segunda-feira, 23 de julho de 2012

Scans: Revista "A província nº 06 - Crato-Ce, Junho de 1994

“A saga de Sinhô e Luis Padre"

Recebi  do amigo Artur Carvalho, uma sensacional matéria do escritor cearense Hilário Lucetti,  a qual passo ao conhecimento dos rastejadores para um maior esclarecimento,  acrescentamos  " algumas  fotos ", para ilustrar  a excelente matéria...vejamô-la .

























Hagahús Araújo e Silva 
Deputado Federal, 1991-1995, TO, PMDB 


Um abraço a todos, e, mais uma vez, obrigado ao amigo "Artur"  pelo envio  desta excelente matéria.

Ivanildo  Alves  Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço
Natal/RN

Ops! nada de conclusões, confira os Adendos abaixo.

Por Jorge Remígio

Caros amigos. Interessante o texto do escritor Hilário Lucetti. Porém, faz-se necessário a correção de algumas datas e graus de parentesco de pessoas envolvidas nesta história que é uma verdadeira saga. A árvore genealógica dessas duas famílias que guerreavam no sertão, basicamente no Pajeú das Flores, torna-se complicada devido aos aos casamentos consanguíneos de Pereiras e Sá, como também, Carvalhos e Nogueiras. Não raro, a união por matrimônio entre membros da família  Pereira e Carvalho. Leve-se em conta também, o grande número de nomes iguais e repetidos, principalmente dos Pereiras. A seguir, algumas considerações sobre o texto postado:
" Sinhô Pereira e Luís Padre eram netos de Andrelino Pereira da Silva..."
Não, Luis Padre era neto e Sinhô, sobrinho neto. O avô de Sinhô, Aureliano Pereira da Silva, pai de Constância, era irmão de Andrelino, o Barão do Pajeú.

Na morte de "Né" Delegado em 1905, por Antônio Clementino de Carvalho, conhecido por Quelé, houve um incidente que precedeu ao fato, digno de relato. Cassiano Pereira da Silva (meu bisavô) e o meio irmão Cincinato Pereira, foram desarmar Quelé, invocando autoridade para esse ato. Quelé negou-se a entregar a arma em plena feira de Vila Bela. Manoel Pereira Maranhão, conhecido por Né Delegado e irmão dos dois, o qual havia sido Delegado anteriormente, achou esse ato uma desfeita e tomou as dores para ele, indo desarmar Quelé posteriormente na mesma feira, sendo assassinado.

"O matador de Padre Pereira foi Luiz de França da família Carvalho"
Não, Luiz de França não era da família Carvalho. Este, juntamente com os cabras Manoel Tomé e Mariano Mendes emboscaram e mataram Padre Pereira a mando de João Nogueira, o qual era casado com uma irmã de Sinhô, Benvenuta, mas conhecida por Benuta. Não foi crime de vingança. João Nogueira insistia pela herança da esposa Benuta, mesmo o sogro estando vivo e Padre Pereira opinou contrariamente junto ao irmão Manoel Pereira da Silva, sogro de João Nogueira. Este passou a ter ódio de Padre Pereira.
" Sinhô, dono praticamente de muitas terras e gado, vendeu tudo barato para cuidar da vingança"
Sinhô era muito jovem em 1916, ainda ia completar 21 anos e era o caçula de vinte e dois irmãos O pai teve dois casamentos. Foi o escolhido pela família, porque era solteiro e muito valente. Quem custeava as finanças do bando era Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão e também Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba, primo em primeiro grau do pai de Sinhô. Importante esclarecer, que o Major José Inácio do Barro-CE, foi quem deu toda estrutura suficiente para concretização do bando. Dona Chiquinha era sobrinha do marido Padre Pereira. A sua mãe Maria Pereira era irmão de Padre Pereira, a qual residia no Barro com o filho Luís Padre, antes de 1916.
“Os Carvalhos além de numerosos, por serem duas grandes família ligadas por afinidade, estavam sempre de cima na política, o que vale dizer, ter a polícia à disposição”
Nem sempre. Vale salientar, que os três primeiros prefeitos de Vila Bela, foram: Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, Manoel Pereira da Silva Jacobina, (Padre Pereira) e Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão. Os Pereiras eram correligionários de Rosa e Silva. Político que deteve o poder por muito tempo em Pernambuco. Na eleição de novembro de 1911, mudaram de lado e apoiaram o General Dantas Barreto. Os Carvalhos apoiaram Rosa e Silva, o qual venceu a eleição, mas não levou. Dantas Barreto impondo-se pelas armas, expulsou Rosa e Silva de Pernambuco, sendo o General, referendado como governador.

O Monsenhor Pequeno, amigo da família Carvalho, articulou politicamente a adesão dos Carvalhos ao partido de Dantas Barreto pós-eleição, inclusive, manipulando votos no diretório, conseguindo assim, maioria e consequentemente levando os Carvalhos a indicar pessoas de confiança em cargos estratégicos, havendo então, uma alternância no poder das famílias beligerantes a partir do ano de 1912.
Como é relatado no texto, Sinhô não assassinou Eustáquio Carvalho. O autor foi Manoel Pereira da Silva Filho, o Né Dadú, seu irmão mais velho. Em 1907, Sinhô tinha apenas 11 anos.
" Diz Zeca André em seu livro...  nos últimos meses de 1919, chegavam ao Barro no Ceará, Luís Padre e Sinhô" Sinhô Pereira formou bando no final de 1916 e Luís Padre já residia no Barro com a mãe, D.  Chiquinha. “No mês de dezembro de 1920, morria a mãe de Luís Padre"
D. Chiquinha  faleceu em 1918, acometida pela gripe espanhola. No mesmo ano, Luís Padre e Sinhô deixaram  o cangaço e viajaram separadamente para o Estado de Goiás. Sinhô sofre perseguição da polícia no Piauí e retorna ao campo de luta, permanecendo até a metade do ano de 1922.

Era o que eu tinha a dizer.
 
Att Jorge Farias Remígio
Funcionário público e pesquisador do cangaço e de quebra tem o sangue dos Pereiras de Villa Bella.
Custódia, PE

Adendo 2

Por Sousa Neto


Sensacional Matéria de A PROVINCIA. Graças ao amigo Professor Pereira, adequei esse e outros vários exemplares dessa revista. As observações do meu amigo “PEREIRA” Jorge Remígio foram precisas e por essa razão quero parabeniza-lo.

Gostaria de acrescentar que a questão entre Luiz Padre e Osório “Bezerra” não Maia, se deu pelo seguinte fato:

Osório Bezerra era casado com Isabel, irmã de Justino e Luiz Neco. Luiz Padre vivia maritalmente com uma bela mulher de nome Manuela apelidada de Manú. Luiz Neco jovem conquistador do sitio Carnaúba em Barro, lugar onde viviam os Pereira, conquista o coração da amante de Luiz Padre e a convence fugir com ele para longe.

Luiz Padre ao tomar conhecimento da fuga de Manú e Luiz Neco, tratou de procurar pistas que o levasse ao paradeiro dos dois. Foi informado que no município de Cajazeiras na Paraíba residiam familiares de Luiz, entre eles os dois irmãos. Sem demora rumou para o sitio Cipó com seus cangaceiros, na certeza de encontrá-los lá.

Ao chegar ao local tomou ciência que ninguém saberia do paradeiro dos fugitivos. Foi ai que cometeu tamanha atrocidade. Justino Neco que nada tinha com o caso foi castrado por Luiz Padre e Osório Bezerra teve a sua propriedade saqueada e incendiada pelo bando sanguinário. Para consolidar ainda mais a sua vingança, Luiz Padre levou Belinha que só foi devolvida ao esposo algum tempo depois por intervenção do Bispo de Cajazeiras.

Por essas bandas a musica era cantada da seguinte forma:
O riacho da Carnaúba
Já encheu e já secou
A mulher de Luiz Padre
Luiz Neco carregou.
Um abraço a todos!
Sousa Neto
Jornalista, Pesquisador e escritor do cangaço.
Barro, CE


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