Gueiros na guerra
Por Jaozin Jaaozinn
Trago aos amigos duas fotos do afamado sargento Optato Gueiros, sendo uma inédita (primeiro post) e uma rara (segundo post). Ambas são da década de 1930 — 1932 e 1937, respectivamente.
A primeira fotografia é bem interessante pois se trata da sua participação na Revolução Constitucionalista de São Paulo, ocorrida em 1932. Da mesma forma, na Revolução de 1930, as forças dos estados nordestinos estiveram sempre presentes nos inquietantes conflitos que ocorreram em todo o país. Para defender aqueles que apoiavam a "constituinte", foram mandadas inúmeras tropas pernambucanas, comandadas pelo coronel Jurandyr Mamede, para a capital paulista.
Nas "tropas do Norte", destacavam figuras de extrema importância na guerra contra o cangaceirismo, como o próprio Optato, o sargento Higino Belarmino (conhecido como Nêgo Higino por Lampião e demais companheiros ou inimigos), e o coronel Theodureto Camargo, de Alagoas.
Na imagem, vemos (da esquerda para a direita) o sargento Optato Gueiros, o coronel Mamede e o voluntário Osmundo Borba — diretor de estatística — quando já estavam dispostos para guerrear em São Paulo. Registro do mês de outubro de 1932.
Na segunda fotografia, vemos o militar trajando sua farda de campanha quando perseguia os bandoleiros nos sertões brasileiros. De chapéu quebrado, punhal, fuzil e calçado de alpercatas, brigou com Virgolino e seus sequazes em boa parte dos territórios pernambucanos; como também "fez miséria" no Massacre do Caldeirão, em 1937, que foram massacrados os "romeiros" do beato José Lourenço.
Vale lembrar também que, no fim do cangaceirismo, o então sargento publicou o livro "Memórias de um Oficial, Ex-comandante de Forças Volantes”, no ano de 1953, em que conta suas participações de conflitos entre cangaceiros, e denúncias de alguns "colegas de farda" que sujaram a profissão pelas arbitrariedades que cometeram.
Mesmo comandando verdadeiras feras, se orgulhava por nunca ter maltratado um coiteiro, ou então de ter feito crimes contra sertanejos. Era evangélico, e lia a Bíblia em inglês.
𝐹𝑂𝑁𝑇𝐸: 𝑂 𝑅𝑎𝑑𝑖𝑐𝑎𝑙/𝑅𝐽 — 1932; 𝐷𝑖𝑎́𝑟𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑃𝑒𝑟𝑛𝑎𝑚𝑏𝑢𝑐𝑜 — 1951.
