segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Já era tempo

Nazaré terá memorial e novo monumento à filho mais ilustre

A caminho de Crato - CE passamos em Serra Talhada –PE. E não podíamos ter deixado de dar um abraço em nosso confrade Netinho que foi ao nosso encontro. Além de botarmos outros assuntos em dia e parabeniza-lo pelo futuro herdeiro que está sendo gerado quis logo saber notícias da querida Nazaré do Pico terra dos bravos nazarenos.

E não podia ser melhor, eis ai o convite que recebi e transmito aos nossos leitores:

Fernando Ferraz, Euclides Ferraz Neto, e Nancy Ferraz (netos de Euclides Flor), Hildebrando Ferraz Neto (Sobrinho de Euclides Flor), Zinho, Mabel e Maelbe Nogueira (netos de Luís Flor), Cristina, Lucinha e Rubelvam (filhos do Ten. João Gomes de Lira), Zezinho Nogueira (sobrinho de Manoel Neto), George Ferraz (neto de Manoel Flor), Elbiane (neta de João Gomes), Janeide (neta de Elói Jurubeba) e demais moradores da Vila de Nazaré convidam aos Srs pesquisadores e demais interessados para a reunião de criação da "ASSOCIAÇÃO RAÍZES DE NAZARÉ".Que será realizada próximo dia 11 de Outubro de 2009 (Domingo) apartir das 19:00hs na residência do Sr. Hildebrando Neto, praça Antonio Gomes Jurubeba. A associação tem como primeiro objetivo a implantação de um museu e uma estátua em tamanho natural para Manoel de Souza Neto.

Hora do Reclame

Tergal de cangaceiro  

Em inícios de década de 60 o Brasil conheceu as fibras sintéticas, novidade da indústria têxtil que revolucionaria o hábito de vestir. Dois produtos, em particular, ganharam notoriedade: Tergal, fibra produzida originalmente pela indústria inglesa Imperial Chemicals, mais tarde pela francesa Rhodia e Nycron produzido pela Sudamtex, fabricante de tecidos de fibra de capital americano, com sede no Rio de Janeiro. Ambas as empresas disputavam o mercado através de uma comunicação intensa.

O conceito era o mesmo: a roupa não amassa, diferencial competitivo em relação às roupas tradicionais. A fibra de Tergal optou pelo desenho animado, veiculando um dos melhores comerciais produzidos com esta técnica já realizados, na primeira década da televisão brasileira. Produção da Lynx Film. O filme foi baseado na temática do cangaço com a trilha “Mulher Rendeira”, em evidência, em diversas versões radiofônicas, desde a estréia do “O cangaceiro” o filme de Lima Barreto premiado no Festival de Cannes.

O que o comercial da Tergal tem de especial é justamente o roteiro com um desfecho inusitado, ingrediente de bom humor agregado, focado nos atributos do produto.

Assista ao vídeo:




Fonte: Nelson Cadena em Hora do Reclame, História da Comunicação, Propaganda

Festa e polêmica no sertão pernambucano!

A parada gay chega a cidade de Serra Talhada.

Quando um bando de Lampião invadia um povoado, era mais ou menos assim, não escapava ninguém, o terror. Coisa de cangaceiro cabra-macho, sim senhor. Mas agora, é canga-gay.

Estamos em Pernambuco, na Serra Talhada, que fica a 415 km de Recife. Lampião aqui é o orgulho da cidade. Até na hora de brincar de faz de conta. No museu do Cangaço, onde estão algumas relíquias da saga de Lampião, ninguém quer saber da tal canga-gay.

“Se isso fosse acontecer em Juazeiro do Norte, ia colocar o Padre Sícero vestido em uma batina cor de rosa, se isso fosse no exu, ia se colocar Luiz Gonzaga também numa roupa cor de rosa com bolinhas azuis? Eu não vou participar da festa de forma alguma, eu sou cabra-macho até a medula,” diz um homem. Nesta casa, todos evangélicos, a mesma coisa. Ninguém quer saber da tal canga-gay. Principalmente ele.

Eu sou contra essa festa, pois a palavra do senhor nos diz que o homossexualismo é pecado. Mas também nos diz que Deus ama o homossexual. Eu fui homossexual assumido, fui o primeiro homossexual em 1999 a manter um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo abertamente, mas hoje estou de posse deste milagre: sou um ex-homossexual”.

Nas ruas, ninguém acredita em ex-gay. E a Serra Talhada começa a ficar colorida. O trabalho mesmo é realizar a grande transformação de cada um dos componentes. É um brilho só. E aqui, o time que provoca o maior escândalo em Serra Talhada. Eles trocaram os cangaceiros, pelos cangas-gays. E eles, elas, devidamente montadas, arrumadíssimas, prontas para a estreia do Carna-gay, na terra do cangaço.

O clima vai esquentando... “Sexo é bom e é gostoso, mas com preservativo”.

E os canga-gays, quem diria, viraram o maior sucesso na noite de Serra Talhada. Já os moradores da cidade, não aprovaram muito. Os canga-gays tomam conta da Avenida.  
Um trio elétrico na terra de Lampião. Uma festa bem colorida que colocou a cidade nas ruas. E o sertão não virou mar, nem o mar virou sertão.
Perdeu? Assista o vídeo da reportagem pelo link do Fantástico Clique aqui

A foto é do Diário de Pernambuco

Iniciativas

O CANGAÇO NAS ESCOLAS

Um dos maiores problemas pelo qual passa o aluno em sala de aula não mora só na interação das substâncias químicas, na mutabilidade dos fenômenos que compõem a natureza ou na lógica fundamentada dos números, e sim, na prática redacional. E o aluno sofre ao passar as idéias para o papel de forma clara, coesa e coerente.

É com a intenção de enfrentar esse problema que a Secretaria de Educação de Barbalha vem pregando a idéia de que a redação não é só letras no papel. É mais uma estratégia pedagógica que permite trabalhar os princípios norteadores da coerência e da flexibilidade, vencendo, portanto, a estagnação do aluno e tornando-o aprendiz de uma comunicação mais direta por acentuar o senso de integração e aumentar a condição de entendimento e avaliação dos interesses comuns à escola e ao meio.

O mais recente recurso usado pela Secretaria foi o Concurso Municipal de Redação cujos temas foram:

1º - Lampião e Padre Cícero;
2º - As Mulheres no Cangaço;
3º - A Violência no Tempo do Cangaço;
4º - Lampião no Nordeste;
5º - O Cariri no Cangaço.

Foi promovida uma grande amostra de Cinema e Vídeo para os alunos interessados, como forma de fomentar a pesquisa. Depois de realizadas as entregas das redações pelas escolas, elas foram analisadas por uma equipe do município.

Os vencedores desse Concurso, citados abaixo, receberam uma premiação dia 24/09, no Cine Teatro Municipal, como incentivo significante ao gosto pela leitura e pela escrita, promovendo, assim, as potencialidades e instalando maiores oportunidades de qualificação da educação.

Além das premiações pela Secretaria de Educação, os alunos vencedores concorreram, posteriormente, ao maior concurso de redação da nossa região, que aconteceu entre as cidades circunvizinhas, promovido pela SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço em parceria com as Secretarias de Educação e Cultura, de 22 a 27 de setembro, que, além da premiação de livros sobre o tema, terão seus trabalhos publicados no livro de acontecimentos do Seminário Cariri Cangaço.

Este significante incentivo procura promover uma maior versatilidade da redação, interagindo com outras disciplinas como geografia, história, inglês, matemática, ciência e arte, criando maiores oportunidades de inserção dos alunos nos diversos recursos pedagógicos como livros, revistas, vídeos, jornais, DVDs e internet.

1º LUGAR: Yara Joyce Alcântara de Brito - 9º ano da Escola Bom Jesus. (Foto)
2º LUGAR: Iurio Ferreira do Nascimento - 9º ano da Escola Sebastião Santiago da Paz.
3º LUGAR: Luan César Libório dos Santos - 9º ano da Escola Manoel Saraiva da Cruz.

Fonte: Prefeitura Municipal de Barbalha,CE

domingo, 4 de outubro de 2009

Inspiração

Cangaço em prosa e verso 
 A profícua relação entre o universo literário e o cangaço nordestino tem rendido grandes obras.

As mais conhecidas estão situadas entre a literatura popular e o romance. Em "O cangaço na poesia brasileira" (Escrituras, R$ 34), outra gama de autores é apresentada ao leitor: a dos poetas eruditos, igualmente influenciados pelo tema. Organizado por Carlos Newton Júnior, 35 poetas de diferentes épocas estão reunidos no mesmo volume. O lançamento será hoje, às 19h, no auditório da Livraria Cultura (Recife Antigo). Na ocasião, Newton fará uma pequena palestra sobre o assunto, em que imagens de cangaceiros serão apresentadas como fonte inspiradora de alguns dos poemas.


Nomes consagrados como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira, Maximiano Campos, Carlos Pena Filho e César Leal estão presentes, ao lado de Aleixo Leite Filho, Audálio Tavares, Bráulio Tavares, Dorian Gray Caldas, Francisco Carvalho, Homero Homem, Jáder de Carvalho, Janice Japiassu, Jayme Griz, Jorge de Lima, Luciano Maia, Luiz Carlos Monteiro, Márcio de Lima Dantas, Marcos Tavares, Marcus Accioly, Myrian Fraga, Nertan Macêdo, Newton Navarro, Paulo Bandeira da Cruz, Sânzio de Azevedo, Sérgio de Castro Pinto e Virgílio Maia. O próprio autor da pesquisa, Carlos Newton Júnior, também dá sua contribuição poética.

O livro traz o carioca Alexei Bueno, o mineiro Murilo Mendes, o gaúcho Walmir Ayala (com ilustrações do paraibano José Altino) e a paulista Maria José de Carvalho. Prova de que o cangaço quebrou barreiras e extrapolou a cultura do Nordeste.

O Cinema Novo de Glauber Rocha, profundamente marcado pelo cangaço, é matéria prima para Astier Basílio e José Nêumanne Pinto, que desenvolvem o mote a partir da figura de Antônio das Mortes, o matador de cangaceiros no filme Deus e diabo na terra do sol (1964). "A ideia de um cangaço epopéico superou o cangaço do crime. Para arte, é fonte inesgotável", diz Newton.

"Desde os 14 anos leio compulsivamente tudo sobre Lampião. Quando descobri a literatura, a junção foi natural", diz o organizador, que não se considera um especialista, mas sim, um entusiasmado pelo tema. Ao longo dos anos, frequentando livrarias e sebos, percebeu que ali havia um conjunto publicável. Para ele, a parte mais gratificante da coletânea é trazer à tona autores que estão fora dos catálogos "Muitos desses poetas não se encontram no mercado editorial, como Paulo Bandeira da Cruz, que no início dos anos 90 foi publicado pela José Olympio".

"É um livro que fazia falta", diz o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello, que assina a orelha do livro, um texto intitulado Alados e pedestres do cangaço. Especialista no assunto, ele afirma que o cangaço tem sido bastante estudado, inclusive em sua presença na literatura brasileira. "No entanto, na área erudita, ninguém tinha se ocupado disso".

O cangaço na poesia brasileira foi Lançado no último dia 26/09 no auditório da Livraria Cultura em Recife/PE (Escrituras, R$ 34,00)

Utilidade pública


O assunto é Genealogia 

Nem sempre os comentários tem devida atenção, alguns tem contéudo que precisam maior visibilidade como este que recebemos do Sr. Jackson. Agradecemos aos seguidores e leitores de Serra ou qualquer parte do país que tiverem quaisquer informação.

- Me Chamo Jackson André Pereira Gomes e sou "Tataraneto" do Coronel Manoel Pereira Lins, que foi o primeiro prefeito de Serra Talhada. Sou descendente direto do "Sinhor Pereira. que era Primo Legítimo do meu Bisavô Afonso Deodato Pereira, que era filho de Constância Eponina de Sá.  Meu email: jackson.andre@hotmail.com


Gostaria de fazer contatos com os meus familiares de Serra Talhada.


sábado, 3 de outubro de 2009

Ninguém arreda!

Resistência do povo de Alexandria ao bando de Lampião 

Por José Romero Araújo Cardoso

Em dois momentos, quando da entrada do bando de Lampião no Estado do Rio Grande do Norte, o chefe quadrilheiro fez valer sua experiência como chefe de cangaço, evitando deliberadamente confrontar-se com a resistência que foi organizada.

Foto: Acervo de Sinô Maia
A passagem dos cangaceiros em Alexandria foi desviada propositalmente, a fim de evitar conseqüências funestas, como em Belém do Rio do Peixe, no mês de maio de 1927, o que atrasou a marcha em mais de um mês. A resistência em Alexandria, organizada pela briosa e destemida família Oliveira, assim como a efetivada em Mossoró, também perfaz referência brilhante à bravura potiguar, embora não tenha havido confronto em razão de Lampião ter ponderado sobre o que o espera em Alexandria.

O segundo desvio proposital dos cangaceiros foi em Caraúbas. O “rei do cangaço” conhecia a fama de quem havia estruturado a resistência. Tratava-se tão somente do “Coronel” Quincas Saldanha, o “gato vermelho” da expressão sisuda e respeitosa proferida pelo próprio Virgulino Lampião.

Atordoados com a fama perversa de Virgulino Ferreira da Silva e seus cabras, os jagunços do “Coronel” Quincas Saldanha iniciaram forte tiroteio, a esmo, cujo erro foi notado imediatamente pelo experiente sertanejo, observando que os disparos estavam sendo feitos apenas de um lado. Quincas Saldanha ordenou cessar fogo e notou que estava certo. Lampião tinha desviado a rota para Pedra da Abelha, onde aprisionaria o “Coronel” Antônio Gurgel. A esperteza do chefe dos cangaceiros era uma das razões para o “sucesso” que obteve em vinte e dois anos de lutas no cangaço.

Em Alexandria lembraram-se de eternizar a valentia daqueles que pegaram em armas para obstacular as ações ensandecidas dos cangaceiros. Uma fotografia rara e inédita, de propriedade do senhor José do Patrocínio de Oliveira Maia, natural de Catolé do Rocha (PB), residente no presente da cidade de Mossoró (RN), é a prova iconográfica do empenho valoroso que a família Oliveira efetivou, organizando frente de combate, a qual, conforme se pode verificar no importante registro iconográfico, estava decidida e irresoluta.

A necessidade de fomentar obstáculo a Lampião se dava em virtude da forma tresloucada como o bando vinha se comportando desde quando cruzou a fronteira com a Paraíba. Em Cantinho do Feijão (PB) (hoje município de Santa Helena), o bando cometeu verdadeiros atos de vandalismo.

O senhor José do Patrocínio, conhecido por todos por Sinô Maia, guardou a relíquia com todo zelo, principalmente em virtude de que na fotografia aparece o avô do dono da iconografia rara e inédita. O combatente chamava-se José Garcia, estando assinalado na fotografia, como forma do neto demonstrar carinho ao valente sertanejo. Sinô Maia residiu muito tempo na fazenda cachoeira, em Brejo do Cruz (PB), servindo ao Dr. Fábio Mariz, na profissão de vaqueiro, durante décadas.

Sinô Maia não soube informar os nomes dos outros combatentes, nem a autoria da fotografia. Apenas guarda de recordação há muitos anos. Na fotografia, conforme pode se notar na mesma, identifica-se a bandeira do Brasil como pano de fundo, envolvendo simbolicamente o grupo da resistência de Alexandria na legalidade.

No âmbito histórico-iconográfico considero que o registro fotográfico da resistência organizada em Alexandria tem a mesma importância que as fotografias perpetuadas por Raul Fernandes em seu clássico opúsculo por título “A marcha de Lampião – assalto a Mossoró”.

Nenhum documento sobre a arrogante invasão do bando de Lampião ao território potiguar pode ser desprezada. O valor de uma fotografia rara e inédita sobre o tema, é incomensurável, visto que temos de relatar de todas as formas possíveis às gerações presentes e futuras a grandeza da bravura do povo potiguar, sobretudo Mossoroense, que resistiu galhardamente a um dos mais absurdos atos de agressão a seres humanos, a maioria indefesa, à lei e à ordem no Rio Grande do Norte.

Qualquer documentação inédita que tenha ligação com o cangaço deve ser valorizada, principalmente em razão de que a importância do fenômeno social ocorrido nas caatingas nordestinas traduz a essência da busca pela compreensão da dimensão regional de uma forma holística.

Fonte: Alma do beco

Cabras da peste

"GATO" O sanguinário cangaceiro 
Sobre o cangaceiro "Gato" cai o estigma de ser o mais perverso dos homens a pisar as fileiras do cangaceirismo.

Grupo comandado por "Gato", ele é o 5º da esquerda para a direita
Começamos pelo currículo deste famoso cabra.
Participou do massacre a Brejão da Caatinga (BA), em 04 de julho de 1929, quando quatro soldados e um cabo da polícia baiana foram mortos;
Participou do assalto a Queimadas (BA), em 22 de dezembro de 1929, quando sete praças da polícia baiana foram barbaramente assassinados;
Participou da invasão a Mirandela, distrito de Pombal, no dia 25/12/1929, onde morreram dois civis e um soldado.
Era descendente dos Índios Pankararé, que habitam o Raso da Catarina.
Breve histórico: Cangaceiros descendentes de índio

No centro do Raso da Catarina, na tribo dos Pankararé, os índios admirados diante do impacto causado pela ostensividade e profusão de cores das vestimentas dos cangaceiros e mais ainda, fascinados pela exuberância dos aparentes cordões de ouro, dos anéis e alianças, sem contar os abarrotados bornais recheados de dinheiro, além das realizações dos permanentes bailes e tanto ainda pela liberdade do livre transitar, sem serem presos ás duras rotinas diárias, cederam aos encantos da nova vida e vergaram sobre seus corpos as vestimentas inconfundíveis, trazidas por Lampião.


Pankararés em festa.  
Foto de Alcivandes Santos Santana 

A esse mundo diferenciado, índios Pankararé entregaram-se em boa quantidade á vida do cangaço. Os mais famosos a participarem do cangaço foram: Gato, Inacinha, Antônia, Mourão, Mormaço, Catarina, Açúcar, Balão, Ana, Julinha, Lica e Joana.

Não se tem, na história do cangaço, outro homem que tenha sido tão sanguinário, cruel e frio, como foi esse cangaceiro. Além de Gato, duas irmãs dele seguiram os subgrupos do cangaço: Julinha, amante de Mané Revoltoso e Rosalina Maria da Conceição, que acompanhou Francisco do Nascimento, o cangaceiro "Mourão".

Não podemos perder de vista, a forma como cada cultura pensa e elabora determinados fatos históricos. Assim, a percepção que os indígenas têm da participação dos seus "parentes", no cangaço, em muito, difere-se das dos não-indígenas. Hoje, o cangaceiro “Gato” aparece nos relatos dos Pankararé do Raso da Catarina, como uma força espiritual, por eles chamados de “santo do Gato", com um lugar específico assegurado á sua memória.

Mourão além de ser cunhado, era também primo de Gato e acabou sendo morto por ele, depois que Mourão e Mormaço acabaram uma festa acontecida no Brejo do Burgo, onde deram alguns tiros, colocando a população em pavorosa fuga, sendo Gato cobrado por Lampião, para que desse conta da arruaça realizada pelos membros de sua família, resultando que a festa havia sido na casa de um dos fiéis coiteiros do cangaço.

Gato perseguiu os dois cangaceiros indo encontrá-los pegando água em um barreiro, localizado em um coito no Raso da Catarina. Gato fuzilou os dois sentenciados de morte.

Gato, por pouco, não matou a própria mãe por ela ter feito comentários sobre as constantes aparições dos cangaceiros nas proximidades de sua casa. O cangaceiro dirigiu-se até a casa da mãe, com a finalidade de cortar a sua língua, sendo dissuadido por alguns familiares do macabro intento, sem deixar de mostrar prá mãe dois facões que portava na cintura, dizendo:
"Este é o cala a boca corno, e este é o bateu cagô”
Sob o estigma da ferocidade de Gato recai, ainda, a morte de seis membros de sua família, em represália a um sumiço de bodes e cabras que estavam acontecendo e sendo creditado a Lampião.

Outra vez, Lampião entregou o caso a Gato, e ele perseguiu os envolvidos, indo encontrar em uma casa de farinha, Calixto Rufino Barbosa e Brás, ceifando friamente a vida dos dois e seguindo até a casa de Valério, na Fazenda Cerquinha, onde assassinou Luiz Major, seus filhos Silvino e Antônio e o sobrinho Inocêncio. Um duro castigo como pagamento de uma dívida sem provas.

Da chacina, saiu ferida uma criança que conseguiu fugir por intermédio de uma prima de Gato. O jovem faleceu recentemente e trazia na face a marca de um corte feito pela lâmina afiada do punhal do cangaceiro.

Gato foi casado com Antônia Pereira da Silva (ainda viva, com mais de 100 anos de idade). O casamento aconteceu nas Caraíbas, fazenda de Dona Sinhá, no Brejo do Burgo. Tempos depois, o cangaceiro carregou a índia Inacinha, prima de Antônia.

A cangaceira Antonia não aceitou os argumentos do marido quando ele propôs ficar com as duas e por ele foi espancada. Antônia fez queixa a Lampião, prometendo ele que iria resolver o problema, porém ela não esperou a resposta e, durante a noite, aproveitando a escuridão e sonolência dos amigos, deixou o coito onde estavam arranchados e fugiu, indo para a proteção de um tio, capitão reformado da polícia, que residia na margem do Rio São Francisco, pelo lado baiano, e com ele permaneceu até o término do cangaço.

A ex cangaceira Antonia
Gato encontrou a morte quando invadiu a cidade de Piranhas/AL, quando tentava resgatar sua companheira Inacinha, baleada e presa, pela volante do Ten. João Bezerra. Gato saiu baleado desse tiroteio, e foi morrer dois ou três dias depois, sem ter a chance de ver o seu filho que Inacinha carregava no ventre, ao ser presa.

Inacinha e Gato
Inacinha, apesar do tiro que sofreu, conseguiu dar á luz seu filho e tempos depois retornou para Brejo do Burgo, onde se casou com Estevão Rufino Barbosa. A ex-cangaceira morreu em 1957, de câncer, depois de ter lutado contra a doença, sem ver resultados, fugiu do hospital e mandou um mensageiro ir avisar ao marido que queria morrer em casa. Estevão selou uma junta de burros e foi atender ao último pedido da companheira. Em casa, Inacinha sofreu por alguns dias até descansar, deixando a eterna lembrança, no coração do homem que por ela ainda verte suas lágrimas. Estevão, ainda vive no Brejo do Burgo

FONTE: - João de Sousa Lima co-autor do livro "AS CAATINGAS" organizado por Juracy Marques.

Abraços
Ivanildo Silveira

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cangaço de Barro "4





Estas esculturas são produzidas pela associação dos artesãos de Juazeiro do Norte-CE, ponto de cultura Mestre Noza. Mais uma recordação do Cariri cangaço 2009.

Técnicas da vida bandoleira

Escondendo os rastros

Em matéria de táticas de guerrilhas e despistamento da polícia, Lampião foi considerado um bandido, com inteligência, acima da média, segundo comentam a maioria dos pesquisadores, estudiosos do tema Cangaço.

Com a intenção de dificultar o trabalho dos rastejadores das volantes, os cangaceiros empregavam variadas técnicas de escondendo ou confundindo os perseguidores. Vejamos algumas delas:

1) - Andar com alpercatas "peludas" ou forradas com estopa, para não deixar rastros;

2) - Inverter a posição do salto das alpercatas, colocando-o na parte do bico, para esconder a direção tomada pelo bando;

3) - Pisar nos mesmos locais dos que lhes precediam no caminho do bando, fazendo parecer o andar de um só homem;

4)- Apagar rastros com galhos folhudos, amarrando aos rabos dos animais de coice;

5)- Varrer o chão com vassoura de galhos folhudos, trabalho feito por cangaceiros caminhando atrás do bando;

6)- Andar de costas na saída das " bebidas", em terra molhada;

7)- Marginar caminhos, andando no chão duro ou sobre pedras;

8)- Andar por cima de cercas de pedras, bem como, pisando em lajedos;

9) - Utilizar a técnica do "pulo", com os cangaceiros pulando fora da fila, restando apenas um no caminho, que ia apagando os rastros;

10)- "Braiar rastro", ou seja, embaralhar os rastros, para deixar várias e diferentes pistas de caminhada;

11)- Percorrer trechos de riachos, dentro da água corrente;

Quando os cangaceiros encontravam água potável, depois de encherem as vasilhas, colocavam-se em posição especial na terra molhada para dissimular os rastros ao se retirarem de costas até a estrada ou vereda viajando assim, por mais de um quilômetro {BEZERRA, (1940) 1983: 225}

Colaboração: Ivanildo Silveira

Teatro de Bonecos

De articulador à articulado
por Alexandre Santos

Quem já conhece o maravilhoso teatro feito pela Cia. PeQuod, do diretor Miguel Vellinho, já sabe o que esperar de sua nova montagem, A chegada de Lampião no inferno: muita criatividade, soluções cênicas inventivas, visual inesquecível, referências culturais diversas, bonecos e elementos de cena que dão vontade de levar para casa e uma encenação com a consistência de quem pesquisa e experimenta bastante antes de oferecer o resultado final ao público.

Tem sido sempre assim: os bonecos usados em cena são lindos; a cenografia de Carlos Alberto Nunes é marcante e cheia de surpresas, indispensável para a história; a luz de Renato Machado é complexa, dramática, refinada e digna de prêmios; e o diretor Miguel Vellinho se mostra um verdadeiro maestro na arte de reger e dar unidade à enorme quantidade de elementos em jogo. É um tipo positivo de mesmice, digamos assim.

Na primeira parte de A chegada de Lampião no inferno, é contada a trajetória do famoso cangaceiro, de forma bastante breve, mas inventiva, com o teatro de animação dialogando o tempo todo com o ofício dos artesãos nordestinos que eternizam a imagem de Lampião em pequenas esculturas de argila pintadas em cores chamativas. Na verdade, o verdadeiro homenageado da peça não é Virgulino Ferreira, mas Mestre Vitalino, ceramista pernambucano cuja obra é um grande tesouro brasileiro.

Para contar essa história, a Cia. PeQuod se utiliza de toda uma nova leva de encantadores truques cênicos – uma de suas marcas registradas – e também da soberba voz do ator Othon Bastos, que gravou narrações e poemas especialmente para a peça. A narrativa ganha tom mais documental quando se ouve o depoimento histórico de uma sobrevivente do massacre ao bando de Lampião, momento de realidade que só faz abrilhantar o espetáculo.

A segunda parte da peça é a propriamente dita chegada de Lampião ao inferno, fantasia inspirada nos tantos cordéis que abordam esse tema. Curiosamente, é nesse ponto, quando a história ganha ares de fábula, que os bonecos cedem espaço aos atores. Aqui, o elenco fica em foco e mostra de forma mais clara que são atores de verdade, não apenas manipuladores e contrarregras, como pode parecer aos olhos menos atentos.

A trilha sonora, feita por André Abujamra especialmente para A chegada de Lampião no inferno, é ótima, com personalidade, forte, de sonoridade moderna, ainda que tenha as tradições nordestinas em seu DNA. Talvez a música mais marcante seja a que invoca o zumbido de moscas e gritos, para pontuar a cena que mostra um menino encontrando os cadáveres de sua família. Em paralelo, há a direção musical de Thiago Picchi, muito hábil em transformar o trabalho dos artesãos pernambucanos em música, tendo apenas os elementos de cena como instrumentos, à exceção de um acordeon e de uma flauta – tocada por ele mesmo enquanto ator.

Como em todas as peças da Cia. PeQuod, o público sai de A chegada de Lampião no inferno com várias imagens na cabeça. Há grandes chances de você nunca se esquecer do monstro de três cabeças (o Cérbero da mitologia), do Diabo sentado em seu trono, do momento em que a oficina de cerâmica se transforma no inferno, da figura do Porteiro (guardião da chave das profundezas, interpretado pela sempre ótima Liliane Xavier) e de Lampião (Gustavo Barros, maior destaque do elenco nesta montagem) sendo engolido pelo barro.

São tantos detalhes dignos de nota, que é impossível lembrar agora de todos. Melhor você assistir. A Cia PeQuod faz teatro do melhor sem ser convencional.

Fonte: Freak Show Business

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mais sobre o "Cangagay"

Parada Gay na terra de Lampião causa polêmica 

O figurino é inspirado nos cangaceiros. Só que na cor rosa. Vestidos assim, os organizadores da I Parada da Diversidade de Serra Talhada, a 420 km do Recife, estão causando polêmica na cidade por causa da realização da marcha no próximo dia 03 de outubro.

O grupo que está promovendo a Parada, cerca de 10 pessoas, compõem o que eles batizaram de Cangagay, um espécie de bloco. A expectativa deles é reunir cerca de 5 mil pessoas na Praça Sérgio Magalhães, centro da cidade.

A reação à primeira Parada na terra de Lampião foi imediata. As igrejas católica e evangélica são contra o evento.

"Era melhor que não tivesse" disse o padre Gilvan Bezerra em entrevista para o jornal "Diário de Pernambuco."

O pastor Francis Alencar, da Igreja Batista, considera a homossexualidade pecado e também não quer que a Parada aconteça.
Muita gente é a favor. Foi o que mostrou uma enquete da Rádio Vila Bela FM. Dos 35 ouvintes que ligaram, apenas três se colocaram contra à marcha.
A prefeitura está apoiando o evento que divide as opiniões. É que Serra Talhada sempre teve fama de terra de homens muito machos por causa do seu conterrâneo mais ilustre: Virgolino Ferreira, o Lampião.
Não há, até hoje, nenhum registro que questione a sexualidade do maior cangaceiro do país. Pelo contrário. Sua fama se espalhou por ser implacável nos combates, na crueldade com os inimigos e na punição daqueles que contrariassem a sua vontade.
Até no amor, ele foi autoritário. Lampião decidiu raptar a dona de casa Maria Bonita, casada com o sapateiro José de Neném.
Com a Parada, o organizadores pretendem reduzir essa herança conservadora deixada por Lampião. "A discriminação diminuiu, mas ainda tem muita gente que tem horror ao homossexual" disse um dos organizadores Higino Carlos, conhecido como Bofe Pantera.
Publicado em 25 de setembro 2009 pela Redação do [Toda Forma de Amor] com informações centrais do Diário de Pernambuco.

Parada da diversidade na terra de Lampião 
Conhecida pelo lendário cangaceiro, cidade se prepara para a primeira passeata gay do Sertão

Por Ana Paula Neiva
Ananeiva.pe@diariosassociados.com.br

Depois da Parada da Diversidade do último domingo em plena Avenida Boa Viagem, área nobre do Recife, a terra do cabra macho Lampião também poderá se render a um desfile semelhante. É isso mesmo. A cidade de Serra Talhada, localizada a 420 quilômetros do Recife, poderá entrar para a história como palco da primeira parada gay do Sertão. O evento está marcado para o próximo dia 3, um sábado. Mas desde já, a cidade passou a comentar o evento, dividindo opiniões. As igrejas evangélica e católica locais já se pronunciaram contrárias ao desfile. O pastor Francis Alencar e o padre Gilvan Bezerra chegaram a dizer que homossexualismo é pecado.
Os organizadores, que formam o bloco Cangagay, composto por 10 cangaceiros estilizados na cor rosa, têm a intenção de reunir cinco mil pessoas na Praça Sérgio Magalhães, no centro do município. Na comissão de frente do desfile, a organização vai colocar um arco-íris de bexigas. Já foram contratados dois trios elétricos, gogo boys e bandas musicais que tocam na região. "Vamos abalar as estruturas, deixando a cidade mais colorida e feliz", promete o coordenador do evento, o estilista e decorador Hélio Nascimento. O grupo Cangagay é formado por estudantes, cantor, artista plástico e comerciante.
A primeira parada gay do Sertão pretende ficar marcada não só pela produção, mas também pela mensagem de liberdade de expressão, denunciando o preconceito e a violência contra os homossexuais em todo o país. A ONG Leões do Norte, referência no Recife, está apoiando o evento. O movimento também quer reforçar a luta pela defesa da cidadania. "Não queremos apenas sair às ruas sem apresentar nada de concreto para a sociedade", resume Hélio Nascimento. Por isso, uma das bandeiras será a do respeito. "As pessoas precisam entender que somos iguais as outras, independentemente de raça ou religião. Merecemos a mesma importância", comentou Nascimento. Criador do bloco Cangagay, Higino Carlos, mais conhecido como Bofe Pantera, queixa-se da homofobia no município. "A discriminação diminuiu, mas ainda tem muita gente que tem horror ao homossexual", observou.
Embora o evento esteja dividindo opiniões na cidade, numa enquete realizada das 8h ao meio-dia de ontem, pela Rádio Vila Bela FM, 35 ouvintes ligaram para dizer que concordavam com a realização da parada gay, enquanto apenas três foram contra. "O assunto é muito polêmico", admitiu o diretor da rádio, Júnior Duarte. Mas antes de o desfile chegar às ruas vai enfrentar críticas da sociedade. Parte da comunidade evangélica local não concorda com a manifestação cultural. O pastor Francis Alencar, da Igreja Batista Brasileira, lembra que homossexualismo é pecado e vai mais além em suas colocações. Acusa a marcha gay de ser exclusivista. "Eles querem ter direitos, mas não permitem a diversidade. Adotaram o arco-íris como símbolo deles, mas na verdade, todos são monocromáticos, não respeitam a opinião dos outros", comenta.
No município, no entanto, já existe desde novembro do ano passado uma lei contra a homofobia. O texto foi sugerido pelo estudante Éliton Oliveira, 29 anos. Éliton faz questão de declarar que já foi homossexual, mas há um ano tornou-se evangélico e deixou de se envolver com pessoas do mesmo sexo. Ele tem um programa na Rádio Nova Gospel - Restauradores do Altar - que vai ao ar todos os sábados. Nesse programa, posicionou-se contrário à passeata. "À luz da Bíblia, Deus ama o homossexual, mas abomina as suas práticas. Sou contra esse movimento, especialmente por sua agressividade moral e por ir de encontro aos preceitos bíblicos. Acho que eles só querem dançar e aparecer", justificou.
A Igreja Católica, embora mais discreta, também é contra a festa. "Era melhor que não tivesse", disse o padre Gilvan Bezerra. Segundo ele, as famílias mais tradicionais da região têm se manifestado contra. Com manifestações a favor ou não, a festa tem data, hora e local marcados para começar.

Reforço policial garante segurança na parada gay 
Serra Talhada // O 14º Batalhão da Polícia Militar vai contar com mais 30 homens para atuar durante o desfile no próximo dia 3 na terra de Lampião

O 14º Batalhão da Polícia Militar, em Serra Talhada, já pediu reforço policial ao Comando de Policiamento do Sertão para garantir a segurança da 1ª Parada da Diversidade, programada para acontecer no próximo dia 3, no município conhecido como a terra de Lampião. O tenente-coronel Eduardo Aragão informou ontem que 30 homens de outras unidades do Sertão serão deslocados para a cidade desde a véspera do desfile e irão se juntar aos 22 policiais que já trabalham lá.
"Também vamos colocar cinco guarnições nas ruas", adiantou. O policiamento ficará à disposição da população até as 20h, horário determinado para o término do evento. "Faremos um trabalho semelhante ao que ocorreu no Recife no último domingo, na Avenida Boa Viagem, na Parada da Diversidade da capital", explicou o oficial.
A movimentação em torno do desfile tem causado muito rebuliço no município, distante 420 quilômetros do Recife. Ontem, após a publicação da matéria no Diário de Pernambuco sobre a parada gay, não se comentava outra coisa na cidade. A festa está dividindo opiniões, principalmente das igrejas, que já se manifestaram contra a realização do desfile por considerar homossexualismo um pecado.
O pastor Francis Alencar, da Igreja Batista Brasileira, que já havia dito que não gostaria que a parada acontecesse, ressaltou ontem que a liberdade de se expressar é um direito de todo cidadão, garantido pela Constituição Federal. "Em nenhum momento me coloquei contrário a tal realização", ressaltou. Enquanto os comentários tomam conta das ruas, os preparativos para o desfile estão a toda prova. Os organizadores do evento pretendem reunir cinco mil pessoas na Praça Sérgio Magalhães, no centro. A prefeitura local prometeu montar o palco. Além do bloco Cangagay, formado por um grupo de dez cangaceiros estilizados de cor de rosa, a ONG Leões do Norte, que luta contra a homofobia, já anunciou que vai levar dois ônibus de convidados do Recife.
"Vamos dar um apoio aos nossos companheiros do Sertão", informou Gilvan Rufino, secretário geral dos Leões do Norte.Ele lembra que Caruaru, no Agreste, por ocasião da realização da primeira parada, há quatro anos, a polêmica foi a mesma. O organizador do evento em Serra Talhada, o estilista e decorador Hélio do Nascimento disse que esteve reunido com a juíza da comarca, que pediu para que não aconteça strip tease no meio da rua. "Garantimos a ela que não haverá mais o show com os gogo boys", contou.
O diretor da Fundação Cabras de Lampião, Anildoma Williams de Souza, declarou que não viu nenhum ofensa a Virgulino Ferreira, o rei do cangaço. "O fato deles desfilarem vestidos de cangaceiros cor de rosa não vai agredir a memória de Lampião. Ser cabra macho é respeitar a liberdade dos outros e não bater em mulher, como muitos acham", falou. A fundação mantém um museu e faz apresentações de xaxado. Hoje, ao meio-dia, haverá um debate com os organizadores do desfile na Rádio Vila Bela FM. O microfone ficará aberto para os ouvintes ligarem e darem a sua opinião.
Fonte: Diário de Pernambuco

E aquela história, de que o Padre Cíço...

Padre Cícero e Lampião 
Por: Daniel Walker

No seminário sobre o cangaço que acontecerá em Juazeiro, Crato e Barbalha nos dias 22-27 de setembro os cangaceirólogos vão conhecer uma nova versão sobre a famigerada patente de capitão que Lampião recebeu em Juazeiro do Norte. Quase todos os livros escritos sobre Lampião falam sobre o assunto e em geral atribuem a outorga desse posto militar a Padre Cícero.

É provável que o escritor Optatos Gueiros tenha sido o primeiro autor a propagar essa informação. Muitos autores o copiaram e assim a versão correu Brasil a fora. Os detratores de Padre Cícero afirmam que o fundador de Juazeiro convidou Lampião para ingressar no Batalhão Patriótico e auxiliar o governo no combate à Coluna Prestes. E mais: obrigou um funcionário público federal lotado em Juazeiro (Dr. Pedro Uchoa) assinar o documento que foi ditado pelo próprio Padre Cícero. Essa história é contada de várias maneiras e com detalhes mirabolantes pelos difamadores de Padre Cícero, mas sempre tendo como foco principal que o convite e a outorga da patente foram iniciativas dele.

Por outro lado, os defensores do Padre Cícero contestam a informação, esclarecendo que o comandante do Batalhão Patriótico era Dr. Floro Bartolomeu e sendo assim só ele teria autoridade legal para convidar a conceder a patente ao Rei do cangaço. Afirmam ainda, que Padre Cícero desde o começo queria evitar o combate armado e para tanto chegou a enviar carta ao comandante Carlos Prestes convidando-o a depor as armas. Ademais, depois do que Padre Cícero passou por ter se envolvido, forçado pelas circunstâncias, com a sedição de Juazeiro, ele certamente só queria era distância desse negócio de luta. O certo é que o assunto é polêmico, as opiniões são contraditórias, não existe documentação confiável para comprovar, e tudo o que se disse ou se diz se baseia em história oral ouvida de memorialistas.

A nova versão que será apresentada no seminário tem o peso da credibilidade de Dr. Napoleão Tavares Neves, uma das maiores autoridades em estudo do cangaço no estado do Ceará, que relatará o fato conforme ouviu do Sr. Raimundo Gomes, memorialista(já falecido) de muita credibilidade também. É possível que o assunto não se esgote tão cedo, pois até agora todas as versões apresentadas para contar como se deu a entrega da patente de capitão a Lampião foram recebidas com desconfiança, mas sempre com defensores de ambos os lados. Na verdade, deram ao assunto uma dimensão descomunal, e ele, de certa forma contribuiu sobremaneira para alimentar a farta bibliografia sobre os dois personagens: Padre Cícero e Lampião.

A maioria dos livros publicados sobre os dois invariavelmente tocam no assunto e no computo geral Padre Cícero saiu perdendo, pois a versão contra o Padre Cícero é mais frequente. A versão que será apresentada por Dr. Napoleão, já divulgada num livro escrito pela escritora Fátima Menezes (com tiragem reduzida), tem tudo para fazer um estrondo no mundo do cangaço porque será apresentada dentro de um recinto repleto de estudiosos do tema cangaço.

Vamos aguardar para ver a repercussão.

O artigo foi anterior ao evento, mas sempre vale a pena conferir.
Publicado originalmente no: Juá ON LINE Via Beto Fernandes

Opinião... precipitada

Quais os ídolos que queremos?
por Alessandra Bandeira  
Postado originalmente no Blog do Crato


Passado o seminário Cariri Cangaço, que como historiadora não senti a menor vontade de ir, me veio a reflexão. Todo dia acordo e penso : Qual o mundo que quero para meus filhos? Ligo a televisão, acesso a internet e só vejo corrupção, maldade, atrocidades, crimes contra seres humanos, contra a natureza e a cultura das pessoas em valorizar o que é ruim.

O valor que se dá para o forró eletrônico e a bandidagem é indiscutivelmente lamentável. Oras conheço várias pessoas que foram vítimas de violência e nem por isso elas reproduzem o que viveram, mas o Lampião não, esse é o herói, é o cara! Que cara? Que herói? Qual foi o benéficio que esse bandido fez? O que ele fez para mudar o mundo? Vejo pessoas se reclamarem da corrupção, falar que politícos são bandidos, e vem o contrasenso de fazer uma homenagem , de idolatrar um bandido.

Não é contraditório? Como queremos ser moralistas e defensores da honestidade quando idolatramos o que é errado? Por que não fazer seminários por aqueles que lutaram pela liberdade? Por que os exemplos bons são suprimidos? Realmente ,um bandido que vou ensinar meus filhos a ver como herói? Sei que nesse momento virão os defensores de Lampião indignados com o que estou dizendo, mas antes responda à simples pergunta : Qual foi o grande benéficio que este senhor fez ao Brasil, além de levar tumulto , caos e medo, qual a relevante mudança que ele fez para o mundo ?

Quem devo mostrar como herói: Mahatma Ghandi ou Lampião? Dona Bárbara ou Maria Bonita?
Banditismo por pura maldade ou banditismo por uma questão de classe?

Nota deste infame blogueiro. A publicação acima dispensa maiores comentários da nossa parte. Diferente da autora nós participamos do evento em sua totalidade, e o tema do seminário acredito eu que tenha sido Lampião no Ceará - verdades e mentiras e assim foi. Se havia algum palestrante que pretendia  idolatrar... este não foi convidado. Para somar ao nosso "dispensável" manifesto, eis aqui abaixo a ultima matéria do Jornal Diário do Nordeste sobre o evento.


SEMINÁRIO NO CARIRI - Lampião é avaliado como ´bandido´ -
Reportagem: Antonio Vicelmo 

Missão Velha. O "Cariri Cangaço" foi o maior acontecimento do gênero realizado no Nordeste. A declaração é do presidente em exercício da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), Ângelo Osmiro Barreto, no encerramento do encontro que reuniu cerca de 70 historiadores, pesquisadores, ensaístas, professores e estudantes de todo o Brasil.
O encerramento ocorreu domingo, com uma palestra de João Bosco André sobre as ligações de Lampião com o município, que é considerado a porta de entrada do Cariri. Apesar da paixão pelo tema, a maioria dos integrantes não vê os cangaceiros como heróis. Ao contrário, Lampião e seu grupo foram apresentados como bandidos sem nenhuma causa social. "Foram os cangaceiros que introduziram o seqüestro em larga escala no Brasil". Faziam reféns em troca de dinheiro para financiar novos crimes. Caso não recebessem o resgate, torturavam e matavam as vítimas, a tiro ou punhaladas, disse o escritor José Peixoto Júnior, autor do livro "Bom Deveras e Seus Irmãos". Peixoto lembra que, no século passado, o Cariri estava povoado de cangaceiros. Os irmãos Marcelinos, por exemplo, cobravam imposto de quem transitava em cima da serra do Araripe.
O escritor reproduz várias cartas assinadas pelos cangaceiros "Bom Deveras", "Lua Branca" e "João-22", ameaçando incendiar fazendas e matar o gado do proprietário rural que não lhes enviasse uma determinada quantia. O escritor Magérbio Lucena destaca que os cangaceiros ofereciam salvo-condutos, com os quais garantiam proteção a quem lhes desse abrigo e cobertura, os chamados coiteiros. Eles também, segundo Magérbio, "sempre foram implacáveis com quem atravessava seus caminhos: estupravam, castravam, aterrorizavam. Corrompiam militares e autoridades civis, de quem recebiam armas e munição. Um arsenal bélico sempre mais moderno e com maior poder de fogo que aquele utilizado pelas tropas que os combatiam". Com o comentário, o escritor diz que a atual violência nas grandes cidades é uma cópia do comportamento dos cangaceiros de ontem.
Entusiasmado com o sucesso do evento, o coordenador do "Cariri Cangaço", Manoel Severo, anunciou o próximo encontro para agosto de 2010, quando serão debatidos dois temas: "O Fogo das Guaribas" e "Os Nazarenos".
O primeiro tema refere-se à mais violenta batalha ocorrida no Ceará, no município de Porteiras, tendo como protagonista o considerado mais valente de todos os coronéis do sertão do Cariri, Francisco Lucena, conhecido por "Chico Chicote", que não era propriamente um cangaceiro, mas um daqueles valentões típicos da sociedade sertaneja de 1920, no sul do Ceará. Um dia, Chicote trabalhava no campo quando sua casa foi cercada por uma "volante" cearense, comandada pelo tenente José Gonçalves Bezerra. Um amigo de Chicote, de nome Joaquim Morais, o primeiro a tentar resistir, foi logo morto.
Duas outras "volantes", uma pernambucana e outra paraibana, que se achavam próximas, inclusive reforçadas por cangaceiros da família Salviano, inimiga de Chicote, vieram reforçar o cerco. "Foi uma das brigas mais feias daqueles tempos do cangaço", escreveu o escritor Abelardo Montenegro. Já "Os Nazarenos" faz referência a um grupo familiar que dedicava tempo integral na busca e, se possível, destruição de Lampião e seu bando. Eles entraram na Polícia com o objetivo de vingar a morte de parentes. Eram moradores da Vila de Nazaré, hoje Carqueja, no interior de Pernambuco, que se tornaram eternos perseguidores de Lampião. O mais famoso dos Nazarenos foi o tenente David Jurubeba, que morreu em Serra Talhada, terra natal de Lampião, há cinco anos.
Os bandidos de hoje são os cangaceiros de ontem. A violência sem medidas é a mesma"
Magérbio Lucena, Médico e escritor

ANTÔNIO VICELMO 
Repórter do Jornal Diário do Nordeste




É demais para minha cabeça

Hans von Manteuffel /Agência O Globo
 Vem ai o "Cangagay"

Está programada para acontecer no próximo dia 03 de outubro uma parada gay (parada da diversidade) em Serra Talhada. Com expectativa de algo em torno de 5.000 pessoas no evento que conta com o apoio da prefeitura local, até aí para mim ta tudo ok, respeito a opção dessa turma, cada um faz o que quer do seu livre arbítrio.

O que eu não acho legal é o tema dessa parada, que é denominada "CANGAGAY" é essa relação com o cangaço que ta difícil de aceitar, me falaram que confeccionaram um boneco de Lampião (tipo os bonecos de Olinda) todo vestido de rosa com trejeitos afeminados e que terá um bloco que sairá fantasiado de cangaceiros gays.

Quando na realidade isso é um contra-senso, Lampião nunca apoiou nem um movimento homossexual, pelo contrario não tinha a menor tolerância com homem afeminado ou com mulheres metidas a macho, é só buscar na literatura cangaceiristica, tem inúmeros casos.

Eu fico pasmo é das autoridades locais (Deputados, Prefeito, Secretario de cultura...) não saberem disso e apoiarem um evento desses, estão pra frente essa galera! E pensar que estamos no alto sertão nordestino, terra de cabra macho! (acho que depois desse evento esse estigma vai cair).

Foi confirmado a cobertura do evento pelo programa "Pânico na TV" da Rede Tv. O cangaço será ridicularizado por um programa humorístico em rede nacional.

Lampião ta fazendo falta!

Será que eles podem expor a imagem do rei do cangaço a um evento desses? Eu particularmente vou tentar fazer o possível para que eles não relacionem a imagem do cangaço a essa parada! O problema não é a parada da diversidade ou gay (como queiram chamar), mas sim a forma como tem sido feita.
Respeito não se impõe, se conquista... (quem quer liberdade e validação da democracia, deveria sempre se lembrar disso)!

A forma "de choque" não traz respeito a esse grupo, mas sim, um incômodo criado pelos mesmos! O problema é que, para se respeitar as pessoas (os animais, as coisas, etc.) tem-se que ter um certo grau de educação (doméstica e escolar)/cultura. Ou seja, é correto, sim, afirmar: "MAL EDUCADO(A) NÃO RESPEITA NINGUÉM!"

Temos todos que reconhecermos, apoiarmos e venerarmos as pessoas que possuem bom caráter. Devemos discriminar é pelo caráter. Aí sim, teremos como exemplos; como ícones pessoas que nos farão evoluir, independentemente de suas aparências, jeitos e direcionamentos sexuais.

Para mim esse "evento" não serve de nada para divulgar a causa da igualdade!
Uma coisa é se expressar. Outra coisa é depravar! Uma coisa é ser tradicionalista. Outra coisa é ser leviano! Uma coisa é enxergar limites. Outra coisa é invadir o sentimento que identifica um povo!
Não banalizando nossa identidade cultural!

Uma coisa é sabermos que Lampião não foi digno de ser exaltado como herói. Outra coisa é dissociar sua imagem de sua bravura, tão característica do povo nordestino, ainda mais de um povo tão sofrido como os sertanejos da ribeira do Pajeú.

Discutir Lampião e o cangaço ou, até mesmo, classificá-los dentre suas virtudes e malefícios com base em fatos reais é extremamente importante e um belo exercício intelectual e cultural sobre personas e fatos históricos nossos, a fim de nos aproximarmos mais e mais das verdades que nos cercam.

Neste sentido, podemos discutir ou classificarmos Lampião como bandido, arruaceiro, interesseiro, assassino, louco, revoltado, "Robin Hood do Sertão", sem caráter, etc. Agora, homossexual, jamais!

É uma interpretação totalmente sem nexo para com um sujeito que era indiscutivelmente heterossexual. E ele não era heterossexual porque tinha atitudes brutais, porém, porque não se tem qualquer indício de que o mesmo apreciava prazeres físicos dos corpos de outros homens, até mesmo porque amou uma mulher e não negou.

Não há registro histórico qualquer do qual se possa extrair um gesto homossexual de Lampião. Logo, por pior que possa ter sido, não merece essa polemica homenagem.

É impossível lembrar um cangaceiro, Lampião e chapéu de couro com aba pra cima e não se lembrar de sertão nordestino, de seca, de bravura, de violência, de justiça feita com as próprias mãos, de morte, de religiosidade (apesar de tudo), de briga por terras, etc.

Fico imaginando se fosse em Juazeiro do Norte/CE se iriam usar a imagem do “Padim Ciço” ou em Exu/PE a do rei do baião “Luiz Gonzaga” relacionada a um evento desse tipo?

Abraços a todos.

Roberto de Carvalho Petrolina/PE