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domingo, 15 de junho de 2014

Adeus a "Vinte e cinco"

Morreu o ultimo cangaceiro

Depos de Neco de Pautilia, a memória do cangaço perde mais um ícone. Faleceu hoje 15 de junho, na capital alagoana José Alves de Matos, o ex cangaceiro "25". Aos 97 anos de idade, 'Vinte e cinco' era "oficialmente" o último ex-cangaceiro vivo. Dos remanescentes do cangaço "lampionico" resta apenas Dulce que foi companheira do cangaceiro "Criança".

Aposentado como funcionário público estadual, ao longo dos anos o ex cangaceiro recebeu visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro. O que ajudou a costurar a história desse movimento tão complexo.



Vinte e cinco
Vinte e Cinco era de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs. Do segundo casamento do seu pai nasceram mais cinco homens e três mulheres. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: "Santa Cruz", "Pavão", "Chumbinho", "Ventania" e "Azulão 3". No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz era aceito no grupo de Mariano.
 

Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. 

No fatídico 28 de Julho de 1938 ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

 Na ocasião das entregas junto com vários cangaceiros.

Após a morte de Lampião Vinte e cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros. Permaneceu preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu através de um amigo emprego no estado como Guarda Civil. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia admitir um criminoso na guarda ja que ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho que afirmou com toda convicção que entre os 38 guardas José Alves era o melhor profissional entre eles. 
 
 Vinte e Cinco, Cobra Verde e Santa Cruz
a disposição da justiça.

O Secretário resolveu fazer um concurso entre os guardas e José Alves contratou duas professoras. Esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores mas quase foi reprovado justamente na "prova" de tiro, pois era acostumado com a Parabellum e teve que atirar com um revolver 38, abriram uma exceção para o candidato que então conseguiu provar sua habilidade e destreza. Atirando com uma parabellum ele acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. 

Segue abaixo uma entrevista concedida a Antonio Sapucaia para o Jornal Gazeta de Alagoas edição de 16 de setembro de 2012.

José Alves de Matos, o conhecido ex-cangaceiro “Vinte e Cinco”, que por cinco anos integrou o bando de Lampião.

Era casado com Maria da Silva Matos desde 1959, pai de uma prole de sete filhos, entre os quais há dentista, economista, assistente social, técnica de saúde e uma funcionária pública federal. Acerca do casamento, dizia que acreditava no destino, considerando que a esposa nasceu em 1938, exatamente no ano do extermínio do grupo de Lampião; ambos não tinham pai nem mãe, e o matrimônio, realizado em Maceió, já dura 55 anos de felicidade.

Considerava-se um homem de bem com a vida, não se arrependeu de nada que fez, principalmente no tempo de cangaceiro, de cuja época dizia ter saudades, “porque ali todo mundo era tratado como igual e todos eram amigos confiáveis. A vida era bastante complicada”, disse com certo ar de tristeza, “mas era muito boa, e se havia momentos de agonia, os momentos de alegria e de prazer eram maiores"

Nascido no dia 8 de março de 1917, em Paripiranga, na Bahia, ingressou no mundo do cangaço aos 16 anos de idade, no dia 25/12/1933, razão porque Corisco o apelidou de "Vinte e Cinco". 


“Ao ingressarem na vida do cangaço”, “todos esqueciam os seus verdadeiros nomes e a partir daí passavam a ser conhecidos pelos apelidos que recebiam. Também recebiam ordem de manter o máximo de respeito entre eles, pois seriam tratados como verdadeiros irmãos e irmãs. Se alguns deles se dispersavam do bando, após algum tiroteio, mesmo que fossem homem e mulher, havia respeito total entre ambos, até que novamente o grupo se reencontrasse. Uma coisa que Lampião fazia questão de manter, aumentando o vigor da voz, era o respeito absoluto entre todos”.
Vinte e Cinco confessou: 
A Polícia era cheia de analfabetos, havia oficial que não sabia sequer atender a um telefonema. Além disso, eram excessivamente violentos, e foi essa violência desmedida que levou muitos jovens a ingressar na atividade do cangaço, entre os quais eu me incluo”.
E continuou: 
“Os policiais, conhecidos como macacos, chegavam à casa dos agricultores e indagavam se Lampião havia passado na localidade; se a resposta fosse negativa, eles apanhavam porque poderiam estar mentindo; se a resposta fosse positiva, apanhavam ainda mais porque não informaram, antes, sobre a presença deles no local”.
A respeito do seu ingresso na vida do cangaço, respondeu: 
“Havia uma família que tinha parentes na Polícia, e fez uma denúncia de que a nossa tinha admiração por Lampião. Daí, terminaram dando uma pisa em um sobrinho meu, que passou três dias acamado. Dias depois, encontramos com um membro dessa família, que já não gostava do meu sobrinho por causa de uma namorada, terminou havendo uma briga entre nós, pelo que fiquei foragido durante dois anos, carregando como lembrança uma cicatriz na cabeça, cujo ferimento foi curado com pó de café”.

“Ao regressar, fui a uma feira colocar sola em um sapato, cujo sapateiro era cabo da Polícia, de nome Passarinho, que me reconheceu. Terminei preso durante doze horas e, como consequência, resolvi fazer parte do bando dos cangaceiros onde eu já tinha cinco parentes. Mantive contato inicialmente com Corisco, que chefiava um grupo, tendo-o encontrado junto com Dadá, sua companheira, e um cachorro de nome ‘Seu Colega’”.
Vinte e Cinco recordou que vez por outra Lampião pedia a Corisco que o colocasse à sua disposição e, em meio a essas oportunidades, terminou ficando com o Rei do Cangaço, até quando ocorreu a chacina de 28 de julho de 1938, em Angico, no Estado de Sergipe.

O regime que imperava no cangaço era rigoroso, mas todos viviam satisfeitos. Não faltava comida – carne de bode, carneiro, boi, farinha, sal, queijo –, uma vez que os fazendeiros ordenavam aos vaqueiros para abastecer os grupos, o que não acontecia com relação aos que faziam parte da Polícia. Do mesmo modo, não faltavam bebidas, mas aquele que as adquiriam era obrigado a experimentá-las antes de serem servidas a Lampião.


Escritor Sérgio Dantas, em visita à "Vinte e cinco"

A propósito – lembrou Vinte e Cinco – Lampião quando passava em lugar que não tinha aguardente ou conhaque, ele deixava dinheiro com alguém para que os produtos fossem comprados. Tinha mais: orientava no sentido de que as bebidas fossem enterradas no quintal da casa, bem arrolhadas, e que um dia retornaria para degustá-las.

Sabe-se que certa vez Lampião deixou alguma importância com determinada mulher para a compra de bebidas e, dias depois, retornou para saboreá-las. Antes de ingeri-las, pediu à mulher que as experimentasse, o que foi recusado por ela. A mulher terminou confessando que a Polícia a havia obrigado a colocar veneno na aguardente. Depois de perguntar como é que a Polícia soube que a bebida estava enterrada no quintal, mandou que a mulher ficasse despida, saísse correndo e se abraçasse com um pé de mandacaru que estava mais adiante.

Nada faltava ao grupo, conforme relata Vinte e Cinco. Havia alegria, principalmente em razão de alguns tocarem realejo, e dinheiro também não faltava, distribuído por Lampião, periodicamente, não sendo verdade que recebiam semanalmente importância fixa, como já foi noticiado.

Não faltavam mulheres para a prática sexual, pois alguns tinham as suas companheiras no bando. Para os solteiros também não faltavam mulheres, quando chegavam às fazendas, e muitas vezes eram mandadas para as suas companhias pelos próprios maridos, pois além de serem bem compensadas financeiramente, presenteavam-nas com brincos, cordão de ouro, anel etc. – relatou Vinte e Cinco

Os cachorros de nome “Seu Colega” e “Guarani” exerciam papel importante, haja vista que, além de serem adestrados para despertar a atenção do grupo quando algum estranho se aproximasse, muitas vezes comiam antes uma parte das comidas que seriam servidas aos cangaceiros para terem a certeza de que não estavam envenenadas.

Sobre Lampião, explicou que “era um tanto fechado, mas em alguns momentos se mostrava brincalhão. Era portador de uma espécie de enxaqueca e, quando amanhecia acometido do mal, falava muito pouco com a gente. Em nenhum momento ouvi dele dizer-se arrependido da vida que levava e, igualmente, nunca manifestou a intenção de abandonar o cangaço, como já foi dito por aí”. Era católico; das 4h30 da manhã para as 5 horas, os cangaceiros acordavam, colocavam os joelhos no chão e começavam a rezar.

Vinte e Cinco confessou que somente Lampião, Luiz Pedro e Quinta Feira sabiam quando e onde eram adquiridas as armas utilizadas pelos bandos. Algumas eram guardadas em ocos dos paus até que delas precisassem, mas era proibido perguntar onde eram adquiridas. Além dos chapéus de couro que portavam e dos apetrechos que conduziam, eram indispensáveis dois cobertores de chitão, um servia para forrar o chão e o outro para cobrir-se.



Barreira, Santa Cruz, Vila Nova e Peitica. 
sentados - Pancada, Vinte e cinco e Cobra Verde.

Vinte e Cinco participou de vários tiroteios, mas preferiu não relacioná-los, referindo apenas ao que ocorreu em Pedra D’Água, em Sergipe, quando morreu "Barra Nova". Nunca foi vítima de ferimentos graves, carregando nos ombros alguns arranhões que não lhe causaram mal algum. Recordou que "Barreira" que foi funcionário da Secretaria da Fazenda de Alagoas – degolou Atividade, colocou a cabeça em um saco e foi se entregar à Polícia.

Sobre Pedro de Cândido, diz que era o homem de maior confiança de Lampião, entre os coiteiros. Recorda que a intimidade era tanta entre os dois que havia uma certa ciumeira por parte dos cangaceiros, ou seja, ele “não entrou no espinhaço do grupo”, expressão que significava não simpatizar, não gostar do outro.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

No coito de "Vinte e Cinco"


Uma visita a um dos últimos guerreiros de Lampião

Por João de Sousa Lima


José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade, sempre recebe visitas em sua residência na capital alagoana para falar do seu tempo de cangaceiro. Ele lembrou de nosso ultimo encontro há exatos seis anos.
 
José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos  e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.

 Corisco e Vinte e Cinco em plena atividade,
posaram para Benjamim Abrahão em 1936/37.

Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião Vinte e cinco havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. 
 
 Período das entregas: "25", sentado ao centro de óculos escuros.

Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. 

 Vinte e Cinco, Cobra Verde e Santa Cruz
(Santa Cruz era sobrinho de Vinte e Cinco, filho de sua irmã Joaninha, esse cangaceiro era irmão do também cangaceiro Zepellin)

O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabéllum e teve que atirar com um "38", só passando depois que atirou com o parabélum e acertou o alvo, depois de duas sequências de erros com a outra arma. 

Hoje José Alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.

 João de Sousa Lima, José Alves de Matos e Josué Santana.
 
 José Alves com sua família, a esposa  Mariza, as filhas Dilma e Dalma, o Genro Givanildo,  a Neta Juliana, o neto João Pedro e a bisneta Maria Eduarda.

José Alves e a esposa Mariza
  

 Pesquei no Blog do primo João

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Adendo Lampião Aceso

Via comentário o confrade Fábio Menezes nos chamou a atenção para um possivel lapso de memória do "Vinte e Cinco": Quando ele se refere que no dia 28 de julho estava numa missão acompanhado dos irmãos "Atividade" e "Velocidade... Quanto ao cabra "Velocidade" é bem provável, mas e o companheiro Atividade? morto desde o 5 de junho de 1938? Como apresentado na pesquisa de Ivanildo Silveira Leia aqui comungando com outros tres autores, entre estes: Bismarck Martins, Elise Jasmin na página 146 do seu livro "Cangaceiros" com foto e legenda cedida por Frederico Pernambucano de Mello.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Velhas novidades saindo do forno!!!

Professor Pereira apresenta três relançamentos simultâneos

Nosso confrade e colaborador Pereira, além de ser o sebista mais festejado do ramo, tomou a iniciativa e passou a desempenhar um maravilhoso serviço em pró da historiografia nordestina. O homi agora é editor de livros. No afã de resgatar obras principalmente as que estavam esgotadas a décadas, para que os colecionadores e pesquisadores possam adquirir as mesmas com qualidade e o principal "um preço acessível".

Eis aqui mais três rebentos, proporcionados pela parceria com os respectivos autores. Posteriormente vamos publicar uma entrevista realizada com o professor tratando de detalhes e propostas para familiares que detém os direitos autorais de um livro extinto nos catálogos ou você escritor que guarda na gaveta ou no pen drive uma obra do gênero e ainda busca condições de realizar o sonho da publicação do seu trabalho.

Lampião: Luta, Sangue e Coragem - Romance Histórico - Vilma Maciel - 2ª Edição.

A escritora Vilma Maciel nos oferece a 2ª Edição, atualizada e acrescida, do Romance Histórico Regional de primeira linha, “Lampião: Luta, Sangue e Coragem”,  em que  a autora criou as falas  fictícias para os personagens reais, pois Antônio, José Ferreira, Livino, José Saturnino, os Nazarenos, Corisco, Maria Bonita e demais personagens fazem parte da vida do Cap. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Essa obra demandou milhares de horas de trabalho e recebeu uma atenção e zelo todo especial da autora, pois foi cuidadosamente elaborado, obedecendo à sequência  cronológica da vida e ações do rei do cangaço.

O romance inicia com a história de José Ferreira e Maria Lopes, os pais de Lampião;  segue narrando os primeiros desentendimentos dos irmãos Ferreiras com Zé Saturnino ; a mudança para Poço do Negro  e depois para Alagoas;  continua com a morte dos pais de Virgolino e sua entrada definitiva no cangaço, fazendo parte dos grupos de Antônio Matilde,  dos Porcinos e depois de Sinhô Pereira.

Com a ida de Sinhô Pereira para Goiás, Lampião assume definitivamente a chefia do grupo, que passou a aterrorizar  o interior de sete Estados nordestinos. Destaca a visita de Lampião ao Juazeiro do Padre Cícero, em 1926; sua ida para a Bahia em 1928.

Continua narrando a presença da mulher no Cangaço, iniciando com Maria Bonita a partir de 1930. A formação de um grande bando, divididos em pequenos grupos, chefiados por Corisco, Labareda, Zé Sereno, Virgínio, Moreno, entre outros. Segue com  a tragédia de Angico, em Sergipe, onde morreram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Por último,  o morte de Corisco e o fim do cangaço no nordeste brasileiro em 1940.

Podemos destacar várias qualidades positivas nesse romance, como por exemplo, a escrita acessível e leitura agradável. Também destacamos a sua preocupação pedagógica de facilitar a compreensão e o entendimento dos fatos ocorridos durante o cangaço lampiônico, mesmo que o leitor seja um iniciante no estudo deste fenômeno.


Serviço
Livro "Lampião: Luta, Sangue e Coragem - Romance Histórico" - Vilma Maciel - 2ª Edição. 187 págs. R$ 33,00 (Trinta e três reais) com frete incluso.


Os Fuzilados do Leitão, Uma Revisão Histórica - Vilma Maciel -  2ª Edição.

O fato se passou no local denominado alto leitão em Barbalha no cariri cearense na madrugada do dia 5 de janeiro de 1928. Foram mortos os irmãos Miguel e Pedro Miranda, João Marcelino e Manoel Toalha, além do mais famoso deles, o cangaceiro "Lua Branca".

A professora e escritora Vilma Maciel, nesse seu trabalho “Os Fuzilados do Leitão,  Uma Revisão Histórica” procurou resgatar  a memória histórica dos conhecidos e afamados “Irmãos Marcelinos”, Bom de Veras, João Vinte e Dois e o cabra Lua Branca, que palmilharam o Cariri cearense, cometendo crimes cruéis.

Em seguida,  a autora narra com lucidez e competência, os fatos ocorridos naquela madrugada onde ocorre o assassinato e sepultamento de cinco pessoas no Alto do Leitão, acontecimento que ensejou o título desse trabalho.

Vejamos o comentário do cientista e escritor Melquíades Pinto Paiva no seu extraordinário  trabalho “Bibliografia Contada do Cangaço”. Vol. II: 52-53, 2002, sobre o livro
“Os Fuzilados do Leitão” aborda aspectos do Cangaço no sul do Ceará e Oeste de Pernambuco  -  vale do Cariri/chapada do Araripe e áreas limítrofes. Estuda o envolvimentos dos Coronéis com os bandidos  e ressalta que o cangaceirismo é um produto nefasto do coronelismo vigente no espaço considerado. Concede especial atenção ao bando dos Marcelinos, desde sua formação, reportando lutas e o final destroço, chefiado por Bom de Veras e contado com a participação dos irmãos João "Vinte e Dois" e "Lua Branca". Descreve o fuzilamento de cinco pessoas, na manhã de 05 de janeiro de 1928, pela escolta policial comandada pelo sargento José Antônio da Acauã no sítio Alto do Leitão, à margem da estrada da feira ligando Crato a Barbalha (estado do Ceará):  Os fuzilados foram Lua Branca, Manoel Toalha, Joaquim e João Gomes (irmãos) e Pedro Miranda. De maior importância são os depoimentos recolhidos sobre o fuzilamento e a transcrição de trechos do caderno de ocorrências deixado pelo coronel/prefeito de Jardim ( Estado do Ceará)  - Luís Aires de Alencar. Um outro destaque é o diálogo de Lampião com o coronel Chico Romão (Serrita - Estado de Pernambuco )”
 Depois desse esclarecedor comentário só nos resta desejar uma boa leitura, dessa obra, a todos.
                                                                
Serviço
"Os Fuzilados do Leitão, Uma Revisão Histórica" - Vilma Maciel -  2ª Edição. 86 págs. - R$ 25,00 (Vinte e cinco reais)  com frete incluso.

Para adquirir esses dois livros -  Autora: vil.maciel@zipmail.com.br  - Tel. (88) 9700 7008 - ou Editor: franpelima@bol.com.br Tel. (83) 9911 8286.


Antônio Silvino: O Cangaceiro, o Homem, o Mito - Sérgio Augusto S. Dantas - 2ª Edição.

Com primeira edição esgotada até mesmo em sebos um dos melhores tratados sobre o governador so sertão está ao seu alcance. Manoel Baptista de Moraes, celebrizado no cangaço como Antônio Silvino, foi o mais famoso antecessor de Virgolino Ferreira, o Lampião, nas guerras da caatinga, no alvorecer do Século XX. O período de atuação de Silvino vai de 1897 a 1914, quando é ferido em combate com a Polícia e, posteriormente, preso. O livro Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito refere-se a algo inédito na historiografia nacional. De efeito, são poucos os títulos que cuidam da sua vida, e quando o fazem, a contam de forma exagerada e sem caráter científico. Em verdade, os melhores livros sobre a atribulada vida do cangaceiro foram escritos tendo como fonte quase única, folhetos de “literatura de cordel”. O livro foi iniciado em 2002.

De acordo com o autor Sérgio Dantas, foi concebido dentro dos mais rígidos critérios de pesquisa histórica. A busca de informações e dados para a composição do texto final, foi realizada em três vertentes: A primeira, através de pesquisas em jornais, em “Arquivos Públicos” da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A segunda, a partir da análise de documentos governamentais e comunicações entre Chefes de Polícia dos três Estados citados acima; e a terceira, por fim, utilizando-se de depoimentos de pessoas que tiveram conhecimento de alguns fatos relevantes em torno da polêmica personagem.

O livro – escrito não somente para estudiosos do tema, mas igualmente para leigos – pode ser dividido em três partes distintas, as quais refletem três diferentes fases do cangaceiro. Importante, também, é o registro de encontros do cangaceiro – após seu aprisionamento – com intelectuais de expressão, como o potiguar Câmara Cascudo, o cearense Leonardo Mota, os pernambucanos Nilo Pereira e Jayme Griz, além do alagoano Graciliano Ramos e do líder comunista Gregório Bezerra, com quem o cangaceiro travou profunda amizade na Casa de Detenção do Recife. A narrativa é finalizada com a descrição da morte do cangaceiro e seu funeral, repleto de populares, admiradores e curiosos, na cidade de Campina Grande, em 1944.

Serviço
Livro "Antônio Silvino: O Cangaceiro, o Homem, o Mito" - Sérgio Augusto S. Dantas - 2ª Edição - 313 págs. - R$  37,00 (Trinta e sete reais) com frete incluso. Para adquirir esse livro - entre em contato com o Editor pelo email: franpelima@bol.com.br

Abraços
Francisco Pereira Lima
Professor e estudioso do cangaço

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cruzando peixeira

Entrevista com Antonio Vilela 

O professor Antonio Vilela lançou seu segundo livro abordando as histórias do tempo de Lampião, trata-se do "O Incrível Mundo do Cangaço - Volume II". 

Foto: coronel Severo
Antes do aludido lançamento, precisamente dia 31 de Março, o Blog do Ronaldo César esteve na residência do autor que lhes deu a oportunidade de viajar pela história, através de um impressionante arquivo fotográfico dos personagens das Volantes e dos grupos de cangaceiros. Sempre atencioso e de uma gentileza ímpar, o autor num bate papo descontraído nos concedeu uma entrevista marcante, principalmente pela sua memória histórica e a narrativa dos fatos.

O Senhor é natural de Garanhuns?
E- Não, eu nasci em São João em 12 de Junho de 1953, quando estava com 3 anos quando meus pais vieram residir nesta cidade, me considero filho adotivo de Garanhuns.

Quando nasceu essa paixão pela História do Cangaço?
E- Essa paixão nasceu quando eu era menino, através de uma vizinha, moradora da Vila do Quartel, chamada dona Mocinha. (Ela sempre corria atrás da gente quando estávamos jogando bola em frente a sua casa (risos), mas nos momentos de paz ela contava pra mim as história de Lampião, dona Mocinha era sertaneja e por coincidência rendeira). Somando a isso, quando fui estudar no ENA em Belém de Maria conheci a minha esposa Maria da Paz, nascida em Mossoró. Em 1975 quando fomos morar na cidade natal da minha esposa, a residência da minha sogra ficava próxima à cadeia onde ficou preso o cangaceiro Jararaca, o que me levou a iniciar as pesquisas sobre o cangaço, pois naquela cidade se deu um dos famosos ataques do bando do Capitão Virgulino.

Quando decidiu escrever o Livro O Incrível Mundo do Cangaço?
E- Após trinta e um anos de pesquisas, seguindo a trilha do cangaço, com vários documentos e fotografias históricas meu filho Hans Lincoln me incentivou para escrever, era 2003, e o livro acabou editado em 2006. Confesso que ao concluí-lo fiquei surpreendido com o resultado. O livro já está em sua 3ª Edição num total de cinco mil livros vendidos, em breve estarei lançando "O Incrível Mundo do Cangaço - volume dois".

O livro teve uma grande repercussão, não apenas pela sua vendagem, mas pelas suas riquezas de detalhes ao descrever e narrar o cangaceirismo. Como foi visto essa obra pela mídia falada e escrita do nordeste?
E- Tanto na mídia escrita e falada o livro recebeu inúmeros elogios, sendo publicadas várias reportagens em jornais, como o Jornal do Comércio,. Folha de Pernambuco, O Mossorense, Diário de Pernambuco onde assessorei a edição especial na Trilha do Cangaço em comemoração aos 70 anos da morte de Lampião, nas revistas "Terra da Gente" da Editora Globo, NE 21, Revista Cultural e tive a oportunidade de participar de programas de TV, entre eles, NE TV, Conversa na madrugada com Aldo Vilela, Globo News, Record Internacional, TV Diário, TV Assembleia, sempre participando de entrevistas ou documentários, e aguardando calendário para participação no programa do Jô.

Atualmente o senhor é uma referencia para quem pesquisa ou tem curiosidade em ler sobre o Cangaço. Como é a sua relação com os demais historiadores do Cangaço?
E- É uma confraria, sempre estamos nos reunindo, participando de fóruns, palestras, lançamentos, trocando informações. Hoje sempre estou tendo contato com o Potiguar Paulo Gastão, o paulista Antonio Amaury e Frederico Pernambucano, grandes nomes do estudo do cangaço.

O que diferencia "O Incrível Mundo do Cangaço" de outros livros já publicados sobre o tema?
E - O Incrível Mundo do Cangaço quebra o paradigma de Lampião e Sertão, como se o cangaço só tivesse ocorrido nessa região, o meu trabalho focaliza o cangaço no Agreste, destacando nomes até então pouco comentados em algumas obras, como José Abílio, Paisinho Baio, Capitão Américo, tenente Caçula, Zé Jardim, Audálio Tenório, Gerson Maranhão, coronel João Nunes, entre outros.

O Senhor faz parte de alguma Associação do Cangaço?
E- Sou filiado, desde 10 de Novembro de 2006 à SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, que reúne os maiores historiadores do cangaço do Brasil. Recebi meu diploma de filiação em Serra Talhada, onde nasceu Lampião.

Naturalmente em suas pesquisas o Senhor entrevistou ex-cangaceiros, ex-cangaceiras e ex-integrantes das volantes. O Senhor poderia nos citar alguns desses entrevistados e qual foi o momento mais emocionante nesse trabalho?
E- Conheci oito cangaceiros, três faleceram: Sila, Adília e Durvinha. Estão vivos: Moreno, Dulce, Vinte e Cinco, Candeeiro e Aristeia. Da volante conheci tenente João Gomes de Lira, Sargento Antonio Vieira, Neco de Pautila, cabo Grilo, Sargento Teophilo Pinto e a da família de Lampião, sua filha Expedita que reside em Aracaju e Maria Ferreira Queiroz (dona mocinha) irmã de Lampião, que reside em São Paulo. O momento mais emocionante foi a amizade e as conversas que eu tive com Durvinha, ela foi casada com o cangaceiro Virgínio, cunhado de Lampião. Ela me dizia que ele era bom, que a única maldade que fez foi capar um macaco (soldado da volante), quando estava em Patos de Minas, em viagem para o Paraguai, acompanhado do escritor João de Sousa Lima. Quando resolvi ligar para saber de Durvinha, pois estava a 400 quilômetros da sua cidade, quem atendeu foi sua filha Neli, aos gritos, e desligou, Depois Nelí retornou a ligação informando, para minha tristeza, que Durvinha havia falecido naquele instante.

  
 Ocasião em que Vilela entrevistou o ex cangaceiro Vinte e cinco.

O Senhor já está trabalhando em outro projeto? O que os seus leitores podem esperar desta nova publicação?
E- Estou em fase de edição focalizando neste trabalho o Cangaço no Agreste Pernambucano, trazendo neste livro 90 por cento de fotos inéditas.

O Senhor escreve em alguns jornais de Garanhuns, sempre resgatando a História da cidade, existe algum projeto de publicar algo neste sentido?
E- Esporadicamente escrevo para o Correio Sete Colinas e realmente pretendo daqui a cinco ou seis anos publicar livro de memórias de Garanhuns, cujo título será Garanhuns, Seu Povo e Sua História.

Como está a agenda neste ano de 2010?
E- De 08 à 10 de Junho estarei participando do XIX Fórum do Cangaço de Mossoró, o qual fui convidado para fazer uma palestra sobre a Historiografia do Cangaço. De 17 a 22 de agosto estarei participando do II Carriri Cangaço no Crato, Juazeiro, Missão Velha, Barbalha, Porteiras e Aurora, onde farei palestras sobre o Cangaço no Agreste pernambucano. No dia 28 de Julho estarei em Angicos e Poço Redondo, onde Lampião foi morto. E estou aguardando a confirmação para viajar a Munique, onde farei uma palestra para a comunidade nordestina, iniciativa da doutora Fátima, garanhuense que reside naquela cidade alemã.

Em relação à literatura em Garanhuns, o que poderia ser feito para dar oportunidade aos nossos escritores?
E- O incentivo do poder público custeando as edições dos livros.

(Entrevista concedida a Cláudio Gonçalves de Lima)

 
Este é o novo trabalho do confrade Vilela.



Contatos com Antonio Vilela:
(87) 3763 5947 / 8811 1499
incrivelmundo@hotmail.com

Açude: Blog do Ronaldo César

Lampião Aceso informa: 
CARIRI CANGAÇO 2
Domingo, 22 Agosto 2010
09:00 H no Teatro Marquize Branca – Juazeiro do Norte
"Lampião no Agreste Pernambucano"
Proferida por Antonio Vilela

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Prazer em conhecer: Lampião Aceso entrevistou Sérgio Dantas

Comemorando "Três anos de Lampejos" apresentamos um dos mais notáveis vaqueiros da História cangaceira

"SD" é como a "Turma da base" o chama.  

Desde quando o conheci em 2005, me impressionei com seus artigos e informações, além das fotografias que eu buscava e estavam ali disponibilizadas na sua comunidade do Orkut "Lampião, Corisco e Cangaço". Um material que eu pensava que nunca teria acesso gratuito. 

O lema era combater a mitificação e os exageros existentes e ainda resistentes. A pesquisa de Sérgio nos inspirou, me identifiquei com suas intuições. Através de seus tópicos, provocações e consultas via email. Iniciei uma reciclagem e aprimoramento de minhas opiniões e conhecimento.

Depois da extinção desta primeira comunidade, vieram a "Cangaço, Discussão Técnica" a alternativa "Confraria Fuleira do Cangaço" (Criada para discutir assuntos como posso dizer... menos relevantes...Risos). De repente ele não quis mais a gerência do tal do 'yokurt'. Passou a bola, porem não ficou de fora, como moderador dava suas contribuições nas demais. 


Na desconhecida "Discussão" éramos poucos e as vezes desestimulados. Migramos para a pioneira, gigante, porem bagunçada "Lampião, Grande Rei do Sertão" Só depois que passou a ser doutrinada e administrada pelo rev... quer dizer pelo Dr. Ivanildo Silveira, é que a coisa mudou de figura. Galhofas deram lugar a compromissados e contagiados participantes, e de repente, estava instituído o melhor fórum de debates do cangaço na Web.

Não se trata de clubes virtuais pra trocar figurinhas, é uma escola do mais alto nível. Uma irmandade da 'gôta serena'. 

Através das análises, investigações de: SD, Ivanildo, Rostand Medeiros, Netinho Nogueira e Geziel Moura é que verdadeiramente ingressei na ciência 'cangaceiróloga'. Exalto aí estas cinco gratas e inesquecíveis amizades que a internet me proporcionou.


Certo dia ao ligar na TV Aperipê... (canal local de Aracaju), - Apois num é o Dr. ?!- Sim, o dono da comunidade, acompanhado pela anfitriã e amiga Vera Ferreira, concedendo entrevista para o Valadão, convidando os sergipanos para o lançamento de seu primeiro livro. Eu que pensava que o cabra só escrevia pra internautas, estreou na literatura com uma obra referencial. 

Estive lá na Escariz, pra adquirir o meu exemplar, cumprimentá-lo e acho que assim nossa amizade saiu do campo virtual. Um dia destes ele veio à Aracaju. Depois de um intervalo de cinco anos nos reencontramos pessoalmente e combinamos uma viagem até o baixo e Sertão do São Francisco. 

Pousamos em Canhoba, depois Fazenda Jaramataia de Eronides e por fim retornando à capital pelas vizinhas Capela e Dores. Em meio dia fizemos 4 rotas de Lampião em Sergipe. 

Atribuo a criação do blog Lampião Aceso não só pela necessidade de divulgar os tópicos para quem não gostava ou não fazia ideia do que acontecia no Orkut e mais por uma sugestão e incentivo do homi. Eu estou aqui me considerando como o menos aplicado dos seus "discípulos" procurando barbeirar o mínimo possível no trato com o incrível mundo do Cangaço.

Sérgio Augusto de Souza Dantas é um potiguar de 48 anos, natural da capital (embora com avós sertanejos pelos quatro costados, em uma curiosa fusão de ancestrais de norte-riograndenses, paraibanos e pernambucanos). Assim, considera-se um ‘quase’ sertanejo. É Magistrado concursado, exercendo a função desde dezembro de 1993, ali mesmo no Rio Grande do Norte.
Em meados de 1998 quando, casualmente, acompanhava um colega, também Magistrado, que iria tomar posse na cidade de Tabira, alto Sertão de Pernambuco. Após a solenidade, foram para Serra Talhada, onde pernoitaram. Na manhã seguinte, antes do retorno ao RN, fizeram uma visita importante: naquele dia tiveram o prazer de conhecer o legendário David Jurubeba. Interessante que, naquela época, não lhe passava pela cabeça adentrar no tema cangaço.
Conhecer David aconteceu mais por insistência deste colega, o Roberto, pelo qual tinha grande admiração e alguma amizade com o velho combatente de Nazaré. Confessa que foi até sem grande interesse; na verdade, apenas para fazer companhia. Mas lá esteve. Aquele bate-papo (que foi gravado em fita K7), porém, se impressionou sobremaneira, de modo que, em pouco tempo, adquiriu dois livros: “Lampião, o Rei dos Cangaceiros” (De Billy Chandler) e “Lampião na Bahia” (de Oleone Fontes).

 Reunião de "CSI´S" Sabino Basseti, Antonio Amaury, 
Sérgio Dantas e Leandro Cardoso.

Uma cópia daquela fita K7, com pouco mais de 45 minutos de prosa – e solicitada meses mais tarde ao colega Roberto -, ainda está em seu poder, embora já bastante danificada pelo tempo. Mas, voltando ao tema, a partir de Chandler foi, muito lentamente, adquirindo livros que estavam relacionados na parte final daquela obra e a coisa foi se tornando cada vez mais interessante.


 Com Expedita Ferreira Nunes, filha única de Lampião e Maria.
Set. 2011

Veio a sede da pesquisa e do ‘saber mais’. Porém, naquela época, jamais lhe passou pela cabeça escrever algo. Naquela época, contentava-se em ler a maior quantidade de livros que era possível. Nada, além disso! E o amigo Paulo Gastão, além de me sugerir títulos, me presenteou com alguns, relativos à frustrada tentativa de tomar a cidade de Mossoró. Antônio Amaury foi outro grande incentivador.

Então apresente suas crias! 
- Bom, os meus trabalhos escritos foram fruto de um acaso. 

Na verdade, no início de 2001, eu me inscrevi para fazer uma Especialização em História. Escolhi o tema cangaço porque, além de estar interessadíssimo na história deste movimento armado, trabalhava – e morava – no interior do Estado, o que facilitaria minhas viagens para os pontos de pesquisa. Escolhi, pois, a jornada de Lampião pelo Rio Grande do Norte e fui à luta. Meu objetivo era dar uma maior visibilidade ao cangaço de Lampião em vários municípios de meu Estado. 

Me preocupava, por demais, o foco único no combate de Mossoró e, por outro lado, o gritante esquecimento dos demais episódios ocorridos nas terras potiguares em 1927. Daí nasceu “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA”


Lançado em março de 2005. Uma tiragem modesta de 1.200 exemplares que, para minha surpresa, esgotou em um ano.


Daí, tomei gosto e tratei de concluir o meu segundo trabalho “ANTÔNIO SILVINO: O CANGACEIRO, O HOMEM, O MITO”. 


Como eu tinha já um bom material sobre esta personagem histórica, bastou sistematizar tudo e lançá-lo, o que foi efetivamente feito em outubro de 2006.


Por fim, veio o terceiro trabalho. Este, foi fruto de observações e de conclusões que tirei de horas de entrevistas (com ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros e testemunhas de fatos havidos em diversos períodos do cangaço de Lampião), da leitura sistemática da minha antiga biblioteca sobre o tema, além de vistas em jornais e documentos públicos os mais diversos. Assim, do confronto de tudo isto com a legislação penal da época, saiu o livro. Confesso, porém, que este terceiro trabalho – LAMPIÃO ENTRE A ESPADA E A LEI. 


Poderia ter sido mais maturado. Na verdade eu o publiquei (não o lancei) em fins de 2008, com o objetivo de aproveitar a data de 70 anos da morte de Lampião. Poderia ter deixado a publicação para data posterior (o que me teria poupado alguns aborrecimentos e, também, a sensação de que ‘ainda ficou algo a dizer’...) No futuro, quem sabe, cuidaremos de uma segunda edição. Mas, por enquanto, tal não passa de um projeto distante.

Livro de outro autor? Por que?
- Olha, pela sua profundidade e por abranger o cangaço desde os primórdios, em uma metodologia – e linguagem - rigorosamente acadêmica, creio que o livro “Guerreiros do Sol”, de Frederico Pernambucano de Mello, é o que mais me interessou até o momento. Há outros vários, inclusive de confrades desta nova geração de escritores/pesquisadores. Mas o “Guerreiros” dá uma nova roupagem – e outro modo de ver - ao estudo do cangaço.

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro?
Recomendado
- A pergunta é um pouco difícil, pois há muitos títulos bons. Mas indicarei dois: para um estudo formal, cronológico e concatenado da vida de Lampião (já que se trata do principal cangaceiro), indico, sem pestanejar, o livro ‘LAMPIÃO, O REI DOS CANGACEIROS’, do brasilianista Billy Jaynes Chandler. Chandler, a meu ver, foi muito além da fonte oral. Em sucessivas viagens ao Brasil, vasculhou Cartórios, Arquivos Públicos e Institutos Históricos em vários Estados da Federação. O resultado foi um trabalho científico de alto nível, feito dentro de critérios acadêmicos e com texto leve e direto. Apesar de não ser brasileiro, não se pode deixar de reconhecer seu mérito.

Outro livro que indico é ‘DE VIRGOLINO A LAMPIÃO’, de Antônio Amaury e Vera Ferreira, por ser um resumo cronológico da vida atribulada do cangaceiro. Creio ser este trabalho um bom ponto de partida para um estudo mais aprofundado do personagem ‘Lampião’ - o mais notório de todos os cangaceiros. Mas, como disse, existem muitos outros trabalhos interessantes sobre o cangaço de um modo geral.

Com quantos e quais personagens desta história você teve contato?
- Não foram tantos. Eu comecei tarde, pois 1998 foi um dia desses. Mas ainda tive oportunidade de conhecer alguns ex-cangaceiros (Vinte e Cinco, Candeeiro, Sila, Moreno, Durvinha, Aristéia, Adilia, etc.); poucos ex-volantes (Luiz Flor, João Gomes de Lira, David Jurubeba, Pompeu Aristides, Neco de Pautília, Elias Marques, Josias Valão, Antônio Vieira). Além destes, alguns ex-coiteiros e pelo menos umas duas centenas e meia de pessoas que entrevistei nestes poucos anos. Pessoas comuns que testemunharam - de forma direta ou indireta - algum episódio ligado ao cangaço.


Maria Ferreira Queiroz a "Dona Mocinha" 
irmã de Lampião ainda viva.

 Rostand Medeiros, o saudoso tenente João Gomes de Lira e Sergio Dantas.

 Almoçando com os saudosos Moreno e Durvinha 
na residência dos mesmos em BH.

 Igualmente saudoso Antonio Vieira, 
soldado volante do grupo do aspirante Francisco Ferreira. 

Qual destes contatos foi, ou foram, os mais difíceis?
- Diria ‘o menos fácil’. Foi o José Alves de Matos, o ‘Vinte e Cinco’. Não pela abordagem em si, mas porque o amigo José Alves não gosta muito de falar daquele passado nebuloso. Conta alguma coisa. Às vezes, é um pouco reticente..Mas, sei que ali é um arquivo vivo de vários acontecimentos importantes. Ademais, é um homem extremamente correto e verdadeiro.

 "Vinte e Cinco" Ainda firme e forte.

Qual o contato que não foi possível e lhe deixou de certo modo frustrado?
- Nenhum. Quem eu procurei, me recebeu.

Aqui com Dona Antónia, 
uma das companheiras do cangaceiro "Gato".

Saudosa memória: O sargento Elias Marques,
falecido aos nove dias de fevereiro deste ano.

Manoel Dantas Loyola, o gentil "Candeeiro". 
Um dos últimos remanescentes vivos da era Lampiônica. 


Com o ex-comandante de Polícia, Manoel Cavalcanti de Souza, 
o Nazareno 'Neco de Pautilia', que ainda vive em Floresta, PE. 

Com qual remanescente gostaria de ter conversado?
- Algum ‘chefe de grupo’. Como quase todos os principais não sobreviveram ao cangaço, seria uma tarefa impossível para mim (risos). Porém, talvez tivesse gostado de conhecer o Labareda ou o Zé Sereno, afinal, chefiaram grupos. Seria interessante ouvir deles algo sobre estratégia de combate, os critérios para arregimentação de novos ‘cabras’, as ligações com o coronelato de barranco, as relações entre os subgrupos.. Coisas assim. Mas quando comecei o estudo, mesmo estes dois que citei já haviam falecido.

Qual é o seu capitulo preferido?
- A saga de Antônio Silvino, apesar deste personagem ter sido totalmente apagado pelo brilho das façanhas de Lampião.

Um cangaceiro (a)?
- Luiz Pedro, pela fidelidade ao amigo e chefe, além do comedimento em seus atos. Poucas vezes chegou, a meu ver, às raias da violência extremada.

No Sítio Retiro, zona rural de Triunfo, PE. 
Com António Pedro, sobrinho legítimo de Luiz Pedro.

Um volante?
- Apesar de ser tido como extremamente cruel, Odilon Flor. E o elejo não por essa ‘qualidade’, mas pela obstinação em perseguir. Não devemos esquecer que, em que pese ser de Nazaré/PE, migrou para outro Estado, a Bahia, e lá continuou sua busca por Lampião.

 Lendário Odilon Flor,
um dos líderes da Saga Nazarena contra Lampião.

Um coadjuvante? 
- Massilon Leite. Poderia ter sido até um grande cangaceiro, mas resolveu dar um passo além das suas possibilidades. De fato, a partir do fracasso assalto a Mossoró (1927), caiu no anonimato e morreu assassinado no ano seguinte. Se não fosse o recente trabalho de Honório Medeiros, o nome deste personagem estaria fadado ao esquecimento; atirado em algum porão da História.

Uma personagem secundária? 
- O obscuro João Maria de Carvalho, da antiga Serra Negra (hoje Pedro Alexandre/BA). Há, ainda hoje, poucas informações sobre este ‘figurante’.

Geralmente todo pesquisador é colecionador, qual é o foco de sua coleção?
- Já colecionei alguma coisa, principalmente armas, mas doei quase tudo em 2009 e 2010. Como cheguei muito tarde, não tenho mesmo como colecionar peças da época. Assim, decidi não procurar e nem comprar mais nada. Hoje me contento com o aprendizado da temática. E esse é um campo de estudo inesgotável.

Entre as peças tem alguma relíquia? 

Os óculos e foto da ocasião da doação.
- Hoje, quase mais nada. Um punhal pequeno, de prata trabalhada; um cartaz recompensa de 1929, mas já bem surrado. Também ainda guardo um par de óculos que me foi presenteado por um antigo morador de uma fazenda situada no pé da serra do Martins, aqui no RN. Trata-se do Sr. Zacarias Vaz, da fazenda Ribeiro. Os cangaceiros passaram ali – rumo a Mossoró – ao fim da tarde do dia 11 de junho de 1927. Após a rápida ‘visita’ da cabroeira, o pessoal do sítio se enfurnou em casa, com medo. Só saíram com o dia claro. Aí o pai de seu Zacarias, encontrou, no terreiro do sítio, este par de óculos de vidros esverdeados e com armação banhada a ouro.

 Além dele, uma bala de fuzil. O senhor Zacarias – infelizmente, já falecido – me entregou estas duas peças em 2003. Disse-me que estava perto de morrer e por isso me presenteou: “meus filhos não ligam para isso” – me disse na ocasião. Porém, não tem tenho qualquer elemento para afirmar a qual cangaceiro do bando os óculos pertenceriam. Seria demasiadamente leviano de minha parte.

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário, enfim, sem exagero da ficção, lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia. Enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou? Por que?
- O ‘Baile Perfumado’, por dois motivos: a fotografia excelente e a habilidosa união da realidade e ficção em um único roteiro. É, sem dúvida, uma película interessante.

 Cena de Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira.


Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?
- Vou passar esta (risos). Já ouvi muita bobagem, não posso negar. Todavia, em respeito às pessoas que as disseram – as quais foram bastante simpáticas e solícitas para comigo quando as entrevistei-, deixarei de declinar os ‘causos escabrosos’ a mim relatados.

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico, alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”; “João Peitudo, filho de Lampião”; “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?
- São temas polêmicos, é fato. No entanto, quem os defende, tem seus argumentos. E eu os respeito. Posso até não aceitar este ou aquele ponto de vista, mas, por outro lado, tento discordar de forma cortês. Afinal, vivemos em um país onde a liberdade de expressão e opinião ‘ainda’ é livre...E, convenhamos, a dialética é saudável ao debate, até para se chegar a uma mínima verossimilhança dos fatos - já que a ‘verdade absoluta’ é impossível em História.

E Lampião, morreu baleado ou envenenado?
- Hemorragia causada por ferimento de arma de fogo.

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando. Ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim, qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?
- Talvez uma segunda edição do meu primeiro trabalho Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada, devidamente revisada e reescrita em uma linguagem menos acadêmica. Todavia, como é um livro grande, com 452 páginas, isso vai levar algum tempo ainda. E, de toda forma, ainda é um projeto. Não sei se terei condições de levar a cabo essa tarefa em razão de obrigações outras.

Pra concluir, um registro da nosso visita à histórica "Fazenda Jaramataia"  
ou o que restou da mesma em Gararu/Sergipe (Setembro 2011). 

Contato:
sasdantas@yahoo.com.br