quarta-feira, 22 de julho de 2009

Esquentando o caldeirão do Cariri cangaço

Tem Maria? Tem sim sinhô 

Maria Déa, A Bonita Maria de Lampião, ou Maria Gomes de Oliveira, nasceu no dia 8 de março de 1911, no Sítio Malhada do Caiçara, em Curral dos Bois, atual Paulo Afonso, filha de José Gomes de Oliveira, conhecido como Zé Felipe e Dona Maria Joaquina, conhecida como Dona Déa. 

Manoel Severo e João de Sousa Lima
Era a segunda numa família de dez irmãos. Casou ainda muito cedo, aos 15 anos de idade com o primo, José Miguel da Silva, o Zé de Neném, sapateiro e reconhecido boêmio da região. Naquela época já era notório o forte gênio da morena filha de Zé Felipe, costumeiramente o casal estava envolvido em brigas fundamentalmente em função do ciúme de Maria. 

Sempre que brigavam a jovem se abrigava na casa dos pais; foi justamente em uma dessas oportunidades que em 1929 teria havido o primeiro contato de Maria Déa com o Rei dos Cangaceiros, Virgulino Ferreira. Naquele dia Virgulino passaria pelas terras do Sítio Tara do conhecido coiteiro Odilon Martins de Sá, vulgo Odilon Café, e depois se dirigiria para as terras da Malhada do Caiçara, ali por longos meses havia construído uma sólida base de sustentação em terras baianas, estava entre amigos. 

Ao se despedir da família de Zé Felipe se dirige à morena Maria e pergunta se sabe bordar, ato contínuo deixa alguns lenços de seda para o ofício da sertaneja, prometendo voltar em breve para buscá-los. Parece-nos que já naquele momento o destino começava a traçar suas linhas na direção da maior mudança da história do cangaço: a entrada das mulheres nos bandos cangaceiros. 

E assim; Maria, Durvinha, Aristéia, Moça, Adília, Dadá, Enedina, Cristina, Lídia, Eleonora, Quitéria, Adelaide, Nenem, Sila, Rosinha... mudariam para sempre a feição do cangaço nordestino de Virgulino Lampião.

Essa e muitas outras histórias sobre as Mulheres no Cangaço será o Tema da Palestra do grande pesquisador e escritor de Paulo Afonso; João de Sousa Lima, (FOTO) tudo isso em setembro, no I Seminário Cariri Cangaço, aqui, na região mais bonita de nosso querido Ceará.


I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 26 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro, Missão Velha e Barbalha.

3 comentários:

JotaMendes disse...

E na verdade Maria Bonita era bonita mesmo.
Lampião foi o felizardo, por encontrar uma mulher cheia de amores para lhe dar. Viveu sobre os aconchegos de Maria Bonita durante oito anos.

Confrade Kiko Monteiro:
Desejo a você e os seus familiares: "UM FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO".
José Mendes Pereira – Mossoró-RN>

José Mendes Pereira disse...

Os problemas que surgiram entre Maria Bonita e Zé de Neném fizeram com que ela o odiasse e posteriormente se interessasse por um homem que vivia das armas. Não só para acompanhá-lo nas caatingas, mas para mostrar ao seu esposo que se ele não a valorizava, tinha outro que iria lhe acobertar de carinhos, respeito e zelo.

Zé de Neném era um homem grosso, teimoso, estéril, e Maria Déia sendo uma mulher jovem, bonita, atraente, não concordava em baixar a cabeça diante do esposo que havia se casado. Mesmo ela sabendo que a vida de cangaceiros era uma incerteza de estar viva no dia seguinte, resolveu de uma vez por toda seguir o homem que ela achava que seria a sua alma gêmea.

O cangaceiro Volta Seca em 1973, disse ao repórter do Jornal “O Pasquim” que Lampião muito a aconselhou que não o acompanhasse, pois a vida de cangaceiro não tinha futuro nem pra ele e nem para ninguém. Ele vivia naquela vida, mais não gostava. Tinha dia que ele se sentia como se fosse um desprezado do mundo, uma solidão imensa da liberdade, mas já que estava naquela vida desgraceira, não podia mais sair. Do contrário seria preso e poderia ser morto pelos policiais, os quais muito o odiavam.

Mas mesmo com todos os conselhos de Lampião, ela findou o acompanhando para mais perigosa vida que possa ser; vivendo de correrias nas matas, se desviando de estilhaços de balas, passando sede e muitas vezes fome, fome e muita fome.

O bom mesmo era que ela ficasse sob um teto, vivendo ao lado do seu marido, e não caísse no mundo das desilusões.

Mas Maria Bonita insistiu tanto, que findou Lampião a levando para as caatingas na garupa do seu cavalo.

José Mendes Pereira – Mossoró-RN.

José Mendes Pereira disse...

Sobre o Ananias Gomes de Oliveira, já falecido, e que rola uma conversa entre os seus familiares que ele não era filho de Dona Maria Déia e seu José Felipe, mas mesmo com essa dúvida, é muito difícil que ele seja filho de Lampião e Maria Bonita.

Geralmente quando um sujeito ganha nome (no caso Lampião e Maria Bonita, que mesmo com fama de ladrões e assassinos, foram parar na boca do povo como heróis), todos querem participar dessa fama, ou de uma forma ou de outra.

O que dona Maria Déia disse ao seu ex-genro, segundo o escritor João de Sousa Lima, que o Ananias era filho do homem, isto é, de Lampião Eu acredito que ela disse simplesmente uma brincadeira ao ex-genro. E ao jogar essa brincadeira aos ouvidos do seu ex-genro, o qual garantiu que não espalharia o assunto, e ele não ligava se a população tomasse conhecimento, já que ele não era mais genro da mãe de Maria Bonita; saiu espalhando por todas as rodinhas de amigos, ou em calçadas de fofoqueiros (e para isso não faltam), tendo a conversa tomado rumo às demais localidades adjacentes, a qual se tornou verdade.

As diferenças de famílias sempre existiram e não deixarão de existir. Um filho pode ter tendências para ser parecido com o avô, ou com a avó, sem nenhuma característica do pai ou da mãe.

Espero que essa dúvida seja logo esclarecida.

José Mendes Pereira – Mossoró-RN.