quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

João Bezerra X Lampião

POR QUE PROFANAR A MEMÓRIA DOS MORTOS?
 
Por Sérgio Augusto de Souza Dantas*

Às vezes me pego pensando sobre possibilidades fáticas, critérios de lógica, metodologia histórica e coisas do gênero, principalmente quando o assunto é “cangaço” e a questão envolve seu principal protagonista, o 'Capitão' Virgulino Ferreira, o tristemente célebre “Lampião”.
 
Outro dia, por exemplo, lembrei-me de ouvir pela enésima vez a única entrevista que fiz com o Sr. Durval Rodrigues Rosa (ano de 2000), ex-prefeito de Poço Redondo/SE e um dos coiteiros de Lampião naquelas barrancas do rio São Francisco.
 
A conversa de Durval é desembaraçada, porém entremeada de gestos os mais diversos, como a ajudar a se compreender o que ele pretende contar.
 
Proseamos por mais de hora e meia.

A certa altura da conversa-entrevista, ele me diz o seguinte: "Na véspera do tiroteio, eu vi o tenente João Bezerra em Angico, jogando baralho com Lampião, Luís Pedro e mais outros cabras. Ele tinha ido ali deixar três sacos de munição encomendados por Lampião e ficara um pouco no coito, se distraindo no carteado”.

Recentemente eu ouvi mais uma vez a gravação da conversa e, inevitavelmente, não pude deixar de propor a mim mesmo algumas indagações, com intuito de esclarecer de uma vez dúvidas que rondam essa suposta visita do militar ao coito do cangaceiro. Creio que os confrades frequentadores deste ‘Blog’ poderão me ajudar a esclarecer algumas destas relevantes questões. 


Senão, vejamos: A primeira é de ordem cronológica:
Qual seria a ‘véspera’ referida por Durval? - O dia 27 de julho de 1938, decerto. Ocorre, porém, que durante TODO ESSE DIA 27, o tenente Bezerra esteve à frente da intricada operação para atacar os cangaceiros na Grota do Angico.
 
É fato que quando o sargento Aniceto Rodrigues recebeu a informação do coiteiro Joca Bernardo, sobre a presença de Lampião na fazenda Angico, ainda não era meio dia. Aniceto se apressa, pois a notícia parece ‘quente’. De imediato, o militar telegrafa ao seu superior imediato, o já referido tenente Bezerra, e transmite a mensagem de forma ‘cifrada’, a fim de não levantar qualquer suspeita. Naquele fim de manhã, o oficial estaria com sua tropa estacionada em Pedra (hoje Delmiro Gouveia, alto sertão de Alagoas), descansando de uma ‘batida’ policial realizada em possíveis esconderijos de cangaceiros na região de Mata Grande.
 
Mantido o contato com o seu comandante, o sargento requisita um caminhão e parte de imediato até um local predeterminado por Bezerra, o sítio Riacho Seco, fincado entre a cidade de Piranhas e a antiga Vila de Pedra.
 
Muito bem. 


Conversando, porém, com outras pessoas ligadas ao evento –como por exemplo, os cabos José Panta de Godoy e Antônio Vieira, além do sargento Elias Marques de Alencar - todos eles disseram que o tenente Bezerra estava em Pedra desde o dia 26 de julho e, o mais importante, 'dali não tinha saído para lugar nenhum, pois descansava da longa e extenuante operação realizada na região de Mata Grande'. Não só os soldados. Os Boletins Ordinários de Serviço da Polícia Militar de Alagoas, de ‘25’, ‘26’ e ‘27’ de julho de 1938, atestam a presença do tenente João Bezerra e do Aspirante Ferreira de Melo em Pedra, por ordem do comandante do Segundo Batalhão de Polícia, Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão. E agora, como ficamos?
 
Mas Durval fala que o tenente Bezerra esteve no coito, deixou balas e, de quebra, ainda jogou baralho com Lampião. Aí vem minha segunda dúvida:

Como Bezerra haveria feito isso? Teria ele o 'dom de desaparecer', igual ao que o sertanejo comum atribuía a Lampião?
 Poderia o tenente Bezerra ter saído de Pedra, atravessado o rio São Francisco, andado cerca de cinqüenta quilômetros, subido até a Grota do Angico, jogado baralho despreocupadamente e retornado ao local onde estava a tropa estava sem que ninguém notasse sua ausência? (1) (2).
 
Um comandante de volante, já oficial, passaria tão despercebido assim? - ora, para cumprir esse trajeto, Bezerra levaria algumas HORAS. De fato, se o militar estava contrabandeando munição, não viajaria pela antiga estrada entre Pedra e Piranhas. Do contrário, ele se movimentaria de maneira oculta, longe de ‘vistas curiosas’, por dentro da caatinga, o que aumentaria consideravelmente esse tempo de viagem. Alguém discorda desse ponto?
 
Uma terceira questão: Porque o militar levaria balas para Lampião, quando já sabia, naquele dia 27 DE JULHO, que teria que atacar o cangaceiro de ‘qualquer maneira e o mais breve possível’?
Imaginaria o tenente Bezerra, ao levar a munição ao famoso chefe de cangaço, em se suicidar e, ao mesmo tempo, submeter ao sacrifício os integrantes da tropa sob seu comando? - Penso que ventilar essa hipótese não seria nem um pouco inteligente. Vender bala ao adversário? – Beira o absurdo.
 
Pelo meu modesto entender, essa história toda é mais um fruto nascido da imaginação popular e do prazer mórbido, arraigado e cultural do brasileiro em denegrir instituições e pessoas.
Um mínimo de lógica nos faz chegar a conclusão que um comandante de tropa não desapareceria sem ser notado e, menos ainda, faria tão longo percurso SOZINHO, pois Durval Rosa não falava em outro militar acompanhando Bezerra em Angico. ESTAVA SÓ. Muito estranho, decerto!!
 
Alguém chama fatos assim de 'Mistérios'. Prefiro chamar de ‘criações’ ou de ‘fantasias’. A criação de um fato inexistente,que acaba, por indução e repetição contínua, resultando em sofisma ou em um silogismo viciado.
E essa história em torno do envolvimento de Bezerra com Lampião tem rendido.....aqui e ali ela volta à tona. O Sr. Durval Rosa, convenhamos, tinha as suas próprias razões para tentar implicar o oficial, pois a volante comandada por este, na fatídica madrugada de 28 DE JULHO, “exagerou no trato” para com ele e também para com seu irmão Pedro. Responsabilizar Bezerra como um dos fornecedores de munição para o capitão-cangaceiro seria uma forma “até mais ou menos justificada” de se vingar, posteriormente, do oficial e de seus comandados.
 
Mas, mesmo na atualidade, não são poucos os que encampam essa teoria e saem apregoando o disparate aos quatro ventos.  E eu pergunto: porque atingir tanto a honra de um morto? Qual a grandeza que há nisso? 
E mais um detalhe: eu já li inúmeros depoimentos de ex-cangaceiros e até mesmo já cheguei a entrevistar alguns deles nesta última década.
 
Os que falam sobre o assunto dão a entender que a munição usada pelo bando vinha por intermédio da própria da polícia. Ninguém disse uma mínima palavra que pudesse envolver poderosos Coronéis sertanejos. 


Isso é razoavelmente recorrente nos depoimentos. Porque razão estes senhores foram sempre omitidos pelos cangaceiros? Seria falsa – ou mítica - a relação ‘coronel e cangaceiro’?
E eu lanço mais uma questão: Como essas balas seriam fornecidas pela polícia? Diversos combatentes militares (dentre os quais, Joaquim Góis, José Rufino, etc..) afirmaram que, após terem lutado, viam com freqüência que as balas usadas pelos cangaceiros “eram INFINITAMENTE MAIS NOVAS” que aquelas que a própria polícia usava. Diferença, por vezes, de até quinze anos entre elas. Como as balas seriam novas para os cangaceiros e velhas para o corpo militar? 


A assim aceitar esta teoria, é referendar a seguinte premissa: “a polícia negociava as balas novas e ia para o campo brigar com as velhas”! Não há outra conclusão disponível. Ou, de outra forma: “os militares vendiam as balas novas e se lançavam em uma cruzada suicida, usando balas até QUINZE ANOS MAIS VELHAS que as que eram supostamente vendidas aos cangaceiros”. Seriam estúpidos assim? Estranho mesmo esse detalhe. Bizarro, diria. Aliás, alguém com um pouco de lucidez já percebe de cara esse descompasso. É patente e lógico demais.


E um outro aspecto: TODAS as balas recebidas por chefes de volantes tinham que ser, periodicamente, conferidas pelo comandado através de um relatório. O responsável teria que, obrigatória e periodicamente, apresentar uma relação (através destes relatórios) constando a munição recebida, a que foi gasta em combate e, ainda, informar o que tinha disponível para uso naquela data. Tudo era rigorosamente chegado, notadamente depois da Revolução de 1930. Controle absoluto das entradas e saídas de munição.
A coisa não parece tão simples como se conta.
 
O que quero dizer com isso tudo? - Simples: que já é mais que hora de deixar de lado essa tendência de atacar graciosamente - e sem provas - as instituições do país (às vezes somente à custa de uma interpretação ideológica já de muito ultrapassada) e CUIDAR DA HISTÓRIA REAL, desnuda de fantasias e baseada em rigoroso MÉTODO HISTÓRICO, para que os vindouros possam ter uma visão plena, imparcial e aceitável dos fatos, e não uma imagem distorcida propositalmente, nascida da simples vontade de denegrir!
 
Abraço a todos e votos de um Feliz 2010.
Sérgio Dantas .'.
NATAL/RN

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NOTAS:
(*) Sérgio Augusto de Souza Dantas é bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).
(1) A distância referida foi calculada com base em dados fornecidos por GPS. A medicação exata acusou 49,67 quilômetros em ‘linha reta’, de um ponto a outro.
(2) Em “Assim Morreu Lampião”, de Antônio Amaury Correa de Araújo, 1ª edição, 1982, pg. 101., Durval diz apenas que Bezerra ‘teria mandado as balas em dois sacos’. Não afirma que o viu no esconderijo. Com o correr dos anos, talvez pela confusão natural causada pela idade, a testemunha coloca o oficial em um animado carteado com Lampião e aumenta para três o número de sacos. É importante o estudioso estar atento a detalhes desse tomo.

18 comentários:

Geziel disse...

Gostaria de parabenizar pelo excelente artigo, o amigo Sérgio Dantas (SD),e entender com ele que realmente o momento é de "desmitificar" e "desmistificar" a pesquisa cangaceirista.

Geziel Moura

Sérgio Dantas.'. disse...

ADENDO AO ARTIGO:

Vale acrescentar que no documentário "FATOS", produzido pela Lazer Video (Aderbal Nogueira), o Sr. Durval Rosa também foi entrevistado e acrescentou um detalhe a mais sobre as balas. Quem tiver o referido documentário, poderá verificar que o Sr. Durval disse que, ele próprio, teria levados os 'sacos de munição e que essas balas eram balas de fuzil novas, daquelas que tem a PONTA VERMELHA'.
Ou seja: reafirma-se o que já ressaltei no corpo do artigo: 'entregou se balas BEM mais novas ao chefe-cangaceiro para brigar com este na madrugada do dia seguinte'. (!?)
Respeito opiniões em contrário, mas para mim, isso não tem nexo; não faz sentido. 'Carece' de melhor análise.
Abraço
Sérgio.'.

Bruno Tavares disse...

Rapaz, claro que esse antigo coiteiro tinha motivos para falar mal do tenente Bezerra. Com a morte de Lampião, acabou a fonte de renda dele, do irmão e de mais de um monte de gente na área de Piranhas-Poço Redondo.
É óbvio demais, gente. Pelo amor de Deus....Bsta penasr um pouco.
Feliz 2010 a todos.
Bruno Tavares

Sérgio Dantas.'. disse...

Bom, ainda bem que não estou sozinho nesse fogo.
Valeu pela força, Bruno. Perfeita e cabívl a sua colocação.
E - já tomando a liberdade de falar em nome do dono do blog - compareça aqui quando puder, para movimentar esse espaço.
Precisamos não só de postagens, mas também de comentários, para democratizar a coisa.
Abraço

Anônimo disse...

Ainda para reforçar o meu posicionamento sobre a dificuldade de um militar (mesmo um oficial) desviar munição para cangaceiros, veja-se, a título de exemplo, este Boletim da Força Pública pernambucana, datado de 27 de dezembro de 1921:

“ENTREGA DE EQUIPAMENTO E MUNIÇÃO - Por terem sido remetidos pelo Capitão Teóphanes Torres, em Ofício de ontem, entrega-se às unidades o seguinte armamento, equipamento e munição, arrecadados dos soldados que foram excluídos no interior do Estado: 5 fuzis Mauser modelo 1895; 1 fuzil Mauser modelo 1908; 4 sabres Mauser com bainha; 3 sabres Comblain; 6 cinturões amarelos; 6 palas; 7 cartucheiras; 5 varetas; 4 guarda-fechos; 2 pares de perneiras; 287 cartuchos Mauser modelo 1895 e 80 cartuchos Mauser modelo mil novecentos e oito”.

Assim como eram entregues devidamente relacionados, após determinado espaço de tempo, todos os oficiais responsáveis tinham que prestar contas, através de minucioso relatório, do uso desse material.
Saudações
Sérgio.'.

Anônimo disse...

grandesergio vc e uma figura e tanto em abraços do seu fam
vanderli

Geziel disse...

Criador e criatura se confraternizando, para mim esta é a importância do blog.Parabéns para a dupla.

Paulo Robério disse...

Caro Sérgio,

Descobri só hoje, este espaço para discussão sobre o cangaço, fiquei maravilhado com o que já li.
Quanto a essa questão do fornecimento de armas e munição, sempre me intrigou a forma como esses artefatos bélicos chegavam até o bando, e dos livros que já li, não está explícito e nem se dá nome aos fornecedores, só conjecturas.

Como se pode ainda numa história relativamente recentente(70 anos) não se ter a certeza de quem abastecia o bando?
Quem teria tanto poder para adquirir munições e armas para suprir as necessidades do bando sem ser descoberto, só pode haver "gente graúda" nesse tráfico.

Se as balas eram entregues aos policiais, tudo muito bem documentado, averiguado, prestado contas, por que que era o contrário quando se destinava a Lampião?

Sérgio Dantas disse...

Em mina modesta opinião, tudo leva a crer que o grosso do material bélico vinha dos Coronéis e grandes fazendeiros, e não da polícia.
Os poderosos senhores do sertão é que parecem ter mantido esse comércio com os cangaceiros.
Esse é que é o ponto onde se deve chegar e se aprofundar.
Mas como por estas terras é 'gostoso' falar das instituições e denegrí-las, fica mais fácil aceitar a tese da participação da polícia.
Estranho, apenas, o medo dos ex-cangaceiros em falarem sobre Coronéis(geralmente coiteiros) e se referirem, mesmo à boca miúda, aos soldados (que não eram coiteiros, mas INIMIGOS).
Muito curioso! Paradoxal..
Saudações

Sérgio disse...

Rapaz, esse GEZIEL é cabra ordinário.....Tá precisando de uma surra de cipó de leite..

Geziel disse...

Cabra como é que vc me esculhamba diante da cabroeira toda...e o meu único pecado foi ratificar as palavras de seu pupilo-mor.Eu não digo mais nada, estou me sentindo aquele pobre sertanejo que nem podia ser a favor nem contra os cangaceiros pois levava peia da mesma forma ora de um (polícia)ora de outro(cangaceiros).Me acuda compadre Kiko, nesta questão!!!

Anônimo disse...

quero aqui desde ja parabenisar os moderados e ao amigo dr sergio dantas por sua postagen pois vc e uma grande pessoa como homen e como pessoa humana deno muitas das minha pesquisas ao senhor dr sergio
abraços a todos e um filiz ano novo
para todos desse blog
CAPITÃO VANDERLI

Charles disse...

Prezado amigo Sérgio, só hoje tive a oportunidade de ver seu artigo texto acima. Confesso que fiquei um tanto surpreso ao ler seu relato quando cita ter ouvido de Durval Rosa o episódio de João Bezerra ter ido à grota na véspera do tiroteio, ainda mais pra jogar cartas. Digo isso porque tive o prazer de também entrevistar o mesmo em sua casa em Poço Redondo dia 06 de fevereiro de 1999, conversa essa que durou cerca de três horas ( gravada em áudio e vídeo ), e o referido não citou em nenhum momento esse fato, embora seja bem enfático ao dizer que levara um saco de balas recebido das mãos de Pedro, enviado pelo Tenente destinado à Lampião. Com certeza por isso o tema é tão intrigante e cheio de engodos.


Cordialmente,
Charles Garrido
Pesquisador
Fortaleza - Ce

Sérgio Dantas.'. disse...

Amigo Charles:
É como coloquei na parte final do artigo, em uma nota: É muito possível que, como entrevistei o sr. Durval já bem idoso, fica bem provável que ele já tivesse confundindo os fatos e DATAS.
Acho que quando ele faleceu, não tinha ainda um ano que eu o tinha visitado.
Em conversas com outras pessoas que também o ouviram, estas disseram que ele havia dito que vira Bezerra por lá, porém 'em outros dias', não na véspera, como disse a mim.
Veja, por exemplo, que para você ele teria dito 'um saco de munição', e não 'dois' ou 'três'. Variações naturais e aceitáveis em razão do tempo.
Assim, creio que é, de fato, o peso da idade que tenha gerado essa distorção.
Se muito tarde não for, receba nossos votos de um Feliz 2010.
Abraço
Sérgio.'.

B Tavares disse...

O q eu acho interessante eh q deverá continuar para sempre o costume de diabolizar o policial e santificar o cangaceiro ou o coiteiro. E nós brasileiros ainda nos admiramos, e até nos revoltamos qd um politico qualquer se acha envolvido em roubo...kkkk
Bom fds a todos
Bruno

DE TUDO UM POUCO OU QUASE NADA disse...

boa noite gostaria de saber como faço para adquirir os livros do autor sergio dantas, pois onde moro pesquisei em várias lojas especializadas em livros e nada,
pois sou um grande admirador do movimento do cangaço, e um pequeno pesquisador.
meu e-mail: egomes.andrade@gmail.com

Mendes e Mendes disse...

Doutor Sérgio Augusto de Souza Dantas A sua história sobre as verdades ou mentiras de Angicos, é realmente muito bem detalhada. Mas, mesmo com toda informação de Durval Rosa, sobre sacos de balas que levou para Lampião, e a presença de João Bezerra no coito, jogando baralho juntamente com o rei, mesmo não tendo conhecimento profundo sobre o cangaço, tenho o desprazer (mas respeitosamente)de dizer ao ilustre escritor, que Durval Rosa estava querendo aparecer no mundo da história cangaceriana.
Qual é o perseguidor que tem coragem de armar o seu perseguido, levando grande quantidade de balas para ser usada contra a si mesmo?
Eu lendo e relendo o seu maravilhoso texto, entendi que as histórias contadas ao ilustre pelo coiteiro, não passam de fantasia.
Ao senhor, Durval Rosa contou o que aconteceu de uma maneira. Ao Charles Garrido, contou de outra maneira. Ao escritor Paulo Gastão (mossoroense)de outra.
Portanto Doudor Sérgio Augusto de Souza Dantas, perdoe-me por não entender bem o cangaço.Durval Rosa não tinha segurança do que informou aos senhores pesquisadores.
Só quero que o natável pesquisador não pense que eu estou duvidando das suas palavras e dos demais escritores, e sim, de Durval Rosa.
Respeitosamente:
José Mendes Pereira - Mossoró - Rn.

Gustavo da Silva Estima disse...

Olá Sergio parabens por suas colocações, apesar de ser novo no assumo o interesse porque não dizer paixão pelo cangaço é algo que tenho a anos, e agora que estou morando aqui em Natal quero me dedicar profundamente ao tema, na minha humilde opinião eu creio que os principais fornecedores de munição e armamento ao cangaço eram sim os Coroneis da época, fazim isso por várias questões de cunho pessoal e político. Mesmo porque comprar certas armas no início era somente se dirigir a um comercio e comprava-se ja li relatos que Coroneis compravam caixas fechadas de Winchester .44 e mantinha verdadeiro arcenais. A propósito li seu livro sobre o Antonio Silvino e em uma oportunidade lhe avistei no Natal Shopping não quis te incomodar em lhe pedir que o autograface pois estava com o livro mas hoje me arrempendo quando lhe ver quero ter este prazer pois ando com o seu livro no meu carro.

Abraços e parabens por sua obra