segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Joãozinho de Donana

Por: Reinaldo Passos

Dando prosseguimento a série de homenagens aos cidadãos pinhãoenses, chegou a vez de João Batista da Costa, mais conhecido em Pinhão como Joãozinho de Donana.

Joãozinho de Donana nasceu no povoado Lagoas em Pinhão no dia 04 de Julho de 1914. Ele foi vereador em Itabaiana por dois mandatos. Foi exator nas cidades de Pinhão e Itabaiana, foi delegado de polícia em Itabaiana e também caminhoneiro.

Em Pinhão, o povo o conhecia como Joãozinho de Donana ou Joãozinho Veneno. Já em Itabaiana era mais conhecido como Joaozinho da Padaria.

Ele era irmão do primeiro prefeito de Pinhão, o senhor José Emigdio da Costa Filho, mais conhecido como Costinha.

Com o falecimento do irmão Costinha em 1969, Joãozinho de Donana, pediu transferência da exatoria de Itabaiana para a exatoria de Pinhão, afim de ficar mais próximo dos familiares.

Joãozinho faleceu em 05 de janeiro de 2008 deixando o meu pai Manoel de Benício, seus amigos e familiares muito entristecidos com sua partida. Manoel de Benício era muito amigo dele e os dois passavam horas e horas proseando.

Quem teve o prazer de ter um "dedim" de prosa com ele, não deixou de ouvir relatos das passagens de Lampião e seu bando pelas terras pinhãoenses.

Joãozinho foi matéria do jornal Cinform no dia 06 de maio de 2001 na edição 942. Confira alguns trechos:

Segundo ele, o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, esteve duas vezes em Pinhão. A primeira, na manhã de 22 de abril de 1929. A segunda em 1938.
Em 1929, dez cangaceiros invadiram a cidade. Além de Lampião, estavam presentes Corisco, Virginio (cunhado de Lampião), Arvoredo, Zé Fortaleza, Volta Seca, Ângelo Roque, Ezequiel Ferreira (irmão de Lampião) Luiz Pedro e Luiz Mariano.
"Nunca vou esquecer aquele dia", rememora o aposentado Joãozinho Batista da Costa. Segundo ele, Lampião estava em Pinhão para conseguir munição e dinheiro.
 "Ele não ameaçava, nem, bolia com ninguém. As únicas coisas que fez foi andar pelas bodegas, procurar munição na cidade e nos mandar pegar alguns cavalos. Depois pediu que algumas pessoas fizesse uma cota entre os moradores para ajudá-lo"
"O bando de Lampião e a volante comandada pelo Tenente Menezes trocaram tiros e por sorte ninguém de Pinhão morreu"
"Na passagem do bando de Lampião em 14 de outubro de 1938, o cangaceiro Zé Sereno matou o soldado José Paes da Costa".
Joãozinho conta que: "Quando chegou a volante, que veio brigar aqui à noite, o Zé Sereno pediu ao soldado José Paes, que era amigo deles, para tirá-los da cidade, porque eles não conheciam muito bem a região. Zé Paes saiu com os cangaceiros e, mais adiante, depois de tê-lo guiado, sem mais nem menos Zé Sereno atirou nele, pelas costas, na traição. Não tinha motivo, foi só maldade."


Pesquei no açude de: Reinaldo Passos


Adendo Lampião Aceso
Lembrando que o Sr. Joãozinho além de compadre foi responsável pela criação de uma filha de Dadá e Corisco a Sra. Maria do Carmo que hoje reside em Salvador-BA. Eu estive presente ao reencontro dos dois em julho de 2007 no povoado Alagadiço município de Frei Paulo - SE.

2 comentários:

José Mendes Pereira disse...

Amigo Kiko Monteiro:

Mais uma informação que eu não sabia. Uma das filhas de Corisco e Dadá, a Maria do Carmo.
Valeu!

José Mendes Pereira - Mossoró-RN.

ADERBAL NOGUEIRA disse...

Sr. Reinaldo Passos, possuo um depoimento do ex-cangaceiro Candeeiro "Manoel Dantas Loiola" narrando uma passagem deles por Pinhão, se não me falha a memória foi exatamente em 1938, vou procurar esse depoimento nos meus arquivos e espero em breve publicar no blog. Gravei esse depoimento em 1997, e foi muito marcante porque foi gravado no local onde Candeeiro nasceu, em um sítio bem próximo de Guanumbi, distrito de Buíque.

Aderbal Nogueira