domingo, 13 de outubro de 2013

Crônica de uma expedição

Na rota dos primeiros passos de Lampião

Por: (*) Sérgio Dantas

Dia 20 de setembro de 2013. Chego ao Terminal Rodoviário de Serra Talhada por volta as 21:50h e ali já encontro os amigos Kiko Monteiro, Geziel Moura e seu filho Felipe. Os dois últimos, nortistas de Belém do Pará, fazendo uma das suas primeiras incursões pelo mega calor do sertão nordestino. Kiko, do ‘Lampião Aceso’, cabra já por demais calejado nas andanças pela caatinga, ansioso por rever velhos coitos e conhecer uns poucos novos.

Fizemos nosso “Quartel General” em Triunfo, pouso de clima mais ameno, cidade a pairar soberana sobre o horizonte de Pernambuco. “O ponto mais alto do Estado” – garantem os nativos e a Geografia nos confirma o dito. Estamos no Pajeú, próximos à divisa com a Paraíba, em meio a palcos de acontecimentos diversos na sangrenta epopeia do cangaço.


Kiko Monteiro, Sérgio Dantas e Geziel Moura traçam o mapa.
(Foto: Felipe Mauler)

O nosso objetivo imediato seria o de visitar a maior quantidade possível de lugares relacionados ao início da ‘carreira’ de Lampião. Entre os dias 20 e 24 de setembro deste ano, caímos na estrada e tentamos levar a cabo a meta estabelecida.

Como é gratificante reencontrar amigos; ver a história de perto; criar imagens – mesmo que mentais - sobre os eventos que ocorreram neste ou naquele lugar. E lá fomos nós, decididos a fatiar o Pajeú; a aprender a ler as suas entranhas; a relembrar episódios que aprendemos através de livros sobre o tema. 

Na manhã do dia 21, logo cedo, após lauto café-da-manhã, descemos a Serra da Baixa Verde e fomos ao nosso alvo: a casa de Luiz Gonzaga de Souza Ferraz, na agradável Terra das Pedras do Reino; São José do Belmonte. Viagem tranquila, sem sobressaltos. A Serra do Catolé um tanto à frente; bem mais à direita. Prosa boa, uma anedota aqui e ali, o amigo Kiko fazendo imitações de ‘personagens famosos’.

Em pouco estávamos diante do imponente casarão. Linhas originais conservadas, paredes de exagerada largura, o sótão com sua escadaria antiga – testemunha silenciosa daquele dia 20 de outubro de 1922. Recebidos pela professora Pergentina, atual proprietária do imóvel, podemos ver em detalhes toda a sua estrutura. Depois da inspeção ao velho sótão, de onde Gonzaga caiu para a morte nas mãos de Livino Ferreira e "Cajueiro", varejamos cada detalhe da construção centenária. A pequena câmera Sony H90 nas mãos de Kiko, registrando detalhes, imagens e falas.


Fachada do casarão de Luiz Gonzaga de Souza Ferraz
 (Foto: Kiko Monteiro)

Interior do casarão de Gonzaga
(Foto: Kiko Monteiro)

Sótão que Gonzaga tentou em vão usar como esconderijo.
 (Foto: Kiko Monteiro)

De volta à Serra Talhada, parada no ‘Coringa’ para almoço. Depois, Cemitério, para visita ao túmulo de David Jurubeba. Daí, a viagem continua até a Pedreira de Zé Saturnino. Nesta, encontramos João Alves de Barros, filho do primeiro grande inimigo do rei do cangaço. Um pouco de prosa, e ele nos mostra, ao longe, o local da primeira tocaia, onde Antônio Ferreira saíra ferido. –“Ali na Serra Vermelha, e não naquelas pedras em cima da outra aí na beira da estrada, como tem uns mentirosos que contam”. Não soubemos identificar a quem o Sr. José Alves se referia, mas o fato é que ele estava certo. O combate foi na base da Serra Vermelha, onde, mais de trinta anos depois, foram encontrados um resto de punhal, uma espora e outras coisas de menor importância. As peças maiores nos foram mostradas. Tudo fotograficamente registrado.


Registrando a visita e agradecendo pelo depoimento do Sr. João Alves.
 (Foto: Geziel Moura)

As pedras no sopé da Serra Vermelha. 
Primeira refrega entre os Ferreira e José Saturnino.
(Foto: Kiko Monteiro)


Ferragem de um punhal encontrado no local acima há trinta anos.
(Foto: Kiko Monteiro)

 Ruínas da Maniçoba da Pedreira (casa de Zé Saturnino).
 (Foto: Kiko Monteiro)

Ainda na Pedreira, vimos, ao longe, o velho ‘Lero’, 94 anos, também filho de Zé Saturnino. ‘Lero’ não mais tange gado. Não consegue mais se por de pé sem a ajuda de um ‘andador’. Hoje o tempo lhe obrigada a apenas tanger a vida..

Mais adiante - depois de quase ‘150 porteiras’ a abrir e fechar -, chegamos à verdadeira fazenda Passagem das Pedras, margens do riacho de São Domingos. O veio d’água seco, areial puro, em virtude da prolongada estiagem. O cruzamos de carro e chegamos até a residência de Camilo Nogueira, que nos recebe com a simpatia de costume. Um ‘gentleman’ em pleno sertão. Ali do lado, os restos da casa onde nascera Virgolino Ferreira, o ‘Lampião’.  Geziel não cabe em si de tanta felicidade ao pisar no solo onde seu principal ídolo abrira os olhos a primeira vez. Sensação única para o ‘cabra do Norte’.

Riacho de São Domingos: há anos sem correr água!
(Foto: Kiko Monteiro)

Na casa que havia neste local nascera Virgolino.  
Apenas o velho mandacaru...

...e alguns restos de telhas e tijolos atestam o local exato da casa dos Ferreira.
 (Foto: Kiko Monteiro)

Olha a cara do paraense! Geziel todo prosa, sentado num velho tronco de cumeeira, contempla o lugar que deu origem ao brasileiro mais estudado de todos os tempos.
(Foto: Sergio Dantas)
Nosso estimado Camilo Nogueira apresenta duas peças de um torno de madeira 
que pertenciam a José Ferreira, pai de Lampião.
(Foto: Kiko Monteiro)

Antes de encerrar o dia de visitas, uma parada nas ruínas da casa de Dona Xanda, mãe de Saturnino. As paredes – antes marcadas por tiros – já praticamente caíram. Restos das brigas entre o cangaceiro famoso e José Alves de Barros, o Zé Saturnino. Já na saída do local, Geziel lembra-se de apanhar um pedacinho de tijolo para presentear um amigo: “entregue isto ao Dr. Ivanildo” – ele me pede. E completa: “já que ele nunca veio aqui, diga a ele que eu envio essa lembrança!”. Em Natal, dias depois, cumpri a missão a mim confiada.


Fazenda Pedreira. Ruínas da casa de dona Xanda.
(Foto: Kiko Monteiro)


Encomenda para Ivanildo Silveira. Camilo detalha o fabrico dos tijolos.
(Foto: Sérgio Dantas)

No dia seguinte, mais viagens e visitas. Sítio dos Nunes e Serra Grande, primeiros pontos do roteiro. Trilha de barro a partir de Varzinha, até chegarmos ao pé da velha trilha para Betânia, onde foi deflagrado o primeiro tiro do grande combate de 26 de novembro de 1926. Serra Grande; quase 18 km de extensão. Combate na chã mais baixa, onde as duas partes altas do maciço se encontram e criam uma espécie de passagem natural para o lado sul. Já tinha estado lá uma vez. Na época, o acesso era mais fácil, pois ainda não existiam os trilhos da futura “Transnordestina”. Agora, a viagem até a serra, a partir da BR 232, tem que ser feita em grande parte a pé, debaixo de sol escaldante. Os trilhos cortaram a passagem que antes era praticamente livre: apenas uma cancela! Hoje chegar lá se tornou bem mais difícil. Afinal, como diria alguém, “o progresso tem que abrir mão da História”.


Perto da Serra Grande. Agora, com um obstáculo a mais a transpor: 
os trilhos da Transnordestina.
 (Foto: Felipe Mauler)

Na encosta da Serra Grande.

A tarde, mais lugares a ver. Paramos em Nazaré, solo dos mais devotados e ferrenhos perseguidores de Lampião. Rubelvan Lira – filho do saudoso tenente João Gomes de Lira – nos recebe. Pouco depois, vem ao nosso encontro o Sr. Ulisses, filho do valente Euclides ‘Flor’. E nos reclama: “deveriam ter avisado, para que a gente preparasse um almoço bom!”. A prova do bom e desinteressado hábito sertanejo de bem receber as visitas. Improvisou-se almoço. Comida excelente!

Com Ulisses Ferraz 
 mais que satisfeitos com o convite para o comes... e bebes também.
(Foto: Felipe Mauler)

Uma visita ao cemitério velho. Fotos das lápides de Manoel Neto, Euclides Flor, Manoel Flor e Hildebrando Ferraz. O amigo da Terra do Açaí quase não quer sair do ‘campo santo’. Ali estão os restos de outros referenciais seus, notadamente Manoel Neto, o “Mané Fumaça”. E ainda havia mais a ver: os monumentos, a igrejinha, as relíquias fotográficas e materiais guardadas na casa de Zezinho. Emoção única ver e tocar na túnica militar de Odilon Flor, com suas divisas de sargento. Tudo registrado para a posteridade.

Cemitério de Nazaré do Pico.
 O túmulo em destaque é onde repousam os restos mortais do lendário Manoel de Souza Neto e Hildebrando Ferraz.
(Foto: Sérgio Dantas)

Reencontro com o casal de amigos Iraci e Zezinho de Emília.
(Foto: Felipe Mauler)

Blusão militar ou gandola do Sargento Odilon Flor.
 (Foto: Sérgio Dantas)

Nos despedimos do povo bom de Nazaré e tocamos a viagem até Caraíbas, palco de grande combatede 15 de fevereiro de 1926. Uma cerca de arame farpado nos impede de ir até o pé do serrote onde houve o confronto. Queríamos pelo menos um cartucho antigo, para presentear um amigo nosso. Mas nos contentamos em ver o local a algumas dezenas de metros.

Depois, fazenda Tapera, de Manoel Gilo. Ali fomos muito bem recepcionados por Djalmir, neto de Cassimiro de Gilo, único sobrevivente do tiroteio que ali ocorrera em 26 de agosto de 1926. Djalmir, que trabalhava como motorista do sanfoneiro Dominguinhos, nos mostra tudo. Dos restos da casa às trincheiras naturais existentes nos barrancos de riacho próximo. De cartuchos encontrados entre os escombros da casa ao cemitério onde se sepultaram os corpos de Manoel Gilo e de outros mortos daquele violento dia de agosto. Depois do lanche, deixamos a fazenda já cumprimentando a noite.


 O anfitrião Djalmir conta a tragédia que se abateu sobre a Família Gilo.
(Foto: Kiko Monteiro)

Em busca de vestígios, no local onde antes foi a casa da família Gilo.
(Foto: Kiko Monteiro)

Vestígios de 87 anos: 
Cápsulas de balas de calibres diferentes.
(Foto: Kiko Monteiro)

A margem do Capim Grosso, riacho que corta a propriedade, serviu
como proteção para Lampião e os cabras. Assim como o São Domingos o Capim Grosso é mais um areal resultado da terrível seca.
(Foto: Sérgio Dantas)

Num pequeno cemitério dentro da propriedade jazem 11 vitimas de Lampião.
(Foto: Kiko Monteiro)

Faltava Floresta do Navio. De última hora, resolvemos entrar na cidade e fazer uma visita a seu Neco - Manoel Cavalcanti de Souza-, último ‘nazareno’ vivo. ‘Neco de Pautília’. Apesar da saúde fragilizada, o velho combatente ainda relatou detalhes do combate de Maranduba, do qual participara sob as ordens do Coronel Liberato de Carvalho. “Morreram três cangaceiros: Sabonete, Catingueira e Quina-Quina” – relembra com alguma dificuldade. Saímos de Floresta com a triste impressão de que não veríamos o guerreiro mais uma vez. A vida e seu curso inexorável rumo ao desconhecido.

[OBS. Por conta do estado de saúde e principalmente por questão de ética não exibiremos a foto do amigo e velho guerreiro Neco. Apesar de termos tido autorização da família para registrar a visita.]

No dia 23, pela manhã, uma passadinha na Fazenda Abóboras, local de nascimento do famoso cangaceiro Sabino Gomes. Instalações amplas; bom exemplar da arquitetura do início do Século XX. A casa grande, embora reformada, guarda traços de sua grandiosidade original. Tudo fechado; um perdigueiro montando guarda. A nossa esquerda, a serra do Xique Xique, ao lado da Serra Talhada. Ali teve combate em 1925 e também estava em nossa relação de lugares a visitar.


Chegando às Abóboras de Sabino
(Foto: Kiko Monteiro)

A casa-grande da fazenda Abóboras.
(Foto: Felipe Mauler)

Depois de uma passagem rápida pelo Museu do Cangaço de Serra Talhada, nos despedimos do amigo Kiko. Infelizmente o cabra não pode permanecer conosco até o final, sob pena de perder sua carona de retorno ao Sergipe.

Fim de linha pra Kiko Monteiro. Visita ao acervo do museu do Cangaço 
mantido pela Fundação Cabras de Lampião, na terra do Xaxado.
(Foto: Felipe Mauler)

A viagem continuou sem a animação do cabra ‘Gitirana’. Fomos a Xique Xique e podemos bem entender toda a dinâmica do combate ali havido em novembro de 1925. Um açude cobre parte do local, mas ainda é possível ver pedras da cerca natural e o paredão da serra. Ali morrera Ildefonso Flor, garoto imberbe, em seus 16 anos de vida. A serra ao lado, testemunha de tudo, em seu silêncio milenar.


 Geziel Moura pega um bronze 
as margens do açude do Saco, em Xique-Xique. .
(Foto: Sérgio Dantas)

O dia se completa com a ida à Baixa do Juá, próximo ao Tenório, onde fora baleado Livino Ferreira, irmão de Lampião, na data de 5 de julho de 1925. Aqui também a Transnordestina criou algum obstáculo para acesso. Mas cremos que valeu ir até o local, hoje tão esquecido pelos livros. Nos pareceu ainda virgem, intocado, caatinga bruta.

Baixa do Juá (ou Tenório), 
local do combate onde Livino foi ferido de morte.

Para coroar a viagem, uma breve entrada na Paraíba. Terras de Princesa Isabel, feudo dos Pereira e dos Diniz. Uma passada em Patos do Irerê, onde reinou absoluto o Coronel Marcolino Diniz, sombria figura detentora do poder naquelas plagas. Na povoação, esquecida pelos homens e pelo tempo, a igrejinha singela – onde se conta ter acontecido o casamento do cangaceiro Meia-Noite. Um pouco fora do arruado, o casarão velho dos Patos que, se não cuidado a tempo, em breve será apenas um monte de entulho.

Igrejinha de Patos de Irerê: infinitas histórias!
 (Foto :Sérgio Dantas)

Dentro desta capela encontra-se o túmulo do Cel. 
Marcolino Diniz e de sua esposa "Xandu".
 (Foto: Sérgio Dantas)

Casa de Marcolino Diniz
  (Foto: Felipe Mauler)

 Casarão dos Patos de Irerê.
(Foto: Felipe Mauler)

Muitos lugares, histórias várias. Porém, todos entrelaçadas pela presença constante de Lampião e seus cangaceiros. Bom visitar, conhecer, apreender as particularidades de cada sítio histórico, em particular. Em breve, outras viagens virão. Esperamos com as boas companhias desta. O alvo nos indica, a priori, o nordeste da Bahia. Encontraremos o momento certo para a incursão.

Sérgio Augusto de Souza Dantas
Natal, RN

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*Bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008). Clique Aqui e confira uma entrevista com SD

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Trouxe do Cariri

Lançamentos e relançamentos para sua estante

Assim morreu Lampião, em sua 4ª edição

Lampião foi envenenado? Esta pergunta tem sido feita com muita constância
pelos pesquisadores interessados na vida de Lampião. E a resposta foi dada pelo 
médico Dr. Leandro Cardoso, durante apresentação dos resultados de seus 
estudos a este respeito, através das análises feitas sobre os prováveis venenos 
utilizáveis à época, e seus respectivos efeitos nas vitimas, contribuindo assim 
para elucidar as questões levantadas a este respeito. 

O mesmo trabalho encontra-se transcrito na integra no presente livro, e foi apresentado em primeira mão na 2ª edição do Cariri-Cangaço.


Alguém traiu Lampião?  A entrevista feita com Joca Bernardo, traz a resposta 
à esta pergunta, dada de viva voz pelo mesmo ao autor deste livro, reincidente 
entre os estudiosos do assunto.

A nova edição conta com 317 páginas.
Valor de lançamento : R$ 45 (Quarenta e cinco reais) Frete a consultar.

Os pedidos serão feitos diretamente ao autor:
Antônio Amaury Corrêa de Araújo
Rua Guajurus, 156 – Jardim São Paulo
São Paulo – SP

CEP: 02.045-070

E-mail: aamaurycangaceiro@gmail.com Tel.: (11) 2972  4824

"Dé Araújo" Um cangaceiro Afamado, um soldado célebre


Trata o presente trabalho, em especial, da biografia, resumida, de um cidadão sertanejo, que, achando-se injustiçado, resolveu pegar em armas para executar sua vingança. Na sua espetacular trajetória de vida, tornou-se cangaceiro – ao ingressar no grupo liderado pelo Sinhô Pereira -,  incorporou-se a Força Pública de Pernambuco, virou desertor, reassumiu as fileiras do cangaço – mais uma vez sob o comando do Sinhô Pereira e, logo  a seguir, ficou sob a chefia do temível Lampião -, até o momento que não mais compactou com os bandoleiros, e, finalmente, sendo convencido por familiares e amigos, a tentar a sorte no Sudeste brasileiro, se incorporou no Regimento de Cavalaria da Força Pública de São Paulo e tornou-se um militar exemplar.

• Nº de páginas: 328. Valor R$ 50 (Cinquenta Reais) Frete incluso. Envie pedido para o autor pelo email geraldoferraz@uol.com.br

Sitio dos Nunes de Flores, vive saga cangaceira


Sítio dos Nunes é um distrito pertencente a Flores, sertão do Pajeú Pernambucano surgida no século XIX por Portugueses. Lá, Virgulino Ferreira da Silva e seus sequazes praticaram crimes gerando assim processos jurídicos do qual este, está compilado na íntegra neste trabalho pioneiro documental, onde resgatamos com muita seriedade e compromisso histórico este fato ocorrido no sertão nordestino dando início uma nova fase de estudos: o Judiciário nas Caatingas, termo corretamente aqui utilizado em sua forma original e grafia da época.
 

Para aqueles estudiosos, pesquisadores e admiradores da temática do Cangaço, este livro Sítio dos Nunes de Flores Vive uma Saga Cangaceira nada mais é do que um instrumento indispensável e de fundamental relevância para os que buscam elucidar, mediante análise documental, o fato ocorrido e vivido neste sertão, onde Lampião reinou por quase vinte anos sendo mitificado e se tornado lenda pelas suas façanhas.

Apreciem a leitura, pois o livro é de caráter inédito buscando novas perspectivas elucidativas.


Nº de páginas: 46. Valor de lançamento R$ 25,00 (Vinte e cinco reais) Com frete incluso. Para adquirir entre em contato com a coautora Ana Lucia Granja Souza annags.lucia@hotmail.com.

Como Capturar Lampião


Pesquisando os jornais da Bahia, começando do ano de 1928 até o final da década de 30, dentre eles, A Tarde, Diário da Bahia, Diário de Notícias, O imparcial, Nova Era, incluindo também jornais de outros estados, como, A República, de Alagoas, Diário Oficial do Poder Legislativo de Pernambuco, além dos Boletins da Polícia Militar da Bahia, para um trabalho onde parte dele publiquei em outros livros, observei que existia uma preocupação muito grande, não só do estado, mas, uma verdadeira fixação de grande parte da sociedade civil, com o extermínio do grupo de Lampião.

Foi publicado na época, além das estratégias do estado, ideias, algumas absurdas e fantasiosas de como fazer isso. Assim, resolvi extrair da minha pesquisa, a parte que encontrei sobre esse assunto e transcrevo as matérias ao longo do livro....

Nº de páginas: 142. Valor: R$ 30,00 (Trinta e cinco reais) Com frete incluso. Pedidos para o autor através do email graf.tech@yahoo.com.br

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"Zé Rufino": Algumas referencias

Por Rubens Antonio

José Osório Farias, o "Zé Rufino", nasceu em 20 de fevereiro de 1906, em Pernambuco.Comandante de volante que mais liquidou cangaceiros, adentrou a Força Pública do Estado da Bahia, assentando praça em 2 de janeiro de 1934.

Passou a compor as Forças em Operações no Nordeste - F.O.N.E. Chegou a segundo tenente em 1939. Entre aqueles cangaceiros que eliminou, Zé Rufino destacou, em entrevista, Azulão, Barra Nova, Canjica, Catingueira, Corisco, Maria Dórea, Mariano, Meia-Noite, Pai Velho, Pavão, Sabonete, Zabelê e Zepellin.

À direita na foto acima, reformado como coronel junto a ex-integrantes de sua volante.
Abaixo, sua assinatura:




Em relação ao seu falecimento, anotação no Boletim Geral Ostensivo da Polícia Militar do Estado da Bahia:
E outra anotação no Boletim Geral Ostensivo da Polícia Militar do Estado da Bahia da solicitação de pensão por parte da sua viúva, Maria de Lourdes Vieira Farias, com citação também da sua filha, Zélia Maria de Farias:
Pescado ali ó: Cangaço na Bahia

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Reedições

Um Virgolino de corpo e alma.. Mais uma reedição da Coleção João Nicodemos de Lima sobre o Cangaço.


 
Érico de Almeida
"Lampião, Sua História"
2013, Ed. Fac-similar 136 pág.



Lampeão Sua História é a primeira biografia do rei do cangaço, publicada em 1926, no governo de João Suassuna, pai Ariano, que patrocinou a editoração, como Governador  do Estado da Paraíba.

O escritor e jornalista Érico de Almeida escreveu 14 capítulos sobre a presença de Lampião na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas. O primeiro capitulo é só elogios ao presidente Suassuna, chamando-o de O Anjo do Bem, O Salvador de Flores  e o ultimo é o depoimento de Antonio Silvino sobre Lampião. Em 1925 o coronel José Medeiros de Siqueira Campos, chefe político de Flores, visitou Antonio Silvino na cadeia do Recife. Após variada palestra diz Silvino para seu ilustre visitante:
 “ – Coronel, dê-me  notícias de Lampião. 
– Lampião, retorquiu o coronel Medeiros , Lampião anda danado pelo navio a cometer horrores. 
Silvino baixou a cabeça, parecendo refletir profundamente . Após uns momentos reergueu-a  e dando um suspiro disse:
Lampião, Coronel  é um príncipe. Eu é que não soube ser cangaceiro...”
O livro de Érico de Almeida tem a origem do apelido Lampião, a morte do coronel Luiz Gonzaga, da cidade de Belmonte, em 1922. No final tem uma relação de vitimas de Virgolino Ferreira, de 1921 à 1925. 98 mortos em Pernambuco e 17 em Alagoas. É mais uma raridade da bibliografia do cangaço que o Sebo Vermelho reedita em edição fac-similar, para o conhecimento das novas gerações.

Texto: Abimael Silva
Sebista e Editor

O livro custa 30,00 (Trinta reais) com frete incluso. Para adquiri-lo envie E-mail para fplima1956@gmail.com ou pelos Tel.  (83) 9911 - 8286 (TIM)  / 8706 - 2819(OI)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Salve Olinda!!!

De Araújo, está na Bienal


O preço por ocasião do lançamento será de R$ 40,00 (Quarenta reais). Aquisição, via correios, acrescido do valor de R$ 10,00 (Dez reais) correspondente as despesas com envio. Total: R$ 50,00
Pedidos devem ser enviados para o e-mail do autor:  geraldoferraz@uol.com.br ou tel (81) 9976-9216 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Baixas

As cruzes de Mariquinha , Sofreu e Pé-de-Peba

Por João de Sousa Lima     


Dia 16 de setembro de 2013, eu e Felipe Marques saímos de Paulo Afonso em direção a Jeremoabo e de lá, já na companhia de Antonio Fernandes, nos dirigimos até a cidade de Coronel João Sá, onde nos encontramos com o professor Enoque Cardoso e Antonio Vieira, dois amigos que nos auxiliaram em uma pesquisa sobre o cangaço apresentando pessoas e lugares que tiveram ligações com a história. Dentre as várias entrevistas estivemos com Laurinda  da Cruz de Jesus e podemos ouvir dela o relato da morte dos cangaceiros Mariquinha, Pé de Peba e Xofreu ( ou também chamado de Chofreu e Sofreu).

As cabeças dos cangaceiros foram levadas do local da morte no lombo de uma jumenta que pertencia a Maria da Cruz Gouveia, que era mãe de Laurinda. A jumenta estava com poucos dias de parida. A cangaceira Mariquinha foi uma das primeiras mulheres a entrar no grupo de cangaceiros. Ela era prima de Maria Bonita, irmã de Zé de Nenê. Mariquinha seguiu com o cangaceiro Ângelo Roque, o famoso Labareda.
    
 A equipe: Antônio Vieira, Prof. Enoque, João de Sousa
e Felipe Marques.
Os cangaceiros foram cercados ao anoitecer pela volante do nazareno Odilon Flor. Um dos soldados que estava presente nesse combate ainda encontra-se vivo em Paulo Afonso, é o cabo Gérson Pionório. A seguir o relato que ele fez do combate:
Gerson Pionório Freire
- Eu destaquei em Jeremoabo, Canindé, Canudos (fui delegado), Pilão Arcado, Sento Sé, Remanso, Sobradinho, Casa Nova, Senhor do Bonfim, Juazeiro, Napele, Tucano, Calda de Cipó, Urucí, Itabuna, Canavieiras, Canacá, Jacareci (fui delegado), Euclides da Cunha (fui comandante), e Cocorobó (fui delegado).Gérson passou pelas volantes de Pedro Aprígio, Aníbal Vicente, Zé Rufino e Odilon Flor.
Quando serviu com Odilon Flor, participou do combate onde foram mortos os cangaceiros Pé-de-Peba, Xofreu e Mariquinha. O combate aconteceu no Riacho do Negro, em Sergipe.
A volante seguiu com o coiteiro nos rastros dos cangaceiros indo encontrá-los às 23hs. O combate noturno travado entre 15 policiais e 8 cangaceiros foi ferrenho. Odilon Flor saiu baleado nas nádegas, os cangaceiros tiveram uma baixa de tres componentes do grupo. Os policiais cortaram as cabeças e ainda à noite as colocaram em um carro de boi e levaram pra Paripiranga. Na cidade, a população pode ver as cabeças de Pé-de-Peba, Xofreu e Mariquinha. 
Da residência de dona Laurinda da Cruz, depois de saborearmos um doce de leite, partimos para conhecer o local das mortes dos cangaceiros. Com o sol já se pondo fizemos uma viagem contra o tempo. O local da morte dos cangaceiros fica na localidade conhecida por Serrote e pertence ao município de Sítio do Quinto, BA. Atravessamos muitas porteiras até encontrarmos com  o fazendeiro Gervásio de Carvalho Filho, que vinha montado em seu cavalo. Conversamos um pouco com Gervásio e seguimos o trajeto, tendo ainda que abrir várias porteiras e o sol cada vez mais sumindo no horizonte.

Enoque, João, Laurinda Cruz, Toinho e Vieira.

Chegamos até a última casa da região, propriedade de José Alves da Costa, conhecido por Zé de Loló. Sem ele não teríamos conseguido chegar até as cruzes. Convidamos Zé e ele seguiu no carro com a equipe enquanto Enoque e  Vieira seguiram andando. Deixamos o carro em um ponto e subimos o “Serrote”.


Casa do lavrador Zé de Loló.

Eu, Antonio de Juvininho, Felipe Marques e Zé de Loló chegamos até o local. Transpusemos uma cerca de arame farpado e Zé de Loló saiu abrindo uma trincheira, quebrando mato, desfazendo um emaranhado de cipós secos que fechava o caminho. Aos poucos fomos chegando, o sol baixando. Conseguimos fotografar o local e as cruzes. Mais um mistério estava desvendado, as cruzes de Mariquinha, Xofreu e Pé de Peba surgiram para a história.


O vaqueiro Gervásio indica o lugar das cruzes.

Nos preparamos para retornar pois a noite não demoraria a chegar. Pulamos a cerca de volta e descemos a serra. Ao longe ouvimos as vozes de Enoque e Vieira. Dirigimo-nos até o carro. Encontramos Enoque com uma vara na mão, pois acabara de ser atacado por uma raposa e a "arma" encontrada no chão serviu de defesa.


Eis aí as cruzes do povo de Ângelo Roque.
Notem  o erro na identificação do cabra Pé-de-Peba

Colocamos Enoque na mala do  veículo e retornamos. Deixamos Zé de Loló em sua casa onde ele vive solitário e pegamos a estrada de volta. Várias cancelas depois chegamos até o povoado mais próximo. Nesse povoado fomos ver a capela onde estão sepultados alguns sertanejos que foram mortos por Ângelo Roque como vingança as mortes dos seus companheiros cangaceiros. Estão enterrados na capela os senhores: Olegário, Antonio e Constâncio. Seguindo essa vingança o Ângelo Roque ainda matou a senhora Jovina que estava grávida de gêmeos. Jovina residia na localidade Logradouro e era prima do cangaceiro "Saracura".

Naquele intrincado e longínquo pedaço de chão baiano, a história deixou marcas profundas, marcas de um tempo que o povo ainda tenta entender. Tempo que tem sua compreensão fundamentada nas cruzes erigidas em lembrança de alguns cangaceiros e de sertanejos que viram suas vidas envolvidas na história do cangaço.

João de Sousa Lima
Historiador e escritor
Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso.
Membro de GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará.
Paulo Afonso, 27 de setembro de 2013.
                   
Veja mais em www.joaodesousalima.com