sexta-feira, 13 de junho de 2014

1938

Uma entrega de cangaceiros 

Por Rubens Antonio

Após o massacre de Angicos, muitos cangaceiros entregaram-se.O contexto das entregas teve início com o aparecimento espontâneo de cangaceiros, que se apresentaram, em 12 de outubro de 1938, quando de uma pregação dos freis capuchinhos Francisco e Agostinho de Loro Piceno, em terras de Jeremoabo. Este, dirigindo-se aos mesmos, convidou-os à entrega, oferecendo-se como intermediário.

Havendo sucesso neste evento, aproximou-se de outra missão de capuchinhos, conseguindo intermediação para a entrega, um outro grupo de  seis cangaceiros chefiados por Zé Sereno. Isto se deu por volta de 20 de outubro de 1938.

Entre 27 e 31 de outubro, houve negociação com um terceiro grupo. Porém, antes que ele se entregasse, um coiteiro afirmou aos cangaceiros que tudo não passava de uma armadilha. Este outro grupo, então, evadiu-se.

Consciente das propostas deste blog, uma primeira imagem foi cedida pelo pesquisador do Cangaço e estudioso Orlins Santana de Oliveira, também reconhecido como "o mais dedicado pesquisador do Brasil em naufrágios na costa baiana". Batida em Jeremoabo, a imagem se apresentava, neste primeiro esforço, sofrida pelo tempo, sendo uma das cópias originais, cuja posse pertence, conforme Orlins, ao acervo da Família Ferreira.

Repassando a mensagem do prezado Orlins (Foto) para os estudiosos do Cangaço:
"A única foto que se tem conhecimento tirada com a policia, cangaceiros e a igreja católica.
Hoje ela pertence ao acervo da Família Ferreira - Expedita, Vera e outros. Cedida por Orlins Santana de Oliveira, seu criado.

Não é cópia, é uma foto original da época. tamanho 6x9. Zé Sereno, citado como chefe e marcado pelos padres com uma cruz, na foto. Citações no verso.
Um abraço a todos."

No fundo da foto aparece uma inscrição evocando as personagens nela presentes:


.Transcrição:
"frei Agostinho e frei francisco
Mons, José Magalhães
Capitão Anibal e Alipio Fernandes da Silva : O bando
de Lampião que se entregou
em Geremoabo (1938:
O homem é o
Balão e Zé Sereno, chefote do bando"

Fonte da imagem de Orlins Santana de Oliveira:
http://www.nectonsub.com.br/wordpress/page/70

Na busca da ampliação da identificação das personagens desta imagem, buscou-se apoio junto aos religiosos.

Os frades que aparecem na imagem são da Ordine dei Cappuccini, ou seja, capuchinhos. A ordem chegou à Bahia em 27 de abril de 1892, estabelecendo o que mais tarde seria reconhecido com "Provincia di Nostra Signora della Pietà di Bahia e Sergipe”.

O site oficial da Ordem divulgou a foto legendada:

Aparecendo em:

Os dois capuchinhos que aparecem sentados são precisamente os freis Francisco, cujo nome completo era Francesco Urbania, e Agostinho, de nome completo Agostino da Loro Piceno. Estes aparecem nesta outra fotografia contemporânea aos eventos, de propriedade do Centro de Memória dos Capuchinhos, em Salvador:


Na foto das entregas, ocupando a posição central, de pé, está também um padre. É o Monsenhor José Magalhães e Souza, que esteve à frente da Paróquia de Jeremoabo, na igreja matriz São João Batista, de 1928 a 1959.
Fonte: "História da Diocese de Paulo Afonso", do Monsenhor Francisco José de Oliveira, in http://portaljv.com.br/eventos.htm.

Uma das sugestões de identificação, incluindo o cangaceiros, salvo melhor juízo, é:
De pé, da esquerda para a direita:
Marinheiro, Laranjeiras, Desconhecido talvez Beija-Flor, padre José Magalhães e Souza, Novo Tempo, Ponto Fino, Quina-Quina, Azulão e Balão.
Sentados, da esquerda para a direita:
Cuidado, Jurity, Candieiro, frade capuchinho Agostinho, capitão Annibal Ferreira - comandante do Destacamento do Nordeste da Bahia, tenente Alípio Fernandes da Silva, frade capuchinho Francisco, Zé Sereno e Creança.

De modo a permitir melhor abordagem da imagem, possibilitando seu melhor estudo, Centro de Memória dos Capuchinos, através do Frei Ulisses Bandeira, franqueou acesso ao original efetivo, a primeira imagem revelada, desta fotografia. Ela é aqui oferecida aos estudiosos em melhor resolução, de maneira a ajudar no afirmar ou contestar a identificação dos cangaceiros:



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