quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sebo virtual


"Raridades e novidades" do professor Pereira
Catálogo atualizado para Agosto e Setembro. Promoções e valores com frete incluso.

Autor                Título                                            Valor   Obs. 

Abelardo F. Montenegro Fanáticos e Cangaceiros 2011 - Clássico Lanç. 2ª Ed. 50,00 Novo /
Abílio Wolney A. Neto O Diário de Abílio Wolney 2009 370 pág. 50,00 Ótimo estado c/carimbo/
Aglae Lima de Oliveira  Lampião – Cangaço e Nordeste 2ª Ed. 1970 100,00 Regular estado
Alberto S. Galeno Território dos Coronéis 1987  123 pág.    30,00    Capa dura c/ carimbo
Alcino Alves Costa  Lampião Além da Versão, Mentiras e Mistérios de Angicos – 2011 (3ª Ed.)    410 pág.  40,00 Novo

Alcino Alves Costa  Lampião em Sergipe 2011 298 pág. 55,00 Novo
Alcino Alves Costa  Poço Redondo - A Saga de Um Povo 349 pág. 50,00 Novo
Alcino Costa  O Sertão de Lampião  50,00 Novo
Aldenor Benevides Padre Cícero e Juazeiro  22,00 Bom estado
Ana Cláudia Marques e outros  Andarilhos e Cangaceiros 1999 233 pag. 30,00  Novo
André Heráclio do Rego Família e Coronelismo no Brasil- Uma História de Poder 378 pag. 35,00  Novo
Aníbal Fernandes  Estudos Pernambucanos 1982  224 Pág. 30,00  Bom estado
Anildomá Willans  Lampião – Nem herói Nem Bandido 35,00 Novo
Anildomá Willans de Souza  Nas Pegadas de Lampião  35,00 Novo
Antônio Amaury C. de Araújo  Gente de Lampião – Sila e Zé Sereno  20,00    Novo
Antônio Amaury C. de Araújo  Lampião e as Cabeças Cortadas  55,00    Novo
Antônio Amaury C. de Araújo  Lampião, Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço  3ª Ed. 2011 229 pág. 55,00 Novo
Antônio Amaury C. de Araújo Maria Bonita, A Mulher de Lampião 2011  279 pág. 55,00  Novo

Antônio Amaury C. de Araújo  Lampião - As Mulheres e o Cangaço 2012  399 pág.  55,00  Novo
Antônio Amaury C. de Araújo  Gente de Lampião: Dadá e Corisco 2011    329 pág.    60,00  Novo
Antônio Amaury e Carlos Elydio Lampião, Herói ou Bandido?  25,00 Novo
Antônio Barroso pontes  Reminiscências de Um Caboclo Sertanejo 204 pag. 23,00  Bom estado
Antônio Barroso Pontes  O Mundo dos Coronéis 25,00  Bom estado
Antônio Barroso Pontes  Sociologia do Trabuco 1981 119 pág. 28,00 Bom estado
Antônio Barroso Pontes Sertão Brabo-Usos e Costumes 1979 164 pág.    30,00  Bom estado
Antônio Corrêa Sobrinho O Fim de Lampião, O que Disseram os Jornais Sergipanos 2011 166 pág. 33,00  Novo
Antônio da Silva Neves A Seca de 1919 88 pág. 18,00 Bom estado
Antônio Décio Pinto  Coronel Zuza e a República da Estrela  30,00 Bom estado
Antônio J. V. Borges da Fonseca  Nobiliarchia Pernambucana 1992 4 volumes  80,00 Bom estado/envelhecido
Antonio Nunes Malveira  Notas Sobre as Secas  2001    84 pág. 25,00 Bom estado
Antônio Vilela de Souza  O Incrível Mundo do Cangaço Vols. I e II  38,00 cada Novo
Antônio Vilela de Souza  A outra Face do Cangaço  102 pág. 28,00  Novo

Archimedes Marques  Lampião Contra o Mata Sete 2012 (Lançamento)  552 pág. 55,00 Novo
Barão de Studart  Datas e Factos para a História do Ceará 3vol. 150,00   Bom estado
Benedito Vasconcelos Mendes Reflexões Sobre o Nordeste 95 pag. 15,00  Novo
Billy Jaynes Chandler Lampião o Rei dos Cangaceiros  38,00  Bom estado/envelhecido
Billy Jaynes Chandler Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns 1981 213 pág. 80,00  Bom estado
Bismarck Martins de Oliveira Histórias do Cangaço- O Saque de Souza – PB 1924  30,00  Novo
Bismarck Martins de Oliveira  O Cangaceirismo no Nordeste 2002    329 pág.  38,00 Novo
C. Nery Camello  Alma do Nordeste    192 pág.  50,00  Bom estado/capa dura
Câmara Cascudo  Flor de Romances Trágicos    185 pag.  30,00    Bom estado
Câmara Cascudo  Notas e Documentos Para a História de Mossoró    299 pág.  45,00 Novo
Carlos Lyra (entrevista)  Nunca Matei Ninguém- Chico Jararaca   30,00 Novo
Célia Magalhães  Fatos e Curiosidades- Missão Velha  25,00    Novo
Cicinato Ferreira Neto  A Misteriosa Vida de Lampião  33,00    Novo
Claudio Aguiar  Caldeirão  40,00  Ótimo estado
Cláudio Aguiar  Lampião e os meninos 1990    126 pág.  28,00  Ótimo estado
Clodomiro Pereira da Silva  O Problema das Secas no Nordeste Brasileiro 281 pág. 28,00 Bom estado
Coleção Mossoroense  Pequena Cantoria de Mário de Andrade e Câmara Cascudo para Lampião e Jararaca 103 pag.  35,00  Ótimo estado
Daniel Lins  Lampião – O Homem que Amava as Mulheres  30,00  Novo
Davino Francisco dos Santos A Coluna Miguel Costa e Não Coluna Prestes 25,00    Bom estado

Demosthenes Guanaes Pereira  Pau - de - Colher  -  Romance   163 pág.  40,00  Bom estado
Djacir Menezes  O Outro Nordeste    40,00    Bom  estado/capa dura
Dom José Adelino Dantas  O Coronel de Milícias Caetano Dantas Correia 78 pág. 25,00 Ótimo estado/c/carimbo
Domingos Sávio Cordeiro Um Beato Líder, Narrativas Memoráveis do Caldeirão 2004  235 pág. 45,00 Ótimo estado
Duarte da Costa e Juracy Pinheiro Nordeste Ontem e Hoje  15,00 Ótimo estado
Élise Jasmin  Cangaceiros  2006  149 Pág. 150,00  Novo
Eloy de Souza  O Calvário das Secas 2009    210 pág.  25,00 Novo
Epitácio de Andrade Filho  A Saga dos Limões, Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante 2011  92 pág. 35,00  Novo
Erico de Almeida  Lampião, Sua História 1996 (Fac-similar 1926) 137 pág. 70,00  Bom estado
Estácio de Lima  O Mundo Estranho dos Cangaceiros 1965 327 pág.  110,00 Envelhecido /várias partes do texto sublinhadas. Miolo bom
Eul-Soo Pang  Coronelismo e Oligarquias 1889 - 1943 Bahia  269 pág.  70,00  Bom estado
F. Pereira Nóbrega Vingança, Não (O Cangaceiro Chico Pereira) 45,00 Bom estado/com carimbo
F. Saturnino R. de Brito As Secas do Norte  161 pág. 18,00 Ótimo estado
Fátima Menezes e outra  Homens e Fatos na História de Juazeiro 1989 183 pag. 70,00  Bom estado
Fátima Menezes/Generosa Alencar Dossiê Confidencial- Padre Cícero e Floro Bartolomeu  248 pág.    45,00  Bom estado/envelhecido
Firmino Holanda  Benjamim Abrahão  85 pág. 18,00  Novo (Bolso)
Francisco Fausto de Souza  História de Mossoró  275 pág.  35,00  Ótimo estado/c/carimbo
Francisco Galvão Do Coronelismo ao Caldeirão 2006 192 pág. 35,00 Novo
Frederico P. de Mello Estrelas de Couro. Edição de luxo - 1,6kg  "105,00" Novo

Frederico P. de Mello Guerreiros do Sol  5ª Ed.  2011  519 pág.  60,00 Novo 
Frederico Pernambucano de Mello Quem Foi Lampião 1993 151 pag. 70,00  Ótimo estado
Geraldo Ferraz  Pernambuco no Tempo do Cangaço 2vol. 1.024 pag. 130,00  Novo
Geraldo Ferraz  Theophanes F. Torres, Um Herói Militar 2004  250 pag.    45,00  Novo
Gilbamar de Oliveira Bezerra  A Derrota de Lampião (Mossoró) 2010  104 pag.  28,00 Novo

Gouveia de Helias  Dias Sem Compaixão 2010  178 pag.  25,00  Novo
Gregg Narber Entre a Cruz e Espada: Violência e Misticismo no Brasil Rural 206 pag. 30,00 Ótimo estado
Gustavo Barroso  Terra de Sol   40,00 Novo
Gutemberg Costa  A Influência do Cangaço na Música popular Brasileira 1998 84 pág. 40,00 Bom estado/soltando as folhas
Hilário Lucetti Histórias do Cangaço 2001    115 pág. 45,00 Ótimo estado/


Honório de Medeiros  Massilon  55,00 Novo
Iaperi Araújo  No Rastro dos Cangaceiros 2009 152 pag.  40,00 Novo
Ilsa Fernandes Queiróz  Mulheres no Cangaço, Amantes e Guerreiras  144 pág. 30,00  Novo
Inês Caminha L. Rodrigues A Revolta de princesa 1981  81 pag.  15,00  Bom estado-Livro Bolso
Isabel Lustosa  De Olho em Lampião 2011  109 pág.  25,00  Novo
Ivan Alves e Nilson Lage  O Padre e o Cangaceiro: A história de Lampião e de Cícero Romão (Os Grandes Enigmas da nossa História)   30,00  Bom estado.
Ivan Bichara   Carcará- Romance Histórico - Ataque de Sabino Gomes a Cajazeiras em 1926  276 pag.  30,00 Bom estado
J. Ciro saraiva  No Tempo dos Coronéis – crônicas e Episódios da Política Cearense (1958 a 1986) 2011  316 pág.  48,00 Novo
Janduhi Dantas Viagem aos 80 anos da Revolta de princesa (Cordel)  41 pág.  12,00  Novo
Jeanne Berrance de Castro A Milícia Cidadã, A Guarda Nacional 1831-1850 260 pag. 30,00 Ótimo estado
João Alfredo de S. Montenegro  Ideologia e Conflito no Nordeste Rural   25,00  Bom estado
João Bezerra da Nóbrega  Lampião e o Cangaço na Paraíba 2011 345 pág.  50,00 Novo
João de Sousa Lima  A Trajetória Guerreira de Maria Bonita  38,00  Novo
João de Sousa Lima  Moreno e Durvinha   38,00  Novo
João de Sousa Lima e outros Maria Bonita- Diferentes Contextos Que Envolveram a Vida da Rainha do Cangaço  172 pag. 38,00 Novo

João Lelis de Luna Freire A Campanha de Princesa 2000  390 pág. 55,00 Ótimo estado
Joaquim Inojosa  República de Princesa  55,00  Bom estado
Joaryvar Macedo  Império do Bacamarte   50,00  Ótimo estado
José Alves Sobrinho Lampião e Zé Saturnino, 16 anos de lutas  40,00 Novo
José Anderson Nascimento  Cangaceiros, Coiteiros e Volantes   30,00  Ótimo estado
José André Rodrigues (Zecandré) Capitão Januário, a Beata e os Cabras de Lampião "RARO" 144 pág. 55,00  Bom estado
José Gastão Cardoso A Heróica Resistência de Princesa 2ª ed. 25,00 Novo
José Hilário  Do Cangaço ao Congresso 1994 241 pág. 30,00  Envelhecido
José Octávio P. Lima Terra Nordestina, Problemas, Homens e Fatos 23,00 Novo                                                     
José Peixoto Junior  Bom de Veras e Seus Irmãos (Os Marcelinos)  40,00 /envelhecido
José Sabino/César Megale  Lampião, Sua Morte Passada a Limpo 2011 192 pag. 40,00 Novo
Juarez Conrado  Lampião- Assaltos e Morte em Sergipe 2010  301 pag.  45,00 Novo
Késsia Brito  e outra  O Mito de Lampião 47 pág. 12,00  Bom estado
Lauro da Escócia Cronologia Mossoroense 2010    305 pag. 28,00  Ótimo estado
Leonardo Mota  Cantadores 2002   33,00  Novo
Leonardo Mota  No Tempo de Lampião 2002  40,00 Novo
Leonardo Mota  Sertão Alegre 2002   33,00 Novo
Leonardo Mota  Violeiros do Norte 2002  33,00 Novo
Luitgarde Oliveira C. Barros  A Derradeira gesta: Lampião e os Nazarenos Guerreando no Sertão 2000  260 pag. 50,00 Novo

Luiz Bernardo Pericás  Os Cangaceiros   55,00    Novo
Luiz Luna/Nelson Barbalho  Coronel Dono do Mundo  1983 324 pág. 40,00    Bom estado/capa dura
Luiz Pinto  Homens do Nordeste  40,00    Regular estado
Luiz Ruben   Lampião Conquista a Bahia 2011  422 pág. 45,00    Novo
Luiz Ruben F. Bonfim  Lampião e os Interventores 2007    236 pag.  38,00  Novo
Luiz Rubens F A Bonfim  Notícias Sobre a Morte de Lampião 166 pag. 38,00 Novo
Luiz Rubens F. de A. Bonfim  Lampião e os governadores  35,00 Novo
Luiz W. Torres  Lampião e o Cangaço  28,00 Ótimo estado

Luiz Zanotti  Lampião: Texto, Tela e Palco –  Tese de Doutorado - 2012    307 pág. 50,00  Novo
Marcos Edilson de O. Clemente Lampiões Acesos, O Cangaço na Memória coletiva 2009    215 pág. 48,00 Ótimo estado
Marcos Medeiros  A Caatinga Sustentou Campesino e Cangaceiros  Cordel 16pg  8,00  Novo
Marcos Vinícius Vilaça e outro  Coronel, Coronéis  1978    225 pag.  35,00  Ótimo estado
Maria de Lourdes M. Janotti 1985  Coronelismo, Uma Política de Compromisso 1985  88 pag.  18,00  Bom estado-Livro Bolso
Maria Isaura P. de Queiroz  História do Cangaço   25,00  Bom estado
Mariane L. Wiesebron  Historiografia do Cangaço e o Estado Atual da Pesquisa Sobre Banditismo a Nível nacional e Internacional (Apostila) 28 pag. Coleção Mossoroense Série “A” 28,00 Bom estado
Marilourdes Ferraz  O Canto do Acauã  2011   250,00  Novo
Mario Souto Maior  Antonio Silvino – Capitão de Trabuco  40,00 Novo
Melquíades Pinto Paiva  Bibliografia Comentada do Cangaço vol. III  105 pág. 15,00 Ótimo estado
Melquíades pinto Paiva   Bibliografia Comentada do Cangaço vol. V     89 pag.    15,00    Novo
Melquíades Pinto Paiva   Ecologia do Cangaço  40,00 Novo

Melquíades Pinto Paiva  Cangaço, uma ampla bibliografia comentada 2012 392 pág.  85,00  Novo / Capa dura
Messias Ferreira de Lima  São José de Piranhas - PB, Um Pouco da Sua História 2011 (Ref. ao cangaceiro 2 de ouro) 20,00 Novo
Napoleão Tavares Neves Cariri, Cangaço, Coiteiros e Adjacências 2009 131 pag. 35,00 Novo
Nertan Macedo  Lampião- Cap. Virgulino Ferreira – RJ – 5ªed. 1975  25,00  Regular estado
Nertan Macedo  Sinhô Pereira - O Comandante de Lampião RJ 50,00 Ótimo estado
Nertan Macedo  Floro Bartolomeu, o Caudilho dos Beatos e Cangaceiros 202 pag. 55,00 Ótimo estado
Oleone Coelho Fontes Lampião na Bahia 50,00  Novo
Padre João Carlos Perini   Padre Cícero e Lampião 12,00  Novo
Paulo Gastão  Lampião de A a Z   2011  75 pág.  15,00  Novo
Pedro Baptista  Cangaceiros do Nordeste 2011  279 pág. 37,00  Novo

Pedro Nunes Filho Guerreiro Togado – 2011 - Edição de Luxo 516 pág.    100,00  Novo
Raimundo Nonato Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro Romântico 45,00  Novo.
Ranulfo Prata  Lampião  28,00 Ótimo estado
Raquel de Queiroz  Lampeão, a Beata Maria do Egito- Teatro 1995 60 pag. 20,00 Ótimo estado
Raul Fernandes  A Marcha de Lampião Assalto a Mossoró.  55,00 Novo.
Renato Phaelante  Cangaço, Um Tema na Discografia da MPB  97 pág. 40,00  Novo
Ricardo Albuquerque (org.)  Iconografia do Cangaço – Inclui (DVD) 215 pág. 120,00  Novo
Rodrigues de Carvalho  Serrote Preto 1961 e 1974   70,00  Bom estado
Rosa Bezerra  A Representação Social do Cangaço  50,00  Novo
Rui Facó  Cangaceiros e Fanáticos  2012    40,00 Novo.
Sérgio Augusto de S. Dantas  Lampião: Entre a Espada e a Lei  2008    340 pág.  55,00 Bom estado

Sérgio Augusto S. Dantas Antônio Silvino: O Cangaceiro, o Homem, o Mito 2ª Edição 2012  314 pág.  37,00  Novo 
Severino Barbosa  Antonio Silvino – O Rifle de ouro  80,00 regular 100,00 bom  estado
Severino Coelho Viana  Amor de Cangaceiro (Romance)  169 pág. 35,00 Ótimo estado
Sousa Neto José Inácio do Barro e o Cangaço (Major Zé Inácio do Barro) 2011 223 pág. 35,00 Novo
Ulysses Lins de Albuquerque    Um Sertanejo e o Sertão 2ª edição. Anexo (A luta dos Pereiras e Carvalhos)  242 pág. 45,00 Bom estado/envelhecido.
Victor Nunes Leal  Coronelismo, Enxada e Voto 1997 440 pág. 80,00 Ótimo estado
Vilma Maciel   O Pacto dos coronéis (Cariri 1911)  23,00  Novo
Vilma Maciel   Os Fuzilados do Leitão  2ª Edição 2012   88 pág. 23,00 Novo


Vilma Maciel  Lampião: Luta, Sangue e Coragem 2012 (Romance Histórico) 188 pág. 33,00 Novo 
Vingt-Un Rosado  Mossoró   2006    240 pág. 30,00 Ótimo estado c/ carimbo
Waldemar Alves da Silva Júnior O coronelismo em Salgueiro (1920-1945) 2008 277 pág. 50,00 Capa dura /ótimo estado com carimbo.




Estou sempre comprando e vendendo livros, os preços podem variar para mais ou para menos, a qualquer momento. Possuo apenas uma unidade de alguns títulos, então será sempre importante confirmar o estoque do livro desejado.
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Att. Professor Pereira
Cajazeiras/PB

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A saga de Vilmar Gaia

Do sertão de Serra Talhada, onde não se brinca de valente, narrativas de morte e vingança

Este é mais um conflito que marcou a terra do Rei do Cangaço. Conheçam a breve peleja de Vilmar Gaia, que para vingar a morte do pai, de policial passou a ser um pistoleiro foragido e considerado na época "o 2º Lampião" com direito a David Jurubeba no rastro... Apresentado aqui numa super reportagem do jovem Caco Barcellos quando escrevia para a revista Versus. Publicada originalmente em 7 de Dezembro de 1976.
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Os inimigos ali na frente, vendo a sua agonia. Nenhuma facada a mais. Nenhuma agressão. Nunca um Gaia agonizou aos olhos do inimigo. Batista Gaia, o mais corajoso dos Gaias, do alto sertão de Pernambuco, está morrendo num quarto de bordel de Serra Talhada.

Os inimigos continuam ao pé da cama. O velho mal consegue erguer os pés. O corpo esticado sobre a cama já não lhe obedece à vontade. Batista põe a folha do poema para tapar o buraco do pescoço ferido pelo punhal e jamais deixa de encarar os homens que estão de pé com a faca. Se ao menos a menina de 20 anos que está com ele acordasse...

Consegue arrastar o braço pelo lençol ensangüentado. Apóia a mão esquerda na cabeça da mulher. Sacode. Mas ela dorme. A única arma de Batista é a que resta em sua mão: a poesia – que escrevia para ela naquela hora – folha molhada de sangue que joga na cara de um inimigo.

A perseguição
- Por que não matam de uma vez esse velho!?
O grito é de uma mulher, veio da boca de mais um inimigo que está no quarto e o velho ainda não sabia. Matem logo! O pedido é da menina loira que fingia dormir. Uma traição a Batista em troca de 500 cruzeiros e de proteção que os três inimigos prometem. A traição parece tê-la enlouquecido. A mulher vê Batista esfaqueado, vivo, olhando e continua gritando matem, matem!

Ela está desesperada quando os três homens terminam de matar Batista com coronhaços de rifles na cabeça, facadas e tiros no sexo. Quase meia-noite, a mulher chora sobre a cama ensangüentada, os 500 cruzeiros estão espalhados no chão e o corpo do velho é arrastado do cabaré até a sarjeta de uma rua escura que sobe no Alto do Urubu, em Serra Talhada.

Serra Talhada fica numa planície, são cinco ou seis ruas paralelas que rodeiam uma praça, as casas são baixas e antigas. Todo caminho termina numa subida. A cidade é cercada por montanhas que têm profundas rachaduras cobertas de vegetação rasteira. Daí o nome Serra Talhada. E em um desses morros que cercam a cidade, no Alto do Urubu, que Vilmar Gaia, um rapaz parecido com Batista, moreno, alto, olhos amendoados, pele de índio, encontra o cadáver do pai. A cabeça esmagada, a camisa em pedaços, sem calças, o sapato trocado de pé e no lado do corpo, o rifle 44 em cima de uma folha escrita pelos inimigos, com data.

Vilmar Gaia 
Print do Globo Repórter de 31/01/1982.

Dia 6 de junho de 1971: “Última poesia do velho mulherengo”.
Minha morte é uma justiça. No sertão não se brinca de valente. Os Gaias mataram os soldados. Eu morro com os inimigos na frente.

Sertão de Pernambuco, seca de 1970.
A história da morte de Batista começa em 30 de dezembro de 70, durante a grande seca, numa frente de trabalho da SUDENE. Os trabalhadores reclamam pela falta de dinheiro ao engenheiro encarregado do pagamento. Batista está entre os homens que reclamam. Também estava na multidão quando dois soldados da Polícia Militar de Pernambuco, Adalberto Clementino de Moura e Alberto Alves de Moura, começam a agredi-los a pontapés e cacetadas. Os trabalhadores, humilhados, voltam à fila. Mas não todos. Aqueles cinco irmãos com cara de índio se revoltaram. Armados de foices e lambedeiras, cinco irmãos Gaia, Cícero, Eduardo, Tozinho, Antônio e Enoque, matam a dupla de soldados. E o velho Batista Gaia escreve uma poesia em homenagem à vitória da família. Ainda durante a seca, começa a perseguição ao velho, que é assassinado seis meses depois, naquele cabaré, no Alto do Urubu.

Alto do Urubu, voltamos a junho de 71.
Morre Batista Gaia e, no enterro, seu filho Vilmar agarrado ao rifle 44, jura vingança. Ele desconfia dos parentes, dos amigos, até do padre que benze o caixão de Batista. Todas as pessoas que vê para ele são o inimigo. A namorada, o juiz da cidade, as crianças. Vilmar interroga todos que estão no cemitério de Serra Talhada. Faz tantas perguntas que a loira amante de Batista lhe confessa quem são os criminosos:

Três soldados (da 17ª Companhia Militar de Pernambuco) mataram Batista!

Ainda na noite do dia do enterro, Vilmar, 22 anos, de bermudas, chinelo e sem camisa, vai à caatinga e torna-se pistoleiro. Coloca na mata um lampião a 50 metros de distância, apóia o rifle na clavícula, mira, aperta o gatilho e os tiros apagam o fogo mais de 20 vezes nessa madrugada. Amanhecia quando Vilmar é visto atravessando a Praça Nossa Senhora da Penha. Às 8 horas continuava investigando. Vestia apenas a bermuda, com dois revólveres na cintura, quando entra no prédio da delegacia para falar com o delegado Sebastião Nogueira. Seu plano começava a dar certo porque o delegado aceita o seu pedido.

Agora Vilmar, além de pistoleiro, é policial da 17ª Companhia.

Nos primeiros cinco dias na polícia, Vilmar continua nas investigações e ganha dezenas de cartucheiras dos soldados. Conversa sobre o crime pelos corredores e à noite tiroteia em garrafas de cerveja, latas de sardinhas, em alvos cada vez menores. Em uma semana descobre o inquérito sobre a morte do pai nos arquivos da delegacia, e sabe, assim, os nomes dos soldados criminosos.

No dia seguinte à descoberta, o delegado Sebastião Nogueira reprova Vilmar no teste de capacidade intelectual. Ele é expulso da 17ª Companhia e duas semanas depois mata com 16 tiros um dos três inimigos, Arnaldo Cipriano, num bar de Salgueiro, a 300 quilômetros de Serra Talhada.

Fazenda Lavra de Mangueira, outubro de 73.
O suplente de comissário, Pedro Inácio, dá uma festa na fazenda. Como fazia o velho Batista, Vilmar entra na festa acompanhado de uma prostituta. Pedro Inácio manda ele embora. Os dois discutem, brigam e depois tiroteiam. Vilmar é ferido no ombro e cai. Do chão ele atira e mata o comissário. O baile continua.

A polícia é avisada do crime e Vilmar dança no salão. Calça e camisa pretas, duas cartucheiras na cintura, ele dança uma rancheira. A prostituta veste uma saia curta a um palmo do joelho e aperta o corpo de Vilmar. Ela rebola, desabotoa a camisa do pistoleiro e beija-lhe o peito na hora em que alguém dá um tiro.

Apagam-se as luzes, é a polícia chegando.

Vilmar está na escuridão dentro da casa cercada pela patrulha. Da janela ele vê que outro matador de seu pai, o soldado Natalício, está na chefia da patrulha. As mulheres gritam e correm do salão, puxadas pelos homens. O último a sair na porta do salão é Vilmar Gaia, com rifle na mira de Natalício, que morre com um único tiro no peito. Nenhum outro soldado reage. E Vilmar foge a cavalo com a prostituta.

No Velório de Natalício: à meia-noite Vilmar vai ao velório do inimigo. A mesma roupa preta, um chapéu de abas largas, óculos de lente escura, ele distribui cópias da última poesia do velho mulherengo e vai embora.

Três dias depois da morte de Natalício: É morto o cunhado de Vilmar Gaia, Luiz Zuza. O corpo é enterrado na caatinga.

Tribunal de Justiça, outubro de 74:
O juiz Ítalo José Nandi decreta prisão preventiva de Vilmar. E também é acusado de matar o primo Antônio Augusto que teria se vendido para a família de José Cipriano. A família que pagou para matar seu pai. Morre o soldado Luiz Gonzaga que Vilmar perseguia para completar sua vingança. O povo atribui a Vilmar mais de 30 mortes. E o juiz sofre um atentado, um dos tiros quebra a antena do seu carro.

Novembro.
Circulam folhetos de cordel em homenagem ao pistoleiro que fez sua própria justiça no Alto do Sertão de Pernambuco:

“Filho de Serra Talhada/ No sertão de terra quente/ onde nasceu Lampião/ Natureza de serpente/ Agora tem Vilmar Gaia, feio, disposto e valente/ Dizem que ele se encanta/ Num pé de mandacaru/ Vive também envultado/ Numa onça canguçu/ Extasiando maior assombro no Vale do Pajeú/ Só tem 26 anos/Esta é a sua idade/Mas dizem que ele briga/De 110 qualidade/ Briga dentro da caatinga e luta em qualquer cidade/Já fez 32 mortes/Abraçou a miséria e deu coice na sorte/ É o maior cangaceiro que temos aqui no Norte”.

Fevereiro de 75. Chegada de David Jurubeba e seus pistoleiros em Serra Talhada. Jurubeba veio para acabar com os Gaias. Ele é um rastejador profissional desde a década de 20, quando perseguia Virgulino Lampião. Sua inimizade aos Gaias vem dessa época, pois o velho Batista protegia o cangaceiro das volantes. Com a morte dos soldados Natalício e Luiz Gonzaga, seus parentes, aumenta o ódio de Jurubeba:

– Vim para matar. Venho das terras de Nazaré e só voltarei quando for eliminada a raça dos Gaias. Eu sou do clã dos Ferraz Jurubeba. Minha vida é no mundo perseguindo bandido. Se esse tal de Vilmar é valente como falam eu o perseguirei até a morte. Quero cortar a cabeça desse cabra como fizemos com Lampião. Batista era coiteiro e família que protege o cangaço não merece o perdão. Estou pronto para a luta.


Primeiros dias de março.
Jurubeba e dois pistoleiros carregam munição para uma camioneta, defronte ao prédio da delegacia. No mesmo dia um cunhado de Vilmar, Arnaldo Gaia, é fuzilado no balcão da caixa da sua mercearia, no centro de Serra Talhada. No dia seguinte é a vez de Batistinha Gaia, irmão de Arnaldo. Os pistoleiros fuzilam à queima-roupa. No dia 5, as cinco famílias dos irmãos do velho Batista estão em pânico com a entrada de Jurubeba e sua volante em suas terras.

Os fuzis apontam para os cinco irmãos.

Os dois canos grossos da arma estão bem junto aos olhos de Laudelino. O fuzilamento será à queima-roupa. Ao lado de Laudelino está Tozinho, pele de índio, cabelo preto, liso, com a baioneta do fuzil quase lhe raspando o nariz. Depois de Tozinho vem Eduardo, depois Cícero e por último Enoque. Todos os irmãos Gaia morrerão se não responder à pergunta:
– Onde está Vilmar Gaia?
– Respondam bandidos!
No milharal da fazenda, as mulheres vêem aquela cena e pedem de joelhos proteção a São Tomás de Aquino, a Frei Damião e a Padre Cícero. As crianças cantavam orações. De longe dali se ouvia a cantoria que só não era mais forte que o som dos gritos do fuzilamento.

Fogo nos bandidos!

Como nenhum dos irmãos fala sobre Vilmar, os policiais apertam o gatilho. Os tiros fizeram mulheres e crianças correrem e os animais da fazenda corriam juntos para todos os lados. Mas os Gaias continuam de pé. O fuzilamento fora uma ameaça. Os tiros passaram rentes à cabeça de Enoque e ele permaneceu como estava, o olhar fixo nos olhos do carrasco.

Indiferente, mudo, parece tranqüilo. Enoque está tão calmo que Jurubeba, o carrasco, assustado, muda de tática. Amarra os pulsos de Enoque e a mesma corda é amarrada nas encilhas do cavalo. Assim ele começa a ser arrastado pelas terras do distrito de São João, a norte de Serra Talhada.

O cavalo de Jurubeba é um animal selvagem que corre a trotes largos em direção às montanhas. A estrada é de pedregulhos e o corpo de Enoque se mantém um pouco atrás das patas do cavalo, os braços esticados, a cabeça erguida, o peito arrastando, já sem botas e sangrando. Nas poucas vezes que abre os olhos, o que vê é poeira e patas. O cavalo abre caminho. Enoque ainda ouve o relincho quando cruza os milharais.

Enoque ainda vive.
– O cavalo de Jurubeba é arisco, selvagem. Mas não consigo imaginar a que velocidade anda. Sei que andava rápido quando começou a malvadeza. Naquela hora você não sente dores. Eu estava sendo arrastado de bruços e sentia as pedras que batiam no meu corpo, sentia as pedras entrando na minha carne. Os galhos secos eram espinhos grandes e a terra queria devorar a minha barriga. Meu corpo estava mole, saltava como borracha.
Mas um homem nesta hora ainda sente muita força.
– Nunca me passou a idéia de trair o meu sobrinho. Eu sabia que estava sofrendo a malvadeza por causa dele. Mas eu sou dos homens que não sabem trair o irmão de sangue. Dizer onde está Vilmar Gaia é desprezar a nossa grande vingança. Seria uma atitude de homem que não preza amor da família. Que as patas me furem os olhos mas eu não falo. Podem me chutar a boca, que me quebrem os dentes porque eu não digo. Vou proteger a pele do menino Vilmar até a morte se for preciso. É certo que Vilmar é pistoleiro e bandido. Mas também é certo que um homem só é afoito e valente se antes ele foi revoltado e corajoso. O caso de Vilmar é de revolta pela morte do pai. Ele fez sua própria justiça aqui no sertão. A justiça que os homens tiveram medo de fazer. Jamais vou trair um menino assim. Eu esperava pela morte porque a morte me salvaria daquele momento. Eu queria que a morte viesse depressa para não dizer o esconderijo de Vilmar, queria a morte como salvadora, como uma aliada contra o inimigo.
O sol é forte no sertão quando Jurubeba desata a corda do pulso de Enoque desfalecido. A roupa está úmida do sangue que escorre do rosto, a sobrancelha puída pela terra, a cabeça de Enoque é uma grande ferida. O couro cabeludo foi pelado, os fios de cabelo ficaram pelo caminho da tortura. E aquelas perguntas continuam...

Os habituais interrogatórios aos Gaias tornam-se trágicos. Maria Aparecida, uma tia de Vilmar, morre de colapso cardíaco quando vê o corpo de Enoque torturado. Ninguém denuncia, mas David Jurubeba continua a perseguição. Oferece um Volks para o Gaia que delatar Vilmar.

Serra Talhada, 22 de março.
O governo do Estado de Pernambuco contrata o campeão brasileiro de tiro-livre, capitão João Ferreira dos Anjos, para perseguir Vilmar Gaia. E a Secretaria de Segurança pernambucana substitui todos os policiais de Serra Talhada, inclusive o delegado Sebastião Nogueira. Quarenta policiais militares selecionados, com modernas metralhadoras, granadas e bombas de gás lacrimogênio auxiliam o capitão João Ferreira nas diligências.

Capitão Ferreira
Fonte: Print do Globo Repórter de 31/01/1982.

Maio de 75.
A Rede Globo de Televisão oferece $25 mil ao capitão João Ferreira para que ele garanta uma entrevista exclusiva de Vilmar no dia em que ele for preso. A família Gaia é interrogada todos os dias.

Caatinga, junho, julho, agosto.
Tem dias que o capitão João Ferreira caminha 40 quilômetros a pé na caatinga. Os Gaias estão aflitos. Toda a família. Quando ouvem um ruído de carro, eles pensam que é volante que vem chegando. Mec Gaia, uma criança, quase um bebê, nunca mais voltou de uma fuga. A polícia acha que ele está no esconderijo de Vilmar.

A única pista da polícia é o cocô de Mec. Um cocô enroscado, fino, menor que o de um gato. É o que resta na caatinga de uma criança de dois anos, de um foragido da volante. Os cães, um rastejador profissional e 30 homens armados perseguem Mec.

Sem camisa, o calção puído na bundinha, o fugitivo chupa bico e carrega no pescoço, preso a um cordão, um presente do tio Vilmar: o cartucho 44 do tiro de vingança. Talvez ele esteja morrendo. A merdinha do Mec diminui a cada dia. Mas a família Gaia crê na sobrevivência do menino, crê na proteção da caatinga aos perseguidos, crê no sol como um alimento a Mec. Eles crêem que um dia Mec voltará transformado em mais um Gaia vingador.

De 17 a 20 de agosto de 76.
O capitão João Ferreira não dorme há três dias e avança o sertão do Ceará em direção à fronteira da Paraíba. Às 4 horas da madrugada do dia 22 chega ao vilarejo de Ipaumirim e dá ordens para 30 soldados fazerem o cerco na casa da Fazenda Quitéria.

Duas portas e oito janelas na mira de três metralhadoras, dez mosquetões, bombas de gás lacrimogênio, uma pistola e um rifle. Na casa tudo quieto – apenas Vilmar Gaia, que dormia nu em uma rede, se movimenta para pegar o revólver Taurus 38. A polícia nunca esteve tão perto depois que ele fugiu de Serra Talhada.

Os soldados estão prontos para matar, o capitão João Ferreira está deitado no chão com a arma carregada de balas alemãs. A porta se abre, peito nu, cabeça baixa para a braguilha que tenta abotoar. Depois Vilmar levanta a cabeça, ergue os braços e caminha em direção ao capitão João Ferreira dos Anjos.

Vilmar Gaia chega preso ao xadrez de Serra Talhada.

Os homens esqueceram a justiça. A justiça de Deus é com ele. Minha justiça eu já fiz. Agora o capitão João Ferreira que faça a dele.


Capitão Ferreira, em destaque, e sua tropa.
Fonte: Print do Globo Repórter de 31/01/1982.

Dia 20 de agosto. David Jurubeba, maior inimigo dos Gaias, abandona Serra Talhada. Carrega uma maleta de mão, cartucheira, um rifle nas costas, volta às terras de Nazaré e fala decepcionado:
“Eu não sei viver sem um grande duelo. Desde Lampião espero por um bandido perigoso que me desafie. Vilmar era a minha grande esperança, eu queria matar esse menino, queria matar todos os Gaias em um grande incêndio. A prisão de Vilmar não teve graça. Por isso continuarei na perseguição aos pistoleiros. Ainda espero pelo grande duelo, tenho paciência. Enquanto esse dia não chegar perseguirei até mulher barriguda do sertão. Alguma coisa me diz que a cada segundo pode nascer um homem perigoso, um novo Lampião. A polícia de Pernambuco que se cuide”.
No dia da prisão de Vilmar Gaia, as rádios de Serra Talhada transmitem a notícia de dez em dez minutos. E tocam a música Cabra macho do Rocha, inspirada no pistoleiro. O comércio fecha, estão suspensos os expedientes dos bancos e repartições públicas. Uma multidão empurra os soldados na porta de entrada da delegacia para ver Vilmar.

Às 9 horas do dia, o capitão João Ferreira comunica a prisão de Vilmar ao secretário de segurança, Rui Aires Lobo, que dá ordens para uma escolta levá-lo ao Dops de Recife. Nessa hora as crianças brincam de Vilmar Gaia pelas ruas de Serra Talhada.

Um menino que nem forças tem para manter a arma erguida também brinca na janela do colégio. A arma está engatilhada. Ele faz a pontaria enquanto a professora escreve no quadro negro. Quando a professora vira de frente o menino recua e se agacha. Espera alguns minutos e quando aperta o gatilho o tiro é certeiro e acerta de verdade no alvo: a nuca de um coleguinha. Ninguém soube dizer os motivos do crime. O menino fugiu. O povo conta que o menino era Mec Gaia porque a arma do crime foi descoberta.

Era um rifle calibre 44.

Pesquei no site da Versus

Adendo Lampião Aceso
As fotos foram inseridas por nós para ilustrar a matéria. Pesquisando um tiquim a mais sobre o fato descobrimos que Vilmar foi transferido para Caruaru, PE e liberado em março de 1977. Encontramos no Blog do Alvinho Patriota um comentário do leitor e possível parente, Paulo Gaia, afirmando que Vilmar Gaia, vitima de depressão, tirou a própria vida em 3 de novembro de 2011 em algum lugar no estado de São Paulo onde provavelmente residiu os últimos anos. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Novo livro na praça

"Lampião - Texto, Tela e Palco" é a contribuição de Luiz Zanotti

Por Coroné Severo

O tempo parece correr solto, como nunca antes em nosso sertão... Alias não só em nosso sertão querido do nordeste, mas também pelos lados do sul, bem lá pelas bandas de baixo de nosso Brasil, mais precisamente do Paraná de nosso estimado e querido Zanotti... E nunca dantes na história deste país houve uma integração cultural tão grande como em tempos de agora. Esse imenso Brasil, de muitas culturas e tradições; continental como poucos, se debruça sobre si mesmo e consolida os laços que nos unem a todos. Coube-me fazer a apresentação da presente obra deste mesmo Zanotti, querido e estimado amigo, quero dizer: Luiz Roberto Zanotti.


A vida nos resguarda inúmeras surpresas; receber em nosso pedaço de chão, no Cariri do Ceará, terra de Padre Cícero; um paranaense da gema que se dizia apaixonado pelas coisas de nosso sertão, até parecia um pouco estranho, entretanto esse tal de Zanotti foi chegando de mansinho, bem devagar e de repente tomou conta não só da situação, mas e principalmente do coração de todos que fazem a família Cariri Cangaço; evento de cunho histórico-científico, turístico e cultural, que reúne as mais destacadas personalidades da pesquisa e estudo do fenômeno Cangaço Nordestino; em sua terceira edição. Foram seis dias que consolidaram a admiração e respeito por esse cidadão paranaense, nordestino, brasileiro do mundo.

Em nossas andanças pelo sertão tórrido, pelas veredas das caatingas de nosso Ceará, percebeu-se rapidamente a grande afinidade de Zanotti com a grande e maravilhosa Mata Branca; habitat natural de seu objeto de estudo: Cangaço. O sorriso aberto e sincero mostrava-nos um homem  reencontrando alguns caminhos perdidos, mostrava um brasileiro disposto a conhecer mais de perto uma saga que marcou gerações e pontuou em nossa história como marco de toda uma geração de homens e mulheres que habitaram essas terras muitas vezes esquecidas e por algum tempo; longo tempo, quase vinte anos; comandada por Virgulino, o "Cego véi" que se tornou Capitão, o Capitão Lampião, Rei do Cangaço.

Não seria necessário dizer da natureza do cangaço e o que ele representou para as sociedades rurais de nosso nordeste, sobretudo nos idos entre 1915 a 1940, é por demais conhecido por todos que estudam os fenômenos sociais e suas repercussões, talvez também não fosse necessário dizer da grande influência que o fenômeno acabou legando as mais variadas manifestações culturais de nossa terra e gente: Na comida, na medicina, na estética, nas artes em geral; pintura, artesanato, música, dança, teatro... E foi a partir de um espetacular trabalho de um talentoso cearense; Marcos Barbosa e o seu Auto de Angicos, que retrata através da dramaturgia os momentos imediatamente anteriores ao horror vivido pelo casal mais famoso do cangaço, Lampião e Maria Bonita, antes da morte na Grota do Angico em Sergipe; que um surpreendente Zanotti desenvolveu sua obra em Lampião - Texto, Tela e Palco.


Isento dos padrões muitas vezes habituais da abordagem do rei de todos os cangaceiros: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, que navegam entre o estereótipo de herói ou bandido, o trabalho zeloso de Zanotti nos remete a um olhar transversal, versando sobre aspectos muitas vezes deixados de lado por trabalhos que buscam tratar da mesma temática. A peça nos transporta às mais variadas e pertinentes reflexões sobre o comportamento humano, a partir da ênfase de seu personagem principal, Capitão Lampião; dessa forma só me resta dizer o quanto foi importante para nós do Cariri Cangaço, da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, contribuir, mesmo que de forma humilde com esse capítulo ímpar da dramaturgia brasileira. Parabéns Zanotti e parabéns aos leitores e espectadores....bom espetáculo.

Manoel Severo
Cariri Cangaço

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Serviço

Lampião - Texto, Tela e Palco. 307 páginas. Custa R$ 50,00 (Cinquenta reais) com frete incluso. "A venda é exclusiva" envie seu pedido via email para Professor Pereira: franpelima@bol.com.br ou se preferir ligue (83) 9911 8286.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Homenagem

Aderbal no rastro do "cangaceiro Velho"

Amigos.

Ao longo do tempo conheci várias pessoas nessa andança em busca das histórias do cangaço.  Através de Paulo Gastão cheguei à figura de Alcino Alves, em 1997.

Unanimidade não existe, mas Alcino se aproxima dela. Pessoa que cativa a todos que tiveram e tem o prazer de conhecê-lo.

Nesse último 28 de julho de 2012 estivemos mais uma vez na grota de Angico para prestar homenagem às 12 pessoas que lá tombaram em combate. Nessa mesma ocasião fizemos uma visita a Alcino, que encontra-se adoentado, para prestar-lhe uma justa homenagem a tão brilhante serviço em prol da historiografia do seu sertão natal e, em especial, à história do cangaço.

Esse modesto clip é o reconhecimento a essa pessoa que muito me orgulho de chamar de AMIGO.



Trechos da 15ª Missa do Cangaço e lançamento de "Maria do Sertão" um romance do decano de Poço Redondo.

Alem de Familiares, amigos e parentes o evento contou com as ilustres presença dos pesquisadores: Juliana Schiara e Tomaz Cysne (representando o GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará que juntamente com Aderbal Nogueira conferiram a Alcino um título de sócio honorário da entidade); Do pesquisador e editor professor Pereira e esposa; Pesquisadora Dra Francisquinha (neta do cangaceiro Sabino Gore); Neli (filha do casal de cangaceiros Moreno e Durvinha); Secretário de Turismo da cidade de Piranhas, AL e pesquisador Jairo Luiz; Professor e pesquisador Wilson Seraine; pesquisador e e escritor Antonio Vilela; Jornalista e pesquisador Felipe Caixeta; Professora e pesquisadora Ana Lúcia "Aninha "do Ò" entre outros.


Att Aderbal Nogueira
Documentarista
Fortaleza, Ceará

Fim de carreira

Cangaceiros aprisionados



Alguns cangaceiros, ainda no auge do Cangaço, escaparam da quase certa morte nas mãos de policiais, jagunços e mesmo de populares. 

Acima, fotografia obtida na Casa de Correção, em Salvador, Bahia, em 1933.

São três cangaceiros aprisionados: Bananeira, Alecrim e Relâmpago.

Coisa de Rubens Antonio e seu Cangaço na Bahia

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Em tempos de fuga

A Família de Lampião em Juazeiro
Por Leandro Fernandes

Muita gente não sabe, mas a família de Lampião viveu em Juazeiro do período de 1923 a 1927, com a permissão do Padre Cícero. Na segunda década do século passado, por duas vezes, a família Ferreira teve que se mudar em razão dos entreveros com o vizinho José Alves de Barros, o Zé de Saturnino.

Na primeira vez, obedecendo a um pacto de acomodação arbitrado pelo Coronel Cornélio Soares de Vila Bela, mudaram-se para a Vila de Nazaré do Pico, PE. Na segunda vez, demandaram à cidade alagoana de Mata Grande, ocasião em que morreram os genitores de Lampião, José Ferreira (vítima da volante de José Lucena Maranhão) e Dona Maria (vítima de um ataque cardíaco).

Em 1922, o jovem cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, já definitivamente com o pé fincado no cangaço, assume a chefia do bando do célebre Sinhô Pereira, que deixava o Nordeste em fuga para Goiás. A família Ferreira, sem possibilidade de retornar para Vila Bela, procura abrigo em Juazeiro do Norte. Com a morte dos pais, João Ferreira (o único dos irmãos que não entrou para o cangaço), assume a chefia da família. Após conversa com o Padre Cícero, recebe permissão para se estabelecer em Juazeiro com as irmãs, cunhados, primos (os Paulo) e sobrinhos.


Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família. Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Ponto Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro.

Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, nas várias ocasiões em que a entrevistei, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro.  Dona Mocinha, hoje com 96 anos, única remanescente viva dos irmãos e irmãs de Lampião, mora em São Paulo e foi diversas vezes entrevistada por mim.

Contou-me que aprendeu a dançar com Virgulino tocando “harmônica” no terreiro da fazenda “Passagem das Pedras”, em Vila Bela, e que o irmão vivia na casa da avó, Dona Jacosa Lopes. Refere-se aos irmãos sempre com muito carinho, dizendo que o mais fechado era Antônio e o mais brincalhão era Levino Ferreira. E, em todas as vezes que conversamos, sempre externou a excelente acolhida que a família teve em Juazeiro, e gratidão de todos ao Padre Cícero. Tanto é que seu primogênito é afilhado do Padre Cícero. Rememora com muita satisfação dos familiares de João Mendes de Oliveira, de quem se tornaram amigos. Dona Mocinha casou em Juazeiro com Pedro Queiroz e só deixou a Meca nordestina quando a polícia pernambucana intimou seu marido em Vila Bela, e o prendeu arbitrariamente. Então, Dona Mocinha (e parte da família), teve que deixar Juazeiro em 1927 para residir em Serra Talhada.

O autor na ocasião de uma visita a saudosa Dona Mocinha
Para finalizar, deixo minhas homenagens à Dona Mocinha, hoje falecida, mas mesmo centenária foi um repositório vivo da história recente do Brasil e de Juazeiro do Norte, uma vez que foi espectadora de camarote de um dos períodos mais interessantes e polêmicos da nossa história recente, além de ser testemunha inconteste do desprendimento e da bondade incondicionais do Padre Cícero Romão Batista.



Leandro Cardoso Fernandes é médico cardiologista, cordelista, escritor, residente em Teresina, PI.

Pescado em História de Juazeiro

sábado, 4 de agosto de 2012

Carta de repúdio

Um olhar mais apurado
Por: Paulo Britto


Tenente João Bezerra
Acervo da família

O que dizer? Será a irreverência dos tempos atuais? Será a liberalidade desmedida e irresponsável, respaldada na impunidade? E o que pensar?

Em terra de cego quem tem um olho é rei? Não, em terra de cegos fura-se o próprio olho para comungar com eles.

Os cães ladram e a caravana passa? Não, os cães ladram, atacam e mordem, e a caravana passa molestada e desmerecida. Vemo-nos agora submetidos à anticultura que confunde e desnorteia os menos informados que anseiam conhecer a verdade histórica e não têm o conhecimento necessário para excretar esses dejetos pseudo-literários.

Abre-se espaço para as improbabilidades grotescas e desmedidas. Fomenta-se a irreverência, a ficção, a criatividade irresponsável, calcada em elucubrações, e devaneios de uma verdade insípida e renitente.

Deparamo-nos com escritos como: “Lampião, o invencível. Duas Vidas, duas mortes – O outro lado da Moeda” cheio de fundamentações infundadas, chegando ao absurdo de asseverar que o Lampião, morto na Grota do Angico, era um sósia: “arranjar o dublê de Lampião – um ladrão de cavalo preso em Alagoas adequado ao papel pela cegueira do olho direito”. Enquanto Maria Bonita, sua companheira, era “representada por um jovem (um homem, portanto), cujas feições lembravam as de quem ia tomar o lugar”. A despeito de todas as identificações feitas, não se conseguira descobrir que Maria Bonita era um homem.

Um outro escrito ainda recente mexeu com o mito Lampião, causando grande rebuliço no ceio dos cangaceirólogos, coloca Virgulino Ferreira da Silva como homossexual, conivente com um romance entre a sua companheira e o seu mais fiel cangaceiro (Luiz Pedro do Retiro) de inúmeros combates. A verdade é que por mais que se antagonize o Rei do Cangaço, se chegar a alegações dessa natureza, choca os reais escritores e revolta os familiares.


João Bezerra, à direita, retorna à Angico 
e posa aos pés do primeiro cruzeiro.

Agora, recentemente, nos vemos diante de mais um escrito, “A OUTRA FACE DO CANGAÇO - VIDA E MORTE DE UM PRAÇA”, que ao invés de procurar ressaltar a vida militar e morte do praça, ocorrida durante o combate de Angico, muda o foco, e de forma primária se expõe ao lançar calúnias e controverter os fatos, seguindo a linha dos antecessores citados. Embora trafegando, com as suas pesquisas recentes, nos mesmos caminhos que tantos já percorreram – distando mais de 70 (setenta) anos do ocorrido – esse autor descobriu fatos que pesquisadores que buscaram informações no momento próximo ao ocorrido e ao longo desses anos todos não descobriram.

O pesquisador, data vênia os demais pesquisadores, em entrevistas inéditas com participantes do combate, que nas suas existências longevas, não se cansaram em atender o intrépido autor que, em tempestuosos pensamentos contraditórios e formulando perguntas capciosas de sua conveniência para que o entrevistado, em resposta, num gesto de olho ou canto de boca confirme fatos que os demais deixaram escapar.

No escrito, (I) o comandante da volante (João Bezerra) mata o seu desafeto (o Soldado Adrião) de outra volante, que com ele disputava o amor de uma prostituta; (II) se vê obrigado a matar seu companheiro (Lampião) de noitadas de carteado; e (III) que 02 dias anteriores ao combate de Angico, com este estava carteando na fazenda do seu sogro (Francisco Corrêa). Por aí segue na mácula, no total desvario e com o pleno desconhecimento das personalidades de Francisco Corrêa de Britto e do próprio João Bezerra.

A censura é incabível, antipática e reprovável, mas a liberalidade desmedida e caluniadora desvirtua os valores morais. O que teremos para oferecer aos nossos descendentes e almejar para o futuro? Em sua folha de serviços prestados à corporação, segue abaixo um resumo da vida do Coronel João Bezerra da Silva, comandante das volantes por hierarquia e por se fazer líder irretocável dos que ali estavam tomando parte no combate de 28 de julho de 1938, em Angico/SE:
No combate de Angico, como Primeiro Tenente, já havia; participado de 03 (três) expedições de guerra fora do Estado de Alagoas, nas revoluções de 1925, 1930 e 1932; nomeado 09 (nove) vezes delegado; recebido 09 (nove) elogios e louvores em boletins da corporação; exercido o cargo de Prefeito Interventor na Cidade de Piranhas/AL; cumprido várias missões especiais; e travado vários combates com cangaceiros, inclusive Lampião.

Ao longo dos seus 35 (trinta e cinco) anos de carreira militar, consta nos seus apontamentos:
12 (doze) nomeações como delegado; 02 (duas) vezes como subdelegado;  02 (duas) vezes subcomandante da corporação;  12 (doze) vezes comandante de unidades da corporação; 17 (dezessete) vezes citados em elogios e louvores em boletins;  03 (três) expedições de guerra da história do Brasil; e 11 (onze) combates com grupos de cangaceiros liderados por Luiz Pedro do Retiro, Corisco, Gato, Zé Baiano, Português, Manoel Moreno, Moita Brava e o próprio Lampião.
Homem que dentro dos padrões éticos de liberdade, igualdade e fraternidade, alcançou o grau 18 do filosofismo, dentro daquela que é conhecida como a consciência oculta da humanidade, a maçonaria. Para esse homem não pedimos acalentos e salamaleques, mas se não temos afinidade com o que é justo e correto, e não tivermos provas irrefutáveis, pela total falta de veracidade das informações, não conturbemos o trabalho daqueles que empenharam anos de estudos num esforço sobre-humano para preservar a história como ela realmente se desenvolveu.

E agora? Diante da perplexidade... Qual é a regra dos tempos atuais? A regra é não ter regra? Como sempre, me coloco à disposição e um forte abraço a todos os amigos desse conceituado blog.

Paulo Britto .'.
Filho do Tenente João Bezerra
Recife-PE

Andanças do "Cangaceiro romântico"

Jesuíno Brilhante na Serra do Martins
Por Epitácio Andrade                                     

A cidade de Martins está localizada no alto da serra do mesmo nome, com 745 metros de altitude, no sertão do médio-oeste do Rio Grande do Norte, distante 377 km da capital. Constitui-se num dos principais sítios de Memória do cangaço de Jesuíno Brilhante (1844-79) e compõe o circuito turístico, denominado "serras potiguares".

Serra do Patu vista de Martins
                            
Do alto da Serra do Martins se pode avistar a Serra do Patu, terra natal do cangaceiro Jesuíno Brilhante, que no ano de 1876, invadiu a cidade, num episódio que ficou conhecido como "O Fogo de Imperatriz", que também imortalizou a música "Corujinha".

"Corujinha"


Corujinha, que anda na rua,
Não anda de dia,
Só anda de noite
Às Ave Maria.

Isso é bom, corujinha
Isso é bom...


Banana madura
Comida no cacho,
Isso é bom, corujinha,
Banana madura
Comida no cacho.

Isso é bom, corujinha
Isso é bom...

Corujinha, que vida é tua
Bebendo cachaça
Caindo na rua
Isso é bom, corujinha
Isso é bom...
 

Cancioneta de domínio popular, cantarolada pelo bando de Jesuíno Brilhante.
                       
Com o intuito de raptar e assassinar seu arquiinimigo, Amaro Limão, que estava preso na cadeia pública de "Imperatriz" (hoje Martins) e resgatar uma moça "depositada" na casa do cidadão Porfírio Leite, Jesuíno e seu bando invadiram a cidade e foram cercados pela polícia, conseguindo escapar após arrombar as paredes de uma casa a outra e cantarolar a música "Corujinha" para despistar a volante. Este episódio ficou registrado na literatura do cangaço e num processo judicial da comarca como "O Fogo de Imperatriz".

Museu de Martins (1871)
                                          
Instalado numa construção arquitetônica datada de 1871, o museu da cidade de Martins é testemunha de parte da história que se remonta ao período do cangaço de Jesuíno Brilhante.

Banner do centenário de Raimundo Nonato
                                     
O principal biógrafo do cangaceiro Jesuíno Brilhante é natural da cidade de Martins. O escritor Raimundo Nonato, autor de "Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico", editado pela Pongetti, do Rio de Janeiro/RJ, em 1970, nascido em 1907 e falecido em 1993, teve seu centenário comemorado, festivamente, na cidade no ano de 2007.

 A biblioteca do Hotel Serrano alberga considerável acervo, onde se pode encontrar obras da coleção "Mossoroense" e a maior parte das obras do professor Raimundo Nonato. "Uma Nota sobre o Quebra-quilos da Parahyba do Norte", do tribuno Almino Álvares Afonso, está entre as publicações encontradas neste espaço cultural.

 Raro livro de Almino Afonso
  
"Uma Nota sobre o Quebra-quilos da Paraíba do Norte", do jurista Almino Afonso, foi publicada originalmente em 1875 e reeditada em 2002. Almino Álvares Afonso foi um dos intelectuais que atuaram na linha de frente ao enfrentamento do cangaço de Jesuíno Brilhante, e nesta obra se reporta a aliança do coronel João Dantas com o cangaceiro Jesuíno Brilhante para resgatar seu irmão Lucas num episódio que ficou conhecido como "saque a cadeia pública de Pombal/PB", em 1874.

Igreja Matriz e Praça Almino Afonso

A bela praça ao lado da igreja matriz da "Campos do Jordão do Rio Grande do Norte" homenageia o tribuno abolicionista Almino Afonso, que segundo o escritor Cleilson Carlos, baseado em entrevistas com descendentes, sua migração do sertão pode estar relacionada a desdobramentos do fenômeno social do cangaço de Jesuíno Brilhante.

 Escritores Cleilson Carlos Epitácio Andrade
                         
Em "A Saga dos Limões - Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante", informa-se que o coronel João Dantas de Oliveira tornou desafeto de Jesuíno Brilhante depois da recusa da empreita para o assassinato do jornalista Juvêncio Vulpis alba, denunciante em artigo publicado no Jornal de Pernambuco, da trama que culminou com o saque a cadeia pública de Pombal.

Serra dos 3 cabeços vista de Martins
                       
Do alto da Serra do Martins se avista a Serra dos Três Cabeços, localizada no município de Almino Afonso, que também homenageia o político abolicionista e articulista de enfrentamentos ao cangaço de Jesuíno Brilhante. Na sua "Nota sobre o Quebra-quilos", Almino Afonso apresenta o coronel João Dantas como um dos protagonistas da revolta no sertão. Esclarecida a sua participação no saque a cadeia de Pombal, o coronel João Dantas migrou para Patu, onde se aliou ao clã dos "Limões" para o conflito com os "Brilhantes" e para espalhar a Insurreição dos Quebra-quilos pelo oeste potiguar a partir de Patu, chegando a Barriguda (Hoje Alexandria), Vitória (Atual Marcelino Vieira, onde também se deu o início da resistência a Lampião nas terras potiguares, em 1927), Luiz Gomes (lugar onde permaneceu a maior parte dos remanescentes da família Limão) e Apodi (Mais antiga localidade do sertão potiguar, a "Aldeia de São João do Apodi dos Tapuias Paiacus").

No dia 20 de julho de 1736, Aleixo Teixeira, capitão-mor da Aldeia de São João do Apodi dos Tapuias Paiacus, recebeu a carta de data da sesmaria de terras no alto da serra conhecida como Serra do Campo Grande, posteriormente conhecida como Serra da Conceição. Esta passagem que antecedeu o cangaço de Jesuíno Brilhante em mais de 150 anos, ficou seguida da chamada "Guerra dos Bárbaros", que dizimou a nação indígena tapuia, deixando entre seus remanescentes a família Limão, que veio a ser a principal algoz do cangaceiro potiguar.

Artista Raimundo Damasceno em sua residência
                                                                 
Reportando-se a relatos da história oral da Serra do Martins, o artista plástico e defensor do patrimônio cultural martinense Raimundo Damasceno, mais conhecido como Raimundo de Ozório, conta a história de cinco irmãos que ficaram escondidos na serra, fugindo do recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai, e reapareceram, provavelmente, no ano de 1873, três anos após o término da guerra, para erguerem o marco religioso denominado de "Nicho", que veio a ser a primeira igreja de Martins, sendo a padroeira Nossa Senhora do Livramento.

"Nicho", igrejinha de N. S. Livramento 
(1873)

Em Imperatriz (Hoje Martins), o Professor Francisco Alves de Oliveira Maia compôs uma relação de ricos senhores da província que fizeram doações para o recrutamento, concedendo 4% de seu ordenado e gratificação, e também passou a organizar a campanha de arrecadação de donativos para as tropas recrutadas.

Ilustração de Jesuíno Brilhante em HQ, de A. Sales e E. Amaral
                                                           
Entre os recrutadores da região de Imperatriz, estava um primo de Jesuíno Brilhante, o Alferes Francisco Alves Brasil, "Capitão Rola", que recebeu a incumbência de recrutar os negros Limões, assim chamados como forma de se legitimar a captura naqueles tempos escravagistas. O caboclo Chico Limão resistiu ao recrutamento forçado e alvejou com uma descarga de bacamarte o alferes, que veio a falecer e fez Jesuíno jurar vingança, dando início ao conflito cangaceiro entre os Brilhantes e os Limões.

Fazenda Bela Flor. 
Pescada In: Blog do Pôla Pinto
                                       
Em 1884, quatro anos após a morte de Jesuíno Brilhante, a família Alves Brasil vendeu a Fazenda Bela Flor, na zona rural do município de Olho D'água do Borges, ao também capitão da Guarda Nacional Justino Leite da Costa, migrando para o norte do país para se inserir no ciclo da borracha.

Museu Júnior Marcelino
                                                  
Uma prova material do legado do cangaço de Jesuíno Brilhante na Serra do Martins pode ser encontrada na coleção de punhais do Museu do auto-didata Júnior Marcelino.

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