terça-feira, 9 de junho de 2009

Grota do Angico


ASPECTOS GEOGRÁFICOS E ESTRATÉGICOS 

A Grota do Angico”, local onde morreu Lampião, Maria Bonita e mais 09 cangaceiros, em 28 de julho de 1938 dista aproximadamente, cerca de 800 metros da margem do rio São Francisco, do lado sergipano.

Após várias décadas do combate de angicos, alguns cangaceiros foram ouvidos pelos pesquisadores/escritores do cangaço, sobre a morte de Lampião, vejamos o que disseram alguns:

O cangaceiro "Balão" dizia que seu chefe ficara de "corpo aberto", por ter atravessado o rio e que a presença das mulheres enfraqueceu o cangaço. O cangaceiro "Criança" bastante comedido e econômico nas palavras, dizia que havia chegado o dia de Lampião.

Zé Sereno, por sua vez, sempre desconfiado do coiteiro Pedro de Cândido. A grande cangaceira "Dadá" muito pesarosa ao tocar no assunto, dizia " que até uma criança mataria Lampião naquele dia. simplesmente, seu dia havia chegado, como chega para todos.

A verdade é que "Joca Bernardes", o coiteiro que denunciou a presença de Lampião e seu grupo na região, foi o verdadeiro Judas de angicos. Por motivos pessoais Joca havia denunciado que um outro coiteiro, Pedro de Cândido, estava escondendo Lampião.

Os soldados torturaram Pedro de Cândido arrancando-lhe as unhas e furando-o a punha até obter as informações desejadas.

À direita, croqui do mapa do combate de Angicos, feito pelo ten. João Bezerra, e que se encontra ás fls. 102, do seu livro " Como dei cabo de Lampeão":

Vê-se, no mapa, que os grupos de Lampião; Zé Sereno e Luís Pedro, foram cercados pelas volantes comandadas por: ten. João Bezerra; aspirante Ferreira de melo; sgt. Aniceto; e por homens comandados por Juvêncio e o cabo Bertoldo. o cerco, bem planejado, foi quase perfeito, e quase não foi dado chance aos cangaceiros.

Foram utilizadas 04 metralhadoras; além de um bem planejamento cerco; e o elemento surpresa, que foi decisivo. a topografia do local (serras íngremes), também, foi altamente desfavorável aos cangaceiros, tanto na defesa, como nas correrias da fuga.

As forças volantes, eram em torno de 48 homens, divididos em quatro grupos. Cada grupo, portando uma metralhadora hotchkiss.

A imagen, postada acima, mostra de forma nítida, que a citada "Grota", esconderijo do rei vesgo, fica situada, no meio de um riacho, entre duas serras, altamente íngremes, de difícil escalada. Na opinião do cangaceiro "Corisco", o local era uma autêntica "ratoeira", pois quase não havia saída e possibilidade de fuga, em caso de um ataque das volantes ( e foi o que aconteceu ! ).


Para escaparem da emboscada, planejada pelo ten. João Bezerra, com a participação do aspirante Ferreira de Melo e do sgtº Aniceto, os cangaceiros só tinham duas opções de fuga:

 1ª) Descer pelo leito do riacho e dar de cara com a volante (inclusive portando metralhadoras);

2ª) Ou subir os paredões, de difícil acesso, das serras que contornavam a grota do angico, sendo alvo fácil para os tiros da volante ( foi o caso de Enedina - que levou um tiro, atrás da cabeça, e Candeeiro que levou um tiro no braço ).
Some-se a tudo isso, por ocasião do ataque, ainda, o "fator surpresa" em favor da força volante do ten. Bezerra, porque os cangaceiros tinham acabado de acordar (logo ao raiar do dia); estavam desequipados (desarmados), e não tiveram condições de reagir ao ataque, que foi apoiado por 04 metralhadoras, outros dizem que foram apenas 03. Sendo o "cerco" policial, muito bem feito no local onde se encontravam os cangaceiros, conforme vemos, no mapa, do combate.
 Encontravam-se no na Grota do Angico, trinta cangaceiros e mais cinco mulheres: Maria Bonita; Maria de Juriti; Dulce de Criança;, Enedina de Cajazeiras e Sila de Zé Sereno. Não estavam presentes os grupos de Corisco, de Labareda e de Canário, que haviam sido convocados para um encontro nesse local, mais ainda não tinham chegado.

A força volante havia subido na madrugada pelo leito do riacho, sendo a vanguarda composta pelos soldados Antonio Honorato, Antonio Ferro, Abdon, Zé Panta, e Pedro Barbosa. Segundo tudo leva a crer, aos primeiros tiros disparados pelos soldados, Lampião tombou morto e Maria Bonita foi atingida pelas costas.
O tiroteio foi intenso durante uns quinze minutos.

O cangaceiro LuiS Pedro que havia conseguido furar o cerco policial, ouviu a voz de Maria Bonita: " compadre Luis Pedro ! voce não prometeu para Lampião que quando ele morresse você morreria também ? "
Luis Pedro voltou e foi morto por um tiro certeiro de Mané Véio.

Na grota do angico morreram duas mulheres: Maria Bonita , que teve sua cabeça decepada enquanto ainda esta viva, e Enedina, com um tiro na cabeça, quando tentava fugir, subindo as encostas da serra.
Também foram liquidados nove homens: Luiz Pedro, Mergulhão, Quinta-feira, Elétrico e outros.

Da volante, apenas o soldado Adrião foi morto. Ficaram feridos um soldado e o ten. João Bezerra, na mão e na coxa.

Jamais se saberá ao certo, o total de dinheiro recolhido, nem quanto de ouro e jóias que os cangaceiros possuíam. Durante a pilhagem aconteceram brigas entre soldados. Como comandante o ten. João Bezerra ordenou que todos colocassem num mesmo monte tudo o que haviam amealhado durante a trágica empreitada.

Nem todos obedeceram a essa ordem. Muito soldados conservaram para si, o que haviam tirado dos corpos. o próprio comandante ficou com grande parte do que foi pilhado dos cangaceiros, principalmente dos pertences de Lampião-Rei do Cangaço. Alguns dos cangaceiros que estavam em angicos, e que sobreviveram ao combate testemunharam que viram Lampião morto.

Pouco tempo depois do combate de Angicos, a maioria dos cangaceiros já haviam se entregado, permanecendo na ativa apenas os grupos de Labareda e de Corisco, sendo esse último morto no dia 25 de maio de 1940. Labareda entregou-se um mês antes.

Com a morte de Lampião morria, também, o Cangaço.

Colaboração de Ivanildo Silveira 
Natal/RN

3 comentários:

Rubervânio Rubinho Lima disse...

Olá ammigo kiko

Linquei o "Lampião Aceso" lá nos meus dois blogs.

Eu fiz também pra você um banner para você colocar no seu blog, tipo os que eu fiZ pra mim também. (dá uma olhada lá como é) è uma imagem do seu blog para quem quiser, pegar e colocar no blog dele...
Tipo, é um código que eu aprontei, com uma imagem do seu blog que você deve pegar e colar, do jeito que está aí, em algum lugar no editor de html do seu.

Se não entender, dá só uma olhada lá nos meus e vê, que tem o meu, com uma barrinha de rolagem onde as pessoas copiam e cola no seus e tem também alguns que eu estou ajudando a divulgar...(inclusive o teu que já tá lá...)

O blog não deixou colocar o código aqui, homi.

colocarei no orkut, que teu e-mail retorna tudo que mando.

Rubervânio Rubinho Lima disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
JOSÉ MENDES disse...

NA MADRUGADA DA CHACINA:
Os que furaram o cerco não foram perseguidos pelos soldados das volantes, porque o alvo principal era o rei Lampião e Maria Bonita. E já que ambos estavam estirados ao chão, os policiais sabiam que sem Lampião o cangaço não teria mais continuidade. Outro motivo para que os soldados não fossem a luta para tentar aprisionar os fugitivos, foi o interesse nas riquezas dos que ficaram mortos. É como diz o ditado: Melhor um pássaro na mão do que dez voando. O escritor Paulo Medeiros Gastão, diz em seu texto, na revista Jornal de Fato, da Edição 315/2008 – exemplar “DOMINGO” que circulou em Mossoró. Na íntegra: O conceito de cerco efetuado pela volante não determina a figura geométrica do círculo. Acredito que definir como lua crescente é razoável. Teria que se deixar uma válvula de escape e ela existiu. Os cangaceiros se evadiram em busca da parte da alta da fazenda e, por incrível que pareça, não foram perseguidos. A saída esteve sob comando do Ten. Bezerra. Que você acha disto? Houve traição? Existe divergência. Um grupo diz que não. Outro diz que sim. Quem traiu? Afirmam que o grande traidor foi o homem que se caracteriza como seu matador, ou seja, João Bezerra. E o envenenamento? No coito o cangaceiro Zé Sereno avisou: “-Capitão, a tampa da garrafa tem um pequeno furo”. O chamamento da atenção não foi levado em consideração. Por quê? Se salva Sila. Personagem único que ficou para contar a história. Foi a predestinada para fazer o relato em nome de todos os sobreviventes. Por quê? O que na realidade aconteceu o que não podia existir divergências nos relatos? Impossível. Se vamos a uma festa, ou a qualquer lugar, cada um tem uma visão própria do ocorrido. Os primeiros escritores deixaram-se levar na conversa. O resultado é o que aí está. A polícia queria os cangaceiros ou o ouro e dinheiro que eles transportavam? Por que a retirada dos anéis, cortando-se os pulsos e levando-se o conjunto, mãos e anéis?”
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.