segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Sila" será foco do próximo encontro do GECC

Por: Aderbal Nogueira


Messier Aderbal. Foto Coroné Severo
Hermecília Brás São Matheus, a "Sila", companheira de Zé Sereno, vai ser tema da próxima reunião do G.E.C.C. - Grupo de estudos do cangaço do Ceará em Fortaleza. Eis uma personagem muito polemica, pois muitos pesquisadores a tem como " A MAIOR MENTIROSA DO CANGAÇO ". Coisa que discordo. Vamos tentar debater sobre isso e tirar algumas conclusões. 

Quero entender o porque de tanto "desprezo". Talvez eu seja um dos poucos a pensar diferente, quem sabe eu esteja errado. Espero não estar. Porem se estiver dou a mão a palmatoria. 

Cariri Cangaço - GECC ocorrerá no espaço Raquel de Queiroz da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, de Fortaleza, dia 05 de dezembro, uma Terça-feira. Torcemos para que muitos dos interessados, principalmente os opositores, possam estar presentes. Discutiremos na "Santa paz" todos os questionamentos possiveis.

Enquanto issso, confiram parte de mais um documentário com essa nossa inesquecivel amiga e colaboradora para a construção da memória do Cangaço.


Abraços cordiais
Aderbal Nogueira
Documentarista, Fortaleza, CE.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Opiniões

Citações sobre João Bezerra (#) 

Por Paulo Britto

O artigo a seguir é uma breve compilação de algumas referências/citações ao Coronel João Bezerra da Silva, feitas por pessoas de realce dentro do contexto do tema Cangaço, as mais diversas possíveis: coiteiros, soldados, oficiais, respeitados pesquisadores e escritores, autoridades militares, renomados chefes de volantes de outros Estados, etc.

Meu intuito é único e exclusivo, levar ao público informações para que diante delas, tirem suas próprias conclusões...




Att Paulo Britto
"Filho de João Bezerra"

Boletim Regimental número 179, de 12/08/1938 (Grafia original)

Não se enganou, portanto, o Exmº. Sr. Interventor Osman Loureiro, nem tampouco este comando. A perseguição se iniciou de forma tenaz e vigorosa, e não tardou a raiar da manhã de 28 de Julho, onde um punhado de 45 bravos comandados pelo Capitão João Bezerra da Silva, 1º Tenente Francisco Ferreira de Melo e Aspirante a oficial Aniceto Rodrigues dos Santos numa arrancada de heróis, atacaram de surpresa, na Fazenda “Angicos” município de Porto da Folha, no Estado de Sergipe, o grupo de famigerado “Lampeão” composto de nada menos de 58 bandidos e com eles numa luta tremenda conseguiram abater 11 sicários, inclusive o Rei do cangaço, pondo os demais em debandada, sem que tivesse tempo, os restantes, de conduzir do campo da luta os seus apetrechos e material de guerra que abandonaram.


 João Bezerra "Foto inédita em livros". 
Arquivo do Jornal Diário de Pernambuco
Acervo Lampião Aceso 

... O Exmº Sr. Interventor Federal Dr. Osman Loureiro, vendo realçada, com o mais significativo êxito, a missão de que fora e ainda se acha encarregado o II Batalhão, houve por bem premiar os que tomaram parte na refrega, e assim sendo, graduou no posto de Coronel, o Tenente Cel. José Lucena de Albuquerque Maranhão e promoveu por ato de bravura, a Capitão, o 1º Tenente João Bezerra da Silva, a 1º Tenente, o aspirante a oficial Francisco Ferreira de Melo, a aspirante, o 3º sargento Aniceto Rodrigues dos Santos...

Coronel Lucena
Louvor do Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão comandante do II Batalhão, transcrito no III item do Boletim nº 285, do II Btl, de 17 de dezembro de 1938. (Grafia original)

Lucena. Acervo Ivanildo Silveira
 “Tendo o Sr. Capitão João Bezerra da Silva, sido desligado deste Batalhão, a fim de assumir a função na sede do Regimento. Louvo-o pelo modo brilhante com que soube espontâneamente cumprir as árduas missões de que foi incumbido, quando neste batalhão, mormente na campanha contra o orda de facínoras, perturbadores da paz sertaneja que há tanto tempo vinha sofrendo as agruras consequentes da ação do banditismo.

Este oficial, demonstrou os nobres predicados de que é possuidor; trabalhador incansável que nunca ousou dar tréguas a tal corja, combatendo-a bravamente até o momento máximo em que assediou com a sua fôrça o conjunto chefiado pelo célebre “Lampeão” que não podendo vazar tal assédio, caiu sem vida, quando para os supersticiosos já era tido como imortal.

Jornal de Alagoas

O Chefe de Polícia de Alagoas relata como se deu o encontro em que morreu o “Rei do Cangaço”. Quem é o Tenente João Bezerra. A Agência Nacional, do Departamento de Propaganda, procurou ouvir pelo telegrapho, o Secretário do Interior e Chefe de Polícia de Alagoas Sr. José Maria das Neves. O Sr. José Maria das Neves informou o seguinte.
- O Sr. João Bezerra da Silva, nasceu em Pernambuco a 4 (*) de junho de 1898, verificando praça em 29 de novembro de 1921. Foi 2º Sargento em 29 de março de 1922... e 1º Tenente por merecimento em 30 de setembro de 1936. Teve vários encontros com bandidos, tendo de uma feita morto três dos comparsas de Lampeão. ... É official valoroso da Polícia Alagoana e de immediata confiança do governo...
Entre os prêmios recebidos por João Bezerra, a sua família guarda, zelosa e orgulhosamente, uma Espada que ele recebeu do povo de Piranhas em 1938, expressão de gratidão pela morte de Lampião, em cuja “Copa” está escrito: “Ao Capitão João Bezerra pela sua bravura e heroísmo. Offerece o povo de Piranhas.”

Durval Rosa
Colocações de Durval Rodrigues Rosa, irmão de Pedro de Cândido, no livro “Assim morreu Lampião” de autoria do pesquisador e escritor Antônio Amaury, página 105.


... João Bezerra disse que tava certo e dividiu todo mundo.
Avisou:
- Não conversa ninguém. Puxem o ferrolho dos fuzis. Não dá tiro a tôa.
Passou uma ordem severa.
- Vou passar uma ordem pra todo mundo. Não se dá um tiro sem se vê em quem . Só se atira em cangaceiro. Soldado não briga deitado, o qui eu encontrá deitado, ou outro qualquer encontrar deitado, atire e mate que esse é covarde. Quando vocês me verem deitado atirem em mim também.
Quando eu gritar, avança, aí eu quero Lampião pegado hoje de qualquer maneira. Ou morto ou pegado a mão!


Nisso Antonio Jacó chegou perto dele, tirou o chapéu, botou no chão, pisou em cima e disse assim.
- Mi solte logo “Seu” tenente, que eu quero saber se Lampião é mais homem que eu.
Ficou doido, doido, doido.

O tenente falou:
- Espere aí, i tenha calma!” ...


Afirmativas como esta feita pelo coiteiro que não tinha necessidade alguma para enaltecer a coragem do comandante da tropa e seu subordinado, não são consideradas por certos pesquisadores que se apegam a comentários tendenciosos que não tem relevância.

Antônio Jacó

"Mané Véio e Paulo Britto"
Colocações de Antônio Jacó no livro “Assim morreu Lampião” de autoria do escritor e pesquisador Antônio Amaury Correa de Araújo, página 117, Edição 1982.

João Bezerra armou uma rede, botou os bornaes pendurados num galho e disse assim:
- Mané Véio, deita aqui debaxo da minha rede:
Eu respondi:
- Voce tá pensando qui eu sou mulher? Prá seiscentos diabos!
Mas deitei no chão, que eu obedecia a ele. ...

Quando estive com Antônio Jacó na cidade de Pires do Rio em Goiás, ele bastante emocionado, sem acreditar que estaria ao lado do filho de Ten. João Bezerra, em longa entrevista me disse:

- O seu pai, eu considerava como meu pai.

Elias Marques
Sgt. Elias e o autor
Em conversa com Elias Marques, soldado da volante do meu pai, que residia em Olho D`Água do Casado, onde lá estive por diversas vezes. A foto ao lado é registro de uma destas ocasiões.

Perguntei a ele: – Elias e essas conversas que meu pai se encontrava com Lampião, etc?
Ele respondeu:
– Paulo você vai acreditar nisso, seu pai não se afastava pra lugar nenhum que não levasse um de nós e nós nunca vimos falar nisso. O Tenente não era de brincadeira”. ...

Estas colocações são para demonstrar a confiança e o respeito de Antônio Jacó e Elias Marques pelo então Tenente João Bezerra, demonstrando que pessoas como estas jamais se insubordinariam ao seu comando, a consideração e a confiança do comandante por eles.

Ferreira de Melo
O coronel Francisco Ferreira de Melo no livro do Dr. Estácio de Lima “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, páginas 285, 286 e 287:

O veterano Ferreira
 -Lastimamos a perda de meu excelente soldado Adrião, ou Adrião Pedro de Souza. Também foi baleado o nosso digno Comandante e mais um praça que teve o braço partido.

-De qualquer forma, Lampião foi liquidado pela tropa sob o comando geral de Bezerra.

- As precauções e as providências. Bezerra nunca se mostrava egoísta, ou vaidoso. Gostava de ouvir a opinião dos comandados.




Manoel Neto
Comentário de Manoel de Souza Neto em um Jornal do Nordeste


Manoel Neto
O capitão Manoel Netto reconstitue, para esta folha, a luta em que se empenhou durante 12 anos.

Pertencente à Brigada Militar do Estado, tem a sua carreira ligada ao combate sistemático e constante ao cangaceirismo no nordeste.

Por fim, o capitão Manoel Neto allude a antigos companheiros de jornada, destacando os nomes do Tenente Coronel Hygino, do Tenente Arlindo Rocha, Luiz Mariano, Capitão Optato Gueiros, Major José de Alencar, concluindo refere-se ao Tenente João Bezerra dizendo:

- O Tenente João Bezerra a quem conheço pessoalmente, é um official disposto, disciplinado e muito bem quisto no seio da Polícia alagoana e dos Estados vizinhos.

Coronel José Rufino
Trecho de uma Carta do Cel José Osório de Farias; Jeremoabo, datada de 1 de abril de 1964.


Zé Rufino
 Amigo Cel João Bezerra,
... Aqui fica o teu velho amigo que muito te estima.
Olha João, eu ainda hoje sonho com aqueles tempos daqueles em que nós vivíamos naquela mardita campanha.



Manoel Flor
Carta do Coronel Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor)

Manoel Flor
João Bezerra, Recebi sua carta, ontem, 19 de agosto de 1961, quando me preparava para um ligeiro passeio pela cidade. Seria faltar a primorosa verdade se lhe afirmasse ter sido um momento de alegria ao recebê-la. Foi meu caro amigo muito mais do que uma satisfação passageira. Ela veio me transportar a terreno mais profundo, o qual ficou no passado, mas de meandro crateroso, contemplado por mim com tantas emoções.
Emoção pelo desaparecimento de velhos companheiros, cujas cinzas veneramos com admiração e respeito, pela bravura e respeito; Emoção pelo verdadeiro espírito fraternal que sempre existiu entre as tropas pernambucanas e alagoanas. A confiança fazia com que considerássemos Pernambuco, um pedaço de Alagoas e Alagoas, um pedaço de Pernambuco; Emoção dos dias cruentos que enfrentamos, apesar da dureza da campanha, ocasionada pela fadiga, apreensão e responsabilidade, os nossos encontros efetivados na maior cordialidade, ou melhor festivos. ...
Do amigo e companheiro Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor)
Floresta, 20/9/1961

Frederico Pernambucano de Melo
Colocações feitas por este escritor e pesquisador na introdução do Livro “Como Dei Cabo de Lampião” de autoria do Capitão João Bezerra, página 38, 3ª edição.

... as curtas memórias do coronel Bezerra nos revelam um homem eleito pela fatalidade de um destino de aventuras permanente, pondo-lhe a vida a cada passo um obstáculo para saltar e lhe proporcionando a aventura capaz de fazer lamber os beiços a um jovem do Pajeú da época, de poder provar, em pelejas sucessivas, aos seus próprios olhos e aos de terceiros que se tratava de “cabra disposto”. Metido no interminável steeple–chase que culminaria com a destruição do “Rei do Cangaço”, Bezerra há de ter-se considerado um homem de sorte, sob esse aspecto. Pois olhe que até uma onça cruzaria seu caminho para lhe dar oportunidade de tirar uma das mais invejadas cartas de valente: a de matador de onça. ...

Frederico
Outro comentário de Frederico no Livro “Como Dei Cabo de Lampião” de autoria do Capitão João Bezerra, página 55 e 56, 3ª edição:
... Fico à vontade, portanto, para reconhecer em Bezerra o homem que não tremeu no momento em que o destino o aceitou como seu agente e ponta de lança, dando-lhe a chance de virar uma das páginas mais expressivas da história do Nordeste rural. ...

... No cenário de Angico, Bezerra não foi outra coisa. Sujeito e objeto da história, soube fazer-se templo da síntese magnífica. Como um Ahab original, mil vezes afortunado, cuidou em atropelar tudo o que se levantou entre ele e o cangaceiro. E ao lhe tomar no último instante a porta, quem sabe não o terá desenganado de um possível brilho derradeiro das estrelas de seu chapéu, sentenciando como o capitão da perna de marfim:

Louco! Sou o lugar-tenente do destino. Apenas cumpro ordens ...

Billy Jaynes Chandler
Repúdio ao Professor Billy Jaynes Chandler, no Livro da escritora Marilourdes Ferraz “O Canto do Acauã”, 3ª Edição – 2011, página 476:

- Pág. 252: “Estas histórias são repetidas pelos pernambucanos, principalmente por aqueles que, como os da família Flor e outros nazarenos, se sentem ludibriados porque, segundo eles, Lampião foi morto por um oficial de Alagoas, corrupto e covarde, indigno de tal honra. Esta honra, de direito, deveria ter sido deles. Bezerra infame, como era, só pode ter...“ Estas referências aéticas lançadas contra o Coronel João Bezerra não podem ser atribuídas a quem não as deu, no caso os Flor de Nazaré que nem ao menos foram entrevistados pelo professor. E, além de tudo, não concordam com esse tratamento contra o colega de outro Estado.

(Marilourdes Ferraz é filha do Coronel Manoel de Souza Ferraz – Manoel Flor).

Belarmino Neto
Carta do Major da Polícia Pernambucana, Belarmino de Souza Neto, dirigida à escritora Marilourdes Ferraz e publicada em seu livro “O Canto do Acauã” – 3ª Edição – 2011, páginas 486 e 487.

Há anos li uma obra de Rodrigues de Carvalho, sobre Lampião tratando do tema, aquele autor não tem dúvida: Afirma que a morte foi mesmo por veneno, obscurecendo o trabalho de João Bezerra a quem não poupa ofensas e cobre de ridículo.

Lendo aquela obra, comentei à margem: “Lampião foi um bandido, sem nobreza, sem ética, sem piedade. Seria um injustificável exagero que se fosse exigir, para a sua destruição, o emprego de princípios, de lealdade cavalheiresca que ele nunca usara para com suas vítimas. Teria sido ele envenenado? Para mim o assunto é irrelevante e não conduz a nada.

O Coronel João Bezerra continuará a ser o homem que livrou o nordeste brasileiro daquela praga de vândalos. Que o tenha feito a bala, pelo arsênico, pela surpresa ou através de qualquer artifício, isso não vem ao caso, negar seu mérito pelo extermínio de Lampião, é como negar a Colombo o mérito pelo descobrimento da América. E no entanto, depois de vinte anos de escaramuças através do nordeste, entre o bandido e as forças policiais de 7 Estados, foi o Coronel João Bezerra o único que conseguiu quebrar a calota do ovo e colocá-lo de pé sobre a mesa. ...

Antonio Amaury
Correspondência enviada a mim em 6 de Julho de 2002 pelo escritor e pesquisador Antônio Amaury Correa de Araújo:

Amaury em foto do coroné Severo
... Não é novidade para os pesquisadores que seu pai foi amplamente injuriado, invejado e que teve sua imagem denegrida por comentários oriundos de mentes tacanhas pelo fato de haver sido o comandante que eliminou Lampião e parte do seu bando cangaceiro, ... Isso causou-lhes profundo ressentimento e usaram então dos mais baixos argumentos para achincalhar o episódio da Fazenda Angico.

... Pelo que pude observar nesses 53 anos de pesquisas e com seis mil entrevistas realizadas qualquer pessoa, em qualquer época usando de qualquer método para eliminar Lampião, ... ... seria questionado e destratado e sua atuação estaria sempre em dúvida na visão daqueles que não conseguiram o mesmo desideratum. A imaginação humana não tem limites e até mesmo episódios claros como cristal são colocados sob suspeita.... Para terminar, a polêmica não tem fim. É traição, veneno, tiro e Lampião ainda vivo até a década de 1990. Viva a fantasia, a ficção, a criatividade de alguns pesquisadores menos cuidadosos e pouco honestos para com a história...

PS. Faça o uso que quiser destas, pois é a expressão do meu pensamento e da verdade que obtive de cangaceiros, soldados, coiteiros e outras pessoas envolvidas no episódio de Angico.

Gazeta de Alagoas
06.12.1970 – 1º Caderno, página 3. "Matador de Lampião sepultado em Maceió com honras militares"

...O Coronel (de Exército) Carlos Eugênio Pires de Azevedo, comandante da Polícia Militar conheceu pessoalmente o Coronel Bezerra há 02 anos em Garanhuns. Lamentou a sua morte. Como última homenagem a corporação da qual é comandante, satisfazia o pedido de João Bezerra de ser sepultado em solo alagoano.

Pelos bons serviços prestados à Polícia Militar de Alagoas e a todo o nordeste, não há tributo que pague ao Coronel Bezerra, pelo que ele realizou, disse o comandante da Polícia Militar de Alagoas. ... “O Coronel Bezerra era um militar cônscio de suas responsabilidades e tratava a todos os seus comandados com igualdade de condições. Devido esse comportamento, diante das tropas, que comandava no Quartel é que ele grangeou a simpatia de todos e consequentemente foi conquistando as promoções, todas elas por relevantes serviços prestados à nossa Polícia, ao Estado e à Nação”.

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Espero que estas citações consigam demonstrar, um pouco, de quem foi o homem, o policial militar, o maçom, grau 18 que, em todas as suas ações e missões, só fez enaltecer o nome da instituição a que pertenceu, e que, graças a Deus, teve o privilégio do reconhecimento e do respeito dos familiares, amigos, superiores e subordinados.
Sempre estive e continuo disponível aos amigos, para poder contribuir com o modesto conhecimento que tenho.
Att Paulo Britto 
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ADENDOS
(*) A data correta do nascimento do Coronel João Bezerra é 24 de junho de 1898.

(*) Frederico Pernambucano, durante sessão de fotos no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió em agosto de 2009 para ilustrar o livro "Estrelas de Couro - A Estética do Cangaço".

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Prazer em conhecer: Lampião Aceso entrevistou Sérgio Dantas

Comemorando "Três anos de Lampejos" apresentamos um dos mais notáveis vaqueiros da História cangaceira

"SD" é como a "Turma da base" o chama.  

Desde quando o conheci em 2005, me impressionei com seus artigos e informações, além das fotografias que eu buscava e estavam ali disponibilizadas na sua comunidade do Orkut "Lampião, Corisco e Cangaço". Um material que eu pensava que nunca teria acesso gratuito. 

O lema era combater a mitificação e os exageros existentes e ainda resistentes. A pesquisa de Sérgio nos inspirou, me identifiquei com suas intuições. Através de seus tópicos, provocações e consultas via email. Iniciei uma reciclagem e aprimoramento de minhas opiniões e conhecimento.

Depois da extinção desta primeira comunidade, vieram a "Cangaço, Discussão Técnica" a alternativa "Confraria Fuleira do Cangaço" (Criada para discutir assuntos como posso dizer... menos relevantes...Risos). De repente ele não quis mais a gerência do tal do 'yokurt'. Passou a bola, porem não ficou de fora, como moderador dava suas contribuições nas demais. 


Na desconhecida "Discussão" éramos poucos e as vezes desestimulados. Migramos para a pioneira, gigante, porem bagunçada "Lampião, Grande Rei do Sertão" Só depois que passou a ser doutrinada e administrada pelo rev... quer dizer pelo Dr. Ivanildo Silveira, é que a coisa mudou de figura. Galhofas deram lugar a compromissados e contagiados participantes, e de repente, estava instituído o melhor fórum de debates do cangaço na Web.

Não se trata de clubes virtuais pra trocar figurinhas, é uma escola do mais alto nível. Uma irmandade da 'gôta serena'. 

Através das análises, investigações de: SD, Ivanildo, Rostand Medeiros, Netinho Nogueira e Geziel Moura é que verdadeiramente ingressei na ciência 'cangaceiróloga'. Exalto aí estas cinco gratas e inesquecíveis amizades que a internet me proporcionou.


Certo dia ao ligar na TV Aperipê... (canal local de Aracaju), - Apois num é o Dr. ?!- Sim, o dono da comunidade, acompanhado pela anfitriã e amiga Vera Ferreira, concedendo entrevista para o Valadão, convidando os sergipanos para o lançamento de seu primeiro livro. Eu que pensava que o cabra só escrevia pra internautas, estreou na literatura com uma obra referencial. 

Estive lá na Escariz, pra adquirir o meu exemplar, cumprimentá-lo e acho que assim nossa amizade saiu do campo virtual. Um dia destes ele veio à Aracaju. Depois de um intervalo de cinco anos nos reencontramos pessoalmente e combinamos uma viagem até o baixo e Sertão do São Francisco. 

Pousamos em Canhoba, depois Fazenda Jaramataia de Eronides e por fim retornando à capital pelas vizinhas Capela e Dores. Em meio dia fizemos 4 rotas de Lampião em Sergipe. 

Atribuo a criação do blog Lampião Aceso não só pela necessidade de divulgar os tópicos para quem não gostava ou não fazia ideia do que acontecia no Orkut e mais por uma sugestão e incentivo do homi. Eu estou aqui me considerando como o menos aplicado dos seus "discípulos" procurando barbeirar o mínimo possível no trato com o incrível mundo do Cangaço.

Sérgio Augusto de Souza Dantas é um potiguar de 48 anos, natural da capital (embora com avós sertanejos pelos quatro costados, em uma curiosa fusão de ancestrais de norte-riograndenses, paraibanos e pernambucanos). Assim, considera-se um ‘quase’ sertanejo. É Magistrado concursado, exercendo a função desde dezembro de 1993, ali mesmo no Rio Grande do Norte.
Em meados de 1998 quando, casualmente, acompanhava um colega, também Magistrado, que iria tomar posse na cidade de Tabira, alto Sertão de Pernambuco. Após a solenidade, foram para Serra Talhada, onde pernoitaram. Na manhã seguinte, antes do retorno ao RN, fizeram uma visita importante: naquele dia tiveram o prazer de conhecer o legendário David Jurubeba. Interessante que, naquela época, não lhe passava pela cabeça adentrar no tema cangaço.
Conhecer David aconteceu mais por insistência deste colega, o Roberto, pelo qual tinha grande admiração e alguma amizade com o velho combatente de Nazaré. Confessa que foi até sem grande interesse; na verdade, apenas para fazer companhia. Mas lá esteve. Aquele bate-papo (que foi gravado em fita K7), porém, se impressionou sobremaneira, de modo que, em pouco tempo, adquiriu dois livros: “Lampião, o Rei dos Cangaceiros” (De Billy Chandler) e “Lampião na Bahia” (de Oleone Fontes).

 Reunião de "CSI´S" Sabino Basseti, Antonio Amaury, 
Sérgio Dantas e Leandro Cardoso.

Uma cópia daquela fita K7, com pouco mais de 45 minutos de prosa – e solicitada meses mais tarde ao colega Roberto -, ainda está em seu poder, embora já bastante danificada pelo tempo. Mas, voltando ao tema, a partir de Chandler foi, muito lentamente, adquirindo livros que estavam relacionados na parte final daquela obra e a coisa foi se tornando cada vez mais interessante.


 Com Expedita Ferreira Nunes, filha única de Lampião e Maria.
Set. 2011

Veio a sede da pesquisa e do ‘saber mais’. Porém, naquela época, jamais lhe passou pela cabeça escrever algo. Naquela época, contentava-se em ler a maior quantidade de livros que era possível. Nada, além disso! E o amigo Paulo Gastão, além de me sugerir títulos, me presenteou com alguns, relativos à frustrada tentativa de tomar a cidade de Mossoró. Antônio Amaury foi outro grande incentivador.

Então apresente suas crias! 
- Bom, os meus trabalhos escritos foram fruto de um acaso. 

Na verdade, no início de 2001, eu me inscrevi para fazer uma Especialização em História. Escolhi o tema cangaço porque, além de estar interessadíssimo na história deste movimento armado, trabalhava – e morava – no interior do Estado, o que facilitaria minhas viagens para os pontos de pesquisa. Escolhi, pois, a jornada de Lampião pelo Rio Grande do Norte e fui à luta. Meu objetivo era dar uma maior visibilidade ao cangaço de Lampião em vários municípios de meu Estado. 

Me preocupava, por demais, o foco único no combate de Mossoró e, por outro lado, o gritante esquecimento dos demais episódios ocorridos nas terras potiguares em 1927. Daí nasceu “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA”


Lançado em março de 2005. Uma tiragem modesta de 1.200 exemplares que, para minha surpresa, esgotou em um ano.


Daí, tomei gosto e tratei de concluir o meu segundo trabalho “ANTÔNIO SILVINO: O CANGACEIRO, O HOMEM, O MITO”. 


Como eu tinha já um bom material sobre esta personagem histórica, bastou sistematizar tudo e lançá-lo, o que foi efetivamente feito em outubro de 2006.


Por fim, veio o terceiro trabalho. Este, foi fruto de observações e de conclusões que tirei de horas de entrevistas (com ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros e testemunhas de fatos havidos em diversos períodos do cangaço de Lampião), da leitura sistemática da minha antiga biblioteca sobre o tema, além de vistas em jornais e documentos públicos os mais diversos. Assim, do confronto de tudo isto com a legislação penal da época, saiu o livro. Confesso, porém, que este terceiro trabalho – LAMPIÃO ENTRE A ESPADA E A LEI. 


Poderia ter sido mais maturado. Na verdade eu o publiquei (não o lancei) em fins de 2008, com o objetivo de aproveitar a data de 70 anos da morte de Lampião. Poderia ter deixado a publicação para data posterior (o que me teria poupado alguns aborrecimentos e, também, a sensação de que ‘ainda ficou algo a dizer’...) No futuro, quem sabe, cuidaremos de uma segunda edição. Mas, por enquanto, tal não passa de um projeto distante.

Livro de outro autor? Por que?
- Olha, pela sua profundidade e por abranger o cangaço desde os primórdios, em uma metodologia – e linguagem - rigorosamente acadêmica, creio que o livro “Guerreiros do Sol”, de Frederico Pernambucano de Mello, é o que mais me interessou até o momento. Há outros vários, inclusive de confrades desta nova geração de escritores/pesquisadores. Mas o “Guerreiros” dá uma nova roupagem – e outro modo de ver - ao estudo do cangaço.

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro?
Recomendado
- A pergunta é um pouco difícil, pois há muitos títulos bons. Mas indicarei dois: para um estudo formal, cronológico e concatenado da vida de Lampião (já que se trata do principal cangaceiro), indico, sem pestanejar, o livro ‘LAMPIÃO, O REI DOS CANGACEIROS’, do brasilianista Billy Jaynes Chandler. Chandler, a meu ver, foi muito além da fonte oral. Em sucessivas viagens ao Brasil, vasculhou Cartórios, Arquivos Públicos e Institutos Históricos em vários Estados da Federação. O resultado foi um trabalho científico de alto nível, feito dentro de critérios acadêmicos e com texto leve e direto. Apesar de não ser brasileiro, não se pode deixar de reconhecer seu mérito.

Outro livro que indico é ‘DE VIRGOLINO A LAMPIÃO’, de Antônio Amaury e Vera Ferreira, por ser um resumo cronológico da vida atribulada do cangaceiro. Creio ser este trabalho um bom ponto de partida para um estudo mais aprofundado do personagem ‘Lampião’ - o mais notório de todos os cangaceiros. Mas, como disse, existem muitos outros trabalhos interessantes sobre o cangaço de um modo geral.

Com quantos e quais personagens desta história você teve contato?
- Não foram tantos. Eu comecei tarde, pois 1998 foi um dia desses. Mas ainda tive oportunidade de conhecer alguns ex-cangaceiros (Vinte e Cinco, Candeeiro, Sila, Moreno, Durvinha, Aristéia, Adilia, etc.); poucos ex-volantes (Luiz Flor, João Gomes de Lira, David Jurubeba, Pompeu Aristides, Neco de Pautília, Elias Marques, Josias Valão, Antônio Vieira). Além destes, alguns ex-coiteiros e pelo menos umas duas centenas e meia de pessoas que entrevistei nestes poucos anos. Pessoas comuns que testemunharam - de forma direta ou indireta - algum episódio ligado ao cangaço.


Maria Ferreira Queiroz a "Dona Mocinha" 
irmã de Lampião ainda viva.

 Rostand Medeiros, o saudoso tenente João Gomes de Lira e Sergio Dantas.

 Almoçando com os saudosos Moreno e Durvinha 
na residência dos mesmos em BH.

 Igualmente saudoso Antonio Vieira, 
soldado volante do grupo do aspirante Francisco Ferreira. 

Qual destes contatos foi, ou foram, os mais difíceis?
- Diria ‘o menos fácil’. Foi o José Alves de Matos, o ‘Vinte e Cinco’. Não pela abordagem em si, mas porque o amigo José Alves não gosta muito de falar daquele passado nebuloso. Conta alguma coisa. Às vezes, é um pouco reticente..Mas, sei que ali é um arquivo vivo de vários acontecimentos importantes. Ademais, é um homem extremamente correto e verdadeiro.

 "Vinte e Cinco" Ainda firme e forte.

Qual o contato que não foi possível e lhe deixou de certo modo frustrado?
- Nenhum. Quem eu procurei, me recebeu.

Aqui com Dona Antónia, 
uma das companheiras do cangaceiro "Gato".

Saudosa memória: O sargento Elias Marques,
falecido aos nove dias de fevereiro deste ano.

Manoel Dantas Loyola, o gentil "Candeeiro". 
Um dos últimos remanescentes vivos da era Lampiônica. 


Com o ex-comandante de Polícia, Manoel Cavalcanti de Souza, 
o Nazareno 'Neco de Pautilia', que ainda vive em Floresta, PE. 

Com qual remanescente gostaria de ter conversado?
- Algum ‘chefe de grupo’. Como quase todos os principais não sobreviveram ao cangaço, seria uma tarefa impossível para mim (risos). Porém, talvez tivesse gostado de conhecer o Labareda ou o Zé Sereno, afinal, chefiaram grupos. Seria interessante ouvir deles algo sobre estratégia de combate, os critérios para arregimentação de novos ‘cabras’, as ligações com o coronelato de barranco, as relações entre os subgrupos.. Coisas assim. Mas quando comecei o estudo, mesmo estes dois que citei já haviam falecido.

Qual é o seu capitulo preferido?
- A saga de Antônio Silvino, apesar deste personagem ter sido totalmente apagado pelo brilho das façanhas de Lampião.

Um cangaceiro (a)?
- Luiz Pedro, pela fidelidade ao amigo e chefe, além do comedimento em seus atos. Poucas vezes chegou, a meu ver, às raias da violência extremada.

No Sítio Retiro, zona rural de Triunfo, PE. 
Com António Pedro, sobrinho legítimo de Luiz Pedro.

Um volante?
- Apesar de ser tido como extremamente cruel, Odilon Flor. E o elejo não por essa ‘qualidade’, mas pela obstinação em perseguir. Não devemos esquecer que, em que pese ser de Nazaré/PE, migrou para outro Estado, a Bahia, e lá continuou sua busca por Lampião.

 Lendário Odilon Flor,
um dos líderes da Saga Nazarena contra Lampião.

Um coadjuvante? 
- Massilon Leite. Poderia ter sido até um grande cangaceiro, mas resolveu dar um passo além das suas possibilidades. De fato, a partir do fracasso assalto a Mossoró (1927), caiu no anonimato e morreu assassinado no ano seguinte. Se não fosse o recente trabalho de Honório Medeiros, o nome deste personagem estaria fadado ao esquecimento; atirado em algum porão da História.

Uma personagem secundária? 
- O obscuro João Maria de Carvalho, da antiga Serra Negra (hoje Pedro Alexandre/BA). Há, ainda hoje, poucas informações sobre este ‘figurante’.

Geralmente todo pesquisador é colecionador, qual é o foco de sua coleção?
- Já colecionei alguma coisa, principalmente armas, mas doei quase tudo em 2009 e 2010. Como cheguei muito tarde, não tenho mesmo como colecionar peças da época. Assim, decidi não procurar e nem comprar mais nada. Hoje me contento com o aprendizado da temática. E esse é um campo de estudo inesgotável.

Entre as peças tem alguma relíquia? 

Os óculos e foto da ocasião da doação.
- Hoje, quase mais nada. Um punhal pequeno, de prata trabalhada; um cartaz recompensa de 1929, mas já bem surrado. Também ainda guardo um par de óculos que me foi presenteado por um antigo morador de uma fazenda situada no pé da serra do Martins, aqui no RN. Trata-se do Sr. Zacarias Vaz, da fazenda Ribeiro. Os cangaceiros passaram ali – rumo a Mossoró – ao fim da tarde do dia 11 de junho de 1927. Após a rápida ‘visita’ da cabroeira, o pessoal do sítio se enfurnou em casa, com medo. Só saíram com o dia claro. Aí o pai de seu Zacarias, encontrou, no terreiro do sítio, este par de óculos de vidros esverdeados e com armação banhada a ouro.

 Além dele, uma bala de fuzil. O senhor Zacarias – infelizmente, já falecido – me entregou estas duas peças em 2003. Disse-me que estava perto de morrer e por isso me presenteou: “meus filhos não ligam para isso” – me disse na ocasião. Porém, não tem tenho qualquer elemento para afirmar a qual cangaceiro do bando os óculos pertenceriam. Seria demasiadamente leviano de minha parte.

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário, enfim, sem exagero da ficção, lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia. Enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou? Por que?
- O ‘Baile Perfumado’, por dois motivos: a fotografia excelente e a habilidosa união da realidade e ficção em um único roteiro. É, sem dúvida, uma película interessante.

 Cena de Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira.


Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?
- Vou passar esta (risos). Já ouvi muita bobagem, não posso negar. Todavia, em respeito às pessoas que as disseram – as quais foram bastante simpáticas e solícitas para comigo quando as entrevistei-, deixarei de declinar os ‘causos escabrosos’ a mim relatados.

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico, alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”; “João Peitudo, filho de Lampião”; “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?
- São temas polêmicos, é fato. No entanto, quem os defende, tem seus argumentos. E eu os respeito. Posso até não aceitar este ou aquele ponto de vista, mas, por outro lado, tento discordar de forma cortês. Afinal, vivemos em um país onde a liberdade de expressão e opinião ‘ainda’ é livre...E, convenhamos, a dialética é saudável ao debate, até para se chegar a uma mínima verossimilhança dos fatos - já que a ‘verdade absoluta’ é impossível em História.

E Lampião, morreu baleado ou envenenado?
- Hemorragia causada por ferimento de arma de fogo.

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando. Ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim, qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?
- Talvez uma segunda edição do meu primeiro trabalho Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada, devidamente revisada e reescrita em uma linguagem menos acadêmica. Todavia, como é um livro grande, com 452 páginas, isso vai levar algum tempo ainda. E, de toda forma, ainda é um projeto. Não sei se terei condições de levar a cabo essa tarefa em razão de obrigações outras.

Pra concluir, um registro da nosso visita à histórica "Fazenda Jaramataia"  
ou o que restou da mesma em Gararu/Sergipe (Setembro 2011). 

Contato:
sasdantas@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Novidades do Cariri Cangaço

Luiz Ruben lançou seu mais novo rebento



O que a imprensa registrou na época em que Lampião agiu na Bahia. Resultado de aproximadamente 150 mil páginas dos jornais: A Tarde, Diário da Bahia, Diário de Notícias, Era Nova, O Imparcial, do período de 1928 a 1940.

Este livro tem no seu início, o Jornal O Povo, de Fortaleza no Ceará, apresentando uma reportagem datada de 4 de junho de 1928, setenta e oito dias antes da decisão de Lampião entrar na Bahia. Esta matéria dá uma visão da situação do chefe cangaceiro e de seu exíguo grupo ao fugir para o nordeste baiano.

Textos transcritos com a ortografia atual. As palavras em inglês foram aportuguesadas ou traduzidas, para melhor compreensão. No final das matérias do ano 1928 e no final do livro iconografia apresentando páginas dos jornais e de recortes. As notícias que a imprensa publicava sobre Lampião tinham seu nome sempre grafado "Lampeão", como mostram as fotos. Os jornais também grafavam Virgulino, embora o registro de batismo e nascimento estejam grafados com (o) Virgolino.

As localidades que tiveram seu nome modificado ao longo dos anos também foram atualizados. As matérias publicadas sobre Lampião pelos diferentes jornais, com o mesmo assunto é uma prova do interesse que o público baiano começou a despertar quando da chegada de Lampião na Bahia.

Manchetes abrangendo o período de 23 de agosto de 1928 até 28 de dezembro de 1929. A primeira foi divulgada pelo Jornal A Tarde em 23 de agosto de 1928 com a seguinte manchete “Quem é Vivo... O grupo de Lampião ruma para a Bahia”.

Verão que o secretário de segurança pública, senhor Madureira de Pinho, acusa o jornal Diário de Notícias de ser seu inimigo, dando assim uma cobertura das tropelias de Lampião, desfavorável ao seu governo, mas os fatos noticiados mostravam a ação de Lampião.

Não existia um jornalismo investigativo sobre a presença de Lampião na Bahia, as matérias publicadas nem sempre eram assinadas pelos jornalistas, os periódicos da capital não focavam apenas as manchetes, mas também opiniões, comentários e editoriais.

Serviço

"Lampião conquista a Bahia"
Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Edição do autor
422 págs.
Valor: R$ 35,00 + (Frete simples) R$ 5,00. Total R$ 40,00
Pedidos: graf.tech@yahoo.com.br
ou  (75) 3281 - 5080

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Imprensa e Cangaço

Lauro da Escóssia foi responsável pelo maior furo de reportagem da história do RN

Jornalista e escritor Lauro da Escóssia
[1905 - 1988]

O dia 19 de junho de 1927 foi importantíssimo na história do Jornal O Mossoroense e de toda a imprensa potiguar, pois foi neste dia que foi publicado o maior furo de reportagem do Estado. Tratava-se da entrevista que o cangaceiro Jararaca concedeu a Lauro da Escóssia na prisão, antes mesmo de depor em inquérito policial.

Com a reportagem, de repercussão nacional, transformada em matéria do jornal O Estado de São Paulo, o jornal chegou a uma vendagem recorde de 5.400 exemplares, patamar nunca mais alcançado.

A manchete dizia "Hunos da nova espécie" e a sub-manchete, "O famigerado Lampião e seu grupo de asseclas atacam Mossoró". As chamadas diziam "A heróica defesa da cidade" e "É morto o bandido Colchete é gravemente ferido o lombrosiano Jararaca".

Em seu livro "Escóssia", Cid Augusto transcreve a reportagem, que é introduzida por comentário discordando do adjetivo atribuído a Jararaca na chamada, e que pode ser conferida abaixo na íntegra:

"- Não, nada. Sujeito simpático. Ele começou me dizendo que se chamava José Leite, tinha 27 anos e nasceu no dia 5 de maio em Buíque, Pernambuco. Sujeito moreno, muito moreno, mas não era negro. Era solteiro e andava com Lampião há um ano e alguns meses. Ele tinha um fuzil mauser e cartucheiras de duas camadas, mais 560 mil réis no bolso e uma caixinha com obras de ouro no valor de 1 conto de réis.

Disse que o ataque a Mossoró foi idealizado por Massilon Leite e que Lampião relutou um pouco, por causa da história das duas Igrejas. Que quando Lampião chegou a Mossoró não gostou nada, nada, daquela 'igreja da bunda redonda' (de onde estavam partindo os tiros contra o bando). De repente, Jararaca começava a rir, diz Lauro da Escóssia, e a gente perguntava por que, espantado como um homem com um buraco de bala no peito ainda conseguia rir. -Mas, enfim, Jararaca, para que Lampião queria tanto dinheiro?
- Era pra comprar os volantes de Pernambuco.'

Voltamos a outros episódios com Jararaca na prisão.

Quelé não entrou na cadeia. Um seu ordenança, negro bem alto chegou perto de Jararaca, tendo-lhe arrancado do pescoço, num gesto brusco, uma volta de ouro que trazia com uma medalha de Santa.
Depois cobiçou um anel que o bandido trazia no dedo. Jararaca tentou tirar, não conseguindo, ao que o negro foi logo dizendo: '
- Coloque a mão aqui. Eu vou cortar o dedo para tirar o anel'
E puxou um faca (facão) ao que o Dr. Marcelino implorou: '
- Meu senhor, não faça isto. Cortar o dedo na minha frente, não'.
O negro desistiu, por certo atento à sensibilidade do doutor. Jararaca, fez um pedido com certa ironia:  
'- Tragam Quelé que eu quero dizer quem é cangaceiro'.
Disse depois: '- Quelé era do nosso bando e a polícia paraibana fez dele um sargento para nos perseguir'.

Mesmo ferido, Jararaca não escondia seu riso, o desejo de ainda viver e no momento em que uma linda jovem de nossa sociedade penetrava na sala, atenta à sua curiosidade para ver o bandido, este pergunta:
'- Esta moça é daqui?'. Ao que, recebendo a afirmativa, disse
'- Se o capitão (Lampião) soubesse que aqui tinha uma moça tão bonita teria entrado na cidade.'

A uma pergunta de D. Marola Silva (esposa do Sr. Veriato Silva), se os vinte e tantos traços que tinham na coronha de sua arma eram anotações de morte feitas pelo mesmo, como dizem, respondeu-lhe:
'- É tudo mentira, minha senhora. Eu nunca matei ninguém'. E deu uma boa gargalhada, saindo o vento pelo furo do peito.

Apenas impaciente ficou seguidas horas naquele sofrimento, pelo que chegou a pedir um canudo de mamão e algumas pimentas malaguetas, dizendo que com isso ficaria bom.

Perguntei-lhe como. Disse:
'- No bando, quando alguém recebe ferimento como este (apontando para o peito), sopra-se malagueta pelo canudo colocado na ferida. Sai toda salmoura do outro lado. Arde muito, mas a gente fica curado'.

Mas, apesar de tudo isto, Jararaca vinha aos poucos melhorando e se tivesse sido medicado convenientemente não morreria pelos ferimentos.

O tenente Laurentino de Morais tinha ido a Natal de onde voltou na quarta-feira seguinte. Esperou pela quinta, quando Jararaca seria transportado para Natal. Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca, não para Natal e sim para o cemitério, onde já estava aberta a sua cova.

Tenente Laurentino de Moraes
Fonte: JMaria

Disse o bandido: '
- Vocês não me levam para Natal. Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!'

Naquele local foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com essa areia. Essa ocorrência feita às escondidas foi guardada com as devidas reservas por alguns dias. Tempos depois, o capitão Abdon Nunes, naquela época comandante da guarnição policial de Mossoró, revelou em depoimento a morte de Jararaca'.

Açude: Valeria Escossia

Atenção amigos

Unidos em uma corrente de Fé

Nosso confrade, irmão, amigo e também Conselheiro Cariri Cangaço, Alcino Alves Costa, já há algum tempo passa por um delicado tratamento de saúde; depois de vários exames e cirurgia, novamente nosso amado Decano e Caipira de Poço Redondo se submeterá amanhã Quarta-feira, 26, à tarde, no hospital Primavera em Aracaju, a mais uma delicada intervenção cirúrgica. 

Dessa forma, venho humildemente diante de nossos Conselheiros fazer o presente comunicado e solicitar a harmonia e força em nossas orações.

Muito obrigado e vamos nos unir em oração.

Manoel Severo
Presidente do Cariri Cangaço 


Kiko Monteiro com os amigos Alcino e Rangel na ocasião  do lançamento de "Lampião em Sergipe" na última Quarta-feira 19/10.

sábado, 22 de outubro de 2011

O livro de Gilmar Teixeira no Jornal do Commercio, PE

Nova luz sobre Delmiro Gouveia
Quase um século após o misterioso crime, pesquisador apresenta em livro versão inédita para a morte do homem que revolucionou a indústria no Nordeste

Por Wagner Sarmento

A história não é produto acabado. Está sempre sujeita a revisões, releituras, reviravoltas. A morte do empresário Delmiro Gouveia, pioneiro da industrialização do Nordeste e construtor da primeira usina hidrelétrica brasileira, assassinado em 10 de outubro de 1917, nunca foi ponto final. Reza a tradição popular que, após ser alvejado na cadeira de balanço do alpendre de seu chalé, Delmiro indagou, antes de morrer: ”Quem foi o cabra que me matou?”.


Delmiro lendo jornal em sua cadeira, tal qual quando foi morto

A pergunta atravessou décadas sem resposta. Entre silêncios e murmúrios, um crime sem solução, mais um, retrato de um país onde a injustiça é, muitas vezes, o único elemento indubitável. Mas o manto do mistério pode ter sido desvelado 94 anos depois. É o que garante o historiador baiano Gilmar Teixeira Santos, que mergulhou no intrigante crime e lançou à luz fatos ocultados pelas biografias anteriores. A investigação feita pelo pesquisador revela que o homicídio foi uma grande trama arquitetada por falsos amigos e rivais do homem que anteviu o Nordeste do futuro.


Teixeira debruçou-se sobre inquéritos e reportagens
Os operários Róseo Morais do Nascimento e José Inácio Pia, conhecido como Jacaré, haviam sido demitidos de uma das fábricas de Delmiro duas semanas antes do crime. Pobres, foram presos e acabaram condenados pelo homicídio à pena máxima de 30 anos. Jacaré fugiu duas vezes da cadeia e foi morto em 1924 pelo coronel José Lucena, mesmo homem que matou o pai de Lampião. Róseo cumpriu 15 anos de pena, foi solto por bom comportamento e morreu de velhice em 1979. Em vida, nunca conseguiu se desfazer da pecha de assassino. Uma revisão processual, porém, inocentou a dupla mais de meio século depois, em 1983, após acreditar um álibi desprezado na época e segundo o qual ambos estavam em Sergipe no dia em que Delmiro foi eliminado. Enterrava-se ali, naquela absolvição póstuma, a principal versão sobre o crime.

Outra hipótese difundida alardeava que o assassinato teria sido demandado pela Machine Cotton, empresa escocesa que havia perdido mercado com a ascensão da Companhia Agro-Fabril Mercantil, criada em 1914 por Delmiro Gouveia, a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia. O que reforçou a possibilidade foi o fato de a Machine ter comprado a fábrica do empresário após sua morte e atirado todo o seu maquinário de um penhasco no Rio São Francisco.

“Todos os biógrafos compraram essas ideias ventiladas logo após o assassinato e ficaram repetindo isso. Ignoraram inclusive a revisão penal que inocentou antigos culpados. Na verdade, essas falsas versões foram difundidas pelos verdadeiros culpados para desviar o foco”, explica Teixeira, em entrevista por telefone ao Jornal do Commercio.


 Róseo Morais e José Inácio Pia, o "Jacaré"
Arquivo do autor não inclusa na matéria original 

O pesquisador começou a se debruçar sobre o crime sem resposta em 2008, quando realizava um documentário sobre a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, inaugurada por Delmiro em 1913 e que servia para fornecer energia elétrica à fábrica de linha do industrial e à vila erguida por ele na Pedra (AL), município hoje denominado Delmiro Gouveia, em homenagem ao cearense. O trabalho fora encomendado pela Fundação Delmiro Gouveia, que administra o sítio histórico.

Ao cascavilhar o acervo histórico sobre o personagem, Gilmar Teixeira encontrou informações até então ignoradas pela historiografia de Delmiro. Fotos, vídeos, cartas, inquéritos, livros, documentos, pertences e reportagens antigas de quatro revistas e 14 jornais, incluindo o Jornal do Commercio, com cerca de 30 matérias sobre o assunto. A pesquisa resultou no livro Quem matou Delmiro Gouveia?, Obra que leva o leitor de volta à cena do crime e ao jogo de interesses que levou à morte do pioneiro nordestino. Em 153 páginas, o autor garante ter descascado uma dúvida secular.

O mentor do homicídio seria o italiano Lionello Iona, sócio e administrador das empresas de Delmiro. Pouco antes de sua morte, o cearense fez um testamento que colocava Iona como tutor da herança de seus três filhos, até que eles completassem a maioridade. O europeu, que teria redigido o documento, estava enfurecido com a recusa de Delmiro à proposta de compra da fábrica de linhas feita pela Machine Cotton e estaria cansado das humilhações impostas pelo sócio. “Delmiro era um homem à frente do seu tempo, muito inteligente, mas não lia um documento. A família dele fez um escândalo na época, pois não aceitava que Iona ficasse como tutor. Noé, o filho mais velho de Delmiro, só conseguiu retomar o dinheiro aos 21 anos. Iona, então, voltou para a Itália rico. Foi tanto recurso desviado que o contador do italiano abriu um banco logo depois”, diz o historiador.

Lionello Iona, o sócio

A gana pela vantagem financeira, segundo ele, colocou o sócio como autor intelectual de um complô que envolveu cerca de dez pessoas, entre personagens influentes e cangaceiros. Teixeira cita como partícipe a influente família Torres, liderada pela baronesa Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, que se via ameaçada pelo poder econômico e crescente influência política de Delmiro. “Inclusive o juiz do caso era membro desta família e facilitou para que Róseo e Jacaré levassem a culpa em vez dos verdadeiros responsáveis”, afirma.

O político José Gomes de Sá teria entrado na trama pelo fato de o empresário apoiar seu maior inimigo, o coronel Aureliano Lero, que ganharia a eleição para prefeito de Jatobá de Tacaratu, atual Petrolândia. “Além disso, Zé Gomes trabalhava como fiscal de renda e foi delatado por Delmiro às autoridades por receber suborno”, observa Teixeira. Outro cúmplice seria o coronel José Rodrigues, de Piranhas (AL), latifundiário que se sentia desconfortável com a presença de Delmiro, o qual atuava também na pecuária e vendia produtos agrícolas a preços mais baixos que os convencionais.

Até Firmino Pereira, compadre de longa data de Delmiro Gouveia, é listado pelo biógrafo Gilmar Teixeira como um dos envolvidos no crime. A filha de capitão Firmino, como era conhecido na região, estaria difamada após ser seduzida por Delmiro em uma viagem ao Recife? Seu genro lhe dizia que só se casaria com a moça se o industrial fosse morto, e assim fez. De acordo com a versão do pesquisador, é Firmino, cunhado de Zé Gomes, quem contrata os cangaceiros que matarão seu amigo: Luís Padre e Sinhô Pereira, que foi o precursor de Lampião no cangaço.

Sinhô Pereira e o primo Luis Padre 

Dois outros homens teriam dado cobertura à dupla no dia do homicídio a mando de capitão Firmino. Seriam eles o fazendeiro Herculano Soares, que havia jurado vingança depois de apanhar do empresário no meio da rua, e seu cunhado Luiz dos Anjos. “Juntei as peças do quebra-cabeça. Delmiro tinha muitos inimigos. O sucesso dele incomodava muita gente. Havia um barril de pólvora pronto para explodir. Lionello Iona, seu sócio, só atiçou as outras pessoas. Foi ele quem arquitetou o plano. Existiam muitos interesses em jogo. Fizeram reuniões para definir como tudo seria”, explana o historiador.

Na noite de 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia fez o que costumava fazer. Sentou-se no alpendre de seu chalé em Água Branca (AL) para ler jornal. Foi acertado por dois tiros: um no braço e o outro certeiro, no peito, varando o coração. Um terceiro disparo deixou na parede a marca da violência. Róseo e Jacaré haviam sido mandados pelos próprios mandantes do assassinato para Sergipe, sob a alegação de que fariam um serviço para o coronel Neco de Propriá. Ao chegar lá, o trabalho foi suspenso. Quando voltaram, ambos foram acusados do crime.


Chalé onde o industrial foi assassinado a tiros, em 10 de outubro de 1917 

Entre as mais de cem fotos pesquisadas por Teixeira, está uma de Luís Padre e Sinhô Pereira, tirada em 1917, na Vila da Pedra. “O que eles estavam fazendo lá?”, indaga. Numa entrevista em 1951, detalhada no livro, Róseo revelou a história de que foi chamado à mansão da família Torres poucos dias antes da morte de Delmiro e lá viu dois homens, chamados “Luís Pedro e Sebastião Pereira”, recebendo ordens. “Basta ligar os fatos para chegar aos nomes de Luís Padre e Sinhô Pereira como os executores de Delmiro”, assinala Teixeira, que diz não ser dono da verdade. Frisa que seu livro é, antes de tudo, uma interrogação a mais. Talvez um ponto final.

Edição de Segunda-Feira 17 de Outubro de 2011

Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?

Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.


Contato para aquisição
gilmar.ts@hotmail.com
 
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00