quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cinema e Cangaço

Cangaceira com muito brio


No contexto do cangaço, Lídia é uma mulher que persiste na sua própria existência, mais do que em apenas sobreviver. Casada com o violento cangaceiro Zé Baiano, ela se apaixona por Bem-te-vi. Inspirada em história real, a traição misturada ao desamparo e à solidão da protagonista instigou a atriz e diretora cearense Iziane Mascarenhas a realizar o curta Querença. O filme estreou na última terça-feira 24, na mostra competitiva Foco, da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que começou no dia 20.

“Interessa do feminino a necessidade de se expressar e de se revelar, de ter orgulho e coragem de ser. Sem falar que dentro do cangaço, é um tema que não foi muito explorado. A mulher sempre aparece acompanheirando algum homem”, comenta Mascarenhas. Desde O Céu de Iracema (2002) – também selecionado anteriormente pelo mesmo festival –, o feminino estava presente na obra de Iziane, que divide as atenções entre Ceará e o Rio de Janeiro. “A luta no cangaço é marcadamente masculina. Quando Maria Bonita s apaixona por Lampião, as mulheres já não estavam para servir, mas para construir parcerias”, argumenta a diretora.

Após Dona Carmela (2004), Iziane dedicou-se a projetos como atriz, como sua participação em A Pedra do Reino (2007), minissérie da TV Globo. Também escreveu dois roteiros para longa-metragem: O Brinquedo do Pai e A Coleção Invisível. Prestes a ser finalizado com direção de Bernard Attal, o segundo roteiro foi co-escrito em parceria com o baiano Sérgio Machado. Pensado em 2008, o projeto de Querença desembocou em um curta, mas desdobrou-se em roteiro de longa, temporariamente intitulado Lídia. “Estou procurando formas de viabilizar”, esclarece Iziane.

Querença foi completamente filmado em Quixeramobim, com apoio da prefeitura do município e com recursos do Edital Ceará de Cinema e Vídeo da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). Costureiras, bordadeiras e outros artesãos de Quixeramobim participaram da confecção de roupas e objetos cênicos e 17 moradores da cidade foram convidados como personagens secundários.


O ator Lúcio Leonn interpreta o cangaceiro Coqueiro

Da trágica descoberta da traição, o filme procura desenvolver como a situação é administrada pela protagonista. “É o enfrentamento com o ser humano diante de seus limites. Lídia poderia ceder com a chantagem. Ela corre risco de vida. Gosto deste momento em que a vida desta mulher se depara com a possibilidade de dar o jeito que ela prefere”. A própria Mascarenhas interpreta Lídia, contracenando com os atores Tavinho Teixeira e Lázaro Machado. “Não me identifico com a personagem, mas admiro o exercício de uma ideologia, de ter o brio, palavra que minha avó usava”.

SERVIÇO
O que: 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, MG
Quando: até 28 de janeiro (Querença, de Iziane Mascarenhas será exibido amanhã, às 22h30
Onde: Cine-Praça, Cine-Tenda e Centro Cultural Yves Alves, em Tiradentes
Info.: www.mostratiradentes.com.br

Reportagem de Camila Vieira para o jornal "O POVO"
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Matéria indicada pelo coroné Ângelo Osmiro
Pesquei em: Imagem em movimento
e em Notasdator

3 comentários:

Helio disse...

Muito bom caro Kiko, abraços

Professor Mario Helio

Beth Amorim disse...

Estou pesquisando sobre o cangaço no cinema em meu mestrado e gostaria de saber como faço para ter acesso a esse curta sobre Lídia. Fiquei bastante interessada. Por favor, se você puder me ajudar, eu agradeço. Meu e-mail é: bethiamorym@hotmail.com e moro na cidade de Mossoró-RN.

Beth Amorim disse...

Esqueci de mencionar: eu também sou sócia da SBEC (há um ano). Beth Amorim.