sábado, 4 de agosto de 2012

Carta de repúdio

Um olhar mais apurado
Por: Paulo Britto


Tenente João Bezerra
In onordeste.com

O que dizer? Será a irreverência dos tempos atuais? Será a liberalidade desmedida e irresponsável, respaldada na impunidade? E o que pensar?

Em terra de cego quem tem um olho é rei? Não, em terra de cegos fura-se o próprio olho para comungar com eles.

Os cães ladram e a caravana passa? Não, os cães ladram, atacam e mordem, e a caravana passa molestada e desmerecida. Vemo-nos agora submetidos à anticultura que confunde e desnorteia os menos informados que anseiam conhecer a verdade histórica e não têm o conhecimento necessário para excretar esses dejetos pseudo-literários.

Abre-se espaço para as improbabilidades grotescas e desmedidas. Fomenta-se a irreverência, a ficção, a criatividade irresponsável, calcada em elucubrações, e devaneios de uma verdade insípida e renitente.

Deparamo-nos com escritos como: “Lampião, o invencível. Duas Vidas, duas mortes – O outro lado da Moeda” cheio de fundamentações infundadas, chegando ao absurdo de asseverar que o Lampião, morto na Grota do Angico, era um sósia: “arranjar o dublê de Lampião – um ladrão de cavalo preso em Alagoas adequado ao papel pela cegueira do olho direito”. Enquanto Maria Bonita, sua companheira, era “representada por um jovem (um homem, portanto), cujas feições lembravam as de quem ia tomar o lugar”. A despeito de todas as identificações feitas, não se conseguira descobrir que Maria Bonita era um homem.

Um outro escrito ainda recente mexeu com o mito Lampião, causando grande rebuliço no ceio dos cangaceirólogos, coloca Virgulino Ferreira da Silva como homossexual, conivente com um romance entre a sua companheira e o seu mais fiel cangaceiro (Luiz Pedro do Retiro) de inúmeros combates. A verdade é que por mais que se antagonize o Rei do Cangaço, se chegar a alegações dessa natureza, choca os reais escritores e revolta os familiares.


João Bezerra, à direita, retorna à Angico 
e posa aos pés do primeiro cruzeiro.

Agora, recentemente, nos vemos diante de mais um escrito, “A OUTRA FACE DO CANGAÇO - VIDA E MORTE DE UM PRAÇA”, que ao invés de procurar ressaltar a vida militar e morte do praça, ocorrida durante o combate de Angico, muda o foco, e de forma primária se expõe ao lançar calúnias e controverter os fatos, seguindo a linha dos antecessores citados. Embora trafegando, com as suas pesquisas recentes, nos mesmos caminhos que tantos já percorreram – distando mais de 70 (setenta) anos do ocorrido – esse autor descobriu fatos que pesquisadores que buscaram informações no momento próximo ao ocorrido e ao longo desses anos todos não descobriram.

O pesquisador, data vênia os demais pesquisadores, em entrevistas inéditas com participantes do combate, que nas suas existências longevas, não se cansaram em atender o intrépido autor que, em tempestuosos pensamentos contraditórios e formulando perguntas capciosas de sua conveniência para que o entrevistado, em resposta, num gesto de olho ou canto de boca confirme fatos que os demais deixaram escapar.

No escrito, (I) o comandante da volante (João Bezerra) mata o seu desafeto (o Soldado Adrião) de outra volante, que com ele disputava o amor de uma prostituta; (II) se vê obrigado a matar seu companheiro (Lampião) de noitadas de carteado; e (III) que 02 dias anteriores ao combate de Angico, com este estava carteando na fazenda do seu sogro (Francisco Corrêa). Por aí segue na mácula, no total desvario e com o pleno desconhecimento das personalidades de Francisco Corrêa de Britto e do próprio João Bezerra.

A censura é incabível, antipática e reprovável, mas a liberalidade desmedida e caluniadora desvirtua os valores morais. O que teremos para oferecer aos nossos descendentes e almejar para o futuro? Em sua folha de serviços prestados à corporação, segue abaixo um resumo da vida do Coronel João Bezerra da Silva, comandante das volantes por hierarquia e por se fazer líder irretocável dos que ali estavam tomando parte no combate de 28 de julho de 1938, em Angico/SE:
No combate de Angico, como Primeiro Tenente, já havia; participado de 03 (três) expedições de guerra fora do Estado de Alagoas, nas revoluções de 1925, 1930 e 1932; nomeado 09 (nove) vezes delegado; recebido 09 (nove) elogios e louvores em boletins da corporação; exercido o cargo de Prefeito Interventor na Cidade de Piranhas/AL; cumprido várias missões especiais; e travado vários combates com cangaceiros, inclusive Lampião.

Ao longo dos seus 35 (trinta e cinco) anos de carreira militar, consta nos seus apontamentos:
12 (doze) nomeações como delegado; 02 (duas) vezes como subdelegado;  02 (duas) vezes subcomandante da corporação;  12 (doze) vezes comandante de unidades da corporação; 17 (dezessete) vezes citados em elogios e louvores em boletins;  03 (três) expedições de guerra da história do Brasil; e 11 (onze) combates com grupos de cangaceiros liderados por Luiz Pedro do Retiro, Corisco, Gato, Zé Baiano, Português, Manoel Moreno, Moita Brava e o próprio Lampião.
Homem que dentro dos padrões éticos de liberdade, igualdade e fraternidade, alcançou o grau 18 do filosofismo, dentro daquela que é conhecida como a consciência oculta da humanidade, a maçonaria. Para esse homem não pedimos acalentos e salamaleques, mas se não temos afinidade com o que é justo e correto, e não tivermos provas irrefutáveis, pela total falta de veracidade das informações, não conturbemos o trabalho daqueles que empenharam anos de estudos num esforço sobre-humano para preservar a história como ela realmente se desenvolveu.

E agora? Diante da perplexidade... Qual é a regra dos tempos atuais? A regra é não ter regra? Como sempre, me coloco à disposição e um forte abraço a todos os amigos desse conceituado blog.

Paulo Britto .'.
Filho do Tenente João Bezerra
Recife-PE

4 comentários:

Anônimo disse...

CHIFRE EM CABEÇA DE CAVALO (para o Dr. Paulo Brito
Chifre em cabeça da cavalo é o que corre na boca do povão, quando se quer criar ilusão, quimera, utopia, fantasia... Penetrar num mundo surreal. Isso vai para o doutor Paulo Brito filho do Coronel PM/AL João Bezerra, o homem que varreu da face da Terra Lampião e o cangaco, em 28 de Julho de 1938. E fica alguns menos avisados pesquisadores escrevendo lixo litarário, ora sobre o rei do cangaço ora sobre seu algoz o oficial volante alagoano João Bezerra da Silva. Este legou à História a missão cumprida. Ele fez sem falar, que é o que precisa fazer, na atualidade, o aparato policial brasileiro. Bezerra pegou o veneno da cobra, fez o Antídoto e utilizou na prática. RESULTADO; Extinguiu o cangaço na grota de Angico. Melhor impossível. Agora, Lampião em Boot-Hill e até já deve ter trocado figurinhas, lá em cima, com o seu caçador, e a dupla aqui embaixo. não poderem se defender, pesquisadores sem talento para escrever "VIAJAM', rotulando o Coronel João Bezerra com defeitos e adjetivando Lampião de todas formas. Imagine: Lampião não morreu, homossexual... Bezerra isso, Bezerra aquilo... E a história verdadeira do cangaço ao Deus dará. Eu quero aprender tudo sobre cangaço, menos mentira. Como é que os dois principais personagens do cangaço nordestino vão se defender disso tudo, se já morreram? Peço a todos os que pesquisam sobre o cangaço. que produzam bons livros, que eu sou um leitor voraz. Não esqueçam da importante missão do Coronel Bezerra e que Lampião: "FOICE".

JOBENO - João Pessoa-PB, 01Julho2012.

Benner Roberto Ranzan de Britto disse...

Escrever é uma arte, mas dependendo da forma que for escrita... revela o “artista”.
No artigo em comento, a alegação que o Cel. João Bezerra era amigo íntimo de Lampião (carteava e fornecia balas/munições), é velha e até hoje não comprovada. Mas ao expressar fato novo, que o Cel. João Bezerra matou/assassinou* o Soldado Adrião pela cobiça comum por uma mulher (relacionamento extraconjugal)... Espera-se do Autor o mínimo de veracidade nas suposições/afirmações (o ônus da prova é de quem afirma)!!!
*Imputar falsamente fato definido como crime (Calúnia - art. 138 do Código Penal) é atentar contra a honra e a reputação do ofendido (Dano Moral - art. 186 do Código Civil).
In casu, a liberdade de expressão não constitue direito absoluto, sendo relativizado quando colide com o direito à proteção da honra e da imagem dos indivíduos (art. 5º, X da CF).
Apesar da principal característica dos direitos da personalidade ser a intransmissibilidade, a imagem e a honra de quem já faleceu não deixa de merecer proteção, como se fossem coisas de ninguém, elas permanecem perenemente lembradas nas memórias, como bens imortais que se prolongam para muito além da vida.
São os herdeiros necessários detentores do direito de defender a imagem e a honra do falecido, pois eles, em linha de normalidade, são os que mais se abatem e se deprimem por qualquer agressão que lhe possa trazer mácula.
Assim sendo, bom é que cada um analise e revise cuidadosamente o que escreve, antes de publicar suposições sem cunho fático-probatório!

Cordialmente,
Benner Britto
Advogado

Anônimo disse...

MADEIRA DE LEI.

Nas legiões da ordem pública do Brasil, discute-se o DIZER e o FAZER, e o Coronoel João Bezerra FEZ.. E basta! Detalhes banais não o ferem.

Um abraço a familia Bezerra/Britto

JOBENO
João Pessoa-PB,19 Março 2013.

Anônimo disse...

Quem disse que Pedro de Cândido, coiteiro de lampião, frequentava a casa do Tenente João Bezerra, e que eles sabiam que o mesmo era coiteiro do famoso cangaceiro, foi nada mais, nada menos, que a respeitosa esposa do falecido tenente bezerra, dona sira, em entrevista.
Se a família sabia da conduta de Pedro, porque João Bezerra jamais molestou
a Pedro? seria ele a ponte entre o tenente e lampião para negócios escusos?
Na mesma entrevista, o filho do tenente diz que, no fatídico dia da morte de lampião,
um cangaceiro que fora baleado, mas que se encontrava ainda vivo, destratou seu pai, e dentre
outras coisa que falou, disse ao tenente bezerra: esperava que você tivesse uma outra índole.
A pergunta que se faz é, se o tenente não tinha neuma ligação com aqueles bandidos,
como é possível, aquele desabafo de decepção? isso coisa de quem tinha um relacionamento sem
dúvida. E claro que numa entrevista cheia de emoção, pode-se deixar escapar verdades escondidas,
e na mina humilde opinião, foi isso que aconteceu.