes reportagens fotográficas dos últimos tempos" ; de Angelo Osmiro Barreto.

 


O historiador, pesquisador e escritor Angelo Osmiro Barreto, nos brinda a todos com mais um importante trabalho literário saído da sua talentosa lavra.

Publicação com o prestigioso selo da Editora Sebo Vermelho, de Natal, RN. Adquira entrando em contato com o autor: (85) 99987-1646

Ângelo Osmiro, entre inúmeras outras atribuições, é presidente do insigne Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC.


"Manoel Neto no rastro de Lampião"; de Leonardo Ferraz Gominho.

 


Interessado? Pode enviar mensagem via zap (82) 99949 - 9831. R$ 60,00 (incluso correio), pagamento por PIX ou depósito em conta corrente Banco do Brasil ou Caixa Econômica.

 

“Lampião e a aliança de Gonzaga”; Novo livro de Valdir Nogueira

 


No alvorecer do dia 20 de outubro de 1922 a pacata cidade de São José do Belmonte teve a sua paz abalada ante a invasão e um massacre impiedoso, impetrado por um bando de cangaceiros que tinha como objetivo específico dar um fim a vida do industrial e bem sucedido coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz. Envolvendo as duas tradicionais famílias do lugar, Pereira e Carvalho, esse triste episódio por muito tempo permaneceu velado na cidade, deixou cicatrizes profundas. Até hoje, há quem se emocione ou evite falar sobre o fato que espalhou sangue e dor pelo município.

Assim como outros pesquisadores, desvendando mistérios, Valdir Nogueira, tenta elucidar, através dessa sua nova obra literária, a grande trama que foi o cruel assassinato, daquele que tentou desenvolver São José do Belmonte: Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, empresário ousado e empreendedor, um homem que ascendeu socialmente por esforço próprio, e que, infelizmente, teve a sua vida ceifada pelas balas assassinas do famigerado banditismo.

Sobre o novo livro de Valdir comentou o historiador e escritor Sérgio Augusto de Souza Dantas, prefaciador da referida obra:

“O presente trabalho chega em excelente hora. Pretende o autor – e o consegue com êxito – analisar devidamente um dos icônicos eventos protagonizados por Lampião, quando ainda incipiente chefe de grupo de cangaceiros e recém egresso da confraria capitaneada pelo célebre Sebastião Pereira, o “Sinhô”. Sem dúvida, cuida o presente trabalho do mais ousado episódio do início da carreira do hoje famoso cangaceiro pernambucano. Evento importante, mas que tem sido repetidamente desconsiderado pelos estudiosos do controvertido personagem. O assalto a Belmonte e o consequente assassinato de importante figura política do lugar – não nos custa destacar – são marcos em sua turbulenta vida de crimes. Será através destas duas ações que o apelido “Lampião” se consolidará em definitivo pelos sertões”.

A apresentação é do artista plástico Manuel Dantas Vilar Suassuna, e Orelha do historiador e escritor Igor Cardoso, ora editado sob a chancela do Centro De Estudos De História Municipal - CEHM, que promete trazer luz a um dos mais polêmicos episódios do cangaço, que no dia 20 de outubro do corrente ano completará 100 anos.

Para adquirir entre em contato com o autor pelo (87) 99652-9650

"Lampião: a construção de um mito" ; de Maria Otilia Souza.


 


Nesta obra, da  professora e escritora capelense Maria Otília Cabral Souza, que tem apresentação do ilustre Dr. Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço; a autora aborda a criação da imagem de Lampião como elemento simbólico do Nordeste, e por esse viés semiótico mostra os elementos que influenciaram esse processo, a exemplo da fotografia e seu caráter simbólico na construção e perpetuação do mito Lampião, a literatura de cordel como gênero épico na construção do herói popular, a visão midiática que o cinema propõe e sua postura crítica, a visão romanceada do herói bandido no romance e na música e por último, o papel da cultura de massa na descaracterização de Lampião.

Segundo a autora, "O desejo de transformar pessoas complexas e lendárias como Lampião em imagem símbolo torna-se cada dia mais forte, e na fronteira entre o passado e o presente quando impera o desconhecimento predomina a necessidade de reinventa-lo. Não importa ser, importa parecer. É nesse momento que o passado histórico doloroso se perde ancorado em novas interpretações. Destroem-se os valores históricos e se refaz uma nova imagem de Lampião. Ele se transforma em um produto de consumo exótico, extravagante e deixa para trás sua história, sua verdade.

Nesta obra a autora dá relevante destaque a dois importantes episódios de Lampião em Capela. História que há mais de 90 anos encontrava -se esquecida.

Após árdua tarefa de compilar informações, dirimir dúvidas, filtrar narrativas passadas, na incessante busca da verdade comparada, procurou narrar com extrema fidelidade fatos já conhecidos e vários outros inéditos com riqueza de detalhes e registros fotográficos desses dois episódios: Uma entrada inesperada em 1929 e uma tentativa frustrada em 1930 graças a coragem dos capelenses que lutaram com heroísmo em defesa da cidade.

A obra está à venda ao preço de R$ 50,00 + R$ 13,00 = 63,00 para qualquer parte do Brasil. Pix (79) 9 9909-6309.

"Quem Matou Delmiro Gouveia?", de Gilmar Teixeira.

 


A obra que está em sua segunda edição, traz um dos mais polêmicos episódios do começo do século passado, quando o um dos mais ousados empreendedores da história do nordeste, o cearense de Ipu, Delmiro Gouveia é alvejado a bala na varanda de seu chalé, no final da tarde, na localidade de Pedra, atual Delmiro Gouveia.

O livro é uma verdadeira odisseia na busca da elucidação dos fatos, confrontando depoimentos e notícias da época, rastreando fatos que passaram despercebidos quando ainda no calor dos acontecimentos. Vale a boa leitura e o conhecimento dos registros. Agora é esperar o lançamento do livro de Gilmar Teixeira e colocar mais lenha na fogueira das "mentiras e mistérios" das histórias do nordeste.

Para adquirir entre em contato com o autor pelo (75) 99199-1601

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Benício "Saracura"

Como foi a vida deste cabra após o cangaço (Atenção: foto inédita)

Por Moisés Reis

Benício Alves dos Santos era paripiranguense, entrou para o cangaço após desacertos com a polícia local e foi combater ao lado do notório Labareda. Sua vida durante o cangaço é relativamente bem conhecida. Saracura ficou famoso por aparecer em um famoso documentário onde é descrito por "Zé Rufino" como um homem destemido e inteligente, capaz de comandar um grupo por conta própria.
 

"Saracura" preso em Salvador

No mesmo documentário Benício aparece já como funcionário público do Instituto Médico Legal da Bahia. Em uma breve entrevista, entre informações sobre a vida bandoleira, deixa claro que não gostava de falar do cangaço.
 

Tudo que foi dito até aqui, não é novidade para quem gosta e pesquisa sobre o cangaceirismo, contudo, recentemente, tive a oportunidade ímpar de entrevistas Silvano Andrade Santos, filho de Benício. A descoberta do contato me foi gentilmente passada pelo pesquisador Kiko Monteiro (Blog Lampião Aceso).
 

Por telefone, Silvano me passou as informações que faltavam para compor o perfil de "Saracura" após o fim do cangaço e finalmente compor a historiografia sobre o tema.

Saracura faleceu ainda jovem, aos 59 anos, contrariando a tradição de longevidade dos cangaceiros sobreviventes ao cangaço. A data exata do seu falecimento é 2 de junho de 1975, morreu de hepatite e foi sepultado em Salvador.
 

Benício nasceu no dia 1º de novembro de 1916, se entregou em 1940 em Paripiranga e seguiu para cumprir pena em Salvador. Após cumprir sua sentença, continuou morando na capital, mas, de acordo com Silvano, fez diversas visitas à Paripiranga após o cangaço. Foi na fazenda de um amigo, Ramiro Vieira de Andrade, que conheceu a sua segunda mulher com quem viveria pelo resto de seus dias.
 

A filha do fazendeiro que encantou Saracura foi Josefa Vieira de Andrade Santos, ainda viva, com 83 anos, residente em Itaberaba, a 288 km de Salvador. Foi dela que Silvano retirou a maior parte das informações a mim passadas para a composição deste artigo, uma vez que ele tinha apenas 11 meses de idade quando o pai faleceu.
 

Sua vida cotidiana era dedicada ao trabalho e à família, tornou-se um cidadão tranquilo, ordeiro, casado, pai de quatro filhos, três biológicos e um adotivo. Como ele mesmo afirmou no documentário já citado, não gostava de falar do cangaço e está aí o motivo de sua vida civil não ter sido devidamente documentada até agora. 

Não temos informações acerca da sua relação com o outrora chefe Ângelo Roque. Sabe-se, contudo, que chegou a contar algumas histórias da respectiva parceria para a esposa em momentos de descontração.

 

Ângelo Roque, prestes a regeneração

 

A esposa de Saracura criou os filhos em Salvador apoiada na pensão de um salário mínimo que recebia como viúva, diante das dificuldades da vida, seu pai chegou a ir busca-la para voltar a viver em Paripiranga, mas ela recusou e preferiu criar os filhos onde acreditava ter melhores condições de dar a eles boa educação, oportunidade que não teve durante a vida. A família optou por Itaberaba, onde vive ainda hoje. 

A família permanece unida, Silvano é casado, pai de três filhos, um deles, o caçula, leva o nome do avô, Benício Andrade. É um nome forte para uma criança que vai crescer com um nome carregado de significados e com uma bela história de lutas.
 

Silvano é empresário e pai também de Victória Andrade (26 anos) e Miguel Andrade (21), Valentina Andrade, filha de Simone Andrade, completa o rol de netos do ex-cangaceiro Saracura.

 

Abaixo, uma foto inédita de Saracura e D Josefa Vieira, no dia do casamento religioso.
 

Benício e sua 2ª esposa, Josefa Vieira

Casamento religioso em Paripiranga, BA, 8 de janeiro de 1971

Acervo Kiko Monteiro (Lampião Aceso)

         

 *Moisés Santos Reis Amaral, Professor há 20 anos do Município de Fátima, Licenciado em História pela Uniages com especialização em História e Cultura Afro-brasileira, Mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe. Autor das obras: Manual Didático do Professor de História, O Nazista e da HQ Histórias do Cangaço. Contatos (75) 99974-289. E- mail.moisessantosra@gmail.com

 

Adendo Lampião Aceso em 2 de maio de 2024: Ainda segundo dona Josefa, seu companheiro foi enterrado na Quinta dos Lázaros (Salvador). E que a família foi avisada que deveriam retirar os restos após dois anos do sepultamento. Mas, quando eles foram tomar esta providencia, (em prazo não confirmado) encontraram a sepultura aberta e vazia. Quando ela questionou os coveiros, lhe disseram que ele já havia sido retirado e que tinham descartado os restos. 

*Depoimento concedido ao pesquisador Rubens Antonio em setembro de 2013.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Reedição histórica

 O sertão, a política e os cangaceiros

 


Passados 14 anos desde que comecei o “Lampião Aceso”, (1º blog dedicado inteiramente ao tema cangaço), ele ainda me proporciona pouquíssimos “recebidos”, mas de indeléveis alegrias.
 

Temos o orgulho de ver nosso nome estampado em mais um livro. E este é um trabalho ispiciá…
 

Trata-se de uma reedição histórica de “O sertão, a política e os cangaceiros” uma plaquete de autoria de G. Pinto de Souza, lançada em edição única há 102 anos.
 

Fizemos a simples doação de uma cópia que me foi presenteada pelo filho do autor e graças aos contatos do confrade Angelo Osmiro Barreto, cabra que detém a maior biblioteca do gênero no país e do empenho do editor Adriano de Carvalho Duarte, ele agora está ao alcance dos amantes da historiografia nordestina.
 

Muito obrigado a estes vaqueiros! 

Para adquirir este livro entre em contato com Adriano zap (88) 9 9956 - 1897
 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Confira a Programação!

Cariri Cangaço Piranhas - 2022

 


Sertão das Alagoas - Nordeste do Brasil

 

28 de Julho - Quinta-feira
 

NOITE DE ABERTURA

18:30h Centro Cultural Miguel Arcanjo

19:00h – Formação da Mesa Oficial de Abertura

Hino Nacional - Filarmônica Mestre Elísio

MESA

TIAGO FREITAS - Prefeito Municipal

CELSINHO RODRIGUES- Presidente da Comissão Organizadora

MANOEL SEVERO - Curador Cariri Cangaço

MELLINA TORRES FREITAS - Secretária Estadual da Cultura

INÁCIO DE LOIOLA - Deputado Estadual de Alagoas

ARCHIMEDES MARQUES - Presidente da ABLAC - Sergipe

EDUARDO CLEMENTE - Secretário de Cultura e Turismo de Piranhas

ANGELO OSMIRO – Presidente do GECC - Ceará

NARCISO DIAS - Presidente do GPEC – Paraíba

ÁLVARO MOREIRA - Presidente da APLA

19:30h-Entrada do Estandarte do Cariri Cangaço

QUIRINO SILVA e CÉLIA MARIA - João Pessoa PB


19:40h - Apresentação do Cariri Cangaço

EMMANUEL ARRUDA - João Pessoa PB

19:50h – Cumprimentos aos Convidados

CELSINHO RODRIGUES - Conselheiro Cariri Cangaço

MANOEL SEVERO - Curador do Cariri Cangaço

INÁCIO LOIOLA - Deputado Estadual

TIAGO FREITAS - Prefeito Municipal de Piranhas


 20:00h – Posse de Novos Conselheiros Cariri Cangaço

1. JACQUELINE RODRIGUES - Piranhas AL

Entrega de Diploma por JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

2. PEDRO POPOFF - Bauru SP

Entrega de Diploma por KYDELMIR DANTAS - Nova Floresta PB

3. GILMAR TEIXEIRA - Feira de Santana BA

Entrega de Diploma por  CALIXTO JUNIOR Juazeiro do Norte CE


20:15h – Entrega de Diplomas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"
 

1. Prefeitura Municipal de Piranhas - TIAGO FREITAS

Entrega de Diploma por MELLINA FREITAS - Maceió AL

2. Academia Piranhense de Letras e Artes - ÁLVARO MOREIRA

Entrega de Diploma por CRISTINA COUTO - Lavras da Mangabeira CE

3. MFTur - ANTONIO MANOEL DE CARVALHO NETO

Entrega por Conselheiro CELSINHO RODRIGUES -  Piranhas AL


20:30h – Homenagem à Memória de Celso Rodrigues Rego

PADRE LUCIANO JOSÉ RODRIGUES BRITO

20:45h - Comenda de "Personalidade Eterna do Sertão"

CELSO RODRIGUES REGO In Memoriam

SÔNIA RODRIGUES e FAMÍLIA recebem

 de IVANILDO SILVEIRA e JOÃO DE SOUSA LIMA


21:00h - Comenda de "Personagem Histórica do Sertão"

CYRA BRITTO BEZERRA In Memoriam

PAULO BRITTO e ANE RANZAN recebem de INÁCIO LOIOLA


21:15h - Lançamento do Projeto

"CAMINHOS DA RESISTÊNCIA - PELAS RUAS DE PIRANHAS"

CELSINHO RODRIGUES

MIGUEL ALENCAR

29 de Julho - Sexta-feira

MANHÃ

9h30 - Saída para Tour Histórico
Lançamento Projeto
"CAMINHOS DA RESISTÊNCIA - PELAS RUAS DE PIRANHAS"

Apresentação do Roteiro e Episódios
PRISÃO DE INACINHA , INVASÃO E MORTE DE GATO
PERSONAGENS CHIQUINHO RODRIGUES - CYRA BRITTO

TRAMA PARA O CERCO DE ANGICO
PERSONAGENS JOCA BERNARDO - PEDRO DE CÂNDIDO
SARGENTO ANICETO - JOÃO BEZERRA
FERREIRA DE MELO

PRÉDIOS HISTÓRICOS

Explanações sobre o Roteiro e Episódios
CELSINHO RODRIGUES - Piranhas AL
MIGUEL ALENCAR - Piranhas AL
INÁCIO LOIOLA - Piranhas AL
JACQUELINE RODRIGUES - Piranhas AL
PAULO BRITTO - Recife PE
JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

11:30h - Centro Cultural Miguel Arcanjo
LANÇAMENTOS DE LIVROS

1. Lampião e a Aliança de Gonzaga
VALDIR NOGUEIRA - São José de Belmonte PE

2.Lampião, Herói ou Bandido - A Construção de um Mito
MARIA OTILIA CABRAL SOUSA - Capela SE

3. Lampião em Serrinha do Catimbau
JUNIOR ALMEIDA - Capoeiras PE

4.Guerra de Pau de Colher: Massacre à sombra da Ditadura Vargas
MARCOS DAMASCENO - Dom Inocêncio PI

5. Maria Bonita a Rainha do Cangaço
JOÃO DE SOUSA LIMA - Paulo Afonso BA

6. Corisco e Dadá - Uma Saga de Amor, Cachaça e Sangue
7. Zé Baiano e os Engrácias
JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO - Salvador BA

8. Lampião e Seus Cangaceiros - 1920 a 1940 Caderno de Anotações
9. Lampião e a Revolução de 1930
10. Lampião em 1931 - O Imperador dos Sertões
11. Lampião em 1932 - O Terror dos Sertões
LUIZ RUBEN BONFIM Recife PE

12. Quem Matou Delmiro Gouveia
GILMAR TEIXEIRA Feira de Santana BA

13. Contadores de História - Lá vem a Maria Fumaça
REGINA CELI BORGES Jatobá PE

13:00h - Almoço

TARDE LIVRE

NOITE

18:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo

18:40h –Sessão Solene da ABLAC
Posse de Novos Acadêmicos
ARCHIMEDES e ELANE MARQUES - Aracaju SE

20:30h - Conferência e Lançamento
 "Memórias Sangradas"
RICARDO BELIEL - Rio de Janeiro RJ
LUCIANA NABUCO - Rio de Janeiro RJ

MESA:
JORGE REMÍGIO - Custódia PE
KIKO MONTEIRO - Lagarto SE
CARLOS ALBERTO SILVA - Natal RN
 

30 de Julho - Sábado

MANHÃ

7:30h - Saída para Grota do Angico - Poço Redondo SE
Porto de Piranhas

8:30h - MOMENTO SOLENE ECUMÊNICO
Onde serão Depositadas no Leito do Rio São Francisco, à bordo do Catamarã, as CINZAS do Pesquisador
ANTONIO AMAURY CORRÊA DE ARAÚJO

CARLOS ELYDIO ARAÚJO
MANOEL SEVERO

10:00h - GROTA do ANGICO
28 de Julho de 1938... A Morte de Lampião - Rei do Cangaço

Apresentação e Debate sobre o Cenário e Episódio
"Mentiras e Mistérios de Angico"

IVANILDO SILVEIRA - Natal RN
LEANDRO CARDOSO FERNANDES - Teresina PI
WESCLEY RODRIGUES - Cajazeiras PB
KYDELMIR DANTAS - Nova Floresta PB
MOACIR ASSUNÇÃO - São Paulo SP
JOSE BEZERRA LIMA IRMÃO - Salvador BA

12:30h - Almoço

TARDE LIVRE

NOITE

18:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo

19:00h – O Homem, a Vida e os Desafios de Antônio Amaury
CARLOS ELYDIO ARAÚJO - São Paulo SP

19:40h - Comenda "Personalidade Eterna do Sertão"
ANTONIO AMAURY CORRÊA DE ARAÚJO In Memoriam
Entrega por MANOEL SEVERO -  Fortaleza CE

20:00h - A Obra e o Legado de Antônio Amaury
LEANDRO CARDOSO FERNANDES - Teresina PI
ANGELO OSMIRO BARRETO - Fortaleza CE
LUIZ RUBEN BONFIM - Recife PE


Realização:
Instituto Cariri do Brasil
Conselho Alcino Alves Costa
Prefeitura Municipal de Piranhas
Secretaria de Cultura e Turismo de Piranhas

Apoio:
APLA - Academia Piranhense de Letras e Artes
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
MFTUR


NOTA IMPORTANTE CARIRI CANGAÇO

Para um melhor esclarecimento sobre o Cariri Cangaço Piranhas 2022, ressaltamos que toda a agenda do evento é totalmente grátis, sem necessidade de inscrição prévia nem pagamento de nenhuma taxa. 

Os participantes serão responsáveis por suas próprias despesas; de hospedagem e alimentação. A Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Piranhas 2022 coloca a título de sugestão a indicação de hotel; que estará concentrando a grande maioria de nossos convidados; sendo: Hotel Xique Xique - Bairro Xingó - Contato pelo ZAP (82) 98178.8756 ou Email: hotelxiquexiquepiranhas@gmail.com . Esclarecemos ainda que a cidade de Piranhas possui uma espetacular rede hoteleira, atendendo a todos os públicos, dessa forma basta a consulta via internet. 

Reiteramos que nosso compromisso é com você , sem dúvidas nosso maior patrimônio. Sejam todos muito bem vindos ao Cariri Cangaço Piranhas 2022, Território de Grandes Encontros.

Manoel Severo Barbosa - Curador do Cariri Cangaço

Celsinho Rodrigues - Presidente da Comissão Org. do Cariri Cangaço Piranhas