segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Recado do Presidente

Caros Sócios e amigos

A diretoria da SBEC representrada pelo Presidente e Tesoureiro esteve presente nos dias 10 e 11 de dezembro em Vitória da Conquista/BA. Na ocasião definiu-se o cronograma de atividades e programação para o III Congresso Nacional do Cangaço que ocorrerá no periodo de 22 a 25 de outubro de 2013 nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e no Centro Cultural de Vitória da Conquista.

Participaram da reunião representantes da:
UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
UNEB - Universidade Estadual da Bahia
IFBA - Instituto Federal da Bahia
CATROP - ONG - Carreiro de Tropa
A programação com informações/orientações de prazos para inscrições estarão a disposição no site do evento e das instituições parceiras a partir da segunda semana de janeiro de 2013.

Contamos com a participação e divulgação de todos os sócios e interessados.

O III Congresso Nacional do Cangaço terá como tema: Sertões: memórias, deslocamentos, identidades.

Boas vindas

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço deseja êxito ao Grupo de Estudos do Cangaço da Paraiba - GPEC. A entidade se coloca à disposição de todos os membros para compartilhar experiências e conhecimentos em torno da história dos movimentos sociais do Nordestre do Brasil., em especial o Cangaço.

Ao colega Narciso Dias boa sorte à frente do GPEC.
Abraços!

 

Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente

sábado, 15 de dezembro de 2012

Convite!!!

Lançamento do livro "Lembrar e Escrever, não é só querer..." de autoria de Manoel Cavalcanti de Souza o ex-volante"Neco de Pautilia".





Finalmente o sonho se realiza. O evento ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2012, as 18 hs, no Espaço Cultural João Boiadeiro, Floresta-PE. Para maiores informações e aquisição de exemplares, falar com Alaíde Cavalcanti (filha de Seu Neco) , Contatos (87) 9927 5853. ou pelo email: alaidecavalcanti@hotmail.com

Créditos da informação: Arthur Denis Carvalho

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

13 de Dezembro...

100 anos do maior artista da cultura nordestina

Por Rostand Medeiros


Luiz Gonzaga faz 100 anos! Mas aí me perguntam “Mas como, se ele morreu?” Pode ter morrido para os tolos. Pois este gênio nordestino não morrerá jamais.

Luiz Gonzaga Nascimento, nasceu em uma sexta-feira, no dia 13 de dezembro de 1912 , numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, à 13 quilômetros de uma longínqua cidade sertaneja chamada Exu, no extremo oeste do Estado de Pernambuco.

É apontado pela crítica como um dos nomes mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos. A importância de Luiz Gonzaga deve-se à abrangência que sua obra tem em todo o território brasileiro.

Era filho de Ana Batista de Jesus, conhecida como Mãe Santana, ou simplesmente Santana, uma dedicada agricultora e dona de casa, e de Januário José dos Santos, afamado tocador de sanfona de 8 baixos na sua região e que também consertava este tipo de instrumento musical.


 Exu e a Igreja do Bom Jesus na década de 1950

Consta que seu nome se deu pelos seguintes motivos; Luiz, porque era dia de Santa Luzia; Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês que Maria deu à luz a Jesus. Foi batizado na matriz de Exu no dia 05 de janeiro de 1913, pelo Padre José Fernandes de Medeiros.

Desde criança, Luiz Gonzaga se interessou pela sanfona, ele ajudava o pai tocando e cantando em festas religiosas e forrós. Luiz Gonzaga, mesmo muito precoce já recebia cachê ( 20$000 vinte mil réis) para cantar e tocar a noite toda em festas de região, tornando-se famoso em 1920. Quatro anos depois, sua família mudou-se para Araripe, após uma enchente. Lá, Luiz chegou a receber mais que seu pai, mas o que ele recebia ainda não era suficiente para comprar um fole. Diferente dos outros garotos de sua idade que queriam ir para se divertirem, Luiz Gonzaga gostava era de ficar no palco tocando com seu pai e demais músicos.

Aos treze anos, Luiz Gonzaga compra sua primeira sanfona, na cidade de Ouricuri-PE, graças ao empréstimo concedido pelo coronel Manoel Ayres de Alencar: um 8 Baixos, Koch, marca veado, igual ao do Mestre Januário, ao preço de 120 mil réis. Quando saldou sua dívida, anunciou ao coronel Ayres que não iria mais trabalhar com ele, pois a partir de então, seria sanfoneiro profissional.


Antiga Rua Padre João Batista, na Exu da década de 1950.

Antes dos dezoito anos Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região e que Luiz conheceu ao participar de um grupo de escoteiros. Foi rejeitado pelo pai dela, que não o queria para genro e ameaçou-o. Ferido na sua honra de macho novo, aproveita o dia da feira e vai tirar satisfações da desfeita armado com uma faquinha, isso tudo após tomar uns goles de cana para dar coragem. Ao saberem do episódio, Januário e Santana lhe dão uma surra. Revoltado por não poder casar-se, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército como voluntário.

Luiz Gonzaga aumenta sua idade para sentar praça no Exército, mais precisamente no no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza. Ali é conhecido como soldado Nascimento. O ano era 1930, ano de revolução, isso fez Gonzaga seguir em missão militar por várias partes do Brasil como corneteiro de sua unidade. Para ele foi uma fase também muito importante, pois teve realmente acesso às várias culturas que encontramos neste país.


 Soldado Nascimento
Fonte – www.defesanet.com.br

Após o término do tempo legal de serviço militar, o soldado Nascimento escolhe continuar servindo no Exército, instituição que representou o papel de uma grande e importante escola. Nas horas vagas acompanhava, pelos programas de rádio, os sucessos musicais da época. Por não conhecer a escala musical, é reprovado num concurso para músico numa unidade do exército, em Minas Gerais. Vira “soldado-corneteiro 122″ e ganha o apelido de “bico de aço”.

Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical e aprende a tocar sanfona de 120 baixos .

Gonzaga é ludibriado por um caixeiro-viajante, a quem paga 500 mil réis em prestações mensais para adquirir uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos. Foge do quartel, em Ouro Fino-MG, para ir buscar a sanfona em São Paulo. Lá chegando, descobre que não vendiam sanfona no endereço que o caixeiro lhe dera. Ao retornar ao hotel onde se hospedara, acaba comprando uma sanfona igualzinha à que tinha ido buscar.



Em 1939 Luiz dá baixa das Forças Armadas, impulsionado por um decreto que proibia para os soldados um engajamento superior a dez anos no Exército. Desembarca no Rio com bilhetes comprados para Recife, de navio, e Exu, de trem. Enquanto aguardava a chegada do navio que o levaria ao Recife, resolve conhecer o Mangue, o bairro boêmio vizinho. E lá, com sua sanfona Honner branca, faz sucesso tocando valsas, tangos, choros, foxtrotes e outros ritmos da época. Através de um músico amigo, o baiano Xavier Pinheiro, casado com uma portuguesa, Gonzaga vai morar no morro de São Carlos, à época tranquilo reduto português no Rio. Consta que teve sua primeira apresentação em palco, num cabaré chamado “O Tabu”.

Luiz Gonzaga tocava em festas na Lapa ou se apresentava nas ruas passando o chapéu. O homem simples não tinha vergonha de se apresentar na rua e foi assim, longe dos holofotes, longe dos palcos que ele começou sua carreira no Rio de Janeiro, tocando na rua, apenas um estranho, apenas mais um entre muitos que buscavam ganhar algum dinheiro para sobreviver na cidade maravilhosa.

Por consequência da Segunda Guerra Mundial, o país foi invadido por músicas e ritmos estrangeiros, mas nada impediu Luiz Gonzaga de  tocar, sendo assim, ele começou a tocar os ritmos incluindo blues e fox trot, afinal vivia da música e precisava agradar o público.

Dono de um enorme talento logo começou a participar de programas de calouros, com um  repertório composto basicamente de músicas estrangeiras. Mas o sucesso não veio.



Tudo mudou em 1941. Um dia, pressionado por estudantes cearenses, Luiz Gonzaga modifica o seu repertório e consegue tirar nota máxima no programa “Calouros em Desfile”, de Ary Barroso, na Rádio Tupi, executando a música Vira e Mexe, um “xamego” (chorinho) lá do seu pé-de-serra. Pouco tempo depois vai trabalhar com Zé do Norte no programa “A hora Sertaneja”, na Rádio Transmissora. Nesta mesma época chega ao Rio seu irmão José Januário Gonzaga, fugindo da seca devastadora e trazendo um pedido de ajuda por parte de Santana. Zé Gonzaga passa a morar com o irmão.

Luiz Gonzaga já atraia a atenção das pessoas, já tocava bem melhor, sua voz inconfundível dava nova tonalidade às canções e o ritmo não deixava ninguém ficar parado e tudo isto despertava a atenção das pessoas e começava já a chegar também nas rádios.

Em 5 de março de 1941 Luiz realiza sua primeira participação numa gravação da empresa Victor, atuando como sanfoneiro da dupla Genésio Arruda e Januário França. Seu talento chama a atenção de Ernesto Augusto Matos, chefe do setor de vendas da Victor. E no dia 14 de março Luiz Gonzaga grava, assinando pela primeira vez como artista principal, e exclusivo da Victor, quatro músicas que são lançadas em dois 78 rotações. É publicada a primeira reportagem sobre Luiz Gonzaga na revista carioca Vitrine, com o título “Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom”. Ainda em 1941, Gonzaga grava mais dois 78 rotações. O sucesso havia chegado, e Gonzaga já era chamado como “O maior sanfoneiro do nordeste, e até do Brasil”.


Gonzaga apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Mas em 1943, após conhecer o trabalho do sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo, que se apesentava no palco com as roupas típicas de sua cultura; Luiz decidiu vestir-se com roupas típicas do nordeste, adotando o traje de vaqueiro – figurino que o consagrou como artista.

Desta época recebeu o apelido de Lua do amigo O apelido “Lua”, invenção de Dino 7 Cordas pelo rosto arredondado de Gonzaga, é divulgado pelo radialista Paulo Gracindo na Rádio Nacional.


Dois anos depois, em 11 de abril, Luiz Gonzaga grava o 25º disco de sua carreira como sanfoneiro, e o primeiro como cantor, com as músicas Dança Mariquinha, mazurca de sua autoria com letra de Miguel Lima, e Impertinente, polca também de sua autoria, instrumental. Mas a afirmação como intérprete só chega com o 31º disco, lançado em novembro, pelo sucesso estrondoso da mazurca Cortando o pano, uma parceria com Miguel Lima e Jeová Portella.

 Fonte – www.jconlineblogs.ne10.uol.com.br

Ainda em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes dos Santos deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga mantinha um caso há meses com a moça – iniciado quando ela já estava grávida – Luiz, sabendo que sua amante ia ser mãe solteira, assumiu a paternidade da criança, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, foi expulsa de casa por ter engravidado do namorado, que não assumiu a criança. Ela foi parar nas ruas, sofrendo muito, até que foi ajudada e descobriu-se seu talento para cantar e dançar. Ela passou a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz.

A relação de Odaléia, conhecida por Léia, e Luiz, era bastante agitada, cheia de brigas e discussões, e ao mesmo tempo muita atração física e paixão. Após o nascimento do menino, as brigas pioraram, já que havia muitos ciúmes entre os dois. Eles resolveram se separar com menos de dois anos de convivência. Léia ficou criando o filho, e Luiz ia às vezes visitá-los.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu, e teve um emocionante reencontro com seus pais, Januário e Santana, que desde 1930 não viam o filho. No retorno para o Rio, passa pela primeira vez no Recife, participando de vários programas de rádio e muitas festas. Nesse momento conhece Sivuca, Nelson Ferreira, Capiba e Zé Dantas, estudante de medicina, natural de Carnaíba, músico por vocação e apaixonado pela cultura nordestina.




Desejoso de encontrar o parceiro certo para expressar sua musicalidade sertaneja, Luiz Gonzaga procura o cearense Lauro Maia. Este lhe apresenta o cunhado, também cearense, advogado e poeta, Humberto Teixeira. Esse primeiro encontro rendeu a primeira parceria, No meu pé de serra, xote que só seria gravado em novembro do ano seguinte.

Em 1947, em parceria com Humberto Teixeira, a música ícone do Nordeste: Asa Branca.  Asa Branca tornou-se praticamente um hino do povo sofrido do nordeste brasileiro. A parceria com Humberto Teixeira gerou sucessos como Baião, Juazeiro, Mangaratiba, Paraíba e tantos outros. Nessa época Luiz Gonzaga adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro estilizado, baseado no que Lampião usava nas tropelias do cangaço.


 Outubro de 1948. A conceituda “Revista do Rádio”, aponta Luiz Gonzaga, artista da RCA Victor, emplacando os primeiros lugares da venda de discos.

Num domingo de julho de 1947, Gonzaga conhece na Rádio Nacional, a contadora Helena das Neves Cavalcanti, e a contrata para ser sua secretária. Rapidamente o namoro acontece, e Gonzaga pensa em casar. No ano seguinte o matrimônio acontece e o casal vai viver, juntamente com a mãe de Helena, dona Marieta, no bairro de Cachambi. Eles não tiveram filhos biológicos, por Helena não poder engravidar, mas adotaram uma menina, a quem batizaram de Rosa Maria.
 
 Gonzaga chamando atenção nos jornais cariocas, 
como nesta edição de 12-03-1948, do jornal “A Noite”.

Ainda em 1948 Odaléia morre de tuberculose. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com dois anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena, e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou. Luiz não viu saída: Entregou o filho para os padrinhhos da criança, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, criá-lo, no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava a criança e o menino era sustentado com a assistência financeira do artista. Luizinho foi criado como muito amor. Xavier o considerava filho de verdade, e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina um amor verdadeiro de mãe.


 A luta em Exu, entre as famílias Alencar e Sampaio, repercutia fortemente no Rio de Janeiro em 1949. Jornal carioca “A Manhã”, 06-11-1949.

Aproveitando uma folga entre as gravações, Luiz Gonzaga leva a esposa e sogra para conhecerem o Araripe, e sua terra Exu. Porém, interrompem a viagem quando estavam no Crato, por causa das desavenças e mortes entre as famílias tradicionais Sampaio e Alencar. A grande violência que marcava a disputa entre os clãs rivais ameaçava sua família, ligada aos Alencar. Preocupado, Gonzaga aluga uma casa no Crato, para onde leva seus pais e irmãos, enquanto preparava a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, o que ocorreu ainda em 1949.

Em 1950, em janeiro, o médico formando Zé Dantas chega ao Rio de janeiro, a fim de prestar residência no Hospital dos Servidores. Nesse ano, Luiz Gonzaga lançou, gravando ou cedendo para outros intérpretes, mais de vinte músicas inéditas, a maioria parcerias com Humberto Teixeira e Zé Dantas que se tornariam clássicos nacionais. Depois deste ano, começou a fazer shows pelo interior do país continuando muito popular. Neste período Luiz Gonzaga já era bem mais conhecido e seus shows estavam sempre cheios, por onde passava o sucesso era garantido.


Fonte – www.substantivoplural.com.br

Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra – o Sertão nordestino – para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado.

Depois da morte de Zé Dantas, fez parceira com outras pessoas. Ganhou o apelido de Rei do Baião dos cidadãos paulistas e até hoje é conhecido como tal. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, não parou mais de fazer sucesso e se tornou um dos artistas mais conhecidos e respeitados do Brasil.



Em 1968, aconteceu uma coisa engraçada na carreira do cantor; Carlos Imperial espalhou que os Beatles gravaram “Asa Branca” tudo mentira, é claro! Sendo assim, Luiz ocupou muito lugar na imprensa por causa da repercussão dessa brincadeira. Em 1971, após Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravaram “Asa Branca”. Depois disso o Rei do Baião chegou a se tornar sucesso entre os hippies.

Em 1980 foi convidado a cantar para o  Papa João Paulo II e recebeu um “Obrigado, cantador”. Em 1982, enfim, virou o Gonzagão e seu filho o Gonzaguinha que acompanhou seu pai numa turnê, mostrava que só daria orgulho ao pai.


 Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Admirado por grandes músicos, gravou nos anos oitenta com cantores de grande sucesso como Raimundo Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, Milton Nascimento e outros, conseguindo alavancar ainda mais sua carreira. Ao todo, Luiz Gonzaga conseguiu gravar em toda sua vida cinquenta e seis discos compondo mais de quinhentas canções de grande sucesso nacional. Recebeu no ano de 1984 o primeiro disco de ouro com o Danado de Bom, outro grande sucesso.


Relação das músicas e sequência como elas foram cantadas no show de Gonzagão & Gozaguinha no Rio de Janeiro – Jornal do Brasil – Caderno B – 13-01-1982.

Em 1988, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria osteoporose e desobedecendo a ordens médicas, participou de um show no dia 6 de junho no Teatro Guararapes em Recife, cidade onde viveu seus últimos dias de vida.

No dia 21 de junho foi internado, morrendo em dois de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital de Pernambuco. Como ele próprio contou em tributo à Humberto Teixeira ” o homem morre, mas sua obra torna-se imortal”.


Gonzaga convalescente da doença que o levou.
Fonte: www.oabelhudo.com.br

Aos 76 anos, no ano de 1989 no dia dois de agosto às cinco e quinze da manhã morreu o Rei do Baião, depois de quarenta e dois dias internado no Hospital Santa Joana na cidade de Recife. No seu sepultamento compareceram mais de vinte mil pessoas que cantaram Asa Branca quando o caixão descia as quatorze horas e cinquenta minutos do dia quatro de agosto. Uma data que ficou marcada na vida de muitos brasileiros.


Funeral em Exú. Dois amores de Gonzaga se destacam na multidão que cerca o caixão. À esquerda aparece dona Helena Gonzaga, e à direita, de óculos escuros, Maria Edelzuita Rabelo com quem Gonzaga conviveu até seus ultimos dias. 
Fonte: www.museugonzagaoserrinha.blogspot.com.br


E assim o Brasil perdia um ícone da música popular e ganhava um mito que viverá para sempre em suas músicas, pois o homem simples soube cantar a simplicidade do sofrido povo brasileiro e chegou a conquistar a todos, independente da classe social, Luiz Gonzaga é querido por todos, é sem dúvida alguma o eterno Rei do Baião.

Fontes

http://100luizgonzaga.blogspot.com.br/2012/06/biografia_11.html

http://100anosdegonzagao.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga.html

http://www.portaljatoba.com.br/site/musica/item/908-100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-bai%C3%A3o

http://dicasgratisnanet.blogspot.com.br/2012/05/biografia-de-luiz-gonzaga-resumo.html

http://maniadehistoria.wordpress.com/2012/06/24/100-anos-de-luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga

Tá tudo lá, no: www.tokdehistoria.wordpress.com

Obs: As duas ultimas imagens foram inseridas pelo Lampião Aceso.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ecos de Canudos no Cangaço

Depoimento de Edmar Rocha Torres
 
Edmar Rocha
“O meu pai, Emar do Prado Torres, foi o engenheiro civil responsável pela abertura de estrada na região de Canudos, entre 1930 e 1932. Como a região estava infestada por cangaceiros, e era muito perigoso o trabalho, meu pai precisou prevenir-se... Dos cento e vinte trabalhadores contratados, vinte eram para proteção... Eram jagunços, que se revesavam em dois turnos, dia e noite, dez a dez... Às vezes com alguns a mais...

E some a isto, na verdade, que todos os trabalhadores estavam armados com seus fuzís... Isto é... Eram, na verdade, mosquetões... Acontece que, considerando a insegurança da área, o interventor, que havia adquirido os mosquetões apreendidos quando da revolta de São Paulo, da década de 1920, mandou distribuir entre os trabalhadores... Estavam, assim, todos armados... E o chefe deles era Pedrão, que tinha lutado em Canudos, e aparece, inclusive citado por Euclydes da Cunha...

Outro que lutou em Canudos, como líder, mas não apareceu nos relatos, foi Canário... Este também, com Pedrão, coordenava os jagunços.

O exército mandou uns oficiais especialistas em tiro para dar treino aos matutos... mas, quando chegaram lá, viram que os matutos eram, na verdade, jagunços formados e que entendiam de armas até muito mais que eles... E eram muito bons mesmo de pontaria e manejo... Aí, pros... oficiais bons de tiro... acabou virando um passeio e até mesmo aprendizado para eles próprios...

O chefe da obra, engenheiro Emar do Prado Torres, 
então com cerca de 25 anos de idade, aparatado para eventual defesa da obra.

O Pedrão usava dois punhais... Um era aquele grande, atravessado na cinta... Outro era o pequeno, muito afiado também, que ele mantinha preso aqui, na coluna, abaixo do pescoço, nas costas, porque dificilmente alguém revistaria ali... Ele prendia com uma espécie de emplastro... Se mandassem levantar as mãos, ele, com as mãos na nuca, estava com elas pertinho da arma... Quando as obras estavam para acabar, o Pedrão o deu ao meu pai...


 Punhal de Pedrão - atualmente no acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 
doado por Edmar Rocha Torres.

Ele tinha um auxiliar terrível, famoso entre os outros jagunços... Era o “Gato”... Ele chegou até o meu pai indicado por Manoel Novaes. Tina um cabelo alourado longo, olhos muito azuis. Ele disse:
- O seu Manoel Novaes pediu para eu proteger o senhor.
Ele tinha ido para lá também porque onde ele estava antes fora jurado de morte. Era muito brabo... Ele sabia das coisas... porque também era de Serra Talhada, em Pernambuco... E todo mundo sabia dele e se pelava de medo e respeito... E ele era mesmo terrível... Só colocavam ele para missões de muita violência... Isto a tal ponto que ele não confiava em ninguém... Tanto fazia que sabia que estava marcado para morrer... Então, quando dava a janta, ele mesmo preparava as coisas dele, com todo cuidado, e comia... Pegava uma rede e sumia... Somente aparecia na manhã...

Na escuridão, caminhava, conforme ele disse depois ao meu pai, por cerca de dois quilômetros, em uma direção qualquer, escolhida para aquela noite... e que jamais repetia no todo... Então, por uns quinhentos metros, procurava uma situação em que ele pudesse pendurar a rede e ficar o mais escondido possível...


Acima, grupo de jagunços de um turno de defesa em construção de estrada, próximo a Canudos, em 1931. O segundo de pé, da esquerda para a direita é o chefe do grupo, o jagunço Pedrão, um dos líderes da Guarda Católica da rebelião de Antonio Conselheiro. Tendo sobrevivido ao drama de Canudos, emprestou sua experiência na liderança de jagunços contra os cangaceiros.

De pé, na frente, o jagunço apelidado "Gato", tido como dos mais sagazes e violentos do grupo. Na mesma foto, à direita, um oficial do exército, enviado para dar instrução de uso das armas, mas que percebeu ser tal completamente desnecessária, em função do conhecimento dos jagunços.
Era ele o responsável pela segurança do meu pai, quando ele ia buscar o dinheiro para pagar as despesas da empresa, os funcionários e os jagunços...

Quando a obra acabou, meu pai pediu ao oficial responsável que as armas ficassem com os sertanejos. Colocou que eles poderiam ser alvo de vingança, por suas participações naquela defesa da estrada. Como não eram fuzis tombados, mas os tomados de São Paulo, o militar concordou, pegou os recibos de empréstimo e rasgou na frente do meu pai.

Quando tudo acabou, o Gato sabia que estava marcado e que se ficasse ali morreria... Aí, o meu pai trouxe o Gato para Salvador, e deu ele começou a trabalhar como um pacato jardineiro na casa da minha tia... Quem visse nem acreditaria quem ele era e do que era capaz...

Finalmente... um irmão dele que trabalhava em Santos, com um negócio daqueles transportes antigos... lotação... para empresas... chamou Gato e ele foi... Nunca mais se soube dele...

Nem mesmo o nome real do Gato eu sei... O mais terrível dos jagunços na imposição do regime de defesa contra os cangaceiros na empresa, sob a liderança do Pedrão... Deste jeito... que bando de cangaceiros atacaria, ali, e quando? Nunca...

O meu pai, deitado na rede, aproveitando a presença desse cabra de Conselheiro, ia lendo a história do livro “Os sertões”, e ele, o Pedrão, sentado no chão, perto, ia dizendo se estava certo ou errado... Meu pai achou que ele era fidedigno, pois teve ocasiões que Euclydes creditou vitória aos jagunços e ele desmentia dizendo que tinham perdido tal e tal confronto... Ninguém mente contra si mesmo...

Finalmente, o Pedrão foi esmirrando... Veio a Salvador tratar de um câncer na faringe... e o meu pai que o apresentou aos médicos que poderiam ajudá-lo... Finalmente, voltou para morrer na terra dele... Acabou tão mal... Carregado numa gamela...


Pedrão, já idoso, com Manuel Ciríaco, 
dois guerrilheiros em Canudos.

Pescado no essencial www.cangaconabahia.blogspot.com.br

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mais um clássico relançado

Luiz Gonzaga na poesia de Zé Praxedi

por Leide Câmara

Zépraxédi (O Poeta Vaqueiro) ao escrever “Luiz Gonzaga e outras poesias“ jamais pensou que entraria para história como autor da primeira biografia em versos do Rei do Baião. E disse bonito, bem ao seu estilo de poeta, que tão bem conhecia o Nordeste, Luiz Lua Gonzaga, o sertão, seu povo e sua gente. Com prefácio de Luiz da Câmara Cascudo e com o apoio de outro potiguar, João Café Filho (Vice-Presidente da República), a obra foi publicada pela Continental Artes Gráficas, de São Paulo/SP, em 1952. Praxédi parecia adivinhar que  o ícone que Luiz Gonzaga mais tarde se tornaria, pois em seu última estrofe do  poema biografia finaliza assim “...

Mas o TITO, que me abrange, minha arma, meu coração, foi dado pelo povo da praça e do meu sertão. É a voz do meu Brazí: GONZAGA O REI DO BAIÃO”. E foi mesmo consagrado pelo povo como a maior expressão da música nordestina. Luiz criou um estilo ao se caracterizar com a indumentária do nordestino e cangaceiro em suas apresentações. Transformou costumes com o xote e o baião e fez mudanças para estória da música brasileira divulgando o Nordeste e nacionalizando o forró. Imortalizou a trilogia do baião - Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira, que até hoje é seguido por legiões de fãs que cultuam sua memória e sua obra, que é um patrimônio imensurável.

O Sebo Vermelho, leia-se Abimael Silva, para comemorar o centenário de nascimento do Rei do Baião (13 de dezembro de 1912 – 13 de dezembro de 2012) publicou uma edição Fac-similar do livro de Zépraxédi (O Poeta Vaqueiro) “Luiz Gonzaga e outras poesias”, uma obra rara que tem sessenta anos. O livro chegará a mãos de apreciadores tanto de Luiz Gonzaga quanto de Zé Praxédi.


Capa da nova edição

Uma memória  histórica

José Praxedes Barreto nasceu na Fazenda Espinheiro, Angicos (RN), em 15 de novembro de 1916 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 de março de 1982. Compositor, intérprete, escritor, poeta, radialista, cordelista e jornalista (filiado a Associação Brasileira de Impressa - ABI/RJ em 1955). Era o primeiro dos seis filhos do casal Francisco Praxédes Barreto (nasceu em Martins/RN e faleceu em Currais Novos/RN) e Maria Segunda Praxédes Barreto (nasceu em Martins/RN em dezembro de 1900 e faleceu em Natal/RN em 23 de junho de 1975). José Praxédes casou em 1941 com Hilda Pinheiro Barreto, com quem teve um único filho, José Praxédes Barreto Júnior (Bahia/BA em 09 de novembro de 1947) que reside no Rio de Janeiro. Zé Praxedes foi morar no Rio de Janeiro em 1950 e no ano seguinte, com o patrocínio de João Café Filho, ele e Luiz Gonzaga fizeram uma consagradora apresentação no Teatro Copacabana.

Foi contratado pela Rádio Nacional, onde apresentou por muitos anos o Programa “Sertão é assim”, todos os dias às 6 horas da manhã, era um momento em que os Nordestinos ausentes conseguiam matar a saudade de sua gente. O programa dava grande audiência e isso foi muito importante para conseguir patrocinadores e mantê-lo no ar.

Fonte: Sebo Vermelho

O livro tem 85 páginas. Está saindo ao preço de R$ 24,00 (Vinte e quatro reais) com frete incluso. Onde comprar? Com nosso revendedor oficial Professor Pereira através do E-mail franpelima@bol.com.br ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - (83) 8706 2819 (OI).

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lampião em Mossoró

Quarta teoria: O ataque resultou de um plano político (quarta parte)

Honório de Medeiros

Acerca do mesmo episódio ocorrido em 10 de maio de 1927 o historiador Valter de Brito Guerra, (Foto) em “APODI, SUA HISTÓRIA [1]”, é enfático:

In www.tudodeapodi.com
O ataque a Apodi, de 10 de maio de 1927, por um grupo de bandidos, organizado no Estado do Ceará, município de Pereiro, foi resultado de uma vingança política, insuflada por elementos de fora, inimigos de Apodi. Na madrugada daquele dia, penetraram nesta cidade, causando pânico e terror à nossa população, nada menos que 18 bandidos, fortemente armados, comandados por Massilon Leite.

A empreitada, organizada e dirigida de longe, por pessoa ligada a importante família do Apodi, tinha uma terrível missão a cumprir na cidade. Em primeiro lugar figurava, no plano sinistro, o assassinato do então chefe político Francisco Ferreira Pinto, para cuja residência se dirigiram os bandidos, prendendo-o imediatamente [2].O vigário da paróquia, que naquele instante acabara de celebrar a santa missa, foi chamado às pressas, para salvar o chefe político, em poder dos cangaceiros, que já se preparavam para eliminá-lo.

Enquanto permanecia preso o chefe local Francisco Pinto, por cuja liberdade o bandoleiro Massilon exigia vultosa quantia em dinheiro, elementos do grupo terrorista praticavam na cidade, atos de violência, e assassinato. Tomada de terror, ante a ação dos cangaceiros, quase toda a população abandonou a cidade, buscando refúgio na zona rural, nos sítios e fazendas.

Desta cidade os cangaceiros se retiraram pela manhã do mesmo dia 10, entre as nove e dez horas, rumo ao distrito de Itaú, neste município.
Frustrado o assassinato do Coronel Francisco Pinto em 1927, quem sabe de propósito, como o veremos logo mais, mesmo assim não serenou o ânimo dos seus inimigos políticos. Em 1934, durante o Governo do Interventor Mário Câmara, novo atentado pôs fim a sua vida.

Conta-nos, ainda, o historiador Válter de Brito Guerra, em obra já mencionada:
Assaltada de surpresa, a cidade não teve condições de reagir ao premeditado ataque, sob o comando do temível Massilon, famoso por suas façanhas na história do crime e banditismo no Nordeste, onde se criou na época, um ambiente propício ao cangaceirismo.

Os ânimos serenaram e houve um período de relativa calma. Porém as marcas e os resquícios daqueles dramáticos acontecimentos, permaneceram vivos no espírito de muitos, sempre sequiosos de represálias.

O movimento revolucionário de 1930 veio reavivar os graves acontecimentos do passado. Não só em Apodi, mas em todo o Rio Grande do Norte, o panorama sofreu radical transformação, com o advento da revolução vitoriosa de 1930. Iniciou-se então, neste Estado, o mais revoltante período de hostilidade e humilhações contra adversários políticos decaídos. Com a vitória da revolução, a família Pinto em Apodi perdeu o mando político e administrativo, conquistando novamente o poder em 1935, com a vitória do Partido Popular.

Realmente, a Revolução de 1930 não cumpriu a missão a que se propusera. Os seus princípios, seus postulados e ideais, que serviram de alento àquela arrancada cívica, caíram por terra ou foram esquecidos. Prevaleceu, acima de tudo, a vontade dos oportunistas, que a tudo custo, queriam encastelar-se no poder, à sombra do governo revolucionário.

Instalou-se então no estado, o terrorismo político que tomou vulto a partir de 1933, com a designação do quinto Interventor Federal, filho da terra, nomeado pelo presidente revolucionário, Getúlio Vargas.

 Mario Câmara, quinto Interventor Federal do RN.

Incutira o novo governante em sua cabeça, a idéia de candidatar-se à sua própria sucessão, na eleição que se aproximava para governador do Estado. A partir desse momento, e com o objetivo de ganhar eleitores e conquistar chefes políticos, o interventor pôs em jogo a máquina administrativa do Estado, desencadeando-se, então, a mais violenta e desastrosa campanha política de que se tem notícia no Rio Grande do Norte.

A série de atos de suborno, coação e violências, segundo os depoimentos da história, preparada pelo partido do governo, espalhou-se por todos os recantos do Estado.

Nenhum município ficou livre das arbitrariedades que atingiram o Rio Grande do Norte em todas as direções, sob a conivência das autoridades governamentais.

Ao aproximarem-se as eleições de 14 de outubro de 1934, em plena campanha política, contingentes policiais foram destacados para cidades, vilas e povoados, com a finalidade de coagir os adversários do governo, generalizando-se o pânico e o medo entre as populações. Populações que se dividiam em duas facções partidárias: o Partido Popular, de oposição ao governo; e a Aliança Social ou Liberal, partido governista. Perrepista ou perré, era a denominação dada ao partidário da oposição, liberal ou Pela-Bucho, era o correligionário do Governo ou a pessoa filiada da Aliança Liberal.

A proporção que se aproximava o dia das eleições, a onda de crimes aumentava assustadoramente, sob as mais diversas formas. Prisões ilegais, espancamentos de adversários do governo. Assassinatos eram presenciados a todo o instante, ficando os criminosos livres de qualquer punição.

Em Apodi, onde o chefe político Francisco Ferreira Pinto liderava a corrente de oposição ao governo, as perseguições políticas alcançaram o seu ponto culminante. Sucediam-se as prisões, intimidações a adversários do partido governista, surras e ameaças de toda a ordem.

O esquema de opressão posto em prática, estarrecendo a opinião pública, não se limitou apenas às agressões físicas e desmoralizadoras, pelos agentes do partido revolucionário, de que foram vítimas chefes políticos de prestígio e respeito. O processo de violência evoluía a todo momento, amedrontando as famílias e eleitores oposicionistas.

Acontecimentos de maior gravidade começaram a surgir em diversos municípios do Estado; o assassinato de chefes políticos do Partido Popular. Isso devia fazer parte do plano preestabelecido, com o objetivo de aterrorizar o eleitorado e afastá-lo do pleito que se aproximava.

Incluído na lista negra da Aliança Social, comandada neste município pelos senhores Luis Ferreira Leite e Benedito Dantas Saldanha [3], estaria o líder Francisco Ferreira Pinto, ou Chico Pinto, como era chamado, assassinado nesta cidade no dia 02 de maio de 1934. O crime, praticado às caladas da noite, teve grande repercussão em todo o Estado, principalmente no seio do Partido Popular, onde o falecido gozava de elevado conceito. Era um dos chefes políticos de maior prestígio desta região. Não só pela expressão do colégio eleitoral que comandava, mas também pela sua bravura cívica e qualidades morais, que caracterizavam sua personalidade. Desenvolveu no município intensa atividade político-partidária, ao lado de João Józimo de Oliveira Pinto e João de Brito Ferreira, tendo sido eleito Prefeito Municipal e Deputado à Assembléia Legislativa Estadual.

 O Coronel Benedito Saldanha seria o de botas longas e braços cruzados.

Os métodos postos em prática pelo Governo e seus partidários com a finalidade de ganhar a eleição, não arrefeceram o ânimo dos eleitores populistas, que se mantiveram firmes nos momentos mais difíceis, quando sofriam as mais absurdas perseguições. A eleição de 14 de outubro de 1934, deu ao Partido Popular a mais consagradora vitória. Com a eleição de Dr. Rafael Fernandes ao Governo do Rio Grande do Norte, pela Assembléia Constituinte, o Estado voltou à sua normalidade. A paz voltou a reinar entre as famílias potiguares.
MASSILON

Massilon, desde o assassinato do Delegado de Belém do Brejo do Cruz, PB, entre 1923 e 1924, acossado pela perseguição policial, passou à proteção da poderosa família Saldanha, presença proeminente naquela cidade e arredores e oposição aos Dutras que a governavam e, mais especificamente, à Manuel Paulino Dutra de Morais, seu chefe político, aquele que trouxera, ao Brejo, o militar que seria assassinado pelo cangaceiro.

É o que soubemos por intermédio de Dna. Tércia Leite de Oliveira, sua irmã, graças à entrevista gentilmente cedida ao Autor pelo escritor Sérgio Dantas e realizada pelo Tenente Raimundo Nonato de Oliveira, este casado com Salete, filha de Fenelon Leite, irmão de Massilon.

Essa afirmação foi corroborada depois, em entrevista realizada pelo Autor com o Capitão Viana, da qual foi dado notícia um pouco antes, neste livro.

O mesmo Massilon, que foi apontado pelo Capitão Viana como tendo sido jagunço de Benedito Saldanha, era protegido de seu irmão Quincas Saldanha, a quem chamava de “Padrinho”, segundo Deusdedite Fernandes Pimenta, entrevistado pelo Autor, por Franklin Jorge e Kydelmir Dantas, em Março de 2009, na sua Caraúbas natal.


Coronel Quincas Saldanha

Relata Franklin Jorge em seu “site” [4]:
CARAÚBAS –Passei a tarde de sábado em Caraúbas, para onde fui a convite de Honório de Medeiros e Kydelmir Dantas, que iam com a missão de entrevistar Deusdedite Fernandes Pimenta. Ele nos recebeu em sua casa em animada “sessão nostalgia”, quando recordou que estivera nos braços do famoso Massilon Leite, incentivador de Lampião no ataque a Mossoró, fato ocorrido em 1927.

Em voz clara e cheia de energia, evocou ainda outras figuras populares de Caraúbas, entre as quais a não menos famosa de Quincas Saldanha que há mais de cinqüenta anos aterrorizou uma vasta região, cuja casa forte, um digno exemplar da arquitetura rural sertaneja, centro político da sua propriedade rural retalhada por seus herdeiros, ainda continua de pé, incorporada já ao perímetro urbano do município.

Homem corpulento e cordial, de 83 anos, Deusdedite tinha apenas alguns meses de vida quando a fazenda Timbaúbas, do seu avô Hipólito Fernandes, foi invadida por Massilon que se fazia acompanhar por oito ou dez cabras armados, onde pernoitou e trocou uma sela nova pela velha que trazia. Na saída, vendo-o nos braços da babá, tomou-o nos próprios braços e depois de alguns minutos o devolveu à negra que, assustada, tremia.
Definitiva, entretanto, para demonstrar a veracidade da afirmação alusiva ao vínculo entre Massilon e os Saldanha é a Denúncia oferecida pelo Promotor Público da Comarca de Souza, PB, Dr. Emílio Pires Ferreira, servindo“Ad-Hoc” em Brejo do Cruz, no mesmo Estado, em 10 de fevereiro de 1927, transcrita no Jornal “União”, da Paraíba, número 82, em 9 de abril de 1927, um sábado [5].

Nela vamos encontrar esse trecho, em grafia da época:
A excepção de MASSILON LEITE, pronunciado neste termo, por crime de homicídio que, apezar de já ter vivido sob a proteção de Joaquim Saldanha, estava ultimamente com Benedito Saldanha, irmão deste, no Estado do Ceará, os demais são moradores do mesmo Joaquim Saldanha e são tidos como homens afeitos do crime.
Massilon sabia, pois, que na Paraíba, desde que matara um Delegado, não havia mais lugar para ele. Dos beneficiados pelos seus crimes obtivera passaporte e amparo para começar outra vida longe dali. Cortara o território do Alto Oeste potiguar e reaparecera no Ceará, mais precisamente em Alto Santo, sob a proteção do Coronel Benedito Saldanha, grande proprietário rural na Região, irmão do Coronel Quincas Saldanha, este, por sua vez, latifundiário em Brejo da Cruz, Paraíba, e Caraúbas, Rio Grande do Norte.

Os Coronéis Quincas e Benedito Saldanha

O Coronel Quincas Saldanha desde que saíra de Brejo do Cruz após o evento de 1926 [6], e se fixara em Caraúbas, no Rio Grande do Norte, voltara seu interesse, secundando seu irmão Benedito Saldanha, fazendeiro em Alto Santo, Ceará, para a política do Rio Grande do Norte, com especial atenção pela Região Oeste, mais especificamente Caraúbas e Apodi, nesta alinhado à oposição radical ao Coronel Francisco Pinto, chefe político da cidade.

Abelardo Montenegro conta, em “FANÁTICOS E CANGACEIROS” [7] o seguinte episódio acerca do Coronel Quincas Saldanha, dando idéia da importância e liderança que desfrutava entre seus pares:
Em 1904, aproximadamente, o coronel Joaquim Saldanha enviava gado da fazenda Amazônia, nos limites entre Paraíba e Rio Grande do Norte, para Riacho do Sangue (Frade), Cachoeira (Solonópoles) e Jaguaribe-Mirim. Tempos depois, fazia retornar o gado. Comprava, ao mesmo tempo, boiadas para vender na Pedra do Fogo, em Pernambuco, e em Pocinhos, na Paraíba.

Diversos fazendeiros, entre os quais João Patrício de Almeida, da fazenda Serrote do Mato, João Roque de Macedo, da fazenda Arara, e Elpídio José de Queiróz, da fazenda Juazeiro, procuravam o coronel Joaquim Saldanha, que se hospedava na fazenda Arara, e pediam-lhes providências contra os Bocas e José Dantas. Saldanha assegurava-lhes que ia pedir a interferência do Padre Cícero Romão Batista, seu amigo, que se entenderia com o Governador Nogueira Acioli.

Algum tempo depois, surgiam as primeiras volantes da polícia cearense. Uma delas, comandada pelo tenente Romão Nunes, ficava sediada em Pereiro, sob a orientação do coronel Alcoforado.

 Abelardo Montenegro
In onordeste.com

Os Bocas e José Dantas tinham os seus ‘pombeiros’ que os avisavam da aproximação da polícia. Os assaltos, por isso, continuavam. Voltava a ser feitos apelos ao coronel Saldanha, que convidava um dos Bocas a comparecer a sua presença, não sendo, porém, aceito o convite.

Em outra viagem, recebia o coronel Saldanha, por intermédio de Francisco Melo, proprietário da fazenda Espinheiro, a relação dos principais culpados. Os Bocas, além de gado, raptavam mulheres.

Após vários convites, dois chefes Bocas iam à fazenda Espinheiro, onde estava arranchado o coronel Saldanha. Ao penetrarem no pátio da fazenda, eram alvejados a bala, morrendo um e saindo outro ferido.

O Coronel Benedito Saldanha, por sua vez, chegou a ser Interventor em Apodi em 1933, durante 6 meses e 14 dias. E foi Deputado à Constituinte Estadual de 1935 pela Aliança Social do Rio Grande do Norte, liderada pelo Interventor Mário Câmara.

Edgar Barbosa [8] fixou um perfil de Benedito Saldanha [9] ao relatar o seguinte episódio por ele protagonizado em 1934:

Na tarde de 29 de novembro, após um almoço na residência oficial do interventor, precisamente no dia do seu regresso do Rio, o Sr. Benedito Saldanha, candidato da Aliança Social à Assembléia Constituinte e figura de evidência do situacionismo, entrou, à frente de um grupo, no prédio d’A Razão. Chegando à redação do órgão do Partido Popular, o político aliancista, em companhia do Tenente José Paulino, sem declinar o seu nome nem os motivos que ali o traziam, entrou sem mais detença a depredar os móveis, rasgar papéis, quebrar caixas e empastelar os tipos com os quais se confeccionava A Razão. Tal empastelamento se deu à hora meridiana, em plena Avenida Tavares de Lyra, a artéria principal da Ribeira. Após, o Sr. Benedito Saldanha saiu dizendo ir à procura dos próceres oposicionistas, ameaçando assim de novas violências o Partido contra cujo porta-voz na imprensa agira tão desabragadamente.

Relembremos Válter de Brito Guerra [10]:

Incluído na lista negra da Aliança Social, comandada neste município pelos senhores Luis Ferreira Leite e Benedito Dantas Saldanha, estaria o líder Francisco Ferreira Pinto, ou Chico Pinto, como era chamado, assassinado nesta cidade no dia 02 de maio de 1934. O crime, praticado às caladas da noite, teve grande repercussão em todo o Estado, principalmente no seio do Partido Popular, onde o falecido gozava de elevado conceito. Era um dos chefes políticos de maior prestígio desta região. Não só pela expressão do colégio eleitoral que comandava, mas também pela sua bravura cívica e qualidades morais, que caracterizavam sua personalidade. Desenvolveu no município intensa atividade político-partidária, ao lado de João Józimo de Oliveira Pinto e João de Brito Ferreira, tendo sido eleito Prefeito Municipal e Deputado à Assembléia Legislativa Estadual.

E Giocondo Dias, célebre líder comunista, assim a ele se refere quando entrevistado pelo jornalista e escritor Luis Gonzaga Cortez [11]:

Giocondo - Claro. Havia uma grande instabilidade, permanente. E o que acontecia?Os políticos, tanto os cafeístas, como os perréis, trabalhavam a oficialidade do batalhão. Por exemplo, o capitão Everardo Barros de Vasconcelos, que depois foi general, era homem ligado aos perréis. Aluísio Moura, outro capitão, era ora ligado aos perréis, ora aos cafeístas, e assim por diante. Por outro lado, Café Filho, ao lado do apoio popular, era apoiado pelos Saldanha, pelo Benedito Saldanha, pelo Aristides Saldanha, que eram verdadeiros senhores feudais. Tinham um autêntico exército, forças que giravam em torno de 500 jagunços, à disposição deles. Conseguiram manter este status quo exatamente na medida que apoiaram a Revolução de 30.
Continua...

[1] Coleção Mossoroense, Volume 1.145, Mossoró, RN, 2000.
[2] Grifei.
[3] Observemos a presença do Coronel Benedito Saldanha, a quem Massilon era ligado, segundo a Denúncia do Ministério Público de Brejo da Cruz e o depoimento de várias testemunhas, dentre elas o Capitão Viana.
[4] www.franklinjorge.com
[5] Ver, do Autor, “MASSILON”.
[6] A invasão de Brejo do Cruz executada por Massilon, acerca da qual se escreveu acima.
[7] Organização de Gildácio J. Almeida Sá; Expressão Gráfica Editora; Reedição; 2011; Fortaleza.
[8] “HISTÓRIA DE UMA CAMPANHA”; Edfurn – Editora da UFRN; Natal, RN; 2008.
[9] Em 6 de maio de 1934 o jornal “O Mossoroense” traz matéria com manchete de primeira página acerca do assassinato do Coronel Francisco Pinto por Roldão Maia, “cabra” de Benedito Saldanha segundo o historiador Marcos Pinto em “DATAS E NOTAS PARA A HISTÓRIA DE APODY”;Livro I; Coleção Mossoroense; Série “C”; Volume 1.164; 2001; Mossoró, RN.
[10] “APODI, SUA HISTÓRIA”; Coleção Mossoroense; volume 1.145; Abril de 2000; Mossoró, RN.
[11]http://www.dhnet.org.br/dados/livros/memoria/estaduais/cortez.doc(“A REVOLTA DE 1935 EM NATAL”)
Está lá, no Honório de Medeiros.com

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Flagrantes

Lançamento do livro "Cangaceiros de Lampião - de A a Z"

Por Narciso Dias

Foi realizado no último dia 29/11/2012, lançamento do livro "Cangaceiros de Lampião - de A a Z", do nosso amigo e confrade o escritor e advogado paraibano Bismarck Martins de Oliveira.

No livro foram catalogados 1002 cangaceiros, num trabalho de pesquisa que começou em 1982, um trabalho árduo porém, de muito valor para todos aqueles que admiram a temática do cangaço.
Para quem pesquisa cangaço sabe como é difícil adquirir material para um bom trabalho, sem contar com o máximo de responsabilidade que se exige na exposição de relatos.

O livro é um verdadeiro dicionário proporcionando ao leitor um fácil acesso, servindo sempre de fonte de consultas. O autor isento de vaidade quer compartilhar com os leitores discussões acerca do trabalho exposto, para aprimorá-lo, haja vista informa que o trabalho está inconcluso e disponibiliza contatos para que futuramente possa ter uma 2ª edição com participação efetiva dos leitores.


O GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, foi presença marcante no evento, representados por Narciso Dias, Jorge Remígio e demais membros do grupo, bem como a presença ilustre do Dep. Estadual-AL, Inácio Loiola e do Ex prefeito da cidade de Catolé do Rocha-PB, José Otávio Maia. Ambos conhecedores importantes da literatura do cangaço. Tendo ainda como anfitrião nosso amigo Heriberto Coelho, proprietário do Sebo Cultural, que sempre nos disponibiliza seu espaço com muita satisfação.


Narciso Dias
Membro do conselho consultivo do Cariri Cangaço.
João Pessoa, PB 

Quem já leu, recomenda!

"CANGACEIROS DE LAMPIÃO - de A a Z" -  É  um presente que o autor nos dar. Compartilha a sua pesquisa de trinta anos com todos nós,  que de alguma forma, somos envolvidos com o tema. É uma grande colaboração e facilitação para os pesquisadores ou mesmo para quem não é, mas gosta do tema cangaço. Tê-lo em sua biblioteca, afirmo com certeza, que o livro não vai ficar adormecido na estante.

A própria  dinâmica vai sempre levar a consultá-lo. Referendo o gesto nobre o autor, em admitir que o livro está em aberto, inconcluso. Isso é fruto da peculiaridade do objeto da pesquisa, pois, a tarefa titânica de catalogar 1002 cangaceiros, não é  trabalho nada fácil. O autor, desnudo de qualquer vaidade intelectual, tão comum no mundo das letras, assume um papel de parceria com os leitores do seu livro, disponibilizando e-mail e telefones para informações, que de alguma forma, venha contribuir com o crescimento da pesquisa. Isso abre uma conexão direta entre leitor e autor, desaguando numa 2º edição do livro, bastante avançada nos dados inconclusos até então, ou revisão de alguma informação incorreta.

O livro é um dicionário de cangaceiros. Como o dicionário da língua portuguesa, que sempre recorremos para dirimir dúvidas, CANGACEIROS DE LAMPIÃO de A a Z, faz justamente esse papel. 

Att. Jorge Farias Remigio 
 (Ao microfone, na foto acima)
Pesquisador, Custódia, PE
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O livro tem 308 páginas. Está saindo ao preço de R$ 35,00 (Trinta e cinco reais) com frete incluso. Onde comprar? Com nosso revendedor oficial Professor Pereira através do E-mail franpelima@bol.com.br ou pelos tels. (83) 9911 8286 (TIM) - (83) 8706 2819 (OI).

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Arvoredo"

Alguns subsídios para sua história

Por Rubens Antonio

Cangaceiro Arvoredo... cujo nome real era Hortêncio Gomes da Costa. Também ficou conhecido, por assim se identificar, como Hortêncio Gomes da Silva, Hortêncio Gomes de Lima, José Lima e José Lima de Sá.


Em Pombal, BA 1928
Depoimento de "Arvoredo", quando preso. 1927, copiado em extrato em inquérito policial de 1929:
José Lima, (que é o mesmo Hortencio Gomes de Lima ou José Lima de Sá, vulgo “Arvoredo”) estava;em Juazeiro, onde foi preso a pedido da autoridade policial de Jaguarary, alli;chegou a 5 sendo ouvido em auto de perguntas. Declarou “ser filho de Faustino Gomes, vulgo “Banzé” e Maria de Jesus, natural de “Salgado do Melão”; que dalli partiu;com destino a São Paulo, encontrando–se em Varzea da Ema com João de Souza,;(Cicero Vieira Noia) seu conhecido e João Baptista (que é o mesmo Christino ou “Curisco”); que em caminho se encontraram com Manuel Francellino, vindo em sua; companhia para Jaguarary, pernoitado em casa delle os tres; que moraram cerca de oito dias em casa de Antonio Piahy, até que alugaram uma casa a Demosthenes Barboza, por intermedio de João Baptista, seguindo na terça feira, 30 de Agosto para Juazeiro, a negocios, sendo alli preso na sexta feira ultima, dois do corrente; que antes de chegar á “Santa Rosa” com seus companheiros de viagem, o de nome João Baptista propoz para todos mudar de nome, ficando o depoente com o de Jose Lima, lembrando–se tambem que depois de se acharem nesta Villa, com João Baptista e João de Souza ou Cicero, foram á cidade de Bomfim, alli se hospedando na pensão de Piroca, por indicação do cel. Alfredo Barboza; que pretende não se juntar mais com João Baptista e João de Souza, caso se encontre ainda com os mesmos, pretende se retirar desta Villa depois de pagar o que deve ao senhor coronel Alfredo Barbosa”. (fls.208–210).

De depoimento da mãe de "Arvoredo", colhido em inquérito policial, em 1929:
"Maria de Jesus e tambem da Conceição, mulher de Faustino Gomes da Costa (“Banzé”) ou “Pae Velho”, do grupo de “Lampeão)) foi ouvida nesta mesma data e affirmou que ha tres mezes reside em “Olhos d’Agua”; que o apellido de “Arvoredo” foi posto em Hortencio por seus irmãos, quando era pequeno; que tem cinco filhos – Hortencio, Ambrosio, Raphael, Sylvestre e Manoel, vulgo “pé de meia”, os quais têm sobrenome de Gomes da Costa que Hortencio tem, alem deste nome, o de José Lima; que seu filho “Arvoredo” acompanha “Lampeão”, por ser amigo de infancia de Christino, conhecido por João Baptista da Silva, vulgo “Corisco”; que João Baptista é filho de Firmina, empregada na fabrica de linhas da Pedra, Estado de Alagoas e Manoel de tal, já fallecido, na Matinha de Agua Branca, com parentes residentes na fazenda “Sitio”, de Salgado do Melão."

Como referência não tanto inédita, mas completamente esquecida no estudo do Cangaço, ressurge aqui informação de que Pae Velho, o cangaceiro que morreu junto com Mariano e Zeppelin, era pai do também cangaceiro Arvoredo.


Pai velho está ao centro

Outro ponto discutido é se "Arvoredo" e "Corisco" eram primos. Estes trechos, tirados de inquérito policial com o depoimento de dois dos irmãos de "Arvoredo", confirmam este ponto:

"Declararam, então Raphael Gomes da Costa, filho de Faustino Gomes da Costa e Maria de Jesus que: “seu pae é criminoso em Santo Antonio da Gloria; que seu pae ha pouco chegou em Salgado do Melão devido á perseguição da força contra o mesmo; que no grupo denominado “Lampeão” tem os parentes Hortencio Gomes de Lima ou José Lima de Sá, vulgo “Arvoredo”, irmão do depoente, e Christino de tal, vulgo “Curisco”, ex soldado da policia de Sergipe, primo do depoente; que o grupo de “Lampeão” ha cerca de um mez fôra visto no “Serrote da Macambira”, de Santo Antonio da Gloria, com destino a Sergipe, de cujo grupo constavam entre outros, “Lampeão”, Curiscu, Arvoredo, o menino conhecido por “Volta Secca” e outros; que “Arvoredo”, seu irmão, já lhe escreveu por duas vezes e mandou recado convidando o respondente a fazer parte do bando “Lampeão” que tambem já mandou fazer esse convite. Perguntado que respostas deu a esse convite, respondeu que por hora ainda não decidiu nada.” José Gomes da Costa fez quase identicas declarações, referindo tambem que recebera convite de “Arvoredo” e “Lampeão” para fazer parte do seu bando, não tendo ainda resolvido nada a respeito."

Arvoredo, colorizado por Rubens Antonio

Arvoredo morreu em 26 de maio de 1934, na serra, próximo à estação ferroviária da Barrinha, por então conhecida como "Angicos". Os dois matadores foram Cícero José Ferreira, o Xisto, que nasceu em 1911, e João Biano da Silva, que nasceu em 1913.

Uma imagem cuja dificuldade para conseguir foi grande, mas, graças ao senhor Raimundo, de Jaguarari, ex-cunhado de João Biano, e a gentileza imensa da filha e do filho deste valente matador de Arvoredo, aqui a única foto existente... de João Biano:



Muito chamado por "João Biana" é uma alteração posterior ao evento da morte de Arvoredo. O nome correto é João Biano da Silva. No texto de Oleone Fontes, em seu livro "Lampião na Bahia", aparecem os matadores citados como Xisto e João Martins da Silva... Este erro apenas reproduz o cometido pelo coronel Alfredo Barbosa, de Jaguarary, que, à época do evento, relatou-o, errando no nome de João. João Biano está enterrado na Fazenda Saco, em Jaguarari.

Partícipe, com o amigo João Biano, na morte do cangaceiro Arvoredo, esta é a única foto restante de Cícero Ferreira, o Xisto.
 

A dificuldade para se conseguir esta foto foi imensa, mas, finalmente, graças ao sobrinho de Xisto, Messias, e à filha adotiva daquele, a "Neguinha", consegui esta imagem. Xisto está sepultado na Fazenda Mulungu, em Jaguarari.


Sepultura do cangaceiro Arvoredo, em Jaguarari:

Detalhe na cruz - "AC" = Arvoredo Cangaceiro:

Está lá no Cangaço na Bahia.com

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O documentário que faltava por aqui

De Maurice Capovilla  "O último dia de Lampião" 1975 

Sinopse:

"Depoimentos documentais somam-se à reconstituição das últimas 24 horas de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Com narração de Sérgio Chapelin, registram-se imagens e vozes de soldados da Volante e, também, de cangaceiros sobreviventes da emboscada (ocorrida em 28 de julho de 1938), na qual morreram Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros.


O cineasta pergunta a todos eles: 'onde você estava aquele dia?'. As filmagens contaram o episódio narrado, tanto sob o ponto de vista dos cangaceiros, quanto do ponto de vista dos 'macacos' (Soldados da Volante).

Começa em Piranhas, Alagoas, onde a tropa iniciou sua movimentação, até montar a emboscada na grota de Angico. Os sobreviventes foram levados aos locais onde tudo se passou. Atores e populares (alguns parentes dos envolvidos no conflito) atuaram.

A Polícia Militar de Alagoas forneceu o armamento e soldados da PM." , sinopse extraída do livro 'Cangaço, o Nordestern no Cinema Brasileiro', org.: Maria do Rosário Caetano, Avathar Soluções Gráficas, DF, 2005.)

Observações do Diretor

O tema do cangaço chegou à Blimp Film por acaso. *Um dentista, pesquisador do cangaço, era conhecido do diretor de produção da Blimp. Por isso, ele nos deixou, para nossa avaliação, enorme texto com dados importantes dos diversos bandos de cangaceiros, especialmente do bando de Lampião. O Guga (Carlos Augusto de Oliveira) me deu o material para eu dar uma olhada. Eram informações gerais e dispersas, abarcando um amplo universo dos conflitos do cangaço.

Achei interessante, pois a pesquisa citava nomes de cangaceiros e suas localizações no espaço geográfico do Nordeste. Entre eles, muitos se encontravam no coito de Angico por ocasião da morte de Lampião.

Propus então realizar um programa que centrasse o foco nos últimos dias de Lampião, isto é, as últimas 24 horas do bando. O Guga topou na hora e o Boni (José Bonifácio Oliveira Sobrinho, irmão dele e executivo da Globo) analisou e aprovou o projeto. Necessitávamos da aprovação dele, uma vez que o orçamento para esse filme extrapolava custos habituais.

'O último dia de Lampião' foi realizado em duas etapas. Na primeira viajei com a equipe precursora e subi de Salvador, passando por Alagoas e Sergipe, Até chegar ao Recife. Fui encontrando e captando depoimento dos cangaceiros. Em Alagoas encontrei dois soldados da volante, Abdon e Panta - este foi o militar que matou Maria Bonita.




Soldados Abdon e José Panta de Godoy


Em Piranhas, consegui o depoimento dos traidores, Joca Bernardes e Durval, o irmão de Pedro de Cândido, os dois coiteiros de Lampião, que nunca tinham confessado a traição.


João de Almeida Santos, o Joca Bernardes.

Voltei a São Paulo com o material, montei e segui para a segunda etapa, que consistia em reconstituir, a partir das entrevistas feitas, os fatos que culminaram com a morte de Lampião. De grande ajuda foi Cila, mulher de José Sereno - que estava hospitalizada em São Paulo. O depoimento dela tem valor de confirmar informações contraditórias. Cila era a melhor amiga de Maria Bonita, era também a figurinista do bando e foi a nossa também. Os chapéus foram confeccionados por Dadá, mulher de , na Bahia. 


Soldado João Bengo

Enfim, tive sorte de encontrar testemunhas oculares da história, que deram a credibilidade necessária à reconstituição dos fatos (...)'

- Trecho de depoimento de Maurice Capovilla, extraído do livro 'Cangaço, o Nordestern no Cinema Brasileiro', org.: Maria do Rosário Caetano, Avathar Soluções Gráficas, DF, 2005."

"Depoimentos dos remanescentes do grupo residentes na capital paulistana que se achavam presentes no dia da morte de Lampião e daquele que deu o tiro inicial, Abdon, nunca antes entrevistado".

Vamos ao deleite...



Fonte: Canal do Dj Fr3d no You Tube. Texto: www.cinemateca.gov.br
Fotos: DocsPrimus e Prints do vídeo.

*O dentista em questão é nosso estimado amigo Antonio Amaury